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Representação em texto

EuPTCVHe0874-02832013000200009

variedadeEu
ano2013
fonteScielo

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Estudo de adaptação cultural e validação da versão portuguesa da Attitudes Toward Aggression Scale (ATAS)

Introdução A violência no local de trabalho tem vindo a tornar-se num fenómeno alarmante em todo o mundo. Em alguns países atingiu uma dimensão tal que se transformou numa epidemia nacional, o que determinou uma preocupação crescente com o problema, a partir do final dos anos 80 (Chappell e Di Martino, 1998).

A violência ocorre em todos os ambientes de trabalho. Contudo, alguns setores estão particularmente expostos como é o caso dos serviços de saúde, onde os seus profissionais constituem um grupo particular de elevado risco (Hewitt e Levin, 1997; Chappell e Di Martino, 1998). É hoje claro que, apesar de algumas discrepâncias nas estimativas de exposição, todos os trabalhadores dos serviços de saúde têm contacto com a violência e/ou com as suas sequelas, não os que trabalham em serviços de maior vulnerabilidade, como os serviços de Psiquiatria (Whittington, Shuttlework e Hill, 1996; Sullivan, 1999).

O fenómeno da violência nos serviços de saúde, apesar de difícil de definir e quantificar, tem-se tornado num problema crescente nas instituições de saúde, particularmente para os enfermeiros (Zampieron et al., 2010), sendo agora reconhecido como uma prioridade de saúde pela OMS e pelo ICN (Magnavita e Heponiemi, 2011). No entanto, a violência nos serviços de saúde continua a aumentar (Kuehn, 2010).

A incidência de episódios de violência dirigida aos enfermeiros é bem conhecida. Estes profissionais constituem o grupo de maior risco e as principais vítimas de violência (Marques e Mendes, 2003; Ferrinho et al., 2003; Jansen, 2005; Lim, 2010; Zampieron et al., 2010), principalmente porque o seu trabalho requer maior proximidade e mais permanência (Marques e Mendes, 2003) e porque a natureza da sua profissão exige múltiplas interações diárias com os doentes (Jansen, 2005).

A associação entre violência, agressão e certas formas de doença mental reúne algum consenso (Palmestierna e Wistedt, 1988; Wallace et al., 1998). Apesar desta relação se mostrar complexa e pouco precisa, verifica-se que os episódios de violência mais referidos pelos enfermeiros são perpetrados por doentes mentalmente instáveis (Zampieron et al., 2010). O fenómeno atinge dimensões mais significativas quando analisamos o que acontece nos serviços de Psiquiatria. Contudo, conforme afirmam Cornaggia et al. (2011) e Zampieron et al. (2010), embora bastante frequentes em doentes psiquiátricos, os episódios traduzem-se predominantemente por agressão verbal.

Independentemente do seu tipo, a violência dirigida aos profissionais de saúde implica consequências ao nível individual, institucional e social (Di-Martino, Hoel e Cooper, 2003), afetando diretamente e de forma grave a saúde física e/ou mental dos profissionais atingidos. O nível de saúde geral dos enfermeiros que referem exposição frequente a incidentes violentos é significativamente menor (Cornaggia et al., 2011), prejudicando o seu desempenho e a qualidade dos cuidados, estando associada ao aumento do absentismo por doença, maiores níveis de mudança de local de trabalho, diminuição da satisfação profissional e quebra na produtividade (Zampieron et al., 2010).

Estudos teóricos e empíricos sobre a violência em contexto psiquiátrico mostram que a ocorrência de incidentes violentos e a forma como são geridos pelos profissionais, deve ser entendida como o produto da interação de diversas variáveis: entre elas, as variáveis associadas ao próprio doente (e.g. tipo de patologia); ambiente (e.g. tipo de serviço); e variáveis da equipa (e.g.

atitudes). O presente estudo foca uma das variáveis relacionadas com a equipa: as atitudes dos enfermeiros perante a violência, consideradas como fator importante e preditivo do tipo de cuidados prestados (Jansen, Middel e Dassen, 2005).

