Efeito da complexidade da tarefa, idade e género na assimetria motora funcional
de crianças destrímanas e sinistrómanas
A assimetria manual, favorecendo a mão preferida (MP) comparativamente à mão
não preferida (MNP), é evidente em muitas tarefas do dia-a-dia bem como em
tarefas laboratoriais como, por exemplo, toques repetidos com os dedos
(Fearing, Browning, Corey, & Foundas, 2001; Nalcaci, Kalaycioglu, Cicek,
& Genc, 2001; Teixeira & Paroli, 2000), deslocamento de pregos
(Dellatolas et al., 2003; Steenhuis, 1999), pontilhação (Borod, Caron, &
Koff, 1984; Steenhuis, 1999), força de preensão manual (Provins & Magliaro,
1989; Steenhuis, 1999), antecipação-coincidência (Cockerill, Van-Zyl, &
Nevill, 1988; Coker, 2004; Rodrigues, Vasconcelos, Barreiros, & Barbosa,
2009; Rodrigues, Vasconcelos, Barreiros, Barbosa, & Trifílio, 2009), entre
outras. Alguns autores atribuíram esta superioridade a assimetrias funcionais
hemisféricas associadas aos processos correntes de controlo motor (Haaland
& Harrington, 1996) ou a assimetrias cerebrais estruturais de áreas motoras
envolvidas na programação do movimento (Amunts, Jancke, Mohlberg, Steinmetz,
& Zilles, 2000; Triggs, Calvanio, & Levine, 1997; Volkmann, Schnitzler,
Witte, & Freund, 1998). Para além disso, existe bastante evidência na
literatura de que a prática diferenciada das mãos tem implicação específica na
dimensão motora de habilidades manuais (Pascual-Leone & Torres, 1993;
Provins, 1997). Parece, desta forma, que as relações entre estruturas
neurobiológicas e preferência manual são influenciadas e influenciam, numa
dinâmica de reciprocidade, as tarefas e a experiência.
Um dos factores que parece afectar a maior ou menor assimetria funcional é a
complexidade da tarefa, tendo os resultados de alguns estudos demonstrado que
quanto mais elevada a complexidade da tarefa maior o grau de assimetria. Neste
sentido, será possível em tarefas percebidas como mais simples encontrar
respostas menos diferenciadas entre o lado esquerdo e o lado direito (Borod et
al., 1984; Bryden & Roy, 1999; Bryden, Roy, Rohr, & Egilo, 2007;
Flowers, 1975; Miller, 1982; Provins & Magliaro, 1989). No entanto, esta
correspondência hipotética entre complexidade e preferência não tem sido
encontrada em muitos outros estudos, o que sugere que a natureza perceptivo-
motora das tarefas, ou o grau de complexidade sob investigação, podem assumir
um papel central nesta questão (Bryden, 2002; Lage et al., 2008; Shen &
Franz, 2005; Teixeira, Gasparetto, & Sugie, 1999).
Tem sido descrita uma assimetria manual mais acentuada em destrímanos do que em
sinistrómanos em várias tarefas, que avaliam o tempo de reacção unimanual
(Olex-Zarychta & Raczek, 2008) e bimanual (Shen & Franz, 2005),
deslocamento de pinos (Bryden, Roy, & Spence, 2007; Gurd, Schulz, Cherkas,
& Ebers, 2006; Herve et al., 2009), deslocamento de pinos computorizados
(Dellatolas et al., 2003; Elalmis & Tan, 2008) e toques repetidos (Herve,
Mazoyer, Crivello, Perchey, & Tzourio-Mazoyer, 2005; Kumar & Mandal,
2004; Nalcaci et al., 2001). Em tarefas de antecipação-coincidência (AC)
efectuadas com adultos, não foram encontrados efeitos da complexidade da tarefa
(Rodrigues, Vasconcelos, Barreiros, & Barbosa, 2009; Rodrigues,
Vasconcelos, Barreiros, Barbosa, & Trifílio, 2009).
