As tecnologias da informação e comunicação como recursos no Ensino Secundário:
um estudo de caso
0. Introdução
A inovação educativa apresenta-se como uma evidência na sociedade actual e é
impulsionada por uma vasta gama de novos recursos tecnológicos. Como resultado,
as escolas de todo o mundo são obrigadas a inovar os seus sistemas educativos,
com o objectivo de ampliar os seus serviços, melhorar o seu desempenho e
reduzir custos. No entanto, esta aparente inovação educativa dificilmente induz
o pessoal docente a aprofundar sobre uma ideia de mudança e nas suas
consequências práticas (Westera, 2004).
A nova era que estamos a viver inclui grandes modificações no âmbito
profissional, na formação dos usuários, nos conhecimentos tecnológicos e nas
capacidades de comunicação (Ashcroft & Watts, 2004). Diferentes autores
(Wallace, 2002; Chen, Yu & Chang, 2007) argumentam que o uso das
Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) constitui, em si mesmo, um novo
paradigma de ensino-aprendizagem e elas representam um recurso para a inovação
educacional. A sua crescente utilização em contextos de aprendizagem está a
contribuir para a incorporação de novas metodologias, com o objectivo de
enfrentar com êxito estes domínios específicos (Pragnell, Roselli &
Rossano, 2006).
É necessário que as TIC estejam bem integradas no processo de aprendizagem para
que apoiem e complementem as prácticas desenvolvidas nas aulas. Contudo, a
optimização do trabalho com as TIC requer mudanças fundamentais nas actividades
básicas das escolas (Castro & Alves, 2007; Hayes, 2007).
No meio da enorme complexidade que pressupõe a integração das TIC na formação
escolar, Portugal, como o resto do mundo, encontra-se perante um desafio
tecnológico de inovação e modernidade em todas as áreas da sociedade e em
especial na educativa. Para isso, há que ter em conta que a aplicação das TIC
no processo educativo pode centrar-se em torno a diferentes dimensões (Ricoy
& Feliz, 2003): meio de comunicação, recurso de aprendizagem activa,
matéria objecto de estudo académico, tratamento da informação (como meio de
transmissão e/ou exposição de informação), elemento de organização e gestão,
gerador de vivências e lúdico. Neste trabalho dedicaremos especial atenção à
sua potencialidade enquanto recurso de aprendizagem activa.
Existem já diversos estudos que relacionam a utilização dos computadores e da
Internet com a motivação desencadeada no aluno. Um estudo do Instituto Español
de Evaluación conclui que o uso de computadores nas salas de aula aumenta o
interesse dos alunos pelas disciplinas (Marchesi & Martin, 2003). Outros
autores (Ricoy, 2006), também afirmam que a utilização dos novos meios
tecnológicos possibilita e desencadeia a introdução de inovações, fomentando a
motivação pela aprendizagem.
Temos que ter em conta que o papel do pessoal docente é muito importante para
obter um bom nível de êxito na integração das TIC na aula (Goodison, 2002). O
professor é o principal impulsionador da comunicação e, para que ela ocorra,
numa aula, deverá ser explícito e os alunos estarem dispostos a captar e
interactuar com a mensagem e com os meios humanos e materiais. Muitas vezes o
professor é explícito mas o aluno não quer ouvir. A referida atitude passiva
deverá fazer pensar o docente sobre a necessidade de adequar a sua estratégia
metodológica às características pessoais (idade, desenvolvimento físico e
mental) e motivações dos seus alunos.
Frequentemente, nas nossas escolas, existem turmas sem expectativas futuras e
pouco motivadas. Obviamente, teremos que conhecer os nossos alunos: o seu
percurso escolar, as suas perspectivas. Devemos criar uma relação afectiva que
lhes propicie a vontade de estar presente e aprender. Os alunos captam se o
professor gosta de ensinar e principalmente se gosta deles (Moran, Masetto
& Behrens, 2000). Paralelamente, devemos apelar ao seu lado emocional, aos
seus interesses, adequando os recursos e conteúdos curriculares aos seus
gostos. Isto porque numa aula não ocorrem simples mensagens intelectuais. Uma
aula é também um recado emocional.
