Características motivacionais de atletas brasileiros
Os motivos que levam os indivíduos a praticar e a se manterem no desporto têm
recebido grande atenção dos pesquisadores em Psicologia do Desporto em todo o
mundo (Gomes, Coimbra, Garcia, Miranda, & Bara Filho, 2007). Ao mesmo
tempo, atletas e treinadores consideram importante o desenvolvimento de novos
métodos para aumentar a motivação (Coimbra et al., 2008). Ou seja, tanto
psicólogos do desporto, quanto treinadores e atletas concordam que a motivação
é um fator de extrema importância no desporto competitivo.
Vários são os aspetos primordiais para o atleta atuar no desporto competitivo.
Destacando o aspeto psicológico, o atleta necessita de um alto grau de
motivação para suportar as cargas dos treinos, o estresse gerado durante as
competições além da pressão de patrocinadores, familiares e treinadores. Deste
modo, treinamentos e competições compatíveis com a capacidade do atleta
provocarão um nível ótimo de motivação (Miranda & Bara Filho, 2008).
A Teoria da Autodeterminação, postulada por Deci e Ryan (1985), estabelece que
existam três necessidades psicológicas básicas e primordiais: competência,
relação social e autonomia. A necessidade de competência é a experiência de
controlar o resultado, ou seja, se sentir capaz de algo. A de relação social é
o esforço para constituir relações afetivas com o próximo, preocupar-se com o
outro e sentir reciprocidade. E a de autonomia é o desejo de se sentir na
origem de suas ações (Fernandes & Vasconcelos-Raposo, 2005; Murcia, Gimeno
& Coll, 2007; Murcia & Coll, 2006; Perreault & Vallerand, 2007;
Ryan & Deci, 2000). Esta teoria estabelece que a motivação do indivíduo
seja vista de uma forma contínua, definida por níveis de autodeterminação, da
motivação mais autodeterminada para a menos autodeterminada, resultando em três
diferentes tipos de motivação: intrínseca, extrínseca e amotivação. (Chantal,
Guay, Dobreva-Martinova, & Vallerand, 1996; Cresswell & Eklund, 2005;
Perreault & Vallerand, 2007; Sarrazin, Vallerand, Guillet, Pelletier, &
Cury, 2002).
A motivação Intrínseca (MI) se refere à atividade que é praticada simplesmente
pelo prazer e pela satisfação gerada pela própria atividade, ou seja, o
indivíduo participa voluntariamente, sem esperar recompensas externas à
atividade. Por exemplo, desportistas que sentem satisfação em aprender novas
técnicas do seu desporto. Diversos autores afirmam que a motivação intrínseca
pode ser dividida em três diferentes dimensões: MI para saber, MI para realizar
e MI para estimulação da experiência (Fernandes & Vasconcelos-Raposo, 2005;
Murcia & Coll, 2006; Murcia, Gimeno, et al., 2007; Nuñes, Martín-Balbo,
Navarro, & González, 2006; Pelletier et al., 1995; Perreault &
Vallerand, 2007; Ryan & Deci, 2000; Vallerand et al., 1992).
Atletas são intrinsecamente motivados para saber quando têm prazer em aprender
algo novo, como uma técnica nova, se satisfaz com a experiência em que ele
aprende, explora e tenta realizar (Pelletier et al., 1995). A motivação
intrínseca para realizar é quando a atividade experimentada gera prazer e
satisfação na realização de algo. Tentar dominar uma técnica difícil no
desporto, por exemplo (Pelletier et al., 1995). A motivação intrínseca para
estimulação da experiência acontece quando se inicia uma atividade para
experimentar as sensações derivadas da experiência, tais como prazer,
divertimento, alegria (Pelletier et al., 1995).
A motivação extrínseca (ME) faz referência aos comportamentos já comprometidos
como um meio para um fim, e não para a própria causa, por exemplo, atletas que
participam de competições apenas para ganhar reconhecimento dos técnicos e
familiares. Deci e Ryan (1985) propuseram que a ME pode ser ordenada de acordo
com o contínuo da autodeterminação da forma mais autodeterminada para a menos
autodeterminada, respetivamente: regulação integrada, identificada, introjetada
e regulação externa.
A regulação integrada acontece quando várias identificações são assimiladas e
organizadas hierarquicamente, ou seja, os motivos são classificados e alocados
com outros valores e necessidades.