Uma vez que, por volta dos sete anos de idade, a consistência da PM, tanto em
destrímanos, como em sinistrómanos, está já determinada (Bryden & Mayer,
2008; McManus et al., 1988), bem como a capacidade de AC adquirida (Bard,
Fleury, & Gagnon, 1990), pretendeu-se investigar em crianças, e através
desta capacidade, o efeito da complexidade da tarefa na assimetria manual. Para
além disso, como o desempenho em tarefas de AC revela ser afectado pela
variável sexo (Les, Katene, & Fleming, 2002; Millslagle, 2004; Williams
& Jasiewicz, 2001) esta será igualmente considerada na análise.
MÉTODO
Amostra
Participaram no estudo 115 crianças de ambos os sexos (67 do sexo masculino e
48 do sexo feminino), divididos em dois grupos de idade (7-8 anos e 9-10 anos).
As crianças frequentavam escolas públicas da região do norte de Portugal. Numa
fase inicial foram seleccionados os alunos sinistrómanos, tendo como critério a
mão preferida para escrever. De seguida, foram escolhidos aleatoriamente alunos
destrímanos com características semelhantes aos sinistrómanos, nomeadamente no
que respeita ao sexo e à idade. Numa fase posterior, os sujeitos foram
novamente avaliados relativamente à sua preferência manual, desta vez de uma
forma mais pormenorizada através da aplicação do Dutch Handedness Questionnaire
de Van Strien (1992). Este questionário consiste em 15 itens relativos a
actividades simples, unimanuais, da vida diária. Para a execução de cada
actividade, os sujeitos são solicitados a responder se utilizam a mão direita,
a mão esquerda ou se não têm preferência pela utilização de qualquer delas.
Cada item é codificado entre 0 e 2, recebendo a mão esquerda o valor de 0, a
direita, o valor de 2, e qualquer delas, o valor de 1. Assim, o valor total
reporta-se à soma de todos os itens e designa-se por coeficiente de
lateralidade, o qual se situa entre 0 e 30. Os sujeitos foram classificados
como sinistró-manos apresentando um coeficiente de lateralidade inferior a 15
(24 do sexo feminino e 32 do sexo masculino) e considerados destrímanos com um
valor superior a 15 (24 do sexo feminino e 35 do sexo masculino). A média do
coeficiente de lateralidade foi de 27.8 ± 2.8 para os destrímanos (sexo
masculino: 27.7 ± 3.1, sexo feminino: 28.0 ± 2.2) e de 4.9 ± 3.8 para os
sinistrómanos (sexo masculino: 4.4 ± 3.4, sexo feminino: 5.6 ± 4.3).
Instrumentos e Tarefa
O instrumento utilizado foi o Bassin Anticipation Timer (Lafayette Instruments,
modelo n.º 50575) que consiste numa calha metálica com díodos emissores de luz
(LEDs) dispostos em sequência e distanciados 4.5 cm entre si. As tarefas
sincronizadas usadas envolveram diferentes níveis de complexidade motora. Em
ambas as tarefas, a calha foi posicionada de frente para o sujeito, de forma
que o sinal luminoso se deslocasse da extremidade distal para a proximal.
A tarefa simples consistiu em accionar com o polegar um botão de pressão
colocado na mão no momento em que o último LED acendia. A tarefa complexa
consistiu em tocar cinco sensores numa sequência pré-determinada (1,2,3,4,5) em
integração com um estímulo visual, de forma que o último sensor (5) fosse
tocado simultaneamente com a chegada do estímulo luminoso ao último LED. Para
tal foi utilizado o aparelho de antecipação-coincidência em tarefas complexas
(Corrêa, 2001). Na tarefa complexa era o participante que dava início ao
deslocamento do estímulo carregando num sensor colocado na sua linha média,
perto dos restantes sensores. A calha utilizada para esta tarefa foi a mesma
utilizada para a tarefa simples. Acoplados aos sensores encontrava-se um
computador com um software que possibilitava o registo automático dos
resultados, ou seja o tempo de antecipação-coincidência, que se refere ao tempo
entre o último toque e o acendimento do LED alvo. Em ambas as tarefas os
sujeitos adoptaram a mesma posição (de pé), estando o ângulo de aproximação do
estímulo a 30º (Payne, 1987).
