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Representação em texto

EuPTHUHu0873-65612010000100009

variedadeEu
ano2010
fonteScielo

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Entrevista a Benjamim Pereira: Uma aventura prodigiosa Entrevista a Benjamim Pereira: Uma aventura prodigiosa[1] Paulo Ferreira da Costa e Cláudia Jorge Freire (IMC)

O trajecto de Benjamim Pereira é indissociável da antropologia e da museologia em Portugal, não apenas pela sua pertença à equipa fundadora do Museu Nacional de Etnologia e pelo trabalho que aqui desenvolveu, mas também pela colaboração intensa que tem sido chamado a dar a inúmeros projectos museológicos por todo o país. Sendo autor de obras indispensáveis ao conhecimento da cultura material tradicional portuguesa, em particular as que resultaram das linhas de investigação do Centro de Estudos de Etnologia e do Museu Nacional de Etnologia, o seu percurso profissional é também marcado pela importância que cedo conferiu ao uso da imagem, fotográfica e em movimento, na documentação das realidades sociais, especialmente com vista ao seu uso em contexto museológico.

PAULO FERREIRA DA COSTANas cartas de 1959 dirigidas a Ernesto Veiga de Oliveira,[2]Jorge Dias refere: A entrada do Benjamim [no CEE ' Centro de Estudos de Etnologia] é mais uma garantia de sucesso (15/11/1959); Ele é um excelente moço e tenho a certeza de que havemos de fazer dele um bom etnógrafo. Eu simpatizei logo que o vi pela primeira vez, mas agora não tenho a mínima dúvida de que está ali uma pérola. [ ] Agora que Vocês têm o Benjamim convém pôr tudo em movimento. Com um carro é fácil estender êsse estudo a todo o país e fazer uma obra única. [ ] Gostei de te ver alegre e cheio de brilho e de ver o Benjamim, seguro, sereno e de olhinho vivo e sempre alerta (5/12/1959). Como foi o seu encontro com o CEE e, a partir deste, com a antropologia e a museologia? Que aventura foi esta que teve o início no final dos anos 50?

BENJAMIM PEREIRABom, foi de facto uma aventura prodigiosa que resultou de um encontro fortuito com o Ernesto Veiga de Oliveira, que na altura estava com o Pedro Homem de Mello no largo da estação de Montedor, à espera de um comboio que os levaria para o Porto. Ao fim da tarde passei por ali por acaso e cumprimentei o Pedro Homem de Mello, que me apresentou o Ernesto. Eu ia ao Porto, estava nessa altura em demanda de uma profissão. Tinha-me desencantado da vida do campo. Isto veio a propósito e o Ernesto disse-me: Então, Senhor Benjamim, apareça na [minha casa, na] Pena, se tiver tempo. E eu tinha muito tempo e apareci.

O Ernesto e o Fernando Galhano tinham programado uma vinda ao Norte para estudo dos moinhos e eu prontifiquei-me para os acompanhar, porque eu conhecia muito bem os moinhos do rio Âncora, que frequentava sobretudo no Verão, altura em que os da casa não satisfaziam as necessidades. Disse-lhes que viessem e apanhei-os aqui na estação e levei-os a ver esses moinhos, e a partir dessa altura encetámos uma boa relação.

Entretanto, arranjei emprego no Porto. Eu tinha escrito as Notas Etnográficas de Caíde, que lhes mostrei, e eles interessaram-se pela publicação desse trabalho no boletimDouro Litoral.

E depois, em dado passo, o Jorge Dias teve conhecimento da minha existência, pelo Fernando e pelo Ernesto, e perguntou-me porque é que não ia para o Centro.

Na altura eu estava com um lugar bem pago, mas que detestava. Abandonei essa situação a troco de uma bolsa do CEE, que dependia do Instituto de Alta Cultura [IAC]. E pronto, passei a trabalhar no Centro e a identificar-me desde logo com os seus projectos.

Depois foi a ida para Lisboa, em Maio de 1963, quando o Jorge Dias pensou levar mais longe o projecto do Museu e cria o Centro de Estudos de Antropologia Cultural [CEAC], que foi formado fundamentalmente pelo Jorge Dias e pela Margot, pelo Ernesto, pelo Fernando e pelo Benjamim. E assim foi, acabei por ficar seduzido pela vida dos Centros. Sempre tive uma consciência agudíssima da importância do nosso trabalho.

No programa do CEE havia uma linha que consistia na organização da


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