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Representação em texto

EuPTHUHu1645-72502010000100005

variedadeEu
ano2010
fonteScielo

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Os professores do ensino superior: entre a performatividade da lei e as narrativas autobiográficas

2.As tramas da lei nas histórias dos professores 2.1.A abordagem autobiográfica Como referimos na introdução, quando tivemos que redigir esta parte da investigação sobre a noção de sujeito que emerge da legislação sobre o ensino superior, considerámos que se tivéssemos de ir além da análise do discurso dos textos legais e assim entender a sua natureza performativa, era imprescindível ter em consideração as experiências dos professores em particular, e as tensões, desvios ou reservas que teriam ocorrido ao longo das suas carreiras.

Apesar de o delineamento total da investigação ter sido baseado na realização de 24 histórias de vida de professoras e professores universitários de todo o território espanhol, como tivemos oportunidade de referir, inicialmente posicionámo-nos como um grupo de pesquisa que faz parte da comunidade universitária tendo em consideração a dimensão ética que, antes de se aplicar aos outros, se aplica a si mesmo. Neste sentido, evidenciámos a variável auto- referencial através da qual nos constituímos como investigadores/investigados dado que somos parte do colectivo dos professores. Por isso, demos inicio a um trabalho autobiográfico a partir do qual pudemos visualizar os primeiros eixos que exibem conteúdos relacionados com os objectivos da investigação e onde é possível perceber as formas pelas quais a prática profissional e da vida quotidiana de sujeitos específicos são condicionadas, de maneira mais ou menos intensa, mais ou menos directa, pelas mudanças legislativas.

No entanto, percebemos que uma vida e uma autobiografia não são a mesma coisa.

A vida vivida adquire sentido a partir do momento em que é narrada ou enquanto narrativa pelo que "A pessoa, entendida como uma personagem da história, não é uma identidade separada das suas experiências. Muito pelo contrário: partilhao regime da identidade dinâmica própria da história narrada. A narrativa constrói a identidade da personagem, que podemos chamar de identidade narrativa, ao construir a identidade da história narrada.A identidade da história faz a identidade da personagem".

(Ricoeur, 1996:147) A história autobiográfica não é neutra, mas selecciona certos acontecimentoss e ignora outros, e os que selecciona retrata-os sob uma luz especial e naturalmente tendenciosa. Na narrativa autobiográfica costuma surgir frequentemente um eu apologético e uma explicação a posteriori de eventos que, no momento, provavelmente não teriam sido entendidos da mesma maneira. Ainda assim, o relato autobiográfico, nas suas presenças e nos seus silêncios, na sua narrativa apologética, é uma fonte valiosa para a compreensão das tensões a que está submetido o sujeito performativo - para além de nos permitir devolver-lhe algo da identidade perdida - e para a reconstrução da sua própria identidade.

Embora este tipo de estudos se tenha desenvolvido mais noutros níveis de ensino que não o universitário (Hargreaves, 1996-97; Goodson e Hargreaves, 1996; Goodson, 2004) é frequente a reclamação por parte de professores investigadores, incluindo, recentemente, o grupo de professores universitários tradicionalmente relutantes a ser objecto de investigação, mas que, actualmente parece querer evidenciar as pressões e as alterações na sua profissão dando visibilidade à sua voz e à dimensão política do seu trabalho "Num sentido político, a ideia de voz dos professores refere-se ao direito de falar e ser representado. Pode representar tanto a voz individual, única, como a voz colectiva, típica dos professores em oposição a outros grupos" (Hargreaves, 1996-1997:28).

Apesar dos relatos biográficos fazerem sempre referência à singularidade de uma vida, perceber como o indivíduo organiza a sua experiência de vida na sociedade, também nos fornece os valores da sociedade à qual pertence. A narrativa biográfica é de considerável importância teórica, e, por isso, começou a ser explorada: oferece-nos a oportunidade de ler (interpretar) a sociedade (os seus discursos, as suas emergências, os seus paradoxos) através de uma biografia, de uma história de vida, de um episódio singular. Como é próprio dos relatos autobiográficos, as experiências narradas são reconstruídas de um modo aberto e sempre relacionadas com várias dimensões. Do mesmo modo, as narrativas recolhidas neste estudo são provenientes de uma variedade de aspectos pessoais e profissionais, para além dos estritamente académicos.

