Uma sessão de exercícios de treino de força não promove alterações negativas na
estrutura venosa dos membros inferiores em homens
INTRODUÇÃO
Os efeitos cardioprotetores do exercício físico têm sido referidos pelas
principais associações médicas internacionais (ACSM, 2009; Garber et al., 2011;
WHO, 2010) tanto para indivíduos saudáveis como para aqueles que possuem doença
ou fatores de risco cardiovascular. Contudo, a análise dos efeitos do exercício
físico nas doenças do sistema cardiovascular é efetuada com exercícios
predominantemente aeróbios (Sophromadze & Chabashvili, 2006) e com amostras
de idade avançada e diagnóstico positivo de doenças venosas (Ciuffetti,
Lombardini, Pasqualini, Vaudo, & Lupattelli, 1999; Ibegbuna, Delis,
Nicolaides, & Aina, 2003; Klonizakis, Tew, Michaels, & Saxton, 2009).
Neste contexto, o tipo de exercício recomendado pela literatura, para
indivíduos com doenças venosas, é o aeróbio (Kahn et al., 2003), pelo fato
deste ser capaz de melhorar o mecanismo de queda da pressão venosa e aumentar o
fluxo venoso. A contração muscular funciona como um efeito de bomba muscular,
proporcionando uma pressão de perfusão (Shiotani et al., 2002), o que auxilia o
retorno sanguíneo dos membros inferiores até o coração, visto que, neste
caminho a força da gravidade tem que ser superada (Padberg, Johnston, &
Sisto, 2004).
Em relação ao Treino de Força (TF), a utilização de exercícios que solicitem os
grupos musculares dos membros inferiores, principalmente os músculos da face
posterior da perna, tem-se demonstrado como uma atividade capaz de diminuir o
refluxo sanguíneo, aprimorar a competência das veias e, consequentemente,
promover redução dos desconfortos causados por disfunção das estruturas venosas
(Padberg et al., 2004). No entanto poucas são as evidências científicas sobre o
efeito da aplicação de exercícios do treino de força nas estruturas venosas,
tornando-se difícil encontrar dados capazes de corroborar ideias, e existindo
lacunas no conhecimento e respostas não conclusivas (Kumar, Seward, Wilcox,
& Torella, 2010; Padberg et al., 2004).
Deste modo, o objetivo do presente estudo é observar o efeito agudo de
exercícios de treino de força sobre o sistema venoso superficial dos membros
inferiores (MI) em homens treinados, por meio da mensuração do diâmetro venoso
(DV). Esta pesquisa tem como hipótese principal que o efeito imediato destes
exercícios não compromete o diâmetro venoso, e sim, possibilita a melhoria
funcional deste sistema. Ademais, a opção pela inserção de indivíduos do sexo
masculino é devido ao sexo feminino representar um fator de risco para doenças
venosas (Beebe-Dimmer, Pfeifer, Engle, & Schottenfeld, 2005; Seidel,
Miranda Jr., Juliano, & Novo, 2005).
MÉTODO
Participantes
A amostra foi composta por 22 homens, praticantes de treino de força, com uma
média de 22 ± 2 anos de idade, 81.2 ± 13.4 kg de massa corporal, 173.0 ± 4.0 cm
de estatura e 18.6 ± 3.3% de percentagem de gordura estimada.
O cálculo amostral foi estimado por meio do programa estatístico GPower,
adotou-se o erro de estimação a de 5%, estimativa do tamanho do efeito de 0.5,
o poder ß de 80%, e nível de confiança de 95%, o que resultou no número mínimo
de 17 indivíduos.
