Cuidar de si e do outro: estudo sobre os cuidadores de idosos
ABSTRACT
The article presents a qualitative research aimed to identify the main
complains involved in caring for the elderly an how these may be interfering
with the daily routine of caregivers. The data was collected through an
interview with twelve caregivers of elderly people assisted by Family Health
Strategy(FHS), a municipality within the Rio Grande do Sul, conducted through
home visits. It was found that most
Most caregivers are female, informal caregivers, middle-aged or elderly. From
the results it was possible to identify the routine established for the care of
dependent elderly people is made up of conflict, stress, physical and emotional
exhaustion, changes in life plans, social isolation and overwork.
Key- words - caregiver, elderly, FHS.
O envelhecimento populacional acarreta profundas implicações sobre as políticas
sociais e representa um dos maiores desafios da saúde pública contemporânea. O
Brasil vem envelhecendo de forma rápida e intensa e já conta hoje com mais de
14,5 milhões de idosos. Dentre esta população idosa, muitos são dependentes de
cuidados especiais, e em função disso, o número de cuidadores também vem
aumentando consecutivamente. Porém, pouco se conhece do impacto sobre o sistema
de saúde de idosos que estão dependentes e necessitam de um cuidador. Já nos
países desenvolvidos, o cuidador é assimilado como um parceiro da equipe de
saúde, mas aqui no Brasil ele ainda não tem seu papel reconhecido no sistema de
saúde (Neri, 2002).
A constituição brasileira de 1988 afirmou que o suporte ao idoso deve ser
responsabilidade primeiramente da família, da sociedade e finalmente pelo
Estado, preferencialmente em seu domicílio. A relação de cuidado é normalmente
realizada pelas mulheres, sendo as principais cuidadoras na maioria das
sociedades. Estudos como os de Erbolato (2006) mostram que idosos preferem
recorrer primeiro ao sistema de suporte informal (parentes, amigos, vizinhos e
conhecidos) para resolução de problemas... (Areosa, 2010, p.53).
Devido a vários fatores, como por exemplo, a redução do custo da assistência
hospitalar e institucional aos idosos incapacitados, tanto no Brasil como em
outros países, a atual tendência é indicar a permanência dos idosos
incapacitados em suas casas sob os cuidados de sua família ou de outras
pessoas. Além disso, o fato da velhice sem independência e autonomia estar
sendo mantida no âmbito familiar dos domicílios ou nas instituições asilares,
impede qualquer visibilidade e, consequentemente, qualquer preocupação política
de proteção social, esta ainda faz parte de uma face oculta da opinião pública
(Karsch, 2003).
Sendo assim, Rocha (2008) afirma que é primordial que se ofereçam condições de
infra-estrutura e de suporte para que os familiares possam efetivamente exercer
o papel de cuidadores. É necessário que, além de se conhecerem as necessidades
de cuidado da pessoa dependente, também se conheça a situação dessas famílias:
suas demandas, suas crenças, seus valores e suas práticas socioculturais.
Como o nosso sistema de saúde mostra-se precário frente a dados de idosos
dependentes, consequentemente o olhar para os cuidadores de idosos também se
encontra bastante carente de atenção. Devido a esta ausência tanto de dados
como de ações e auxílio para com estas pessoas, a pesquisa teve como objetivo
buscar identificar quais as principais queixas implicadas no cuidado com o
idoso e como estas podem estar interferindo na rotina diária dos cuidadores
assistidos por uma Estratégia de Saúde da Família (ESF), num município do
interior do Rio Grande do Sul. A partir disso, foi possível identificar que
esta rotina constitui-se por situações de conflito, tensões, desgastes físicos
e emocionais, alterações de planos de vida, isolamento social e a sobrecarga de
trabalho.
Portanto, nesta pesquisa procurou-se analisar e dar visibilidade a realidade
enfrentada pelos cuidadores de idosos, buscando parcerias com os demais
profissionais da área da saúde, com o propósito de criar estratégias para
futuras intervenções que auxiliarão o cuidador e consequentemente o idoso
cuidado.
As faces do cuidado
O cuidador pode ser considerado aquela pessoa que dedica a tarefa de cuidar de
um idoso, seja ela membro da família que, voluntariamente ou não, assume essa
atividade, seja pessoa contratada pela família. O cuidador acaba servindo como
ego auxiliar e como função do idoso (Zimermann, 2000). Quando fala-se em
cuidador é quase impossível destrinçá-lo daquele que é o alvo do cuidado. Os
dois elementos desta relação interagem e inter-influenciam-se entre si, sendo
ainda influenciados por sistemas mais abrangentes (Oliveira, Queirós, &
Guerra, 2007, p.189).
Segundo Santos (2003), independente do lugar, a família é a principal fonte de
apoio e de cuidado ao idoso. Por mais que, muitas vezes, o cuidado dispensado
pelos membros da família não seja o mais adequado tecnicamente, mas têm fortes
expressões simbólicas, devido aos vínculos afetivos.
