Para além da polarização racionalismo-reflexivismo nas relações internacionais:
A tipologia metodológica de Patrick Jackson e o pluralismo metodológico em
debate
Este artigo transita no território quase sempre inóspito da filosofia da
ciência e das suas implicações metodológicas no campo disciplinar das relações
internacionais. A referência-chave da reflexão aqui proposta é o recente
trabalho de Patrick Jackson (The Conduct of Inquiry in International Relations:
Philosophy of Science and its Implications for the Study of World Politics1),
onde o autor identifica quatro ontologias filosóficas, distintas e mutuamente
excludentes, a partir das quais surgem quatro metodologias básicas na
investigação em relações internacionais: o neopositivismo, o realismo crítico,
o analiticismo e a reflexividade. Situando essa tipologia dentro de uma
discussão mais abrangente sobre o pluralismo metodológico, o artigo procura
examinar até que ponto o esforço de tipificação de Jackson consegue indicar um
caminho produtivo para a superação da polaridade racionalismo-reflexismo, que
ainda marca o debate metodológico em seu nível mais elevado nas relações
internacionais, e para a adoção de uma perspetiva mais diversificada no
tratamento das questões de metodologia na disciplina.
Ainda que esse tipo de discussão metateórica possa parecer árido ou
demasiadamente abstrato para grande parte dos estudantes e investigadores,
geralmente pressionados pelas preocupações táticas e imediatas da investigação,
é importante notar que a abordagem das questões de metodologia a um nível mais
estratégico pode contribuir para uma estruturação mais coerente do modelo de
análise da investigação, bem como para um diálogo mais claro e transparente
entre os investigadores sobre a lógica adotada na condução dos seus trabalhos.
O recente trabalho de Jackson ' reconhecido e tratado em diversos fóruns de
discussão2e premiado em 2013 pela Secção de Teoria oda Associação de Estudos
Internacionais (International Studies Association, ISA) ' coloca esses aspetos
em discussão, trazendo as questões de metodologia para um nível mais
estratégico na produção de conhecimento nas relações internacionais. Este
artigo tem por objetivo, portanto, não só fazer uma recensão do livro de
Jackson, chamando a atenção para a tipologia metodológica por ele proposta, mas
também examinar as suas principais qualidades e fragilidades dentro de um
contexto mais abrangente de discussão sobre o pluralismo metodológico nas
relações internacionais.
Considerando a centralidade do termo metodologia na discussão a ser realizada,
é importante clarificar o seu sentido no âmbito do artigo. A metodologia não é
aqui tratada como mero procedimento ' não se reduzindo, portanto, ao método '
mas é entendida no sentido mais estratégico sugerido pela sua raiz etimológica:
metodologia surge da junção methodos+ logos, o que faz com que o sentido do
termo seja determinado pelo seu sufixo3. Assim, a metodologia deve ser
entendida como a lógica que guia os métodos com o propósito de produzir
conhecimento ou teoria4; por outros termos, a metodologia confunde-se com a
própria estrutura lógica da investigação5. Nesse sentido, as reflexões aqui
propostas em torno da metodologia nas relações internacionais estão mais
preocupadas com as implicações de determinadas tomadas de posição filosófico-
científicas na estruturação lógica da produção de conhecimento na disciplina do
que com a discussão sobre procedimentos e técnicas de coleta de dados,
critérios de seleção de documentos e discursos, escolha de ferramentas
estatísticas, protocolos de seleção de casos, etc. Conforme enfatiza Jackson,
«essas são importantes questões de método, mas não de metodologia»6. A
metodologia dialoga com a epistemologia e a ontologia ao mesmo nível de
reflexão, envolvendo o mesmo grau de preocupações estratégicas em relação à
produção do conhecimento científico; como tal, não deve ser colocada em
terceiro lugar na hierarquia, relacionada meramente com as decisões táticas
sobre as ferramentas adequadas para a operacionalização da investigação7.
O artigo segue estruturado em quatro secções. A primeira faz uma síntese da
polarização racionalismo-reflexivismo que marca o «quarto grande debate» em
curso nas relações internacionais. A segunda secção apresenta a tipologia
metodológica proposta por Jackson ' neopositivismo, realismo crítico,
analiticismo e reflexividade ' a partir da qual o autor defende o pluralismo na
condução da investigação nas relações internacionais. A terceira secção discute
a tipologia de Jackson, a sua conceção de ciência social e o tipo de pluralismo
metodológico que daí emerge à luz das principais críticas dirigidas ao autor.
Notando, com base nessa discussão, uma certa insatisfação das posições críticas
mais radicais em relação à proposta de Jackson, uma secção conclusiva sugere um
pluralismo metodológico mais inclusivo, capaz de abranger as margens da
disciplina.
A Polarização Racionalismo vs Reflexivismo
Pode-se dizer que a polarização entre racionalismo e reflexivismo nas relações
internacionais ganhou publicidade, em grande medida, no contexto do conhecido
discurso de posse de Robert Keohane como presidente da ISA no período 1988-
19898. Se de um lado, o rótulo reflexivismo cunhado por Keohane chamou a
atenção para as abordagens pós-positivistas até então largamente
invisibilizadas e marginalizadas na disciplina, de outro lado a sua cobrança
por uma agenda de investigação reflexivista mais transparente ' que pudesse ser
avaliada e fosse capaz de desenvolver teorias testáveis9' foi amplamente
contestada pelas correntes pós-positivistas. Em consequência, ao contrário da
proposta de síntese entre racionalismo e reflexivismo defendida por Keohane '
que nas entrelinhas do seu discurso devia ser alcançada dentro de um padrão
universal de conhecimento científico baseado na geração de hipóteses
empiricamente testáveis ' o que se viu, ao longo das últimas duas décadas, foi
um abismo cada vez mais acentuado entre as duas posições. Essa polarização '
que segundo Wæver inaugura o «quarto grande debate»10nas relações
internacionais e, ainda hoje, apresenta o «mais relevante mapa geral» da
disciplina11' acabou por substituir a disputa entre neorrealismo e
neoliberalismo do terceiro grande debate que passaram, no final da década de
1980, a «emular teorias racionalistas» e, desse modo, a compartilhar muito da
«bagagem filosófica e ética» que molda a construção do conhecimento científico
tido como «legítimo» nas relações internacionais12.
Dessa perspetiva pode-se notar, então, que o grande eixo organizador da
produção de conhecimento nas relações internacionais tem girado, nas últimas
duas décadas, em torno das questões epistemológicas e metodológicas. Com o
enfraquecimento da influência das grandes visões ontológicas da ortodoxia, o
quarto debate tem dedicado parte significativa da sua energia a interrogar que
tipo de conhecimento pode ser produzido sobre a política internacional
(epistemologia) e como tal conhecimento pode ser buscado (metodologia)13. Em
última instância, são as perspetivas divergentes na abordagem a essas questões
que têm determinado o distanciamento entre o polo racionalista/neopositivista
(ocupado basicamente pelo neorrealismo e pelo neoliberalismo) e o pólo
reflexivista/pós-positivista do debate (ocupado pela teoria crítica, pelo pós-
estruturalismo, pelo feminismo, pelo pós-colonialismo, etc.). Ainda que se deva
reconhecer que a oposição radical das correntes reflexivistas ao racionalismo
dominante nas relações internacionais tenha exercido um papel importante
enquanto estratégia de penetração e consolidação de suas posições na
disciplina, é importante notar que essa estratégia talvez já tenha cumprido o
seu papel. Embora as abordagens racionalistas ainda se mantenham hegemónicas,
não se pode dizer que as correntes reflexivistas continuem a ter que pedir
licença para entrar: a teoria crítica, o pós-estruturalismo, o feminismo e
outras abordagens pós-positivistas já não são invisíveis ao mainstreame, hoje,
fazem parte da arquitetura da disciplina conforme demonstram claramente os
manuais de relações internacionais publicados nos últimos anos14.
