O efeito do estabelecimento de metas específicas no desempenho e
comprometimento de indivíduos experientes no lançamento do basquetebol
INTRODUÇÃO
O estabelecimento de metas é definido como uma estratégia para direcionar o
comportamento, orientando as ações atuais para alcançar a condição futura
(Locke & Latham, 1985; Ugrinowitsch & Dantas, 2002). De acordo com
Locke e colegas (Locke & Latham, 1985; Locke, Shaw, Saari, & Latham,
1981), a aquisição de habilidades motoras por meio do estabelecimento de metas
se daria pela motivação, direcionamento da atenção, mobilização do esforço,
aumento da persistência e desenvolvimento de estratégias.
Metas podem ser caracterizadas de diversas formas (de acordo com a
especificidade ' específica/genérica; distância ' curto/longo prazo; desafio
imposto ' desafiadora/fácil; e etc). Entretanto, as características da meta a
ser estabelecida que favoreceriam a melhora no desempenho não estão claras
(Kyllo & Landers, 1995; Ugrinowitsch & Coca Ugrinowitsch, 2003).
Os estudos na área da Psicologia Organizacional, onde este fator foi
inicialmente discutido, apontam que metas específicas e desafiadoras seriam
melhores para o desempenho em relação a metas postas como genéricas (Locke
& Latham, 1985). Ainda, é descrito que os indivíduos devem ter habilidade
suficiente para lidar com a meta imposta, que é necessário feedback e que as
metas sejam aceitas pelo indivíduo (Locke et al., 1981). Estes estudos tem
guiado grande parte das hipóteses na área de aprendizagem motora. Entretanto,
em muitos, somente as afirmações acerca da especificidade, desafio e aceitação
pelo indivíduo são consideradas. O argumento do presente estudo é que a
interação entre os fatores apresentados por Locke e colegas seriam maiores
preditores da eficácia do estabelecimento de metas do que simplesmente os
fatores previamente considerados na literatura (de forma separada).
Especificamente, quando considera-se uma meta específica, se estabelece uma
meta direta e, usualmente, quantitativa (ex: faça 7 pontos em 10 possíveis)
(Dutra, 2007; Ugrinowitsch & Coca Ugrinowitsch, 2003). Uma das formas de
implementação da meta específica se dá a partir de cálculos de acordo com
características da tarefa e do sujeito realizado a partir do desempenho inicial
em determinada tarefa (pré-teste). Uma das formas mais comuns de
estabelecimento da meta se dá pelo acréscimo de um percentual a este valor
inicial. Entretanto, o percentual acrescido não pode tornar a meta irrealista e
desmotivante.
Usualmente, os valores percentuais empregados variam entre 10 e 30 por cento do
desempenho inicial do sujeito (Dutra, 2007; Marinho et al., 2009; Marinho,
Gomes, Fialho, Benda, & Ugrinowitsch, 2006). Entretanto, o valor percentual
da meta estabelecida deveria, assumindo as ideias de Locke et al. (1981), ser
baseado em mais do que na comparação entre mais e menos: deveria levar em conta
o nível de experiência do indivíduo na tarefa. Garantindo a relação entre
experiência e desempenho, indivíduos com maior desempenho (mais experientes),
no geral, tendem a mostrar menores ganhos com a prática. Com maiores
desempenhos, a percentagem estabelecida irá requerer maior ganho absoluto '
sendo mais difícil uma melhora significativa após anos de prática. Desta forma,
a comparação entre 10% e 30% no estabelecimento da meta com indivíduos
experientes não se dá entre menos ou mais desafiante, mas talvez entre muito
desafiante e inatingível. Uma meta inatingível, se seguida pelo participante,
pode influenciar negativamente em aspetos motivacionais do sujeito dada a
continua comparação do que é realizado com a meta requerida (Gauggel,
Leinberger, & Richardt, 2001).
Adicionalmente, o auto-estabelecimento de metas tem sido apontado como fator
primordial para os resultados inconsistentes na literatura de estabelecimento
de metas. Em princípio, o argumento era de que a presença de feedback seria um
fator primordial no auto-estabelecimento de metas espontâneo (Locke &
Latham, 1985) e que o efeito estaria relacionado ao grupo sem meta definida
(usualmente o grupo controle). Entretanto, os estudos atualmente tem apontado
que mesmo indivíduos que recebem a meta específica tendem a alterar sua meta
(Marinho et al., 2009). Uma das explicações tem sido justamente o quanto o
indivíduo encara a meta estabelecida como alcançável (Locke et al., 1981).
