Os limites cronológicos da I Guerra Mundial
Quando começou ' e terminou ' a I Guerra Mundial? Na Europa Ocidental, onde a
guerra das trincheiras domina a memória coletiva do conflito, transmitida e
transformada através de várias gerações, a pergunta pode parecer despropositada
e a resposta óbvia: a guerra começou a 28 de julho de 1914, com a declaração de
guerra austro-húngara à Sérvia, e terminou na 11.ª hora do 11.º dia do 11.º mês
de 1918, aquando da entrada em vigor do armistício negociado entre a Alemanha,
derrotada no campo de batalha e mergulhada numa tremenda crise política e
social, e as potências aliadas, cujos exércitos se aproximavam de território
alemão. Porém, esse armistício não marcou o fim oficial da guerra; foi apenas
um entre vários armistícios (outros tendo sido pedidos anteriormente pelos
impérios Austro-Húngaro e Otomano, e pela Bulgária) e a sua assinatura marcou
apenas uma trégua nos combates, sendo a contenda terminada, do ponto de vista
legal, apenas pela assinatura dos tratados negociados em Paris, em 1919. Mas
nem nesse momento terminaram, na verdade, os combates na Europa Central e de
Leste, nas margens do mar Báltico, nos Balcãs e na Irlanda, nem foi o veredito
ditado pela força das armas aceite por todos os participantes. Na esfera
política e diplomática, o revisionismo dos Tratados de Paz teve início ainda
antes da sua ratificação, quer pelos vencedores, quer pelos vencidos. Numa
outra esfera, pessoal e íntima, e um pouco por todo o mundo, espíritos
condicionados pela experiência de uma guerra total sentiram dificuldades em
adaptarem-se à paz.
A desmobilização cultural levou anos a ocorrer, e foi mais completa entre os
antigos Aliados ' sobretudo naqueles que se reviam nos termos dos Tratados de
Paz ' do que nas antigas Potências Centrais. Mas até nos países vencedores
houve quem nunca tenha conseguido pôr cobro à guerra que continuava a ser
travada dentro de si mesmo, perdoando o inimigo e comungando do ideal de que
era a guerra o verdadeiro mal a combater num esforço transnacional, liderado
pelos antigos combatentes.
Nem todos os espíritos se acalmam, nem todas as armas se calam, em novembro de
1918. A partir do fim desse ano sucedem-se combates entre (e dentro de) países
cujas fronteiras, muitas vezes problemáticas, foram revistas ou impostas pelos
vencedores, sejam estes, numa primeira instância, a Alemanha (através do
Tratado de Brest-Litovsk) ou, mais tarde, os Aliados (Tratado de Versalhes). É
só na Frente Ocidental, entre as nações cujas trajetórias conjuntam dominam a
chamada «História Europeia» ' França, Alemanha e Grã-Bretanha ' às quais
devemos, neste caso concreto, juntar os Estados Unidos, que os combates
terminam a 11 de novembro, de um minuto para o outro
1
. Mas não é apenas a ideia de um fim absoluto da guerra, em novembro de 1918,
que pode e deve ser questionado. Também o início da guerra está agora na mira
de alguns historiadores. Mais uma vez é o facto de a historiografia do período
ser dominado por historiadores da Grã-Bretanha, França e, sobretudo, Alemanha
que nos leva a aceitarmos a crise diplomática de julho de 1914 como o ponto de
partida do conflito. Mas ao alargarmos os horizontes de forma a considerar não
só uma Europa mais vasta, como ainda os domínios coloniais das potências
europeias (e outras como o Japão), veremos então que o recurso à guerra era não
só uma possibilidade, maior ou menor, mais ou menos desejável: era já uma
realidade, quer na esfera colonial, quer no Norte de África e nos Balcãs. Pondo
a questão de outra forma, mais resumida, alguns historiadores vêem a I Guerra
Mundial como uma coleção de conflitos que duram entre 1911 e 1923, que se
sobrepõem uns aos outros e que, de 1914 a 1918, criam a ilusão de serem uma só
guerra.