O momento atual, portanto, parece oportuno para um salto adiante no debate. E
esse salto começa pela rejeição da dicotomia racionalismo-reflexivismo, não só
porque essa estratégia de confrontação parece já ter cumprido o seu propósito
inicial de tirar da invisibilidade as correntes críticas e pós-positivistas,
mas principalmente porque ela já não reflete o amplo leque de posições
observadas nas agendas de investigação das relações internacionais. Ao
contrário da simplificação e do reducionismo presentes na polaridade
racionalismo-reflexivismo, diversos desenvolvimentos apontam para um quadro
mais nuançado, complexo e plural das posições adotadas pelos investigadores. O
realismo crítico dos construtivistas convencionais15(como Wendt e Katzenstein
por exemplo), o analiticismo proposto por Waltz em sua conceção de teoria e
cada vez mais assumido por Wæver na caracterização da teoria da
securitização16, as implicações da crítica imanente nas agendas da teoria
crítica da segurança e da teoria crítica da política internacional e alguns
exemplos de preocupações metodológicas surgidas no seio das abordagens pós-
estruturalistas e feministas17são desenvolvimentos contemporâneos importantes
que não podem ser captados através da forma dicotómica e reducionista pela qual
a polarização racionalismo/reflexivismo, ou neopositivismo/pós-positivismo
apresenta o debate metodológico nas relações internacionais.
Tendo em vista esses desenvolvimentos e a diversidade de perspetivas
metodológicas que daí emerge, este artigo toma como referência-chave o recente
trabalho de Patrick Jackson sobre a conduta da investigação nas relações
internacionais, a fim de discutir até que ponto as quatro ontologias
filosóficas identificadas pelo autor ' neopositivismo, realismo crítico,
analiticismo e reflexividade ' conseguem indicar um caminho útil e abrangente
para a superação da polaridade racionalismo-reflexismo e a adoção de uma
perspetiva mais pluralista e democrática no tratamento das questões de
metodologia nas relações internacionais.
A Tipologia Metodológica de Jackson
Jackson funda a sua discussão sobre metodologia com base na filosofia da
ciência. O ponto de partida do autor é o facto por ele observado de que a
filosofia da ciência está praticamente ausente nos programas disciplinares das
relações internacionais, o que faz com que a formação dos investigadores seja
focada no método e não na metodologia. São sobretudo as preocupações mais
práticas relacionadas à coleta e análise de dados, protocolos de seleção de
casos, modelagem de escolha racional, uso de ferramentas de análise
estatísticas, etc. que orientam a formação pós-graduada e a aprovação dos
projetos de investigação na disciplina. Isso não quer dizer, acrescenta
Jackson, que as questões de método não sejam relevantes ' pois são, na medida
em que possibilitam a operacionalização da investigação ' mas o método em si
não é capaz de definir nem diferenciar as possíveis estruturas lógicas da
investigação. Desse modo, ao conectar a metodologia à filosofia da ciência,
Jackson não só tira o foco das questões táticas e instrumentais, mas também
evita organizar a discussão com base nas correntes e escolas que compõem a
arquitetura geral das relações internacionais. Jackson observa que a disciplina
das relações internacionais não se organiza segundo linhas conceptuais e
filosóficas, mas divide-se, de modo geral, de acordo com escolas ou comunidades
de investigação baseadas em tópicos específicos ou fatores causais
preponderantes (como «segurança internacional», «economia política», etc.) ou
de acordo com diversos «ismos» que, na prática, refletem pequenos grupos de
académicos que compartilham uma mesma visão sobre a preponderância de fatores
militares, ideacionais ou económicos sobre a política mundial (como realismo,
liberalismo ou marxismo). Ainda que se possa considerar esse aspeto uma
vantagem do ponto de vista da diversidade do campo como um todo, Jackson
considera que isto acaba por criar uma multiplicidade de «ilhas isoladas»,
dificultando uma linguagem comum que possibilite aos académicos avaliarem as
escolhas uns dos outros em relação à maneira de conduzir a investigação. Daí a
sua opção por estruturar a discussão sobre metodologia sem partir desse mosaico
pulverizado de escolas e comunidades, mas sim partindo da filosofia da ciência.
Com isto, Jackson pretende criar «um espaço conceptual comum» que possibilite
aos investigadores concordarem ou discordarem «sobre as mesmas coisas ou pelo
menos sobre coisas similares», contribuindo assim para «superar o isolamento»
que marca o debate sobre as questões de metodologia nas relações
internacionais18.
Dentro dessa proposta, Jackson sugere uma tipologia-ideal composta por quatro
perspetivas metodológicas distintas e irreconciliáveis19' neopositivismo,
realismo crítico, analiticismo e reflexividade ' que se fundam no
posicionamento filosófico do investigador quanto à relação entre sujeito
conhecedor e objeto do conhecimento (dualista ou monista) e a relação entre
conhecimento e observação (fenomenalista ou transfactualista). No que se refere
à relação sujeito-objeto, a perspetiva dualista reflete a tradicional visão
cartesiana de uma mente isolada e independente do mundo externo, enquanto a
perspetiva monista desafia essa visão, partindo da premissa de que o mundo e a
mente não nomeiam entidades ontologicamente distintas e independentes, mas se
interpenetram e se constituem mutuamente. Quanto à relação entre conhecimento e
observação, a perspetiva fenomenalista parte da presunção empirista de que o
objeto do conhecimento é limitado às coisas que podem ser observadas, medidas
ou experimentadas, enquanto a perspetiva transfactualista presume que nem todo
objeto do conhecimento é observável ou mensurável, devendo assim ser
interpretado20. A articulação desses dois eixos faz surgir as quatro
metodologias anteriormente mencionadas (ver ilustração na figura_1): o
neopositivismo surge da combinação dualismo-fenomenalismo; o realismo crítico
nasce de uma combinação entre dualismo e transfactualismo; o analiticismo tem
origem na combinação monismo-fenomenalismo; e a reflexividade surge da
combinação entre monismo e transfactualismo.
Seguindo a tradição filosófico-científica de Popper, o neopositivismo parte da
premissa de que o conhecimento científico só pode ser gerado mediante o teste
de hipóteses e de sucessivas tentativas de «falsificar» as reivindicações
gerais de verdade através da confrontação com as evidências empíricas. Essa
metodologia, segundo Jackson, só faz sentido a partir da combinação de dois
pressupostos filosóficos específicos. Em primeiro lugar, a presunção dualista
de que o mundo é independente da mente do investigador, o que leva à
necessidade imperiosa de sucessivos testes empíricos de hipóteses como única
forma «segura» ' ou seja, livre do risco de cair em abstrações e
arbitrariedades ' de atravessar o abismo que separa a mente do investigador e o
mundo investigado
21
. O segundo pressuposto é a assunção fenomenalista de que o objeto do
conhecimento é limitado às coisas que podem ser observadas e medidas
22
. As condições impostas por essa combinação de premissas filosóficas e a
necessidade de que a teoria espelhe o mundo num grau tão elevado de fidelidade
ao ponto de indicar uma generalização ou uma lei faz com que os neopositivistas
se dediquem a sucessivos refinamentos e se obriguem a desenvolver técnicas e
procedimentos sofisticados para testar as hipóteses formuladas. O clássico e
influente livro de King, Keohane e Verba
23
sobre metodologia qualitativa é a referência-chave usada por Jackson para
ilustrar a convergência das relações internacionais para a metodologia
neopositivista.