Conforme literatura gerontológica, na grande maioria dos países ocidentais, a
mulher que acaba desempenhando a tarefa de cuidar. Devido a questões de
atribuições de papéis, a mulher ainda continua com esta tarefa de cuidar,
cuidar dos filhos, cuidar da casa, do marido, de doentes. Outro fator essencial
na escolha de um cuidador e bem característico das mulheres é o apego
emocional, tanto para quem cuida como para quem está sendo cuidado (Neri,
2002). Além disso, em muitos casos quem assume o papel de cuidador é a cônjuge
que também é uma pessoa idosa e que já apresenta certos problemas de saúde,
sendo assim, pessoas idosas estão cuidando de idosos.
No momento em que a mulher assume seu papel de cuidadora, acaba diminuindo as
suas atividades de lazer e de oportunidades para a vida social. Porém, quando
esta mulher não quer assumir este papel, torna-se alvo de pressão social e
familiar, resultando conflitos familiares e consequentemente ela acaba criando
sentimentos de culpa. Sendo assim, este cuidado acaba cumprindo normas
socioculturais fundamentais à continuidade da sociedade, ou seja, a necessidade
de atender certas normas relativas ao dever de manter, proteger e ajudar o
idoso.
O cuidador familiar de idosos incapacitados precisa receber orientações de como
proceder durante os processos de um cuidado, e receber em casa periódicas
visitas de profissionais, médico, pessoal de enfermagem, de fisioterapia,
psicologia e outras modalidades de supervisão e capacitação. Esta orientação
serve de apoio e é de fundamental importância, principalmente quando se trata
de um casal de idosos, em que, conforme já citado acima, o cônjuge menos lesado
assume os cuidados do outro, que foi acometido por uma súbita e grave doença
incapacitante (Karsch, 2003).
Porém, cotidianamente os profissionais de saúde que atuam em Estratégias de
Saúde da Família (ESF) e realizam visitas domiciliares, principalmente Agentes
Comunitárias de Saúde, se deparam com idosos que necessitam de cuidados
domiciliares e com cuidadores familiares de idosos que também necessitam de
cuidados. O que se depreende desses cenários é uma carência de suporte e uma
falta de estrutura mais eficaz, que proporcione a esses cuidadores familiares
melhores capacidades para prestar um cuidado efetivo ao idoso (Martins et al.,
2007).
Na maioria dos casos de pessoas idosas dependentes, a demanda por cuidados é
assumida pela família e, em consequência, a necessidade frequente de se
recorrer à assistência social e de saúde para apoio aos familiares. O Sistema
Público de Saúde do Brasil, entretanto, ainda não fornece o suporte adequado ao
idoso que adoece nem à família que dele cuida (Rocha, 2008).
O modelo da atenção domiciliar é um modelo assistencial que conforme Fernandes
e Fragoso (2005), é capaz de resolver ou de minimizar os problemas de saúde do
idoso, isso se dá no local onde ocorrem as principais relações pessoais e
sociais do mesmo, o que acaba por influenciar seu estado de saúde. ... este
tipo de cuidado é importante na redução das perdas do idoso produzidas pelo
envelhecimento; diminuindo a possibilidade de hospitalização do idoso num
estágio avançado da doença, o que aumenta os custos econômicos, além de
favorecer a humanização do cuidado (Areosa, 2010, p.55).
A atenção domiciliar surge como modelagem de atenção especialmente para idosos
com doenças incapacitantes, dependentes do apoio de cuidadores. Essa modalidade
de atenção é tão antiga quanto os agrupamentos sociais, mas tem se tornado mais
visível com o envelhecimento da população e a reconfiguração do domicílio como
lócus do cuidado.
Os cuidadores, profissionais ou não, realizam as mais variadas tarefas,
cuidando e restabelecendo a qualidade de vida do idoso.Cuidador formal é o
profissional de saúde que assume esta atividade como uma profissão, e para a
qual teve uma formação acadêmica (Oliveira, et al., 2007). Os cuidadores
formais prestam cuidados no domicílio com remuneração e com poder decisório
reduzido, cumprindo tarefas delegadas pela família ou pelos profissionais de
saúde que orientam o cuidado. São profissionais capacitados para o cuidado,
contribuindo de forma significativa para a saúde das pessoas cuidadas. Esses
cuidadores têm, em geral, formação de auxiliar ou técnico de enfermagem, com
formação orientada para o cuidado em saúde dos portadores de patologia física
ou mental, em função do atendimento de necessidades específicas.
