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Representação em texto

EuPTHUHu1645-00862012000200019

variedadeEu
ano2012
fonteScielo

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Traços psicopáticos e perturbação do comportamento em adolescentes institucionalizados

Apesar de muitos jovens se envolverem esporadicamente em atos transgressivos e criminais, apenas uma pequena minoria comete criminalidade grave e violenta de forma persistente. Todavia, esta pequena minoria é responsável por uma maioria dos crimes cometidos por jovens (e.g., Loeber & Farrington, 2001; Office of Juvenile Justice and Delinquency Prevention, 1995), o que faz aumentar substancialmente a importância de se proceder à sua investigação (Pechorro et al., 2012). Até recentemente, o estudo da psicopatia em crianças, adolescentes e mulheres era tema praticamente ignorado por psicólogos e psiquiatras (Verona & Vitale, 2006). Todavia, os investigadores que trabalham na área têm vindo a modificar o constructo da psicopatia em homens adultos de forma a adaptá-lo e a desenvolver instrumentos de avaliação apropriados a outras populações.

Todavia, a adaptação do constructo da psicopatia a menores de idade permanece bastante controversa (Seagrave & Grisso, 2002).

A investigação efetuada sobre a presença relativa de psicopatia e das dimensões que a constituem em rapazes e raparigas não tem proporcionado resultados consistentes dado que alguns investigadores defendem a presença de tendências psicopáticas mais elevadas em rapazes do que em raparigas enquanto outros investigadores defendem exatamente o oposto. Além disso alguns estudos reportam diferenças apenas em certas dimensões da psicopatia enquanto outros não detetam qualquer diferença (Verona, Sadeh, & Javdani, 2010). De seguida iremos rever alguns desses estudos.

Frick, O'Brien, Wootton e McBurnett (1994) numa amostra clínica de 95 crianças e pré-adolescentes não encontraram diferenças entre rapazes e raparigas relativamente à dimensão Traços calosos/não-emocionais (CU; também designada por insensibilidade emocional), mas encontraram evidências de que os rapazes pontuavam significativamente mais alto na dimensão mista Impulsividade- Perturbação do comportamento (I-CP). As pontuações derivadas da dimensão CU estavam apenas moderadamente associadas com medidas de perturbação de comportamento e demonstravam um padrão diferente de associações em vários critérios associados com psicopatia (e.g., busca de sensações) ou comportamento antissocial infantil (e.g., inteligência baixa).

Frick, Bodin e Barry (2000) examinaram a estrutura das tendências psicopáticas numa amostra normativa (n = 1136) e numa amostra clínica (n =160) de crianças.

Concluíram que os rapazes pontuavam mais alto nos traços calosos/não-emocionais e em narcisismo. Tanto a dimensão de narcisismo como a dimensão de impulsividade estavam altamente correlacionadas com sintomas Perturbação do Comportamento, Perturbação de Oposição e de Perturbação de Hiperatividade com Défice de Atenção. A dimensão de traços calosos/não-emocionais estava apenas fracamente correlacionada com estes sintomas depois de se controlar as outras dimensões de psicopatia.

Pardini, Lochman e Frick (2003) procuraram clarificar a natureza das dimensões de traços calosos/não-emocionais e de impulsividade/perturbação de comportamento, analisando também a sua relação com problemas sociocognitivos em adolescentes institucionalizados. Estes autores evidenciaram que as raparigas pontuavam mais alto em impulsividade/perturbação de comportamento mas não em traços calosos/não-emocionais. Os resultados demonstraram que os traços calosos/não-emocionais estavam associados com menor mal-estar emocional e com um padrão específico de processamento de informação social.

Campbell, Porter e Santor (2004) avaliaram os correlatos clínicos, psicossociais e criminais das tendências psicopáticas numa amostra de 226 delinquentes juvenis de ambos os sexos institucionalizados em centros de detenção juvenil. Não foram encontradas diferenças significativas entre rapazes e raparigas relativamente às pontuações na Psychopathy Checklist: Youth Version (PCL:YV). Apenas 9,4% dos participantes demonstraram ter níveis altos de traços psicopáticos (PCL:YV = 25), sendo que esses níveis altos estavam positivamente associados com delinquência auto-relatada e com comportamento agressivo mas não com dificuldades emocionais.

