Qualidade de vida dos utentes dos cuidados de saúde primários do distrito de
Vila Real
Introdução
A saúde individual e coletiva são recursos preponderantes no desenvolvimento
das sociedades e comunidades, sendo tanto mais importantes, quanto maior a
incidência e prevalência de doenças crónicas e incapacitantes (Vintém, 2008). A
saúde é portanto, considerada uma condição essencial da vida humana, capaz de
providenciar ao indivíduo um estado de bem-estar e equilíbrio, que lhe garanta
um desempenho satisfatório nos diversos domínios: físico, psicológico e social
e consequentemente na qualidade de vida (Soares, Toledo, Santos, Lima, &
Galdeano, 2013). Assim, neste trabalho procurou--se caracterizar a QV dos
utentes dos cuidados de saúde primários do distrito de Vila Real (norte de
Portugal), no sentido de que possam ser formuladas recomendações estratégicas
sustentáveis para esta região e verificar as relações entre a QV e variáveis
sociodemográficas, numa perspetiva da melhoria contínua da qualidade de vida
dos utentes.
Enquadramento
A perceção de Qualidade de Vida (QV) relacionada com a saúde tem vindo a
assumir relevância crescente enquanto aferidor da qualidade dos serviços e
cuidados de saúde, tal como nas áreas económica e social da saúde de um país
(World Health Organization Quality of Life, 2005).
Não sendo consensual, o conceito de QV tem reconhecidamente duas componentes:
uma objetiva ou social, que contempla fatores económicos, políticos e
ambientais (saúde em geral, nível funcional e socioeconómico) e outra subjetiva
ou psicológica que reflete o julgamento pessoal [autoestima, satisfação com a
vida e bem-estar (WHOQoL, 2005)]. Apesar da vulgarização na utilização do
termo, continua a ser um conceito de difícil operacionalização, dadas as
múltiplas variáveis que compõem o seu significado (Santos, Martins, &
Ferreira, 2009). Assim, tendo em consideração a multiplicidade de abordagens,
diversos autores defendem como ponto de concordância do conceito QV, a sua
multidimensionalidade, englobando tanto componentes objetivas, como a
satisfação das necessidades básicas e a funcionalidade, como componentes
subjetivas bem-estar, felicidade, amor, prazer e realização pessoal (Santos et
al., 2009; Vilar & Salgadinho, 2009). Pela sua variabilidade e
subjetividade, trata-se de um conceito dinâmico, alterando-se com o tempo e as
situações vivenciadas, representando sobretudo, a perceção individual sobre a
posição na vida, tendo em conta a influência dos aspetos culturais e as
particularidades do meio ambiente biológico e social (Santos et al., 2009).
A Organização Mundial de Saúde (OMS) definiu QV como a perceção individual e
posicionamento na vida, face ao contexto cultural e sistema de valores, em que
se insere, tendo em conta os seus objetivos, expetativas, padrões e
preocupações (WHOQoL, 2005). Neste enquadramento foram adotadas as quatro
dimensões básicas da QV, às quais se deve dar especial atenção, ou seja, a
dimensão física relativa à perceção do indivíduo sobre a sua condição física; a
dimensão psicológica que representa a perceção do indivíduo sobre a sua
condição afetiva e cognitiva; a dimensão social que reflete a perceção do
indivíduo sobre os relacionamentos sociais e os papéis sociais adotados na vida
e, por último, a dimensão ambiental que traduz a perceção do indivíduo sobre
aspetos diversos relacionados com o ambiente onde vive (Tajvar, Arab, &
Montazeri, 2008; Campolina, Dini, & Ciconelli, 2011).
A diversidade de fatores intervenientes na QV das pessoas recomenda que a sua
abordagem, considere os aspetos> físicos, mentais e/ou clínicos e incorpore
aspetos da realidade social e económica do utente, que poderão condicionar a
sua vida (Bentley et al., 2013).
De facto e na atualidade, os resultados e/ou os ganhos em saúde não são
equacionados apenas, em termos de diminuição das taxas de mortalidade ou
morbilidade, mas também em função das consequências sociais e da qualidade
proporcionada à vida das pessoas (Vilar & Salgadinho, 2009). Nesta ordem de
ideias Otero-Rodrigues et al. (2010) expõem que as mudanças na QV são
preditoras de mortalidade em idosos, evidenciando que a sua avaliação constitui
um valioso instrumento para a gestão dos cuidados de saúde. Isto porque uma
maior longevidade só faz sentido se corresponder a uma boa QV, sendo esta
considerada, um dos principais desafios da sociedade atual e um dos principais
objetivos dos cuidados de saúde.