Os cuidadores informais são os familiares, amigos, vizinhos, membros de grupos
religiosos e outras pessoas da comunidade. São voluntários que se dispõem, sem
formação profissional específica, a cuidar de idosos, sendo que a
disponibilidade e a boa vontade são fatores preponderantes (Rocha, 2008). O
conhecimento do perfil dos cuidadores e de suas dificuldades no processo de
cuidar permite, aos profissionais da saúde, planejar e implantar políticas e
programas públicos de suporte social à família, voltados à realidade do
cuidador. Isso porque o cuidador está em condições de sobrecarga de trabalho, o
que contribui para o adoecer e para o desenvolvimento de situações de conflito
entre o cuidador e o idoso dependente (Rocha, 2008).
No Brasil, existe uma carência nos apoios informais e formais para o cuidador
que acaba ficando mais exposto a doenças, estados emocionais negativos e
desorganização de sua vida, consequentemente o idoso também sofre, pois, fica
sujeito a cuidados inadequados e insuficientes e, no limite, a abandono e maus-
tratos.
Conforme alguns analistas é reducionista a posição tomada por autores em estar
associando diretamente as demandas e as dificuldades objetivas associadas ao
cuidado, a prejuízos à saúde dos cuidadores. Já é bem aceito pelos
pesquisadores que as questões subjetivas são influenciadas pelo contexto
cultural, pelas crenças, prioridades e valores do cuidador (Neri, 2002)
Através da pesquisa foi possível dar-se conta que há várias consequências
possíveis no papel de cuidar, e estas se caracterizam tanto de forma negativa
como positiva. Sendo assim, é relevante tornar claro que o cuidado a idosos
acontece num cenário onde se fazem presentes relações de dar e receber que
excedem os limites da velhice.
Para Neri (2002), as principais dificuldades inerentes às tarefas do cuidar de
idosos com alta dependência, tanto físicas como cognitivas são:- A tarefa de
cuidar desenvolvida por apenas uma pessoa, ou apenas um membro da família, sem
ajuda e reconhecimento dos outros; - Tarefas que causam ônus físico e
financeiro, que podem se agravar com a evolução da doença; - Falta de
informações para exercer a tarefa de cuidar, pois existem poucos recursos
sociais de apoio como também, poucas pessoas especializadas para dar suporte;-
Poucas fontes de apoio emocional; - O trabalho de cuidar rivaliza com o
trabalho profissional; - Rivaliza o papel familiar desempenhado anteriormente
pelos cuidadores; - A dinâmica cuidar-ser cuidado pode fazer aflorar
sentimentos negativos antigos que estavam guardados e a situação pode ficar de
difícil manejo.
A maioria das pesquisas destaca mais efeitos negativos sobre o cuidador:
doenças psiquiátricas, utilização maior do que usual de drogas psicotrópicas,
mais doenças somáticas, pior saúde percebida, isolamento social, estresse
pessoal e familiar, e sentimentos de ter que cumprir uma obrigação
exageradamente pesada e causadora de tensão (Neri, 2002).
Entre a população cuidadora e a não cuidadora, destacam-se por parte de quem
cuida mais sintomas depressivos, depressão clínica e ansiedades atribuídas ao
cuidado, principalmente no caso de mulheres. Os homens, diferente das mulheres
que gastam bem mais tempo e se envolvem mais na tarefa de cuidar, procuram
ajuda informal, engajam-se em comportamentos mais preventivos e distanciam-se
do papel (Neri, 2002).
Segundo uma pesquisa realizada por Caldas (2003) as mulheres cuidadoras também
demonstraram preocupação por não estarem cuidando adequadamente de sua própria
saúde e relataram dificuldades em estar conciliando suas atividades como
cuidadoras e o autocuidado. Esta dificuldade de autocuidado se dava
principalmente em função da falta de apoio familiar e de redes de suporte
social e de saúde. Sendo assim, pode se dizer que a sobrecarga física,
emocional e sócio-econômica do cuidado de um familiar é imensa.
É importante não esperar que os cuidados sejam entendidos e executados
corretamente sem que os responsáveis pelo paciente sejam orientados. Seria
fundamental que profissionais de saúde treinassem o cuidador e supervisionassem
a execução das atividades assistenciais necessárias ao cotidiano do idoso até
que a família se sentisse segura para assumi-las. A família deve ser preparada
também para lidar com os sentimentos de culpa, frustração, raiva, depressão e
outros sentimentos que acompanham essa responsabilidade (Caldas, 2003).
Além dos aspectos negativos citados até então, é importante ressaltar a
existência de aspectos positivos no ato de cuidar. Um dos aspectos positivos
também considerados por algumas famílias mais pobres, através de estudos sobre
transferências intergeracionais de Camarano (2002) baseado em dados do
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), tem mostrado que, os idosos
contribuem com o seu rendimento da aposentadoria para o orçamento domiciliar.
Essa contribuição tem papel importante nas estratégias de sobrevivência do
grupo doméstico. Porém, mesmo sabendo da existência de efeitos positivos na
vida do cuidador, poucos dados se têm sobre este assunto, pois é uma área de
estudo ainda incipiente e que oferece muito menos informação do que a pesquisa
sobre os efeitos negativos.
