Tempo de reação simples de jogadores de futebol de diferentes categorias e
posições
A cada ano que passa é crescente o número de estudos com o objetivo de
identificar os fatores determinantes do desempenho em esportes de elite. O
aumento das atividades de pesquisa é particularmente evidente no futebol, uma
vez que nesse esporte a importância das ciências do esporte para o
desenvolvimento da modalidade tem sido amplamente aceita (Williams &
Hodges, 2005). Reilly e Gilbourne (2003), porém, ressaltam que a maioria dos
trabalhos relativos ao futebol tem seu foco voltado a aspectos fisiológicos,
enquanto aspectos relacionados a outras disciplinas tradicionais das ciências
do esporte ' como a psicologia e a aprendizagem motora ' têm sido pouco
explorados.
Nos últimos anos, atletas, técnicos e cientistas têm discutido a importância de
habilidades perceptivo-cognitivas no desempenho esportivo, particularmente nos
níveis de prática mais elevados (Vayens, Lenoir, Williams, Mazyn, &
Philippaerts, 2007). No futebol, as situações do jogo requerem do praticante
uma permanente atenção sobre os corpos interativos (jogadores, bola, relação do
campo), que depende de coordenadas em constante mudança e do processamento
mental antecipativo de movimentos rápidos (Silva, 2000). As constantes
alterações, segundo Weineck (1999), estão diretamente relacionadas às mudanças
rápidas de direção, às manobras realizadas para enganar o adversário e às
variações de movimentos durante a partida. Ainda segundo este autor, o sucesso
do jogador frente a esses fatores está intimamente ligado à sua capacidade de
reagir na menor unidade de tempo possível a situações não-previstas.
Nesse contexto, o tempo de reação simples (TRS) ' intervalo de tempo decorrido
desde um estímulo (que pode ser auditivo ou visual) até o início de uma
resposta (Magill, 2000; Schmidt & Wrisberg, 2001) ' é há anos utilizado por
pesquisadores como uma medida do desempenho sensório-motor (Lefthus, 1981).
O tempo de reação tem papel crucial em esportes como o futebol, no qual os
jogadores enfrentam um ambiente complexo que é constantemente modificado e
necessitam captar informações relativas à bola, aos companheiros de time e aos
adversários (Williams, 2000). Atrasos na reação podem ser de importância
crítica na determinação do sucesso em habilidades rápidas, tais como antecipar-
se ao adversário em uma roubada de bola ou interceptar um chute a gol (Schmidt
& Wrisberg, 2001).
Na literatura, há poucos estudos que analisaram o tempo de reação de jogadores
de futebol. Montés-Micó, Bueno, Candel e Pons (2000), e Ando, Kida e Oda (2001)
compararam o TRS visual de jogadores de futebol e sujeitos não-atletas,
encontrando valores menores para os futebolistas. Senel e Eroglu (2006)
investigaram a correlação entre o tempo de reação e a velocidade de corrida em
20 metros. Outros estudos, investigaram, dentre outras variáveis, o tempo de
reação de goleiros em situações de defesa simulada de penalidades (McMorris
& Colenso, 1996; McMorris, Copeman, Corcoran, Saunders, & Potters,
1993).
Uma discussão remanescente em se tratando do TRS é a influência da experiência
ou quantidade de prática do indivíduo na sua capacidade de reação. Em
modalidades variadas, os estudos têm mostrado resultados divergentes. Alguns
deles encontraram tempos de reação menores para atletas experientes quando
comparados a atletas novatos (Bhanot & Sidhu, 1979; Kioumourtzoglou,
Kourtessis, Michalopoulou, & Derri, 1998; Layton, 1991; Lowdon &
Pateman, 1980), enquanto outros relataram não haver diferença entre os níveis
de prática (Helsen & Starkes, 1999; Mori, Ohtani, & Imanaka, 2002;
Vaghetti, Roesler, & Andrade, 2007).
Outro fator a ser considerado, além da experiência dos atletas, é o fato de os
jogadores assumirem diferentes funções em campo. Além de haver características
fisiológicas próprias de cada posição, as ações técnicas/táticas do jogador
dependem invariavelmente da sua posição/função dentro de campo (Barros &
Guerra, 2004; Guerra, Soares, & Burini, 2001). Bhanot e Sidhu (1980), ao
analisarem o tempo de reação de jogadores de hóquei de acordo com a posição
assumida em campo, afirmam que o TRS é uma variável que sofre influência da
atividade específica realizada pelo indivíduo. Pouco se sabe a respeito de
semelhanças ou diferenças entre os tempos de reação quando comparados jogadores
de diferentes funções no futebol. Além disso, a grande maioria das informações
veiculadas em livros e manuais para técnicos dizem respeito à importância do
TRS para os goleiros, sem considerar as demais funções assumidas dentro de
campo (Aoki, 2002; Domingues, 1997; Melo, 1997).