Os critérios de inclusão foram: (i) praticassem exercícios de força há pelo
menos, três meses, com uma frequência semanal de 3 vezes; (ii) não fumassem;
(iii) não ingerissem hormônios de qualquer natureza; (iv) não apresentassem
sinais e/ou sintomas de doenças venosas periféricas; (v) não tivessem realizado
nenhum procedimento cirúrgico venoso; e (vi) não apresentassem índice de massa
corporal (IMC) superior a 28 kg/m². Como critério de exclusão: não conseguir
executar os exercícios de TF durante a sessão experimental ou não comparecer ao
dia de coleta de dados. Este estudo seguiu todos os procedimentos estabelecidos
na declaração de Helsínquia sobre a ética na pesquisa em humanos.
Instrumentos e Procedimentos
Medidas antropométricas
Para a caracterização antropométrica da amostra foi usado para medir a massa
corporal uma balança antropométrica (Filizola, São Paulo, Brasil) e a estatura
um estadiómetro (Cardiomed, Curitiba, Brasil). Os procedimentos para obtenção
destas medidas decorreram de acordo com Eston, Eston e Reilly (2009). Para
avaliar a percentagem de gordura estimada foi utilizado um aparelho de
bioimpedância tetrapolar Bodystat 1500 (Bodystat, Ilha de Men, Reino Unido),
utilizado como indica Lukaski, Bolonchuk, Hall e Siders (1986).
Determinação da carga máxima (1-RM)
A determinação da carga máxima (1-RM) foi efetuada quatro dias antes da coleta
de dados, com intuito de minimizar o efeito residual de uma sessão de exercício
resistido sobre a sessão experimental (Miles et al., 2008). Os indivíduos
realizaram testes de repetições múltiplas nos exercícios de agachamento, avanço
e flexão plantar em pé, com valor de 1-RM determinado segundo o modelo
matemático de estimação de carga máxima proposto por Brzycki (1993).
Previamente ao teste, cada sujeito realizou um aquecimento geral, por cinco
minutos, numa bicicleta ergométrica (Monark, Suécia), a 25W e a 60 rpm. Na
sequência, realizou-se um aquecimento específico com seis a dez repetições com
50% de carga a ser utilizada no teste, estipulada pelo próprio sujeito, dada a
sua experiência prévia com os exercícios de TF. Após repouso de três minutos o
teste foi iniciado. Para determinação do 1-RM, os sujeitos foram orientados a
estimar uma carga para que tentassem executar no máximo de dez repetições sem
haver falha mecânica. Ajustes na carga, com intervalos de três minutos, eram
realizados quando o número de repetições excedia o valor estabelecido, ou era
menos que sete. Este intervalo de repetições parece ser o mais adequado para
estimar os valores de 1-RM (Whisenant, Panton, East, & Broeder, 2003). Os
escores médios, com o intervalo de confiança de 95%, em relação à carga (kg) e
número de repetições para o agachamento foi de 71.27±0.78 (69.63–72.91) kg e
8.13±0.18 (7.74–8.53) repetições; para o avanço foi de 50.63±0.64 (49.28–51.98)
kg e 8.72±0.19 (8.31–9.14) repetições; e, para a flexão plantar em pé foi de
82.27±0.78 (80.63–83.91) kg e 9.18±0.19 (8.77–9.58) repetições. A cadência foi
determinada por metrónomo (Timex, North Little Rock, EUA) em compasso binário
(2/2) e 50 bpm.
Mensuração dos diâmetros venosos e refluxo venoso
Os diâmetros venosos foram medidos por um médico angiologista. A medida ocorreu
durante a sessão experimental, em horários (07h00min as 08h30min) e dias
padronizados. Utilizou-se um aparelho de eco-Doppler colorido (Shimatzu, Kyoto,
Japão), com transdutor linear multifrequencial de 5-10MHz. O diâmetro venoso
(DV) foi determinado em sete porções anatómicas, sendo quatro pontos no
segmento da coxa e três na perna, na veia safena interna (VSI) do membro
direito e esquerdo, no repouso e imediatamente após as séries de treino de
força, totalizando 56 medidas por indivíduo (16 na coxa e 12 na perna, em cada
membro). Os locais de medição foram determinados conforme Seidel et al. (2005).
