Influência da família e amigos no bem-estar e comportamentos de risco: Modelo
explicativo
ABSTRACT
The aim of this study was to analyze the influence of the relationship of
adolescents with parents and friends and the involvement in risk behaviors and
health. The study sample consists of youth who participated in the study HBSC-
Health Behaviour in School - aged Children in 2010 in Portugal. The study
involved the participation of 3,494 young people from the 8th and 10thgrade
with an average age of 14.94, in which 46.4% are boys and 53.6% girls. The
results showed that good communication with parents has a greater protective
effect associated with life satisfaction and adolescent health. Moreover, good
communication with friends arises in connection with a perception of lower life
satisfaction and increased psychological symptoms. Our results reinforce the
importance of communication and positive relationships with parents. Despite
friends emerge as a risk factor, these should not be ignored but observed more
carefully in order to help teenagers develop strategies for greater resistance
to peer pressure and peer group, preventing a negative effect on their health
and well-being.
Keywords- family; peer group; symptoms health; life satisfaction; risk
behaviors.
A adolescência é o período onde surgem maiores oportunidades e desafios
associados à saúde. É um período de transição onde os jovens se encontram mais
suscetíveis à influência do ambiente, que tem um papel muito importante para a
sua saúde. Diversos indicadores de saúde apresentam um pico ao longo da
adolescência, como as taxas de homicídio, as lesões não intencionais, a
condução sob o efeito de álcool ou as infeções sexualmente transmissíveis
(Mulye et al., 2009). Os pares e a família têm um papel essencial para a
promoção da saúde ao longo da adolescência, assim como a perceção que os jovens
têm da sua qualidade de vida e bem-estar subjetivo, a saúde não depende
exclusivamente da prestação de cuidados na doença, a influência dos contextos
pode ser determinante (Gaspar & Matos, 2008).
A prevenção dos comportamentos de risco ao longo da adolescência prende-se
muito com as consequências desses comportamentos ao longo da vida. Por exemplo,
há estudos que concluem que os problemas de comportamento ao longo da infância
e adolescência (especialmente problemas de externalização, como comportamentos
aditivos e violência) podem estar associados à desadaptação social, consumo de
substâncias e conflitos familiares ao longo da idade adulta (Bongers, Koot, Van
der Ende, & Verhulst, 2008).
O grupo de pares representa um fator de risco para o consumo de substância
entre os adolescentes, no entanto a natureza dessa relação ainda não é muito
clara. Por um lado podem servir como modelo e influenciar comportamentos e
atitudes, por outro podem providenciar fácil acesso, encorajamento e contextos
sociais apropriados ao consumo (Glaser, Shelton, & Bree, 2010). No entanto,
a adolescência não é vivida de forma igual entre todos os jovens e é esse fator
que tem feito com que os estudos sobre a adolescência se multipliquem ao longo
dos anos. A prevenção do envolvimento em comportamentos prejudiciais para a
saúde dos adolescentes é o principal objetivo desses estudos. Da mesma forma
que os adolescentes não são iguais, as causas do envolvimento em comportamentos
de risco também são diversas.
Observa-se uma tendência para os jovens passarem mais tempo com os pares do que
com a família, mas a relação dos adolescentes com os pais continua a ter uma
função protetora e a providenciar segurança aos jovens (Hair, Moore, Garrett,
Ling, & Cleveland, 2008). O afastamento da família e aproximação aos pares
pode dever-se não só a necessidade de partilhar experiências e estabelecer
relações sociais fora do seio familiar, mas também com as alterações sofridas
na estrutura familiar e no desenvolvimento do adolescente, em grande parte
devido ao estilo de vida adotado nos grandes centros urbanos, que vem
diminuindo o tempo de convivência entre pais e filhos, abrindo espaço para que
o grupo de pares assuma um papel cada vez mais importante no seu
desenvolvimento. Simultaneamente à necessidade de integração num grupo de
pares, os adolescentes tendem a distanciar-se do controlo parental e de outras
figuras de autoridade (Engels & Bogt, 2001).
