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Representação em texto

EuPTCVHe2182-51732015000100011

variedadeEu
ano2015
fonteScielo

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Vacinação contra Influenza em profissionais de saúde: uma revisão sistemática CLUBE DE LEITURA Vacinação contra Influenza em profissionais de saúde - uma revisão sistemática Influenza vaccination in healthcare personnel - a systematic review Nuno Basílio*, Sofia Figueira** *Médico Interno de Medicina Geral e Familiar UCSP Barcarena **Médica Interna de Medicina Geral e Familiar USF São Julião

Pitts SI, Maruthur NM, Millar KR, Perl TM, Segal J. A systematic review of mandatory influenza vaccination in healthcare personnel. Am J Prev Med. 2014;47 (3):330-40.

A vacinação obrigatória dos profissionais de saúde contra o vírus Influenza é uma realidade cada vez mais frequente; no entanto, o real impacto clínico desta medida permanece por esclarecer. Neste estudo procedeu-se a uma revisão sistemática da literatura publicada sobre este tema com o objetivo de esclarecer sobre os benefícios e riscos da vacinação neste grupo.

A recolha bibliográfica resultou da pesquisa em seis bases de dados internacionais (MEDLINE, Embase, The Cochrane Library, Cumulative Index to Nursing and Allied Health Literature, Science Citation Index Expanded, and Conference Proceedings Citations Index) de artigos que avaliassem o efeito da vacinação mandatória dos profissionais de saúde contra o vírus Influenza, sem restrição de outcome, desenho do estudo ou língua; também não foi considerada, como critério de exclusão, a ausência de grupo comparador. Foram selecionados 12 estudos observacionais (oito relatos de caso, três estudos transversais e um estudo de coorte) em que apenas três eram multicêntricos. Quando avaliada a qualidade da definição da amostra, dos grupos pré e pós intervenção e a presença de co-intervenções, a maioria dos estudos demonstrou um elevado risco de viés.

Do total de estudos incluídos, oito reportaram outcomes relativos à taxa de vacinação dos profissionais de saúde (após implementação da obrigatoriedade dessa medida), tendo-se verificado um aumento das taxas de vacinação que ultrapassava os 94%. Em três desses estudos foram demonstradas taxas de vacinação significativamente superiores em hospitais, em que a vacinação foi de implementação obrigatória, quando comparados com instituições em que a mesma medida não foi aplicada (p < 0,001). Em dois dos estudos foi analisada a taxa de absentismo dos profissionais com resultados inconclusivos. Outros dois estudos avaliaram a presença de efeitos adversos da intervenção, tendo obtido dados limitados e heterogéneos. Um dos estudos avaliou a opinião dos profissionais de saúde relativamente à obrigatoriedade da vacinação, tendo-se verificado que 96% dos participantes consideraram a medida importante para a proteção de pacientes e profissionais e 72% consideraram que a forma de aplicação mandatória era coerciva. Não foram estudados outcomes clínicos relativos aos pacientes nem os custos associados à intervenção.

Verifica-se, assim, que a implementação da vacinação obrigatória dos profissionais de saúde contra o vírus Influenza conduz a um aumento da taxa de vacinação neste grupo mas não foram estudados os benefícios clínicos associados a esta medida. São necessários estudos prospetivos e multicêntricos que avaliem outcomes eminentemente clínicos para que se possam tomar decisões informadas relativamente às vantagens desta intervenção.

COMENTÁRIO A primeira vacina contra o vírus Influenza começou a ser produzida em 1938, mas aplicada em larga escala à população americana apenas em 1979, para  prevenção da gripe Suína.1 Na procura de evidência sobre a eficácia e efetividade da vacinação, uma revisão sistemática de 2012 identificou e analisou 17 ensaios clínicos randomizados e aleatorizados e 14 estudos observacionais que englobavam estes outcomes em casos de gripe comprovados laboratorialmente.

Nestes casos, que raramente fazem parte da prática clínica, a eficácia da vacinação apenas provou ser moderada, sendo drasticamente reduzida ou mesmo ausente em algumas estações do ano. Os mesmos autores identificaram que em adultos acima dos 65 anos a evidência escasseia.2 Quando se analisa o racional de vacinar profissionais de saúde surgem argumentos como prevenção da doença e consequente diminuição do absentismo laboral, mas também prevenção do contágio a doentes. Como fica claro no resumo da revisão sistemática, os dados relativos a este grupo de risco foram inconclusivos.

Contudo, a ausência de estudos e a incerteza quanto à eficácia da vacinação destoam do atual panorama normativo internacional e nacional que insiste em recomendar a vacina a grupos de risco, nomeadamente a profissionais de saúde.3- 4 De forma ainda mais incompreensível, assiste-se em alguns países a uma crescente pressão no intuito de aumentar a taxa de cobertura vacinal5-8 através da vacinação laboral mandatória ou fortemente recomendada.

Devemos, por isso, investir na procura e na divulgação de conhecimento científico robusto e de qualidade e alertar para a fragilidade de fundamentação de algumas normas de orientação e guidelines.


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