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Representação em texto

EuPTHUHu1645-72502014000100012

variedadeEu
ano2014
fonteScielo

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Focus group: Considerações teóricas e metodológicas Entre o leque de vantagens sistematizadas por Stewart et al. (2007) do focus group face a outros métodos de investigação, salientamos o facto de este permitir fornecer dados de um grupo muito mais rapidamente e frequentemente com menores custos do que se essa informação tivesse sido obtida a partir de entrevistas individuais e a sua flexibilidade, podendo ser usados para a análise de um leque alargado de tópicos com uma variedade de indivíduos (incluindo indivíduos com baixos níveis de escolaridade) e de contextos.

A fragilidade do focus group, à semelhança da sua força, está relacionada com o processo de produção de interacções focadas, levantando questões acerca do papel do moderador na geração dos dados e do impacto do próprio grupo nos dados (Morgan, 1996). Por exemplo, em relação ao primeiro aspecto, estilos mais directivos de moderação poderão influenciar a capacidade do grupo "ganhar" a sua própria dinâmica enquanto que em relação ao segundo se pode assistir a um efeito de "polarização" após certa discussão do grupo. Centrada também nos participantes, outra crítica aponta para estes tenderem a racionalizar as suas respostas, embora tal aspecto se aplique a todos os métodos de investigação que se baseiam em questões e respostas (Krueger & Casey, 2009).

Outra fraqueza devida ao impacto do grupo nos seus próprios participantes diz respeito ao leque de tópicos que podem ser investigados efectivamente em grupos. Dado que a interacção do grupo requer auto-relevação mútua, é indiscutível, como refere Morgan (1996, 1997), que alguns tópicos não são aceitáveis para discussão entre algumas categorias de participantes, sobretudo temas ditos "sensíveis" ainda que a evidência empírica sobre este assunto seja escassa e, como indica Sagoe (2012), nem sempre com resultados consistentes. A este propósito, o trabalho de Wutich et al. (2010) sobre a comparação do focus group e de questionários em formato de auto-relato indicou que na abordagem de tópicos considerados "muito sensíveis" havia a tendência para uma maior participação no focus group, mas apenas em situações onde era percepcionado que havia a oportunidade de troca de informação relevante ou que o fornecimento de informação poderia ajudar a resolver efectivamente um problema; quando era percepcionado que uma maior participação poderia conduzir a situações de estigmatização, a participação no questionário tendia a ser maior do que no caso do focus group.

Em suma, como sublinha Morgan (1997), quer as forças quer as fraquezas do focus group desembocam directamente dos seus dois aspectos definidores: a confiança no foco do investigador e a interacção do grupo. Em todo o caso, como refere o mesmo autor em 1996, as vantagens podem ser maximizadas através do cuidado colocado em diversas questões relacionadas com o desenho da investigação. No tópico que se segue procuraremos explicitar as principais questões a esse nível.

Fases da realização do focus group A discussão do grupo, como sublinham Mitchell e Branigan (2000), constitui a ponta visível do iceberg, a fase intermédia de um longo processo que se inicia com o planeamento e finaliza com a análise dos dados e a elaboração de um relatório. Partindo da literatura consultada, em especial Bloor et al. (2001), Krueger e Casey (2009) e Morgan (1998), agregámos as várias decisões e tarefas subjacentes à implementação de um processo de focus groupem cinco fases planeamento, preparação, moderação, análise dos dados e divulgação dos resultados - as quais, passamos a apresentar.

Planeamento As questões a que é necessário dar resposta na fase do planeamento tipicamente relacionam-se com os seguintes aspectos: Quais são os objectivos orientadores da realização do projecto de investigação em geral e do focus group, em particular? Qual a estrutura do guião de entrevista? Quem deverão ser os participantes? Qual o tamanho desejado para os grupos? Quantos grupos? O planeamento começa por alicerçar-se nos objectivos do próprio projecto de investigação. Como sublinham diversos autores (Krueger & Casey, 2009; Morgan, 1996, 1998; Stewart et al., 2007), a definição clara dos objectivos do estudo é um elemento essencial no planeamento de todo o projecto, dado que muitas das decisões subsequentes dependerão do(s) objectivo(s) que se pretenda (m) alcançar.

