Efeitos da experiência nas dimensões de intensidade, direção e frequência da
ansiedade e autoconfiança competitiva: Um estudo em atletas de desportos
individuais e coletivos
INTRODUÇÃO
Um dos principais domínios de investigação da Psicologia do Desporto tem sido
avaliar os níveis de ansiedade competitiva em atletas de diferentes contextos,
assim como entender os seus principais fatores de influência e respetivas
consequências (Craft, Magyar, Becker, & Feltz, 2003; Jones, 1995). Grande
parte das pesquisas tem sido baseada na Teoria Multidimensional da Ansiedade
Competitiva, a partir da qual Martens, Vealey e Burton (1990) desenvolveram o
Competitive State Anxiety Inventory ' 2 (CSAI-2).
No entanto, após uma utilização extensiva do CSAI-2, diversos estudos
questionaram a validade fatorial desse instrumento (Coelho, Vasconcelos-Raposo,
& Fernandes, 2007; Cox, Martens, & Russell, 2003; Fernandes, Nunes,
Vasconcelos-Raposo, Fernandes, & Brustad, 2013b; Fernandes, Vasconcelos-
Raposo, & Fernandes, 2012a; Lane, Sewell, Terry, Bartram, & Nesti,
1999; Martinent, Ferrand, Guillet, & Gautheur, 2010; Tsorbatzoudis et al.,
2002). Uma das principais pesquisas que criticou o modelo fatorial do CSAI-
2 foi o estudo seminal de Cox et al. (2003), no qual os autores sugeriram a
substituição do CSAI-2 por uma versão reduzida de 17 itens (CSAI-2R).
Para além das questões das propriedades psicométricas do instrumento, uma outra
crítica atribuída ao instrumento reside no fato de a versão original do CSAI-
2 unicamente mensurar a ansiedade competitiva através da dimensão de
intensidade de resposta. Para Jones (1995) a verificação da ansiedade
competitiva somente através da dimensão de resposta intensidade é limitada e
não esclarece algumas das questões inerentes à relação entre este constructo e
o desempenho desportivo. Mais especificamente, de acordo com Jones e Swain
(1992), pode ser que um atleta perceba esses sintomas como facilitadores do seu
desempenho (um estado emocional necessário para seu desempenho atribuindo a
devida importância ao evento competitivo), enquanto outro atleta perceba esses
sintomas como dificultadores do seu desempenho (preocupação excessiva com a
competição). Swain e Jones (1993) também sugeriram a adição de uma dimensão de
resposta associada à frequência das perceções, a fim de refletir a quantidade
de ocorrências/tempo que os atletas experimentam os sintomas de ansiedade antes
ou durante a competição. Estas sugestões ampliaram a base de conhecimento sobre
a relação entre a intensidade, direção e frequência da ansiedade, tanto ao
nível intra-individual (abordagem ideográfica) como inter-individual (abordagem
nomotética) (Cerin, 2004; Jones & Hanton, 2001). Recentemente, Fernandes et
al. (2013b), validaram, para o contexto brasileiro, o CSAI-2R de 16 itens, com
a inclusão adicional das escalas de resposta associadas à direção e frequência,
o que contribui para o desenvolvimento de pesquisas neste contexto, associadas
à multidimensionalidade da ansiedade, suas diferentes perceções e implicações
para o desempenho desportivo, enriquecendo assim as existentes pesquisas no
contexto brasileiro que ora se basearam na versão original pouco válida/
confiável do CSAI-2, ora unicamente mensuraram a dimensão intensidade de
resposta.
Segundo vários autores (Fernandes et al., 2013b; Martinent et al., 2010;
Thomas, Maynard & Hanton, 2004) os atletas que percebem sua ansiedade como
facilitadora do desempenho tendem a apresentar níveis elevados de intensidade
de autoconfiança; da mesma forma, interpretações positivas dos sintomas de
ansiedade cognitiva e somática aumentam a frequência de autoconfiança. De
acordo com Martens et al. (1990), as dimensões da ansiedade competitiva
(ansiedade cognitiva, ansiedade somática e autoconfiança) podem ser
influenciadas pelo nível de habilidade (por ex.: experiência competitiva).