O refluxo venoso foi analisado sempre durante a mensuração dos DV, com os
indivíduos na posição de pé, usando a manobra de Valsalva e compressão e
descompressão bruscas distais para detetar a presença ou não de refluxo, sendo
considerado como refluxo venoso o tempo maior que 0.5 segundos de movimento
retrógrado do fluxo venoso na veia (Pavei et al., 2008; Quigley, Raptis, &
Cashman, 1994; Souza et al., 2005).
As sessões ocorreram numa sala ampla e bem iluminada com 20m², com temperatura
de 22 ± 2°C (Beurer, Ulm, Alemanha). Após 10 minutos de repouso na posição
sentada, cada sujeito da amostra realizou a primeira medida (na posição de pé)
do DV, da VSI, de ambos os membros inferiores. Posteriormente e após um
aquecimento específico conforme indicam Gourgoulis, Aggeloussis, Kasimatis,
Mavromatis e Garas (2003), seguiu-se a realização de três séries de um circuito
de três exercícios de força, iniciando com o avanço, agachamento e por último,
flexão plantar. Com o DV foi medido após a execução de cada série, sendo três
medidas. Totalizando quatro medidas repetidas: uma inicial e três ao término de
cada série de exercício de força para os MI.
As séries de força foram realizadas com intensidade de 85% de 1-RM, com pesos
livres e barras (Panatta, Apiro, Itália) de diferentes quilagens. Foram
desempenhadas três séries de 6 repetições e intervalos de 3 minutos entre as
mesmas, com aquecimento de 10 minutos, perfazendo um tempo total de 30 a 50
minutos por sessão, conforme indicado pelo colégio americano de medicina
esportiva (Garber et al., 2011), para este tipo de exercício. A execução de
cada exercício foi ritmada por metrónomo, ajustado em 50 bpm, com compasso
binário (2/2), de forma a assegurar que todos os sujeitos empregassem o mesmo
tempo para cada repetição. Para verificar a intensidade da sessão, empregou-se
a escala de Perceção Subjetiva de Esforço OMNI-RES, adaptada para exercícios de
força. O pesquisador principal do estudo orientou as sessões, monitorou a
intensidade e o volume, e corrigiu a postura dos participantes durante a
prática dos exercícios.
Análise Estatística
Os dados foram tabulados e analisados no pacote estatístico SPSS (Statistical
Package for Social Sciences), versão 16.0 para Windows. A estatística
descritiva foi composta pela determinação dos valores de média e desvio-padrão
(DP), além dos valores máximo e mínimo para as características antropométricas.
Antes da análise inferencial, a esfericidade dos dados foi verificada por meio
do teste de Mauchly, sendo que, ocorreu violação deste pressuposto nas medidas
do membro direito e esquerdo, desta forma, a correção de Greenhouse-Geisser foi
utilizada para modificar os graus de liberdade. Em seguida, foi analisado, por
meio de ANOVA de medidas repetidas, com o modelo 1 grupo × 4 momentos para as
medidas dos diâmetros venosos durante a sessão de exercício de força. Foi
efetuada a estimativa do tamanho do efeito através do valor do eta quadrado
parcial (?p²), segundo Cohen (1988). O nível de significância foi estabelecido
em 5%.
RESULTADOS
A Tabela_1 demonstra a resposta dos diâmetros venosos da veia safena interna do
membro direito (VSIdir), antes e imediatamente após a execução das três séries
de exercícios de TF. Os valores desta variável tenderam a diminuir após a
primeira série de exercício. Contudo, não foi detetado refluxo venoso em nenhum
ponto durante o exercício.
Em relação aos diâmetros venosos do membro esquerdo (VSIesq), verificou-se,
descritivamente, que na maioria dos pontos mensurados as médias tenderam a
diminuir, significativamente (p< 0.05) após o início do exercício (Tabela_2).
Nesta veia também não houve a ocorrência de refluxo venoso durante a sessão
experimental.