Diante das considerações supracitadas, este estudo teve como objetivo analisar
o tempo de reação simples (visual e auditivo) de jogares de futebol de
diferentes categorias e posições.
MÉTODO
Amostra
Participaram deste estudo descritivo 49 jogadores de futebol do sexo masculino,
de diferentes categorias e posições, integrantes das equipes Juvenil e Júnior
(n = 37, com idade de 16.4 ± .9 anos e tempo de prática na modalidade de 5.4 ±
1.9 anos), representando a categoria de base, e da equipe Profissional B (n =
12, com idade de 21.7 ± 1.0 anos e tempo de prática na modalidade de 11.8 ± 3.4
anos), representado os jogadores mais experientes, de um clube que disputava a
Série A do Campeonato Brasileiro de Futebol. O estudo foi aprovado pelo
Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos da Universidade do Estado de Santa
Catarina e os participantes concordaram em participar da pesquisa mediante
assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.
Instrumentos
Como instrumento foi utilizado o sistema proposto por Vaghetti et al. (2007),
composto por um interruptor com uma tecla de sensibilidade de .8 N; um L.E.D.
(light emitter diode) para emissão do estímulo visual; uma caixa acústica com
frequência de 315 Hz e pressão sonora de até 81 dB para emissão do estímulo
auditivo; e um dispositivo sincronizador de sinais visual, auditivo e digital.
O sistema foi conectado a um microcomputador através de uma placa conversora A/
D CIO-DAS16/JR. A aquisição e o processamento dos dados foram realizados com a
utilização do software SAD 32 (Silva & Zaro, 1997).
Procedimentos
Os sujeitos foram orientados a se posicionar sentados em uma cadeira com o
antebraço apoiado sobre uma mesa e com o dedo indicador sobre a tecla do
interruptor (Figura 1) e receberam instruções para pressionar a tecla o mais
rápido possível após perceberem os estímulos visual ou auditivo. Um pré-teste
para cada situação foi realizado com o objetivo de familiarizar os indivíduos
com os instrumentos de medida.
Figura 1. Representação esquemática do sistema de aquisição de dados
Após o período de familiarização, cada jogador realizou seis execuções do teste
para investigação do tempo de reação simples manual visual (TRV) e seis
execuções do teste para investigação do tempo de reação simples manual auditivo
(TRA). A ordem das execuções foi pré-estabelecida por sorteio para que o
treinamento da tarefa não influenciasse nos resultados. O intervalo entre cada
execução variou de 30 segundos a 1 minuto. Todos os sujeitos eram destros e
realizaram os testes com a mão dominante.
O equipamento sincronizador ficou sob controle do pesquisador e, quando
acionado, gerou um sinal visual e um sinal de sincronismo (quando investigado o
tempo de reação simples visual) ou um sinal auditivo e um sinal de sincronismo
(quando investigado o tempo de reação simples auditivo). A representação
gráfica da mensuração do tempo de reação simples está apresentada na Figura 2.
Figura 2. Representação gráfica da mensuração do tempo de reação simples de um
sujeito da amostra.
O ponto "A" na curva do sincronizador (linha tracejada) representa o instante
de acionamento do equipamento emissor de luz ou som (sinal visual ou sonoro) e
a alteração de corrente captada pelo sistema; o ponto "B" na curva do
interruptor (linha sólida) representa o instante no qual o sujeito pressionou a
tecla após receber o estímulo. O intervalo representado por Δt equivale ao
tempo de reação simples (em milissegundos) do sujeito.