Mellalieu, Hanton e O'Brien (2004) relataram que atletas com alta experiência
competitiva reportaram baixos níveis de ansiedade cognitiva e somática, assim
como, elevados níveis de autoconfiança comparados aos atletas com baixa
experiência competitiva. Para estes autores, o nível de experiência competitiva
influencia a interpretação dos sintomas usualmente experimentados pelos atletas
na situação de competição, o que foi mais recentemente suportado por Hanton,
Neil, Mellalieu e Fletcher (2008). Tanto quanto a literatura nos permite
conhecer, existe uma lacuna nesta evidência empírica quanto à influência da
prática de diferentes tipos de modalidades (individuais vs. coletivas) na
relação entre experiência competitiva e as dimensões da ansiedade competitiva.
Dados os diferentes envolvimentos (intra, interpessoais e ambientais) que
ocorrem nestes variados contextos, torna-se necessário e pertinente compreender
possíveis variações nas perceções da ansiedade em função de diferentes grupos
de modalidades desportivas.
Diante das evidências empíricas apresentadas, a primeira hipótese do presente
estudo, baseada na Teoria Multidimensional da Ansiedade (Martens et al., 1990),
é de que a ansiedade cognitiva e a ansiedade somática se correlacionarão
positivamente entre si, e que a autoconfiança se correlacionará inversamente
com as ansiedades (cognitiva e somática). A segunda hipótese é que os atletas
que percebem positivamente a sua ansiedade, geralmente apresentarão aumento dos
níveis de frequência de autoconfiança (Fernandes et al., 2013b; Martinent et
al., 2010; Thomas, Maynard & Hanton, 2004). Finalmente, a terceira
hipótese, é que a experiência competitiva de praticantes de diferentes
modalidades (individuais ou coletivas) exercerá distintos efeitos sobre os
níveis de ansiedade e autoconfiança.
Portanto, o presente estudo teve como objetivo: i) examinar as correlações
inter-escalas entre as três dimensões de respostas (intensidade, direção e
frequência) do CSAI-2R e sua relação com a experiência competitiva; e ii)
verificar o efeito da experiência competitiva na ansiedade (cognitiva e
somática) e na autoconfiança, na amostra total e em função de diferentes tipos
de modalidades (individuais vs. coletivas).
MÉTODO
O estudo é do tipo descritivo, relacional e ex post facto.
Participantes
A amostra, do tipo não probabilística e intencional, foi composta por 267
atletas amadores (196 do sexo masculino e 71 do sexo feminino), de diferentes
modalidades desportivas, com idades compreendidas entre os 18 e 40 anos (M=
24.30, DP= 5.62). Os atletas tinham entre 1 e 33 anos de prática desportiva (M=
10.03, DP= 7.00) e entre 1 e 30 anos de experiência competitiva (M= 7.52, DP=
5.61). Quando analisada a modalidade desportiva praticada obteve-se a seguinte
distribuição: futebol (19.5%), voleibol (21%), basquetebol (3%), andebol
(4.5%), judo (2%), jiu-jitsu (5%), karaté (0.5%), corrida (3%), surf (0.5%),
natação (10.5%), ténis (2.5%), futsal (22.5%), futvolei (1.0%) e motocross
(4.5%). De um modo geral, 28% dos atletas praticavam modalidades desportivas
individuais, enquanto 72% dos atletas praticavam modalidades desportivas
coletivas. Relativamente à experiência competitiva, os atletas foram
dicotomizados em alta' e baixa experiência competitiva, baseado nos anos de
experiência em competições via median-split method. Valores de mediana foram
calculados pelos anos de experiência dos atletas em competições em seus
respetivos desportos. A mediana split (mediana= 6) para a experiência
competitiva resultou em 130 atletas no grupo com alta experiência (M= 12.63,
DP= 4.39) e 114 atletas com baixa experiência (M= 3.27, DP= 1.96). Vinte e
três atletas foram removidos desta análise por estarem classificados na
mediana.
Instrumentos
Informação demográfica
Foi requisitado aos atletas que fornecessem informações sobre sexo, idade,
modalidade desportiva e experiência competitiva.