O papel dos pais será sempre essencial na vida dos adolescentes, inclusive como
atenuante dos efeitos negativos que a influência dos pares poderá exercer nos
comportamentos dos adolescentes. A boa relação com a família encontra-se também
associada às atitudes positivas em ambiente escolar (Carter, McGee, Taylor,
& Williams, 2007) e poderá ser um fator imprescindível para uma boa relação
com o grupo de pares. Uma relação negativa com os pais e com os pares pode
levar a sentimentos de mal-estar, sentimentos de solidão e a sentimentos de
infelicidade (Corsano, Majorano, & Champretavy, 2006; Tomé, Matos, &
Diniz, 2008 a,b).
Laible e Thompson (2000) verificaram que os adolescentes que afirmavam ter um
relacionamento positivo com os pais e com os pares eram menos agressivos, menos
deprimidos e mais simpáticos do que aqueles que afirmavam ter ambos negativos.
Já Beal, Ausiello e Perrin (2001) observaram que o grupo de pares era o melhor
preditor dos comportamentos de risco para a saúde entre os adolescentes. A
influência dos pais estava associada a diferenças no consumo de álcool,
enquanto os pares influenciavam todos os outros comportamentos de risco para a
saúde, como o consumo de álcool e tabaco, atividade sexual de risco e o consumo
de substâncias.
A influência da amizade na saúde dos adolescentes foi observada por Jellesma,
Rieffe e Terwogt (2008) que conferiram à influência do grupo de pares as
queixas somáticas dos adolescentes. Klima e Repetti (2008) refere que a falta
de suporte de um amigo chegado pode aumentar os sintomas de depressão e baixa
auto estima e que os amigos chegados podem ajudar os adolescentes a reduzir o
stress emocional, sugerindo que o suporte dos amigos pode levar a um bem-estar
geral (Bakker, Ormel, Verhulst, & Oldehinkel, 2010).
O papel essencial que os pares desempenham ao longo da adolescência raramente é
posto em causa pelos autores que o estudam, o que se verifica é uma dualidade
na influência que estes têm nos adolescentes. Por um lado, essa influência é
descrita como facilitadora do envolvimento em comportamentos de risco, como o
consumo de substâncias, comportamentos sexuais de risco, problemas de
comportamento, entre outros (Morton & Chen, 2006; Shook, Vaughn, Litschge,
Kolivoski, & Schelbe, 2009); por outro lado, é reconhecido um papel
primordial na saúde e bem-estar dos mesmos (Tomé, et al., 2006; Schneider,
2000), incluindo os sentimentos de felicidade (Demir, Ozdemir, & Weitekamp,
2007; Demir & Weitekamp, 2007; Tomé, Matos, & Diniz, 2008 a,b),
desenvolvimento de competências específicas (Vaquera & Kao, 2007;
Zimmerman, 2004), prevenção de sentimentos de tristeza, infelicidade e solidão
(Tomé, et al., 2008 a,b), entre outros.
Por outro lado, os pais são o primeiro nível de socialização e se são bons
modelos, definem regras e limites e ao mesmo tempo permitem a autonomia e a
auto expressão do jovem (conexão, regulação e autonomia), que terá em casa
fatores protetores contra comportamentos de risco, que podem mediar as
influências mais negativas provenientes da sociedade, nomeadamente do seu grupo
de pares. Estes devem prestar-lhe apoio emocional, validação, aceitação e
interação, que promove a autodefinição.
O comportamento que o adolescente tem deve-se a um constante balanço de forças
entre fatores de risco e fatores de proteção, cujo resultado pode ou não gerar
conduta disruptiva (Sharaf, Thompson, & Walsh, 2009). Os fatores de risco
estão associados à família (abuso físico, emocional ou sexual, negligência,
dificuldade de comunicação, família disfuncional ou sem estrutura, abuso de
substâncias por parte dos pais, famílias muito grandes e/ou com laços
emocionais fracos entre os seus elementos), à escola (não gostar da escola,
mudar muitas vezes de escola, não se sentir ligado à mesma, desistindo e/ou
tendo resultados baixos), aos pares (seus comportamentos e atitudes, pressão
que exercem sobre si e rejeição social) e à própria comunidade (seu nível
socioeconómico, segregação e bairros sociais). Quando estes elementos não
promovem comportamentos saudáveis nem levam a fatores de proteção que colmatem
estas forças negativas, o adolescente opta por comportamentos desviantes
(Arteaga, Chen, & Reynolds, 2010).
