A contribuição da teoria das relações internacionais para a explicação do
processo de integração monetária europeia
A explicação do processo de integração europeia tem, ao longo das últimas
décadas, recorrido à teoria das relações internacionais (tri). Das principais
teorias da integração europeia2, duas, o neofuncionalismo3 e o
intergovernamentalismo liberal4, parecem especialmente relevantes, quer pelos
instrumentos e conceitos utilizados, quer pelo próprio objeto de análise, para
explicar o processo de integração europeia e, em particular, a criação da União
Económica e Monetária (uem). Estas teorias, provenientes da tri, entrecruzam
elementos da mesma com outros elementos da ciência política e da economia. Este
enquadramento teórico ajuda a estruturar um melhor entendimento do processo de
integração monetária na Europa.
Outros conceitos da abordagem tradicional das relações internacionais concorrem
para a explicação5. É o caso das comunidades epistémicas6 e das suas aplicações
à integração monetária7 e das relações entre «atores organizacionais», no
âmbito da teoria das instituições informais8 aplicada quer ao procedimento
europeu da codecisão quer a experiências de aprendizagem e alterações
institucionais (institucionalismo cognitivo, adotado em trabalhos recentes de
North9, e nos estudos de Ostrom10), também aplicada ao diálogo monetário entre
o Parlamento Europeu (pe) e o Banco Central Europeu (bce)11. Neste artigo,
porém, centrar-nos-emos nas principais teorias da integração europeia
originárias da tri, aferindo o seu contributo para a explicação do processo de
integração monetária europeia.
A teoria neofuncionalista e a teoria do intergovernamentalismo liberal
inicialmente estavam conotadas com o método comunitário e o método
intergovernamental, respetivamente. No entanto, a evolução da integração
europeia desafiou a dicotomia entre o método comunitário e a cooperação
intergovernamental, devido à crescente variedade de métodos e interações entre
atores a vários níveis e os estados-membros12. Novas teorias e abordagens
teóricas procuraram explicar a integração europeia sem estarem presas às duas
teorias dominantes, nomeadamente através do protagonismo das instituições
supranacionais, do processo de decisão conjunto (a codecisão, que se
transformou no processo legislativo ordinário após o Tratado de Lisboa) e o
método aberto de coordenação (para referir apenas três exemplos).
A integração monetária teve lugar no contexto da integração económica europeia,
permitindo a superação de mais um degrau na escada da integração económica13,
tornando-se a ue numa União Económica e Monetária (uem) incompleta14. Ambas as
teorias mencionadas consideram efeitos económicos (os spillovers funcionais e
os interesses económicos nacionais, respetivamente), mas estão ancoradas num
processo político e social mais vasto. A esse propósito, Wiener e Diez
desvalorizam as teorias económicas por não respeitarem os requisitos das
teorias da integração europeia, na medida em que se circunscrevem a certos
aspetos e efeitos da integração económica15. Contudo, pela sua própria
natureza, a uem aceita um papel para a teoria da integração económica, para a
coordenação de políticas económicas e para o impacto das instituições no
desempenho económico. Por outro lado, como é explicado por North16 e enfatizado
no trabalho de Salines, Glöckler, Truchlewski e Favero17, a teoria económica
por si só é incapaz de explicar as modificações institucionais. Assim sendo,
uma abordagem teórica da integração monetária europeia deve levar em
consideração a interação entre os aspetos políticos e económicos.
DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS À INTEGRAÇÃO EUROPEIA: NEOFUNCIONALISMO E
INTERGOVERNAMENTALISMO
A teoria neofuncionalista centrava-se no conceito de spillover, que foi
desenvolvido na década de 195018. Este contributo teórico secundava a evolução
setorial da integração económica europeia: primeiro, com a criação da
Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (Tratado de Paris de 1952), que depois
gerou os spillovers necessários à criação da Comunidade Económica Europeia
(Tratado de Roma, 1957), posteriormente alicerçada na concretização da união
aduaneira em meados de 1968 (um ano antes do calendário aprovado) e no
funcionamento da Política Agrícola Comum. A teoria começou a perder adeptos a
partir da segunda metade da década de 1960, pois a evolução da integração
europeia não confirmava as suas previsões. Foi o próprio Haas que declarou, em
meados da década de 1970, a perda de influência da integração regional devido
aos desenvolvimentos da integração europeia19. Entre os desenvolvimentos da
integração europeia contrários a um processo dinâmico de integração estavam o
episódio da cadeira vazia protagonizado por De Gaulle em meados da década de
1960 (que resultou no Compromisso do Luxemburgo em 1966), as dificuldades e até
os retrocessos na integração económica europeia (a emergência de restrições não
alfandegárias que criavam obstáculos às trocas comerciais entre os estados-
membros das Comunidades), ou o reforço de aspetos intergovernamentais (na
sequência do primeiro alargamento ao Reino Unido, Irlanda e Dinamarca em 1973,
a criação do Conselho Europeu em 1974 ou a criação do coreper)20. Apesar destes
desenvolvimentos, a integração europeia avançou nos anos 1960 e 1970 através da
jurisprudência do Tribunal de Justiça em casos emblemáticos como os que
determinaram o princípio da primazia do direito da ue, o princípio do efeito
direto ou o princípio do reconhecimento mútuo21. A teoria neofuncionalista
recuperou o fôlego em meados dos anos 1980 com a (inesperada) reanimação da
integração europeia que se traduziu na concretização, pelo mercado interno de
1992, das quatro liberdades de circulação previstas no Tratado de Roma
(mercadorias, serviços, capitais e pessoas) e no direito de estabelecimento,
assim como no aumento das decisões por maioria qualificada ditada pelo Ato
Único Europeu.