Salekin, Leistico, Trobst, Schrum e Lochman (2005) examinaram a validade de constructo da psicopatia numa amostra de 114 delinquentes juvenis de ambos os sexos. As medidas de psicopatia incluíram o Antisocial Process Screening Device (APSD), a Child Psychopathy Scale (CPS) e a Psychopathy Checklist: Youth Version (PCL:YV). Os resultados demonstraram uma substancial convergência entre as três medidas. Duas das escalas tiveram uma correlação mais alta do que o esperado com neuroticismo, o que sugere que a preocupação e a ansiedade podem acompanhar as tendências psicopáticas no início do seu desenvolvimento. Não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre rapazes e raparigas relativamente às pontuações em psicopatia.

Dadds, Fraser, Frost e Hawes (2005) avaliaram a validade psicométrica e preditiva dos traços calosos/não-emocionais como precursores de perturbação de comportamento numa amostra normativa de crianças (amplitude etária dos 4 aos 9 anos). Estes traços demonstraram melhorar de forma pequena mas significativa a predição a 12 meses do comportamento antissocial em ambos os sexos. Os rapazes pontuaram mais alto que as raparigas na pontuação total do APSD.

Marsee, Silverthorn e Frick (2005) investigaram a associação das tendências psicopáticas com a agressão e a delinquência numa amostra de rapazes (n = 86) e de raparigas (n = 114) não referenciados. Não foram encontradas diferenças claras na associação dos traços calosos/não-emocionais, narcisismo e impulsividade com agressão e delinquência. Os rapazes pontuaram mais alto em psicopatia no APSD que as raparigas.

Schrum e Salekin (2006) examinaram a aplicabilidade dos itens da PCL:YV numa amostra de adolescentes institucionalizadas do sexo feminino utilizando a Teoria de Resposta aos Itens (IRT). Apesar da investigação prévia ter evidenciado que as características afetivas eram as que forneciam informação mais relevante, neste estudo foram as características interpessoais da psicopatia que assumiram especial relevo. Adicionalmente, os rapazes pontuaram mais alto que as raparigas na PCL:YV.

Penney e Moretti (2007) examinaram a validade concorrente entre as características da psicopatia medidas pela estrutura tridimensional da PCL:YV e os comportamentos antissociais e agressivos numa amostra de 142 jovens em risco de ambos os sexos. As análises de regressão demonstraram que as relações entre as tendências psicopáticas e os resultados eram equivalentes para rapazes e raparigas, além de que os défices afetivos estavam mais consistentemente relacionados com agressão. Os rapazes pontuaram mais alto nos fatores 1 e 2 da PCL:YV, mas não no fator 3.

Rucevic (2010) investigou a associação entre tendências psicopáticas e delinquência violenta e não-violenta, versatilidade criminal e comportamento sexual de risco numa amostra de rapazes (n = 226) e raparigas (n = 480) croatas não-referenciados recorrendo ao Youth Psychopathic Traits Inventory (YPI). Os rapazes pontuaram mais alto nas dimensões de grandiosidade-manipulação e traços calosos/não-emocionais, mas não foram encontradas diferenças relativamente à dimensão impulsividade-irresponsabilidade. A impulsividade-irresponsabilidade tinha uma associação mais forte com delinquência não-violenta e versatilidade criminal nos rapazes, enquanto nas raparigas tinha uma associação mais forte com comportamento sexual de risco.

Verona et al. (2010) fizeram uma revisão de literatura dos estudos comparativos da prevalência de traços psicopáticos em jovens, tendo concluído que existem evidências mistas. Estas autoras sugerem as pontuações mais altas em tendências psicopáticas nos rapazes surgem em estudos que recorrem a crianças e a pré- adolescentes (idade abaixo dos 13 anos) provenientes de amostras clínicas ou normativas. Sugerem também que as diferenças entre os sexos aparentam diminuir nos estudos com adolescentes institucionalizados, argumentando que tal implica manifestações potencialmente mais graves de psicopatia nas raparigas institucionalizadas que nos rapazes. As autoras consideram que tal é interessante dado que a investigação prévia indica que as mulheres adultas exibem menos tendências psicopáticas que os homens adultos mesmo quando se trata de sujeitos presos, enfatizando assim a necessidade de mais investigação nesta área.