Assim, o presente estudo tem como objetivo analisar a influência da relação dos
adolescentes com os pais e com os amigos no envolvimento em comportamentos de
risco e na sua saúde.
MÉTODO
ParticipantesA amostra utilizada neste estudo é constituída pelos sujeitos
participantes no estudo Português realizado em Portugal Continental em 2010,
parte integrante do estudo Europeu HBSC - Health Behaviour in School-Aged
Children (http://www.hbsc.org; http://www.fmh.utl.pt/aventurasocial; http://
www.aventurasocial.com).
O estudo HBSC iniciou-se em 1982 através de uma equipa de investigadores da
Finlândia, Noruega e Inglaterra e desde 1985/86 é realizado de 4 em 4 anos. O
primeiro estudo português realizou-se em 1998. Ao longo dos anos o estudo foi
crescendo e atualmente conta com a participação de 44 países Europeus e da
América do Norte, em colaboração com a Organização Mundial de Saúde (Roberts et
al., 2007). O estudo tem como objetivo conseguir uma nova e maior compreensão
do comportamento de saúde dos adolescentes, saúde e bem-estar no seu contexto
social, através da recolha de dados que permitam comparações nacionais e
internacionais, de forma a alcançar este objetivo (Roberts et al., 2007).
O estudo Português incluiu alunos dos 6º, 8º e 10º anos do ensino público
regular com média de idades de 14 anos (DP=1,85). A amostra nacional consistiu
em 5 050 estudantes de 256 turmas, de 125 escolas Portuguesas escolhidas
aleatoriamente, da lista do Ministério de Educação, representativa dos
referidos anos de escolaridade e estratificada por regiões de Educação
Regional, em que 52,3% eram raparigas e 47,7% rapazes, e foram distribuídos da
seguinte forma: 30,8% no 6º ano de escolaridade, 31,6% no 8º ano de
escolaridade e 37,6% no 10º ano de escolaridade. A taxa de resposta foi de
89,9% para escolas. Pelo facto de se pretender utilizar a variável que avalia a
monitorização parental e ter sido aplicada apenas aos 8º e 10º anos de
escolaridade, utilizou-se a amostra parcial constituída por 3494 jovens com uma
média de idades de 14,94 (DP=1,30).
Material
Na recolha de dados utilizou-se o questionário HBSC (Health Behaviour in
School-aged Children) 2010, segundo o respetivo protocolo. Entre outros, este
questionário faculta informação sobre os dados demográficos, sobre os
indicadores de bem-estar (qualidade de vida relacionada com a saúde, felicidade
e satisfação com a vida) e sobre a relação com os pares e família (Currie, et
al, 2004). Neste estudo foram utilizadas variáveis associadas à relação dos
adolescentes com a família, amigos, satisfação com a vida, sintomas físicos e
psicológicos, comportamentos de risco (ver quadro_1).
Procedimento
A unidade de análise usada neste estudo foi a turma. Em cada escola as turmas
foram selecionadas aleatoriamente a fim de se encontrar o número requerido de
alunos para cada turma, que era proporcional ao número dos mesmos fornecidos
pelo Ministério da Educação. Os professores administraram os questionários na
sala de aula. A participação dos alunos era anónima e voluntária. O estudo
ocorreu em Janeiro de 2010. Este estudo foi aprovado pelo comité científico, o
comité nacional de ética, e a comissão nacional de proteção de dados.
RESULTADOS
Para analisar o modelo explicativo proposto, utilizou-se o modelo de equações
estruturais (Structural Equations Modeling, SEM), de forma a avaliar a
qualidade de mediação de um conjunto de variáveis. Para esse procedimento
estatístico utilizou-se o programa estatístico EQS, Structural Equation
Modeling Software, versão 6.1.