Quando nos reportamos a cuidados de saúde, os principais atores do sistema, são
os clientes e os profissionais, a par de outros recursos. De entre os
profissionais de saúde, os enfermeiros são o grupo maioritário dos recursos
humanos em saúde, devendo a sua ação ser norteada pela promoção do bem-estar e
autocuidado e pela facilitação aos processos de adaptação, orientando os seus
objetivos e intervenção para a melhoria da QV do cliente. Estes pressupostos
são explícitos no código deontológico da profissão, no artigo 82º: participar
nos esforços profissionais para valorizar a vida e a qualidade de vida
(Conselho de Enfermagem, 2010). Desta forma os enfermeiros, incorporam nas suas
intervenções os pressupostos da melhoria contínua da QV, ao visar a pessoa como
um todo (o ser humano e a sua circunstância), em busca do equilíbrio e bem-
estar geral. Nesta perspetiva, a apreciação que o utente faz do seu estado de
saúde, tem um papel decisivo no âmbito do planeamento e execução das
intervenções de Enfermagem, no sentido da melhoria contínua da qualidade dos
cuidados prestados (Santos et al., 2009).
A QV, tal como expresso na Carta de Ottawa (World Health Organization, 1986),
deve ser considerada como um indicador para a promoção da saúde e bem-estar das
populações. Assim, decorrente da última reforma dos cuidados de saúde primários
em Portugal (Decreto lei nº 28/2008), são essenciais estudos científicos que se
debrucem sobre esta problemática no sentido da obtenção de ganhos em saúde,
traduzidas numa melhor QV.
Questões de Investigação
Qual o nível de QV dos utentes dos cuidados de saúde primários do distrito de
Vila Real (norte de Portugal)?
Qual a influência das variáveis sociodemográficas na QV dos utentes dos
cuidados de saúde primários do distrito de Vila Real?
Metodologia
Este estudo integra-se no projeto de investigação duma equipa de investigadores
multi-institucional, financiada pelo Ministério da Saúde/INSA, IP com a
referência 2011/EXT456. Reporta-se a um estudo transversal, descritivo,
correlacional com uma abordagem quantitativa.
Foi realizado com utentes das freguesias da área geográfica do distrito de Vila
Real, correspondendo aos Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES), Alto Trás-os-
Montes II - Alto Tâmega e Barroso (ATMATB) e Douro I - Marão e Douro Norte
(DMDN). Para este estudo, utilizou-se uma amostra intencional de 6747 sujeitos,
de acordo com os seguintes critérios de inclusão: idade superior a 18 anos,
residir e utilizar os centros de saúde dos dois ACES, pelo menos uma vez nos
últimos dois anos.
No que diz respeito aos procedimentos éticos, foi oficializado o pedido por
escrito à Administração Regional de Saúde do Norte, sendo que a participação no
estudo foi de caráter voluntário, tendo sido garantida a confidencialidade dos
resultados e o anonimato dos respondentes. O estudo foi autorizado, tendo tido
parecer favorável da Comissão de Ética da Administração Regional de Saúde do
Norte (referência 49/2012 de 4 de dezembro de 2012). Foram tidos em conta os
princípios da Declaração de Helsínquia, nomeadamente, a não exploração dos
participantes, a igualdade e trato justo, a seleção justa da população do
estudo, a beneficência, a não maleficência, a autonomia das pessoas,
respeitando os seus valores e uma relação risco-benefício favorável.
A recolha de dados decorreu na comunidade, entre janeiro e junho de 2012,
realizada por um grupo de quatro bolseiros de investigação, inscritos no último
ano do curso de licenciatura em Enfermagem, devidamente treinados
especificamente para colaborarem na recolha de dados. Foram contactados todos
os presidentes de junta das freguesias e párocos, para se conseguir uma maior
adesão dos participantes, os quais foram entrevistados tanto no domicilio como
no local de trabalho e/ou de lazer. Excluíram-se do estudo todos os inquéritos/
sujeitos com mais de cinco questões sem resposta.