Um dos aspectos directamente relacionados com os objectivos do estudo prende-se com o grau de estruturação dos focus group, traduzindo-se este, como refere Morgan (1998) no guião da entrevista e no papel adoptado pelo moderador. De um modo geral, pode dizer-se que os projectos oscilam entre uma abordagem muito estruturada até uma abordagem muito pouco ou quase nada estruturada, ainda que, como sublinha o autor citado, a abordagem mais frequente corresponda a projectos moderadamente focados. Assim, numa abordagem mais estruturada, o projecto começa com um conjunto de questões pré-determinadas constituindo o objectivo central a obtenção de respostas através da discussão ancorada nos temas previamente definidos no guião. Nesta abordagem, o guião da entrevista encontra-se bastante "fechado" desde o início do projecto constituindo uma preocupação central do moderador manter cada grupo na tare-fa de obtenção das respostas para as questões previamente delineadas. Numa perspectiva oposta à anteriormente descrita, o projecto inicia-se sem que se saiba exactamente quais são as questões a fazer no âmbito de um dado tópico.

Nesta abordagem, o guião de entrevista privilegia questões "abertas", podendo incluir palavras ou temas chave, centrando-se o papel do moderador no suporte ao grupo na exploração do tópico de tal forma que possa emergir novos insightsface ao mesmo (Morgan, 1997, 1998).

Como referido, os grupos moderadamente estruturados constituem, no entanto, a abordagem mais comum. Uma estratégia específica para implementar um grau de estrutura moderado é a estratégia do "funil" (Morgan, 1997), em que à medida que a discussão avança, as questões tornam-se cada vez mais específicas ou, se quisermos, mais "afuniladas" sendo que as questões iniciais, ao serem mais genéricas, como referem Krueger e Casey (2009), ajudam as pessoas a falarem e a pensarem sobre o tópico. Tal abordagem de compromisso torna assim possível aceder, por um lado, às perspectivas dos próprios participantes na primeira parte de cada discussão e, por outro, às respostas a interesses específicos do investigador na segunda parte.

Outros aspectos cruciais a considerar na fase do planeamento prendem-se com a composição e o número de grupos. Em relação ao primeiro aspecto, pretende-se que os participantes que constituam os grupos sejam os mais adequados face aos propósitos do projecto. Assim, a questão que se coloca é quem possui o tipo de informação que precisa de ser recolhida sendo que tipicamente os participantes têm algo em comum entre si de uma maneira que é relevante para o projecto (Krueger & Casey, 2009). O segundo aspecto remete para o grau de homogeneidade dos grupos, ou seja, e nas palavras de Morgan (1998), das características ou interesses que os participantes tenham em comum. A composição correcta do grupo irá gerar discussões produtivas ao passo que uma composição errada pode juntar pessoas que têm pouco a dizer entre si ou conduzir a conversações que têm pouca relevância para o propósito do projecto (Morgan, 1997, 1998). A par da familiaridade com o tópico, a criação de um ambiente confortável que facilite a participação tem sido referida como uma das questões básicas a considerar na composição dos grupos (Krueger & Casey, 2009; Morgan, 1998). Por exemplo, pode revelar-se pouco produtivo e mesmo "desconfortável" a discussão que junte no mesmo grupo chefias e trabalhadores, embora a probabilidade de tal ocorrência dependa naturalmente do tópico em causa.

O exemplo acabado de dar remete para a necessidade de comparação de categorias de participantes. A identificação das variáveis que vão definir grupos particulares de participantes, ou seja, a segmentação (Morgan, 1996, 1997), não vai afectar a composição dos grupos, como o seu número. Com efeito, o número de grupos aumentará quanto mais segmentos estiverem previstos. Embora o aumento de segmentação aumente os custos, do ponto de vista das suas vantagens, Morgan (1996, 1997) refere a introdução de uma dimensão comparativa no projecto, incluindo a análise dos dados, e o facto de poder facilitar a discussão pois potencia a homogeneidade entre os grupos, esperando-se assim que a discussão seja mais "fluida". Outra decisão a tomar prende-se com a estandardização, isto é, o grau em que questões idênticas e procedimentos são usados em cada grupo (Morgan, 1996, 1998); por exemplo, em casos onde o objectivo da investigação é comparar as respostas obtidas em diferentes categorias de participantes é particularmente vantajoso haver um elevado grau de estandardização sendo que este pode ir aumentando ao longo do projecto.

Além da segmentação, a definição do número de grupos a incluir no projecto também está ligada ao conceito de saturação teórica (Morgan, 1996, 1997).

Especificamente, quando a realização de novos focus group praticamente não acrescenta valor aos dados obtidos anteriormente (Morgan, 1998), faz sentido finalizar o processo de recolha dos dados.