Procedimentos
Os sujeitos foram informados oralmente dos objectivos do estudo e das tarefas.
A amostra foi contrabalançada em relação à variável complexidade da tarefa
sendo dividida em dois grupos de forma aleatória.
O primeiro grupo iniciou as tentativas na tarefa simples e executou depois a
tarefa complexa (grupo S-C). O segundo grupo iniciou a tarefa complexa à qual
se seguiu a simples (grupo C-S).
Todos os participantes realizaram 5 tentativas com uma mão e 5 tentativas com a
outra em cada uma das tarefas, sendo os grupos contrabalançados em relação à
mão que iniciava a tarefa. Na tarefa simples a velocidade utilizada foi de
268.2 cm/s (6 mph) e na tarefa complexa foi de 44.7 cm/s (1 mph). O foreperíod,
ou seja, o sinal de aviso (díodo amarelo) mantinha-se aceso durante .5 s antes
do início da propagação do estímulo, em qualquer uma das tarefas. Em todas as
etapas foi fornecido conhecimento verbal dos resultados (0 - 25 ms: Excelente;
26 - 50 ms: Muito Bom; 51 - 100 ms: Bom; acima dos 101 ms: muito antes ou muito
depois). Estas categorias basearam-se nas usadas por Corrêa (2001).
Análise Estatística
Foram calculados os erros absoluto (EA), constante (EC) e variável (EV) para
cada participante. As variáveis dependentes foram analisadas em cada grupo de
preferência manual através de uma ANOVA multifactorial 2×2×2×2 (idade, sexo,
mão, tarefa), com medidas repetidas nos dois últimos factores. O nível de
significância foi fixado em p < .05.
RESULTADOS
Na Tabela 1 estão descritos, para o grupo de preferência manual, a média e o
desvio padrão de cada tipo de erro, relativamente a cada mão, a cada tarefa e
considerando a idade e o sexo.
Tabela 1
Média, desvio padrão, F e p dos erros absoluto (EA), constante (EC) e variável
(EV) em relação à mão preferida (MP) e não preferida (MNP), na tarefa simples e
complexa, considerando a idade e o sexo
Erro Absoluto
Destrímanos
Os factores principais tarefa [F(1,55)= 56.88, p <.001], idade [F(1,55) =
15.41, p < .001] e sexo [F(1,55) = 11.83, p < .001] tiveram um efeito
significativo, assim como a interacção entre os factores tarefa e idade [F
(1,55) = 6.15, p < .001] e entre tarefa e sexo [F(1,55) = 4.39, p < .041]. Os
factores principais revelaram uma precisão mais elevada no grupo mais velho, no
sexo masculino e na tarefa simples. As duas interacções revelam que a diferença
entre as idades e entre os sexos foi superior na tarefa complexa.
Sinistrómanos
Os factores principais tarefa [F(1,52) = 72.75, p < .001], mão [F(1,52) = 5.94,
p < .018], idade [F(1,52) = 23.44, p < .001] e sexo [F(1,52) = 5.22, p < .026]
tiveram um efeito significativo. Uma precisão mais elevada foi observada na
tarefa simples, na MP, nos participantes mais velhos e no sexo masculino. Para
além disso, a interacção entre os factores tarefa e idade [F(1,52) = 10.73, p <
.002] revelou que a diferença entre os grupos de idade foi mais acentuada na
tarefa complexa.
Erro Constante
Destrímanos
O factor principal mão [F(1,55) = 4.86, p < .032] e a interacção entre mão e
tarefa [F(1,55) = 4.98, p < .030] revelaram um efeito significativo. Esta
interacção demonstrou que a assimetria manual foi mais elevada na tarefa
complexa do que na simples. Na tarefa complexa, os sujeitos anteciparam as
respostas e demonstraram um enviesamento do erro menor com a MP do que com a
MNP, com a qual atrasaram as respostas.