Entenda-se a motivação como aquilo que suscita ou incita uma conduta, que
sustém uma actividade progressiva, que a canaliza para um dado sentido
(Balancho & Coelho, 1996). Percebe-se então a vontade do professor em criar
aliados. Aluno motivado e com participação activa avança mais, facilita todo o
nosso trabalho (Moran, 2007).
É um facto que, nem sempre, os alunos são capazes de reconhecer: a importância
do seu empenho nas tarefas escolares. Nestas situações é urgente que lhe
associe valor, que a considere relevante. As TIC poderão constituir uma fonte
de motivação externa, em âmbitos educativos formais, e a utilização da Internet
fomentar o sucesso educativo pois é, simultaneamente, fonte inesgotável de
conteúdos e recurso potencialmente impulsionador de aprendizagens mais activas
e significativas.
As TIC associadas a uma nova forma de entender a educação poderão
definitivamente aproximar professor e aluno. O desafio implica uma mudança
radical na forma de entender a educação. O desafio, necessário e possível, e
descobrir as potencialidades das TIC cabe aos professores (Blanco & Ricoy,
2007).
Todos desejamos o sucesso escolar dos nossos alunos, a crescente motivação, a
inovação educativa, a acessibilidade e a utilização das TIC para fins
pedagógicos. As escolas, em Portugal, estão a ser equipadas tecnologicamente.
Mas de que servem todos estes equipamentos se os professores não responderem ao
desafio de modernização / inovação e se os alunos utilizarem as TIC para fins
que não são os desejados? Assim, será necessário que os professores vejam as
novas ferramentas tecnológicas como um aliado na árdua tarefa de motivar,
cativar e despertar para o caminho do conhecimento.
Ao longo deste trabalho abordamos diferentes aspectos relativos à utilização
das TIC no processo de ensino-aprendizagem. É de salientar que utilizamos esta
terminologia para nos referirmos às tecnologias relacionadas com um conjunto de
processos e produtos derivados das novas ferramentas digitais, electrónicas,
etc. (hardware e software), aos suportes da informação e canais de comunicação
relacionados com armazenamento, processamento e transmissão digitais da
informação (González Soto, Gisbert et al., 1996).
Esta investigação pretende, em último fim, contribuir para a melhoria das
práticas educativas, uma vez que a consideramos instrumento de diagnóstico do
contexto socioeducativo. Pretende-se, com os resultados e conclusões
apresentados, promover nos professores a consciência da sua prática pedagógica
para dotar os alunos de um papel activo na construção das aprendizagens. Mais
ainda, na interacção professor - aluno, além do professor actuar como mediador
e motivador, o aluno também exerce papel importante (Lopes, 2007). As mudanças
na educação dependem também dos alunos. Alunos curiosos e motivados, facilitam
enormemente o processo (Moran, 2007).
Pretendemos, com este estudo, alcançar um melhor conhecimento do processo de
ensino-aprendizagem, no que se refere à utilização das TIC, do seu potencial
papel motivador na aprendizagem em geral e, particularmente, na Matemática.
Neste trabalho abordamos aspectos focalizados nas TIC para fins educativos, com
o objectivo de saber se essa utilização contribui para motivar a aquisição de
novos conhecimentos e competências nos alunos. Relativamente ao estudo
apresentado neste artigo, consideramos os seguintes objectivos de investigação:
- Conhecer as condições de acessibilidade dos alunos às TIC.
- Identificar as áreas de interesse e o papel motivador das TIC e de outros
recursos para os alunos.
- Averiguar o nível de motivação dos alunos na disciplina Matemática.
1. Método
Este trabalho parte dum estudo de caso que se centra na análise
microcontextual, através de grupos concretos. Inicialmente, foi dada especial
atenção ao particular, sem pretender transformar directamente as conclusões em
enunciados gerais. Contudo, como indica, Stake (1998) o estudo de um caso
particular a partir da sua própia singularidade e especificidade contribui para
o conhecimento da realidade. Este método é apropriado para investigações de
pequena escala com recursos limitados em material e pessoas (Duarte, 2008). O
estudo de caso resulta em grande utilidade para a investigação e possibilita a
tomada de decisões baseadas na objectividade (Latorre, Del Rincón & Arnal,
2003).
