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Representação em texto

BrBRCVAg0100-29452002000100027

variedadeBr
Country of publicationBR
colégioLife Sciences
Great areaAgricultural Sciences
ISSN0100-2945
ano2002
Issue0001
Article number00027

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Novas cultivares de acerola (Malpighia emarginata DC): UEL 3 -- Dominga, UEL 4 -- Lígia e UEL 5 -- Natália NOVAS CULTIVARES DE ACEROLA (Malpighia emarginata DC): UEL 3 ¾ DOMINGA, UEL 4 ¾ LÍGIA E UEL 5 ¾ NATÁLIA1

INTRODUÇÃO A região Norte do Paraná é constituída por pequenas e médias propriedades rurais com área menor que 5 ha. Esta realidade foi preponderante para a definição de estratégias agrícolas para o produtor dessa região.

Frutas de importância econômica como a acerola (Malpighia emarginataD.C..) podem sevir como alternativa com boas perspectivas para o Estado, pois, além das condições favoráveis nos aspectos climatológicos, a viabilização de utilização de áreas com relevo mais acidentado e a possibilidade de instalação na região Norte do Paraná, de pólos frutícolas.

A acerola tem despertado a atenção dos agricultores do Estado do Paraná por seu elevado conteúdo de vitamina C (2.500 a 4.500mg/100g de polpa) em relação a outras frutíferas e por seu potencial para industrialização, uma vez que pode ser consumida sob forma de sucos, compotas, geléias, utilizada no enriquecimento de sucos e de alimentos dietéticos, na forma de alimentos nutracêuticos, como comprimidos ou cápsulas, empregados como suplemento alimentar, chás, bebidas para esportistas, barras nutritivas e iogurtes.

Este emergente e próspero segmento econômico da fruticultura, todavia, tem na inexistência de cultivares adaptadas um dos mais graves problemas, tornando urgente a realização de ações de pesquisas voltadas para sua solução.

A variabilidade genética existente em acerola é claramente observada em pomares comerciais onde se encontram matrizes obtidas por sementes, com hábito de crescimento diferenciado e produção de frutos quantitativa e qualitativamente heterogênea. Esse fato causa um certo transtorno ao sistema de produção, pois dificulta a execução racional de todas as práticas culturais, desorganizando, principalmente, o sistema de comercialização da propriedade. A exploração dessa variabilidade pode permitir a identificação de genótipos superiores, portadores de características de interesse agronômico definidas (Neto, 1995).

Bezerra et al. (1992) avaliaram 14 clones de aceroleira quanto às características físicas e químicas dos frutos. Estes autores observaram que o peso dos frutos apresentou uma média geral de 4,0 gramas, o teor de sólidos solúveis totais variou de 6,4º a 13,2º, a média de acidez foi em torno de 1,0% e os teores de ácido ascórbico variaram de 1.149,3 a 2.399,3 mg/100g.

Bosco et al.(1994) selecionaram 9 clones de aceroleira com base em características fenológicas da planta e morfológicas dos frutos. O rendimento de polpa foi superior a 90%. O peso dos frutos variou de 7,02 g a 9,68 g; o diâmetro médio dos frutos foi 2,51 cm e, de forma geral, os clones selecionados apresentaram consistência, cor e sabor que atendem plenamente às exigências do mercado.

Menezes & Alves (1994) avaliaram a qualidade pós-colheita de frutos vermelhos e amarelos de acerola colhidos em um pomar comercial. As análises realizadas foram: teor de sólidos solúveis totais, acidez e vitamina C. Os autores relataram que não foram observadas diferenças significativas entre as acerolas vermelhas e amarelas com relação à qualidade dos frutos.

Para o IBRAF (1995), as indústrias de transformação recebem acerola com 7 a 7,5o brix, mais de 1.200 mg de ácido áscórbico/100g de polpa, coloração alaranjada ou avermelhada e peso mínimo de 4,0 g. Em São Paulo, a CATI lançou a cultivar " Waldy CATI 30", mensurada nas condições de Tietê- SP, apresentando frutos de coloração vermelho-intensa quando maduros, com pH de 3,48, 7,4o brix e teor de ácido ascórbico em frutos maduros de 1.493,29mg/100g de polpa (CATI,1997). Gonzaga Neto & Bezerra (2000) selecionaram a cultivar de acerola Sertaneja. Esses autores relatam que, nas condições de Pernambuco, onde a frutificação ocorre durante todo o ano, esta cultivar apresenta rendimento de até 100kg/planta/ano, teor de vitamina C superior a 1500 mg/100g de polpa e com frutos resistentes após a colheita. Kanno et al. (2000) selecionaram, em pomar comercial em Junqueirópolis-SP, a cultivar Olivier, que apresenta moderada resistência a M. incognita, teor de ácido ascórbico de 2.178,8 mg/100g. de polpa em frutos verdes e 1567,2 em frutos maduros e brix de 9,92.

A presente pesquisa teve por objetivo descrever três novas cultivares de acerola selecionadas e adaptadas à região Norte do Paraná.