A regulação identificada se refere ao comportamento autónomo, porém a decisão
de realizar a tarefa é dada pelos benefícios externos e não pelo simples prazer
e satisfação inerente a própria atividade.
A introjeção implica evitar os sentimentos ruins, tais como culpa e ansiedade e
agregar expectativas de autoaprovação e orgulho, através do estabelecimento de
regras e deveres para a ação.
A busca por incentivos externos à prática é o que caracteriza a regulação
externa. O indivíduo se empenha na tarefa apenas para alcançar uma recompensa
ou evitar uma punição.
Por último, a forma menos autodeterminada de motivação é a amotivação, em que o
indivíduo não percebe mais importância nas suas ações, há um sentimento de
incompetência e perda de controle (Fernandes & Vasconcelos-Raposo, 2005;
Murcia & Coll, 2006; Murcia, Gimeno, et al., 2007; Nuñes, Martín-Balbo,
Navarro, & González, 2006; Pelletier et al., 1995; Perreault &
Vallerand, 2007; Ryan & Deci, 2000; Vallerand et al., 1992).
A fim de avaliar todas as formas de motivação de uma maneira quantitativa,
Pelletier et. al. (1995) criaram o SMS, um questionário autoaplicável, possui
uma escala tipo Likert de 1 até 7 pontos para cada uma das 28 questões, sendo 4
para cada dimensão da motivação. A partir da primeira validação deste
questionário, o SMS foi amplamente utilizado em diversos estudos no contexto
desportivo competitivo (Chantal et al., 1996); educacional (Fernandes &
Vasconcelos-Raposo, 2005) e da atividade física (Alexandris, Tsorbatzoudis,
& Grouios, 2002), validado para outras línguas (Chantal et al.,1996; Nuñes
et al., 2006), aplicado conjuntamente com outros questionários (Gillet, 2008;
Luján & Deval, 2006; Murcia, Blanco, Galindo, Villodre, & Coll, 2007;
Perreault & Vallerand, 2007) e utilizados para predizer e correlacionar com
outras variáveis psicológicas. (Cresswell & Eklund 2005; Lemyre, Roberts,
& Stray-Gunderrsen, 2007; Sarrazin et al., 2002).
A motivação é um elemento chave para se conseguir a permanência e o prazer no
desporto, além de ser determinante na conduta do atleta, pois desperta, dá
energia e regula seu comportamento, dependendo de fatores pessoais e
ambientais. Logo, o motivo para a prática desportiva varia de atleta para
atleta. Entretanto, apesar dos estudos sobre motivação com atletas brasileiros,
poucos analisaram suas diversas formas de motivação.
Diante das considerações acima citadas, o objetivo do presente estudo foi
verificar diferenças e semelhanças nas características motivacionais de atletas
brasileiros com base na Teoria da Autodeterminação, comparando desportistas de
diferentes idades, modalidades coletivas e individuais, de ambos os sexos, em
distintos níveis de rendimento.
MÉTODO
Participantes
Composta em sua maioria por atletas do género masculino (64.5%), praticantes de
modalidades coletivas (59.9%), com experiência em competições de nível
nacional/internacional (64.1%), com idades entre os 14 e os 47 anos (63% acima
de 21 anos) e tempo de experiência na modalidade variando de 1 a 33 anos (60%
acima de 6 anos). Na Tabela_1 são apresentadas as características gerais da
amostra do estudo.
Instrumentos
Aplicou-se a versão validada para a língua portuguesa por Bara Filho et al.
(2011) da SMS de Pelletier et al. (1995), a qual passou a ser denominada por
Escala de Motivação Esportiva (SMS-Br). Esta escala é enunciada pela seguinte
pergunta Porque você pratica esporte? e avalia os diferentes tipos de
motivação estabelecidos pela Teoria da Autodeterminação: MI para saber (ex.
Pelo prazer de descobrir novas técnicas de treinamento), MI para realizar
(ex. Pela satisfação que sinto quando estou melhorando as minhas
habilidades), MI para estimulação de experiência (ex. Porque gosto da
sensação de estar totalmente envolvido na atividade), ME identificada (ex.
Porque o esporte é uma das melhores maneiras para manter boas relações com
meus amigos/as), ME introjeção (ex. Porque eu devo praticar esportes
regularmente), ME regulação externa (ex. Pelo prestígio de ser um atleta) e
Amotivação (Já não está tão claro para mim; na verdade, não acho que meu lugar
é no esporte.). É composta de quatro itens para cada dimensão da motivação,
sendo um total de 28 itens, que foram respondidas em uma escala tipo Likert (1:
Não corresponde em nada; a 7: Corresponde exatamente). A versão brasileira
apresentou valores de alpha de Cronbach variando de .68 para Amotivação até .81
para MI para saber.