Ansiedade e autoconfiança competitiva
Os atletas preencheram uma versão brasileira (Fernandes et al, 2013b) da forma
reduzida (CSAI-2R) do CSAI-2 original (Martens et al., 1990), a qual incluiu a
adição das dimensões de resposta de direção e de frequência. Este instrumento é
composto por 16 itens que medem três dimensões: ansiedade cognitiva (itens 1,
4, 6, 8 e 12), ansiedade somática (itens 2, 5, 9, 11, 13 e 15) e autoconfiança
(itens 3, 7, 10, 14 e 16). A dimensão de resposta de intensidade foi avaliada
em uma escala Likert de 4 pontos, variando de 1 (nada) a 4 (muito). A dimensão
direção foi respondida em uma escala Likert bipolar de 7 pontos, de −3 (muito
debilitante/negativo) a +3 (muito facilitador/positivo), de acordo com a
perceção dos sintomas serem debilitantes ou facilitadores do desempenho, com 0
indicando que o atleta percebia que o sintoma não era importante para ele
(Jones & Swain, 1992). Finalmente, a dimensão de frequência (Swain &
Jones, 1993) também foi avaliada através de uma escala Likert de 7 pontos, de 1
(nunca) a 7 (muitas vezes). Assim, as respostas aos itens das escalas CSAI-2R
variaram de 1 a 4 (dimensão intensidade), de −3 a +3 (dimensão direção) e de 1
a 7 (dimensão frequência). O escore para cada dimensão é calculado através da
soma das respostas dos itens de cada fator dividida pelo respetivo número de
itens.
Procedimentos
Inicialmente, o projeto de pesquisa foi submetido ao Comitê de Ética
Institucional de Pesquisa da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), em
conformidade com a Resolução brasileira (CNS/MS No.196/1996), e obteve
aprovação (Protocolo 425/2010). Em seguida os organizadores da competição e os
treinadores foram contactados para que fosse obtida a autorização para o
primeiro pesquisador ter acesso aos atletas, a fim de coletar os dados.
Finalmente, os atletas foram informados dos objetivos da investigação e
convidados a preencherem o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE),
no qual o anonimato e a confidencialidade foram garantidos em todo o
procedimento de coleta dos dados. Os participantes preencheram o questionário
aproximadamente uma hora antes da sua competição.
Dado o tipo de amostragem utilizado, não foi possível obter uma amostra
homogénea e contrabalançada em termos de prática de diferentes tipos de
modalidades (individuais ou coletivas).
Análise Estatística
A análise dos dados foi dividida em cinco estágios. Primeiramente, analisamos
as premissas de normalidade, linearidade, multicolinearidade e homogeneidade da
matriz de variância-covariância utilizando análises de frequência, scatter
plots e Box's M test. Segundo, examinamos a confiabilidade das dimensões do
instrumento através do cálculo do alpha de Cronbach. No terceiro estágio,
verificamos os coeficientes de correlação entre as dimensões de respostas de
intensidade, direção e frequência do CSAI-2R através dos coeficientes de
correlação de Pearson. No quarto estágio foi empregado o método de split-median
post hoc para dicotomizar grupos em alta e baixa experiência competitiva
baseado em há quanto tempo (em anos) o atleta participava de competições. Esta
metodologia foi previamente utilizada por Mellalieu et al. (2004) e Hanton et
al. (2008) que investigaram o efeito da experiência na ansiedade competitiva.
Por fim, no quinto estágio e de acordo com prévio estudo no contexto brasileiro
(Fernandes, Nunes, Vasconcelos-Raposo, & Fernandes, 2013a), o qual
objetivou analisar o efeito de variáveis contextuais na ansiedade competitiva,
aplicamos, separadamente, os procedimentos de análise multivariada de variância
(two-way MANOVA) para examinar o efeito da experiência competitiva nas
dimensões de repostas de intensidade, direção e frequência do CSAI-2R. A
ansiedade cognitiva, ansiedade somática e autoconfiança foram inseridas como
variáveis dependentes, enquanto a experiência competitiva entrou como variável
independente. Estas análises foram efetuadas no SPSS 17.0, sendo mantido o
nível de significância em 5%.
RESULTADOS
Análise preliminar dos dados
Os dados relativos aos escores das dimensões do CSAI-2R foram examinados com
relação a possíveis erros de digitação, casos omissos e as premissas para a
análise multivariada. Não foram registrados os casos omissos e os erros na
entrada dos dados foram corrigidos, assim como não houve casos extremos na
análise multivariada e univariada.