Para a comparação dos resultados, os dados foram agrupados de acordo com dois
critérios: categoria/nível de prática e posição dos jogadores em campo. Para o
critério categoria/nível de prática foram caracterizados dois grupos: grupo
dos amadores, composto por jogadores das categorias de base (juvenis e
juniores), com idade inferior ou igual a 20 anos (n = 37); e grupo dos
profissionais, composto por jogadores profissionais, com idade superior a 20
anos (n = 12). Para essa caracterização foram considerados fatores como tempo
de dedicação à prática da modalidade (através da identificação da média dos
anos de prática regular, que foi de 5.4 ± 1.9 anos para o grupo dos amadores e
11.8 ± 3.4 anos para o grupo dos profissionais) e volume de treinamento semanal
(através da identificação da quantidade de sessões de treino por semana e da
duração média de cada sessão, que correspondeu a 6 sessões de 2-3 horas cada
para o grupo dos amadores e a 12 sessões de 2-3 horas cada para o grupo dos
profissionais). Essas informações foram obtidas através de um formulário
individual, que foi preenchido pelos jogadores antes do início dos testes. Para
o critério posição dos jogadores em campo, foram caracterizados seis grupos:
goleiros/ guarda-redes (n = 12), zagueiros/defesa central (n = 5), laterais (n
= 8), volantes/ médio defensivo (n = 11), meio-campistas/ médio ofensivo (n =
6) e atacantes/avançado (n = 7).
Análise Estatística
Utilizou-se para a apresentação dos dados a estatística descritiva, com a
identificação dos valores de média e desvio padrão. A normalidade dos dados foi
verificada através do teste de Shapiro-Wilk, e a homogeneidade foi verificada
através do teste de Levene, possibilitando a aplicação de testes paramétricos:
(a) teste t de Student para dados não pareados para a comparação dos tempos
de reação simples entre os grupos caracterizados conforme o nível de prática
dos sujeitos; (b) análise de variância (ANOVA one-way) e post-hoc de Tukey para
a comparação dos dados referentes aos grupos caracterizados pela posição dos
jogadores em campo; e (c) teste t de Student para dados pareados para a
comparação dos tempos de reação visual e auditivo para cada um dos grupos de
sujeitos. O nível de confiança adotado para todos os testes foi de 95% (p <
.05).
RESULTADOS
Na Tabela 1 são apresentados os valores de média e desvio padrão para o TRV e o
TRA dos sujeitos do grupo dos amadores e do grupo dos profissionais, e o valor
de p obtido através da comparação das médias.
Tabela 1
Valores de média (e desvio padrão) para os tempos de reação simples visual
(TRV) e auditivo (TRA) dos sujeitos amadores e profissionais e valores de p
obtidos nos testes estatísticos
Os resultados do teste estatístico para a comparação das médias indicaram que
os profissionais apresentaram tempos de reação auditivos significativamente
menores do que os atletas da categoria de base (p = .049). Em relação ao tempo
de reação visual, apesar de menor para o grupo dos profissionais, não foi
evidenciada diferença significativa entre os grupos (p = .110). Para ambos os
grupos os sujeitos apresentaram tempos de reação auditivos significativamente
menores do que os tempos de reação visuais.
Na Tabela 2 constam os valores de média e desvio padrão para o TRV e o TRA dos
sujeitos de acordo com a posição ocupada em campo, e o valor de p obtido
através da comparação das médias.
Tabela 2
Valores de média (e desvio padrão) para os tempos de reação simples visual
(TRV) e auditivo (TRA) dos sujeitos de acordo com a posição ocupada em campo e
valores de p obtidos nos testes estatísticos
Na análise de variância para comparação das médias considerando-se as
diferentes posições assumidas pelos jogadores foi verificada diferença
significativa somente entre o grupo dos goleiros e dos meio-campistas para o
TRV (p = .020). Os goleiros, meio-campistas e atacantes apresentaram tempos de
reação auditivos significativamente menores do que os tempos de reação visuais.
DISCUSSÃO
Conforme esperado, para a grande maioria dos grupos de jogadores,
independentemente dos critérios de agrupamento (categoria ou posição), o tempo
de reação ao estímulo visual foi significativamente maior do que o tempo de
reação ao estímulo auditivo. Valores de TRA significativamente menores do que
de TRV também são reportados por Bhanot e Sidhu (1979), Misra, Mahajan e Maini
(1985), Senel e Eroglu (2006) e Vaghetti, Roesler e Andrade (2007).
Weineck (1999) afirma que o tempo de reação visual é mais longo que o tempo de
reação auditivo, e as reações auditivas e visuais diferenciam-se entre si
porque a mudança da energia da luz para impulsos neurais que podem ser levados
ao cérebro pela retina é mais lenta que a transformação das ondas de energia em
impulsos neuromusculares que alertam o sistema auditivo. De acordo com Bear,
Connors e Paradiso (1996) e Guyton (1992), as vias do sistema visual são mais
longas e o processo de captação da luz e de transformação em informação
sensorial é mais complicado do que o processo realizado pelo sistema auditivo.