O realismo crítico funda-se numa ontologia filosófica diferente. Segundo
Jackson, essa perspetiva metodológica parte da mesma perspetiva neopositivista
(e portanto popperiana) do dualismo mente-mundo ' ou seja de que o mundo e a
mente do investigador são independentes, admitindo assim a necessidade de
hipóteses que sejam testadas empiricamente ' mas presume que nem todo objeto do
conhecimento é observável ou mensurável, ainda que seja real. A isto Jackson
chama de transfactualismo. O realismo crítico, portanto, mantém a dicotomia
sujeito-objeto, mas estende os limites do conhecimento científico ao
inobservável
24
. É através dessa via que os defensores do realismo crítico nas relações
internacionais buscam superar a dicotomia racionalismo-reflexivismo, sugerindo
uma via média entre os dois polos. Essa posição, claramente assumida dentro do
construtivismo convencional proposto por autores como Wendt, Katzenstein, Kurki
e outros, propõe uma ponte entre racionalistas e reflexivistas, argumentando
que o conhecimento sobre a política internacional pode ser válido
cientificamente sem, contudo, deixar de considerar que «as relações sociais que
constituem os estados enquanto estados são potencialmente inobserváveis» e, por
essa razão, «requerem uma compreensão não empirista da estrutura do sistema e
da análise estrutural». Essa rejeição ao fenomenalismo em favor do
transfactualismo significa que a noção do conhecimento cientificamente válido
não se pode limitar às experiências observáveis, mas deve ir além delas a fim
de alcançar as propriedades, os poderes ou os mecanismos causais mais profundos
que dão origem a tais experiências e que não podem ser diretamente percebidos
através do processo «quasiexperimental» de isolamento de fatores causais
defendido pelo neopositivismo. Ainda que o realismo crítico preserve a
separação entre a mente e o mundo e, dentro desse dualismo, defenda a
construção de hipóteses que possam e devam ser empiricamente testadas, a sua
perspetiva transfactualista leva a uma estratégia particular de articulação de
tais hipóteses conhecida como inferência abdutiva. Diferente dos usuais modos
de inferência dedutivos (que partem de assunções gerais de verdade para chegar
a conclusões particulares) e indutivos (que partem de assunções particulares
para chegar a conclusões gerais), a abdução é um tipo de inferência que não
busca tirar conclusões gerais ou particulares, determinísticas ou
probabilísticas, mas sim produzir conjeturas. Rejeitando a rigidez lógica da
dedução e da indução, a inferência abdutiva é mais criativa e flexível e parte
do quebra-cabeças formado pelo conjunto de dados disponíveis sobre o problema
investigado para chegar a uma explanação «plausível» sobre ele. O ponto crucial
a destacar, portanto, é que o realismo crítico constrói suas hipóteses para
produzir conjeturas ou explanações plausíveis sobre o problema estudado e não
para estabelecer a veracidade ou a falsidade de conclusões particulares ou
gerais que possam levar a uma previsão generalizável
25
.
O analiticismo considera que a produção de conhecimento tem por objetivo gerar
modelos, o que faz da teoria um constructo abstrato do seu autor destinado a
guiar o ordenamento da experiência. Dessa perspetiva, o analiticismo parte da
presunção monista (em oposição ao dualismo dos neopositivistas e realistas
críticos) de que as teorias e as mentes que as produzem estão ligadas ao mundo
numa relação de continuidade, ou seja, partem da premissa de que o mundo e a
mente não nomeiam entidades ontologicamente distintas e independentes. Para
além disso, o analiticismo coloca a teoria ao serviço do ordenamento da
experiência, indicando uma perspetiva fenomenalista da relação entre o
conhecimento e a observação. Jackson recorre a Waltz para ilustrar esse tipo de
abordagem metodológica. Segundo o autor, ao desenhar a teoria da política
internacional, Waltz segue a noção introduzida por Max Weber de que a teoria é
uma «tipificação ideal» e, como tal, serve de modelo para a ordenação dos
factos da experiência; dessa perspetiva, o valor da teoria não está em sua
correspondência com o mundo, mas sim nas consequências pragmáticas resultantes
da ordenação dos factos do mundo de acordo com o modelo ideal tipificado
26
. Essa noção de teoria como um constructo ideal é claramente indicada por Waltz
quando afirma que a teoria «não é um edifício da verdade e nem uma reprodução
da verdade», mas é uma «pintura mentalmente formada» que fixa os fatores mais
importantes de um determinado domínio a fim de os tornar intelectualmente
tratáveis
27
. Dessa perspetiva, sintetiza Jackson, a conceção analiticista de Waltz dá à
teoria um caráter instrumental e sua avaliação deve ser feita com base no seu
valor enquanto ferramenta de análise, ou seja, em sua capacidade de orientar a
organização do complexo caos que envolve a realidade empírica dentro de um
quadro mais compreensível e tratável
28
. Do ponto de vista analiticista, portanto, a ideia de um mundo existente fora
da mente do investigador contra o qual as hipóteses possam ser testadas não faz
sentido, de modo que é a utilidade (ou inutilidade) da teoria enquanto
ferramenta de ordenamento da experiência num caso específico que a torna válida
e não o isolamento de uma relação causal generalizável, conforme defendem os
neopositivistas, ou a identificação de mecanismos ou poderes causais
vislumbrada pelos teóricos críticos.
A quarta metodologia da tipologia de Jackson ' a reflexividade ' assume uma
posição diametralmente oposta à do neopositivismo: ela rejeita o dualismo
mente-mundo e o fenomenalismo, assumindo que o que sabemos é inseparável do
lugar onde estamos situados quando produzimos conhecimento (monismo) e que a
construção teórica pode ir além da evidência observável (transfactualismo). A
base da perspetiva reflexivista está na noção de que a teoria é concretamente
impactada pela participação do investigador no seu contexto social, o que
implica dizer que a ciência não pode fugir ou se isolar das suas próprias
condições sociais de produção
29
. Desse modo, diversamente dos analiticistas ' que expressam o seu monismo
através de um modelo teórico abstrato enraizado nas preocupações valorativas de
seu autor ' os reflexivistas desconfiam dos valores que não estejam sujeitos,
eles próprios, à crítica ou à transformação dialética através da confrontação
da teoria com as suas condições sociais de produção
30
. Desse ponto de vista, o aspeto crucial e distintivo da reflexividade é trazer
à luz as condições (tácitas ou explícitas) existentes na base da produção do
conhecimento, promovendo o exame dialético da relação entre tal conhecimento e
suas condições, de modo a alcançar uma visão mais clara e aprofundada das
coisas
31
. Sem constituir uma agenda convergente ou universal, a reflexividade nas
relações internacionais é exemplificada por Jackson com base na teoria crítica,
no pós-colonialismo e, principalmente, no feminismo. Segundo o autor, essa
última perspetiva é a que melhor capta a essência da reflexividade nas relações
internacionais pois, de forma mais explícita e assumida do que em grande parte
do trabalho desenvolvido na tradição marxista, «o feminismo semprese situa
reflexivamente»
32
. Em função de sua fundação monista/transfactualista ' traduzida pela situação
do investigador dentro do mundo investigado e por uma produção teórica que não
se prende à experiência fenomenal, mas busca transcendê-la para revelar
ocultações, silenciamentos e hierarquias veladas e propor caminhos para a
transformação ' a reflexividade não vê sentido nos protocolos de validação
neopositivista (teste e falsificação de hipóteses, generalizações e previsões).