Na presente investigação recolheu-se informação valiosa para continuar a
aprofundar, no futuro, esta temática. O âmbito da investigação é limitado,
aborda um caso específico, pelo facto da intenção, neste momento, ser dar conta
do caso estudado. Contudo, é possível ser aplicado em outros contextos sob uma
perspectiva crítico-reflexiva.
1.1. Amostra
A amostra foi determinada de uma forma intencional, utilizando como critério a
proximidade e a acessibilidade aos alunos do Ensino Secundário, que foram
seleccionados de forma não aleatória, tendo-se optado pelas turmas leccionadas.
Assim foi possível, não só, ter fácil acesso à amostra, de acordo com a
disponibilidade dos alunos, mas também satisfazer a calendarização, da fase
inicial, prevista para a investigação.
Neste estudo participaram 97 alunos de uma Escola Secundária do norte de
Portugal, do 10º e 11º ano. As informações foram recolhidas durante o ano de
2008. A maior parte dos alunos pertenciam a Cursos Profissionais (57,73%),
quase um quarto frequentavam um Curso Científico - Humanístico (24,74%) e uma
percentagem mais reduzida um Curso Tecnológico (17,53%).
Os participantes no estudo são, maioritariamente, do sexo feminino (70,1%),
constituindo o sexo masculino apenas cerca de um terço da amostra (29,9%). As
idades assumem valores entre os 14 e os 21 anos, sendo a média de 16,5 anos e a
moda de 15 anos. Dos alunos que participaram quase metade já repetiram algum
ano de escolaridade (42,27%). Destes, verifica-se um maior número de retenções
no sétimo (12,73%), oitavo (16,36%), nono (22,82%) e décimo (23,64%) ano. Com
menor frequência referem também o primeiro (3,64%), terceiro (1,82%), quarto
(7,27%), quinto (7,27%) e sexto (5,45%) ano.
1.2. Instrumento e procedimento de análise de dados
A abordagem ao estudo foi realizada mediante inquérito, tendo a informação sido
recolhida através de um questionário elaborado para o efeito. A necessidade de
produção de um instrumento específico manifestou-se pela especificidade dos
objectivos da investigação. Para Tuckman (2002) a investigação por inquérito é
um tipo específico de investigação que aparece frequentemente no campo da
educação. O autor é de opinião que o inquérito é uma técnica potencialmente
muito útil em educação, tendo um valor inegável na recolha pontual e massiva de
dados.
Apesar de termos consciência da extensão do questionário aplicado, seguimos
Moreira (2004) quando refere que um questionário mais curto fornece menos
informação e / ou informação menos rigorosa. Quanto ao tipo de questões,
optámos, essencialmente, pelas de resposta fechada, uma vez que se adequam
melhor ao estudo. No entanto, para que o respondente não se sentisse limitado
às opções propostas, incluímos em algumas questões a opção
"outros", onde o aluno pode assinalar diferentes aspectos
importantes não considerados na questão.
Este instrumento quantitativo, foi elaborado contendo diferentes blocos /
dimensões com aspectos gerais e específicos da disciplina de Matemática. Tendo
em conta as limitações de espaço seleccionamos, para este trabalho, os
resultados relativos à dimensão sobre acessibilidade e motivação.
2. Resultados
Seguidamente apresentamos os resultados principais sobre a utilização das TIC
por parte dos estudantes envolvidos no estudo: acessibilidade e motivação
(áreas de interesse com conteúdos lúdicos e curriculares, recursos online e
outros assim com aspectos relativos à disciplina de Matemática).
2.1 Acessibilidade
A totalidade dos alunos tem computador pessoal (100%) e conexão à Internet
(90,72%). Dos que têm Internet, o acesso a qualquer hora do dia não é tão
elevado (83,51%). No que diz respeito aos recursos disponibilizados pela escola
quase metade dos alunos refere que nem sempre tem um computador disponível
(47,42%) contra os que referem que, sempre que necessitam, têm computadores
disponíveis na escola (35,05%) e aqueles que desconhecem a referida
disponibilidade (17,53%).
