Hábitos televisivos: Tal pai, tal filho?
COMUNICAÇÕES ORAIS
CO-19
Hábitos televisivos: Tal pai, tal filho?
Marina PinheiroI; Ana Rita AraújoI; Álvaro Ferreira da SilvaII
IServiço de Pediatria, Unidade Local de Saúde do Alto Minho
IIUSF São João do Porto
Introdução:A televisão assume um papel central na interação familiar. A
Academia Americana de Pediatria (AAP) recomenda que as crianças com menos de 2
anos não devem ver televisão, e aquelas com mais de 2 anos só devem ser
expostas a um máximo de duas horas por dia. Este trabalho pretende avaliar a
influência dos hábitos televisivos dos cuidadores nos das crianças.
Metodologia: Realização de inquérito dirigido aos cuidadores das crianças em
consulta de saúde infantil, dos 0 aos 18 anos, e análise estatística com
recurso ao SPSS®.
Resultados:Um total de 73 cuidadores respondeu ao inquérito. Destes, 85% são do
sexo feminino, com idade média de 37.93 anos. O número de crianças por agregado
familiar é de 1.59, 58% do sexo masculino, com idade média de 6.3 anos. O
número médio de televisões por agregado familiar é de 2.88. No grupo dos
cuidadores, o consumo médio diário de televisão é de 2.1 horas durante a semana
e 3.2 horas ao fim de semana. 78% tem televisão no quarto, e, destes, cerca de
metade afirma ter o hábito de adormecer a ver televisão. No grupo das crianças,
o consumo médio diário de televisão é de 1.9 horas durante a semana e 3.7 horas
ao fim de semana. Naquelas com menos de 2 anos, em específico, esse consumo é
de 1.4 e 3 horas, respetivamente. 67% tem televisão no quarto, dos quais 37%
adormece a ver televisão. Os cuidadores que possuem televisão no quarto, que
vêm televisão durante as refeições e que assistem a mais de 2 horas por dia
(semana) induzem o mesmo comportamento em 79%, 76% e 59% das crianças ao seu
cuidado, respetivamente(p<0.05). As crianças com televisão no quarto vêm mais
de 2 horas de televisão por dia (fim de semana)(p<0.05). Destas, 61% não tem
excesso de peso/obesidade. Esta percentagem eleva-se para 87% entre aquelas sem
televisão no quarto(p<0.05). 94% das crianças que não vê televisão na companhia
dos cuidadores consome menos do que 2 horas de televisão por dia (semana)
(p<0.05). O excesso de peso e a obesidade entre os cuidadores é mais prevalente
nos lares com mais de 4 aparelhos(p<0.05).
Conclusão:Os hábitos de consumo televisivo dos cuidadores influenciam, de forma
análoga, os das suas crianças. Apesar das recomendações da AAP, as crianças
continuam a ser excessivamente expostas à televisão, induzidas pelos hábitos
dos seus cuidadores. É fundamental sensibilizá-los para a influência dos seus
comportamentos sob as crianças ' no caso concreto da televisão, e alertar para
as suas consequências na saúde das mesmas.