Quanto ao efeito do exercício de força sobre a estrutura venosa, verifica-se
que, para o membro direito, houve um efeito significativo (F(2.38, 364.71)=
52.84, p= 0.001, ?p²= 0.25), com elevado tamanho do efeito. As medidas do
repouso foram maiores do que as medidas após a primeira série (p= 0.001), após
a segunda (p= 0.001) e após a terceira série (p=0.001). Em adição, refere-se a
diminuição significativa entre as medidas após a primeira e segunda séries (p=
0.009) e o aumento entre a segunda e terceira séries (p= 0.027) (Figura_1). Em
relação à VSIesq, verificou-se efeito significativo do tempo (F(2.72, 416.56)=
22.69, p= 0.001, ?p²= 0.13), porém com baixo tamanho do efeito. Nestas veias
também houve uma queda significativa do repouso para primeira (p= 0.001),
segunda (p= 0.001) e terceira (p= 0.001) séries, ademais observa-se uma
diferença entre das medidas após a primeira e segunda série (p= 0.001), momento
em que houve um aumento do DV (Figura_1).
Quanto à perceção subjetiva de esforço (PSE), durante as séries de exercício de
força, em relação aos músculos utilizados, observa-se um efeito significativo
do tempo (F(2,42)= 101.67, p= 0.001, ?p²= 0.82), com elevado tamanho de efeito.
A PSE aumentou ao longo da sessão experimental, sendo que a medida após a
primeira série foi de 6.77 ± 0.81, classificada como atividade pouco difícil.
Após a segunda série de 8.05 ± 0.84 categorizando o exercício como difícil, e
após a execução da última série foi de 9.23 ± 0.61, valor considerado como
“extremamente difícil” para a perceção do exercício de força.
DISCUSSÃO
Os resultados deste estudo parecem revelar que uma sessão de exercício de
força, para os membros inferiores, não afeta de forma negativa a função das
estruturas venosas superficiais, deste segmento. A afirmação anterior é
suportada pela não observação de refluxo venoso, em nenhum momento da sessão
experimental, demonstrando, que o efeito agudo da prática, deste tipo de
atividade, não causa prejuízo ao sistema venoso superficial do membro inferior
(SVSMI). Em adição, pode-se referir, o fato das VSI tenderem a diminuir da
situação do repouso para as medidas ao longo das séries de exercícios de TF.
Acrescenta-se, que em relação ao exercício aeróbio (corrida), Sophromadze e
Chabashvili (2006) não observaram um efeito prejudicial, nas veias dos membros
inferiores, ao nível da complacência e da eficiência das suas válvulas, em
atletas de futebol e wrestlers de alto nível. Outro aspeto, que merece ser
referido, é que após cessar o exercício, as veias dos jogadores de futebol
tiveram um retorno à condição inicial mais rápido do que o grupo de wrestlers.
Contudo, o observado, pode ter resultado das diferenças iniciais,
significativas, no diâmetro venoso e no fluxo sanguíneo, e superiores nos
sujeitos jogadores de futebol em relação aos wrestlers. Os autores atribuem
essas diferenças às possíveis adaptações fisiológicas da circulação ascendente,
que é facilitada pelo tipo de contração muscular dos MI na prática do futebol
(Sophromadze & Chabashvili, 2006).
Os diâmetros venosos estão fortemente relacionados com as insuficiências do
sistema venoso periférico, como a insuficiência venosa crónica (IVC). A
dilatação de um vaso sanguíneo pode provocar o refluxo venoso e,
consequentemente, um aumento na pressão venosa local, especialmente nos membros
inferiores (Eifell, Ashour, & Lees, 2006), onde devido à ação da força da
gravidade, necessita de maior bombeamento para o seu trajeto ascendente ao
átrio direito (Padberg et al., 2004).