O conceito de spillover inclui três dimensões: funcional, política e de
aculturação22. O spillover funcional está relacionado com a dimensão económica
que supõe um acréscimo na integração europeia, sendo alicerçado num processo de
aprendizagem caucionado por elites que transferem expectativas, atividades
políticas e lealdades para a nova entidade supranacional. O conceito de
spillover político foi posteriormente cunhado para descrever o processo através
do qual as elites nacionais (governamentais e de outra índole) exercem pressão
no sentido de mais integração como solução para resolver problemas ao nível
supranacional, segundo um método negocial que promova os interesses comuns23. O
spillover de aculturação refere-se ao papel das instituições supranacionais na
promoção de mais integração. A Comissão Europeia é vista como o esteio
institucional para cativar a atenção dos efeitos previsíveis da
interdependência funcional e económica.
Os pressupostos neofuncionalistas quanto aos motores da integração europeia são
resumidos do seguinte modo: primeiro, a dinâmica de integração é conduzida por
atores racionais e com interesses próprios, capazes para aprender com as
vicissitudes do processo e que não se pautam por preferências unicamente
nacionais; segundo, as instituições supranacionais transcendem o papel de meros
agentes (numa lógica de agente principal), pois conseguem imprimir o rumo da
integração; terceiro, sublinha-se o processo de decisão incremental que abre as
portas para consequências não antecipadas; quarto, rejeitam-se os jogos de soma
nula na negociação; e, quinto, as interdependências económicas e funcionais
conduzem a mais integração24. A mudança para a governação supranacional é
associada com a emergência das instituições (aqui entendidas como um sistema de
regras), o que frequentemente acontece sem estar antes previsto. Assim que se
estabelecem, as instituições e políticas por elas adotadas não são facilmente
reversíveis (devido ao efeito da dependência causal), o que facilita o seu
enraizamento25.
A escola intergovernamental da teoria da integração radica na ideia de
Hoffman26 de que, apesar da integração europeia, os estados-nação conseguiram
resistir. Em contraposição com o neofuncionalismo, que está conotado com o
método comunitário, o intergovernamentalismo argumenta que os atores nacionais
aproveitaram o processo de integração europeia para reforçar o seu poder sobre
as instituições supranacionais. O intergovernamentalismo atribui os avanços na
integração europeia dos anos 1970 ao processo de decisão que tem natureza
intergovernamental. Neste processo, as autoridades nacionais retêm um poder de
veto e o poder das instituições supranacionais é minimizado27. O Sistema
Monetário Europeu (sme) é considerado nesta perspetiva, a nosso ver de forma
apressada28, como um paradigma de intergovernamentalismo, dado que surgiu em
1978 fora dos tratados comunitários e sem o envolvimento formal da Comissão no
processo de decisão29. Se o intergovernamentalismo parece ter potencial
explicativo para os acontecimentos das décadas de 1960 e 1970, a reanimação do
processo de integração europeia a partir de meados dos anos 1980 trouxe à
superfície o papel dos estados-membros não como atores resistentes ao processo
(para preservar a soberania nacional e o controlo das decisões políticas), mas
como atores pró-ativos da integração europeia. A alteração de comportamento das
autoridades nacionais pôs em relevo uma fraqueza da teoria do
intergovernamentalismo dos anos 1960 e 1970, a saber, a forma vaga com que eram
tratados os interesses nacionais quando encarados para além da preservação da
soberania30. Era possível explicar a atitude construtiva dos estados-membros,
mas outro tanto não acontecia quanto às preferências relacionadas com o
aprofundamento da integração europeia, sendo de notar que estas preferências
passaram a ter um papel central na década de 1990 com o programa do mercado
interno.
Esta fraqueza foi em parte ultrapassada pela teoria do intergovernamentalismo
liberal formulada por Moravcsik, que parte do intergovernamentalismo para
apresentar uma explicação alternativa ao neofuncionalismo. Moravcsik adotou uma
abordagem estatocêntrica que vê as Comunidades Europeias como um regime de
coordenação internacional de políticas31. No seu intergovernamentalismo
liberal, Moravcsik sublinha que os desenvolvimentos na integração europeia dos
anos 1980 são compatíveis com o método intergovernamental, acrescentando, como
inovação teórica, a consideração do poder e das preferências nacionais.
De acordo com Pollack, as teorias do intergovernamentalismo e do
intergovernamentalismo liberal têm o património genético comum das teorias de
relações internacionais dominantes, partilhando dois pressupostos principais (a
centralidade dos estados na integração europeia e um comportamento racional que
maximiza a utilidade dos agentes envolvidos no processo de integração)32. As
diferenças relevantes, para o objeto da nossa análise, entre a teoria do
intergovernamentalismo e a teoria do intergovernamentalismo liberal residem nos
pressupostos quanto às preferências dos estados (natureza e derivação) e na
importância das instituições internacionais (modo de interação dos estados e no
papel dos agentes supranacionais).