Nenhuma questão agitou tanto a historiografia europeia do século XX como as
origens e causas da I Guerra Mundial. Ligada à responsabilidade pela guerra no
Tratado de Versalhes, de forma a justificar as indemnizações impostas por esse
mesmo tratado à Alemanha, foi a tese da culpa alemã combatida pela República de
Weimar praticamente desde o seu nascimento. O Auswärtiges Amt coordenou,
através de uma secção especial, a Kriegsschuldreferat, com enorme sucesso, uma
campanha revisionista que incluiu, entre muitas outras iniciativas, a
publicação de documentação diplomática relativa aos eventos de 1914; a criação
e financiamento de centros de investigação falsamente independentes e de
revistas e jornais [com nomes como Der Weg zur Freiheit(O Caminho para a
Liberdade)
2
] dedicados ao tema; e apoios financeiros e práticos a historiadores alemães e
estrangeiros. Todo este esforço tinha um fim em vista: apagar o «labéu» contido
no artigo 231 do Tratado de Versalhes, desresponsabilizando assim Berlim pela
tragédia que enlutara a Europa e grande parte do resto do mundo e pondo fim às
reparações financeiras
3
. Ganhou fôlego esta campanha (parte importante da qual conduzida com manifesta
má-fé) graças à intervenção de historiadores norte-americanos como S. B. Fay
4
' que defendia a corresponsabilização de todas as potências europeias ' e Harry
Elmer Barnes, que, após defender uma posição semelhante à de Fay, foi mais
longe, acabando por culpabilizar a França e a Rússia pelo conflito
5
. Ao crescente isolacionismo norte-americano juntaram-se os efeitos práticos da
reconciliação entre os aliados ocidentais e a Alemanha a partir de 1924 ' os
resultados práticos, por outras palavras, do «espírito de Locarno», a que
voltaremos mais tarde. Expandiu-se rapidamente a noção de que a guerra
simplesmente começara, sem que ninguém a desejasse ou simplesmente conseguisse
controlar a sucessão de acontecimentos que, juntos, formam a crise de julho de
1914. Este novo consenso via na guerra um inimigo a combater e uma tragédia
evitável apenas se uma nova forma de diplomacia ' transparente e controlada por
um eleitorado esclarecido ' vingasse. Entre comentadores marxistas, a
interpretação, apesar de um ponto de partida completamente distinto, acabava
por ser semelhante: era a guerra o resultado da competição desenfreada entre
imperialismos rivais. Todos eram culpados, e por isso não valia a pena
investigar as ações e decisões dos vários governantes. Hitler explorou este
consenso historiográfico e político (que enfraquecia a ordem europeia ditada
pelo Tratado de Versalhes) para, entre 1933 e 1939, expandir as fronteiras do
3.º Reich sem provocar uma conflagração europeia, até ser surpreendido pela
declaração de guerra franco-britânica aquando da invasão da Polónia.
Este consenso quanto às causas da I Guerra Mundial sobreviveu à II Guerra
Mundial. Uma comissão científica mista, composta por historiadores
representando a França e a jovem República Federal Alemã (RFA), reuniu-se no
início da década de 1950 para estudar e o ensino comum da guerra de 1914-1918 e
suas causas. Sobre estas, a comissão, liderada por Pierre Renouvin e Gerhard
Ritter, concluiu não haver, na documentação existente, prova que qualquer país
tenha agido de forma a provocar intencionalmente um conflito
6
. Para a RFA, regime que arcava com o peso esmagador da II Guerra Mundial e do
Holocausto, tendo ainda de suportar ataques à sua legitimidade vindos da
vizinha República Democrática Alemã, era importante demonstrar ao resto do
mundo que Hitler tinha sido uma aberração na história do povo alemão. Para as
outras potências ocidentais, que precisavam de reabilitar a RFA de forma a
incluí-la na aliança antissoviética, tal fim era mais do que desejável, era
obrigatório. Mas foi um historiador alemão que veio abalar a ideia de que todas
as grandes potências europeias tinham sido responsáveis pelo eclodir da I
Grande Guerra. Fritz Fischer, nos seus livros Griff nach der Weltmacht: Die
Kriegzielpolitik des Kaiserlichen Deutschland 1914-1918(1961) e Krieg der
Illusionen(1969) atribuiu inequivocamente a culpa do conflito à Alemanha,
estabelecendo uma continuidade histórica entre três chanceleres: Bismark,
Bethmann-Hollweg e Hitler. Fischer, cuja obra desencadeou uma polémica
violentíssima entre historiadores alemães (na qual o já mencionado Gerhard
Ritter assumiu um papel preponderante, defendendo a reputação do 2.º Reich e de
Bethmann-Hollweg), proclamou a primazia da política doméstica: para compreender
a decisão de transformar o assassinato do arquiduque Franz Ferdinand numa
guerra europeia, era primeiro necessário entender as debilidades estruturais
existentes no 2.º Reich, cujas consequências a médio e longo prazo preocupavam
as classes dominantes. Fora a guerra, por outras palavras, uma fuga para a
frente da aristocracia prussiana, que ainda dominava o exército e a classe
política, mas que se sentia ameaçada por não controlar o ritmo de modernização
do país e por os seus interesses nem sempre coincidirem com os do poderoso
setor industrial alemão.