A grande maioria refere que, nos computadores da escola, está disponível
ligação à Internet (93,81%). A consulta da Internet na maior parte dos casos é
diária (68,04%). Quase um quarto dos alunos refere que consultam a Internet
várias vezes por semana (23,71%). Poucos são os que só consultam ao fim de
semana (4,12%) ou que referem que raramente a consultam (4,12%). No que se
refere aos número de horas diários de utilização, o mais frequente é a classe
entre 1 e 2 horas (44,33%). Não são tão frequentes as possibilidades de menos
de uma hora (29,9%) e a classe entre 2 e 4 horas (22,68%). Raros são os alunos
que utilizam a Internet durante mais de 4 horas por dia (3,09%). O acesso à
Internet preferencialmente é feito em casa (83,51%) e de forma muito menos
significativa na escola (15,46%). Uma percentagem muito pouco significativa
refere outros locais (6,19%).
A quase totalidade dos alunos tem e-mail (98,97%). Contudo, apenas pouco mais
de metade o consulta diariamente (65,98%).
Quase todos conhecem a existência da página da escola (93,81%) e da plataforma
de aprendizagens (97,94%). A percentagem dos que raramente acedem à página da
escola é muito elevada (45,36%) e poucos são os que diariamente acedem (8,25%).
A percentagem dos que acedem várias vezes por semana (26,8%) é muito próxima
daqueles que a consultam só ao fim semana (19,59%). Valores aproximados são os
que dizem respeito ao acesso dos alunos à plataforma de aprendizagens:
raramente (30,93%), várias vezes por semana (41,24%), só ao fim de semana
(17,53%), diariamente (8,25%). Alguns não responderam (2,06%).
Os conteúdos que os alunos gostariam ver disponibilizados são: avaliações
(93,81%), actividades da escola (67,01%), datas dos exames (61,86%), horários
dos professores (38,14%) e outras (7,22%). No que diz respeito aos conteúdos
disponibilizados na plataforma de aprendizagens pelos professores, a maioria
dos alunos refere que poucos docentes utilizam esta potencialidade (63,92%).
Questionados quanto à intenção de consultar os conteúdos caso existam, poucos
alunos referem que consultariam diariamente (10,31%). Outros porém,
consultariam várias vezes por semana (38,14%) e os restantes só ao fim de
semana (18,56%). De salientar que cerca de um quarto dos alunos afirma que
raramente consultaria os conteúdos caso estejam disponíveis (23,71%).
2.2. Motivação
a) Áreas de interesse: conteúdos lúdicos e curriculares
As principais áreas de interesse dos alunos no seu tempo libre são: música,
desporto, T.V., cinema e jogos de computadores. As notícias, leitura, cultura e
conteúdos escolares ocupam os últimos lugares na lista de preferências. Quem
assinalou outras opções, referiu um dos seguintes aspectos: culinária,
bodyfitness, noite ou dança (gráfico 1).
Gráfico 1.
Distribuição da amostra pelos diferentes interesses pessoais
Os principais motivos que levam os alunos a gostar de uma disciplina são
essencialmente conteúdos relacionados com próprios interesses (64,95%),
desenvolvimento de capacidades (60,82%), conteúdos relacionados com a profissão
que gostariam de exercer (61,86%) e conteúdos aplicados no dia-a-dia (51,55%).
A utilização dos computadores não se encontra nos principais motivos para se
gostar de uma disciplina (34,02%). Verifica-se que esta amostra é bastante
heterogénea pois o número dos que não gostam de estudar (53,61%) é muito
próximo dos que gostam (46,39%). Contudo, a quase totalidade manifesta que se
esforça por conseguir bons resultados (92,78%).
Para a maior parte dos alunos, as aulas de uma forma geral, são expositivas
(77,32%) e semelhantes ano após ano (76,29%). Mesmo assim, não consideram que
ditar o sumário seja uma perda de tempo (62,89%) e, de uma forma geral, não
afirmam que as aulas sejam desmotivantes (64,95%). Porém, referem que a
utilização de computadores nas aulas é motivador (88,66%), que gostam muito de
"navegar" na Internet (91,75%) e que nela há muita informação que
pode ajudar no estudo das disciplinas (90%). As opiniões não são tão unânimes
no que diz respeito a ser mais fácil aprender com as TIC ou com os livros. Uns
afirmam que é mais fácil estudar com a Internet (59,79%), outros têm opinião
contrária (40,21%). Contudo, a maior parte já se socorreu da Internet para
esclarecer dúvidas (81,44%).
b) Recursos online
Apresentam-se de seguida os diferentes recursos didácticos, que mais agradam a
estes alunos (gráfico 2), em suporte papel e em outros formatos.