Sabe-se que o exercício aeróbio (Ciuffetti et al., 1999; Ibegbuna et al., 2003;
Klonizakis et al., 2009) e com sobrecarga muscular (Silva et al., 2010) promove
uma melhoria na função venosa dos membros inferiores em pacientes com IVC. Esta
melhoria já foi observada em pacientes com trombose venosa profunda com o
exercício de caminhada em tapete rolante e, igualmente, observado uma
diminuição, significativa, do volume do membro afetado (Kahn et al., 2003). O
IVC é uma patologia multifatorial, contudo a exposição prolongada do vaso a
elevadas pressões venosas parece ser um dos aspetos mais importantes no
processo de desenvolvimento da doença (Eifell et al., 2006). O efeito
hipotensivo após exercício aeróbio (Casonatto & Polito, 2009) e de treino
de força (Rodrigues-da-Silva, Lima, Rodrigues, Júnior, & Ritti-Dias, 2013)
pode ter neste aspeto um papel importante, podendo ser uma das razões dos
resultados observados no presente estudo.
As medidas dos diâmetros venosos apresentaram-se reduzidas após o desempenho
das séries de exercícios de treino de força. Apesar destas alterações, as veias
demonstraram estar adequadas quanto à sua função e competência, uma vez que,
após o exame, o médico não referiu à presença de refluxo sanguíneo na amostra
investigada quando estas estruturas são submetidas à sobrecarga tensional dos
músculos, sugerindo a suficiência do sistema valvular destas veias, que se
localizam acima da musculatura da perna. Em indivíduos saudáveis e com idade
avançada (60 ± 4 anos) foi observada uma rápida queda da pressão venosa do
tornozelo e aumento do fluxo venoso da perna em resposta aguda ao exercício em
cicloergómetro (Shiotani et al., 2002). Este fato deve-se a durante o
exercício, a contração muscular aumenta a pressão fora das veias e impulsiona
de volta o sangue ao coração, reduzindo o gradiente de pressão hidrostática
necessário para a formação de edema (Stick, Grau, & Witzleb, 1989).
Engelhorn et al. (1997) evidenciaram que o diâmetro da veia safena é um forte
indicador da insuficiência valvular venosa e que, por meio da análise isolada,
desta única medida (diâmetro), é possível predizer a existência de um refluxo
com um nível de exatidão de 70%. Além disso, a quantificação do diâmetro
apresenta relação direta com o refluxo venoso (Mdez-Herrero et al., 2007). É
pertinente ressaltar que o equipamento empregue para as medições dos DVs, é
adotado como padrão para o diagnóstico e demonstração da anatomia venosa dos
membros inferiores, garantido assim a validade e a fiabilidade dos dados
obtidos (Engelhorn et al., 1997; Seidel et al., 2005).
De acordo com dados apresentados por van Duijnhoven et al. (2008) que, ao
aplicarem um programa de treino de força, com electroestimulação, não
identificaram aumento no diâmetro da veia poplítea; no entanto, este estudo
avaliou uma espécie de treino vibratório com aproximadamente 19Hz, e com
execução de exercícios de força estáticos, portanto de baixa intensidade e
isométricos. Em referência às investigações que objetivaram analisar os efeitos
do exercício de força sobre a competência vascular, especialmente, no que
concerne ao treinamento dos músculos gastrocnémio e sóleo, os resultados
indicam que o fortalecimento desses grupos musculares promove alterações
benéficas na hemodinâmica venosa. Tais como, a diminuição do refluxo sanguíneo,
redução do volume venoso funcional e da fração de volume residual, além do
aumento da fração de ejeção sanguínea. Em adição, foi observado num programa de
exercício, o qual incluiu treino de força juntamente com meias de compressão,
uma diminuição do refluxo venoso em pacientes com doença venosa crónica
(Zajkowski, Draper, Bloom, Henke, & Wakefield, 2006).