Ao relançar o debate sobre as origens ' e, sobretudo, a responsabilidade ' da I
Guerra Mundial, Fritz Fischer veio reforçar, agora no contexto da Guerra Fria,
o eurocentrismo da questão, e sobretudo, a sua ligação à Alemanha. Estudos
semelhantes aos seus, explorando a alegada primazia da política interna, foram
alguns anos depois empreendidos sobre as outras Grandes Potências ' Rússia
7
, França
8
, Áustria-Hungria
9
e Grã-Bretanha
10
' sendo mais uma vez vasculhados os arquivos estatais e as enormes coleções de
documentação diplomática publicadas desde os anos 1920. A abundância desta
documentação, à qual se deve juntar documentação de outros órgãos estatais
(incluindo as forças armadas) e a correspondência e escritos particulares das
principais figuras de todos os países envolvidos na crise, derrota a capacidade
de qualquer historiador de a ler, compreender e interpretar devidamente. Assim
sendo é fácil entender porque é que a questão nunca foi satisfatoriamente
resolvida e porque é que cada livro publicado contém uma conclusão «nova». Na
mais recente obra dedicada ao tema, da autoria de Christopher Clark, bastante
atenção é dedicada à Sérvia, cuja agressividade é explorada em detrimento de
uma leitura compreensiva das motivações alemãs, que praticamente desaparecem de
vista
11
. Hoje aceitamos que a História, enquanto disciplina académica, não é infalível
' longe disso ' e que sente dificuldades em estabelecer verdades absolutas,
como se de um tribunal se tratasse, sobre a causalidade e a responsabilidade de
eventos passados ' sobretudo eventos altamente complexos como crises
diplomáticas envolvendo vários países. Felizmente, porém, surgem agora novas
formas de encarar o início da guerra, que nos levam a questionar a centralidade
da crise de julho de 1914. Há quem interprete a crise diplomática de julho de
1914 como a consequência lógica das várias guerras que agitaram o Mediterrâneo
Oriental, e os Balcãs, a partir de 1911. O assassinato do arquiduque Franz
Ferdinand é o momento em que a estas guerras, longe ainda de terem sido
definitivamente resolvidas, se vem sobrepor o conflito entre as grandes
potências, às quais os países balcânicos se têm de subordinar, nunca abdicando,
porém, dos seus interesses nacionais. Império Otomano, Bulgária, Grécia,
Roménia: um a um, todos decidem explorar o conflito entre países mais poderosos
para consolidar fronteiras, obter territórios cobiçados e sobrepor-se aos seus
vizinhos.
Na Introdução de Empires at War, Robert Gerwarth e Erez Manela afirmam
categoricamente que os limites cronológicos «julho de 1914» e «novembro de
1918» só fazem sentido nos países para os quais a Frente Ocidental foi o palco
principal do conflito. Noutras partes do continente europeu e para o resto do
globo, a situação é bem diferente:
«O paroxismo de 1914-1918 foi o epicentro de um ciclo de conflito
imperial armado que, em algumas partes do mundo, teve início em 1911,
com o ataque italiano sobre os territórios do norte de África e do
Mediterrâneo anteriormente controlados pelo Império Otomano, e com a
Guerra dos Balcãs, que rebentou no ano seguinte. E mais, as ondas de
violência massiva desencadeadas pelo colapso imperial continuaram até
1923, altura em que o Tratado de Lausanne definiu as fronteiras da
nova República Turca e pôs fim às ambições territoriais gregas na
Ásia Menor, tendo-se registado a maior troca populacional da história
até à Segunda Guerra Mundial.»
12
Assim sendo, a agressão italiana de 1911 contra a Líbia acelerou a «Questão
Oriental» ' o declínio do Império Otomano ' dando início a uma série de
conflitos que agitaram os Balcãs, subtraindo esta região ao controle das
grandes potências, que a tinham tratado, até então, como se fosse um simples
tabuleiro de xadrez. Na I Guerra Balcânica, Sérvia, Bulgária e Grécia uniram-se
contra o Império Otomano; na II, Sérvia e Grécia lutaram contra a Bulgária.
Apesar das graves consequências humanitárias destes conflitos, nos quais o
sofrimento da população civil foi notório, despertando a atenção de
organizações humanitárias
13
, não se notou, nem nestes países, nem em Itália, uma reflexão negativa sobre o
uso da força nos anos que se seguiram; o recurso à guerra continuou a ser
aceite como um ato natural para os governos em questão e para grande parte da
opinião pública. Ninguém punha de parte uma Terceira Guerra Balcânica.
A mesma linha de pensamento pode ser seguida em relação à I Guerra Mundial se
encararmos o conflito a partir do ponto de vista colonial. O exemplo português
mostra-nos porquê. A memória da participação nacional no conflito gira em torno
dos eventos na Frente Ocidental, onde o Corpo Expedicionário Português (CEP) se
bateu, suportando grandes sacrifícios, durante cerca de um ano, até ser
desbaratado na batalha de La Lys, a 9 de abril de 1918. Muito menos atenção é
prestada às campanhas africanas ' mas mesmo estas são encaradas sobretudo na
sua vertente antialemã.
Assim sendo, são relativamente bem conhecidos os combates de Naulila, em
Angola, ainda antes do estado de guerra com a Alemanha; de Newala, em 1916; e
de Negomano, em novembro de 1917: três derrotas que ditaram, respetivamente, o
abandono do Sul de Angola em finais de 1914, o fim da invasão portuguesa da
África Oriental alemã e a invasão de Moçambique pelas forças comandadas pelo
general Von Lettow-Vorbeck. Foi esta última a mais perigosa para os interesses
portugueses, uma vez que os outros Aliados culparam Portugal pela continuação
da guerra em África até ao final do conflito. O que raras vezes é mencionado é
o facto de grande parte do esforço militar português em África ter sido virado
contra a população indígena, quer em Angola, quer em Moçambique. Investigadores
como René Pélissier
14
e Malyn Newitt
15
, pioneiros da História dos povos colonizados por Portugal, descrevem com
naturalidade estas revoltas não como parte da I Guerra Mundial, mas como mais
um capítulo na longa história da resistência ao colonialismo português. Mais
tarde, os movimentos nacionalistas africanos interpretarão revoltas como as de
Barué como sendo movimentos pioneiros ' embora ainda liderados por uma
aristocracia indígena retrógrada, e por isso mesmo condenados ao insucesso ' da
independência nacional
16
. Para Portugal, entretanto, o recurso à violência de forma a assegurar a sua
soberania nas colónias (um dos objetivos que conduz à intervenção portuguesa na
Grande Guerra) não implica, na prática, uma qualquer mudança de procedimento,
nem provoca grandes dúvidas nos governos republicanos. Combateu-se na África
Portuguesa antes da Grande Guerra e durante a Grande Guerra; combater-se-á
depois dela também. Como notam Manela e Gerwarth,
«Os impérios vitoriosos da Europa Ocidental, não obstante os ganhos
territoriais significativos obtidos na Conferência de Paz de Paris,
também não saíram ilesos do cataclismo da Guerra: a Irlanda obteve a
independência na sequência de uma guerrilha sangrenta contra as
forças britânicas, enquanto, no Egipto, na Índia, no Iraque, no
Afeganistão e na Birmânia, Londres respondeu à agitação com
considerável força. A França lutou contra a resistência às suas
ambições imperiais na Argélia, na Síria, na Indo-China e em Marrocos.