O intergovernamentalismo liberal enfatiza a convergência de preferências, em
contraste com o neofuncionalismo que argumenta que os acordos
intergovernamentais são condicionados pelas instituições supranacionais, por
spillovers não programados e por coligações transnacionais de grupos de
interesses. Está ancorado na teoria liberal da formação de preferências, que se
confina ao nível nacional. A negociação ao nível da ue é intergovernamental,
sendo influenciada pelas preferências nacionais e por uma competição onde os
estados-membros são pesados na balança de poderes, adotando um modelo
institucional centrado na interiorização de compromissos credíveis. Em oposição
ao neofuncionalismo, as preferências não são moldadas pela participação ao
nível europeu, o papel das instituições supranacionais no processo negocial e
nos seus resultados é reduzido (por exemplo, o papel de iniciativa da Comissão
e na defesa do interesse comum europeu) e elas são encaradas como instrumentos
que permitem alcançar compromissos credíveis e respeitados pelos estados-
membros. Os passos importantes na integração europeia resultam da convergência
de preferências entre os (mais poderosos) estados-membros, estando a delegação
de poderes nas instituições supranacionais restringida a detalhes operacionais
que lhes permitam atuar como agentes.
O intergovernamentalismo liberal de Moravcsik é um modelo de três etapas
(preferências, negociação e instituições, com uma teoria distinta para cada
etapa), assumindo que os estados são agentes racionais e unitários. Assim
sendo, partilha alguns pressupostos com a teoria do intergovernamentalismo (e
também com o realismo e o institucionalismo racional)33. A teoria parte dos
mecanismos de formação das preferências das autoridades nacionais (com visível
influência dos interesses económicos), prosseguindo com os mecanismos de
negociação internacional (onde se destaca o poder relativo de cada país),
finalizando com os resultados que determinam a criação ou a modificação de
instituições (com o propósito de firmar compromissos credíveis e exequíveis que
consigam lidar com o cenário da incerteza)34 Moravcsik e Schimmelfennig. O
intergovernamentalismo liberal centra-se na explicação dos resultados da
integração europeia ' cooperação e a escolha de instituições ' como o produto
final de um processo que ultrapassou etapas sucessivas. Em primeiro lugar, a
teoria argumenta que o Estado é um ator unitário cujas preferências são
formadas ao nível nacional, traduzindo a relevância nacional de assuntos e a
importância (embora não exclusiva) de interesses económicos. Em segundo lugar,
a negociação entre as autoridades nacionais é contaminada pelo poder relativo
dos estados e pelas respetivas funções de utilidade. Os estados-membros
negoceiam com base nos ganhos individuais que podem obter, mas consideram a
possibilidade de cooperação para evitar resultados subótimos e, desse modo, ser
maior a probabilidade de aumentar os benefícios conjuntos (bem como a sua
quota-parte nos benefícios da cooperação). O pressuposto da negociação eficaz
que se alicerça no reconhecimento das assimetrias de informação não é
compatível com a ideia de empreendedores ideológicos (à la Jean Monnet).
Moravcsik admite que o Ato Único Europeu é uma exceção, pois foi notório o
protagonismo de um empreendedor supranacional, Jacques Delors35. Também é
possível identificar empreendedores ideológicos nos casos do sme e da uem:
Giscard d'Estaing e Helmut Schmidt, e François Mitterrand, Helmut Kohl e
Jacques Delors, respetivamente36.
Para o intergovernamentalismo liberal, os desenvolvimentos da integração
europeia têm sido conduzidos por um processo gradual de convergência de
preferências entre os estados-membros mais poderosos, no termo de um processo
negocial onde o poder relativo dos estados-membros é a bitola, estabelecendo
compensações aos estados afetados e uma delegação minimalista de poderes às
instituições supranacionais com o intuito de assegurar a exequibilidade dos
compromissos. Pode-se, contudo, argumentar que a consideração de preferências
nacionais baseadas na mera contabilização de interesses específicos teria, a
priori, o condão de dificultar a convergência de preferências, para mais numa
ue que é mais heterogénea a cada alargamento que se sucede.
Para Moravcsik37, o Tratado de Maastricht foi influenciado pela persistência de
preferências nacionais convergentes, refletindo principalmente o interesse da
Alemanha, o país que mais soberania monetária teria a perder38. Esta visão
contrasta com a visão neofuncionalista, que valoriza a existência de
empreendedores supranacionais, spillovers não esperados de anteriores passos da
integração europeia e a influência de grupos de interesse transnacionais39.