2.2.As trajectórias dos casos autobiográficos Para este estudo, trabalhámos com 8 autobiografias, escolhidas entre os 13 relatos elaborados por membros do próprio grupo de investigação ESBRINA. A razão para a escolha foi a de obter uma variedade de posições académicas dentro da universidade, e de gerações de professores, de maneira a que as mudanças expressas na legislação tivessem sido experimentadas em diferentes momentos e a partir de perspectivas diferentes. Deixámos de parte o trabalho com professores visitantes, provenientes de outros países porque o contexto legislativo e histórico não era equiparável. As autobiografias consideradas para este estudo correspondem a um total de 8 professores e investigadores/as juniores e seniores: 7 mulheres (bolseiras, associadas, colaboradoras, titulares e catedráticas com idades compreendidas entre os 25 e 60 anos) e 1 homem (catedrático, com mais de 50 anos). Esta composição de género do grupo estudado corresponde ao do próprio grupo de investigação que realizou o projeto, constituído principalmente por mulheres. Como em qualquer estudo qualitativo baseado em métodos narrativos e de pequena escala, a validade não depende da significância estatística dos casos, mas sim da sua especificidade e da importância desta em relação a outras experiências semelhantes. Finalmente, todos os casos foram tratados de forma anónima e identificada com um código que, como indicado na Tabela 3, se refere a um perfil que permite a identificação em termos de posição académica ocupada pela pessoa a que corresponde o relato.

________________________________________________________________________ |Códig|Sexo|Posição na |Idade 30 an|30 e 45 anos|Idade 45 an|s |______|____|universidade___|_______________|____________|_______________| |P1____|H___|Catedrático___|__________ ___|_______ ___|__________X____| |P2____|M___|Catedrática___|__________ ___|_______ ___|__________X____| |P3____|M___|P._Colaboradora|__________ ___|________X___|__________ ___| |P4____|M___|P._Titular_____|__________ ___|_______ ___|__________X____| |P5____|M___|P._Colaboradora|__________ ___|________X___|__________ ___| |P6____|M___|Bolseira_______|__________X____|_______ ___|__________ ___| |P7____|M___|P._Leitora_____|__________ ___|________X___|__________ ___| |P8____|M___|Bolseira_______|__________ ___|________X___|__________ ___|

Tabela 3: perfil da totalidade de participantes no estudo (os códigos a negrito indicam as autobiografias com que se trabalhou efectivamente neste texto)

As autobiografias elaboradas pelos membros do grupo de investigação partiram do princípio básico de elaborar um relato da sua própria trajectória pessoal em relação à universidade como estratégia política-metodológica pela qual o grupo assumia em primeira instância a sua posição de sujeito envolvido na investigação antes de dialogar com os outros professores. Não se procurou unificar a priori o formato nem as questões a abordar, uma vez que isso poderia limitar o alcance e a riqueza das autobiografias.

2.3.Alguns resultados: indivíduos heterogéneos entre a desidentificação e a resistência A partir da análise dos relatos autobiográficos e da sua relação com as mudanças na vida académica condicionadas por sucessivas leis, surgem vários elementos importantes para o nosso estudo. Primeiro, percebe-se uma indefinição em relação às tarefas e responsabilidades específicas que cada um deve executar, bem como sobre as formas de "aprender a ser" professor.