Uma das estratégias eficientes que podemos pontuar é a Estratégia da Saúde da
Família para fazer face a este desafio, mas seria necessário que a questão do
cuidado ao idoso dependente fosse oficialmente incorporada na saúde pública, de
forma específica, incluindo previsão de financiamento das ações e
estabelecimento de uma rede de suporte institucional. Já o cuidador informal
deveria ser visto como um agente de saúde e receber orientações direcionadas
para prestar um cuidado adequado ao idoso, incluindo medidas preventivas para
evitar a dependência precoce e específica sobre os cuidados com o idoso
dependente que envelhece na comunidade (Karsch, 2003).
Portanto, pode se inferir que o cuidador e o idoso cuidado estão a exigir novas
formas de assistência e novos enfoques por parte das políticas públicas de
saúde. Além do que, o próprio envelhecimento da população brasileira está se
dando num momento de profunda desordem econômica, deixando, com certeza, a
população de baixa renda mais desamparada e carente, demandando posturas de
apoio compensatório a essa realidade. Devido a esta situação social, configura-
se um severo e crítico quadro de exclusão social do idoso, tanto mais grave,
quando esse idoso perder a sua capacidade funcional (Karsch, 2003).
MÉTODO
Participantes
Foram entrevistados dois cuidadores, moradores de cada uma das seis micro áreas
dos bairros assistidos pela Estratégia Saúde da Família (ESF), totalizando doze
cuidadores. A nossa amostra de cuidadores é do sexo feminino, ou seja, todas
sendo mulheres responsáveis pelo cuidado do idoso. A maior parte corresponde a
cuidadoras familiares, dentre elas, três são esposas, três são filhas, uma é
neta e uma é nora. Portanto, esta amostra se compôs por 67% de cuidadoras com
um grau de parentesco com o idoso (cuidadoras informais) e 33% correspondem a
cuidadoras sem parentesco nenhum (cuidadoras formais), recebem remuneração pelo
cuidado, porém, não são profissionais capacitados para o cuidado. Referente à
faixa etária das cuidadoras, 16% delas são adolescentes (15 anos e 17 anos),
42% são cuidadoras adultas (de 43 a 56 anos) e 42% são cuidadoras idosas (60 a
75 anos). Em relação a amostra dos idosos corresponde a 58% do sexo feminino e
42% do sexo masculino, todos dependentes.
Material
Como instrumento de coleta de dados foram utilizadas entrevistas semi-
estruturadas dirigidas pelos alunos pesquisadores e gravadas por estes durante
visitas às residências, juntamente com a Agente Comunitária de Saúde
responsável pela micro-área, porém, esta não permanecia no local enquanto era
realizada a pesquisa.
Procedimento
A metodologia de pesquisa usada foi a qualitativa, e permitiu o estabelecimento
de vínculos com os sujeitos pesquisados, o que facilitou um estudo mais
detalhado do assunto, exigindo dos pesquisadores uma observação detalhada e
apurada para a facilitação do processo de coleta e análise de dados. A fim de
alcançar os resultados que foram propostos através dessa pesquisa, foram
realizados os seguintes procedimentos: realização de um levantamento do número
total de cuidadores de idosos, através da ESF, nas seis micro-áreas existentes,
juntamente com as Agentes Comunitárias de Saúde (ACS), com auxílio dos
prontuários. Após este levantamento, foi realizado um sorteio de dois
cuidadores por cada micro-área, totalizando doze pessoas a serem pesquisadas.
A partir do material coletado, foi feita a análise dos dados e das categorias
emergentes. A metodologia utilizada para análise de dados foi a análise de
conteúdo de Bardin (2004), cujo objetivo é compreender o sentido das
comunicações e suas significações explícitas e/ou ocultas. Seu procedimento
visa ainda obter a sistematização e descrição dos conteúdos das mensagens, os
quais permitem a inferência de conhecimentos.
Foram observados todos os aspectos éticos conforme direcionamento do CONEP de
acordo com a resolução nacional nº196/96, tendo a pesquisa sido aprovada pelo
Comitê de ética em pesquisa da Universidade de Santa Cruz do Sul/UNISC sob o
protocolo nº 2462/09.
RESULTADOS
Das cinco idosas cuidadoras, duas realizam este cuidado para receber um
salário, duas são esposas e uma é nora. Desta forma, destaca-se que grande
parte da amostra cuidadora também já é idosa, ou seja, idosa cuidando de outro
(a) idoso (a). Observa-se, portanto, que as cuidadoras são na sua maioria de
meia-idade ou idosas, porque existe uma norma social implícita segundo a qual
cabe aos filhos e aos cônjuges cuidar dos idosos.
