Sildenafil no tratamento da hipertensão pulmonar associada a displasia
broncopulmonar: um futuro promissor?
RESUMO DAS COMUNICAÇÕES LIVRES
PM-9
Sildenafil no tratamento da hipertensão pulmonar associada a displasia
broncopulmonar ' um futuro promissor?
Maria Emanuel AmaralI; Sofia MoraisI; António Marinho SilvaI
IServiço de Cardiologia Pediátrica, CHUC-HPC
IIServiço de Neoanotologia, CHUC-MBB
Introdução:A Displasia Broncopulmonar (DBP) é uma causa importante de patologia
no pré-termo. O tratamento da Hipertensão Pulmonar (HP) associada a esta
condição tem evoluído, permitindo melhorar a qualidade de vida dos doentes. Um
dos fármacos promissores, ainda com evidência limitada nestes casos, é o
sildenafil. Descreve-se o caso de uma prematura com HP no contexto de DBP,
submetida, com sucesso, a terapêutica com sildenafil.
Descrição de caso:Gravidez vigiada em hospital distrital com transferência in-
utero para a Maternidade Bissaya Barreto, por ameaça de parto pré-termo. Foi
submetida a corticoterapia prénatal. Entra em trabalho de parto espontâneo, e
nasce às 25 semanas e 2 dias de idade gestacional. Peso de nascimento de 800g
(adequado à idade gestacional) e necessidade de ventilação invasiva até às 20
horas de vida por doença de membranas hialinas. Realizou 1 dose de surfactante.
A D4 detetada HP (PSAP/PSAO=0,8) e persistência do canal arterial hemodinâ-
micamente significativo (PCA-HS) pelo que foi submetida a um ciclo de
ibuprofeno de D18 a D20, sem sucesso. Por quadro de sepsis tardia necessitou de
ser reintubada, permanecendo sob ventilação invasiva de D12-D38, com períodos
de agravamento necessitando de parâmetros ventilatórios mais agressivos.
Iniciou terapêutica com diuréticos (hidroclorotiazida + espiro- nolactona) a
D26.
Realizou ciclo de corticóides de D24-29, sem melhoria significativa, repetindo
novo ciclo a D36-44, que permitiu extubação para ventilação não invasiva em D38
(primeiro ventilação mandatória intermitente nasal e depois para CPAP). Às 36
semanas de idade pós-menstrual (D76) começou pausas progressivas de CPAP mas
evoluiu para necessidade de oxigenioterapia suplementar persistente com FiO2 a
variar entre 23-26%, (DBP severa).
Tentativa de encerramento percutâneo da PCA a D95 sem sucesso. Nesta fase
mantinha critérios de hipertensão arterial pulmonar, pelo que iniciou
tratamento com sildenafil oral 0,5 mg/ kg/dose de 8/8 horas. Foi submetida a
laqueação cirúrgica de CA a D97. Apresentou período de agravamento clínico com
necessidades de maior FiO2. Na avaliação cardíaca pós-procedimento apresentava
predomínio das cavidades direitas com PSAP de 40 mmHg. A D111 aumentada dose de
sildenafil para 1mg/kg/ dose de 8/8 horas. Suspensão do sildenafil a D125 por
melhoria clínica e controlo ecográfico revelando resolução do quadro de HP.
Teve alta para o domicílio a D131.
Lactente atualmente com 3 meses de idade corrigida, com seguimento em consulta
de Pneumologia e Cardiologia, manten- do-se sob terapêutica com diuréticos,
ventilação não invasiva e oxigenioterapia suplementar.
Discussão:Neste caso verificou-se resolução do quadro de HP após introdução de
terapêutica com sildenafil, o que parece apoiar a literatura mais recente que
sugere uso prolongado de sildenafil no tratamento da HP associada a DBP.
Salienta-se contudo as referências limitadas sobre o tema, desconhecendo-se
dose adequada e tempo ótimo de tratamento, realçando a necessidade de mais
estudos na área.