Mas, por outro lado, percebe-se uma sobrecarga e uma frustração em relação às tarefas burocráticas que as útlimas regulamentações universitárias têm implementado; e, apesar do discurso normativo especificar as funções a realizar pelos supostos professores, uma lacuna na realização de tudo isto que se tem mantido, de uma maneira ou de outra, ao longo do tempo e que aparece nas autobiografias com a percepção de que "Ser professor é mais do que a disciplina, as aulas e os alunos. Esta é a parte oculta que os alunos ignoram ou de que apenas têm uma vaga noção. A estrutura organizacional do departamento e da faculdade não é clara. Os cargos são importantes, mas também as pessoas que os ocupam ou, mais precisamente, as relações existentes entre essas pessoas."[P3] A burocracia, como temos vindo a mencionar, é um dos principais problemas com que se confronta o professor. As inúmeras exigências que lhe são colocadas conflituam com as suas mais altas aspirações enquanto ser humano e os minuciosos requisitos administrativos para a promoção na carreira. , pois, uma tensão entre o sujeito humanista universal que aparece nos preâmbulos das leis, a burocratização da sua actividade profissional exigida por lei e a sua própria experiência, resultado, também da pressão avaliativa e do trabalho burocrático. Este conflito entra em profunda contradição com a vida pessoal uma vez que "implica uma constante tensão e ansiedade, pressão para rentabilizar o trabalho, enorme burocratização de todos os protocolos para mostrar o trabalho efectuado, produtividade e qualidade com uma significativa perda de tempo e de energia, que afecta a minha vida familiar e pessoal, sérias dificuldades em conciliar qualidade de vida profissional, familiar, social, materna. Não tempo para tudo e se fizer isso é tirar horas de sono, fazê-lo de forma compulsiva e alienada ". [P4] Um dos elementos-chave que se encontra em algumas das autobiografias realizadas na investigação é o impacto ou o sentido que as diferentes reformas educativas tiveram nos indivíduos num determinado momento da sua carreira profissional e pessoal. Assim, a passagem do sujeito tecnocrático para o sujeito avaliado, administrado ou gerido corresponde à configuração das categorias laborais surgidas com as recentes reformas: os professores, com estabilidade na carreira, ainda que sensíveis à pressão que essa estabilidade implica, reconstroem a sua identidade a partir da relativa estabilidade da sua situação actual e da perspectiva que têm relativamente ao facto de terem experienciado outras fases na universidade; apesar de tudo, não podemos esquecer que estes professores, que conseguiram o seu lugar nos anos 80-90 sem grande esforço, tal como os aumentos salariais e a sua reputação profissional, também eles dependem das novas regulamentações de promoção e avaliação, pelo que vivem com "o medo constante de ser excluída, tornada invisível e pouco reconhecida em determinados processos de crescimento profissional e, especialmente, da carreira docente, além de não conseguir atingir os objectivos e, portanto, da não retribuição dos complementos remuneratórios correspondentes, o que me faz perder o poder de compra ano após ano tornando-me mais pobre ". [P4] A partir da LOU, assistimos ao aparecimento de um sujeito precário, com contratos de trabalho temporários, facto que se torna evidente nas narrativas dos professores mais jovens e no início da carreira docente. Neste último caso, estamos a falar de um professor com uma experiência profissional de grande instabilidade, para quem a nova carreira docente parece ser um processo interminável, cheio de obstáculos e cujo reconhecimento é incerto: "E agora o que me irá trazer o futuro? A 31 de Janeiro de 2008 acaba o contrato como bolseira contratada; O que vai acontecer? Que mudanças me reservará o futuro? Que significado terá estes 4 anos de formação como bolseira se não posso continuar na Universidade? "[P6] Por outro lado, como vimos através da legislação, passámos da liberdade académica para uma liberdade que deve ser eficiente e produtiva, ou seja, passámos da lógica do conhecimento para a lógica da produção, a sala de aula e a relação com o aluno continua a ser um lugar comum, próprio dos professores, onde as práticas podem ser levadas a cabo de uma forma mais ou menos vigiada, ou seja, um lugar para o desvio de "regras e normas que violavam os princípios básicos da minha filosofia e das minhas práticas educativas; por exemplo, quando à partida me recusei a quantificar todos os instrumentos de avaliação nos planos de ensino, pois eu pratico muito anos o contrato pedagógico e a negociação curricular com cada grupo de alunos, a partir de uma perspectiva de currículo situado. Isto levou a uma certa perseguição (anos 96- 2000) por parte de alguns gestores da faculdade, pressão e reuniões para mudar de ideia e até mesmo a censura dos meus programas disciplinares nas instruções públicas para os estudantes durante alguns anos." [P4].