A participação dos indivíduos foi voluntária e o consentimento informado foi
concedido a partir do momento em que aceitaram preencher/responder ao
questionário. Este foi elaborado para o efeito, auto preenchido e/ou aplicado
pelos investigadores, onde se incluíram variáveis de caracterização
sociodemográfica e o Medical Outcomes Study-Short Form (MOS SF-36) para a
avaliação/medição da perceção da QV (Ferreira, 2000).
O MOS SF-36 é um questionário que permite avaliar a perceção individual do
estado geral da saúde e de QV dos sujeitos. É constituído por 36 itens
repartidos por oito dimensões de estado de saúde, assinalando tanto os estados
positivos como os estados negativos de saúde. MOS SF-36 é uma medida genérica
do estado de saúde desenhada para ser autoadministrada, ou administrada por
entrevista, ou por telefone, sendo atualmente uma das medidas genéricas do
estado de saúde mais conhecida (Ferreira, 2000). Contempla escalas de itens
múltiplos para medir as oito dimensões de saúde, agrupando-se em duas
componentes: a componente física, que compreende a função física, o desempenho
físico, a dor corporal e a saúde em geral e a componente emocional, que engloba
o desempenho emocional, a vitalidade, a função social e a saúde mental. Abarca
ainda a escala de transição em saúde, que não sendo considerado um conceito de
saúde, pretende medir a mudança em geral na saúde. Para cada uma das dimensões
a pontuação é expressa numa escala de 0 (pior estado de saúde possível) a 100
(melhor estado de saúde possível), apresentando um vasto conjunto de resultados
que evidenciam a elevada fiabilidade, validade e poder de resposta deste
instrumento de medição (Ferreira, 2000).
Para a análise e tratamento dos dados recorreu-se ao programa estatístico SPSS
(Statistical Package for the Social Sciences) versão 19 para Windows,
estabelecendo-se o nível de significância de 5% (p=0,05). Recorreu-se à
estatística descritiva com medidas de localização e tendência central (média,
moda e mediana) e de dispersão absoluta (desvio padrão) e inferencial
utilizando o teste Qui-quadrado, o teste t-student, para duas amostras, o teste
ANOVA (Analysis of Variance), a fim de se verificar as diferenças entre
diversas variáveis, procedendo-se ainda à comparação múltipla de médias através
do teste post-hoc de Tukey. Quando não se cumpriam os pressupostos para a
utilização dos testes paramétricos, utilizou-se os testes alternativos não
paramétricos >Mann-Whitney
e Kruskal-Wallis. No que se refere aos grupos etários, adotamos a divisão do
ciclo de vida: em vida adulta, dos 18-44 anos, meia idade dos 45-64 anos e
idosos.
Resultados
Da caracterização sociodemográfica da amostra (Tabela_1), salientamos, que o
maior grupo pertencia ao sexo feminino, tinha entre 18 e 44 anos, era casado,
vivia com os cônjuges e filhos, possuía o ensino básico, enquadrava-se no setor
terciário de atividade laboral, trabalhava por conta de outrem e auferia um
rendimento mensal entre 451-1000 Euros. Este quadro repete-se nas proporções
dos dois ACES, exceto, na situação profissional em que no ACES ATMATB o maior
grupo era dos reformados (30,9%) e no rendimento mensal, no mesmo ACES, o maior
grupo (40,3%), auferia entre 200-450 Euros, um rendimento mais baixo do que no
total da amostra e no ACES DMDN.
A média da idade era 50,13±20,625 anos, sendo o mínimo 18 anos e o máximo 99
anos.
Na Tabela_2 apresentam-se as médias das dimensões da perceção de QV relacionada
com a saúde, por sexo, grupo etário e total da amostra.
No total da amostra, as dimensões nas quais os utentes apresentavam melhor QV
eram o desempenho físico, a função social e o desempenho emocional, o que
significa que são as dimensões que mais contribuem para uma melhor QV. As
dimensões que apresentavam pior QV eram a função física, a saúde geral e a
vitalidade, significando que são as dimensões que menos contribuíram para a QV.
Este quadro repete-se quer com as categorias da variável sexo, quer nos
diferentes grupos etários.
Quando se analisa as médias em função do sexo, o sexo masculino apresentava
média mais elevada do que o sexo feminino no desempenho físico, mas inferior no
caso da função social e desempenho emocional.