Uma vez que não existe um mundo empírico «lá fora», independente da mente do
investigador e objetivamente observável, contra o qual as hipóteses possam ser
testadas, a produção teórica reflexiva deve ser avaliada pela sua habilidade de
provocar uma maior autoconsciência e uma maior autorreflexão não só da parte
dos produtores do conhecimento, mas também do seu público destinatário, bem
como pela contribuição prática para atingir os propósitos transformativos da
teoria
33
.
Todo esse trabalho de Jackson serve para sustentar o argumento central de que o
campo das relações internacionais é «irredutivelmente pluralista, capaz de ser
inteiramente articulado em pelo menos quatro variações»
34
metodológicas. Desse modo, seu esforço de tipificação não é um trabalho que se
esgota em si mesmo, mas serve o propósito maior de justificar a coexistência e
a tolerância entre as diferentes estratégias de produção de conhecimento na
disciplina. Isso aponta, inevitavelmente, para a necessidade de repensar a
noção de ciência. Se é importante manter o estatuto de «ciência social» na
produção de conhecimento nas relações internacionais, afirma Jackson, é preciso
buscar uma compreensão mais aberta sobre o que se entende por conhecimento
científico, a fim de abrigar o amplo leque de posições metodológicas que têm
disputado uma voz nesse amplo debate. Desse modo, seguindo Max Weber, o autor
propõe uma definição mais alargada de ciência ' como sendo a «ordenação
refletida da realidade empírica através da aplicação criteriosa e rigorosa de
um conjunto de conceitos e teorias»
35
' e argumenta que, nesse sentido abrangente, a ciência pode absorver «qualquer
modo de produção de conhecimento que seja sistematicamente focado na geração de
factos sobre o mundo e permita que a comunidade de investigação científica
trabalhe, de forma colaborativa e pública, no aprimoramento do estoque de
conhecimento existente»
36
.
Dentro dessa noção, o autor destaca três elementos necessários a qualquer
investigação que reivindique o estatuto de ciência nas relações internacionais:
sistematização (entendida como uma linha clara e consistente entre os
pressupostos e a conclusão); criticismo público (entendido como a abertura ao
debate, aí incluindo não só a comunidade académica, mas também o público
envolvido com as práticas relacionadas ao conhecimento produzido); e
conhecimento «mundano» (entendido como o vínculo com o mundo, não
necessariamente no sentido fenomenológico do termo, o que seria reducionista,
mas num sentido aberto a qualquer que seja a conceção de mundo na disciplina).
Considerando que tal perspetiva favorece uma compreensão mais aberta sobre o
estatuto científico das relações internacionais, Jackson afirma ser possível,
então, superar a ideia da supremacia do modelo de rigor herdado da tradição
positivista e considerar que as quatro perspetivas metodológicas por ele
identificadas indicam caminhos diferentes a partir dos quais a investigação
científica pode ser desdobrada, todas elas capazes de produzir conhecimento
científico válido ' sendo tal validade entendida «de acordo com os padrões
internos de cada metodologia» e não de acordo com um padrão de validação
universal
37
.
O Pluralismo Metodológico em Debate
O pluralismo metodológico tem sido geralmente defendido nas relações
internacionais com base na diversidade de métodos
38
. Se de um lado, esse debate é altamente relevante num contexto de preocupações
táticas e operacionais da investigação científica, de outro lado, esse tipo de
pluralismo tem menor importância dentro da conceção mais estratégica de
metodologia assumida neste artigo. Conforme comentado anteriormente, nada
impede, em princípio, que o mesmo método seja usado indistintamente em qualquer
tipo de investigação: uma pesquisa documental, por exemplo, pode ser utilizada
no processo de rastreamento (process tracing) de uma causa ou mecanismo causal,
pode servir para coletar evidências num estudo de caso destinado a testar
hipóteses ou pode ser a base de uma análise de discurso; a realização de
entrevistas pode contribuir, por exemplo, para a desconstrução de um texto ou
documento, para o rastreamento de processos causais, ou para uma análise de
narrativa
39
. Múltiplos métodos (qualitativos e quantitativos) também podem ser combinados
numa mesma investigação
40
. Ainda que a multiplicidade nesse sentido técnico apresente desafios e
controvérsias igualmente importantes
41
, não se pode dizer que a diversidade ou a combinação de métodos dentro de uma
única estratégia de investigação constitua algum tipo de pluralismo
metodológico que traduza caminhos genuinamente diferentes na produção de
conhecimento
42
.
Ao nível mais estratégico da produção de conhecimento, a defesa do pluralismo
metodológico tem sido menos frequente nas relações internacionais. Não se pode
dizer, contudo, que as questões relativas ao isolamento, à falta de diálogo e
às reivindicações de pluralidade metodológica sejam uma novidade na disciplina.
Em 2003, um fórum na International Studies Review
43
já tentava aumentar a visibilidade dessas questões, colocando em discussão a
possibilidade de diálogo, pluralismo ou síntese no terceiro debate. De modo
geral, os participantes do fórum compartilhavam a necessidade de aumentar o
diálogo entre racionalistas e reflexivistas. Buscavam com esse diálogo, porém,
defender três pontos de chegada distintos: uma síntese metodológica subordinada
aos pressupostos neopositivistas nos moldes propostos por Keohane
44
; um meio-termo entre racionalismo e reflexivismo inspirado na «via média»
proposta por Wendt
45
; ou um pluralismo metodológico baseado na tolerância e na coexistência
igualitária entre as diferentes formas de produção de conhecimento na
disciplina
46
. Essa terceira posição envolve, obviamente, grandes desafios e os autores que
a defendiam naquele fórum já enumeravam as principais barreiras. Uma dessas
barreiras vinha das perspetivas que (autoinvestidas de uma superioridade na
abordagem aos problemas do mundo) tentavam sintetizar, hierarquizar ou
marginalizar as perspetivas alternativas (crítica dirigida principalmente aos
neopositivistas, mas também aos construtivistas convencionais que, defendendo
uma síntese no meio-termo, acreditavam ter encontrado a única solução capaz de
superar a disputa entre racionalistas e reflexivistas). Outra barreira ao
pluralismo apontada naquele fórum era a falta de uma base comunicativa comum e
equilibrada que favorecesse o diálogo entre as diversas perspetivas
metodológicas e, ao mesmo tempo, preservasse as diferenças e particularidades
de cada uma delas
47
.