E, para além das aulas e de todos os processos burocráticos das tarefas docentes e de investigação, alguns casos continuam a considerar fundamental a relação com o saber, seja como relação pessoal enquanto sujeito que aprende, ou como importante para a formação dos alunos. Este é, também, um dos eixos de desenvolvimento da sua carreira universitária, para além da progressão administrativa na carreira, passando de uma categoria laboral para outra ou, apenas, na consolidação de uma posição hierárquica. Este terreno, não suscetível de padronização, implica que o saber, ao contrário do conhecimento, é sempre acção e relação, ou seja, constitui um tipo de relacionamento (Charlot 2000). Adquirir conhecimento garante um certo domínio do mundo e significa instalar-se num certo tipo de relação com o mundo: "Por isso, considera- se irregular este relacionamento que "me ensinaram coisas importantes" para além da estreiteza da docência de uma disciplina (porque todas as disciplinas são mais redutoras do que o resto do mundo)... A ampla plataforma desegurança deve-se tornar num trampolim para experimentar outras coisas: a desconstruiro programa, abrir a aprendizagem à incerteza, compreender a aprendizagem como uma transformação, soltar o leme e ver onde me (nos) leva o que vai acontecendo ". [P-3]

3. Conclusões Os elementos detectados a partir da relação estabelecida entre os relatos autobiográficos e a noção de sujeito que emerge da legislação universitária permitem-nos extrair reflexões que apontam para eixos de tensão geral entre o sujeito biográfico e o sujeito normativo. Um deles está relacionado com a retórica habitual da legislação universitária que coloca o professor como o centro do seu discurso, a ponto de qualificá-lo como "pedra angular da Universidade" (LOU 2001, Preâmbulo, cap. IX), no processo de adaptação das ofertas académicas e dos métodos de ensino e aprendizagem às actuais necessidades sociais. Mas a atenção dada aos professores é uma faca de dois gumes, uma vez que a centralização retórica contrasta com o papel limitado desempenhado pelos professores na definição das reformas universitárias, apesar de existirem argumentos a favor de que se tenha mais em consideração a intervenção dos professores (Michavila, 2005).

Com efeito, performativamente, o professor está certamente no centro do discurso legislativo na medida em que muito boa parte desse discurso está orientada para a regulamentação das suas tarefas, formas de avaliação e promoção. De facto, da redação da lei emerge um professor que se faz existir através da descrição das suas funções, obrigações, direitos, prestação de contas, etc. As definições gerais sobre o sujeito que deve ingressar na universidade (e, portanto, sobre como deve ser o sujeito que o forma), geralmente expressas nos preâmbulos, convivem com descrições detalhadas dos processos administrativos que regulam a profissão docente. Deste modo, o discurso performativo da lei move-se em função de diferentes níveis discursivos, a partir das declarações de objetivos e aspirações universais, para a regulamentação detalhada da acção do sujeito através da proliferação de práticas burocráticas. Isto constitui uma das principais tensões, como foi evidenciado nos relatos autobiográficos através do surgimento de sentimentos de dificuldade e de contradição na hora de reconciliar ambos os planos ou níveis discursivos.

Por outro lado, a voz da legislação do ensino superior é coerente e uniforme (linear) quanto ao sujeito que prescreve, mas não acontece o mesmo com a voz dos professores por ser caracterizada pela heterogeneidade e por estar marcada pela sua situação actual e pela sua experiência de vida. Esta heterogeneidade apresenta uma tensão paradoxal entre o desejo de estabilidade e a vontade de mudança, que ocorrem de forma transversal em todos os casos, mas também pode aparecer simultaneamente numa única autobiografia. Essa tensão é determinada pela lei e pelo efeito performativo nos indivíduos que acabam por se organizar em função do "que devem ser" presente no discurso formalizado, de modo a que o próprio desejo simultâneo de estabilidade e mudança pode gerar, por vezes, uma certa perda de pluralismo ou a suspensão da acção. Estas tensões estão subjacentes ao que está determinado como prescritivo e estável.