Gráfico 2.
Distribuição da amostra pelos recursos que mais agradam os alunos.
Os recursos educativos que mais agradam aos alunos são os jogos (53,61%),
seguidos de perto pelos vídeos didácticos (45,36%) e pelos testes online
(41,24%). Contudo, os tradicionais manuais escolares (31,96%) e fichas de
trabalho (38,14%) são referidos, por mais de uma quarta parte dos
participantes, como sendo recursos do seu agrado. O material em suporte CD-Rom
(16,49%) assim como os objectos manipuláveis (18,56%) são os que se revelam
menos atractivos para os alunos. Os participantes que referem outros recursos
não indicam quais.
c) Disciplina de Matemática
A maioria dos alunos não conta os minutos para o final da aula de Matemática
(71,13%), gostam da disciplina (62,89%), afirmam que o que aprendem nestas
aulas lhes interessa e que a disciplina tem importância para a sua formação
profissional (78,35%). Assim se compreende que não se sintam desmotivados
(73,2%).
No que diz respeito à utilização dos computadores no processo ensino -
aprendizagem, os alunos referem que os computadores os ajudam a estudar
(87,63%), que gostariam de poder estudar mais pela Internet do que pelos livros
(65,98%). A maioria dos alunos desejavam aprender sozinhos, alguns assuntos,
recorrendo aos computadores (56,7%).
Uma percentagem muito elevada refere que se aplicariam mais se os trabalhos
fossem elaborados com o computador (72,16%).
Gráfico 3.
Distribuição da amostra pela opinião se gostam ou não de Matemática.
Os alunos, na sua maior parte, manifestam que gostam da disciplina de
Matemática (62,89%). Contudo, é preocupante que mais de uma quarta parte
(37,11%) negue que lhe agrade frequentar esta disciplina (gráfico 3).
3. Conclusões e discussão
No que se refere às condições de acessibilidade dos alunos às TIC conclui-se
que: o acesso aos computadores e à Internet é generalizado e a sua consulta
frequente. Na maior parte dos casos, a utilização dos computadores e da
Internet é diária ou realizada várias vezes por semana, essencialmente em casa.
Mumtaz (2001) também constatou que os estudantes utilizam mais o computador em
casa, fundamentalmente para jogar, do que na escola. O educador necessita estar
atento para utilizar a tecnologia como integração e não como simples distracção
ou fuga (Moran, 2007). Contudo, os jogos de computador pressupõe também um
recurso benéfico de aprendizagem (Saito & Miwa, 2007).
Os alunos, de uma maneira geral, não passam muitas horas em frente do
computador. O mais frequente são períodos entre uma e duas horas. A quase
totalidade dos alunos tem e-mail. Contudo, a sua consulta não é diária. Isto
apesar de que o correio electrónico se encontrar entre os recursos de uso mas
frequente nas TIC, desde que se tenha acesso a Internet e aos computadores
(Dawson, 2008). Além disso, a sua utilização, por parte dos adolescentes, está
substancialmente associada aos conhecimentos informáticos e relativos à
Internet (Kuhlemeier & Hemker, 2007).
Quase todos conhecem a existência da página da escola e da plataforma de
aprendizagens, contudo, na maior parte dos casos, a sua consulta é pouco
frequente. Os conteúdos que os alunos gostariam ver disponibilizados são:
resultados das avaliações, actividades da escola, datas dos exames e horários
dos professores. A maioria refere que poucos são os professores que
disponibilizam conteúdos na plataforma de aprendizagem, apesar de manifestarem
que a sua consulta não seria muito frequente caso fossem disponibilizados.