Sinistrómanos
Apenas o factor principal mão [F(1,52) = 4.55, p < .038] apresentou significado
estatístico, demonstrando a MP menor enviesamento do erro e a tendência para
respostas antecipadas, relativamente à MNP que demonstrou maior enviesamento do
erro e propensão para respostas mais atrasadas.
Erro Variável
Destrímanos
Os factores principais tarefa [F(1,55) = 63.28, p < .001], idade [F(1,55) =
10.96, p < .002] e sexo [F(1,55) = 14.10, p < .001] tiveram um efeito
significativo, assim como a interacção entre os factores tarefa e sexo [F(1,55)
= 6.19, p < .016]. As crianças mais velhas e o sexo masculino apresentaram
menor variabilidade e a interacção revelou que a diferença entre os sexos foi
mais elevada na tarefa complexa do que na simples.
Sinistrómanos
Os factores principais tarefa [F(1,52) = 49.48, p < .001], mão [F(1,52) = 6.63,
p < .013], idade [F(1,52) = 28.30, p < .001] e sexo [F(1,52) = 9.23, p < .004]
tiveram um efeito significativo, assim como a interacção entre os factores
tarefa e idade [F(1,52) = 11.62, p < .001] e entre idade e sexo [F(1,52) =
9.76, p < .003]. Os factores principais revelaram uma variabilidade menor na
tarefa simples, na MP, no grupo mais velho e no sexo masculino. A primeira
interacção revelou que a diferença entre as idades foi maior na tarefa complexa
e a segunda interacção demonstrou que a diferença entre os sexos foi mais
acentuada no grupo 7-8 anos.
DISCUSSÃO
O objectivo principal deste estudo consistiu em investigar a assimetria manual
em função da complexidade da tarefa, pretendendo ainda analisar o efeito da
idade e do sexo nessa mesma assimetria, em crianças destrímanas e
sinistrómanas. Os resultados revelaram um aumento da assimetria manual com a
complexidade da tarefa apenas na análise do EC. Este aumento da assimetria foi
observado tanto nos destrímanos como nos sinistró-manos, apesar de neste grupo
a diferença entre mãos não ter atingido significado estatístico, comprovando
parcialmente os resultados de outros trabalhos (Borod et al., 1984; Bryden
& Roy, 1999; Bryden et al., 2007; Flowers, 1975; Miller, 1982; Provins
& Magliaro, 1989). A sequência de acções de complexidade de execução mais
elevada, requerida pela tarefa complexa comparativamente à tarefa simples, fez
realçar a vantagem da MP. Tal como enfatizou Bryden (1998), a superioridade da
MP em relação à MNP irá ser evidente em tarefas que requerem características
como, por exemplo, complexa sequência de movimentos, orientação precisa da mão,
controlo visual on-line e AC.
Apesar de ambos os grupos não terem sido comparados entre si, foi possível
verificar que a assimetria manual foi evidente nos sinistrómanos em todos os
erros de medida, enquanto nos destrímanos apenas se verificou na análise do EC
e durante a execução da tarefa complexa. Estes resultados contrariam os de
outros estudos nos quais foi observada uma assimetria manual mais elevada nos
destrímanos (Olex-Zarychta & Raczek, 2008). A natureza da tarefa estará
provavelmente associada a este efeito. Por um lado, a percepção da trajectória
de um objecto em movimento envolve o processamento visuo-espacial; por outro
lado, a predição do local e do tempo que o estímulo demora a chegar ao alvo
requer estimativas espaço-temporais. Tem sido descrito na literatura que o
processamento da informação requerido por este tipo de tarefa pode envolver uma
vantagem do hemisfério direito sobre o hemisfério esquerdo (Boulin-guez,
Ferrois, & Graumer, 2003; Dane & Erzurumluoglu, 2003; Gordon &
Kravetz, 1991; Holtzen, 2000), resultando num benefício para os sinistrómanos,
uma vez que a sua MP (esquerda) é comandada sobretudo pelo hemisfério direito.
Esta situação seria então a causadora de uma assimetria manual superior
relativamente aos destrímanos.