Alguns estudos que relacionaram a autoeficácia dos indivíduos com o a meta
estabelecida encontraram resultados favoráveis a ideia de que indivíduos que
visualizam a meta como alcançável tendem a se comprometer mais (Gauggel et al.,
2001) e quando auto-estabelecem o fazem com metas mais desafiadoras (Boyce
& Bingham, 1997).
Desta forma, a hipótese apresentada no presente estudo é de que em indivíduos
experientes, a meta estabelecida a partir do acréscimo da maior percentagem
será menos eficiente na melhora do desempenho dos aprendizes quando comparada à
adição da menor percentagem, dado que o maior nível de experiência na tarefa
torna um acréscimo mais desafiante e inalcançável para os aprendizes. Em
adição, devido a incompatibilidade do percentual acrescido à possibilidade de
melhora de desempenho, os participantes que tiveram uma meta acrescida de maior
valor percentual apresentarão menor comprometimento à meta estabelecida em
comparação aos indivíduos com uma meta, vista aqui como, compatível.
Weinberg, Fowler, Jackson, Bagnall, e Bruya (1991) buscaram verificar a relação
entre metas inalcançáveis e o desempenho de crianças e universitários em
diferentes tarefas e não encontraram diferenças, o que vão contra nossa
hipótese do presente estudo. Entretanto, o nível dos indivíduos nas tarefas são
variados e desta forma o estudo não considerou o fato de que indivíduos mais
experientes compreendem o quanto a meta é ou não alcançável. Isto é favorecido
pelos resultados mostrando que os indivíduos pareciam não compreender a
dificuldade da tarefa e se mantinham adeptos à meta estabelecida no início.
Devemos salientar que, apesar do ganho teórico atribuído a pesquisas
laboratoriais, o estabelecimento de metas pode ser utilizado diretamente como
uma estratégia de técnicos para auxiliar a melhora do desempenho dos atletas. O
ganho em estágios iniciais da aprendizagem são maiores ' usualmente descrito em
uma curva de aceleração negativa até um certo plateau de desempenho (curvas de
aprendizagem). Em atletas com maior nível de desempenho e mais experientes, a
utilização de estratégias extras por parte do treinador/técnico tem grande
influência no ganho de desempenho. Desta forma, o presente estudo acrescenta
nesta direção ao utilizar-se de uma tarefa do contexto esportivo (o lançamento
de três metros no basquete) com atletas de nível universitário. Ainda é escasso
o número de trabalhos que comparam diferentes percentuais para esse tipo de
tarefa (Dutra, 2007).
Portanto, o objetivo do presente estudo foi investigar o efeito da meta
específica no desempenho do lançamento de três pontos do basquetebol e no
comprometimento com a meta estabelecida em indivíduos experientes. A escolha da
tarefa se deu em pela necessidade de grande prática para obtenção de alto
desempenho ' garantindo a relação desempenho e experiência; pela possível
generalização para contextos esportivos ' discutido no parágrafo anterior; e
por produção anterior que auxilia na quantificação do desempenho (Palhares et
al., 2007 veja a seção Método).
MÉTODO
Participantes
Participaram do estudo 13 voluntários experientes, universitários do sexo
masculino atletas de uma equipe de basquetebol universitário (24.3 ± 4.8 anos
de idade). Foram considerados experientes na tarefa aqueles que tinham
participação em programa de treinamento sistematizado e regular no basquetebol
e que completavam aproximadamente 10 anos de prática na modalidade. O nível de
desempenho dos indivíduos foi assumido dado à condição de atletas do time
principal da universidade ' garantindo a relação experiência e desempenho. Os
participantes foram previamente informados do objetivo do estudo, de sua
participação voluntária, que teriam sua identidade mantida em sigilo e que a
divulgação dos resultados seria apenas para fins científicos. Todos aqueles que
concordaram em participar do estudo foram convidados a assinar um Termo de
Consentimento Livre e Esclarecido para que pudessem ser incluídos no mesmo.