São essas questões e barreiras ao pluralismo que o extraordinário e sofisticado
trabalho de Jackson tenta retomar e superar. Embora não se possa tirar a
Jackson o grande mérito de tentar responder a uma das questões cruciais dentro
do quarto grande debate
48
' isto é, como estimular o diálogo e favorecer um pluralismo metodológico que
permita superar a hegemonia do pólo racionalista-neopositivista ' é importante
notar que o seu modelo não fica imune a alguns criticismos. De um lado, a
inclusão da reflexividade (e de sua dimensão crítica e normativa) dentro de um
estatuto científico pode parecer um movimento demasiado radical ou até mesmo
«herético» do ponto de vista racionalista, especialmente no seio do debate
científico americano
49
; de outro lado, os próprios reflexivistas podem não se reconhecer dentro dessa
narrativa de cientificidade. Do primeiro lado, a postura racionalista já é
amplamente conhecida e a clássica posição de Keohane em favor da abertura das
relações internacionais para as abordagens reflexivistas (desde que subordinada
aos parâmetros científicos neopositivistas) já foi discutida anteriormente
neste artigo. Do segundo lado, a posição de Sylvester num recente fórum sobre o
trabalho de Jackson
50
é uma boa ilustração da insatisfação de alguns segmentos reflexivistas com o
rótulo de ciência atribuído pelo autor. Embora Sylvester reconheça o
extraordinário esforço dedicado por Jackson na desmontagem da visão de que
determinadas interpretações da ciência social são melhores ou mais verdadeiras
do que as outras, ela relembra que o pós-estruturalismo, «conhecido por seus
variados argumentos contra posições fundacionais e verdades fixas e a favor de
narrativas alternativas sobre o social», é completamente ignorado na
argumentação do autor
51
. Desse modo, ainda que se deva aplaudir o propósito de Jackson de abrir as
relações internacionais para uma abordagem «pós fundacional»
52
comprometida com a diversidade metodológica e com a superação do «mito» da
supremacia neopositivista, Sylvester acredita que a insistência do autor em
afirmar o caráter científico da sua tipologia, reforçando o estatuto de ciência
assumido pelos fundadores da disciplina, acaba impondo uma barreira na busca de
seu propósito. Segundo Sylvester, as relações internacionais formam um campo em
movimento, ainda em estruturação, onde novas portas se abrem a cada dia para
deixar «o mundo entrar e prover conhecimento em seus próprios múltiplos
termos»; desse ponto de vista, a «renovação de uma antiga ênfase na ciência»,
mesmo que sob uma roupagem mais flexível, pode trazer como consequência a
rutura e o cerceamento de novas possibilidades de investigação
53
. Embora Jackson dedique parte do seu texto argumentando que o feminismo é a
perspetiva que melhor exemplifica uma ciência reflexiva das relações
internacionais, Sylvester observa que o autor se inspira em antigos escritos
feministas sobre a filosofia da ciência, até certo ponto ultrapassados
54
, e questiona se o autor tem, de facto, familiaridade com os desenvolvimentos e
a diversidade da atual agenda de investigação feminista nas relações
internacionais, onde as posições pós-estruturalistas e a arte (ambas excluídas
no argumento de Jackson) ocupam um espaço cada vez maior
55
. Com isso, o que Sylvester quer mostrar é que o pluralismo metodológico de
Jackson não é assim tão plural: ao mesmo tempo que o autor abre as portas para
abrigar a reflexividade, dando a ela o mesmo grau de importância do
neopositivismo, do realismo crítico e do analiticismo, a sua tipologia
metodológica acaba por funcionar como um dispositivo seletivo que barra a
entrada de tudo que não possa ser designado por ciência.
Se essa discussão deixa claro que o pluralismo metodológico defendido por
Jackson só vigora dentro dos limites demarcados pela ciência ' e o próprio
autor é explícito a esse respeito quando afirma que a sua tipologia se destina
àqueles que querem «fazer relações internacionais cientificamente»
56
' é importante também observar que, mesmo dentro desses limites, o seu
argumento em defesa da pluralidade suscita alguns problemas. Um deles, seguindo
aqui a crítica de Humphreys
57
, é a constatação de que o que realmente diferencia cada metodologia dentro da
tipologia de Jackson são as suas premissas filosóficas e não as diversas
estratégias explanatórias utilizadas pelos investigadores nas Relações
Internacionais, em geral escolhidas mais por convenções e necessidades práticas
impostas pelas questões da investigação do que por elucubrações lógicas
inspiradas na filosofia da ciência. Desse ponto de vista, observa Humphreys, o
máximo que a tipologia de Jackson consegue refletir é um «pluralismo sobre
assunções filosóficas e não sobre metodologias», ou seja, ela pouco diz a
respeito das «estratégias explanatórias convencionalmente associadas a essas
assunções» quando se levam em conta as agendas e os programas de investigação
nas relações internacionais
58
.
Também problemático e contestável é o argumento defendido por Jackson de que a
filosofia da ciência fornece bases mais consistentes para o debate metodológico
do que as escolas, correntes e programas de investigação nas relações
internacionais. Ao contrário dessa posição, a utilidade da filosofia da ciência
na legitimação das relações internacionais não é assim tão autoevidente
59
e tem sido questionada, em diferentes graus, por alguns autores. Segundo Wight,
ancorar as relações internacionais na filosofia da ciência ' em vez de
considerar as suas bases políticas, éticas ou ideológicas ' não leva,
necessariamente, a uma maior autorreflexão
60
e as delimitações e fronteiras criadas por esse tipo de discussão metateórica
talvez não sejam assim tão úteis quando transpostas para as preocupações mais
pragmáticas dos investigadores: «quando se defronta com a investigação empírica
concreta», afirma Wight, «é questionável se alguém pode consistentemente ocupar
qualquer uma dessas posições (logicamente delimitadas pela filosofia da
ciência) e ainda assim manter a coerência»
61
. Kratoschwil, que também relativiza a função da filosofia da ciência no estudo
da política internacional, comenta que «as considerações sobre métodos e as
questões metateóricas, embora importantes, não substituem as discussões
substantivas sobre os problemas políticos que enfrentamos»; desse modo, guiar a
investigação pelos «problemas ou questões», tratando primeiro das «nossas
preocupações comuns, isto é, da política pura e simples», pode sugerir uma
estratégia de investigação mais frutífera do que aquelas indicadas por
«preocupações primárias com técnicas ou metodologia»
62
.
Numa crítica direta ao trabalho de Jackson, a importância das fundações
políticas na condução da investigação em relações internacionais é
especialmente destaca por Suganami
63
. Segundo o autor, o que marca as diferentes metodologias é o tipo de questão a
elas subjacente: como se pode prever e possivelmente controlar a ocorrência de
um certo tipo de evento? Como um certo evento veio a ocorrer ou uma determinada
situação evoluiu? Que fatores, numa dada condição, contribuem para a reprodução
da estrutura social que faz emergir os problemas em análise? Suganami considera
que o investigador pode estar interessado em alguma ou em todas essas questões,
ou talvez em outros tipos de questão; em qualquer caso, porém, a decisão do
investigador «não é um problema de escolha ontológico-filosófica, fé ou gosto,
mas sim de julgamento político»
64
. Ancorando sua análise na sociologia da ciência, Gunnell
65
também ecoa esse tipo de crítica e chama a atenção para o facto de Jackson não
levar em consideração o contexto político que está por trás das assunções
filosóficas por ele destacadas.
Segundo o autor, ao propor um léxico inteiramente derivado da filosofia da
ciência, Jackson não reflete as condições históricas e as práticas concretas
com que se defrontam os investigadores envolvidos com o estudo da política
internacional. Gunnell considera que o pluralismo metodológico de Jackson falha
em perceber que a ciência social não se baseia tanto em ontologias filosóficas
primordiais que possam ser reduzidas aos eixos dualismo/monismo ou
fenomenalismo/transfactualismo, mas funda-se no que o próprio Jackson chama de
«ontologias científicas», ou seja, nas assunções teóricas sobre o que constitui
o mundo (por outras palavras, nas visões substantivas do mundo). Ao contrário
da neutralidade e da ordem que regem o domínio das ontologias filosóficas,
prossegue Gunnell, o que vigora no terreno das ontologias científicas é uma
competição e uma eterna disputa de ideias e visões de mundo, fortemente
influenciadas por questões políticas, ideológicas e institucionais, que
dificilmente podem ser contidas dentro do «ecumenismo» metodológico de Jackson.