Mesmo longe dos palcos principais da Grande Guerra, o Japão fez o
mesmo na Coreia.»
17
Por outras palavras, o que, do ponto de vista exclusivo da Frente Ocidental,
aparenta ser um único conflito, com princípio e fim claros e evidentes, torna-
se, ao alargarmos os horizontes à escala global, uma convergência de conflitos
distintos, cujo início e fim são difusos, mas que atinge o seu auge nos anos
entre 1914 e 1918, durante os quais as grandes potências europeias se guerreiam
umas às outras, mobilizando os recursos dos seus impérios coloniais (ou,
noutros casos, continentais) numa luta de vida ou de morte. Esta nova forma de
encarar o período ajuda-nos a compreender melhor o intervencionismo de figuras
tão distintas como Afonso Costa, o conde de Romanones, Antonio Salandra e
Elephterios Venizelos. A guerra entre as grandes potências, ao criar a
possibilidade de uma nova ordem europeia e mesmo mundial, permite aos líderes
de algumas outras nações europeias, descontentes com o seu estatuto
internacional, sonhar com uma nova posição de prestígio e de força para os
respetivos países (e, no caso português, regime). Assim sendo, Costa e os
intervencionistas republicanos sonharam com uma República sólida, assente num
largo consenso nacional e explorando, em toda a segurança, o vasto domínio
colonial português (possivelmente alargado, à custa da Alemanha), finalmente ao
abrigo de ambições alheias. Romanones, como outros espanhóis antes e depois
dele, ambicionou uma presença reforçada no Norte de África; Salandra arriscou
tudo pela recuperação da Italia irrendenta, pela transformação do mar Adriático
num lago italiano e por uma expansão italiana no Médio Oriente; e Venizelos viu
numa conflagração europeia a possibilidade de construir a sua Grande Grécia,
que abrangeria parte da Anatólia. Portugal, Itália e Grécia pagariam bem caro
este impulso ' e Espanha também, mais tarde, em 1921, aquando da batalha de
Anual. Velhas e novas ambições que nada tinham a ver com o assassinato do
herdeiro imperial austro-húngaro, com a preservação do equilíbrio de forças no
continente europeu ou com o Concerto Europeu ditaram a participação na contenda
de vários países a quem, habituados como estavam à guerra, quer na Europa, quer
fora dela, não repugnava a ideia de se bater pelos seus interesses. Torna-se
cada vez mais necessário estudar estes diversos intervencionismos de forma
comparativa, pois o que os une é o facto de estabelecerem pontes entre os
vários conflitos a decorrer simultaneamente entre 1914 e 1918
18
.
Para grande parte do continente europeu, o fim dos combates na Frente
Ocidental, em novembro de 1918, pouco significou. A Rússia há muito que tinha
abandonado a contenda; e por essa altura já o Império Otomano, a Bulgária e a
Áustria-Hungria se tinham rendido. Mas nem estas rendições, nem a assinatura
dos vários Tratados de Paz que se lhes seguiram, significaram o regresso da paz
à Europa. John Horne e o já citado Robert Gerwarth escreveram, recentemente,
«O fim da Grande Guerra não trouxe imediatamente a paz à Europa. Pelo
contrário, revoluções, contrarrevoluções, conflitos étnicos,
massacres, guerras pela independência, conflitos civis e violência
interestados continuaram a ocorrer entre 1917 e 1923, à medida que as
forças sísmicas desencadeadas pelo cataclisma da Grande Guerra
transformaram a paisagem política de grande parte do velho
continente. Um ou mais destes tipos de violência afectaram a Rússia,
a Ucrânia, a Finlândia, os estados Bálticos, a Polónia, a Áustria, a
Hungria, a Alemanha, a Itália, a Anatólia e o Cáucaso. A Irlanda
passou por uma guerra pela independência e por uma Guerra Civil nesse
mesmo período.»
19
Alguns destes conflitos foram conduzidos por exércitos regulares, mas muitos
outros ' a maioria, mesmo ' por grupos paramilitares, dos quais os Freikorps,
empregues dentro e fora de território alemão, são provavelmente os mais
conhecidos. Acrescentam os dois autores,
«Por violência paramilitar entendemos organizações e práticas
militares ou paramilitares que, ou alargaram, ou vieram substituir as
actividades das formações militares convencionais. Por vezes, esta
tinha lugar no vazio deixado pelos estados em colapso; noutras
ocasiões, servia como adjunta ao poder do Estado; em outras, ainda,
era usada contra o Estado.»