Instrumentos
A coleta de dados foi realizada em quadra poliesportiva com marcações e uma
tabela oficial de basquetebol. Os arremessos foram realizados com três bolas de
basquetebol.
Para avaliar o comprometimento dos indivíduos com a meta estabelecida pelo
experimentador ou com uma meta estabelecida pelos próprios indivíduos ao longo
do experimento, foi utilizado um Questionário de Avaliação do Comprometimento à
Meta ' QuAC, proposto por Palhares et al. (2007).
Procedimentos
A tarefa realizada foi arremessar uma bola de basquetebol perpendicular à cesta
na posição de três pontos. Os participantes permaneceram com os pés fixos ao
solo e com a bola à altura da cabeça. A execução se deu com a mão dominante e
exatamente à frente da cesta, cabendo ao indivíduo saltar para arremessar a
bola (lançamento tipo jump).
Os indivíduos foram distribuídos aleatoriamente em dois grupos: G10% (n=7) e
G30% (n=6). Durante a fase de aquisição os indivíduos dos dois grupos tiveram
as metas específicas estabelecidas acrescentando 10% e 30%, respetivamente, ao
desempenho do pré teste.
O estudo foi composto em uma primeira fase, pré teste, sem meta determinada e
em 10 tentativas com a finalidade de definir a meta específica para a fase
seguinte. A meta foi calculada a partir de diferentes percentuais: 10% e 30%. A
fase de aquisição foi composta por 100 tentativas divididas em 10 blocos com 10
tentativas cada, com meta específica individual calculada a partir do pré
teste. Além disso, foi fornecido conhecimento de resultados (CR) após cada
bloco de tentativas, para efetividade da meta (Ugrinowitsch & Coca
Ugrinowitsch, 2003). O pós teste foi realizado 2 minutos após a fase de
aquisição com 10 tentativas sem meta determinada. Após o pós teste os
indivíduos responderam ao QuAC para análise do comprometimento em relação a
meta estabelecida.
O desempenho foi avaliado de duas diferentes formas: a partir de acertos e
erros e utilizando um escore referente a qualidade de execução do lançamento
(Tabela_1). O escore varia de 1 ponto, lançamento que não toca no aro e na
tabela, a 6 pontos, arremessos convertidos sem a bola tocar previamente no aro
e/ou na tabela (Palhares et al., 2007).
Análise estatística
Para análise do desempenho do escore realizamos uma ANOVA de dois fatores
(tempo: pré/pós-testes × grupos: 10%/30%) e para análise do desempenho de
acertos e erros utilizamos testes não paramétricos de Wilcoxon (para medidas
repetidas: pré/pós-testes) e U de Mann-Whitney (para análise entre grupos). A
análise de Wilcoxon foi realizada com ambos os grupos e com os grupos separados
para melhor compreensão dos dados. Para análise do efeito da meta estabelecida
no comprometimento a meta utilizamos a taxa de razão entre as porcentagens
apresentadas. O nível de significância adotado foi de p < 0.05. Devido o menor
número de sujeitos, utilizamos a estatística r de X como descrito por Field
(2009) para relatar o poder de efeito. Na análise do comprometimento à meta,
utilizamos o V de Cramer como tamanho de efeito já que este teste consegue
apontar um valor entre 0 e 1 e nos oferece o valor de p da análise.
RESULTADOS
Análise do desempenho na tarefa
As Figuras_1 e 2 apresentam as médias do desempenho de acertos e do escore de
cada grupo, separadas em blocos de dez tentativas durante as três fases do
estudo: pré-teste (PRÉ), aquisição (A1-A10) e pós-teste (PÓS).
O teste de Wilcoxon para o desempenho de todos os indivíduos em termos dos
acertos apresentou uma melhora não significativa com moderado poder de efeito
(p=0.07; r=0.49), assim como na análise com grupos separados (G10%: p=0.28;
r=0.4; G30%: p=0.16; r=0.56). O teste de Mann-Whitney não apontou diferenças
entre os grupos no pré e pós-teste (Pré: p=0.88; r=0.04; Pós: p=0.88; r=0.04).
Os testes para Anova de dois fatores apontou resultados similares no desempenho
avaliado pelo escore. A análise apontou efeito significativo somente para tempo
(F(1.11)=8.60; p=0.01; r=0,66). Não houve diferenças entre grupos (F
(1.11)=0.15; p=0.70; r=0.11) e efeito de interação tempo x grupos (p=0.36).