As premissas de normalidade, linearidade e multicolinearidade não foram
violadas, bem como a de homogeneidade da matriz de variância-covariância (p>
0.05), de acordo com as recomendações de Tabachnick e Fidell (2001). A
consistência interna das dimensões de resposta do instrumento foi calculada
através do alpha de Cronbach, tendo-se obtido os seguintes índices: intensidade
(ansiedade cognitiva= 0.85; ansiedade somática= 0.89; autoconfiança= 0.83),
direção (ansiedade cognitiva= 0.88; ansiedade somática= 0.88; autoconfiança=
0.91) e frequência (ansiedade cognitiva= 0.84; ansiedade somática= 0.79;
autoconfiança= 0.79), sendo obtidos coeficientes acima do usual critério de
0.70.
Intercorrelações entre as dimensões do CSAI-2R e associação com a experiência
competitiva
As correlações de Pearson entre os fatores do CSAI-2R (16 itens) e a
experiência competitiva, assim como entre as dimensões de respostas, as médias
dos fatores e os desvios-padrão dessas variáveis são apresentados na Tabela_1.
Análise do efeito da experiência competitiva
Os resultados descritivos da MANOVA por experiência competitiva (alta vs.
baixa) na amostra total são apresentados na Tabela_2. De modo geral, verificou-
se que esta variável exerce um elevado efeito multivariado significativo [F
(9,234)= 4.081, p< 0.01; Wilks' Lambda= 0.864, ηp²= 0.14] sobre as dimensões da
ansiedade competitiva. Detalhes da análise univariada são apresentados na
tabela_2.
Por sua vez, quando analisado o efeito conjugado da experiência competitiva e
tipo de modalidades desportivas, não se verificou um efeito multivariado
significativo sobre as dimensões da ansiedade [F(9,232)= 1.33, p> 0.05; Wilks'
Lambda= 0.951, ηp²= 0.05].
DISCUSSÃO
A presente investigação pretendeu verificar a correlação entre as dimensões de
respostas (intensidade, direção e frequência) da ansiedade competitiva e da
autoconfiança mensuradas através do CSAI-2R, assim como os efeitos da
experiência competitiva na ansiedade cognitiva, ansiedade somática e
autoconfiança de atletas brasileiros de diversas modalidades desportivas.
Dentro do nosso conhecimento, este estudo é pioneiro no Brasil por utilizar a
versão brasileira (Fernandes et al., 2013b) devidamente válida e confiável do
CSAI-2R (Cox et al., 2003) com as escalas adicionais de direção e frequência.
Além disso, o presente estudo destacou a importância de se avaliar a ansiedade
competitiva através das dimensões de respostas de intensidade, direção e
frequência, a qual é uma tendência contemporânea. Woodman e Hardy (2001)
sugerem que psicólogos do desporto utilizem uma abordagem detalhada com relação
às dimensões de respostas (intensidade, direção e frequência) na avaliação da
ansiedade competitiva.
A primeira hipótese do presente estudo foi suportada pelos resultados
referentes às correlações entre as dimensões de respostas de intensidade da
ansiedade (cognitiva e somática) e da autoconfiança tal como avaliadas através
do CSAI-2R. Estes achados estão em conformidade com a Teoria Multidimensional
da Ansiedade (Martens et al. 1990) e com recentes estudos no contexto
brasileiro (Fernandes et al., 2012a, 2012b, 2013a). Dessa forma, quando os
atletas reportam elevados escores de autoconfiança, geralmente, encontram-se
com baixos níveis de ansiedade cognitiva e somática. Estes dados são de
fundamental importância para as intervenções da Psicologia do Desporto. Quando
psicólogos do desporto objetivarem auxiliar aos atletas a controlarem a sua
ansiedade pré-competitiva, é sugerido que também seja dada a devida ênfase no
desenvolvimento da autoconfiança dos atletas.