Para além dessas observações sobre as questões substantivas com que se
defrontam os investigadores em suas escolhas metodológicas, que não se refletem
no pluralismo metodológico de Jackson, uma fragilidade adicional é apontada
Banks e O'Mahoney: as ontologias filosóficas que fundam as quatro metodologias
de Jackson são mutuamente excludentes e logicamente irreconciliáveis
66
; isto parece problemático para esses dois autores, na medida em que essa
incompatibilidade faz com que a combinação de metodologias dentro de uma mesma
estratégia de investigação deixe de ser uma opção válida, embora uma estratégia
metodológica mista possa parecer, em muitos casos, mais adequada ao tratamento
das múltiplas questões e desafios práticos com que se defrontam os
investigadores
67
. Jackson responde a essas críticas, reafirmando a incompatibilidade entre as
quatro metodologias em função de uma preocupação com a preservação da coerência
metodológica. Segundo o autor, «toda a peça logicamente coerente de ciência
social acaba por ter uma garantia epistémica dominante para suas reivindicações
de validade, mesmo se ela deriva alguma dessas reivindicações de outras fontes»
68
. Por exemplo, explica o autor, o teste de uma hipótese derivada de um modelo
formal não é um caso de combinação de neopositivismo com analiticismo ou de
pluralismo metodológico, mas sim uma estratégia tipicamente neopositivista (na
medida em que a lógica dominante é o teste de hipótese).
Essa posição de Jackson pode ser claramente ilustrada através da polémica em
torno da sua classificação de Waltz como analiticista e não como
neopositivista. Questionando esse enquadramento, alguns críticos de Jackson têm
tentado destacar o neopositivismo de Waltz ou vislumbrado, no máximo, a
possibilidade de que o analiticismo tenha sido combinado com o neopositivismo
dentro da obra do autor
69
. Jackson, porém, é firme ao destacar que, embora alguma ambiguidade
terminológica sobre o teste de hipóteses possa ser encontrada nos textos de
Waltz (levando à usual, porém enganadora, leitura do autor como
neopositivista), uma reconstrução baseada em sua obra seminal, Theory of
International Politics
70
, e em alguns comentários contrários a previsões e teste de hipóteses em alguns
de seus textos subsequentes, faz emergir uma postura metodológica
inequivocamente analiticista no seu trabalho
71
' convergindo, desse modo, para o mesmo tipo de leitura analiticista feita por
Wcver sobre a «teoria da teoria» de Waltz
72
. Ainda assim, explica Jackson, nada impede que um investigador continue a
fazer uma leitura neopositivista de Waltz, «extraindo assunções de seus textos,
convertendo-as em proposições falsificáveis e procedendo a testes»; afinal de
contas, «essa é, precisamente, a forma como os neopositivistas devem trabalhar»
73
. O que não se pode admitir, sob o risco de perda da coerência e rutura das
fronteiras lógicas que distinguem cada metodologia, é que esse investigador
pretenda que os resultados desses testes tenham alguma influência sobre o
modelo pensado por Waltz (reforçando-o, falsificando-o ou alterando-o) ou que a
simples «testabilidade» das proposições extraídas desse modelo sirva, por si
só, para «comprovar» que a sua fonte original (a teoria de Waltz) é
neopositivista. Do ponto de vista de Jackson, esse tipo de procedimento, mesmo
se articulado dentro de um argumento em prol da combinação de metodologias, não
reflete um pluralismo metodológico. Ao contrário, diz o autor, ele desrespeita
a diversidade e as diferentes formas de validação do conhecimento nas relações
internacionais, elegendo uma só metodologia (a neopositivista) como se ela se
confundisse com os próprios limites da ciência
74
.
Conclusão: Por um Pluralismo que inclua as margens
A grande ambição do livro de Jackson é propor um vocabulário comum para a
discussão das questões de metodologia nas relações internacionais e a criação,
através desse léxico, das condições básicas necessárias a um diálogo mais
produtivo e transparente, bem como à coexistência mais democrática e tolerante
entre as diversas formas de produção de conhecimento científico na disciplina.
No âmbito desse projeto, o pluralismo metodológico defendido por Jackson tem um
foco bem preciso ' o diálogo e a coexistência igualitária entre neopositivismo,
realismo crítico, analiticismo e reflexividade ' dentro de um espaço bem
demarcado ' o da ciência social.
Embora Jackson não posicione o seu trabalho dentro de uma das metodologias por
ele tipificadas, as indicações do seu analiticismo são claras. Em resposta aos
seus críticos, o autor afirma que a função da sua tipologia é orientar e
organizar o debate metodológico e não fornecer um mapa fiel «do campo das
Relações Internacionais e das suas possibilidades metodológicas» ou
«classificar» os caminhos realmente adotados pelos investigadores na produção
de conhecimento na disciplina
75
; o que emerge dessa declaração, portanto, é um quadro francamente
analiticista. Dessa perspetiva, a sua tipologia deve ser vista como um modelo
ideal construído em torno de um aparato conceptual fixo e simplificado que não
pode ser avaliado por sua capacidade (ou incapacidade) de representar,
fotografar, ou mapear todos os debates em curso nas relações internacionais. O
valor da sua tipologia é instrumental e a sua utilidade explanatória está
exatamente na capacidade que tem de, ao ser confrontada com as preocupações,
práticas e agendas concretas da investigação nas relações internacionais,
organizar tais preocupações e práticas dentro de um quadro conceptual comum,
destacar as suas principais características, identificar seus silenciamentos e
apontar suas inconsistências e incoerências lógicas.
Se de um lado, esse viés analiticista e o rótulo de ciência reclamado por
Jackson dão força à sua metateoria ' pois produzem uma ferramenta de análise
útil e sugerem uma ética metodológica democrática e tolerante dentro do espaço
regulado pelo estatuto de cientificidade que, tradicionalmente, tem legitimado
as relações internacionais enquanto campo de estudos ' de outro lado, o
pluralismo metodológico daí derivado parece frágil demais para aqueles que, em
diferentes graus, não compartilham essas mesmas bases na produção de
conhecimento na disciplina. Conforme mostram alguns dos críticos de Jackson, há
outras fundações e interpretações sobre o que conta como ciência nas relações
internacionais, que são impactadas mais por aspetos políticos, ideológicos e
institucionais, ou pelas questões e preocupações práticas da investigação, do
que pela coerência lógica das ontologias filosóficas primordiais que possam
estar na base da produção de conhecimento. Para esses autores, parece
discutível se a tipologia de Jackson e o seu pluralismo metodológico conseguem
refletir e impactar as relações internacionais na mesma proporção do seu
extraordinário e grandioso esforço intelectual.
O pluralismo de Jackson parece ainda mais questionável para aqueles que não se
sujeitam a ser disciplinados pela ideia regulativa da ciência. O autor concebe
a sua matriz metodológica dentro de uma conceção de ciência que, mesmo alargada
para absorver a reflexividade, mantém-se dentro de um «espírito» científico
suficientemente forte para manter o estatuto assumido pelos fundadores das
relações internacionais e diferenciar-se de outros domínios e abordagens como
os «trabalhos artísticos», as «avaliações éticas» ou os «comentários políticos»
76
. Para os autores que não se reconhecem dentro dessa narrativa científica (por
exemplo, os pós-estruturalistas, alguns segmentos feministas e pós-
colonialistas, e os autores que têm recorrido à arte para defender uma «viragem
estética»
77
no estudo da política internacional), a discussão metateórica de Jackson não
passa de mais uma tentativa de «disciplinar» a disciplina e o seu apego ao
rótulo de ciência continua a demarcar uma fronteira que inibe uma discussão
verdadeiramente diversificada e plural da metodologia nas relações
internacionais. O que a discussão de Jackson deixa de perceber, e que parece
crucial do ponto de vista de um pluralismo metodológico mais inclusivo e
democrático, é que tais abordagens, mesmo resistindo ao rótulo de ciência e
recorrendo a fontes alternativas do saber (como a arte por exemplo), não deixam
de ter preocupações com a sistematicidade, com o rigor, com a teorização e a
produção de conceitos, com o criticismo público e com a vinculação das suas
reflexões teóricas aos problemas do mundo. Portanto, exceto pelo convencional,
impreciso e contestado rótulo de ciência, nada parece desabonar essas
abordagens enquanto alternativas legítimas de produção de conhecimento nas
relações internacionais.