20
O ruir dos velhos impérios multinacionais, todos eles derrotados durante a I
Guerra Mundial, deixou um vácuo de autoridade. Os estados e regimes que lhes
sucedem, frágeis e desprovidos de meios de ação, não possuem o monopólio da
violência. Perante o perigo comunista (sem dúvida exagerado na maior parte dos
casos) e a ameaça à integridade destes estados sucessores constituída por
minorias linguísticas e religiosas, milhares de veteranos recém-desmobilizados
mas ainda imbuídos do espírito das trincheiras (e incapazes de aceitarem a
realidade da derrota militar que acabaram de sofrer), aos quais se juntam
jovens que desconhecem a realidade da guerra, mas que foram preparados
culturalmente, nos anos precedentes, para combater, estando desejosos de
mostrarem o seu valor, unem-se para impor a lei do mais forte. Os resultados
são, por vezes, catastróficos, sendo a situação na Estónia, Letónia e Lituânia
paradigmática. Segundo Rudolf Höss, mais tarde comandante do complexo de
extermínio e trabalho forçado em Auschwitz,
«O combate no Báltico foi mais feroz e desesperado do que qualquer
outra coisa a que eu tenha assistido em todos os combates dos
Freikorps, antes ou depois. Não havia uma frente identificável ' o
inimigo estava por todo o lado. E sempre que havia um confronto, este
tornava-se num massacre, ao ponto da aniquilação total.»
21
Há duas formas de interpretar esta violência. A primeira encara-a do ponto de
vista estrutural, como uma consequência lógica da impossibilidade da tarefa
iniciada em Paris, em 1919. Assim sendo, estes combates, travados por forças
regulares e irregulares, resulta da impossibilidade de encontrar fronteiras
«naturais» e seguras para a totalidade dos estados-nação que deviam substituir,
de acordo com os princípios wilsonianos, os antigos impérios multinacionais.
Mas como explicar que, após mais de quatro anos de guerra industrializada, com
nove milhões de soldados mortos em combate, vinte milhões de feridos, houvesse
ainda tanta apetência para mais violência?
É precisa uma segunda interpretação, de natureza totalmente distinta. Teve a I
Guerra Mundial, para além das suas vertentes militar e diplomática, uma forte
componente cultural, que ajuda aliás a explicar a sua duração e a disciplina
observada, quer nas frentes de combate, quer atrás das linhas. Foi criada, na
maior parte dos beligerantes, uma cultura de guerra, caracterizada pela
subordinação do indivíduo ao interesse coletivo, pela apresentação do conflito
como sendo uma contenda de vida ou de morte a nível nacional, pela diabolização
do inimigo e pela justificação de uma violência cada vez maior para alcançar a
vitória. Nalguns países ' sobretudo nos estados balcânicos ' esta cultura de
guerra já vinha de trás, com efeitos desastrosos, sendo trocadas acusações
sobre violações dos direitos dos não-combatentes entre a Bulgária e a Grécia
aquando da 2.ª Guerra Balcânica. Aliás, não se nota, no comportamento das
instituições e da imprensa sérvia, no verão de 1914, um receio especial de uma
guerra contra a Áustria-Hungria. E a aceitação da beligerância armada como
opção natural de governação está patente na vitória eleitoral de Elephterios
Venizelos, em 1915, alcançada a partir da oposição (algo impensável em
Portugal). A maioria dos gregos, sem dúvida nenhuma, deseja a guerra. A partir
de 1914, esta «cultura de guerra» faz-se sentir tanto nas linhas da frente como
na retaguarda, embora não seja um fenómeno universal: praticamente não existe,
por exemplo, em Portugal, país escudado pela distância que o separa das frentes
de combate e pela falta de urgência que caracteriza o seu esforço de guerra. Já
as autoridades italianas só sentem a necessidade de estimular o desenvolvimento
de uma cultura de guerra própria e capaz de abranger toda a população após a
derrota de Caporetto, no outono de 1917, quando tropas inimigas ocupam
território nacional até à linha do rio Piave. A maior parte dos países em que
se desenvolve esta cultura de guerra sentirá dificuldades em inverter-lhe o
curso uma vez finda a guerra. Não será uma tarefa simples a desmobilização
cultural da população (ex-combatentes e civis), especialmente nos países que se
contam entre os derrotados. Estamos então de regresso à ideia de uma guerra
civil europeia, iniciada não em 1914, mas em 1911, com a agressão italiana na
Líbia, e terminada em 1945? Não necessariamente. O período de agitação que
caracteriza o pós-guerra estende-se apenas até 1923, cessando rapidamente nos
anos seguintes. Num extremo da Europa termina a guerra civil irlandesa com a
vitória dos partidários do Estado Livre Irlandês e a derrota do IRA. A fundação
por Éamonn de Valera do partido Fianna Fáil em 1926 e a aceitação temporária do
juramento de fidelidade ao rei britânico por parte dos deputados ao parlamento
irlandês marcam o regresso da normalidade à vida política irlandesa após anos
de agitação intensa, fechando-se o ciclo inaugurado pela crise da
autodeterminação (home rule), em 1912. No extremo oposto da Europa, 1923 viu o
Tratado de Lausanne pôr cobro, finalmente, ao estado de guerra com a Turquia,
