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Representação em texto

EuPTCVHe1646-107X2010000300007

variedadeEu
ano2010
fonteScielo

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Estresse psicológico de velejadores de alto nível esportivo em competição

Com a popularização de esportes náuticos como a vela no Brasil, e o sucesso dos atletas nacionais em competições ao redor do mundo, estudos que abordem assuntos relacionados com a modalidade tornam-se importantes para profissionais que acompanham os velejadores em suas rotinas de treinamento e competição (Ruschel et al., 2009).

A vela é um esporte particularmente interessante sob o ponto de vista psicológico (Rotunno, Senerega, & Reggiani, 2004), realizado em um meio pouco usual (aquático), sem contato com público (Fernandes, Bombas, Lázaro, & Vasconcelos-Raposo, 2007). Por depender da interação entre velejador, vento e barco, requer de seus atletas elevada capacidade de concentração, de antecipação de eventos e de tomada de decisão  frente a situações de instabilidade ambiental e imprevisibilidade das condições da competição (Allen & De Jong, 2006; Bojsen-Moller & Bojsen-Moller, 1999; Duarte, Mulkay, & Pérez, 2004; Rotunno et al., 2004).

Dentre as variáveis psicológicas associadas ao contexto esportivo, o estresse é considerado um dos fatores preponderantes para a performance atlética (Rose Junior, Deschamps, & Korsakas, 2001). Diversos fatores estão relacionados ao estresse psicológico em velejadores, como as condições ambientais, problemas de navegação, função desempenhada na embarcação, decisões táticas, entrosamento com a tripulação, entre outros (Hambraeus & Branth, 1999).

Níveis elevados de estresse estão relacionados à insegurança, à intranquilidade, ao aumento da ansiedade-estado, à depressão e à maior susceptibilidade a infecções (Bara, Ribeiro, Miranda, & Teixeira, 2002; Rose Junior et al., 2001). Tais níveis, também criam déficits de atenção e aumento da tensão muscular, o que reduz a flexibilidade, a coordenação motora e a eficiência muscular, impedindo que o atleta adote comportamentos e padrões motores rápidos para evitar situações perigosas ou agir de maneira apropriada a um bom rendimento (Stefanello, 2007). Em contrapartida, níveis muito baixos podem não promover um nível de ativação adequado que sirva de estímulo e motivação ao atleta para responder de forma correta e adaptada à situação (Dosil, 2004).

O conhecimento das situações geradoras de estresse e do modo como os atletas vivenciam essas situações em diferentes contextos são partes importantes do processo de desenvolvimento de um atleta (Hanton, Mellalieu & Hall, 2004; Márquez, 2006). Desta forma, um adequado controle do estresse por parte de velejadores pode trazer benefícios ao seu rendimento esportivo, pela possibilidade de atingirem níveis ótimos de ativação em momentos específicos (Allen & De Jong, 2006; Detanico & Santos, 2005; Mackie & Legg, 1999; Vasconcelos-Raposo et al., 2006).

Considerando a problemática apresentada, bem como a necessidade de uma abordagem mais atual sobre o estresse competitivo, este estudo teve como objetivo investigar o estresse psicológico de velejadores de alto nível no contexto de competição.

MÉTODO Trata-se de uma pesquisa transversal de campo, descritiva, do tipo correlacional.

Amostra Participaram do estudo 31 velejadores de alto nível, com idade média de 23 anos (DP = 7.29), sendo 8 (25.8%) homens e 23 (74.2%) mulheres, selecionados seguindo critério de voluntariado. Estes atletas competiram na etapa Pré- Olímpica de Vela/2009, em classes individuais (Laser St, n = 3; Laser Radial,n= 5; Finn,n = 1; e RS:X, n = 2), com dois tripulantes (420, n = 2; 470, n= 3; 49er,n= 1) e três tripulantes (Match Race,n = 14). Os velejadores participam de competições a nível nacional e internacional, praticando a modalidade bastante tempo (M = 13.30, DP = 7.70 anos), sendo os homens (M =16.25, DP = 9.22 anos) mais experientes que as mulheres (M = 12.30, DP = 7.05 anos).