Análise do Comprometimento à Meta (QuAC)
Os resultados da análise do comprometimento à meta estabelecida são
apresentados na Tabela_2.
Como é observado, o grupo G30% apresenta uma porcentagem muito abaixo do grupo
G10% no comprometimento com a meta durante a fase de aquisição. O comportamento
se torna similar no comprometimento a meta no pós teste. As análises realizadas
apontam na mesma direção. O grupo 30% apresenta cinco vezes mais chance de
auto-estabelecer a meta em relação ao grupo G10% durante a fase de aquisição '
apesar do efeito moderado, o resultado não é significativo (V=0.38; p=0.17). O
comprometimento no pós teste foi similar entre os grupos com o grupo G30%
apresentando 1,5 vezes mais chance de auto-estabelecer a meta em relação ao
grupo G10% ' resultado não significativo com efeito pequeno (V=0.09; p=0.72).
DISCUSSÃO
O objetivo do presente estudo foi investigar os efeitos de diferentes
percentuais para o cálculo da meta específica na aquisição do lançamento para
três pontos do basquetebol, para indivíduos experientes e no comprometimento
com a meta estabelecida. As hipóteses testadas aqui foram a de que o grupo G10%
apresentasse resultados melhores que o grupo G30% devido a alta demanda
requerida para o grupo G30% e que o grupo G30% apresentaria menor
comprometimento com a meta devido a alta demanda requerida na mudança do
desempenho. Nossos resultados não corroboram com nossa primeira hipótese e
apresentam uma tendência em relação a segunda. Os grupos apresentaram
resultados iguais no pré e pós teste e, apesar de não significativo, o grupo
G30% apresentou menor comprometimento em relação ao grupo G10% com efeito
moderado.
Em relação a primeira hipótese, observamos que ambos os grupos melhoraram o
desempenho de forma similar não corroborando com a hipótese proposta.
Esperávamos que uma meta inalcançável pudesse ter efeito negativo no desempenho
dado que isto poderia influenciar em fatores motivacionais do sujeito.
Este resultado corrobora com o estudo de Weinberg et al. (1991) que não apontou
diferenças entre as metas fáceis e inalcançáveis (virtualmente impossíveis). A
diferença entre os estudos está na comparação realizada com um grupo experiente
(presente estudo) e um grupo variado. Nos parece que a perceção dos indivíduos
frente a possibilidade da meta acarretou nos resultados encontrados aqui '
mesmo que tenha ocorrido de forma inversa no estudo de Weiberg et al. (1991).
No estudo de Weinberg et al. (1991), os autores apontam que apesar da
dificuldade em alcançar a meta, os indivíduos não pareciam perceber o quão
próximo o desempenho estava do requerido na tarefa pelo fato dos indivíduos
estarem observando uma melhora gradativa em seus resultados. Supomos que este
seria um aspeto presente em estágios iniciais da aprendizagem onde não há
perceção correta do próprio desempenho e do possível alcance em termos de
mudança, ou ainda, que os indivíduos do estudo teriam alterado a meta para
faça o melhor possível com a adição de um e se possível, chegue no
requerido em vez de seguir de forma direta a meta estipulada. Em nosso estudo,
o efeito contrário pode ter ocorrido. Os indivíduos ao notarem uma meta
inalcançável prontamente auto-estabeleceram metas diferentes (mais fáceis,
genéricas ou nenhuma meta) e desta forma, a meta inalcançável não deteriorou a
performance dos sujeitos.
Nosso estudo corrobora também com Lane e Streeter (2003) que aponta que não
houve diferença entre os indivíduos experientes nas diferentes metas
estabelecidas. Apesar de não haver mensuração direta do comprometimento dos
indivíduos no outro estudo, os indivíduos apontam terem percebido as metas de
acordo com sua dificuldade. Desta forma, é capaz que ambos estudos tenham
apresentado o mesmo efeito no comprometimento com a meta.
Em contrário, nosso estudo não corrobora com os resultados encontrados por
Dutra (2007). O autor encontrou melhores desempenhos em indivíduos experientes
no saque do voleibol no grupo que teve sua meta com 30% de acréscimo do
desempenho no pré-teste em relação aos indivíduos que tiveram apenas 10%.