As diferenças entre os sexos relativamente às tendências psicopáticas são uma importante área de estudo que carece de mais investigação, especialmente em Portugal e nos restantes países europeus. A presente investigação pretende comparar diferenças na prevalência de traços psicopáticos em adolescentes de ambos os sexos institucionalizados em Centro Educativo, e também examinar possíveis diferenças a nível de perturbação do comportamento, de comportamentos delituosos e de gravidade de crimes cometidos.

MÉTODO Participantes Uma amostra total de 310 participantes, subdividida em amostra masculina (n = 217; M = 15,85 anos; DP = 1,30; amplitude = 13-20 anos) e em amostra feminina (n = 93; M = 15,78 anos; DP = 1,29; amplitude = 13-18 anos) foi recrutada entre jovens institucionalizados em seis Centros Educativos geridos pela Direção- Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) do Ministério da Justiça.

Não foram encontradas diferenças significativas entre rapazes e raparigas relativamente à idade, grupo étnico, e estado civil dos pais, mas as raparigas haviam completado com sucesso mais anos de escolaridade (t(308) = 5,12; p = 0,001) e os seus pais tinham um nível socioeconómico mais alto (U = 5787,50; p = 0,01). Os rapazes revelaram terem iniciado a atividade criminal mais precocemente na vida que as raparigas (t(232,44) = 5,59; p = 0,001) e terem tido o primeiro problema com a lei mais cedo na vida (t(224,15) = 2,84; p = 0,001), mas não se encontraram diferenças estatisticamente significativas quanto à idade da primeira institucionalização em Centro Educativo.

Material O Dispositivo de Despiste de Processo Antissocial versão de auto-resposta (Antisocial Process Screening Device ' APSD-SR; Caputo, Frick & Brosky, 1999; Frick & Hare, 2001; Pechorro, Marôco, Poiares, & Vieira, 2013) é uma medida psicométrica multidimensional de 20 itens projetada para avaliar traços psicopáticos em jovens. Originalmente chamado Psychopathy Screening Device (PSD), foi modelado a partir da Psychopathy Checklist - Revised (PCL-R; Hare, 2003). Cada item é cotado numa escala ordinal de 3 pontos (Nunca = 0, Algumas vezes = 1, Frequentemente = 2), sendo que pontuações mais altas significam a elevação da presença dos traços em questão. A pontuação total e as pontuações de cada dimensão são obtidas somando os respetivos itens. Alguns estudos (e.g., Frick et al., 1994) evidenciam a existência de dois fatores: traços calosos/não-emocionais (CU; que explora dimensões interpessoais e afetivas da psicopatia como a falta de culpa e a ausência de empatia) e impulsividade-problemas de comportamento (I-CP; que explora aspetos comportamentais a nível de problemas de comportamento e controlo de impulsos).

Pontuações mais elevadas indicam a presença das características associadas a cada fator. A consistência interna por alfa de Cronbach obtida no presente estudo foi: APSD total = 0,74; CU= 0,53; I-CP = 0,78.

A Escala de Delinquência Auto-reportada Adaptada (Adapted Self-reported Delinquency Scale ' ASRDS; Carroll, Durkin, Houghton & Hattie, 1996; Pechorro, 2011), na versão portuguesa, é uma medida de auto-resposta adaptada constituída por 35 itens que mede o envolvimento dos adolescentes em atividades ilegais e antissociais. A ASRDS no presente estudo foi cotada somando os itens ordinais de 3 pontos (Nunca = 0, Algumas vezes = 1, Frequentemente = 2), embora seja possível utilizar versões com itens ordinais de 5 a 7 pontos. Pontuações mais altas indicam maior frequência de envolvimento em atividade criminal. As pontuações obtidas nesta escala podem ser utilizadas como um índice de atividade criminal, inclusive para obtenção de valores de incidência e de prevalência. A consistência interna por alfa de Cronbach obtida no presente estudo foi de 0,92.