Procedimentos
Primeiramente, o projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética em
Pesquisa da Universidade Federal de Juiz de Fora. Após, os treinadores e clubes
foram contatados para aplicar o questionário nos atletas, informando sobre a
voluntariedade na participação da pesquisa assim como assegurando o total
sigilo e a garantia do anonimato do mesmo. Dois pesquisadores administraram o
questionário de acordo com instruções padronizadas. Não houve limite de tempo
para o atleta preencher o SMS-Br.
A presente pesquisa atendeu às determinações da Declaração de Helsínquia e a
resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde.
Análise Estatística
Para a análise dos dados utilizou-se inicialmente a estatística descritiva
(média e desvio padrão) para cada variável.
Posteriormente a significância dos fatores Género (masculino/feminino) e
Tipo de Desporto (individual/coletivo) sobre a motivação para o desporto foi
avaliada por uma MANCOVA 2×2, depois de validados os pressupostos de
normalidade univariada de cada uma das variáveis dependentes (teste de
Komolgorov-Smirnov), bem como a homogeneidade das matrizes de variância-
covariância (teste M de Box). Considerou-se apenas o tempo de experiência
desportiva como covariável, uma vez que esta apresentou correlação
significativa com a variável idade (r= .63, p< .01). Quando a MANCOVA detetou
efeitos estatisticamente significativos, procedeu-se a comparação múltipla das
médias, ajustada pelo teste de Bonferroni. A análise do valor da estatística F
foi feita a partir do Traço de Pillai, considerando-se um nível de
significância α = .05.
RESULTADOS
A análise multivariada de covariância (MANCOVA) mostrou que existe um efeito
significativo dos fatores (género e tipo de desporto) sobre os motivos de
participação no desporto (motivação) improvável de ter ocorrido apenas por erro
amostral. Quando controlada pela influência da variável tempo de experiência na
modalidade, a análise resultou em efeitos principais significativos para género
(F (7,333) = 4.078, p= .001, η² = .079; poder = .987) e tipo de desporto (F
(7,333) = 2.252, p= .03; η² = .045; poder = .83), não havendo efeito
significativo para a interação género × tipo de desporto (F (7,333) = 1.617, p=
.13; η² = .033; poder = .67).
Na tabela_2 são apresentadas as médias e desvios-padrão ajustados das variáveis
de motivação para os fatores género e tipo de desporto. Quanto ao efeito do
fator género, a análise univariada de comparação múltipla das médias mostrou
diferenças significativas para as variáveis ME Introjetada (F (1,339) = 4.599,
p= .03, η² = .013; poder = .57), ME Externa (F (1,339) = 19.166, p= .001; η² =
.054; poder = .99) e Amotivação (F (1,339) = 4.949, p= .03, η² = .014, poder =
.60). O efeito observado é de pequena-média dimensão, com maior potência do
teste observada para a variável ME Externa.
Na figura_1 observa-se que os atletas do género masculino apresentaram maiores
escores de ME Introjetada (5.05 ± 1.45 vs. 4.08 ± 1.42), maior ME Externa (3.95
± 1.49 vs. 2.96 ± 1.28) e também maior Amotivação (2.23 ± 1.31 vs. 1.89 ± 1.14)
quando comparados às atletas do género feminino. Para as demais variáveis de
motivação não foram observadas diferenças significativas na comparação entre
géneros.
Quanto ao efeito do fator tipo de desporto, a análise univariada de comparação
múltipla das médias mostrou diferenças significativas para as variáveis MI
Conseguir (F (1,339) = 4.897, p= .03; η² = .014; poder = .60) e ME Introjetada
(F (1,339) = 9.852, p= .002, η² = .028; poder = .88). Relativamente ao fator
tipo de desporto, o efeito observado é de pequena dimensão, com maior potência
do teste observada para a variável ME Introjetada.
Na figura_2, observa-se que os atletas de desportos individuais apresentaram
maiores escores de MI Conseguir (5.55 ± 1.14 vs. 5.04 ± 1.51) e maior ME
Introjetada (5.19 ± 1.33 vs. 4.38 ± 1.53) quando comparados aos de modalidades
coletivas. Para as demais variáveis de motivação não foram observadas
diferenças significativas entre os participantes de modalidades individuais e
coletivas.