É importante integrar as TIC e as plataformas online como recurso nas
aprendizagens, uma vez que possibilitam que os alunos sejam autodirectivos e
mais activos na sua aprendizagem, num período mais curto de tempo. Isto
permite-lhes disfrutar de liberdade e control da aprendizagem, melhorando as
suas capacidades instrumentais básicas (Watts & Lloyd, 2004). Assim, também
é necessáario ultrapassar o limitado uso educativo que se faz das TIC na sala
de aula e em casa, passando a uma utilização mais plural das suas funções
(SelWyn & Bullon, 2000). É necessário que a escola garanta o uso regular
das TIC na sala de aula, mais além do que uma simples excentricidade.
As principais áreas lúdicas de interesse dos alunos desta amostra são: música,
desporto, TV e cinema. As notícias, leitura, cultura e conteúdos escolares
ocupam os últimos lugares na lista de preferências, sendo muito sintomático e
reflexo da actual situação do sistema educativo.
Relativamente ao nível de motivação dos alunos nas aulas e, em especial, na
disciplina de Matemática, verifica-se que os principais motivos que os levam a
gostar de uma disciplina são essencialmente conteúdos relacionados com os seus
interesses: desenvolver capacidades e conteúdos relativos a profissão que
gostariam de exercer e de aplicação prática. Embora considerem, de uma forma
geral, as aulas expositivas e semelhantes ano após ano.
No seguimento do exposto, Brett e Nagra (2005) verificam incongruências entre
os métodos de ensino e a forma como as instituições educativas colocam os
recursos, relativos às TIC, à disposição dos alunos. Os professores apesar de
utilizarem uma ampla gama de estratégias de pesquisa para encontrar recursos
adequados à idade dos alunos, incorporam poucas modificações nas actividades
pedagógicas desenvolvidas (Recker, Dorward & Nelson, 2004). Na realidade,
utilizam as tecnologias da Internet frequentemente, mas de uma forma simplista
e com muitas limitações, enquanto que a procura de informação é um processo
complexo e difícil para o estudante (Wallace, Kupperman, Krajcik & Soloway,
2000).
Os participantes esforçam-se por conseguir bons resultados e não consideram que
as aulas sejam desmotivantes. A utilização dos computadores não se encontra nos
principais motivos para se gostar de uma disciplina, contudo a sua utilização
constitui um factor de motivação.
Os estudantes gostam muito de "navegar" na Internet e consideram
que nela encontram muita informação que pode ajudar no estudo das disciplinas.
Quanto ao facto de ser mais fácil estudar com a Internet do que com os livros
as opiniões dividem-se e os resultados não são conclusivos. Contudo, temos de
ter em conta que as modernas tecnologias, como a Internet, apresentam novas
oportunidades para o processo de ensino-aprendizagem em todos os níveis
educativos, segundo Brill e Galloway (2007).
Constata-se que, a maioria dos alunos, não conta os minutos para o final da
aula de Matemática, gostam da disciplina, o que aprendem nestas aulas
interessa-lhes e atribuem-lhe importância para a sua formação profissional.
Assim, não se sentem desmotivados. Os alunos do Ensino Secundário sustentam que
os computadores deveriam ser mais usados nas aulas, uma vez que os ajudam a
estudar. Jaén, Bohigas e Novell (2007) detectam que existe falta de ferramentas
tecnológicas nas instituições educativas para serem utilizadas como um recurso
no processo de ensino-aprendizagem, quer seja no ensino secundário ou
universitário.
A utilização das TIC é vista pelos alunos como uma mais valia no processo de
ensino aprendizagem, constituindo um elemento de motivação externa. Estes
recursos educativos poderão ser entendidos como um complemento educativo,
contudo, como afirma Lopes (2007), apesar do contexto digital propiciar
autonomia aos seus usuários, é necessário que a mediação parta do professor no
sentido de gerir as interacções. Segundo Lei e Zhao (2007), em geral, o uso da
tecnologia que produz efeitos positivos está relacionado com temas específicos
de estudo e é dirigido para a construção da aprendizagem. As TIC devem estar
integradas de forma a apoiar e complementar as prácticas lectivas e actualmente
o seu sucesso exige mudanças fundamentais nas metodologias e nas actividades
básicas das escolas.