A Escala de Desejabilidade Social de Marlowe-Crowne na versão curta compósita (Marlowe-Crowne Social Desirability Scale Short Form' MCSDS-SF; Ballard, 1992; Pechorro, Vieira, Poiares, & Marôco, 2012) foi concebida a partir da escala original de Marlowe-Crowne (Crowne & Marlowe, 1960), tendo ficado conhecida como subescala compósita e sendo a mais utilizada atualmente de todas as subescalas derivadas da escala original. Pontuações mais elevadas nesta escala refletem a tendência de dar respostas socialmente mais desejáveis. A consistência interna por Kuder-Richardson obtida no presente estudo foi de 0,55.

A gravidade dos crimes cometidos, constantes do processo judicial de cada participante, foi classificada através de uma versão modificada do Índice de Gravidade de Crimes (Index of Crime Severity ' ICS; Figlio, Tracey, & Singer, cit. White, Moffitt, Caspi, Jeglum-Bartusch, Needles, & Stouthamer- Loeber, 1994). No ICS o nível 0 consistiu em nenhuma delinquência; o nível 1 consistiu em delinquência menor cometida no seu agregado familiar (e.g., roubar pequenas quantidades de dinheiro em casa); o nível 2 consistiu em delinquência menor fora de casa incluindo roubar algo de valor inferior a 5 euros, vandalismo e pequena fraude (e.g., não pagar o bilhete de autocarro); o nível 3 consistiu em delinquência moderada a grave como roubar algo de valor superior a 5 euros, envolvimento em gangues, porte de armas e apropriação de carro para divertimento (joyriding); o nível 4 consistiu em delinquência grave tal como roubo de carro e arrombamento e invasão de domicílio; o nível 5 consistiu em ter praticado pelo menos dois dos comportamentos descritos no nível anterior ou ter praticado crimes violentos contra pessoas (e.g., violação, homicídio).

Utilizou-se também o diagnóstico de Perturbação do Comportamento do DSM-IV-TR (American Psychiatric Association, 2000). Adicionalmente foi construído um questionário sociodemográfico e criminal para descrever as características da amostra utilizada (e.g., idade de início da atividade criminal) e analisar o efeito moderador dessas variáveis.

Procedimentos A recolha dos questionários decorreu individualmente após se ter obtido autorização por parte da Direcção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP), Ministério da Justiça. Foram feitas aplicações em todos os Centros Educativos existentes a nível nacional na altura. Os jovens foram informados que a participação era voluntária e confidencial. Nem todos os jovens concordaram ou puderam participar, sendo que a não participação incluiu motivos como recusa em participar, impossibilidade de participar devido a não entendimento da língua portuguesa e impossibilidade de participar devido a questões de segurança. A taxa de participação foi de cerca de 90%. Todos os questionários recolhidos foram considerados válidos.

Os dados relativos aos questionários considerados válidos foram inseridos e tratados em SPSS Statistics v20 (IBM SPSS, 2011). Após a inserção dos dados ter sido feita foram aleatoriamente selecionados 10% dos questionários inseridos, de forma a avaliar a qualidade de inserção dos mesmos. A qualidade foi considerada muito boa dado que praticamente não foram detetados erros de inserção.

Relativamente às comparações entre grupos utilizaram-se técnicas paramétricas quando se estava perante uma distribuição normal (assimetria e curtose entre - 2 e 2) com ou sem homogeneidade de variâncias. Quando não havia distribuição normal ou os dados tinham natureza ordinal optou-se pelas técnicas não paramétricas, nomeadamente o teste U de Mann-Whitney (Marôco, 2011). Quanto às associações entre variáveis foram efetuadas correlações de Pearson e correlações bisseriais por ponto. Relativamente às comparações entre grupos, as dimensões de efeito e a potência de teste obtidas foram respetivamente as seguintes: APSD-SR Total (dimensão de efeito ηp2 = 0,01; potência = 0,49); APSD-SR I-CP (ηp2 = 0; potência = 0,06); APSD-SR CU (ηp2 = 0,05; potência = 0,99); ASRDS (ηp2 = 0,08; potência = 1); MCSDS-SF (ηp2 = 0,01; potência = 0,23); ICS (ηp2 = 0,07; potência = 0,95).