Apesar de constituir uma estratégia arriscada, a realização de apenas um focus group, como refere Morgan (1998), não é errada. Com efeito, circunstâncias em que a realização de mais do que um grupo é impraticável, ou porque o número de potenciais participantes não o permite ou porque os custos associados são demasiado elevados. Nestes casos, os dados devem ser interpretados com especial cuidado. Por outro lado, uma estratégia possível de minimizar esta limitação é o recurso à triangulação (Morgan, 1998), ou seja, saber em que medida a comparação dos dados obtidos na discussão do grupo com informação obtida de outras fontes é consistente.

Embora o tamanho dos grupos possa oscilar entre quatro e doze participantes (Kueger & Casey, 2009), tem sido referido que este tipicamente se situa entre cinco a dez participantes (Krueger & Casey, 2009) ou entre seis a dez participantes (Morgan, 1997, 1998). Por seu lado, Bloor et al. (2001) referem que a recomendação nesta matéria é a de que os grupos tenham entre seis e oito participantes ao passo que Morgan (1998) sublinha que na maioria dos casos, seis participantes pode ser considerado um grupo relativamente pequeno e um grupo de dez participantes relativamente grande.

Um planeamento efectivo nesta matéria implica pensar acerca das diferenças entre grandes e pequenos grupos (Morgan, 1997, 1998); os grupos mais pequenos permitem a cada participante uma maior oportunidade de falarem, embora, o "reverso da medalha" seja o de lhes atribuir uma maior "responsabilização" pelo andamento da conversação. Em contrapartida, os grupos maiores, embora sobrecarreguem menos cada participante, também lhes menos tempo para falarem. A opção por um ou outro tipo, exige, mais uma vez, que se considere os objectivos do projecto de investigação e seus eventuais constrangimentos.

Uma vez definidas as características dos participantes que irão constituir os grupos bem como o tamanho destes, torna-se necessário considerar a estratégia de recrutamento. À semelhança de outros métodos qualitativos, os focus groupassentam em amostras intencionais (purposive samples), seleccionando aqueles participantes que à partida se prevê que gerem discussões o mais produtivas possível (Morgan 1997, 1998). Isto não significa, no entanto, que não se possa utilizar um procedimento aleatório quando se está a seleccionar um grupo de participantes de uma lista prévia de modo a eliminar qualquer viés no processo de selecção. "Identificados" os participantes desejados para o projecto, avança-se para a efectivação do seu recrutamento, uma das tarefas integradas na fase que se segue.

Preparação Na segunda fase da realização do focus group, a preparação, deverão ser consideradas pelo menos dois tipos de questões: o recrutamento dos participantes e as condições logísticas de realização dos grupos como a escolha do local.

Segundo Morgan (1998), o recrutamento é um processo sistemático, sendo a abordagem tradicional a seguinte: duas semanas antes da realização do focus group os participantes deverão ser contactados; passado uma semana, deverão receber uma carta de confirmação e, no dia anterior à realização do focus group, deverão ser contactados telefonicamente. No âmbito deste processo também podem ser equacionadas estratégias para aumentar a adesão dos potenciais participantes como encontros prévios com o investigador ou equipa de investigação de modo a clarificar eventuais dúvidas, utilização de incentivos ou envio de lembretes (Bloor et al., 2001; Rodrigue et al., 2007; Stewart et al., 2007), incluindo mensagens telefónicas de texto (McParland & Flowers, 2012).

Independentemente da estratégia adoptada, os participantes deverão ser claramente informados sobre os objectivos do estudo e as regras de participação, incluindo tempo estimado de duração de modo a evitar abandonos precoces aquando a discussão em grupo (Bloor et al., 2001). Uma vez definido na fase do planeamento quem deverão ser os participantes, as "bolsas" de potenciais participantes elegíveis podem encontrar-se disponíveis em diversos formatos, como por exemplo, em listagens (por ex., sócios de uma associação); outras vezes, trata-se de um grupo social pré-existente (por ex., trabalhadores de um departamento de uma organização). Quando não existe a possibilidade de identificação prévia, pode ser necessário recorrer-se a uma abordagem individual ou a um intermediário, adoptando-se, neste caso, uma estratégia de recrutamento tipo "bola de neve". Quando o investigador não é o responsável directo pelo recrutamento é útil o desenvolvimento de um questionário de "triagem" onde conste os critérios relevantes de recrutamento de modo a haver alguma garantia que os participantes contactados são apropriados no contexto da discussão de um dado tópico (Bloor et al., 2001).