A segunda hipótese da presente investigação foi suportada pelos resultados
obtidos. Especificamente, quando os atletas percebiam sua ansiedade (cognitiva
e somática) como facilitadora do desempenho, apresentaram aumento da frequência
de pensamentos relacionados à autoconfiança. Estes resultados estão de acordo
com prévios estudos (Martinent et al., 2010; Thomas et al., 2004) e inclusive
no contexto competitivo brasileiro (Fernandes et al., 2013b). Por outro lado,
quando os atletas percebiam sua ansiedade como dificultadora do desempenho,
apresentaram diminuição de ocorrências de pensamentos relacionados à
autoconfiança. Dessa forma, torna-se fundamental investigar a direccionalidade
dos sintomas de ansiedade, como sugerido por Jones e Swain (1992). Estes
resultados reforçam a necessidade de investigar a ansiedade competitiva levando
em consideração as dimensões de respostas de intensidade, direção e frequência.
Finalmente, a terceira hipótese foi parcialmente suportada através dos
resultados significativos do efeito da experiência competitiva nas dimensões de
respostas do CSAI-2R. De modo geral, a experiência competitiva exerceu elevados
efeitos sobre as três dimensões de respostas (intensidade, direção e
frequência) da autoconfiança. Estes achados são algo semelhantes aos resultados
de Mellalieu et al., (2004), Hanton et al. (2008) e Fernandes et al. (2013a).
De acordo com estes autores e confirmado no presente estudo, os atletas com
alta experiência competitiva tendem a interpretar os seus sintomas de ansiedade
e de autoconfiança como facilitadores do desempenho e também uma menor
ocorrência de pensamentos relacionados aos sintomas de ansiedade. Por outro
lado, os atletas com baixa experiência competitiva tenderam a perceber seus
sintomas de ansiedade e autoconfiança como dificultadores do desempenho, assim
como, uma maior ocorrência de pensamentos relacionados aos sintomas de
ansiedade competitiva comparados aos atletas com alta experiência competitiva.
Importa destacar que tanto os atletas de desportos individuais como os de
desportos coletivos que foram classificados com baixa experiência competitiva,
revelaram níveis baixos de intensidade de autoconfiança, ou seja, a experiência
competitiva foi fundamental para as perceções de autoconfiança,
independentemente da natureza da modalidade praticada. Os resultados
encontrados no presente estudo, com relação à experiência competitiva, realçam
a importância que os psicólogos do desporto devem dirigir às perceções que os
atletas com baixa experiência competitiva têm com relação a direção
(dificultadora) dos seus sintomas de ansiedade, assim como as perceções de
autoconfiança. Importa destacar que a autoconfiança é uma variável que
influencia de modo significativo o desempenho desportivo (Craft et al., 2003;
Moritz, Feltz, Fahrbach, & Mack, 2000; Woodman & Hardy, 2003). Estes
achados reforçam a ideia de Hanton et al. (2008), para os quais a experiência
competitiva é uma variável de fundamental importância no estudo da ansiedade
multidimensional.
A presente investigação tem algumas limitações que merecem ser enunciadas, a
saber: i) o design transversal, impossibilitando a inferência causal, ii) a
amostra foi composta de diversas modalidades desportivas em número desigual e
iii) as amostras de desportos individuais e coletivos não estavam em proporções
iguais. Dessa forma, sugerimos estudos futuros com amostras em proporções
iguais entre as modalidades esportivas, assim como entre desportos individuais
e coletivos e que se avance para estudos relacionais entre a ansiedade
competitiva, com a inclusão das respostas de direção e frequência, e outras
variáveis psicológicas, como por exemplo, clima motivacional, orientações
motivacionais e burnout, através de análises de caminhos (path-analyses).
CONCLUSÕES
Os principais resultados do presente estudo indicaram que as dimensões de
respostas (intensidade, direção e frequência) do CSAI-2R estão correlacionadas
moderadamente na amostra de atletas do presente estudo, sugerindo a importância
de se avaliar a ansiedade competitiva numa perspetiva ideográfica. Para além
disso, as análises comparativas indicaram que a experiência competitiva
influencia, de modo significativo, a perceção da direção da ansiedade
competitiva, assim como a intensidade de autoconfiança, tanto para desportos
individuais, como para desportos coletivos. Dessa forma, concluímos que a
experiência competitiva influencia as perceções de ansiedade e de
autoconfiança, constituindo um importante fator que deve ser levado em conta em
futuras intervenções e investigações centradas na perceção da ansiedade
competitiva.