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Representação em texto

EuPTCVHe2182-51732014000200012

variedadeEu
ano2014
fonteScielo

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Erradicação de Helicobacter pylori e probióticos...: Mito ou realidade? CLUBE DE LEITURA Erradicação de Helicobacter pylori e probióticos... Mito ou realidade? Helicobacter pylori erradication and probiotics... Myth or reality? Margarida Trovisqueira, Susana Moreira Médicas Internas de Medicina Geral e Familiar, USF Arco do Prado, Gaia

Zheng X, Lyu L, Mei Z. Lactobacillus-containing probiotic supplementation increases Helocobacter pylori eradication rate: Evidence from a meta-analysis.

Rev Esp Enferm Dig. 2013;105(8):445-53.

Introdução A infecção por Helicobcter pylori (H. Pylori) está fortemente associada ao desenvolvimento de gastrite crónica, podendo levar, também, a um aumento de risco para adenocarcinoma gástrico e linfoma gástrico tipo MALT (mucosa- associated lymphoid tissue). O seu rastreio está recomendado em indivíduos com queixas gastrointestinais moderadas a severas, devendo ser implementado tratamento nos casos confirmados de infecção. No entanto, o esquema terapêutico convencional tem vindo a demonstrar taxas de erradicação insatisfatórias.

Actualmente, vários estudos têm vindo a sugerir que as espécies lactobacillus possam ter uma acção inibitória da H.pylori.

Objectivo Avaliar a eficácia dos esquemas terapêuticos suplementados com probióticos contendo lactobacillus, a nível da taxa de erradicação da H. pylori e efeitos laterais.

Métodos Foi realizada uma pesquisa nas bases de dados bibliográficas (Pubmed, Embase, Web of Science, The Cochrane Central Register of Controlled Trials, Google Scholar e Chinese Biomedical Database) em Outubro de 2012. Foram incluídos ensaios clínicos aleatorizados e controlados (ECAC) de elevada qualidade, tendo em conta o método de avaliação dos doentes, o esquema terapêutico utilizado e o sucesso da intervenção e efeitos laterais. Os dados foram extraídos por dois avaliadores independentes.

Resultados Cumpriram os critérios de elegibilidade nove ECAC de elevada qualidade. Segundo estes, os probióticos contendo lactobacillus aumentaram significativamente a taxa de erradicação comparativamente com o grupo controlo [Risco Relativo (RR) 1,14; Intervalo de Confiança (IC) 95% 1,06-1,22; Number Needed to Treat (NNT) 10], sem redução significativa dos efeitos laterais (RR 0,88; IC 95% 0,73- 1,06). Na análise por sub-grupos, constatou-se que as taxas de erradicação aumentaram significativamente com o uso de formulações probióticas contendo apenas lactobacillus (RR 1,25; IC 95% 1,13-1,37; NNT 6), em comparação com esquemas terapêuticos com probióticos mistos (RR 1,04; IC 95% 0,94-1,14) ou com o uso de esquemas terapêuticos de erradicação sequenciais (RR 1,01; IC 95% 0,92-1,14). Por fim, o uso de probióticos contendo lactobacillus foi eficaz tanto em crianças como em indivíduos em idade adulta.

Conclusão A evidência sugere que esquemas de erradicação da H. Pylori suplementados com probióticos contendo lactobacillus estão associados a um aumento da taxa de erradicação da bactéria, sem, no entanto, diminuírem a incidência de efeitos laterais destes esquemas. Para além disso, existe ainda evidência clínica que probióticos contendo apenas lactobacillus são uma escolha segura e eficaz.

COMENTÁRIO A H.pylori infecta, aproximadamente, 60% da populaçã̃o mundial, sendo a infecçã̃o gastrointestinal mais comum em todo o mundo. É substancialmente mais frequente nos países em desenvolvimento do que nos desenvolvidos, facto provavelmente relacionado com as diferentes condições higieno-sanitá́rias existentes. Em Portugal, estima-se que cerca de 70% da populaçã̃o adulta se encontre infectada, sendo, na grande maioria dos casos, a infecção adquirida na infâ̂ncia.1 Embora nenhum consenso preconize o tratamento de forma indiscriminada a todos os portadores da H.pylori, visto que a maioria dos indivíduos são assintomáticos e com baixo risco de apresentar problemas decorrentes da infecção, a erradicação é mandatória em determinadas situações clínicas.

Pelo facto de se tratar de um agente de difícil erradicação, os esquemas terapêuticos preconizados envolvem a associação de múltiplos fármacos. O tratamento de primeira linha, recomendado pelo consenso de Maastricht, assenta na associação de inibidor da bomba de protões (omeprazol 20 mg), amoxicilina (1 g) e claritromicina (500 mg) durante 7 a 14 dias.2 Ainda assim, as taxas de erradicação rondam apenas os 70%, valor muito aquém do desejável.3 Têm sido apontadas várias causas para a ineficácia do tratamento da H.pylori, destacando-se o papel importante da resistência aos antibióticos. Com o objectivo de aumentar o sucesso do tratamento de erradicação da H.pylori, muitos estudos têm surgido com o intuito de demonstrar a eficácia da suplementação com probióticos, nomeadamente aqueles que contêm lactobacillus. A Organização Mundial de Saúde define probióticos como organismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, conferem benefício à saúde do hospedeiro.4 Tendo em conta as suas características bactericidas, anti- oxidantes e anti-inflamatórias, considera-se que o seu uso na Medicina Geral e Familiar seja uma questão muito pertinente.

Nesse sentido, este artigo mostra-se muito interessante, uma vez que tenta reunir estudos que recorreram ao uso desta suplementação para avaliar o efeito a nível da melhoria da taxa de erradicação e diminuição de efeitos laterais que possam surgir com o tratamento. Contudo, apesar da elevada qualidade dos estudos utilizados, é necessário sublinhar que a metodologia adoptada pelos mesmos foi distinta, recorrendo a probióticos, esquemas posológicos e doses diferentes entre si e associadas a esquemas de erradicação não sobreponíveis.

Por outro lado, um estudo desenvolvido em 2013 comparou a eficácia da terapêutica quádrupla com bismuto, associada a probiótico contendo lactobacillus versus placebo, não tendo revelado aumento da eficácia da erradicação da H.pylori ou diminuição dos efeitos adversos.5 Tendo em conta a prevalência desta infecção e a importância que assume o sucesso do seu tratamento, os últimos anos têm sido prolíficos no que respeita à pesquisa e desenvolvimento de estudos nesta área. De facto, os probióticos que se têm revelado mais benéficos são os lactobacillus, tendo a grande maioria dos estudos incidido a sua atenção nos mesmos.6 No entanto, os resultados têm-se mostrado muitas vezes divergentes e, assim, torna-se importante a realização de mais estudos nesta área, com vista a aprofundar os conhecimentos no que diz respeito à erradicação desta infecção tão prevalente, procurando estabelecer um esquema terapêutico mais eficaz, recorrendo, eventualmente à suplementação com probióticos.


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