Este estudo tem como objetivo analisar a validade e a fidelidade de um instrumento capaz de avaliar as conotações atitudinais dos enfermeiros perante os comportamentos agressivos em contexto psiquiátrico. Utilizámos a ATAS Attitudes Toward Aggression Scale após os procedimentos formais de pedido/ autorização para a sua utilização.

A Attitudes Toward Aggression Scale (ATAS) A ATAS, inicialmente designada como POAS (Perception of Aggression Scale), tem vindo a ser desenvolvida desde 1997 por Gerard Jansen. O questionário original era um instrumento de autoavaliação composto por 60 proposições (itens) sobre agressão, listadas de forma aleatória, ou seja, sem qualquer estrutura teórica.

A validade de construto da POAS foi examinada em dois estudos. No primeiro foram identificados três fatores. Em cada fator, os itens tinham correlações .30 e coeficientes de fidelidade compreendidos entre α=.70 e α=.89. No segundo estudo, foi encontrada uma solução de dois fatores com correlação item fator .35 e coeficientes de fidelidade de α=.80 a α=.88.

Segundo Jansen, Middel e Dassen (2005), o conceito de perceção colide com a utilização, na prática, da escala POAS devido ao caráter avaliativo dos seus itens. Deste modo, passou a ser utilizado o conceito de atitude, o que originou a alteração da designação da escala POAS para ATAS.

A validade de construto da ATAS foi avaliada num estudo comparativo internacional, realizado com uma amostra de 1769 enfermeiros psiquiátricos e estudantes de Enfermagem.

A versão original sofreu uma redução para 18 itens, medidos numa escala tipo Likert, compreendendo 5 dimensões com propriedades psicométricas satisfatórias, a que correspondem 5 tipos diferentes de atitudes medidas pelas seguintes subescalas: 1. Atitude ofensiva - agressão vista como comportamento nocivo, desagradável e inaceitável, incluindo a agressão verbal.

2. Atitude comunicativa - agressão vista como um sinal resultante de um sentimento de inferioridade do doente visando aprofundar a relação terapêutica.

3. Atitude destrutiva - agressão vista como indicador de ameaça, ato de violência ou dano físico.

4. Atitude de proteção - agressão vista como forma de proteção ou defesa do espaço físico e emocional.

5. Atitude intrusiva - agressão vista como intenção de ferir ou causar danos aos outros.

Como não scores de referência conhecidos como pontos de corte, é impossível converter um score numa variável categorial do tipo concordância, discordância.

Assim, o score médio de uma dimensão (atitude) pode unicamente ser interpretado em relação ao score médio de outra dimensão (atitude). Quanto maior a pontuação obtida numa subescala, maior a conotação com a atitude expressa.

Metodologia Este estudo consiste na adaptação e validação para a população portuguesa da ATAS que designámos por ECADA Escala de Conotações Atitudinais da Agressão. O processo de validação integrou diversas fases: 1.Tradução da versão original para a língua portuguesa recorrendo a um especialista bilingue.

2. Análise da validade de conteúdo dos itens, realizada por dois especialistas de investigação.

3. Averiguação da tradução e retroversão, realizada por um professor de inglês.

4. Realização de um pré-teste do questionário com o objetivo de identificar eventuais dificuldades na interpretação dos itens, das instruções e da escala de resposta.

O pré-teste foi realizado com uma amostra de 12 estudantes do ano do Curso de Licenciatura em Enfermagem da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, com experiência de cinco semanas de Ensino Clínico em unidades de internamento de Psiquiatria.

5. Aplicação do questionário e realização da análise de validade de construto e de fidelidade, tendo como objetivo encontrar uma solução fatorial coerente com a conceção teórica subjacente (validade de construto), bem como uma análise de consistência interna.