No que se refere aos grupos etários, as médias mais elevadas das dimensões
pertenciam todas ao grupo dos 18-44 anos, mas nas médias menos elevadas, este
grupo etário apenas apresentava a média mais baixa na função física, ou seja,
percecionam melhor QV do que os outros grupos etários.
A média da componente emocional é mais elevada do que a da componente física,
quer no total da amostra, quer nos dois sexos, quer nos diferentes grupos
etários. A média da pontuação global do SF36 é superior no sexo feminino e no
grupo etário dos 18-44 anos, significando que têm melhor perceção da QV. A
média da QV do total da amostra é de 67,85±10,809, o que quer dizer que os
utentes têm uma perceção positiva da QV. Na análise da relação entre a QV e as
variáveis de caracterização sociodemográfica da amostra, não se verificaram
diferenças estatisticamente significativas entre os diferentes grupos das
variáveis sexo, escolaridade, estado civil e unidades funcionais (Tabela_3).
Foram obtidas diferenças estatisticamente significativas (ANOVA: p= 0,028) na
relação com o grupo etário, em que o grupo etário dos 18-44 anos obteve média
superior ao grupo dos 45-64 anos, significando que perceciona uma melhor QV.
Observaram-se diferenças estatisticamente muito significativas (ANOVA: p=
0,005) em função do setor de atividade profissional, em que o setor terciário
detinha a média mais elevada, relativamente ao setor primário, o que quer dizer
que os utentes que exercem a sua atividade no setor terciário reportam melhor
QV.
Verificaram-se também diferenças estatisticamente significativas (ANOVA: p=
0,027) entre os utentes que auferiam rendimentos mensais de menos de 200 Euros
e os que auferiam de 450 a 1000 Euros, com os primeiros a obterem uma média
mais elevada e a percecionarem melhor QV.
Por último, constataram-se, ainda, diferenças estatísticas altamente
significativas (t de Student: p< 0,000) entre os utentes dos dois ACES, em que
os utentes do ACES DMDN reportaram melhor QV, relativamente aos utentes do ACES
ATMATB (Tabela_3).
Discussão
As características sociodemográficas da nossa amostra são muito semelhantes às
características da amostra do estudo de Praça (2012), no qual participaram 1111
utentes do ACES Trás-os-Montes I Nordeste (norte de Portugal). Neste estudo
também era maioritário o sexo feminino (71,4%), a classe etária dos 18-45 anos
(50%), o estado civil casado (61,8%) e o nível de instrução ensino básico
(32%). No entanto, os valores são mais elevados no estudo de Praça (2012),
exceto, no que diz respeito à variável nível de instrução ou escolaridade. A
média da idade dos utentes do nosso estudo é superior à do estudo de Praça
(2012), que era de 47,6±18,5 anos, o que se compreende, uma vez que a idade
mínima é a mesma (18 anos), mas a idade máxima é superior no nosso estudo (99
anos).
O mesmo sucedeu no estudo de Ferreira & Santana (2003), realizado com uma
amostra de 2459 sujeitos, pertencentes a população portuguesa ativa saudável,
com o objetivo de medir a perceção do estado de saúde e a QV. No entanto, as
proporções são mais elevadas neste estudo, no caso da classe etária e estado
civil, embora a categorização das classes etárias seja diferente do nosso
estudo.
No conjunto das características que dificultam a avaliação da QV, destaca-se a
sua subjetividade: pela imensidão de aspetos contemplados nas tentativas da
definição do conceito; a multidimensionalidade: a vida compreende múltiplas
facetas e dimensões, tais como, a física, a psicológica e a social; a
bipolaridade: com as dimensões positivas e negativas; a mutabilidade: a
avaliação da QV altera-se com o tempo e com o contexto (Santos, Sawada, &
Santos, 2011).
Assumindo a subjetividade de que se reveste o conceito de QV, comparando as
médias das dimensões da QV do presente estudo com as dos estudos acima citados
(Praça, 2012; Ferreira & Santana, 2003) verificamos que nestes estudos as
médias são mais elevadas nas dimensões função física, dor corporal, desempenho
emocional e saúde mental. Isto significa que os sujeitos participantes nos
estudos atrás citados têm melhor perceção da QV naquelas dimensões, ou seja,
têm menos limitações com impacto na QV, menor intensidade e desconforto causado
pela dor, melhor nível de energia e menor fadiga, mais quantidade e melhor
qualidade das atividades sociais, menor ansiedade e depressão e melhor bem-
estar psicológico.