Quanto à corroboração ou contestação desses dados, com os resultados de outros
estudos, evidencia-se que os mecanismos fisiológicos capazes de explicar
possíveis alterações ainda não estão amplamente esclarecidos. Em relação à
redução dos DVs, após o início dos exercícios, verifica-se uma vasoconstrição
dos vasos em resposta a sobrecarga muscular atribuída pelas atividades físicas,
que pode ser favorecida pelo efeito de sucção venosa dos músculos inspiratórios
(Miller, Pegelow, Jacques, & Dempsey, 2005), e pela transferência de sangue
para a circulação central devido à contração muscular e retorno impedido pelas
válvulas venosas (Stick, Jaeger, & Witzleb, 1992).
Durante o exercício físico há uma elevação da atividade do sistema simpático,
que é um importante sistema vasopressor no controle da capacitância venosa
(Pang, 2001). As contrações rítmicas da musculatura esquelética transferem uma
considerável quantidade de energia cinética para o sangue venoso facilitando,
assim, o retorno venoso ao coração (Miller et al., 2005). Nesse sentido, o
exercício físico atua, igualmente, favorecendo o retorno venoso por meio da
bomba muscular periférica da perna (González-Alonso et al., 2008). Entretanto,
pesquisas enfatizam a investigação dessas alterações em relação ao exercício
aeróbio (Padberg et al., 2004) e apontam a necessidade de respostas mais
conclusivas, relacionadas às modificações venosas durante o exercício de força.
Como limitações deste estudo, citam-se a falta de medição da velocidade do
fluxo venoso durante a sessão aguda de força, a não mensuração da pressão das
veias ao longo do desempenho das séries, bem como a falta de controlo do padrão
da respiração, visto que existem diferenças no retorno venoso, conforme o tipo
de respiração adotado, diafragmática ou torácica (Miller et al., 2005). Neste
estudo, o padrão respiratório foi contínuo, com tendência para o bloqueio
durante a execução das séries, devido ao alto percentual de carga aplicado.
Além disto, não se identificou o tempo necessário para que os diâmetros das
veias retornem aos níveis iniciais.
Quanto às implicações práticas, destaca-se o fato desta pesquisa indicar que o
desempenho de exercícios de força não comprometeu o funcionamento das veias
superficiais do membro inferior, veias que estão relacionadas ao surgimento de
varizes (Beebe-Dimmer et al., 2005), o que é um desfecho evitado devido à má
aparência estética das veias dilatadas. Indicando aos profissionais que atuam
com este tipo de exercícios em academias, clubes, ginásios ou ambientes
públicos, que a prática de exercícios de treino de força, como o agachamento,
flexão plantar e avanço, não causam danos às veias do sistema venoso
superficial dos membros inferiores. Porém, ressalta-se que foram avaliados
homens treinados. Não obstante, o treino de força também não promoveu
alterações negativas nas veias superficiais do membro inferior em mulheres com
doença venosa (Silva et al., 2010). Enfim, estes dados corroboram a ideia de
que deve-se prescrever os exercícios de TF como formar de auxiliar no
funcionamento do sistema venoso superficial dos membros inferiores (SVSMI).
Considera-se que o presente estudo, poderá servir como um parâmetro para
direcionamento de pesquisas que investiguem o efeito do exercício de força para
mulheres. A observação do efeito deste tipo de exercício, nesta população,
torna-se pertinente, visto que o SVSMI dos indivíduos do sexo feminino
apresenta-se mais frágil que os congéneres masculinos, principalmente devido a
fatores hormonais. Assim, sugerem-se estudos futuros com populações do sexo
feminino, sob condição de controlo de exposição de riscos.
CONCLUSÕES
A partir do desempenho agudo dos diâmetros venosos, sugere-se que a prática do
exercício de força não promove alterações negativas na estrutura das veias de
homens treinados. Adiciona-se que não houve refluxo venoso nos membros
inferiores investigados, em que a tendência do diâmetro venoso é reduzir-se
após a sessão aguda de exercício de força, indicando que a sua prática é
eficiente para o desempenho desta estrutura, por não comprometê-la.