A partir da análise dos resultados emergiram categorias que serão discutidas a
seguir: as queixas das cuidadoras frente ao cuidado com o idoso que se refere
às principais dificuldades encontradas nas tarefas do cuidar; os sentimentos
implicados no cuidado, ou seja, o que as cuidadoras sentem quando estão
realizando as práticas de um cuidado; o olhar que elas têm para si, já que
estão cuidando do outro, quais as possibilidades de cuidar de si própria; as
doenças desenvolvidas pelas cuidadoras após iniciarem o cuidado de um idoso; o
uso de medicamentos para identificar se as cuidadoras estão necessitando tomar
algum medicamento depois que iniciaram o cuidado; qual o conhecimento e preparo
que as cuidadoras têm para cuidar do idoso; as diferenças observadas nos
relatos das cuidadoras informais e das cuidadoras formais.
Referente à categoria queixas, dentre as maiores encontradas no cuidado com o
idoso, destaca-se que a maioria da amostra traz na sua resposta relatos que se
referem aos esforços físicos necessários para realizar o cuidado, como por
exemplo: dar banho, levar ao banheiro, tirar da cama, levar para outro lugar da
casa, que consequentemente geram dores musculares, dores nas costas, etc. Pelo
fato de todos os idosos da amostra apresentarem dificuldades em caminhar ou
estarem acamados, consequentemente exigem das cuidadoras maiores esforços
físicos. Além disso, percebeu-se que pelo fato de muitas cuidadoras estarem
durante o dia cuidando sozinhas dos idosos, obrigam-se a realizar esforços
físicos para auxiliar os idosos nas suas necessidades.
... Também, outra coisa é a dor nas costas né, muitas vezes eu coloco ela
sozinha na cadeira, minha nora ta grávida agora, daí complica mais ainda e
então minha pequena que ajuda. Volte e meia dá essa dor, acho que é faze muita
força sozinha. O Dr. sempre diz, aí ele me dá o remédio, a dor nas costas é o
problema que dá, né. É tipo de dor muscular, é que a gente faz esforço
demais... (Cuidadora informal).
Olha, o mais difícil às vezes é dá banho, esse é o pior, mas eu pego ela, boto
numa cadeira...Daí eu levanto ela e não sento mais ela porque é difícil senta
ela e levanta... (Cuidadora formal).
Além disso, a segunda maior queixa é o comportamento do idoso, como a teimosia,
o mau humor, o reclamar de tudo.
A teimosia dela. É muito teimosa, não tem como a gente conversar, porque ela
rebate contra mim sabe, e assim fica difícil pra mim, e pra ela. Que é muito
difícil, muito complicado (Cuidadora informal).
É que ela reclama muito, assim, pra ela não tá nada bom, sabe, reclama
bastante (Cuidadora informal).
Portanto, por mais que alguns idosos não aceitem a sua dependência, existem
outros que acabam tornando-se totalmente dependentes da cuidadora, não
aceitando cuidados de outras pessoas e também não se esforçando para fazer
algumas atividades consideradas possíveis para eles, gerando a acomodação. Esta
grande dependência do idoso acaba interferindo muito na rotina de vida da
cuidadora, gerando uma sobrecarga e consequentemente um isolamento social, o
que na nossa amostra apontou principalmente para as cuidadoras informais.
Além das queixas citadas acima, foram citadas também os altos gastos na compra
de fraldas e dietas, preocupações em deixar o idoso sozinho em casa, já que não
tem ninguém para ajudar a cuidar durante o dia, lavar muita roupa, já que a
idosa não aceita usar fraldas, descomprometimento de alguns familiares no
auxílio pelo cuidado com o idoso.
Ah, o que é mais difícil é a lavação de roupa, né, ela é teimosa, não quer
usar fralda, nem nada. Não quer nem um plástico no colchão, já imaginou? Faz
xixi direto... (Cuidadora informal).
... Aí a dificuldade é o dinheiro que fora a dieta dela tem água, luz e
comida... (Cuidadora informal).
... A única preocupação é quando eu tenho que sair, porque daí ele fica
sozinho... (Cuidadora informal).
Já quanto a desresponsabilização de outros familiares na atenção ao idoso
citado acima, evidenciou-se em algumas cuidadoras familiares certa revolta, por
sentirem-se obrigadas a cuidar. Acredita-se que estes sentimentos estão
diretamente implicados nas práticas do cuidar e acabam interferindo na
qualidade do mesmo. Por isso, também se considera que o cuidador formal pode
ser mais indicado nestas situações.
Ao analisarmos os sentimentos implicados no cuidado com o idoso, a maioria das
cuidadoras teve dificuldade para nomear um sentimento ou falar sobre este
assunto. Porém, no decorrer dos seus relatos descreveram sentir stress,
obrigação de cuidar, cansaço, esforço, pena, amor, adoração e afeto. Destes
sentimentos citados como: pena, amor, adoração e afeto se destacaram mais nas
cuidadoras formais e os sentimentos de obrigação, cansaço, esforço e stress se
destacaram mais nas informais.