Para o estudo da validade de construto procedeu-se à realização de análises fatoriais em componentes principais (PCA) com rotação ortogonal varimax de forma a tornar interpretáveis as soluções que emergiram de cada análise.

Relativamente à decisão do número de fatores a reter na análise, utilizou-se como critério a retenção dos fatores com valores próprios (eigenvalues) iguais ou superiores a 1.

Na escolha das soluções fatoriais finais, seguiram-se os critérios definidos por Nunnally e Bernstein (1994): 1. Validade convergente - correlação do item com o fator (factor loading) .50; 2. Validade discriminante - correlação (factor loading) < .30 com os restantes fatores; 3. A solução final encontrada deverá justificar no mínimo 50% da variância total; 4. Concordância entre a estrutura teórica subjacente ao instrumento e a solução encontrada.

No estudo de fidelidade, procedeu-se à análise da consistência interna através do cálculo dos coeficientes alpha de Cronbach e da homogeneidade dos itens, através dos coeficientes de correlação corrigidos de cada item com o total da respetiva subescala.

A reprodutividade teste-reteste foi avaliada numa subamostra de 33 inquiridos com um intervalo entre medições de 4 semanas. Para o efeito, foram avaliadas as correlações entre as duas medições e as diferenças de médias.

Amostra Foi utilizada uma amostra não-probabilística, composta por 158 enfermeiros de ambos os sexos, a trabalhar nas unidades de internamento de Psiquiatria do CHUC (Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra).

Os dados foram recolhidos através de um questionário de autopreenchimento sendo a população elegível constituída por todos os enfermeiros a trabalhar nas unidades definidas para a realização do estudo, tendo por base dois critérios de elegibilidade: ter um horário completo; trabalhar em serviços de internamento.

Dos 247 questionários enviados, verificou-se o retorno de 176 (70,4%), dos quais 18 (7,3%) foram eliminados por não estarem corretamente preenchidos. Os restantes 158 questionários (63,97%) constituíram a amostra.

Resultados A tabela_1 descreve as principais variáveis de caracterização demográfica dos participantes. Os sujeitos representam de forma semelhante ambos os sexos, repartindo-se de forma heterogénea pelas diferentes unidades. Cerca de metade dos enfermeiros (54,4%) trabalha em serviços de doentes em fase aguda; 26,6% trabalham em serviços de doentes crónicos/residentes e 19,0% em serviços de doentes inimputáveis.

A grande maioria dos sujeitos tem como habilitações académicas a licenciatura (81,0%), a categoria profissional de enfermeiro ou enfermeiro graduado (74,7%), dez ou mais anos de experiência profissional (61,4%) e realiza horário rotativo (91,1%).

A grande maioria dos indivíduos tem entre 20 e 49 anos (88,0%) e apenas dois indivíduos (1,2%) têm mais de 60 anos. A idade média é de 37,44 anos com um desvio padrão de 9.75.

Validade de construto A validade de construto está diretamente ligada à sua definição e conceptualização, ou seja, traduz a adequação da estrutura conceptual subjacente à construção do instrumento de medida (Fortin, 2003).

A análise da validade de construto realizou-se com base em análises fatoriais exploratórias em componentes principais (PCA) com rotação ortogonal varimax.

A solução encontrada, apresentada no quadro_1, revela quatro dimensões (fatores) com valores próprios 1 e que explicam na totalidade 54,76% da variância.

O fator I, designado Conotação ofensiva-intrusiva apresenta um valor próprio de 4.551, integra os itens 1,3,4,5,7,8,11,15,16, e explica 25,28% da variância; o fator II, designado Conotação destrutiva, cujo valor próprio é de 1.930, integra os itens 9,12,13 e 14 e explica 10,72% da variância; o fator III, Conotação comunicativa, apresenta um valor próprio de 1.839, engloba os itens 2,6,17 e explica 10,22% da variância; o fator IV, designado Conotação de protecção, integra os itens 10 e 18, apresenta um valor próprio de 1.536 e explica 8,54% da variância total.