Antes de se testar o modelo na sua totalidade foi necessário testar o modelo
parcialmente, através de uma análise fatorial confirmatória. Assim para o
modelo proposto testaram-se três modelos de mediação: o modelo de mediação
independente, que testou a relação da qualidade da mediação entre as variáveis
independentes, definido pela relação dos adolescentes com a família, através da
comunicação com os pais, constituído por dois indicadores: comunicação com o
pai e comunicação com a mãe e pela relação com os amigos, através da
comunicação com os amigos, constituído por três indicadores: comunicação com o
melhor amigo, comunicação com os amigos do mesmo género e comunicação com
amigos do género oposto. O modelo de mediação mediador, constituído pelas
variáveis relacionadas com os sintomas psicológicos, constituída por quatro
indicadores: estar triste, estar irritado, estar nervoso e dificuldades em
dormir e a satisfação com a vida, constituída por um indicador: satisfação com
a vida. E o modelo de mediação dependente, que testou a qualidade da mediação
entre as variáveis dependentes, nomeadamente envolvimento em comportamentos de
risco, constituído por três indicadores associados ao consumo de tabaco,
consumo de álcool e consumo de drogas e sintomas físicos, constituído por
quatro indicadores associados às dores de cabeça, dores de costas, tonturas e
dores de estômago.
Análise do modelo explicativo
Na realização do modelo foram eliminados 1 342 sujeitos da amostra. Os
resultados obtidos relativamente à adequação do modelo explicativo proposto
mostraram que este apresentou níveis aceitáveis de adequação (ver quadro_2,
etapa 1). No entanto a análise dos resultados obtidos no Langrange Multiplier
test (LM test), teste que avalia a necessidade de adicionar novos parâmetros ao
modelo (Bentler, 1995), mostrou que a introdução de algumas ligações entre
erros das variáveis fatores, iriam diminuir significativamente o valor do qui-
quadrado. Acrescentou-se nomeadamente uma ligação entre a variável comunicação
com a mãe e comunicação com o pai, entre estar triste e a satisfação com a vida
e entre estar triste e estar irritado. Após acrescentar as ligações descritas
voltou-se a reestimar o modelo (quadro_2 - Etapa 2). Após a introdução
desses parâmetros os resultados revelam melhores níveis de adequação do modelo.
Por fim, analisaram-se os resultados obtidos no Wald test, teste que indica os
parâmetros não significativos do modelo (Bentler, 1995), que não mostrou a
existência de ligações não significativas.
A análise do quadro_2 indica que os procedimentos realizados melhoraram os
índices de ajustamento do modelo estrutural. Observam-se que os índices de
ajustamento são bons e o modelo apresenta boa adequação.
A solução estandardizada obtida (Figura_1) permite verificar que os fatores com
maior impacto ao nível dos sintomas físicos foram os sintomas psicológicos
(β=0,78). Ou seja, os sintomas psicológicos podem aumentar a probabilidade de
surgirem os sintomas físicos. Para o envolvimento em comportamentos de risco o
fator com maior impacto foram os sintomas psicológicos, apesar de a associação
ser fraca, indicando uma tendência para maior envolvimento em comportamentos de
risco quando os sintomas psicológicos aumentam.
Relativamente aos fatores mediadores, para a satisfação com a vida os fatores
com maior impacto foram a comunicação com os pais (β=-0,77), o valor negativo
indica que quanto pior a comunicação com os pais menor é a perceção de
satisfação com a vida dos adolescentes, seguido da comunicação com os amigos
(β=0,20),indicando um sentido oposto da relação anterior, ou seja, quanto
melhor a comunicação com os amigos pior a perceção de satisfação com a vida
entre os adolescentes.Os fatores que surgiram com maior impacto para os
sintomas psicológicos foram a comunicação com os pais (β=0,70) e a comunicação
com os amigos (β=-0,29), revelando o mesmo tipo de relação entre os fatores
referidos anteriormente, ou seja, quanto melhor comunicação com os pais menos
sintomas psicológicos e por outro lado quanto melhor a comunicação com os
amigos mais sintomas psicológicos.
A variância explicada dos fatores, bem como os residuais são apresentados no
quadro_3. Pode-se observar que os sintomas psicológicos e a menor perceção de
satisfação com a vida explicam 59% da variância dos sintomas físicos. Ter
sintomas psicológicos explica 4% da variância do envolvimento em comportamentos
de risco.