Considerados todos esses aspectos, este artigo conclui que, embora se deva
valorizar e reconhecer o importante esforço intelectual e a relevante
contribuição de Jackson para o debate sobre metodologia nas relações
internacionais, é preciso repensar o pluralismo metodológico a partir de um
ângulo mais abrangente. Para superar a estéril polarização racionalismo-
reflexivismo, é preciso ir além da perspetiva de Jackson e vislumbrar um
pluralismo metodológico onde todas as vozes que disputam um espaço no domínio
das relações internacionais possam ser ouvidas e consideradas em seus próprios
termos. Daí a importância crucial do tipo de criticismo apresentado por
Sylvester, sintetizado na terceira secção deste artigo, que fornece indicações
valiosas e relevantes para uma intervenção realmente pluralista e
transformadora no debate sobre metodologia nas relações internacionais.
Data de receção: 23 de agosto de 2013
Data de aprovação: 24 de março de 2014
Notas
1
Jackson, Patrick T. ' The Conduct of Inquiry in International Relations:
Philosophy of Science and its Implications for the Study of World Politics.
Abingdon: Routledge, 2011.
2
Ver, por exemplo, Millennium: Journal of International Studies. Vol. 41, N.º 2,
2013; Qualitative & Multi-Method Research. Vol. 8, N.º 1,
2010.
3
Strydom, Piet ' Contemporary Critical Theory and Methodology. Londres:
Routledge, 2011, p. 8.
4
Ibidem, p. 7.
5
Jackson, Patrick T. ' The Conduct of Inquiry in International Relations, p. 25.
6
Ibidem.
7
Ibidem, pp. 25-32.
8
Keohane, Robert O. ' «International institutions: two approaches». In
International Studies Quarterly. Vol. 32, N.º 4, 1988, pp. 379-396.
9
Ibidem, p. 393.
10
Ou «terceiro grande debate» segundo autores como Wendt ou Lapid (Wendt,
Alexander ' «On constitution and causation in International Relations». In
Reviewof International Studies. Vol. 24, N.º 5, 1998, pp. 101-118; Lapid, Yosef ' «The Third Debate: On the Prospects of International
Theory in a Post-Positivist' Era. In International Studies Quarterly. Vol.
33, N.º 3, 1989, pp. 235-254). De modo diferente, autores
como Wæver ou Kurki e Wight consideram que a disputa entre neorrealismo e
neoliberalismo deve ser considerada o terceiro grande debate da disciplina, daí
a opção por designar a atual polarização racionalismo versusreflexivismo (ou
neopositivismo ver suspós-positivismo) como o «quarto grande debate» (Wæver,
Ole ' «Waltz's theory of theory». In International Relations. Vol. 23, N.º 2,
2009, pp. 215-217; Kurki, Milja, e Wight, Colin '
«International Relations and Social Science». In Dune, Tim, Kurki, Milja, e
Smith, Steve (eds.) ' International Relations Theories: Discipline and
Diversity. Oxford: Oxford University Press, 2007, pp. 13-35).
11
Wæver, Ole ' «Waltz's theory of theory», p. 217.
12
Ibidem, p. 215.
13
Jackson, Patrick T. ' The Conduct of Inquiry in International Relations, p. 29.
14
Ver, por exemplo, Dune, Tim, Kurki, Milja, e Smith, Steve (eds.) '
International Relations Theories: Discipline and Diversity. Oxford: Oxford
University Press, 2007; Carlsnaes, Walter, Risse, Thomas, e
Simmons, Beth (eds.) ' Handbook of International Relations. Londres: Sage,
2013.
15
Convencional no sentido em que aceita alguns aspectos-chave da teoria sistémica
neorrealista, como a centralidade do estado por exemplo, e tenta ela própria
constituir-se como uma teoria sistémica alternativa, situada na via media entre
o racionalismo e o reflexivismo. Uma segunda vertente, chamada de
construtivismo crítico, rejeita essa «via média» proposta pelo construtivismo
convencional e assume uma perspectiva franca mente pós-positivista sobre a
construção social da realidade, colocando no centro de sua agenda de
investigação o discurso, a linguagem, o sentido, e adoptando uma posição
crítica em relação às reivindicações de verdade e às relações de poder (Agius,
Christine ' «Social Construtivism». In Collins, Alan (ed.) ' Contemporary
Security Studies. Oxford: Oxford University Press, segunda edição, 2010, p.
61).
16
Wæver, Ole ' «Waltz's theory of theory»; Wæver, Ole '
«Politics, security, theory». In Security Dialogue. Vol. 42, N.º4-5, 2011, pp.
465-480.
17
Ver, por exemplo, Ackerly, A. Brooke, Stern, Maria, e True, Jacqui (eds.) '
Feminist Methodologies for International Relations. Cambridge: Cambridge
University Press, 2006; Hansen, Lene ' Security as Practice:
Discourse analysis and the Bosnian war. Abingdon: Routledge, 2006; Malmvig, Helle ' State Sovereignty and Intervention: A Discourse
Analysis of Interventionary and Non-interventionary Practices in Kosovo and
Algeria. Abingdon: Routledge, 2006.
18
Jackson, Patrick T. ' The Conduct of Inquiry in International Relations, p. 39.
19
Ibidem, p. 33.
20
Ibidem, p. 35-36.
21
Ibidem, p. 64.
22
Ibidem, p. 37.
23
King, Gar y, Keohane, Rober t, e Verba, Sidney ' Designing Social Inquiry:
Scientific Inference in Qualitative Research.
24
Jackson, Patrick T. ' The Conduct of Inquiry in International Relations, p. 74.
25
Jackson, Patrick T. ' The Conduct of Inquiry in International Relations, pp.
74, 82, 83.
26
Ibidem, p. 114.
27
Waltz, Kenneth N. ' Theory of International Politics, p. 8.
28
Jackson, Patrick T. ' The Conduct of Inquiry in International Relations, p.
113.
29
Ibidem, p. 173.
30
Ibidem, p. 168.
31
Ibidem, p. 167.
32
Ibidem, p. 184.
33
Ibidem, pp. 197-198.
34
Ibidem, p. 189.
35
Ibidem, p. 192.
36
Ibidem, p. 189.
37
Ibidem, p. 191.
38
Por exemplo: King, Gary, Keohane, Robert, e Verba, Sidney ' Designing Social
Inquiry: Scientific Inference in Qualitative Research; Klotz,
Audie, e Prakash, Deepa (eds.) ' Qualitative Methods in International
Relations: A Pluralist Guide. Basingstoke: Palgrave, 2008;
Maoz, Zeev, Mintz, Alex, Morgan, Clifton T., Palmer, Glenn, e Stoll, Richard J.
(eds.) ' Multiple Paths to Knowledge in International Relations. Oxford:
Lexington Books, 2004; Sprinz, Detlef, e Wolinsky-Nahmias,
Yael (eds.) ' Models, Numbers & Cases: Methods for Studying International
Relations. Ann Arbor: University of Michigan Press, 2004;
Poteete, Amy R. ' «Multiple methods in practice». In Qualitative & Multi-
Method Research. Vol. 8, N.º 1, 2010, pp. 28-34.