Feita a análise e extraídos os componentes, verificou-se que os itens 1 e 15 saturam nos respetivos fatores com valores ligeiramente inferiores a .50 e o item 18 apresenta, para além da saturação .50 com o fator a que pertence, uma discriminação superior a .30 com outro fator. Desta forma, apesar da ligeira diferença relativamente aos critérios previamente estabelecidos, optou-se por mantê-los nos componentes originais. Finalmente, também o item 14 satura em dois fatores sem descriminar para nenhum (diferença entre loadings <.20). Após análise da afinidade conceptual, optou-se por considerá-lo no fator II (Conotação destrutiva), ainda que a saturação seja inferior à observada no fator I.

A medida de KMO (Kaiser-Meyer-Olkin) é de .863 e o valor do teste de esfericidade de Bartlett é de χ2 = 835.719; p=.000, o que significa que a amostra é adequada, permitindo prosseguir com a análise fatorial.

Correlação entre as subescalas Foi calculado o coeficiente de correlação de Pearson entre os componentes usando a soma das pontuações obtidas em cada um dos fatores da escala.

Como pode ser observado no quadro_2, foi encontrada uma correlação positiva moderada fraca entre as dimensões Conotação comunicativa (III) e Conotação de proteção (IV), (r =.306) e uma correlação moderada entre as dimensões Conotação ofensiva-intrusiva (I) e Conotação destrutiva (II), (r =.327).

Foram encontradas correlações negativas entre as dimensões Conotação ofensiva- intrusiva e Conotação comunicativa, (r = -.351); entre as dimensões Conotação destrutiva e Conotação comunicativa, (r = -.092) e ainda entre as dimensões Conotação ofensiva-intrusiva e Conotação de protecção, (r = -.090).

O formato das correlações existentes entre as dimensões da escala e as conotações atitudinais subjacentes sugere a existência de dois domínios básicos divergentes: o eixo comunicação/protecção por um lado, e o eixo ofensa/ Intrusão/destruição, por outro.

Análise de fidelidade da escala A fidelidade de um instrumento de medida corresponde ao grau de precisão e consistência dos resultados obtidos em medições repetidas e ao grau de independência dos resultados relativamente a circunstâncias acidentais em que ocorre a medição (Gameiro, 2002).

Na análise de fidelidade, avaliou-se a consistência interna e estabilidade temporal.

A consistência interna foi avaliada através do cálculo do coeficiente alpha de Cronbach para cada uma das subescalas (quadro_3), não sendo calculado para a totalidade dos itens na medida em que as quatro subescalas avaliam atitudes antagónicas como ficou evidente na análise dos coeficientes de correlação.

Os valores podem ser considerados satisfatórios em três das quatro subescalas: I ' Conotação ofensiva-intrusiva (α = .855); II ' Conotação Destrutiva (α = .626) e IV ' Conotação de proteção (α = .622). Na outra subescala, o valor é um pouco mais baixo. Contudo, atendendo ao reduzido número de itens e à homogeneidade das correlações com o total da subescala a que pertencem, o valor obtido é aceitável. Como nos refere Fortim (2003), o α está relacionado com o número de enunciados de uma escala.

Calculou-se também o coeficiente de correlação corrigido entre o resultado do item e o resultado da subescala. As correlações mostram valores moderados a fortes, apresentando um valor mínimo de .324 (item 2) e máximo de .728 (item 8). Na sua maioria os coeficientes de correlação foram superiores a .400.

Poder discriminativo Com o objetivo de estudar o poder discriminativo do instrumento, calculou-se o coeficiente de variação das quatro subescalas.