No geral, a assimetria manual não variou em função da idade. Porém, quer a
análise do EA quer a do EV revelou que em ambos os grupos de PM a idade foi um
factor com efeito significativo, sendo o grupo de 9-10 anos mais preciso e
menos variável do que o grupo de 7-8 anos. Estes resultados corroboram os de
outros estudos (Ball & Glencross, 1985; Bard, Fleury, Carrière, &
Bellec, 1981; Dorfman, 1977; Stadulis, 1971), que explicam esta observação
sugerindo uma integração sensório-motora mais desenvolvida no grupo mais velho
permitindo, desta forma, um desempenho mais proficiente. Tem sido sugerido que
a experiência e a aprendizagem adicional na intercepção de estímulos nas
crianças mais velhas possam superar as qualidades perceptivas ou motoras
necessárias à realização deste tipo de tarefas. As crianças mais velhas parecem
recorrer a um número mais elevado de pistas e de elementos de análise na
intercepção de trajectórias de estímulos visuais (Stadulis, 1985). A interacção
da idade com a tarefa revelou um melhor desempenho dos mais velhos na execução
de tarefas complexas. Estes resultados corroboram outros estudos onde estas
variáveis foram analisadas (Fleury & Bard, 1985). As tarefas complexas
parecem assim determinar um peso atencional diferenciado em função da idade, em
adição ao processamento da informação (Bard et al., 1990).
O efeito do sexo foi visível em ambos os grupos de preferência manual,
revelando o sexo masculino uma melhor performance do que o sexo feminino. Este
resultado contraria vários estudos nos quais não se observaram diferenças entre
os sexos em participantes pré-púberes na realização de tarefas de AC
(Millslagle, 2004; Ridenour, 1981; Wrisberg & Mead, 1983). Porém, um facto
interessante merece destaque, podendo explicar a ausência de diferenças entre
os sexos nos estudos atrás citados: estes recorreram apenas à aplicação de
tarefas simples. No presente estudo foi observado que o efeito do sexo está
relacionado com a complexidade da tarefa, corro-borando outros estudos (Fleury
& Bard, 1985). Habilidades visuo-espaciais mais proficientes no sexo
masculino podem ser apontadas como uma das possíveis causas destes resultados
(Bell, Willson, Wilman, Dave, & Silverstone, 2006; Dane &
Erzurumluoglu, 2003).
A tarefa simples proporcionou um desempenho mais elevado do que a tarefa
complexa em ambos os grupos de PM, indo ao encontro dos resultados de outras
investigações que avaliaram o efeito da complexidade em tarefas de AC
(Williams, Jasiewicz, & Simmons, 2001; Williams & Jasiewicz, 2001).
Este resultado era esperado, uma vez que o desempenho em tarefas complexas
requer planeamento e organização do movimento e, consequentemente, maior
demanda na programação motora.
CONCLUSÕES
Os resultados deste estudo revelaram (i) um aumento da assimetria manual com a
complexidade da tarefa em ambos os grupos de PM, apesar de nos sinistrómanos a
diferença entre as mãos não ter atingido significado estatístico; (ii) uma
assimetria manual em todos os erros de medida, evidente apenas nos
sinistrómanos; (iii) maior precisão e menor variabilidade do grupo de 9-10 anos
comparativamente ao grupo de 7-8 anos, em ambos os grupos de PM, revelando a
interacção da idade com a tarefa que este efeito maturacional foi mais
pronunciado na execução de tarefas complexas; (iv) um desempenho mais elevado
do sexo masculino em relação ao sexo feminino em ambos os grupos de PM; (v) um
desempenho mais elevado na tarefa simples comparativamente à tarefa complexa em
ambos os grupos de PM. Estes resultados favorecem a perspectiva na qual a
assimetria manual é considerada como um processo dinâmico, interagindo com o
tipo de tarefa, com a idade e o sexo. Demonstram, ainda, que os dois grupos de
preferência manual não se comportam da mesma forma no desempenho da capacidade
de AC, traduzida no presente estudo em duas tarefas de diferente complexidade.