MATERIAL E MÉTODOS O programa de melhoramento genético de acerola, na Universidade Estadual de Londrina, iniciou-se em 1992, com a implantação de um pomar de matrizes constituído de 31 genótipos derivados de estaquia de plantas selecionadas em pomares comerciais nos Estados do Paraná e São Paulo.

Utilizou-se delineamento experimental de blocos ao acaso, com três repetições.

O espaçamento utilizado foi 4 m entre linhas e 3 m entre plantas, com 3 plantas, obtidas por estaquia, por repetição. A adubação foi realizada durante o plantio das mudas e não foram realizadas podas e adubação de reposição nas 5 primeiras safras.

Durante cinco safras, as plantas foram avaliadas quanto à adaptação ambiental, vigor, conformação da copa, produtividade efetiva, número de floradas e estabilidade da produção.

A caracterização do germoplasma foi realizada com base na relação de descritores mínimos para a acerola (OLIVEIRA et al., 1998 a,b) que são representados a seguir: 1 ¾ conformação da copa; 2 ¾ altura da planta; 3 ¾ diâmetro da planta; 4 ¾ ramificação; 5 ¾ textura foliar; 6 ¾ formação dos bordos da folha madura; 7 ¾ presença de pilosidade na folha; 8 ¾ presença de pilosidade no ramo; 9 ¾ tipo de florescimento; 10 ¾ coloração dos lóbulos da corola das flores; 11 ¾ coloração da casca do fruto imaturo; 12 ¾ coloração da casca do fruto maduro; 13 ¾ coloração da polpa do fruto maduro; 14 ¾ tamanho do fruto; 15 ¾ consistência da polpa; 16 ¾ sólidos solúveis determinado com refratômetro em amostras de frutos maduros (AOAC,1970); 17 ¾ acidez (ml NaOH 1N/100g), o teor de acidez para os 3 genótipos foi determinado a partir da neutralização da acidez da polpa da fruta por titulação com NaOH 0,1N; 18 ¾ ácido ascórbico (mg/100g), o teor de ácido ascórbico, para os 3 genótipos, foi determinado em polpa macerada com 2,6 diclorofenol-indofenol; 19 ¾ início de produção; 20 ¾ peso do fruto (g); 21 ¾ rendimento de polpa (%) obtido por meio da relação entre peso da polpa e peso do fruto.

RESULTADOS E DISCUSSÃO As cultivares UEL 3 ¾ Dominga, UEL 4 ¾ Lígia e UEL 5 ¾ Natália são resultado de seleção entre 31 genótipos introduzidos dos Estados de São Paulo e Paraná. As avaliações iniciaram-se em 1995. As cultivares selecionadas destacaram-se naquele ano, tendo apresentado tolerância à geada ocorrida no mês de setembro.

As características das plantas e dos frutos das três cultivares são apresentadas na Tabela_1.

UEL 3 ¾ Dominga destaca-se pela produtividade da planta, tamanho dos frutos e conteúdo de vitamina C igual a 2.906 e 1.250 mg/100g nos frutos verdes e maduros, respectivamente. A frutificação concentra-se nos meses de novembro a março, em Londrina-PR (Tabela_1).

UEL 4 ¾ Lígia destaca-se pela precocidade e produtividade da planta. A frutificação concentra-se nos meses de outubro a março, em Londrina-PR. O conteúdo de vitamina C é igual a 3.579 e 1.458 mg/100g em frutos maduros e verdes, respectivamente (Tabela_1).

UEL 5 ¾ Natália destaca-se pela produtividade da planta, tamanho do fruto e conteúdo de vitamina C igual a 3.134,5 e 1.098 mg/100g nos frutos verdes e maduros, respectivamente. A frutificação concentra-se nos meses de novembro a março, em Londrina-PR (Tabela_1).

As cultivares UEL 3 ¾ Dominga, UEL 4 ¾ Lígia e UEL 5 ¾ Natália apresentaram, nas cinco safras de avaliação, média de 26 a 30 kg/planta/ano.

A frutificação em pomares de acerola varia conforme a eficiência das plantas na produção de pólen e na ação de agentes polinizadores. O pegamento dos frutos a partir de polinização cruzada é superior ao oriundo de autopolinização, e a polinização cruzada origina frutos de maior tamanho (Yamane & Nakasome, 1961; Couceiro,1985; Magalhães et al 1999, ). Para assegurar uma boa dispersão de pólen e maior frutificação efetiva, recomenda-se, para as três cultivares, que o plantio seja realizado em filas intercalares ou intercalando-se plantas de outras cultivares de acerola com florescimento semelhante. Nunca se deve instalar o pomar com uma única cultivar.

As cultivares UEL 3-Dominga, UEL 4-Ligia e UEL 5-Natalia são sucetíveis aos nematóides de galhas M. javanica e M. incognita(Carpentieri-Pípolo et al., 2000).

CONCLUSÃO Em razão da superioridade de suas características agronômicas, as cultivares UEL 3 ¾ Dominga, UEL 4 ¾ Lígia e UEL 5 ¾ Natália são recomendadas para plantio no Norte do Paraná (23o de latitude sul) ou em regiões de clima semelhante.


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