Quanto à escolha do local para a realização dos focus group, a recomendação geral é a de que este seja acessível, assegure conforto aos participantes bem como a confidencialidade da informação gerada (Bloor et al., 2001; Morgan, 1998, McParland & Flowers, 2012; Rodrigues et al., 2007; Sagoe, 2012; Stewart et al., 2007). Neste âmbito, McParland e Flowers (2012) com base na sua experiência de realização de focus groupcom doentes crónicos referem a importância de serem assegurados recursos específicos em certos grupos de participantes (por ex., transporte no caso de participantes com reduzida mobilidade e/ou com dificuldades económicas).

ModeraçãoA moderação é a fase seguinte do processo, podendo a sua duração ir até as duas horas e meia (Stewart et al., 2007), embora, em média, se situe nos 90 minutos (Morgan, 1996). A intervenção do moderador constitui um elemento chave nesta fase (Kueger & Casey, 2009; Sagoe, 2012; Stweart et al., 2007) e, nesse sentido, as competências de moderação e de dinâmica de grupo que este possua representam elementos críticos do ponto de vista do seu sucesso. Como sublinham Krueger e Casey (2009), a intenção do focus group é a de promover auto-revelação entre os participantes havendo condições para alcançar tal propósito quando os participantes se sentem confortáveis, respeitados e livres para darem a sua opinião; assim, prosseguem os autores, o papel do moderador não é o de emitir julgamentos, mas o de questionar, ouvir, manter a conversação no trilho e certificar-se que cada participante tem oportunidade de participar.

Para aumentar a eficácia deste processo, os autores citados defendem a relevância de uma "equipa de moderadores": i) um moderador, que teria como principal missão a condução e a manutenção da discussão e, ii) um auxiliar de moderação, cujas principais tarefas seriam a gestão do equipamento de gravação, estar atento às condições logísticas e do ambiente físico, dar resposta a interrupções inesperadas e tomar notas sobre a discussão do grupo.

Análise dos dados Uma vez recolhida a informação, passamos à quarta fase do processo, dedicada à análise dos dados. Os focus group, quando inseridos em projectos de investigação, tipicamente são gravados e posteriormente alvo de transcrição, devendo esta ser uma reprodução o mais fiel possível de modo a que a sua leitura permita "visualizar" o que ocorreu no grupo e constitua a base da análise de dados; uma das tarefas mais intensas em termos de tempo deste método de recolha de informação prende-se exactamente com o processo de transcrição, podendo chegar até oito vezes o tempo de gravação (Bloor et al., 2001; Morgan, 1997; Stewart et al., 2007). A propósito da relevância da gravação, McParland e Flowers (2012) sugerem mesmo a utilização de mais do que um gravador, no sentido de assegurar a "captação" de todas as interações ocorridas ao longo da discussão do grupo. A complementaridade das transcrições com as notas que tenham sido recolhidas aquando a moderação dos focus group é uma prática recomendável bem como a audição das primeiras pelo investigador ou equipa de investigação quando tal tarefa não foi por si realizada de modo a certificar-se da qualidade das transcrições (Bloor et al., 2001). Além disso, como sublinham Galego e Gomes (2005), o moderador possui informações privilegiadas sobre expressões faciais, gestos, tom de voz e os contextos em que os discursos foram proferidos, o que torna a sua participação fundamental no processo de descodificação, interpretação e análise de dados.

Bloor et al. (2001), a propósito da análise de dados dos focus group, enfatizam que esta pode ser abordada de várias formas, devendo ser sempre sistemática e rigorosa. Segundo os mesmos autores, ainda que existiam diversas abordagens de análise dos dados qualitativos, de modo genérico, este tipo de análise decorre ao longo de três etapas: i) codificação/indexação: uma vez transcrito e (re)lido o texto, ocorre um processo de atribuição de categorias (e, se necessário, de subcategorias) reflectindo estas os temas presentes no guião bem como os novos que emergiram da discussão dos grupos; ii) armazenamento/ recuperação: esta fase é dedicada à compilação de todos os extractos do texto subordinados à mesma categoria de modo a poder compará-los, processo que pode ser realizado manualmente ou através de programas informáticos como o NUD.IST ou o NVivo; neste processo é importante não perder o contexto de onde os extractos são retirados; iii) interpretação: deve ser suportada numa análise sistemática dos dados, podendo esta fazer uso de métodos específicos de análise como o método de indução analítica (para uma consulta mais detalhada sobre esta fase, ver, por exemplo, Bloor et al., 2001 ou Stewart et al., 2007). A propósito do modo como os factores contextuais têm sido considerados na análise dos resultados dos focus groupe como poderão ser integrados nesta fase, veja-se também a recente revisão sistemática realizada por Orvik, Larun, Berland e Ringsberg (2013).

