Uma Porta Aberta para o Mundo e para a Sociedade. A inclusão de uma jovem com
paralisia cerebral, em contexto escolar
Mestrado em Educação Especial
O sujeito do nosso estudo é uma jovem, de doze anos, em situação de deficiência
(paralisia cerebral e grave atraso de desenvolvimento psico-motor), desde os
dois meses de idade. Devido a questões de saúde e deslocação, esta jovem
permaneceu até hoje "isolada do mundo", pois nunca foi inscrita
numa escola. Apenas frequenta, duas vezes por semana, um Centro de Apoio
Psicopedagógico. Para alterar esta situação, recolhemos informações de
relatórios médicos e educativos, entrevistámos a mãe, a ama, a professora de
educação especial e observámos a jovem, em diferentes contextos. Entrámos,
também, em contacto com a Directora do Centro, de modo a alargar a permanência
da jovem, e com a Directora da Escola do 1º ciclo para tratar da matrícula. A
análise da informação recolhida fez emergir as áreas prioritárias a intervir: a
autonomia, a comunicação expressiva, a socialização e o desenvolvimento motor.
Definidos os objectivos gerais, foram seleccionadas as sub-áreas a trabalhar:
alimentação, vestuário, relação com adultos e pares, expressão verbal (através
de tabelas de comunicação) e motricidade fina e global. Para verificar os
progressos alcançados, procedeu-se a uma avaliação diária, semanal e mensal.
Deste modo, constatou-se que os objectivos previamente definidos foram
atingidos, dado que a Maria foi matriculada no 1º ciclo do ensino básico,
aumentou a interacção com pares e adultos, progrediu a nível da autonomia,
nomeadamente nas áreas da alimentação e do vestuário, demonstrou um ligeiro
desenvolvimento relativamente às áreas da motricidade global e fina e
desenvolveu a sua comunicação expressiva, na medida em que passou a utilizar
uma tabela de comunicação em contexto familiar e aguarda a aceitação e
utilização da referida tabela em contexto escolar.