Jones sintetiza de forma particularmente feliz os pressupostos comuns
(racionalidade e resultado de alterações económicas) e as diferenças de
abordagem entre as duas teorias:
«os neofuncionalistas enfatizam a racionalidade institucional (spill-
over) e sugerem que esta reconstitui o interesse económico próprio
(transferência de lealdades, etc), ao passo que os
intergovernamentalistas e os intergovernamentalistas liberais [Jones
utiliza o termo neorrealistas] enfatizam o interesse económico
próprio (negociação distributiva) e sugerem que esta confere
racionalidade às instituições (através de custos de transação mais
baixos e de compromissos vinculativos).»40
A abordagem do intergovernamentalismo liberal à integração europeia admite uma
multiplicidade de equilíbrios41, o que implica pressupostos arbitrários para a
escolha de um entre possíveis resultados. Consequentemente, as instituições
europeias, que podem introduzir um contributo independente nas políticas da ue,
devem ser reconhecidas quando se equaciona um dos vários equilíbrios entre os
estados-membros. É nesta altura que devem ser consideradas teorias da
integração de segunda ordem, tais como as que reconhecem a influência das redes
de governação (governação multinível)42 e as que admitem a influência das
instituições supranacionais nos resultados das negociações intergovernamentais
(institucionalismo racional)43. O institucionalismo racional, através da
influência exercida pela cultura e pelas crenças44 e das normas ou ideias
facilitadas por um determinado enquadramento institucional45 em modelos de
escolha racional, procura explicar como e porquê um resultado específico vem à
superfície quando existe uma multiplicidade de equilíbrios possíveis. Esta é
uma razão válida para contar com estas abordagens suplementares, nomeadamente
porque completam as lacunas das duas principais teorias da integração europeia.
A CONTRIBUIÇÃO DA TEORIA ECONÓMICA E O PAPEL DAS IDEIAS NA EXPLICAÇÃO DAS
ALTERAÇÕES INSTITUCIONAIS
Por vezes, a teoria da integração económica e/ou a dimensão económica da
integração europeia parecem subvalorizadas (para não dizer ignoradas) nas
explicações da integração europeia. Por exemplo, Wiener e Diez excluem as
teorias económicas por serem particularistas (debruçam-se sobre aspetos
particulares e sobre os efeitos da integração económica), para, desse modo, não
as considerarem teorias da integração europeia46. Todavia, como os próprios
autores admitem, as teorias económicas vão fazendo o seu caminho na área das
teorias da integração europeia, como acontece com a teoria neofuncionalista e
com a teoria do intergovernamentalismo liberal, pelo menos quando consideradas
nos seus termos gerais, que incluem o contributo da coordenação de políticas e
o papel das instituições47.
A teoria da interdependência e da coordenação da política macroeconómica, como
sub-ramo da economia internacional, contribuiu, lado a lado com o
neofuncionalismo, para uma explicação da integração europeia, pondo em destaque
aspetos que escapavam à observação das teorias inspiradas pelas relações
internacionais e/ou política comparada48. A teoria da interdependência e da
coordenação macroeconómica internacional faz parte do conhecimento científico
desenvolvido no início dos anos 1980 durante a primeira fase de uma comunidade
epistémica que promovia a disseminação da coordenação internacional das
políticas e, indiretamente, da coordenação de instituições regionais e da
integração na Europa. É por esta razão que trazemos estes contributos teóricos
à colação, pois permitem entender a formação do consenso sobre política
económica que levou a uma gradual convergência política que favoreceu a criação
da uem.
A coordenação internacional de políticas influenciou, por sua vez, o tratamento
das instituições na ciência política e nas relações internacionais49. Ajuda a
compreender como, no domínio macroeconómico, existem óbvios spillovers entre o
sme e a uem através da coordenação e da cooperação. Isto não depende de uma
explicação estritamente neofuncionalista da uem como um passo natural
(spillover) do mercado interno50, o que, todavia, é reconhecido por qualquer
explicação económica e faz parte das etapas de integração económica formuladas
por Balassa51.
Por outro lado, não são apenas as instituições que podem provocar consequências
inesperadas, como Wiener e Diez reconhecem52. Como é demonstrado por Aghion
Alesina e Trebbi, as instituições políticas exercem influência sobre a política
económica mas são, ao mesmo tempo, endógenas, pois são escolhidas por
políticos53. Por outras palavras, novos modelos político-económicos tornam as
políticas endógenas, sendo as políticas o resultado do concurso de variados
interesses setoriais54.
As ideias sobre o papel das instituições endógenas e das políticas resultam em
parte de estudos anteriores sobre a coordenação de políticas, que por seu turno
promoveram o estudo sobre a interação estratégica entre países mas também entre
decisores e agentes privados (o que levou ao desenvolvimento da noção de
constrangimentos de credibilidade, o que é importante para explicar a evolução
do pensamento económico dominante em ambos os lados do Atlântico, bem como os
fundamentos da integração monetária europeia) e entre agentes e principais (da
maior relevância para a compreensão da arquitetura institucional e
funcionamento da uem).
A teoria neofuncionalista e a teoria do intergovernamentalismo liberal adotam
uma abordagem positiva e racional quando explicam o processo de integração
europeia. Elas também incluem aspetos políticos e económicos da integração e da
coordenação e, assim, fornecem um importante contributo para a compreensão da
integração monetária europeia55. Por outro lado, como elas não são mutuamente
excludentes, podem ser usadas como instrumentos complementares para a
explicação deste processo de integração. Em consequência, os aspetos políticos
nacionais (que são, obviamente, importantes para explicar a integração
monetária europeia), como fazem parte da formação das preferências nacionais
(e, pode-se acrescentar, das preferências das instituições supranacionais), não
devem ser tratados separadamente destas teorias. Apesar de as condições
internas poderem impor constrangimentos no comportamento das autoridades
governamentais, o modo como os estados identificam os seus interesses e
preferências depende consideravelmente de como os problemas (e as soluções) são
percecionados pelos decisores políticos e/ou entendidos por diferentes peritos
a quem os primeiros recorrem em tempos de mudança56.