De acordo com Magill (2000), o tempo que um indivíduo leva para responder a um
estímulo visual é de 250 ms. Neste estudo, os valores do TRV foram
consideravelmente menores do que aqueles sugeridos pelo autor, tanto para os
jogadores amadores (204.9 ms), quanto para os jogadores profissionais (190.3
ms). Entretanto, em outros estudos conduzidos com atletas de diferentes
modalidades, os valores do TRV são menores do que aqueles propostos por Magill
(2000) e semelhantes aos valores encontrados neste estudo. Soares, Osorno e
Palafox (1987) encontraram médias de 192 ms para atletas de atletismo, 201 ms
para jogadores de basquetebol, 200 ms para atletas de ginástica artística, 221
ms para nadadores e 225 ms para pugilistas, todos do sexo masculino.
Senel e Eroglu (2006) encontraram tempos de reação visual médios de 210 ms, ao
analisarem 104 jogadores de futebol profissional que atuavam na Liga de Futebol
da Turquia. Montés-Micó et al. (2000), ao analisar o TRV de jogadores jovens de
futebol, encontraram valores médios de 301 ms (sujeitos com 8 e 9 anos de
idade), 256 ms (sujeitos 10 e 11 anos de idade) e de 207 ms (sujeitos com 12 e
13 anos idade). Neste estudo, observou-se a mesma tendência de valores maiores
para os sujeitos de menor idade (amadores), em relação aos sujeitos mais velhos
(profissionais).
Entretanto, não houve diferença significativa para o TRV entre os amadores e
profissionais (p = .110). Resultados semelhantes foram encontrados por Helsen e
Starkes (1999), Mori et al. (2002), Soares et al. (1987) e Vaghetti et al.
(2007), que compararam, respectivamente, os tempos de reação visual de
jogadores de futebol, atletas de karaté, jogadores de basquetebol e surfistas
com diferentes níveis de experiência na modalidade. Esses autores, apesar de
não encontrarem diferenças significativas ao comparar os tempos de reação
visual, observaram menores valores para os atletas mais experientes e com mais
tempo de prática da modalidade. Outros autores, porém, encontraram valores de
TRV significativamente menores para atletas mais experientes (Bhanot &
Sidhu, 1979; Kioumourtzoglou et al., 1998; Lowdon & Pateman, 1980).
As médias para o tempo de reação auditivo são próximas ao valor proposto por
Magill (2000) para a resposta de um indivíduo a um estímulo auditivo, que é 170
ms, e também semelhantes à média encontrada por Senel e Eroglu (2006) para
jogadores de futebol profissional, de 176 ms. Quando comparados os atletas com
diferentes níveis de prática, os resultados sugerem que os profissionais
apresentam valores de TRA menores do que os amadores. Resultados semelhantes
foram encontrados nos estudos de Bhanot e Sidhu (1979), comparando jogadores de
hóquei experientes a novatos, e de Layton (1991), comparando atletas de karaté
mais graduados a atletas menos graduados.
É importante considerar, porém, que a diferença entre os grupos no que se
refere ao TRA se encontra no limiar da significância estatística (p = .049).
Além disso, o TRA pode não ser considerado uma variável determinante de
desempenho no futebol, visto que nesta modalidade os estímulos visuais são
prevalecentes, seja na análise das trajetórias da bola, seja na percepção das
movimentações dos companheiros e/ou adversários (Garganta, 2001).
Ainda em se tratando da relação entre o tempo de reação simples e nível de
prática, Chumura, Nazr e Kaciuba-Uscilko (1994) relataram em seu estudo que
atletas de elite, quando submetidos a testes de esforço aeróbio, têm a
habilidade de manter as condições psicomotoras estáveis, não aumentando os
valores do TRS. Desta forma, no futebol, tão importante quanto perceber padrões
complexos com rapidez e eficiência e utilizar estratégias refinadas para a
antecipação das ações dos oponentes é desenvolver a capacidade de manter tais
habilidades durante o maior tempo possível em uma partida, através dos
programas de treinamento.
Outro fator importante a ser considerado é a discussão recente das diferenças
entre atletas experientes e novatos no que diz respeito a variáveis perceptivo-
cognitivas mais complexas do que o tempo de reação simples. Segundo Rezende e
Valdés (2003), dentre as habilidades que caracterizam um atleta expert e que
indicam que um atleta amador possui potencial para a profissionalização
destacam-se: a percepção de padrões complexos com rapidez e eficiência, e a
utilização de estratégias visuais refinadas que ampliam a capacidade de
antecipação das ações dos oponentes.