herdeira do Império Otomano, que se libertara, após anos de combates
exaustantes, das tropas de ocupação gregas. Uma convenção sobre a troca de
populações grega e turca (nem sempre sendo fácil identificar quem era o quê,
acabando a religião por se tornar o denominador de recurso) levou um milhão de
gregos a deixar território turco, e meio milhão de turcos a percorrer o caminho
inverso. Findara entretanto a Guerra Civil Russa (tendo sido introduzida, pouco
tempo depois, a Nova Política Económica) e, com ela, o medo de um «contágio
revolucionário» na Europa de Leste, onde a situação estabiliza. Entre as
potências ocidentais, 1923 foi um ano difícil, graças à ocupação franco-belga
do Ruhr e à resposta alemã, que resultou numa hiperinflação debilitante para a
população (mas não necessariamente para o Estado, que se viu livre da dívida
interna contraída durante a Grande Guerra). O resultado foi uma onda de
efervescência política, que incluiu a tentativa de golpe de Estado liderada, em
Munique, por Hitler. Mas 1923 foi também um ano de viragem: inicia-se, sob a
liderança de Gustav Stresemann, um longo período de calma doméstica. Stresemann
na Alemanha, Aristide Briand em França e Austen Chamberlain no Reino Unido
trabalham, com sucesso, para pôr cobro às querelas entre os seus três países. O
«espírito de Locarno» é uma realidade que desmobiliza países e espíritos na
Europa Ocidental. O ritmo a que esta desmobilização ocorre varia de país para
país. Segundo Laurence van Ypersele,
«A desmobilização cultural ocorreu mais rapidamente na Grã-Bretanha
do que em França, e revelou-se mais difícil na Alemanha. Por todo o
lado, havia quem se recusasse a abdicar das atitudes bélicas. No
entanto, com o tempo, o ardor esmoreceu, a visão sobre a guerra
transformou-se e, sobretudo na metade ocidental da Europa, assim como
nos Domínios e nos Estados Unidos, desenvolveu-se uma atmosfera
essencialmente pacífica.»
22
Escreve Alan Kramer que, quer a Grã-Bretanha, quer a França, se mostraram, a
partir de 1925, dispostas a readmitir a Alemanha na comunidade internacional,
«e a trata-la na base da assunção de que a desmobilização mental, no sentido de
um esmorecimento do propósito da vingança militar, estava a ganhar terreno na
Alemanha tão rapidamente como em França e na Grã-Bretanha»
23
. Horne e Gerwarth, acérrimos defensores do conceito de desmobilização
cultural, apontam-no como sendo mais útil do que o seu antecessor, o da
«brutalização» que, embora desacreditado, não fora ainda substituído de forma
convincente. Segundo George Mosse, o principal defensor desta noção de
brutalização,
«A persistência das atitudes bélicas depois da Guerra perpetuou uma
certa brutalização da política, uma indiferença exacerbada à vida
humana. Não foi apenas a visibilidade continuada e o estatuto militar
elevado de nações como a Alemanha o que encorajou uma certa
crueldade, mas, acima de tudo, um estado de espírito decorrente da
guerra e da aceitação da própria guerra.»
24
Porém, tal brutalização, consequência do trauma psicológico sofrido durante a
guerra, deveria ter-se manifestado, desenvolvido e, por fim, resolvido por toda
a Europa de acordo com uma só regra, consequência da sua origem psicológica,
comum a todos os que passaram pela frente de combate. Mas, como já constatámos,
tal não foi o caso
25
. Os índices de violência política no pós-guerra variam de país para país.
Horne e Gerwarth sugerem que a causa reside no aspeto cultural do conflito:
embora seja impossível resistir à resolução de um trauma, é possível resistir a
um processo de desmobilização cultural, e muitos escolheram não o fazer,
mantendo viva a guerra dentro de si. A ideia de que tal desmobilização
equivaleria à inutilização dos sacrifícios feitos nas trincheiras pelos que
delas voltaram e pelos que lá ficaram, mortos em combate, revelou-se, em muitos
casos, duradoura, e fácil de explorar. Alan Kramer, debruçando-se sobre o mesmo
problema, propõe uma correlação entre os graus de desmobilização cultural (e
por isso mesmo de violência política) e as diferentes formas de constituição de
estados-nação. Adotando a classificação idealizada por Theodor Schieder, Kramer
descreve uma desmobilização cultural relativamente fácil nos estados-nação
criados por revoluções internas (da qual resulta um pós-guerra pacífico), a
destruição de regimes democráticos por forças paramilitares nos estados-nação
criados por processos de unificação, e uma violência sem limites nos estados-
nação criados por secessão
26
.
Começando em 1924, cresce o consenso de que é a guerra em si o verdadeiro
inimigo, contra o qual será necessário combater com todos os meios possíveis.
Ao Pacto de Locarno seguir-se-ão o Pacto Kellogg-Briand e, um pouco mais tarde,
a proposta de Briand para a criação de uma união federal europeia. Com apoio
norte-americano, a Alemanha recomeça o pagamento de reparações financeiras de
acordo com um calendário mais favorável. Ultrapassada a crise internacional, a
economia alemã recupera o seu fôlego e a crispação política parece resolver-se.