Instrumentos Para avaliar o nível de estresse percebido utilizou-se a Escala de Estresse Percebido (Cohen & Williamson, 1988), validada por Luft, Sanches, Mazo e Andrade (2007). A escala é constituída por 14 perguntas, onde o atleta assinala uma opção numérica que varia de 0 a 4 (0 = Nunca; 1 = Pouco; 2 = Às vezes; 3 = Regularmente; e 4 = Sempre) para cada questão, referentes ao grau no qual os indivíduos percebem as situações como estressantes durante o último mês. As respostas com conotações negativas (1, 2, 3, 4, 5, 6, 7) tem sua pontuação somada diretamente, enquanto que as positivas (8, 9, 10, 11, 12, 13 e 14) são invertidas da seguinte maneira: 0 = 4, 1 = 3, 3 = 1 e 4 = 0. A soma da pontuação das questões fornece escores que podem variar de zero (sem estresse) a 56 (estresse extremo). A consistência interna geral do instrumento, verificada através do coeficiente alpha de Cronbach foi de .78.

O autocontrole do estresse foi avaliado a partir de um questão fechada (i.e.,De que maneira você auto-avalia o seu controle do estresse?) com base em uma escala Likert simples de 0 (Péssimo) a 5 (Excelente).

A identificação das fontes e das estratégias de controle do estresse dos velejadores sob tensão e em competição ocorreu mediante questão aberta onde o atleta relatava o que lhe causava mais estresse no momento, e o que fazia para relaxar sob tensão e em competição.

Foram criadas duas categorias (somáticas e cognitivas) a partir das fontes de estresse identificadas pelos velejadores. As estratégias somáticas são caracterizadas por estarem ligadas a manifestações fisiológicas (Hardy, Beattie, & Woodman, 2007), sendo um esforço que o indivíduo faz para regular as emoções (Lima, Samulski, & Vilani, 2004; Stefanello, 2007). As cognitivas estão ligadas a sentimentos subjetivos (Araújo, Mello, & Leite, 2006) e sua ação está na modificação e ajuste dos principais determinantes do comportamento (pensamento, percepção, memória, afeto, linguagem), reavaliando a própria condição do problema (Lima et al., 2004; Stefanello, 2007).

Procedimentos Os dados foram coletados durante a etapa Pré-Olímpica de Vela, em Fevereiro de 2009. Este evento representou a primeira seletiva para a formação da equipe permanente de Vela Olímpica realizado pela Confederação Brasileira de Vela e Motor, com o apoio do Comitê Olímpico Brasileiro, reunindo técnicos da seleção brasileira olímpica e atletas de alto nível.

Os atletas da classe Match Race foram avaliados no terceiro (último) dia de competição de sua classe, antes das regatas, enquanto que os atletas das demais classes (individuais e com dois tripulantes) foram abordados no quarto (penúltimo) dia de competição, logo após a realização das regatas.

Esta pesquisa foi submetida e aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa em seres humanos da Universidade do Estado de Santa Catarina, sob de referência 5347/2008. Todas as normas e diretrizes regulamentadoras da pesquisa envolvendo serem humanos foram seguidas durante o transcorrer do estudo.

Análise estatística A partir das respostas obtidas estruturou-se o banco de dados. Os dados foram analisados com a utilização da estatística descritiva (médias, desvios padrão e índices mínimos e máximos) e inferencial. A estatística inferencial empregou a correlação de Pearson e o teste t de Student, com nível de confiança de 95%.

RESULTADOS Os níveis de estresse percebido pelos velejadores em competição foram baixos a moderados (M = 20.00, DP = 6.83 , Mínimo = 12, Máximo = 27). Maiores níveis de estresse foram observados antes das regatas (M = 22.40, DP= 7.74) em relação aos encontrados após as regatas (M = 17.60, DP= 5.27), sendo identificadas diferenças significativas entre os grupos que foram mensurados antes e após as regatas (t = 2.04, p< .05).

As atletas mulheres apresentaram níveis de estresse (M = 18.33, DP = 4.84) mais elevados que os homens (M =16.88, DP = 5.96), não sendo observadas diferenças significativas entre sexos (t = −1.43, p= .16).

Quando comparadas as diferentes classes competitivas, o velejador da classe 49er apresentou o maior nível de estresse (27 pontos), enquanto que o da classe Finn, o menor (12 pontos) (ver Figura 1).

Figura 1. Níveis de estresse dos velejadores de diferentes classes da vela durante a Pré-Olímpica de Vela

As fontes de estresse identificadas pelos atletas em competição estão relacionadas a problemas no barco e com a tripulação, e em maior frequência, a problemas externos ao contexto competitivo (ver Tabela 1).

Tabela 1 Fontes de estresse identificadas pelos velejadores inerentes e adjacentes à competição

Os atletas consideraram possuir um bom controle do estresse, utilizando a música e dormir/descansar como principais estratégias de administração do estresse (ver Tabela 2).