De acordo com Eichengreen e Frieden, a integração dos mercados, nomeadamente o
mercado interno, ajudou a criar grupos de interesse pan-europeus57. Os autores
fornecem alguns exemplos, tais como diversas indústrias e organizações
sindicais, associações e lóbis, mas também, como fora antecipado pelos
neofuncionalistas, com a emergência de interesses coesos ao nível europeu
presentes nas burocracias nacionais e europeia. Contudo, a teoria do
intergovernamentalismo liberal, por um lado, não leva em consideração as
instituições europeias e as redes que influenciam os resultados das iniciativas
intergovernamentais; e, por outro lado, os spillovers funcionais, políticos e
de aculturação que fazem parte da teoria neofuncionalista não são capazes de
cobrir a totalidade da dinâmica do processo de integração europeia nem a sua
dimensão endógena (o que acabou por ser tratado pelo institucionalismo
racional).
Para melhor explicar a convergência das preferências nacionais no que diz
respeito ao processo de integração monetária europeia, tem utilidade trazer à
colação o papel das ideias, naquilo que foi cunhado por Torres como comunidades
epistémicas dinâmicas ou evolutivas, assim como o papel das instituições
endógenas58. Haas define comunidade epistémica como «uma rede de profissionais
de reconhecida perícia e competência num domínio específico e que reivindicam
com autoridade o conhecimento (valorizado pela sociedade) relevante para a
elaboração de políticas no âmbito desse domínio ou problemática»59. E apesar de
os peritos poderem ter origem numa variedade de disciplinas, eles partilham um
conjunto de valores causais (de ordem analítica) e normativos, noções de
validação (ou uma base consensual de conhecimento) e um entendimento sobre
políticas ótimas (interesses comuns)60. Para Schmitter, as comunidades
epistémicas consistem em «comunidades normativas e profissionais que se juntam
em redor de problemáticas específicas e influenciam a elaboração e a
implementação de regulamentos»61.
No que diz respeito à uem, o conceito de comunidades epistémicas tem sido
objeto de análise de vários autores62. Como é compreensível, há a tendência
para enfatizar uma ou outra característica das comunidades epistémicas, pois é
difícil reunir todas ao mesmo tempo, sem esquecer que, por vezes, as fronteiras
entre o conceito de comunidade epistémica e outros grupos (como disciplinas,
profissões, grupos de interesse, movimentos sociais e coligações de burocratas
e legisladores) é volátil63.
CONCLUSÃO
A linha de divisão teórica entre o neofuncionalismo e o intergovernamentalismo
liberal é ténue quando se analisa o nascimento e a evolução da uem. Em vez de
posicionar ambos os contributos teóricos como polos opostos de uma análise
binária, a abordagem certa é, no nosso entender, tê-los como abordagens que se
complementam reciprocamente em diferentes momentos e acontecimentos do processo
de integração monetária europeia. Por conseguinte, é possível superar a
dicotomia que domina várias análises sobre a teorização da integração europeia
em geral. Ambas as teorias são explicações parciais da uem. O respetivo
potencial explicativo é variável ao longo do tempo, na medida em que alguns
episódios da integração monetária europeia correspondem à teoria
neofuncionalista enquanto outros são lidos de acordo com o
intergovernamentalismo liberal.
Talvez estas restrições sejam a consequência da aplicação de teorias
convencionais exportadas das relações internacionais para a integração
europeia. Elas não são capazes de captar a dimensão sui generis da integração
europeia, pois exploram conceitos e categorias operacionais que não
correspondem inteiramente à natureza da integração europeia. Por esta razão,
são necessários outros contributos teóricos para entender a criação e o
desenvolvimento da uem. O papel das ideias e a sua contextualização, tendo em
conta as especificidades da união monetária europeia, em particular as ideias
económicas e a influência exercida por poderosas redes de peritos, são cruciais
para o entendimento da uem. Estes contributos teóricos devem ser adicionados à
teoria neofuncionalista e à teoria do intergovernamentalismo liberal como pano
de fundo teórico da uem.
Data de receção: 31 de agosto de 2012 | Data de aprovação: 2 de março de 2013
NOTAS
1
Os autores agradecem os comentários do referee anónimo da R:I.
2
Wiener, Antje, e Diez, Thomas ' «Introducing the mosaic of integration
theory». In Wiener, Antje, e Diez, Thomas (eds.) ' European Integration Theory.
2.ªed. Oxford: Oxford University Press, 2009; Jones, Erik,
Menon, Anand, e WeatherilL, Stephen (eds.) ' The Oxford Handbook of the
European Union. Oxford: Oxford University Press, 2012.
3
Sandholtz, Wayne, e Stone Sweet, Alec ' «Neofunctionalism and supranational
governance». In Jones, Erik, Menon, Anand, e Weatherill, Stephen (eds.) ' The
Oxford Handbook of the European Union.
4
Moravcsik, Andrew, e Schimmelfennig, Frank ' «Liberal intergovernmentalism».
