A morte de Rogério Fernandes: a perda de um Investigador, de um Professor e de
um Amigo
A morte de Rogério Fernandes: a perda de um Investigador, de um Professor e de
um Amigo
Rosa Serradas Duarte, Manuel Tavares, António Teodoro
Na manhã do dia 4 de Março, bem cedo, fomos surpreendidos pela notícia da morte
de Rogério Fernandes, Professor Catedrático jubilado da Universidade de Lisboa
e, seguramente, um dos mais lúcidos intervenientes no debate sobre os problemas
da educação e do ensino desde os anos 1960 até aos nossos dias.A sua obra fica
a atestar a riqueza do seu contributo. Rogério Fernandes dirigia, com
entusiasmo contagiante, como Investigador Responsável, no Centro de estudos e
intervenção em Educação e Formação, do Instituto de Ciências da Educação, da
Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias (CeiEF) um projecto de
Investigação Financiado pela FCT sobre o Associativismo e Sindicalismo
Docentes, (Percursos do Associativismo e Sindicalismo Docentes, em Portugal -
1890-1990), assunto que tanto o interessava e a propósito do qual ousou militar
e escrever, quando, em tempos difíceis, que muitos já esqueceram e outros não
conheceram, era preciso ser corajoso para, na inexistência dos direitos de
associação, de reunião e outros, afirmar e reafirmar a necessidade de liberdade
e o direito à livre associação dos professores.
A sua vasta obra científica, particularmente na área da História da Educação, a
sua actividade como jornalista, escritor e tradutor, bem como o seu prestígio
nacional e internacional, falam por si. A Educação e o Ensino devem a Rogério
Fernandes (um dos que o regime de Salazar afastou do Ensino) uma grande
reflexão crítica.A sua obra é incontornável para quem estude a Educação e o
Ensino, em Portugal. Todos lhe devemos ter sido o protagonista do início da
modernização do Ensino Básico no pós 25 de Abril pela acção que desenvolveu,
enquanto Director Geral do Ensino Básico entre 1974 e1976, com especial
destaque para a modernização do, então, Ensino Primário.
Mas é na sua qualidade de cidadão íntegro, coerente e exemplar, que gostaríamos
também e sobretudo de o recordar porque, na maioria dos casos, temos tendência
a esquecer e a não enaltecer estes valores naqueles que, ao longo de décadas e
décadas de vida e com o sacrifício de pagar tributos, muitas vezes elevados,
foram capazes de manter as suas convicções.
Habituámo-nos a ver no Rogério uma permanente disponibilidade para começar
"coisas" novas, para ajudar e incentivar os outros a trilhar também
novos caminhos, sem medo, aceitando o risco.Tudo isto com a experiência de quem
já passou por muitos revezes e conseguiu sair, sempre, deles mais rico e com
mais saber.
A equipa de investigadores do projecto que liderava sente, profundamente, a sua
falta. Cabe, agora, a Rosa Serradas Duarte conduzir a equipa que integra o
projecto do Associativismo e Sindicalismo Docentes. Segui-lo, tendo por pano de
fundo os alicerces que o Rogério tinha lançado e, com toda a equipa, levar até
ao fim e tão bem quanto formos capazes a obra que, com tanto entusiasmo, se
tinha proposto concretizar, será o nosso compromisso. Em sua memória,
cumpriremos.
É com tristeza e com saudade que este projecto deixou de poder contar com o seu
principal mentor, inesperadamente desaparecido naquele triste dia 4 de Março.
Ao amigo poderemos dizer: até sempre.
Lisboa, Maio de 2010
Revista Lusófona de Educação
Centro de Estudos e Intervenção em Educação e Formação (CeiEF)
Avenida do Campo Grande, nº 376
1749-024 Lisboa
revista.lusofona@gmail.com