RESULTADOS Relativamente ao APSD-SR e suas dimensões foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre os rapazes e as raparigas (ver Quadro 1) apenas na dimensão Traços calosos/não-emocionais (CU).

Quadro 1 Estatísticas descritivas e ANOVAS para APSD-SR e suas dimensões

Relativamente à ASRDS, à MCSDS-SF e ao ICS foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre os rapazes e as raparigas na ASRDS e no ICS (ver Quadro 2).

Quadro 2 Estatísticas descritivas, ANOVAS e teste U para ASRDS, MCSDS-SF e ICS

No que diz respeito ao diagnóstico de Perturbação do Comportamento (PC) do DSM- IV-TR não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre rapazes e raparigas (ver Quadro 3).

Quadro 3 Estatísticas descritivas e Qui-quadrado para Perturbação do Comportamento

Adicionalmente foram calculadas as correlações bivariadas do APSD-SR e suas dimensões com o diagnóstico de Perturbação do Comportamento (PC) do DSM-IV-TR (ver Quadro 4), tendo-se encontrado correlações estatisticamente significativas em todos os casos.

Quadro 4 Correlações bisseriais entre Perturbação do Comportamento e APSD-SR e suas dimensões

Foram também calculadas as correlações bivariadas do APSD-SR Total e suas dimensões com a ASRDS (ver Quadro 5), tendo-se encontrado correlações estatisticamente significativas em todos os casos.

Quadro 5 Correlações entre ASRDS e APSD-SR e suas dimensões

DISCUSSÃO Os objetivos da presente investigação consistiram em examinar possíveis diferenças na prevalência de traços psicopáticos em adolescentes do sexo masculino e do sexo feminino institucionalizados em Centro Educativo, além de se pretender também examinar possíveis diferenças a nível de perturbação do comportamento, de comportamentos delituosos e de gravidade de crimes cometidos.

Foram encontradas diferenças os sexos na prevalência de traços psicopáticos na dimensão de Traços calosos/não-emocionais, com os rapazes a terem pontuações significativamente mais elevadas que as raparigas. Estes resultados não confirmam as hipóteses levantadas por Verona et al. (2010) quanto à homogeneização na prevalência de traços psicopáticos em adolescentes institucionalizados de ambos os sexos, ou de que existiriam manifestações potencialmente mais graves a nível de traços psicopáticos nas raparigas institucionalizadas quando comparadas com os rapazes institucionalizados.

Podemos mesmo afirmar que os resultados apontam na direção oposta ao das hipóteses levantadas por Verona et al. (2010) dado que os rapazes demonstram também obter pontuações estatisticamente mais elevadas tanto a nível de frequência de comportamentos delituosos auto-relatados como de gravidade de crimes cometidos.

Não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas relativamente à prevalência do diagnóstico de Perturbação do Comportamento do DSM-IV-TR (APA, 2000), apesar de terem sido encontrados níveis de prevalência bastante altos tanto para rapazes (92,6%) como para raparigas (84,9%) que são típicos de algumas amostras forenses (Sevecke & Kosson, 2010). As correlações entre o diagnóstico de Perturbação do Comportamento e o APSD-SR (pontuação total e dimensões) foram de baixas a moderadas, além de mais fracas que as encontradas por Frick, Barry e Bodin (2000). As correlações entre o ASRDS e o APSD-SR (pontuação total e dimensões) revelaram valores moderados altos, com exceção da dimensão Traços calosos/não-emocionais que revelou uma correlação moderada baixa.

Também não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas relativamente ao constructo de desejabilidade social, i.e., não se encontraram diferenças na forma como os participantes se retratavam a si próprios em termos de exagerarem os seus aspetos positivos ou minimizarem os aspetos negativos.

Devemos apontar algumas limitações à nossa investigação. O grupo feminino ficou constituído por menos participantes relativamente ao grupo masculino devido a que as institucionalizações de raparigas em Centro Educativo continuam a ser relativamente pouco frequentes no contexto nacional. Outra limitação está relacionada com a baixa consistência interna de algumas escalas e dimensões utilizadas (e.g., APSD-SR CU; MCSDS-SF), recomendando-se que em investigações futuras se utilizem medidas destes constructos que apresentem melhor fiabilidade.


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