In Wiener, Antje, e Diez, Thomas (eds.) ' European Integration Theory; Pollack,
Mark A. ' «Realist, intergovernmentalist, and institutionalist approaches». In
Jones, Erik, Menon, Anand, e Weatherill, Stephen (eds.) ' The Oxford Handbook
of the European Union.
5
Torres, Francisco ' The Political Economy of Monetary Governance: the Role of
Preferences, Policies and Strategies. Lisboa: ucp, 2011;
Torres, Francisco ' «The Euro crisis, institutional change and political
constraints». In De Witte, Bruno, Héritier, Adrienne, e Trechsel, Alexander
(eds.) ' The Euro Crisis and the State of European Democracy. Florença: eudo,
The Robert Schuman Centre for Advanced Research, European University Institute,
2013, pp. 193-211.
6
Haas, Peter M. ' «Introduction: epistemic communities and international policy
coordination». In International Organization. Vol. 46, N.º 1, 1992, pp. 1-35.
7
Verdun, Amy ' «The role of the Delors Committee in the creation of emu: an
epistemic community?». InJournal of European Public Policy. Vol. 6, N.º 2,
1999, pp. 308-328; Collignon, Stefan, e Schwarzer, Daniela '
Private Setor Involvement in the Euro. The Power of Ideas. Londres: Routledge,
2003; Heipertz, Martin, e Verdun, Amy ' Ruling Europe. The
Politics of the Stability and Growth Pact. Cambridge: Cambridge University
Press, 2010; Torres, Francisco ' The Political Economy of
Monetary Governance.
8
Farrell, Henry, e Hériter, Adrienne ' «Formal and informal institutions under
codecision: continuous constitutional-building in Europe». In Governance. Vol.
16, N.º 4, 2003, pp. 577-600; Mantzavinos, C., North,
Douglas, e Shariq, Syed ' «Learning, institutions, and economic performance».
In Perspetives on Politics. Vol. 2, 2004, pp. 75-84.
9
North, Douglas ' «Institutions and credible commitment». In Journal of
Institutional and Theoretical Economics. Vol. 149, N.º 1, 1994, pp. 11-23.
10
Ostrom, Elinor ' Governing the Commons: The Evolution of Institutions for
Collective Action. Cambridge: Cambridge University Press, 1990.
11
Torres, Francisco ' The Political Economy of Monetary Governance.
12
Sapir, André et al. ' An Agenda for a Growing Europe. Making the eu Economic
System Deliver. Oxford: Oxford University Press, 2004, pp. 95-96.
13
Balassa, Bela ' The Theory of Economic Integration. Homewood: Irwin, 1961.
14
Torres, Francisco ' «The strategic role of the ecb: independence and
accountability in the context of the Euro crisis». In Journal of European
Integration.Vol. 35, N.º 3, 2013, pp. 287-300.
15
Wiener, Antje, e Diez, Thomas ' «Introducing the mosaic of integration
theory», 2009, p. 13.
16
North, Douglas ' Institutions, Institutional Change and Economic Performance.
Cambridge: Cambridge University Press, 1990.
17
Salines, Marion, Glöckler, Gabriel, Truchlewski, Zbigniew, e Favero, Paola del
' Beyond the Economics of the Euro ' Analysing the Institutional Evolution of
emu: 1999-2010. ecb Occasional Paper 127, setembro de 2011, p. 8.
18
Haas, Ernest ' The Uniting of Europe: Political, Social, and Economic Forces
1950--57. Stanford, CA: Stanford University Press, 1958.
19
Haas, Ernest ' The Obsolescence of European Integration Theory. Berkeley, CA:
University of California Press, 1975.
20
Taylor interpreta os grandes acordos políticos dos anos 1960 e 1970 como prova
da visão intergovernamental. Cf. Taylor, Paul ' The Limits of European
Integration. Londres: Coom Helm, 1983.
21
Cappeletti, Mauro, Seccombe, Monica, e Weiler, Joseph ' Integration Through
Law. Berlim: Walter de Gruyter, 1985; Dehousse, Renaud ' The
European Court of Justice. The Politics of Judicial Integration. Basingstoke:
Palgrave Macmillan, 1998.
22
Niemann, Arne, e Schmitter, Philippe ' «Neofunctionalism». In Wiener, Antje, e
Diez, Thomas (eds.) ' European Integration Theory, pp. 49-50.
23
Niemann e Schmitter identificam as condições que facilitam o exercício de
pressões por grupos de interesse em prol da decisão supranacional: o elevado
potencial dos benefícios da integração europeia, a experiência adquirida com a
governação europeia numa determinada área, e as pressões resultantes de
spillovers funcionais e externos, cf. Niemann, Arne, e Schmitter, Philippe '
«Neofunctionalism», p. 59. Em relação à integração monetária europeia, o
exemplo dos autores (de um spillover político) é a forma como uma comunidade
transnacional de membros de bancos centrais conseguiu condicionar o debate
sobre a uem em vésperas do Tratado de Maastricht, cf. Cameron, David '
«Transnational relations and the development of European Economic and Monetary
Union». In Risse-Kappen, Thomas (ed.) ' Bringing Transnational Relations Back
In: Non-State Actors, Domestic Structures and International Institutions.