DISCUSSÃO
A proposta do trabalho foi avaliar as características motivacionais dos atletas
brasileiros com base na Teoria da Autodeterminação através do questionário SMS-
Br.
Tanto atletas do género feminino quanto do género masculino demonstraram níveis
de MI e ME elevados e um nível baixo de amotivação. Porém, a média dos homens
foi significativamente maior do que das mulheres para todas as variáveis. O
único estudo que utilizou o mesmo instrumento, SMS validado para português
também encontrou valores maiores em homens, para todas as dimensões. O estudo
foi realizado em corredores de rua (Sena Júnior, 2012).
Em outro estudo realizado no Brasil com 417 estudantes entre 14 e 18 anos de
uma escola pública de Florianópolis/SC, os resultados demonstraram que os
rapazes foram mais autodeterminados para a prática de exercícios físicos do que
as meninas (Silva, Matias, Viana, & Andrade, 2012).
O artigo no qual se encontrou as propriedades psicométricas da versão espanhola
do SMS em desportistas paraguaios revelou que todos os valores encontrados para
as dimensões da autodeterminação encontraram valores maiores para homens exceto
na ME de Introjeção que encontrou valores médios muito próximos (5.01 para
homens e 5.04 para mulheres) (Martín-Balbo et al., 2007). Na mesma direção, com
atletas universitários Amorose e Horn (2000) encontraram maiores valores de MI
para homens.
Porém, em outro estudo com universitários e escolares, Amorose e Anderson-
Butcher (2007) encontrou que as mulheres são mais autodeterminadas que os
homens. Murcia, Blanco, et al. (2007) com jovens atletas e Gillet (2008),
pesquisando atletas universitários de desportos competitivos e recreacionais,
também encontraram valores na MI significativamente maiores nas atletas,
indicando que as mulheres são mais autodeterminadas do que os homens.
Pelletier et al. (1995) encontrou níveis de MI maiores nas atletas do sexo
feminino do que nos atletas do sexo masculino, porém em relação à ME os
resultados encontrados mostraram que a ME de Regulação Externa é
significativamente superior em atletas do sexo masculino.
Os resultados do presente estudo discordam também da pesquisa de Chantal et al.
(1996) com atletas Búlgaros. Estes autores encontraram maior nível de MI nas
atletas do género feminino, e ainda afirmaram que as mulheres praticam desporto
mais para o prazer do que para obter outras recompensas externas.
Outros estudos acerca da relação género e motivação, foram realizados em
culturas diferentes e demonstram que não existe um consenso acerca da relação
género e dimensões da motivação segundo a teoria estudada (Fortier, Vallerand,
Brière, & Provencher, 1995; Halbrook, Blom, Hurley, Bell, & Holden,
2012; Kingston, Horrocks & Hanton, 2006; Krinanthi, Konstantinos, &
Andreas, 2010; Pero et al., 2009).
Os mais diversos resultados encontrados nos estudos demonstram que não existe
uma relação direta entre género e as dimensões propostas pela autodeterminação.
Em relação a atletas brasileiros, o maior nível em todas as dimensões para o
sexo masculino pode ter ocorrido pelo fato de que no Brasil o desporto
competitivo tem maior visibilidade para homens. A prática desportiva é menos
estimulada para as mulheres, o que contribuiu para um menor número de atletas
do sexo feminino participando da pesquisa e um nível menor de MI e ME. Para se
ter uma ideia, a primeira medalha olímpica do Brasil no feminino foi ganha
somente em Atlanta 1996. E, de acordo com Fernandes e Vasconcelos-Raposo
(2005), devido à presença de estereótipos sexuais acerca de algumas modalidades
existentes consideradas masculinas, as mulheres evidenciam menores níveis de
MI, influenciando as perceções e pensamentos, limitando o empenho e a
persistência nessas atividades.
Com relação ao nível competitivo, Chantal et al. (1996) compararam grupos de
baixo e alto desempenho, usando como critério a performance dos atletas nas
competições nos últimos dois anos. Na presente pesquisa, diferenciamos o nível
competitivo dos atletas em relação ao nível das competições em que participavam
(regionais, nacionais ou internacionais). Chantal et al. (1996) encontraram
níveis de MI maiores em atletas de baixo desempenho, e níveis de ME maiores em
atletas de alto desempenho, porém não foram identificadas diferenças
significativas. O que difere do presente estudo, que encontrou maior grau de
motivação tanto intrínseca quanto extrínseca em atletas de nível nacional em
relação aos atletas que competiam em nível regional.