O quadro_4 mostra que o coeficiente de variação dos fatores da ECADA é, à exceção do fator II, superior a 15%, sendo nos fatores III e IV superior a 30%: Fator I ' CV = 25,90/26%; Fator II ' CV = 14,54/15%; Fator III ' CV = 32,45/32% e o Fator IV ' CV = 31,17/31%. Estes valores sugerem que o instrumento (ECADA) tem capacidade discriminatória entre os inquiridos, justificando-se os valores moderados com o facto de a amostra ser pouco diferenciada em termos de cultura profissional.

Validade Discriminante Em Portugal não existe nenhuma escala validada que se destine a avaliar percepções ou atitudes dos profissionais de saúde perante a violência. A análise da validade discriminante da escala baseou-se na apreciação do poder discriminativo dos scores obtidos e na análise das diferenças de scores entre grupos distintos segundo variáveis sociodemográficas e demográficas.

Realizou-se o teste t para amostras independentes, utilizando as variáveis género; experiência profissional; uso de medidas restritivas; e função no serviço.

O quadro_5 mostra os valores das médias e desvios padrão dos scores obtidos para cada um dos fatores da escala, em função das variáveis.

Verificam-se diferenças estatisticamente significativas entre os dois géneros na subescala Conotação de proteção, (t(156) = 2.32; p<.05). O grupo feminino obteve níveis mais baixos (= 5.34) que o grupo masculino ( = 5.99). Nas restantes três subescalas não se verificaram diferenças estatisticamente significativas entre géneros.

Em relação à experiência profissional, o grupo com maior experiência (>10 anos), apresenta níveis mais elevados ( = 7.73) que o grupo com menor experiência ( = 6.93) no que se refere à subescala Conotação comunicativa. O teste t para amostras independentes revela diferenças estatisticamente significativas entre os grupos para esta subescala (t(156) = -2.04; p<.05).

Analisando a variável função no serviço, verificou-se a existência de diferenças estatisticamente significativas entre o grupo da prestação de cuidados e o grupo da gestão na subescala Conotação ofensiva-intrusiva, (t(156) = 2.30; p<.01). O grupo da gestão obteve níveis mais baixos ( = 22.00) que o grupo da prestação de cuidados ( = 29.09).

Finalmente, em relação à variável uso de medidas restritivas verificou-se a existência de diferenças estatisticamente significativas entre os dois grupos relativamente à subescala Conotação ofensiva-intrusiva, (t(156) = 3.25; p<.01).

As médias são mais altas no grupo que usa regularmente medidas restritivas.

A escala mostrou ser sensível a diferenças de género, experiência profissional, função no serviço e uso regular de medidas restritivas podendo as diferenças ser entendidas como indicadores de validade discriminante deste novo instrumento.

A análise da estabilidade temporal foi analisada pelo teste-reteste, aferindo a reprodutividade dos valores obtidos pela escala.

Foi feita uma segunda aplicação da escala a 33 indivíduos aleatoriamente selecionados da amostra, com quatro semanas de intervalo.

Pela análise do quadro_6, verifica-se que os coeficientes de correlação de Pearson entre as duas aplicações da escala são significativos (p<.01) e elevados do ponto de vista da precisão (r =.723 a r =.878), com exceção da subescala Conotação destrutiva ((p<.05; r =.422). Verificou-se ainda uma tendência para os resultados (médias) diminuírem da primeira para a segunda aplicação do instrumento, com exceção da subescala Conotação de proteção.

Discussão Este estudo teve como objetivo analisar a validade e a fidelidade de um instrumento capaz de avaliar as conotações atitudinais dos enfermeiros perante os comportamentos agressivos em contexto psiquiátrico. Foi feita uma apreciação relativa às características psicométricas da escala.

Recorrendo à análise fatorial, verificou-se que os itens da escala cobrem dimensões distintas. A solução extraída apresenta quatro fatores integrando quatro grandes dimensões: Conotação ofensiva-intrusiva; Conotação destrutiva; Conotação comunicativa e Conotação de proteção.