Jogadores mais experientes não necessariamente reagem mais rápido do que
jogadores novatos. Estudos recentes têm mostrado que atletas mais experientes
são capazes (a) de perceber mais rapidamente a presença da bola em situações de
jogo (Starkes, 1987), (b) de buscar de forma mais eficiente informações
relevantes sobre partes do corpo do oponente e sobre o campo de jogo (Ripoll,
Kerlirzin, Stein, & Reine, 1995), (c) de antecipar a bola e a ação de um
adversário com mais facilidade (Williams & Davids, 1998), (d) de lembrar e
reconhecer cenas de jogos/jogadas (Williams & Davids, 1995), além de (e)
ter um conhecimento maior das probabilidades de ocorrer determinada ação
(Williams, 2000). Goleiros mais experientes, por exemplo, não têm tempos de
reação menores do que goleiros novatos, mas apresentam maior acurácia na
predição da altura e da direção da bola em uma cobrança de pênalti, pois
utilizam informações relevantes como a posição do pé de apoio do batedor, ao
invés de rápidas reações (Savels-bergh, Van der Kamp, Williams, & Ward,
2005).
Quando considerada a posição dos jogadores em campo, o TRV dos goleiros foi
significativamente menor dos que os valores encontrados para os meio-campistas.
Embora os valores encontrados para os goleiros tenham sido menores do que os
valores dos zagueiros, laterais, volantes e atacantes, a diferença não foi
significativa.
Bhanot e Sidhu (1980), em um estudo comparativo entre os tempos de reação
simples visual e auditivo de jogadores de hóquei de diferentes funções/
posições, encontraram resultados semelhantes, sendo os maiores tempos de reação
simples, tanto visual quanto auditivo, obtidos pelo grupo de jogadores de meio-
campo.
Para o TRA não foram encontradas diferenças significativas quando comparadas as
diferentes posições assumidas pelos jogadores em campo, mais uma vez sugerindo
que esta não é uma variável determinante do desempenho no futebol,
independentemente da posição assumida em campo.
Menores valores de TRV para os goleiros podem ser justificados pelo fato de que
os programas específicos de treinamento para essa posição contemplam atividades
de desenvolvimento/aperfeiçoamento do tempo de reação, diferentemente do
programa de treinamento generalizado ao qual são submetidos os demais
jogadores, sem diferenciação conforme seu posicionamento em campo.
Entretanto, é importante considerar que os procedimentos metodológicos
utilizados nesse estudo são laboratoriais e não são específicos às tarefas
desempenhadas pelos jogadores em campo. Acredita-se que, numa análise de
habilidades perceptivo-cognitivas mais complexas, adaptada às condições de
prática da modalidade, sejam observadas diferenças entre jogadores de
diferentes posições, o que possibilitaria um melhor entendimento de fatores
como tomada de decisão e adequação da resposta ao estímulo, determinantes das
ações técnico/táticas a serem realizadas durante uma partida.
Em conclusão, nesse estudo foram analisados os tempos de reação simples visual
e auditivo de jogadores de futebol de diferentes categorias e posições. Em se
tratando das categorias analisadas (jogadores amadores × profissionais), os
resultados agregam evidências à literatura no que diz respeito à não existência
de diferenças entre jogadores mais experientes e jogadores menos experientes,
para o tempo de reação simples visual. Isso condiz com as afirmações recentes
feitas por estudiosos da área, que acreditam que as principais diferenças entre
experts e jogadores intermediários e/ou novatos estejam relacionadas a
estratégias mais complexas de captação e utilização da informação visual em
diferentes situações de jogo. Quanto à comparação dos jogadores de diferentes
posições, os resultados demonstraram reações visuais mais rápidas dos goleiros
somente em relação aos meio-campistas. É possível que uma variável como o tempo
de reação simples não possa ser utilizada como parâmetro de comparação entre
jogadores que desempenham funções diferentes em campo, uma vez que a diferença
entre eles pode residir em variáveis mais complexas e específicas à tarefa
desempenhada. Por fim, o tempo de reação auditivo foi diferente quando
comparadas as categorias e semelhante quando comparadas as posições.
Entretanto, ressaltase que ao contrário do que acontece em modalidades como a
natação e o atletismo, a reação a estímulos auditivos pode não ser tão
importante no desempenho no futebol, que é composto de estímulos
predominantemente visuais.