Cambridge: Cambridge University Press, 1995. E isto apesar de
as decisões (objetivos e calendário) terem sido previamente definidas por
políticos, sendo deixada aos membros dos bancos centrais a margem de manobra
para a definição dos detalhes, cf. Torres, Francisco ' The Political Economy of
Monetary Governance. Como tal, os membros dos bancos centrais limitaram a uem à
dimensão monetária, com particular ênfase na política monetária.
24
Niemann, Arne, e Schmitter, Philippe ' «Neofunctionalism», pp. 48-49.
25
Sandholtz, Wayne, e Stone Sweet, Alec ' «Neofunctionalism and supranational
governance», p. 24.
26
Hoffmann, Stanley ' «Obstinate or obsolete? The fate of the Nation-State and
the case of Western Europe». In Daedalus. Vol. 95, N.º 3, 1966, pp. 862-915.
27
Taylor, Paul ' The Limits of European Integration.
28
Torres, Francisco ' The Political Economy of Monetary Governance.
29
Pollack, Mark A. ' «Theorizing eu policy-making». In Wallace, Helen, Pollack,
Mark A., e Young, Alasdair R. (eds.) ' Policy-Making in the European Union.
6.ªed. Oxford: Oxford University Press, 2010, p. 19.
30
Pollack, Mark A. ' «Realist, intergovernmentalist, and institutionalist
approaches». In Jones, Erik, Menon, Anand, e Weatherill, Stephen (eds.) ' The
Oxford Handbook of the European Union, p. 10.
31
Moravcsik, Andrew ' «Preferences and power in the European Community: a
Liberal intergovernmentalist approach». In Journal of Common Market Studies.
Vol. 31, N.º 4, 1993, p. 480.
32
Pollack, Mark A. ' «Realist, intergovernmentalist, and institutionalist
approaches», p. 3.
33
Pollack explica os aspetos comuns e as diferenças entre a teoria do
intergovernamentalismo e a teoria do intergovernamentalismo liberal, admitindo
afinidades com as abordagens realista e institucionalista. Cf. Ibidem.
34
Moravcsik, Andrew, e Schimmelfennig, Frank ' «Liberal intergovernmentalism».
35
Moravcsik, Andrew ' «The choice for Europe: current commentary and future
research: a response to James Caporaso, Fritz Scharpf, and Helen Wallace». In
Journal of European Public Policy. Vol. 6, N.º 1, 1999, pp. 168-179.
36
Torres, Francisco ' «The political economy of monetary reform in Europe». In
Torres, Francisco (ed.) ' Monetary Reform in Europe. An Analysis of the Issues
and Proposals for the Intergovernmental Conference. Lisboa: uc Press, 1996; Collignon, Stefan, e Schwarzer, Daniela ' Private Setor
Involvement in the Euro. The Power of Ideas; Collignon, Stefan ' «Learning to
live in Euroland. The role of France and Germany». Paper apresentado na
conferência «France and Germany in the International Division of Labour»,
Paris, 9 e 10 de dezembro de 2004.
37
Moravcsik, Andrew ' The Choice for Europe. Ithaca, NY: Cornell University
Press, 1998.
38
Olhando para o exemplo da integração monetária europeia, pode-se argumentar
que a convergência de preferências pode ser endógena às instituições
supranacionais, havendo espaço para reconhecer o importante papel desempenhado
pelas comunidades epistémicas na conceção de instituições supranacionais. Cf.
Torres, Francisco ' The Political Economy of Monetary Governance.
39
Cf. Pollack, Mark A. ' «Realist, intergovernmentalist, and institutionalist
approaches», p. 15. Todavia, Schmitter chamou a atenção que se «Moravscik were
to concede that the calculation of member-state strategies was affected not
only by domestic interests, but also (and even increasingly) by transnational
firms, associations and movements working through domestic channels, then, his
approach would be virtually indistinguishable from neo-functionalism ' just
much less specific in its assumptions and hypotheses». Cf. Schmitter, Philippe
' «Neo-Neofunctionalism». In Wiener, Antje, e Diez, Thomas (eds.) ' European
Integration Theory.
40
Tradução livre. Jones, Erik ' «The economic mythology of European
integration». In Journal of Common Market Studies. Vol. 48, N.º 1, 2010, p. 97.
41
Eichengreen, Barry, e Frieden, Jeffry ' «Introduction». InEichengreen, Barry,
e Frieden, Jeffry (eds.) ' Forging an Integrated Europe. Michigan, Ann Arbor:
The University of Michigan Press, 1998.
42
Veja-se, como exemplo, Pagoulatos, G., e Tsoukalis, L. ' «Multilevel
governance». In Jones, Erik, Menon, Anand, e Weatherill, Stephen (eds.) ' The
Oxford Handbook of the European Union.
43
Cf. Pollack, Mark A. ' «Realist, intergovernmentalist, and institutionalist
approaches».
44
Hall, Peter, e Taylor, Rosemary ' «Politicals and the three new
institutionalisms». In Political Studies. Vol. 44, 1996, pp. 936-957.
45
Garrett, Geoffrey, e Weingast, Barry ' «Ideas, interests and institutions:
constructing the European Community's internal market». In Goldstein, Judith, e
Keohane, Robert (eds.) ' Ideas and Foreign Policy.Ithaca: Cornell University
Press, 1993.