Esta solução é um pouco diferente da encontrada por Jansen, Middel e Dassen (2005) no estudo comparativo internacional de validação da escala ATAS, que apresenta cinco fatores.

Comparando as soluções encontradas nas duas versões da escala, verificam-se algumas diferenças. O fator I englobou os três itens da dimensão atitude intrusiva e perdeu um item (14) para o fator II Conotação destrutiva que passou de três para quatro itens. Os restantes dois fatores mantêm os mesmos itens nas duas escalas. Esta solução, apesar de não replicar totalmente a versão original, integra, na nossa perspetiva, os principais domínios das atitudes identificadas na teoria.

A análise da correlação entre as subescalas da ECADA sugere a existência de dois grandes domínios divergentes: por um lado a combinação convergente entre os fatores comunicação e protecção, entendidos como comportamento ou energia humana positiva (Jansen, Middel e Dassen, 2005), por outro lado a combinação entre ofensa-intrusão e destruição, entendida como a perspetiva violenta e intrusiva do comportamento agressivo (idem).

Comparando estes valores com os encontrados por Jansen, Middel e Dassen (2005), observa-se a existência dos mesmos dois domínios fundamentais.

Concluída a análise fatorial, foi calculado o Coeficiente de Variação dos quatro fatores extraídos para avaliar o poder discriminativo do instrumento nos seus fatores. Os resultados permitem concluir a existência de heterogeneidade (dispersão) nas respostas (scores), indicando que o instrumento tem capacidade discriminatória entre os inquiridos.

A fidelidade do instrumento foi determinada por dois métodos: consistência interna e estabilidade temporal. A análise da consistência interna evidenciou razoáveis valores do coeficiente alpha de Cronbach, mesmo em fatores com reduzido número de itens.

Este método demonstrou que os itens das quatro subescalas são homogéneos, não se distanciando no fundamental da versão original de Jansen, Middel e Dassen (2005). Os valores de consistência interna são muito semelhantes nas duas versões da escala, ao nível das dimensões ofensa-intrusão e protecção. Contudo, o alpha das subescalas Conotação destrutiva e Conotação comunicativa são um pouco mais baixos, mas ainda assim, satisfatórios.

A estabilidade avaliada através do método de teste-reteste revelou coeficientes de correlação de Pearson significativos e elevados do ponto de vista da precisão, com exceção da subescala Conotação destrutiva onde os valores poderão ser considerados modestos.

A escala mostrou ainda ser sensível a diferenças de género, experiência profissional, função no serviço e uso regular de medidas restritivas. Assim, estas diferenças podem ser entendidas como indicadores positivos de validade discriminante deste novo instrumento.

Limitações O estudo foi realizado com uma amostra não-probabilística e de pequena dimensão o que poderemos considerar uma fraqueza metodológica. Por isso, poderá ser questionado se os resultados da amostra poderão refletir-se como indicadores representativos das conotações atitudinais dos enfermeiros perante a agressão, a nível nacional. Desta forma, exige-se algum cuidado na generalização dos resultados para a população portuguesa.

Conclusão Em termos globais, verificou-se que o nosso estudo, apesar de algumas diferenças, vai no mesmo sentido dos resultados encontrados em estudos anteriores.

Verificou-se, através das análises efetuadas, que o instrumento reúne indicadores satisfatórios de precisão e validade e que, por isso, pode ser útil na identificação dos principais domínios das atitudes dos enfermeiros perante o comportamento agressivo em contexto psiquiátrico, contribuindo de forma significativa para a compreensão de diferentes formas de reagir aos comportamentos agressivos dos doentes e para o desenvolvimento de processos formativos visando respostas mais adequadas em contextos de prática clínica.

Dada a sua natureza e dimensão, a escala é de fácil utilização, especialmente em amostras de grande dimensão.


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