Relativamente aos fatores mediadores, verificou-se que a boa comunicação com os
pais e a má comunicação com os amigos, explicam 51% da variância da satisfação
com a vida. E por fim a má comunicação com os pais e a boa comunicação com os
amigos, explicam 41% da variância dos sintomas psicológicos.
No que se refere às correlações entre os fatores independentes verifica-se uma
correlação estatisticamente significativa entre relação com os amigos, e
relação com a família (r=0,41, p<0,05).
DISCUSSÃO
O presente estudo teve como objetivo analisar a influência da relação dos
adolescentes com os pais e com os amigos na saúde e no envolvimento em
comportamentos de risco.
Apesar de ser uma fase caracterizada pela maior proximidade aos pares, os pais
têm um papel primordial ao longo da adolescência. A comunicação e a
monitorização parental são as duas vertentes da relação com os pais que mais
vezes são apontadas como potenciadoras de bem-estar e protetoras do
envolvimento em comportamentos lesivos para a saúde. São diversos os estudos
que indicam a importância da relação positiva com os pais e o seu papel
protetor, através de uma proximidade entre pais e filhos (Ackard, Neumark-
Sztainer, Story, & Perry, 2006; Huebner, & Howell, 2003; Luk, Farhat,
Iannotti, & Simons-Morton, 2010; Sean, 2010).
Por outro lado, a relação dos adolescentes com os amigos é diversas vezes
definida como a maior influência para o envolvimento em comportamentos de
risco, apesar de ser essencial para os adolescentes pertencer a um grupo de
pares (Beal, et al., 2001; Tomé, et al., 2008a,b). O modelo explicativo
apresentado vem reforçar essa tendência. A relação com os pais surge como
variável protetora, associada à satisfação com a vida e à saúde dos
adolescentes.
No entanto, a relação dos adolescentes com os amigos destaca-se pelo seu lado
negativo, associando-se à menor perceção de satisfação com a vida e a mais
sintomas físicos e psicológicos.
Também pode-se observar que os sintomas psicológicos surgem com um papel
mediador entre a relação dos adolescentes com os pais e com os amigos e o
envolvimento em comportamentos de risco. As relações interpessoais têm grande
importância ao longo da vida, especialmente para o bem-estar psicológico dos
adolescentes. Os sentimentos de bem-estar durante a adolescência podem estar
associados a uma boa comunicação com os pais (Camacho, Matos, Simões, Tomé,
& Diniz, 2013), tendência que se verifica no modelo apresentado. Assim, se
a relação com os pais for positiva os sintomas psicológicos serão menos
frequentes e consequentemente o envolvimento em comportamentos de risco será
menor. Esta associação salienta o papel dos pais no bem-estar psicológico e a
sua mediação para o envolvimento em comportamentos de risco.
Por outro lado, a associação negativa entre uma boa relação com os amigos, a
menor perceção de satisfação com a vida e o aumento dos sintomas psicológicos
poderá provir do tipo de amigos que se encontra inserido no grupo de pares.
Tomé, Matos, Simões, Camacho e Diniz (2012), verificaram que o tipo de amigos
com quem os adolescentes se relacionam é uma variável essencial para
compreender a influência que o grupo exerce sobre o adolescente. Os autores
observaram que se os amigos tiverem maior envolvimento em comportamentos de
risco a probabilidade de o adolescente adotar o mesmo tipo de comportamentos é
maior.
Assim, o comportamento que o adolescente tem deve-se a um constante balanço de
forças entre fatores de risco e fatores de proteção, cujo resultado pode ou não
gerar conduta disruptiva (Sharaf, et al., 2009). O papel dos pais parece ser
mais relevante para as variáveis associadas ao bem-estar e à saúde dos
adolescentes (Camacho, Tomé, Matos, Gamito, & Diniz, 2010; Newman,
Harrison, & Dashiff, 2008) já que a comunicação com os pais surge como
fator com maior impacto no bem-estar dos adolescentes, o que supõe que quanto
melhor comunicação com os pais maiores os sentimentos de bem-estar e por sua
vez mais saudáveis serão os adolescentes. O papel dos amigos não deve ser
ignorado, mas analisado com maior atenção de forma a encontrar estratégias que
impeçam uma influência negativa para a saúde e bem-estar dos adolescentes.