Uma equipa inesquecível
EDITORIAL
Uma equipa inesquecível
Raquel Braga*
*Directora da Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar
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Há três anos, abrimos uma nova página1 na Revista Portuguesa de Clínica Geral,
que hoje, depois de fazermos correr muita tinta, queremos voltar, para poder
dar lugar a uma outra página, igualmente promissora e inteiramente em branco,
na Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar.
Mudámos o formato da nossa Revista, mudámos o conteúdo, mudámos de nome,
mudámos o processo editorial, procurámos indexação em novas bases de dados.
Criámos um site em Open Journal System (OJS), que sendo o repositório de todos
os números e artigos desde o ano de 2000, brevemente possibilitará o processo
de submissão e de revisão on-line.
Passo a passo, fomos tornando mais célere e refinando o processo editorial,
tendo, durante o ano de 2013, chegado a uma demora média de tratamento dos
artigos de 53 dias e a uma taxa de aceitação de artigos de 28%.
Como já foi discutido recentemente em outro editorial,2 a melhoria da dinâmica
do nosso processo editorial sofreu uma evolução que é traduzida através de
números expressivos. De uma forma que não é objectivável numericamente,
tentámos imprimir uma tónica cada vez mais didáctica, pedagógica e encorajadora
ao processo de revisão interpares, dirigindo-o não só à melhoria dos artigos
que publicámos, mas também àqueles que tivemos de recusar. Este facto tem sido
frequentemente reconhecido através das simpáticas palavras que alguns autores e
revisores nos remetem, no final do processo editorial, após verificarem as
melhorias expressas pelos seus artigos aquando da publicação.
A nossa equipa de editores dedicou-se de corpo e alma a esta missão e cada um
soube dar o seu melhor, por vezes nas piores condições de falta de
disponibilidade e de tempo. Todos eles, médicos de família com outras
responsabilidades para além da já de si exigente actividade assistencial,
fizeram do trabalho editorial um labor diário, tratando os artigos e
participando no nosso fórum e no nosso grupo de trabalho e discussão.
No momento da despedida, penso que todos consideramos, unanimemente, que
ganhámos tanto ou mais do que o que demos à Revista. Se cada um de nós tinha à
partida uma diferenciação distintiva (metodologias de investigação, ética,
revisão, sentido critico, aptidão pela escrita, aptidão pelas ferramentas
informáticas), no final, todos nos tornámos mais especializados na totalidade
das competências editoriais.
Não posso deixar de agradecer nominalmente à Benedita Graça Moura, à Carla
Ponte, à Clara Fonseca, ao Daniel Pinto, ao Dilermando Sobral, à Helena Beça, à
Inês Rosendo, à Mónica Granja e ao Yonah Yaphe pelo inestimável pedaço das suas
vidas quotidianas que empenharam silenciosamente e graciosamente ao serviço da
melhoria dos artigos que nos submetem. Não posso também deixar de agradecer à
Carla Lopes Mota, ao José Agostinho Santos, ao Miguel Melo e ao Paulo Pires
pelo seu empenho e dedicação na secção do Clube de Leitura e dos POEM.
Foi uma longa caminhada na qual já adivinhamos saudades. Este percurso foi
deveras vivido, estimulante e intenso, cheio de projectos aprazados e de metas
exigentes a cumprir; um trajecto atravessado por algumas vicissitudes, mas
coroado com muitas alegrias.
Esta foi, de facto, uma equipa inesquecível!
Não posso também deixar de agradecer ao nosso publisher Manuel Magalhães, que
sempre nos ofereceu uma atenção e um cuidado inestimáveis, bem como ao nosso
revisor técnico Manuel Montenegro e à nossa simpática colaboradora Ana Paula
Azevedo, que se ocupou do secretariado.
Juntos fizemos da Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar uma revista
moderna, interessante, rigorosa, que é espelho da investigação produzida em
Cuidados de Saúde Primários e que interessa aos Médicos de Família portugueses.
Pensamos que é justo considerar que a Revista se tem também aberto e afirmado
como espaço de discussão e de opinião acerca das questões de organização e de
política de saúde a nível dos Cuidados de Saúde Primários e da sua reforma, bem
como da formação médica na nossa especialidade.
Tem-se vindo a gerar um interessante movimento de pensamento a nível dos
editoriais, artigos e cartas à Directora, que incentivam à intervenção, ao
debate e à opinião e que reflectem uma grande vitalidade editorial, que
esperamos que prossiga firmemente.
É este o nosso legado - uma revista funcional, viva e inteligente - à altura e
em reflexo da Medicina Geral e Familiar portuguesa.