Entretanto, os indivíduos do nosso estudo diferem em termos de tempo de
experiência ' nossos indivíduos são atletas do time universitário (24 anos em
média) enquanto os indivíduos do estudo de Dutra (2007) são atletas das
categorias de base (15.5 anos em média). Desta forma, é possível que no nível
dos indivíduos analisados por Dutra (2007), a meta de 30% seja compatível e
suficientemente desafiadora. Em nosso caso, o desempenho inicial é maior, e
assim, o acréscimo de 30% no desempenho se torna impossível no período de
prática da coleta de dados. Outro fator que deve ser notado, deve-se a há
diferença no número de tentativas dadas em nosso estudo (100 tentativas) e em
Dutra (2007) (810 tentativas).
Considerando estudos com indivíduos inexperientes na tarefa, este resultado de
similaridade entre grupos corrobora com o estudo de Marinho et al. (2009) onde
nenhum dos grupos apresentou melhor performance em relação ao outro. Contudo,
no estudo de Marinho et al., (2009) quase todos os indivíduos reportaram auto-
estabelecer metas ' o que de fato também não resultou diferenças quando as
metas auto-estabelecidas foram comparadas.
Em relação a nossa segunda hipótese, nossos resultados parcialmente corroboram
com a hipótese mostrando que os indivíduos com metas inalcançáveis apresentam
menor comprometimento com a meta estabelecida, preferindo metas mais fáceis,
genéricas ou nenhuma. Isto se daria pelo fato de que ao estabelecer uma meta
inalcançável para indivíduos experientes, estes, sendo aptos para comparar o
atual desempenho com o requerido, prontamente alterariam a meta
autoestabelecendo-a em um nível condizente com sua experiência.
Este resultado, se considerado, não corrobora com os resultados de Weinberg et
al. (1991) e de Anshel, Weinberg, e Jackson (1992). Em Weinberg et al. (1991)
todos os indivíduos apresentam alto comprometimento com a meta estabelecida
independente da dificuldade desta. Entretanto, como apresentado anteriormente e
sendo uma das motivações para a realização do presente estudo, o estudo de
Winberg et al. (1991) não seleciona um nível específico de desempenho, o que
desta forma, não torna os resultados contraditórios em relação aos encontrados
no presente estudo. Em relação ao estudo de Anshel et al. (1992), este
evidencia maior motivação por parte dos indivíduos quando a meta estabelecida
era mais difícil ' ou desafiadora. A mesma situação apontada no estudo de
Winberg et al. (1991) permanece aqui: os indivíduos do estudo eram
inexperientes na tarefa em questão ' o que, nesta situação, corrobora
totalmente com as hipóteses de Locke et al. (1981).
Os resultados relativos a nossa segunda pergunta oferecem um ponto para
discussão: apesar de seguirem a instrução durante a prática, os indivíduos do
grupo G10% ' no pós-teste ' preferiram auto-estabelecer metas. Isto poderia
indicar uma mudança na relação com a meta estabelecida na mudança de situação
(prática para teste). Entretanto, estes resultados devem ser considerados com
cuidado, dado o baixo número de indivíduos e a falta de análises inferenciais
sobre este ponto. Adicionalmente, Munroe-Chandler, Hall, e Weinberg (2004)
investigaram este ponto e apontaram que atletas geralmente tem metas similares
no treino e em competição ' estudo com 249 atletas de 18 diferentes
modalidades.
As limitações do presente estudo se dão pelo tempo de prática ' apesar de
observarmos diferenças significativas no desempenho ' e o número de
participantes. Entretanto, dado que os tamanhos de efeito são apresentados,
nossos resultados conseguem apresentar sugestões para estudos futuros. Desta
forma, esperamos que caso novos estudos com maior número de participantes seja
conduzido, estes, possam corroborar com nossos resultados.
CONCLUSÕES
Desta forma, nosso estudo conclui que em indivíduos experientes, metas
estabelecidas a partir de um acréscimo de 10% ou 30% no desempenho inicial não
apresentam efeito na melhora do desempenho. Adiante, isto pode ser relacionado
ao fato de indivíduos com metas superiores terem maior tendência a não se
comprometer com a meta, autoestabelecendo metas condizentes com a possibilidade
de mudança.