39
Howard, Peter ' «Triangulating debates within the field: teaching international
relations research methodology». In International Studies Perspectives. Vol.
11, N.º 4, 2010, pp. 394, 407.
40
Poteete, Amy R. ' «Multiple Methods in Practice».
41
Ver, por exemplo, Qualitative & Multi-Method Research(publicação semestral
tematicamente dedicada ao «estudo, desenvolvimento e prática das técnicas de
investigação multimétodos» da The American Political Science Association.
42
Jackson, Patrick T. ' «Pluralizing Social Science». In Qualitative & Multi-
Method Research. Vol. 8, N.º 1, 2010, p. 22.
43
Hellmann, Gunther (ed.) ' «The forum: are dialogue and synthesis possible in
international relations». International Studies Review. Vol. 5, N.º 1, 2003,
pp. 123-153.
44
Moravcsik, Andrew ' «Theory syntesis in international relations: real not
metaphysical». In International Studies Review. Vol. 5, N.º 1, 2003, pp. 131-
136; Harvey, Frank, e Cobb, Joel ' «Multiple dialogues,
layered synteses, and the limits of expansive cumulation». In International
Studies Review. Vol. 5, N.º 1, 2003, pp. 144-147. A posição
de Keohane, já comentada anteriormente neste artigo, está em Keohane, Robert O.
' «International institutions: two approaches».
45
No fórum, esse meio-termo foi defendido por Lapid, embora em novas bases: em
vez do foco nas qualidades epistemológicas privilegiadas por Wendt, Lapid
repensa a via média com base nas suas potencialidades de comunicação e diálogo
(Lapid, Yosef ' «Though dialogue to engaged pluralism: the unfinished business
of the third debate». In International Studies Review. Vol. 5, N.º 1, 2003, pp.
128-131). Sobre a «via media» de Wendt, ver: Wendt, Alexander
' «On the Via Media: a response to the critics». In Review of International
Studies. Vol. 26, N.º 1, 2000, pp. 165-180.
46
Kratochwill, Friedrich ' «The monologue of Science». In International Studies
Review. Vol. 5, N.º 1, 2003, pp. 124-128; Newmann, Iver B. '
«International relations as emergent bakhtinian dialogue». In International
Studies Review. Vol. 5, N.º 1, 2003, pp. 137-140; Smith,
Steve ' «Dialogue and the reinforcement of orthodoxy in international
relations». In International Studies Review. Vol. 5, N.º 1, 2003, pp. 141-143.
47
Para um panorama geral dessas barreiras ao pluralismo, ver por exemplo,
Kratochwill, Friedrich ' «The monologue of Science», pp. 125-126; Newmann,
Iver B. ' «International relations as emergent bakhtinian dialogue», p. 140;
Smith, Steve ' «Dialogue and the reinforcement of orthodoxy in international
relations», pp. 142-143.
48
Ou terceiro grande debate conforme nota 10.
49
Sylvester, Christine ' «The elusive arts of reflexivity in the sciences of
international relations». In Millennium: Journal of International Studies. Vol.
41, N.º 2, 2013, p. 310.
50
Ver fórum em Millennium: Journal of International Studies. Vol. 41, N.º 2,
2013.
51
Sylvester, Christine ' «The elusive arts of reflexivity in the sciences of
international relations», p. 312.
52
Jackson, Patrick T. ' The Conduct of Inquiry in International Relations, p.
189.
53
Sylvester, Christine ' «The elusive arts of reflexivity in the sciences of
international relations», p. 325.
54
Ibidem, pp. 315-319. Sylvester refere-se, particularmente, às posições
defendidas por Harding sobre a questão do posicionamento feminista na busca
de uma boa ciência reflexiva.
55
Ibidem, p. 319.
56
Ibidem, p. 370.
57
Humphreys, Adam C. ' «Applying Jackson's methodological ideal-types: problems
of differentiation and classification». In Millennium: Journal of International
Studies. Vol. 41, N.º 2, 2013 , pp. 290-309.
58
Ibidem, p. 307.
59
Wight, Colin ' «Philosophy of social science and international relations». In
Carlsnaes, Walter, Risse, Thomas, e Simmons, Beth [eds.] ' Handbook of
International Relations. Londres: Sage, 2013, pp. 24, 32.
60
Wight, Colin ' «Philosophy of social science and international relations», p.
40.
61
Ibidem, p. 41.
62
Kratochwill, Friedrich ' «The monologue of Ssience», pp. 128.
63
Suganami, Hidemi ' «Meta-Jackson: rethinking Patrick Thaddeus Jackson's conduct
of inquiry.
64
Ibidem, pp. 268-269.
65
Gunnell, John G. ' «Making sense of the study of international relations:
seeking a guide for the perplexed». In Qualitative & Multi-Method Research.
Vol. 8, N.º 1, 2010, pp. 13-17.
66
Jackson, Patrick T. ' The Conduct of Inquiry in International Relations, p. 33.
67
Banks, David E., e O'Mahoney, Joseph ' «The conduct of inquiry in international
relations: The view from graduate school». In Qualitative & Multi-Method
Research. Vol. 8, N.º 1, 2010, p. 12.
68
Jackson, Patrick T. ' «Pluralizing social science», p. 22.
69
Ver, por exemplo, Grynaviski, Eric ' «Do our philosophical commitments matter?»
In Qualitative & Mult-Method Research. Vol. 8, N.º 1, 2010, pp. 7-8; Humphreys, Adam C. ' «Applying Jackson's methodological
ideal-types: problems of differentiation and classification», pp. 301-305.
70
Waltz, Kenneth N. ' Theory of International Politics. Nova York: McGraw-Hill,
1979.
71
Jackson, Patrick T. ' «Pluralizing social science», p. 21.
72
Wæver, Ole ' «Waltz's theory of theory»; Wæver, Ole ' «Politics, security,
theory».
73
Jackson, Patrick T. ' «Pluralizing social science», p. 21.
74
Ibidem.
75
Jackson, Patrick T. ' «Preparing the Ground for a more hospitable international
relations». In Millennium: Journal of International Studies. Vol. 41, N.º 2,
2013, pp. 375-376; Jackson, Patrick T. ' «Pluralizing social
science», p. 21.
76
Jackson, Patrick T. ' The Conduct of Inquiry in International Relations, pp.
24, 194-195.
77
A referência central nesse debate é Roland Bleiker (Bleiker, Roland ' The
aesthetic turn in iInternational political theory». In Millenniun - Journal of
International Studies. Vol. 30, N.º 3, 2001, pp. 509-533;
Bleiker, Roland ' Aesthetics and World Politics. Nova York: Palgrave, 2009).
Para um amplo panorama dessa produção bibliográfica ver as edições temáticas
das seguintes publicações: Alternatives. Vol. 25, N.º 3, 2000; Millenium, Vol.
30, N.º 3, 2001; Millenium, Vol. 34, N.º 3, 2006; Security Dialogue, Vol. 38,
N.º 2, 2007; Review of International Studies, Vol. 35, N.º 4, 2009. Em
português, ver por exemplo Oliveira, Gilberto C. ' «Um filme falado e a
construção calculada do sublime: Implicações da estética kantiana na construção
social da segurança. In Revista Crítica de Ciências Sociais. Vol. 98, 2012,
pp. 65-84; Oliveira, Gilberto C. ' «Margens estéticas nos estudos para a paz».
In P@x Online Bulletin. Vol. 14, 2010.
Rua Dona Estefânia, 195, 5 D
1000-155 Lisboa
Portugal
ipri@ipri.pt