Convém esclarecer que, num contexto performativo, falar de resistências frontais é pouco produtivo, se não impossível. Não apenas por ser cada vez mais difícil distinguir a única fonte do poder disciplinar, uma vez que este se implantou em todas as dimensões da vida humana, mas também porque a lei não pode deixar de ser cumprida sob pena de se ser objecto de uma penalização correspondente. E na medida em que trabalhámos com casos concretos de professores do ensino superior, é claro que estamos a lidar com pessoas cumpridoras da lei para que possam continuar no activo na universidade.

4 No entanto, existem muitas formas de "oferecer resistência" à lei, de adaptá-la, interpretá-la, subvertê-la ou inclusivé ignorá-la de formas imperceptíveis na perspectiva do poder.

Finalmente, nas autobiografias consideradas apresenta-se um sujeito que se opõe à instituição burocrática a diferentes níveis: desde o antagonismo explícito que chega a causar problemas ao professor, passando por quem procura espaços de realização intelectual e pessoal que permite a regulação institucional ou que se encontra à margem da mesma, até à atitude de desidentificação de quem não partilha os valores e é crítico relativamente aos modos de agir da instituição, ou se sente maltratado e, simplesmente, não colabora no seu desenvolvimento ou obedece aos regulamentos com relutância. Novamente, essas posições podem ser percebidos em autobiografias diferentes, mas também podemos encontrá-las num único caso. Neste contexto, o poder da lei pode ser expresso de forma mais explícita uma vez que o seu poder punitivo (seja formal mediante sanção ou informal mediante pressão do grupo) entra claramente em cena. Os relatos autobiográficos permitem, para os casos estudados, referir situações de oposição, tensão ou desacordo, assim como identificações e concordâncias, de modo explícito através de posições e acções, mas também desenvolver posições pessoais, não necessariamente expressas em actos específicos. Podemos afirmar, finalmente, que escrever a experiência dos sujeitos de pesquisa constituiu uma abertura e um espaço para a afirmação do desejo de oposição e de resistência interna à regulamentação académica que, de outro modo, seriam invisíveis.

Tradução do original em castelhano de Rita Alonso. Revisão científica de Manuel Tavares

Notas 1 Grupo de investigação consolidado ESBRINA (Subjectividade e ambiente educativos contemporâneos). Universidade de Barcelona. Projecto: Os efeitos das alterações sociais na vida profissional dos docentes universitários. Entidade financiadora: Ministério de Educação e Ciência. Código: SEJ2006-01876.

2 Research group ESBRINA (subjectivity and contemporary learning environments).

University of Barcelona. Researchproject:"The effects of social changes on the professional life of university teachers" (Los efectos de los cambios sociales en la vida profesional de los docentes universitarios.Ministerio de Educación y Ciencia. SEJ2006-01876).

3 Professores colaboradores (contratado, não doutor) e leitor (contratado doutor) são figuras contratuais definidas pela primeira vez na LOU 2001 (artigos 51 e 52) e que se caracterizam como sendo de duração limitada (dois anos renováveis, ou seja, num total máximo de quatro anos). Os professores nessas condições têm esse tempo para obter acreditação para passarem para a figura contratual seguinte ou de outra forma não podem continuar no sistema universitário. Esta temporalidade está originariamente pensada para estimular o desenvolvimento da carreira docente, mas, ao mesmo tempo, também aumenta a pressão para alcançar algum tipo de produtividade académica "creditável".

4 Neste sentido, seria interessante também narrar histórias de professores que decidiram abandonar a carreira académica, para poder perceber melhor os limites de adaptação.


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