Constatou-se que atletas de modalidades individuais são mais motivados
intrinsecamente e extrinsecamente do que atletas de modalidades coletivas.
Porém, em relação à amotivação, não houve diferença entre os grupos.
Justificamos este resultado pelo fato de que no Brasil, atletas de modalidades
individuais, como natação e judo possuem maior número de praticantes e mais
possibilidades de melhora de rendimento individual no seu desporto,
contribuindo para aumentar a MI e a ME. Já atletas de modalidades coletivas
(excluindo o futebol), tal como andebol e o basquetebol possuem pouco
incentivos, além dos poucos clubes que oferecem estrutura para tal prática,
diminuindo assim a possibilidade de uma maior motivação, seja intrínseca ou
extrínseca.
No estudo de Gillet (2008), a amostra foi classificada da seguinte maneira:
atletas de nível distrital, regional e nacional. A MI foi maior no grupo de
nível nacional, bem como a ME injetada e regulação externa. Gillet (2008)
também classificou a amostra por modalidade (coletivas e individuais), porém
não observou nenhuma diferença estatisticamente significativa para as dimensões
da motivação.
Murcia, Blanco, et al. (2007) compararam atletas jovens de modalidades
coletivas e individuais. Os de modalidade individual foram positivamente
associados ao grupo de perfil motivacional autoderminado, ou seja, maior MI,
enquanto os atletas de equipas coletivas foram positivamente associados ao
perfil menos autodeterminado e não autodeterminado (maior amotivação).
Lemyre et al. (2007) analisaram se a motivação autodeterminada poderia predizer
sintomas de overtraining e burnout em atletas de elite, comparando para o
efeito atletas de elite nível júnior com atletas de elite nível Olímpico. Os
resultados obtidos indicaram diferenças significativas para todas as dimensões
da motivação extrínseca e amotivação, sendo estas maiores nos atletas de elite
júnior.
Os profissionais que lidam com jovens atletas deveriam ficar atentos aos
comportamentos motivacionais de seus atletas e incentivar a prática por motivos
intrínsecos. De acordo com Cresswell e Eklund (2005) a MI está negativamente
associada ao burnout e ao abandono precoce de jovens atletas, enquanto a ME
está diretamente ligada a esses fenómenos.
Na presente investigação, o SMS foi o único questionário aplicado nos atletas,
enquanto na maioria das pesquisas realizadas com o SMS houve um segundo
questionário para analisar outras comparações e correlações. Porém,
justificamos por acreditar que o SMS já é por si só um questionário que analisa
a motivação de uma forma ampla respondendo aos objetivos do presente estudo.
Diversos fatores podem ter afetado diretamente a motivação, gerando certa
diferença em relação as outras pesquisas, tais como: diferenças
socioeconómicas, culturais, tempo de prática no desporto e a idade. Além do
mais podemos considerar como limitações da presente pesquisa o fato de não
termos controlados as respostas socialmente desejáveis, e o fato de termos
colhidos os questionários em momentos diferentes (competições e treinamentos).
Outro fator importante e que também não controlamos foi a influência do
treinador na motivação dos atletas.
CONCLUSÕES
O atleta brasileiro possui características motivacionais únicas quando
comparados com atletas de diferentes países. Neste sentido, índices de
motivação autodeterminada elevados são encontrados em atletas brasileiros de
modalidades individuais, homens, nível nacional e acima dos 25 anos. Enquanto
mulheres, de equipas coletivas, nível regional e abaixo dos 25 anos obtiveram
maiores índices de motivação pouco autoderminada. Estes dados podem servir de
suporte para que os profissionais do desporto realizem intervenções em um dos
mais importantes fatores psicológicos do rendimento desportivo: a motivação.
A partir do presente estudo, sugerimos futuras pesquisas com atletas
brasileiros analisando uma maior amostra de atletas competindo em nível
internacional, podendo ser realizado também trabalhos comparando com atletas de
outros países. Além do mais, seria interessante realizar correlações entre as
dimensões da motivação com outras variáveis psicológicas, como vimos na maioria
das pesquisas, tais como o flow feeling, estratégias de coping ou para predizer
sintomas de abandono e overtraining em atletas brasileiros.