Tabela 2 Estratégias de controle cognitivas e somáticas do estresse utilizadas pelos velejadores em situações de estresse cotidiano e em competição

Os níveis de estresse percebido dos atletas correlacionaram-se com o tempo de prática na modalidade (r = −.365, p = .044), indicando que quanto maior a experiência do velejador na modalidade, menores os níveis de estresse apresentados.

DISCUSSÃO Com o objetivo de investigar o estresse psicológico de velejadores de alto nível esportivo em competição, verificou-se níveis baixos a moderados de estresse percebido nos atletas, existindo diferença significativa entre a avaliação realizada antes e após as regatas. Não existiu diferença significativa no nível de estresse de homens e mulheres.

Esse estresse pode ser causado por fontes inerentes à competição e, em maior frequência, externas ao contexto competitivo. Os atletas consideram possuir um bom controle do estresse, utilizando a música e dormir/ descansar como principais estratégias de gestão/controle do estresse.

Estudos com velejadores demonstram que, durante uma competição, os atletas frequentemente informam a ocorrência de nervosismo, frustração, dificuldade de concentração, falta de confiança e estresse psicossomático (Allen & De Jong, 2006). Os níveis médios de estresse dos velejadores em competição (M = 20.00) foram menores do que os encontrados por Keller (2006) em seu estudo com atletas de judô (M = 32.40) e por Cohen e Williamson (1988) em indivíduos na faixa etária dos 18 aos 29 anos (M = 21.10), que utilizaram o mesmo instrumento.

Acredita-se que os níveis de estresse apresentados pelos velejadores neste estudo favoreçam um bom desempenho esportivo na competição. A vela exige um maior controle emocional diante de um contexto instável e condições de competição imprevisíveis. Ou seja, é uma modalidade que requer mais qualidade das ações motoras, precisão de movimentos, tomada de decisão, concentração e antecipação de eventos de seus atletas (Allen & De Jong, 2006; Bojsen- Moller & Bojsen-Moller, 1999; Duarte et al., 2004; Rotunno et al., 2004).

Legrand e Lescanff (2003) indicam que uma baixa ativação parece não ser apropriada durante esportes competitivos altamente ativos, a exemplo do rúgbi, na qual aumentos significativos no desempenho esportivo ocorreram em atletas com alta estimulação antes do jogo, experimentada como uma excitação agradável.

Nesse sentido, de acordo com as características da modalidade, níveis muito elevados de estresse, bem como baixos em demasia podem prejudicar a performance esportiva.

No entanto, é importante apontar que a influência do estresse sobre a performance esportiva depende, não somente da magnitude e frequência do evento estressor, como também da avaliação que o indivíduo faz da situação e dos recursos pessoais para lidar com ela (Adam & Epel, 2007; Anshell & Sutarso, 2007; Lipp, 2003; Margis, Picon, Cosner, & Silveira, 2003; Rohlfs, Carvalho, Rotta, & Krebs, 2004; Thatcher, & Day, 2008).

Os níveis de estresse dos atletas correlacionaram-se com o tempo de prática na modalidade, indicando que quanto maior a experiência do velejador na modalidade, menores os níveis de estresse apresentados. Este resultado condiz com o estudo de Rose Junior (2002) que sugerem que para atletas com maior experiência, a competição poderá assumir um caráter desafiador, ao contrário de atletas com menor tempo de prática, no qual as mesmas situações poderão ter conotação de ameaça a seu bem-estar físico, psicológico e social implicando um maior nível de estresse.

Com relação às classes de competição dos atletas, verificou-se que o velejador da classe 49er foi o que apresentou o maior nível de estresse (27 pontos), enquanto que o da classe Finn, o menor (12 pontos). Durante a navegação, a falta de entrosamento entre a tripulação consiste em um dos fatores relacionados a um maior estresse psicológico dos atletas (Hambraeus & Branth, 1999), podendo fazer com que haja grande diferença durante uma largada (Maia, 2008). Henderson e Bourgeois (1998), investigando uma equipe feminina de basquetebol universitário, observaram que elevados níveis de coesão de grupo foram associados a menores alterações no humor e menores níveis de estresse nestas atletas. Nesse sentido, além das características próprias de personalidade e tempo de experiência na modalidade, em classes com mais tripulantes, o entrosamento entre a tripulação pode ser um dos fatores contribuintes para o maior nível de estresse psicológico encontrado.

Quanto às fontes de estresse inerentes ao contexto competitivo identificadas pelos velejadores, verificou-se que as fontes situacionais, como problemas relacionados ao barco, relacionamento entre a tripulação, a regata em si (perder a regata, pré-start) e a arbitragem foram mais citadas que as individuais (indecisão quanto à equipe). Estes resultados vão de encontro com o estudo de Stefanello (2007), no qual os fatores situacionais predominam em relação aos individuais.

