Alteração da capacidade funcional dos músculos da região abdominal: Programa de
treino convencional versus Programa combinado de treino convencional e
electroestimulação
Alteração da capacidade funcional dos músculos da região abdominal: Programa de
treino convencional versusPrograma combinado de treino convencional e
electroestimulação
Luísa Vieira1, Carlos Carvalho1, Alberto Carvalho1, Rui Garganta2.
1 - Instituto Superior da Maia, Maia, Portugal,
2 - Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, Porto, Portugal.
E-mail: lvieira@ismai.pt
Introdução: O objectivo principal do presente estudo situa-se na procura dos
melhores procedimentos para o desenvolvimento funcional da musculatura
abdominal. Assim, pretendemos indagar se a utilização de electroestimulação
poderá ser um factor de optimização do processo de treino, isto é, se os
resultados são acrescidos quando ao treino convencional dos músculos abdominais
se incluem contracções musculares induzidas electricamente. Objectivo:avaliar o
efeito da electroestimulação testes de avaliação das diferentes expressões de
força. Metodologia: a amostra foi constituída por 28 alunos de Educação Física
do ISMAI que foram distribuídos por 3 grupos: o grupo experimental 1 (GE1) que
foi submetido a um programa de treino convencional, o grupo experimental 2
(GE2), que realizou um programa combinado de treino convencional e
electroestimulação e o grupo de controlo (GC) que apenas realizou os testes de
avaliação iniciais e finais. O trabalho experimental decorreu durante 6 semanas
com 2 UT semanais. Cada uma das sessões durava cerca de 90 minutos com uma
parte de activação geral e um segmento principal realizado sob a forma de
circuito em que ambos os grupos experimentais trabalhavam diferentes grupos
musculares, mas com predominância dos músculos abdominais. Todos os elementos
da amostra foram submetidos às medições do peso e altura e a testes de
avaliação das diferentes expressões de força: (1) Sit-up convencional, (2)
Sit-up oblíquos, (3) Partial Curl-up e (4) Bent-knee Curl-up para avaliarmos a
força resistência abdominal. Resultados: pela análise dos resultados constatou-
se que, de uma maneira geral, existiram melhorias significativas na resistência
localizada dos músculos abdominais do 1º para o 2º momento, nos diferentes
testes dos grupos experimentais (tabela 1), mas tal não se verificou em relação
ao grupo de controlo. Concretamente, em relação ao Sit-up convencional os
ganhos foram de 3% GC, 25% GE1 e 9,1% GE2. Relativamente ao Sit-up para os
músculos oblíquos, os ganhos foram de -4,3% GC, 11,8% GE1 e 9,3% GE2. Nestes
dois testes, só no GE1 esses ganhos foram estatisticamente significativos.
Tabela 1: Resultados dos testes [média, desvio padrão (DP), alterações
absolutas (Abs.) e percentuais (Δ %) e valores do t-test] nos três grupos.
__________________________________________________________________
| | |Pré-teste|Pós-teste|Alteraçõ|T-Test______|
|________________|___|Médi|±_D|Médi|±_D|Abs.|Δ_%_|t_____|p____|
| |CG_|33___|6___|34___|4___|1___|3,03_|-0,638|0,547|
|Sit-up |GE1|36___|11__|45___|8___|9___|25,00|-3,522|0,005|
|Conventional|GE2|44___|5___|48___|9___|4___|9,09_|-1,834|0,104|
| |CG_|47___|7___|48___|6___|-2__|-4,26|1,982_|0,095|
|Sit-up |GE1|51___|10__|57___|8___|6___|11,76|-3,932|0,002|
|Oblíquos_______|GE2|54___|4___|59___|3___|5___|9,26_|-2,213|0,058|
| |CG_|43___|17__|43___|13__|0___|0,00_|0,052_|0,960|
|Partial |GE1|48___|13__|54___|13__|6___|12,50|-2,493|0,030|
|Curl-up_________|GE2|53___|6___|60___|8___|7___|13,21|-2,897|0,020|
| |CG_|62___|20__|62___|24__|0___|0,00_|0,318_|0,761|
|Bent-knee |GE1|71___|17__|82___|14__|11__|15,49|-3,33_|0,007|
|Curl-up_________|GE2|69___|6___|77___|9___|8___|11,59|-4,014|0,004|
Figura 1: Resultados das alterações entre o 1º e o 2º momento,
nos diferentes testes e entre grupos.
Nos testes de Partial Curl-up e Bent-knee Curl-up ambos os grupos experimentais
evidenciaram alterações estatisticamente significativas. Objectivamente, de
12,5% GE1 versus 13,2% GE2 para o primeiro teste; no segundo, de 15,5% GE1
versus 11,6% GE2.
Discussão: para a análise comparativa entre grupos, em cada variável do
presente estudo, recorrendo à Análise de Variância (ANOVA), verificou-se que,
genericamente, há diferenças estatisticamente significativas entre o GC1 e o
GC, mas não entre os grupos experimentais. Daqui podemos concluir que ambos os
programas de treino e desenvolvimento da força abdominal induziram ganhos, mas
que a utilização da electroestimulação não se confirmou como um acréscimo em
relação ao treino abdominal “convencional”.