46
Wiener, Antje, e Diez, Thomas ' «Introducing the mosaic of integration
theory».
47
Niemann e Schmitter sublinham que o spillover funcional tem uma lógica
económica e funcional, cf. Niemann, Arne, e Schmitter, Philippe '
«Neofunctionalism». De acordo com Jones, a evolução da ue é, para as duas
principais teorias da integração, o resultado de alterações na economia (Jones,
Erik ' «The economic mythology of European integration», pp. 97 e 98).
48
Cf. Cooper, Richard ' «Economic interdependence and coordination of economic
policies». In Jones, Ronald W., e Kenen, Peter B. (eds.) ' Handbook of
International Economics. Vol. 2. Amesterdão: North-Holland, 1985; Eichengreen, Barry ' «International policy coordination in a
historical perspetive: a view from the interwar years». In Buiter, Willem, e
Marston, Richard (eds.) ' International Economic Policy Coordination. Nova
York: Cambridge University Press, 1985; Fischer, Stanley '
«International macroeconomic policy coordination». In Feldstein, Martin (ed.) '
International Economic Cooperation. Chicago: University of Chicago Press, 1988.
49
Haas, Peter M. ' «Introduction: epistemic communities and international policy
coordination», pp. 1-35.
50
Torres, Francisco ' The Political Economy of Monetary Governance.
51
Balassa, Bela ' The Theory of Economic Integration. O processo de integração
europeia pode resultar quer de spillovers positivos como de spillovers
negativos. A crise do sme é um exemplo, pois resultou de fatores exógenos e da
plena liberalização dos movimentos de capitais (enquanto parte do programa do
mercado interno). A criação de novas instituições para lidar com os efeitos da
crise financeira de 2008 e os efeitos institucionais da crise da dívida
soberana de 2010-2012 são outros dois exemplos do concurso de spillovers
positivos e negativos.
52
Citando North, Douglas ' Institutions, Institutional Change and Economic
Performance.
53
Aghion, Philippe, Alesina, Alberto, e Trebbi, Francesco '«Endogenous political
institutions». Harvard Institute of Economic Research, Discussion Paper Number
1957, 2002.
54
Eichengreen, Barry, e Boltho, Andrea ' «The economic impact of European
integration». In Broadberry, Stephen, e O'Rourke, Kevin H. (eds.) ' The
Cambridge Economic History of Modern Europe. Vol. 2. Cambridge: Cambridge
University Press, 2010, p. 12.
55
Frieden explica por que motivo mesmo quando estão ausentes fortes argumentos
económicos para a coordenação internacional ao nível da política monetária, uma
abordagem político-económica (mais abrangente) mostra que uma política cambial
nacional pode impor externalidades não pecuniárias de considerável dimensão.
frieden, Jeffry A. ' Global Capitalism: Its Fall and Rise in the Twentieth
Century. Nova York, NY: W. W. Norton, 2006.
56
Haas, Peter M. ' «Introduction: epistemic communities and international policy
coordination», p. 2.
57
Eichengreen, Barry, e Frieden, Jeffry ' «Introduction».
58
Torres, Francisco ' The Political Economy of Monetary Governance.
59
Tradução livre. Haas, Peter M. ' «Introduction: epistemic communities and
international policy coordination», p. 2.
60
O autor aponta outras características de uma comunidade epistémica, dado que
os seus membros partilham os mesmos padrões de raciocínio, projetos políticos
filiados nos mesmos valores, práticas discursivas e um compromisso com a
produção de conhecimento. Exemplos de cooperação internacional analisada no
volume especial da revista Industrial Organization em 1992, organizado por
Haas, incluem segurança nuclear, ambiente, comércio, ajuda alimentar, regulação
bancária ou o sistema económico anglo-americano do pós-II Guerra Mundial. Haas,
Peter M. ' «Introduction: epistemic communities and international policy
coordination», pp. 3 e 18.
61
Tradução livre. Schmitter, Philippe ' «Neo-Neofunctionalism».
62
Ver, por exemplo, Verdun, que aplica o conceito ao Comité Delors, ou Collignon
e Schwarzer, que passam em revista o Comité para a União Monetária Europeia
patrocinado por Giscard d'Estaing e por Helmut Schmidt e a Associação para a
União Monetária da Europa, e Heipertz e Verdun, que aplicam o conceito ao papel
desempenhado pelo Comité Monetário na conceção do Pacto de Estabilidade e
Crescimento em 1996. Torres introduz o conceito dinâmico de comunidades
epistémicas às redes de académicos e economistas das várias instituições dos
estados-membros (bancos centrais, ministérios das finanças) e da ue (Comissão
Europeia e vários comités de política) que, através da investigação científica
e de debates entre académicos e decisores políticos, contribuíram para o modelo
de uem. Verdun, Amy ' «The role of the Delors Committee in the creation of emu:
an epistemic community?», pp. 308-328; Collignon, Stefan, e Schwarzer, Daniela
' Private Sector Involvement in the Euro. The Power of Ideas; Heipertz, Martin,
e Verdun, Amy ' Ruling Europe. The Politics of the Stability and Growth Pact;
Torres, Francisco ' The Political Economy of Monetary Governance.
63
Haas, Peter M. ' «Introduction: epistemic communities and international policy
coordination», p. 18.
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