Nota de apresentação
Nota de apresentação
João Ribeiro Mendes*
*Universidade do Minho, Centro de Estudos Humanísticos.
jcrmendes@ilch.uminho.pt
A organização do número que aqui e agora se apresenta pautou-se pelo mesmíssimo
objetivo que presidiu à dos transatos: produzir um volume como os anteriores,
melhor que os anteriores. Serão, porém, os seus leitores, como não poderia
deixar de ser, a ajuizar se ele foi alcançado.
A sua publicação, no entanto, é feita num contexto que bastante se alterou
relativamente ao de anos outros. Com efeito, ditou a última avaliação da FCT a
que o CEHUM foi submetida que este tenha de melhorar as suas atividades de
investigação em praticamente todos os aspetos com uma dotação financeira
significativamente menor que a que tem vindo a dispor. O CEHUM foi, pois, assim
parece, mais uma das vítimas da política de investigação nacional seguida desde
há quatro anos que, procurando dissimular os seus autênticos propósitos numa
retórica que apregoa a excelência como mínimo, se obstina obcessivamente em
concentrar recursos financeiros cada vez mais magros em determinadas áreas e,
sobretudo, em determinados centros de investigação, que favorecem grupos de
interesses com mais ascendente e capacidade de influenciar as decisões do
poder, a expensas de um desinvestimento meticulosamente programado nas
Humanidades e nas Ciências Sociais, sacrificadas a cada dia no altar de um
pragmatismo empedernido.
Apesar disso, o nº 29 da Diacrítica – Série de Filosofia e Cultura está cá
fora. Ele encontra-se composto por quatro partes. A primeira reúne cinco textos
relativos à problemática da “democracia de proprietários”, antecedida por um
ensaio introdutório que funciona ao mesmo tempo como resenha e comentário
crítico dos mesmos. Na segunda são recolhidos dois contributos dados nas
“Conferências sobre Filosofia Continental Contemporânea” que tiveram lugar no
auditório do Instituto de Letras e Ciências Humanas da Universidade do Minho em
outubro do ano passado. Seis textos sobre temáticas diversas, nomeadamente
retórica, filosofia da história, epistemologia política, cultura lusófona,
teoria da paisagem e pensamento filosófico italiano, preenchem a terceira
parte. A recensão crítica de obras culmina, como habitualmente, o volume.