Por sua vez, no estudo de Fernandes, Vasconcelos, & Silva (2009), no qual
participaram 62 funcionários de uma instituição de Belém do Pará (Brasil),
repete--se quase aquele quadro, com uma ligeira diferença. A dimensão dor
corporal deixa de figurar entre as médias da QV mais elevadas, em relação ao
nosso estudo, sendo substituída pela dimensão vitalidade.
Analisando a média global da QV do presente estudo e do estudo de Praça (2012)
que foi de 66,28±19,72, podemos afirmar que os sujeitos da nossa amostra
reportaram um nível de QV ligeiramente superior aos dos utentes do referido
estudo.
Tendo em conta os mesmos cruzamentos, apenas se constaram diferenças
estatisticamente significativas entre a média da pontuação total da QV dos
grupos etários e dos rendimentos mensais, enquanto no estudo de Praça (2012),
houve diferenças estatisticamente significativas entre os sexos, classes
etárias, estado civil, nível de instrução e rendimentos mensais. Todavia, as
classes etárias e os rendimentos mensais estão categorizados de maneira
diferente.
Tanto no presente estudo, como no estudo de Praça (2012), os mais jovens têm
melhor QV, mas nos rendimentos mensais, no nosso estudo a associação não é
linear, sendo percecionada melhor QV nos utentes que recebem menos de 200,00
euros mensais, seguidos pelos que dispõem mais de 1000,00 euros mensais, a
classe de maior rendimento, enquanto no referido estudo a perceção aumenta com
o aumento do rendimento mensal. Nas restantes variáveis em que se verificaram
diferenças estatisticamente significativas são os homens que percecionam melhor
QV, bem como os solteiros e os que vivem em união de facto, relativamente, aos
viúvos e os que possuem um nível de instrução superior.
Por seu lado, no estudo de Ferreira & Santana (2003), os autores também
encontraram diferenças estatisticamente significativas, entre a média da QV
quanto ao sexo, classe etária, estado civil e nível de instrução, em que os
homens percecionam melhor QV, assim como os mais jovens, os solteiros e os
sujeitos com maior nível de habilitação literária. Repete-se, apenas, o quadro
das classes etárias do presente estudo, mas coincide em todas as outras
variáveis em análise, com o estudo de Praça (2012). Estas diferenças, que se
observam entre os estudos atrás citados e o presente estudo, poderão ser
explicadas pelas diferentes características da nossa amostra, que se insere
numa área geográfica com aspetos particulares.
As outras variáveis envolvidas no presente estudo, como o setor de atividade, a
unidade funcional de saúde a que pertence o utente e o respetivo ACES, não
foram estudadas pelos autores acima citados.
Conclusão
Após uma análise detalhada dos resultados do presente estudo e tendo em conta
os objetivos delineados à partida, estamos em condições de elencar um conjunto
de conclusões, que passamos a evidenciar.
O perfil dos utentes participantes no presente estudo com maior QV integra
indivíduos do sexo feminino, pertencentes à classe etária dos 18-44 anos, são
solteiros, possuem o ensino secundário, exercem a sua atividade profissional no
setor terciário e auferem menos de 200 euros.
As médias das oito dimensões de caracterização da QV dos sujeitos da nossa
amostra estão todas acima dos 50%, sendo mais elevadas na dimensão desempenho
físico, função social e desempenho emocional. As menos elevadas são a função
física, saúde geral e vitalidade. A QV da componente emocional é melhor do que
da componente física. O nível de QV reportado pelos sujeitos da amostra é
positivo.
Parece existir relação entre a QV e o grupo etário, o setor de atividade, o
rendimento mensal e o ACES a que o sujeito pertence. As outras variáveis não se
mostraram discriminativas.
O estudo realizado permitiu-nos conhecer a qualidade de vida dos utentes dos
cuidados de saúde primários do distrito de Vila Real, assim como a sua relação
com as variáveis sociodemográficas e nesse sentido a possibilidade de
equacionar um conjunto de recomendações que se possam traduzir numa melhor
perceção da qualidade de vida.