Durante a navegação, vários fatores estão relacionados ao estresse psicológico do atleta, tais como as condições ambientais, problemas de navegação, função desempenhada na embarcação, decisões táticas e entrosamento com a tripulação (Hambraeus & Branth, 1999). As fontes diretamente relacionadas com a competição, no presente estudo, são semelhantes a encontradas em outras pesquisas com diversas modalidades, como o relacionamento com os companheiros de equipe (Marques & Rosado, 2005; Rose Junior, 2002), a competição (Rose Junior, 2002; Stefanello, 2007) e a arbitragem (Marques & Rosado, 2005; Rose Junior, 2002).

Embora não mencionadas, as variações climáticas constituem distrações características de determinadas modalidades, podendo influenciar nos níveis de ativação e de ansiedade dos atletas. Stefanello (2007) em seu estudo expôs que tanto as condições climáticas quanto o planejamento/organização dos jogos, parecem constituir-se em potenciais fontes de estresse para os atletas do vôlei de praia, por ocasionar alguma influência na atuação dos atletas, impedindo-os de atuar no seu nível potencial.

Os fatores adjacentes, ou externos ao contexto competitivo, foram mencionados com grande frequência pelos velejadores. Dentre eles encontram-se o estudo, problemas financeiros, familiares, saudade de casa, gerenciamento do tempo e conciliar o trabalho à prática da vela.

Embora advindas do contexto externo à competição, estas fontes não devem ser entendidas como causadoras de menores níveis de estresse (Rose Junior et al., 2001). Segundo Marques e Rosado (2005), questões familiares, acadêmicas e conseguir o equilíbrio entre a competição e outros compromissos, tem o potencial de gerar estresse pelo fato de que nem sempre o atleta consegue cumpri-las, devido às exigências de tempo, próprias desta profissão.

Tendo a vela, as exigências de atenção, concentração, tomada de decisão, movimentos precisos diante de situações instáveis e imprevisíveis (Allen & De Jong, 2006; Bojsen-Moller & Bojsen-Moller, 1999; Mackie & Legg, 1999), o controle emocional dos velejadores é requisito importante para o satisfatório desempenho em competição, devendo o atleta possuir a habilidade de controlar e administrar os elevados níveis de estresse psicológico (Lima, 2005).

Os velejadores consideraram possuir um bom controle do estresse, utilizando mais frequentemente estratégias somáticas (84.0%) que cognitivas (42.0%) de administração do estresse. Este resultado concorda com o estudo de Lima et al.

(2004), que observaram que atletas femininas de tênis de mesa utilizavam mais técnicas somáticas (67.7%), que as cognitivas (9.5%) e as combinadas (24.7%).

Stefanello (2007), verificou que atletas do vôlei de praia, durante o jogo, utilizavam um maior número de técnicas cognitivas comparado às somáticas.

Isolar-se foi a estratégia cognitiva mais empregada pelos atletas para controlar o estresse em competição, seguida pela concentração e mentalização.

Isolar-se consiste em uma estratégia de distanciamento ou de evitação do agente estressante (Márquez, 2006). Segundo Gaudreau e Blondin (2004), este tipo de estratégia está associada a estados emocionais mais negativos, com menor controle subjetivo do estresse e maior sentimento de raiva e abatimento. as estratégias de concentração e mentalização, orientadas à tarefa (Gaudreau & Blondin, 2004), objetivam ajudar o atleta a desenvolver a conscientização sobre fatores que desviam sua atenção, permitindo-lhe modificar aspectos do seu rendimento e/ou trabalho que são ineficientes e distanciar-se de padrões de comportamento e pensamentos negativos ou não produtivos (Stefanello, 2007).

As técnicas cognitivas baseiam a sua ação na modificação ou no ajuste dos principais determinantes do comportamento realizado (pensamento, percepção, memória, afeto, linguagem), reavaliando a própria condição do problema. Nesse sentido, para ocorrer uma melhora na conduta ou nos estados emocionais, auxiliando os atletas a manter o autocontrole e o equilíbrio necessários a uma boa atuação, o sujeito deve promover uma mudança nos pensamentos subjacentes a esses comportamentos (Lima et al., 2004; Stefanello, 2007).