É. A gente faz por obrigação no caso, né, porque tem que ter alguém pra
cuidar, né. (Cuidadora informal).
Às vezes eu me pergunto por que a gente tem que passar por isso né, sei lá,
não sei (Cuidadora informal).
... Eu gosto de fazer isso, as pessoas se apegam em mim. Eu tenho amor naquilo
que faço... ( Cuidadora formal).
... tem dias que eu tô bem cansada, sabe assim. Mas nem por isso eu deixo de
atender ela bem, e gostar dela, e ela tem uma loucura por mim ( Cuidadora
formal).
No que se refere a ter um olhar para si, é através da divisão das tarefas no
cuidado com o idoso que grande maioria das cuidadoras recorre a algum familiar
para solicitar ajuda, tanto nos finais de semana ou à noite; assim 67% das
cuidadoras conseguem ter um cuidado e um olhar para si, inclusive tendo uma
preocupação consigo mesmo, já que precisa cuidar do outro. Este olhar para si
foi interpretado muito mais pelas cuidadoras num sentido onde o seu cuidado se
focava mais nas questões fisiológicas do que psicológicas, deixando de lado
questões emocionais e priorizando o corpo. Portanto, o olhar para si remeteu-se
muito mais para um cuidado que lhe dê condições físicas necessárias para
atender ao idoso, do que pensando no seu bem-estar.
... eu me cuido para mim estar bem, porque eu tenho que cuidar dela (da idosa)
e da pequena, né.(Cuidadora informal).
Eu cuido dos outros cuidando de mim, porque na hora que tu pega uma pessoa, tu
tem que prepara o teu corpo, né. Porque se tu não se cuida, não prepara o
corpo, fica pior que a pessoa doente (Cuidadora formal).
... Tu tem que pensa em ti, pensa em si e pensa no próximo também(Cuidadora
formal).
Na análise das respostas frente às doenças desenvolvidas pelas
cuidadoras,agrande maioria (67%) traz nos seus relatos questões referentes ao
stress devido à função da tarefa de cuidar. Novamente, dentre a amostra citada,
o stress ficou nitidamente mais marcado nas falas das cuidadoras informais, o
que pode se dar por vários motivos, inclusive alguns já discutidos acima:
sobrecarga de tarefas, isolamento social, obrigação de cuidar,
descomprometimento dos demais familiares, comportamento do idoso, altos gastos,
a enfermidade do idoso, na qual a cuidadora pode estar sofrendo ao presenciar
constantemente seu familiar com problemas de saúde.
É... às vezes a gente se estressa um pouco, mas passa(Cuidadora formal).
... Eu não sei se é muito stress o que é que é...eu tenho assim...tenho
zoeira, barulho na cabeça de noite, eu não consigo quase dormir. De manhã eu
não vejo a hora de clarear o dia pra poder me levantar (Cuidadora informal).
... só cansaço, né, stress, alguma coisa assim, mais irritada (Cuidadora
informal).
Quanto à categoria medicamentos, das cuidadoras acima citadas, a metade delas
toma ou já tomou um medicamento antidepressivo. Observa-se que além dos
medicamentos antidepressivos, também foram citados medicamentos para dor
muscular, tireóide, diabete e colesterol. Portanto, acredita-se que o uso de
medicamentos, principalmente os antidepressivos, esteja ligado diretamente pelo
excessivo desgaste físico e emocional sofrido pelas cuidadoras.
Eu tomo Puran, para tireóide e fluoxetina, já tomo bem mais tempo (Cuidadora
informal).
O doutor me deu aquele, fluoxetina, pra stress ,né (Cuidadora informal).
Referente à categoria conhecimento da doença do idoso, evidenciou'se que um
quarto das cuidadoras não sabiam ao certo qual doença o idoso apresentava,
sendo duas delas cuidadoras formais. Em contraponto, a grande maioria das
cuidadoras consideram-se preparadas para realizar o cuidado. Das doenças
citadas destaca-se o acidente vascular cerebral (AVC) com um total de 33% e o
Mal de Alzheimer com 17% e as demais doenças citadas são: problema no coração,
diabetes, pressão alta, osteoporose, reumatismo, tireóide, úlcera varicosa,
infecção pulmonar, problema nas pernas, problema de nervos, nas palavras
das cuidadoras.
Ela tem dor nas juntas, acho que é osteoporose e úlcera varicosa na perna. Já
faz muitos anos, trinta e poucos anos ela tem... (Cuidadora informal).
Ele só toma uns remédios, sei lá (Cuidadora formal).