Divulgação dos resultados A quinta e última fase do processo de implementação do focus group é dedicada à divulgação dos resultados, geralmente sob a forma de relatório escrito. Entre os pontos habitualmente contemplados num relatório de investigação (objectivos, metodologia, etc.), a apresentação dos dados reveste-se de particular dificuldade, dada a necessidade de tornar inteligível a análise dos dados realizada. A transcrição de frases ilustrativas das categorias adoptadas ou a apresentação das categorias com indicação da sua frequência são alguns exemplos encontrados na literatura (Yin, 2011). Em relação à primeira prática, Morgan (2010) sublinha que o relato de citações é em si mesmo uma parte importante da investigação qualitativa dado que fornece evidência para a credibilidade da análise realizada, permitindo uma ligação directa entre o conteúdo mais abstracto dos resultados e os dados gerados; além disso, constitui também a conexão mais forte entre o leitor e a voz dos participantes (Morgan, 2010; Yin, 2011).

O ciclo do processo fecha-se nalguns casos com a devolução dos resultados aos próprios participantes. De modo a maximizar a adesão dos participantes à iniciativa promovida para a divulgação dos resultados (por ex., através de uma sessão de apresentação) podem também ser utilizadas certas estratégias à semelhança da fase do recrutamento dos participantes.

Em suma, a metodologia de focus groupestá dirigida à recolha de informação, tipicamente de natureza qualitativa, procurando aumentar a compreensão das pessoas sobre um dado tópico. Ainda que a fase mais "visível" do processo seja a moderação dos grupos, este começa bem antes na fase do planeamento e termina bem depois na fase da divulgação dos resultados.

Breve apreciação da aplicação do focus group e conclusão Como referido anteriormente, a utilização do focus goup como método isolado ou em combinação com outros métodos de recolha de dados em projectos de investigação tem aumentado. Nos projectos realizados pelos autores e autora, a sua utilização foi planeada quer de modo combinado quer de modo isolado.

Fazendo uma apreciação genérica da aplicação do focus group com base na experiência adquirida, saíram reforçadas algumas das vantagens referidas por Stewart et al. (2007), nomeadamente, o facto de este método recolher dados de um conjunto de pessoas muito mais rapidamente e com menores custos do que se essa informação tivesse sido obtida a partir de entrevistas individuais. Por outro lado, trata-se efectivamente de um método de recolha de informação muito flexível, podendo a sua aplicação ocorrer na análise de um leque alargado de tópicos com uma grande variedade de indivíduos (incluindo indivíduos com níveis de escolaridade muito reduzidos) e de contextos bem como em diferentes fases dos projectos de investigação. Em suma, nos projectos realizados, os focus group geraram dados relevantes quer pela originalidade de alguns dos temas emergentes quer pelo seu contributo significativo para as fases subsequentes do processo de investigação. Por outro lado, reconhece-se também a relativa rapidez da técnica face à abrangência e ao volume de informação gerada. Numa perspectiva menos favorável, de referir o tempo que a transcrição dos dados e respectiva análise tendem a consumir face a outros métodos de recolha de informação como questionários.

Na fase de preparação, o recrutamento dos participantes foi um dos aspectos que se revelou mais difícil dado que não é passível de (total) controlo, saindo reforçada a utilidade das técnicas que visem a adesão dos potenciais participantes nos focus groupcomo as que são referidas, por exemplo, por Rodrigues et al. (2007) ou Stewart et al. (2007).

Por fim, e em relação à fase de moderação, refira-se que se optou em todos os projectos pela existência de uma "equipa de moderadores", prática que se recomenda sempre que possível. De facto, o trabalho que a moderação exige per si justifica a presença de pelo menos outro elemento que se responsabilize pela gestão do "meio" em que a discussão está a ocorrer. Esta pertinência foi particularmente sentida quando os grupos eram de maior dimensão e/ou havia a necessidade de controlar o nível de participação de um ou mais membros do grupo.

A crescente popularidade dos focus groupa que se fez referência ao longo do presente trabalho encontra-se de algum modo também reflectida no conjunto de manuais que têm sido dedicados nos últimos anos à descrição dos aspectos teóricos e práticos que envolvem a sua realização como é o caso do "Focus group Kit"(1998) ou do manual de Krueger e Casey (2009) na sua quarta edição, ambos editados pela Sage Publications. Sob essa perspectiva, espera-se que o presente trabalho possa também contribuir para a disseminação desta metodologia junto da comunidade lusófona, especialmente do ponto de vista da sua inserção em contextos de investigação.


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