Com algum atraso começam a ser publicadas narrativas de guerra dos que nela
participaram, que geralmente apresentam os soldados ' todos eles, seja qual for
a sua nacionalidade ' como vítimas merecedoras de compaixão, tal o sofrimento
por que passaram. Esta onda de pacifismo é alimentada por romances e filmes
(sendo os mais conhecidos A Oeste Nada de Novo, de 1929) e ainda por obras que
revelam ' e exageram ' a força das campanhas de propaganda efetuadas durante a
guerra
27
. Essas obras explicam o que, para o número cada vez maior de pacifistas, mais
precisa de ser esclarecido: porque é que tantos seres humanos se massacraram
ano após ano nas trincheiras, sem nunca se insurgir contra o que estavam a
fazer. A razão, afinal, é simples: foram os soldados enganados por figuras
políticas, económicas e intelectuais pouco escrupulosas, que, a fim de
perseguirem os seus interesses privados, não hesitaram em mentir descaradamente
sobre a situação internacional e o comportamento do «inimigo». Surgem assim
dúvidas sobre as atrocidades de guerra cometidas pelo exército alemão em França
e na Bélgica em 1914, encaradas agora como parte desta campanha desumana de
desinformação. A estas obras junta-se outra, vinda de um campo ideológico
totalmente oposto, que usa o suposto poder ilimitado da propaganda de guerra
para explicar outro «mistério», o da derrota alemã: Mein Kampf. Para Hitler, a
propaganda aliada fora muito superior à alemã; será preciso, no futuro,
inverter essa situação.
Há exceções, claro, a esta desmobilização cultural. Em Itália a entrega do
poder a Benito Mussolini nasce não só do receio, partilhado por elites
tradicionais e empresariais, de uma revolução que siga o exemplo russo, como
também da opinião de que, durante a guerra, uma nova forma de governar o país
fora encontrada, mais segura e eficiente do que a democracia parlamentar,
sobretudo na era do sufrágio masculino universal, impossível de controlar.
Assim sendo, e embora não só a força do Estado não esteja verdadeiramente
ameaçada (ninguém sonha medir forças de forma sistemática com o Exército, por
exemplo) como ainda a onda de contestação social do chamado biénio vermelho
(1919-1920) tenha passado, as forças conservadoras entregam o poder político a
um grupo radical que recusa a desmobilização cultural. Para os fascistas a
guerra não terminou, tendo em conta as promessas feitas pelos Aliados no Pacto
de Londres, assinado em 1915, e quebradas em Paris, quatro anos mais tarde, e a
presença na sociedade italiana de elementos cuja traição levou à fraca
prestação do Exército, especialmente durante a batalha de Caporetto, em finais
de 1917. Mussolini afirma agir em nome dos 600 mil italianos mortos em combate,
para que o sacrifício por eles feito não seja esquecido ' um truque retórico
que permite ao fascismo apresentar-se como igual em força, senão superior, ao
seu alvo preferencial, o Partido Socialista Italiano, na realidade muito mais
numeroso.
Na segunda metade da década de 1920, o continente europeu conhece uma
estabilidade que desaparecera a partir de 1911. Muito mudará, porém, com a
Grande Depressão, que fragilizará todos os regimes existentes, autoritários ou
democráticos, começando pela República de Weimar. É a crise económica que se
segue ' a segunda em menos de dez anos ' e não as questões deixadas em aberto
pelos Tratados de Paz que permitirá o aumento dramático do voto nacional-
socialista, levando ' tal como em Itália ' ao convite a Hitler, feito pelas
forças conservadoras que cercam o Presidente Von Hindenburg, carentes de um
apoio popular forte, para formar Governo. Não parece válida, assim sendo, a
tese da «guerra civil europeia», de 1914 a 1945. O mesmo não se pode dizer da
revisão dos limites cronológicos da guerra, e da ideia de mobilização e
desmobilização cultural, que muito contribuem para iluminar o período do pós-
guerra e, do ponto de vista português, a singularidade da experiência nacional
da Grande Guerra e dos anos que se lhe seguem. Se um dos principais motores
históricos do período é a experiência de mobilização/desmobilização cultural em
torno da guerra, o que sucede a um país que, embora tenha participado no
conflito, a grande custo em vidas e tesouro, não partilha essa experiência?
Data de receção: 14 de abril de 2014
Data de aprovação: 22 de maio de 2014
Notas
1
Para Portugal, os combates na Frente Ocidental terminaram, na prática, em abril
de 1918. Podemo-nos questionar sobre as consequências para a vida política
portuguesa, a médio e longo prazo, de uma permanência na frente de combate até
novembro de 1918 de um Corpo Expedicionário Português (CEP) regularmente
reforçado.
2
Mombauer, Annika ' The Origins of the First World War: Controversies and
Consensus. Londres: Routledge, 2002, p. 53.
3
Ver, por exemplo, Geiss, Imanuel ' «Die manipulierte Kriegsschuldfrage.
Deutsche Reichspolitk in der Julikrise 1914 und Deutsche Kriegsziele im Spiegel
des Schuldreferats des Auswärtigen Amtes, 1919-1939». In Militärgeschichtliche
Mitteilungen. Oldenbourg. Vol. 34, N.º 2, 1983, pp. 31-60.