Este tipo de técnica é importante na vela, em situações a exemplo do contra- vento (momento onde os barcos atingem velocidade mais baixa, devendo andar em zigue-zague - navegação à bolina - em busca de maior velocidade para vencer o vento). Este é o momento em que os melhores velejadores fazem a diferença, pois necessitam tomar decisões de forma rápida e precisa para se sobrepor aos demais competidores. A indecisão em um momento equivocado para uma área de ventos mais fracos pode significar uma grande perda de tempo e consequentemente a derrota na regata (Maia, 2008).

As estratégias somáticas mais citadas pelos velejadores foram escutar música, dormir/ descansar, conversar com os amigos, fazer alongamentos, manter a rotina e horários, beber cerveja, ler, entre outras. As técnicas somáticas (motoras) consistem no esforço que o indivíduo faz para regular o estado emocional (estresse, ansiedade) associado ao evento estressante, ajustando as reações corporais como tensão muscular, frequência cardíaca e frequência respiratória, que esse evento traz (Lima et al., 2004; Stefanello, 2007).

A música pode afetar a energia muscular, elevar ou diminuir os batimentos cardíacos, dirigindo a atenção do ouvinte para padrões adequados a um determinado estado de ânimo, além de afastar o tédio e a ansiedade (Valim, Bergamaschi, Volp, & Deutsch, 2002).

A estratégia de conversar com amigos consiste no coping focalizado nas relações interpessoais, na qual o indivíduo busca apoio nos círculos sociais ao qual pertence, sendo um importante meio de proteção contra os efeitos deletérios do estresse (Lima, 2005). A procura por apoio social de outras pessoas tem sido relacionada com uma saúde melhor, constituindo um fator de proteção que pode evitar, inclusive, doenças ligadas ao estresse (Greenberg, 2002).

Dormir e descansar, e a prática de alongamentos consistem em estratégias de relaxamento. Os exercícios físicos podem ser um dos meios de lidar com o estresse ajudando a pessoa estressada a restabelecer as condições normais do organismo, desequilibradas tanto por fatores psicológicos como fisiológicos.

Mais especificamente, o exercício de alongamento é considerado um tipo de relaxamento, reduzindo significativamente os níveis de tensão muscular, ritmo respiratório e pressão sanguínea, bem como, os estados subjetivos e objetivos de excitação da pessoa. Portanto, esta pode ser uma forma bastante válida de lidar com o estresse (Valim et al., 2002).

Muitas das estratégias utilizadas pelos velejadores diante de situações estressantes cotidianas são estendidas ao contexto competitivo, como escutar música, descansar, conversar com os amigos, fazer alongamentos, ler, entre outras. Consistem em técnicas não sistemáticas, nas quais a pessoa desenvolve medidas de comportamentos seguras e adequadas através da própria vivência e experiência, sendo que sua eficiência é intrinsecamente dependente da subjetividade dos sujeitos (Lima et al., 2004).

Dosil (2004) evidencia que a maioria dos melhores atletas aprende técnicas por eles mesmos para solucionar as diferentes situações, que tem proporcionado vantagens diante de seus adversários.

Algumas estratégias dos atletas foram observadas apenas na situação competitiva, e envolvem disciplina, dentre elas: manter a rotina, respeitar horários, fazer a manutenção do barco e concentrar-se. O estudo de Gould, Eklund e Jackson (1993) citado por Lima et al. (2004) verificou que as estratégias de coping (enfrentamento neste caso, do estresse) de atletas membros da equipe olímpica de luta greco romana, incluíam seguir alguma rotina e foco no que eles necessitavam fazer. Neste estudo não foi verificada a eficiência da utilização destas técnicas na performance esportiva dos velejadores, indicando a necessidade de novos estudos.

CONCLUSÕES O estudo identificou que os atletas de vela apresentaram níveis baixos a moderados de estresse em competição, estando inversamente relacionados ao tempo de prática na modalidade. As fontes de estresse estão relacionadas a problemas com o barco, relacionamento com a tripulação, a regata em si, a arbitragem, estudo, problemas financeiros, familiares, saudade de casa, gerenciamento do tempo e conciliar o trabalho à prática da vela.

Em geral, os velejadores consideram possuir um bom controle do estresse, utilizando mais frequentemente estratégias somáticas (escutar música, dormir/ descansar, conversar com os amigos, fazer alongamentos, manter a rotina e horários, beber cerveja, ler, entre outras) do que cognitivas (isolar-se, concentração e mentalização) de administração do estresse.

Desta forma, é importante que velejadores possuam, ou desenvolvam ferramentas (habilidades) para controlar e administrar elevados níveis de estresse psicológico, sabendo lidar com situações instáveis e imprevisíveis advindas deste esporte.


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