DISCUSSÃO
Segundo Oliveira et al. (2006), por determinação social a mulher é entendida
como a primeira responsável pelo cuidado tanto a idosos como crianças. De fato,
na maioria dos casos a responsabilidade pelo cuidado direto é assumida pela
família do dependente. Quando o idoso é o cônjuge, entram em jogo normas de
solidariedade devido a membros da mesma geração e à pessoa que participou do
projeto pessoal e familiar do cuidador.
Acredita-se que para o idoso torna-se muito difícil aceitar a sua dependência,
ou até mesmo, a sua rotina diária que é muito limitada e que reflete
diretamente no relacionamento com o cuidador. Para tanto, as principais
dificuldades encontradas ao lidar com o idoso, refere-se ao enfrentamento da
teimosia e de sua resistência em seguir as orientações, isto deixa o cuidador
freqüentemente abalado emocionalmente, psíquicamente e fisicamente. A maneira
negativa como o idoso trata o cuidador pode revelar a não-aceitação da relação
de dependência (Rocha, 2008).
Para tanto, Neri (2002) traz que independente de como forem às faces do cuidar,
a progressão da incapacidade, a instalação súbita ou gradual da dependência, o
prognóstico da moléstia do idoso e os recursos de que a cuidadora dispõe para
desenvolver suas tarefas, é certo que elas oneram a sua resistência física e
psicológica p. 137. A tarefa do cuidar se caracteriza por pressões e efeitos
negativos, gerando distúrbios na vida pessoal e social, na saúde, nas finanças,
e no bem estar físico e emocional, determinantes do estresse em cuidadores.
Pontua-se novamente uma diferença importante na fala das cuidadoras formais
para as informais, destacando-se que estas últimas apresentaram na pesquisa as
dificuldades enfrentadas por ter que viver em função de outra pessoa, tanto
durante o dia como inclusive à noite. Além disso, o fato de sentir dificuldades
de falar sobre sentimentos acaba nos remetendo a pensar como estas cuidadoras
podem estar sentindo-se culpadas por estes sentimentos ou até mesmo não se
permitirem esse sentimento.
A percepção do cuidador de estar se sacrificando gera um sentimento de estar
cumprindo com sua obrigação, o que torna o cuidado gratificante. Cuidar do seu
idoso fragilizado como missão proporciona sentimentos de gratidão, de
reciprocidade e comprometimento entre as gerações. Para Rocha (2008), ter
cuidado com alguém ou alguma coisa é um sentimento inerente ao ser humano, ou
seja, é natural da espécie humana, pois faz parte da luta pela sobrevivência e
também do cotidiano dos cuidadores de idosos.
A necessidade de cuidado do outro é mais evidenciada na dependência das pessoas
para o atendimento de suas necessidades humanas básicas, porém, o cuidado de si
possibilita o viver a autonomia do ser/estar e sobreviver (Souza et al., 2005)
. O estudo realizado por Santos (2003) também comprova que na prática do
cuidado nem sempre existe uma divisão tão rígida entre as funções dos
cuidadores, pois existe o envolvimento de outros atores do grupo doméstico ou
até outras pessoas que não possuíam nenhum parentesco, portanto, o cuidado não
se esgota em uma pessoa.
Outro dado observado e importante a ser pontuado é que as cuidadoras formais
que não tem nenhum grau de parentesco com o idoso e que recebem remuneração
pelo cuidado não apresentaram uso de nenhum medicamento durante todo este tempo
que ocupam esta função, e mostraram-se mais compreensíveis com a situação do
idoso. Por mais que duas delas apresentassem certas queixas quanto aos esforços
físicos, e também por ficarem um pouco estressadas, percebeu-se que seus
discursos diferem do cuidador familiar. O fato de o cuidado ser considerado um
trabalho, torna-se uma fonte de renda para esta cuidadora, diferindo-se,
portanto, da cuidadora familiar que cuida por obrigação ou sofre pela situação
de dependência do idoso.
Segundo Karsch (2003) quando se afirma que os cuidados aos idosos dependentes
devem ser feitos em casa, como uma recomendação importante por parte dos
profissionais de saúde, isto muitas vezes pode ser um julgamento precipitado.
Portanto, delegar à família a função de cuidar necessita de clareza sobre a
estrutura familiar, o tipo de cuidado a ser executado, o tempo necessário, as
características da doença e o acompanhamento profissional. Porém, põem-se em
questão as conseqüências geradas tanto para o cuidador informal e para o idoso
cuidado. Pelo que se observou na pesquisa, por mais que o domicílio do idoso
seja o local mais indicado para o cuidado, problematiza-se se o cuidador
informal está preparado para prestar este cuidado e, além disso, pelo fato do
cuidador ser um familiar, geralmente acaba estando mais tempo em contato com
este cuidado, tornando-se uma sobrecarga. Segundo Stuart-Hamilton (2002),
existe muitas evidências de que cuidar de um parente demenciado geralmente
resulta níveis significativos mais altos de depressão, estresse e outras
doenças afins.