4
Fay, S. B. ' The Origins of the World War. Nova York: MacMillan, 1929.
5
Barnes, H. E. ' The Genesis of the War: An Introduction to the problem of War
Guilt. Nova York: Kopf, 1927.
6
Mombauer, Annika ' The Origins of the First World War: Controversies and
Consensus, p. 123.
7
Lieven, Dominic C. B. ' Russia and the Origins of the First World War. Londres:
MacMillan, 1983.
8
Keiger, John Keiger ' France and the Origins of the First World War. Londres:
MacMillan, 1983.
9
Williamson jr, Samuel R ' Austria-Hungary and the Origins of the First World
War. Londres: MacMillan, 1990.
10
Steiner, Zara ' Britain and the Origins of the First World War. Londres:
MacMillan, 1977.
11
Clark, Chirstopher. The Sleepwalkers: How Europe Went to War in 1914. Londres:
Allen Lane, 2012.
12
Gerwarth, Robert Gerwar th, e Manela, Erez ' «Introduction». In Gerwarth,
Robert, e Manela, Erez (coord.) ' Empires at War, 1911-1923. Oxford: Oxford
University Press, 2014, p. 2.
13
Michail, Eugene ' «War in the Balkans and the shifting meanings of violence,
1912-91». In Journal of Contemporary History. Londres. Vol. 47, N.º 2, 2012,
pp. 219-239. Ver também o Report of the International
Commission to Inquire into the Causes and Condict of the Balkan Wars.Washington
DC: Carnegie Endowment for International Peace, 1914.
14
Pélissier, René ' Naissance du Mozambique. Résistance et révoltes
anticoloniales (1854-1918). V. II La conquête. Orgeval: Pélissier, 1984. Ver também Pélissier, René ' Les Campagnes Coloniales du
Portugal, 1844-1891. Paris: Pygmalion, 2004.
15
Newitt, Malyn ' A History of Mozambique. Londres: Hurst, 1995.
16
Funada-Classen, Sayaka ' The Origins of War in Mozambique. Joanesburgo: African
Minds, 2013, p. 72.
17
Gerwarth, Robert, e Manela, Erez ' «Introduction», p. 1.
18
Meneses, Filipe Ribeiro de ' «Waiting for war: Portugal, Spain, Italy and
Greece, 1914-1918». In Comunicação & Cultura. N.º 16, 2013, pp. 41-56. Representa este artigo uma primeira tentativa de explorar os
pontos comuns em três países que escolheram entrar na guerra e um que não o
fez.
19
Gerwarth, Robert, e Horne, John ' «Paramilitarism in Europe after the Great
War: an introduction». In Gerwarth, Robert e Horne, John (coord.) ' War in
Peace: Paramilitary Violence in Europe after the Great War. Oxford: Oxford
University Press, 2012, p. 1.
20
Gerwarth, Robert, e Horne, John ' «Paramilitarism in Europe after the Great
War: an introduction». In Gerwarth, Robert, e Horne, John (Coord.) ' War in
Peace: Paramilitary Violence in Europe after the Great War, p. 1.
21
Citado e traduzido por Kramer, Alan ' Dynamic of Destruction: Culture and Mass
Killing in the First World War. Oxford: Oxford University Press, 2007, 308.
22
Ypersele, Laurence Van ' «Mourning and memory, 1919-45». In Horne, John
(coord.) ' A Companion to World War I. Londres: Wiley-Blackwell, 2010, p. 582.
23
Kramer, Alan ' Dynamic of Destruction: Culture and Mass Killing in the First
World War, p. 283.
24
Mosse, George L. ' Fallen Soldiers: Reshaping the Memory of the World Wars.
Oxford: Oxford University Press, 1990, p. 159.
25
Até mesmo para o caso alemão as ideias de Mosse estão agora a ser contestadas.
Ver, por exemplo, Ziemann, Benjamin ' War Experiences in Rural Germany: 1914-
1923. Oxford: Berg, 2007, e Ziemenn, Benjamin ' Contested
Commemorations: Republican War Veterans and Weimar Political Culture.
Cambridge: Cambridge University Press, 2013.
26
Kramer, Alan ' Dynamic of Destruction: Culture and Mass Killing in the First
World War. Oxford: Oxford University Press, 2007, p. 279.
27
Ver, por exemplo, Ponsonby. Arthur ' Falsehood in War time: Containing an Assor
tment of Lies Circulated Throughout the Nations During the Great War. Londres:
Garland, 1928, e Creel, George ' How We Advertised America.
Nova York: Harper Brothers, 1920. O sucesso do romance de
Erich Maria Remarque, segundo Alan Kramer, demonstra que «a very large part of
the German public still identified with the rejection of the war which had
destroyed a generation, and with the transnationality of the experience of
victimhood. It sold one million copies in Germany in its first year of
publication alone, before going on to become an international bestseller». Por
isso mesmo quer o livro, quer o filme norte-americano, realizado por Lewis
Milestone foram violentamente atacados pela extrema-direita alemã, e mais tarde
proibidos pelo regime nazi. Kramer, Alan ' Dynamic of Destruction: Culture and
Mass Killing in the First World War, pp. 319-320.
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