Ressalta-se que por mais que as cuidadoras consideram-se preparadas para
prestar o cuidado ao idoso, percebeu-se na pesquisa que elas não tinham nenhum
preparo técnico para cuidar do idoso, e sim, foram ao longo do tempo aprendendo
as maneiras mais adequadas para cuidar. Além disso, apontou-se acima um
desconhecimento sobre as doenças dos idosos ou mesmo falta de clareza sobre a
doença e medicamentos. Portanto, acredita-se na necessidade das cuidadoras
receberem orientações de como proceder nas situações mais difíceis, e receber
visitas de profissionais da área da saúde para uma supervisão e capacitação
para o cuidado tanto com o idoso, como com o seu próprio cuidado.
Salienta-se a importância do trabalho de acompanhamento da agente Comunitária
de Saúde e de toda equipe do ESF a este usuário idoso e dependente, mas também
ao seu cuidador. Porém, ressalta-se que nem o sistema de saúde, nem público ou
privado, estão preparados para atender nem a demanda de idosos que cresce a
cada dia, nem a de seus familiares (Caldas, 2003). Necessita-se, portanto
delinear uma política que envolva todos os setores da sociedade, e não apenas o
governo, e o estabelecimento de programas que atendam os idosos independentes,
a fim de prevenir a dependência e, assistir aos cuidadores tanto para auxiliar
no cuidado com o idoso dependente como em seu próprio cuidado.
Para isso, sugerimos que seja incluso de forma específica na Estratégia Saúde
da Família a questão do cuidado ao idoso dependente, incluindo previsão de
financiamento das ações e estabelecimento de uma rede de suporte institucional.
Desta forma, o cuidador informal poderia e deveria ser visto como um agente de
saúde e receber orientações direcionadas para prestar um cuidado adequado ao
idoso (Caldas, 2003). Além disso, criar espaços de sociabilidade, onde os
cuidadores possam construir práticas para uma possível organização e
planejamento das atividades cotidianas, dispondo de momentos para a auto-
reflexão, aprendizagem, lazer e discussões acerca das dificuldades decorrentes
do processo de cuidar, valorizando o potencial coletivo e a convivência na
grupalidade. Podendo ainda, compartilhar seus sentimentos, emoções e concepções
macro e microssociais nestes grupos.
Assim concluímos que o processo do cuidar do idoso no grupo pesquisado
interfere nas atividades cotidianas, no comportamento e na vida dos cuidadores
de idosos dependentes. Neste sentido, torna-se pertinente discutir questões
articuladas à maneira como os cuidadores vivem e o desenvolvimento das suas
vidas fora dos cuidados, na perspectiva de se desenvolver políticas sociais de
suporte aos cuidadores, no intuito destes indivíduos terem a possibilidade de
alcançar equilíbrio entre as exigências do cuidar e as necessidades, tanto
fisiológicas quanto psicológicas na perspectiva de vida saudável e com
qualidade. E assim uma limitação deste estudo foi não analisar as questões
sócio-econômicas destes cuidadores.
É fundamental para a atenção ao idoso que os seus familiares sejam vistos como
pessoas que possuem necessidades próprias e precisam ser ajudadas para que
consigam executar sua tarefa de cuidadores na circunstância de adoecimento
crônico que impossibilita ao idoso efetivar suas atividades de vida diária.
Sendo assim, a pesquisa nos traz uma problematização a respeito do cuidador
informal e formal. Importante ressaltar que o cuidador informal geralmente
acaba ficando mais tempo cuidando do idoso, por residir no mesmo local, gerando
um excesso de atividades, uma sobrecarga. Outra questão importante é que pelo
fato do idoso ser da família, o cuidador pode sofrer por se deparar com a
dependência e a situação deste idoso. Além disso, o cuidador familiar, muitas
vezes não tem escolha e sente-se na obrigação de cuidar, como também, podem
existir as dificuldades financeiras que precisam ser enfrentadas devido aos
gastos com o idoso. Portanto, as preocupações destes cuidadores acabam sendo
maiores do que dos cuidadores formais que cuidam para receber um salário e
geralmente se deslocam para suas casas no final de seu expediente.
Portanto cabe nos perguntar, até que ponto é mais indicado este cuidado ser de
competência de um familiar? Porém, sabe-se que a maioria das situações se
configura desta forma pelo fato de não existirem condições financeiras por
parte da família para contratar um cuidador formal ou por sentirem-se obrigadas
a exercer o cuidado em função de a pessoa dependente ser um membro da família.
Para tanto, aponta-se a necessidade e urgência da criação de políticas públicas
de saúde que englobem este público, tanto os idosos como os cuidadores, pois a
dependência de um familiar idoso gera impacto na dinâmica, na economia familiar
e na saúde dos membros da família que se ocupam dos cuidados.