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Representação em texto

EuPTCVHe0872-07542012000300007

variedadeEu
ano2012
fonteScielo

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Caso dermatológico

Uma criança do sexo feminino, com cinco anos de idade e sem antecedentes patológicos pessoais/familiares relevantes, foi referenciada à consulta de dermatologia pediátrica por espes­samento e coloração amarelada das unhas dos háluxes, desde o primeiro mês de vida. Sem outros sinais ou sintomas acompa­nhantes e sem história prévia de traumatismo.

Ao exame objectivo, observava-se o espessamento e des­vio lateral das unhas de ambos os háluxes, exibindo uma coloração amarelo-esverdeada e ainda a presença de múltiplas estrias transversais (linhas de Beau), conferindo o aspecto semelhante à casca de ostra (Figura 1).

Figura 1Desvio lateral, espessamento e coloração amarelo-esverdeada das unhas de ambos os háluxes, conferindo o aspecto em casca de ostra

Foi realizado raspado subungueal para exame micológico directo e cultura, que foram negativos.

Qual o seu diagnóstico?

DIAGNÓSTICO Desvio congénito ungueal dos háluxes.

COMENTÁRIOS O desvio congénito ungueal do hálux foi descrito como en­tidade nosológica em 1983, por Baran et al e caracteriza-se pelo desvio lateral do prato ungueal em relação ao eixo longitudinal da falange distal (1). Outros achados clínicos adicionais incluem: a coloração amarelo-esverdeada, a estriação ungueal transver­sal (linhas de Beau) e o espessamento da unha, com distrofia. A patogénese da doença não se encontra totalmente esclarecida, no entanto, tem sido relacionada com a rotação lateral da matriz da unha, embora o desvio medial também esteja descrito (2). Adi­cionalmente, factores ambientais como a pressão intrauterina ou alterações vasculares durante a gestação, podem ter um papel importante na sua patogénese (3). Pode ocorrer de forma espo­rádica, no entanto, a existência de casos familiares sugere um padrão de transmissão autossómico dominante (4).

Afecta igualmente ambos os sexos e geralmente está pre­sente desde o nascimento, podendo manifestar-se apenas unila­teralmente ou atingir outras unhas dos pés e mãos. O diagnóstico diferencial faz-se essencialmente com a onicomicose (condição rara nestas idades) e com formas adquiridas de desvio do prato ungueal, resultantes de traumatismos ou intervenções cirúrgi­cas.

Geralmente não são necessários exames complementares de diagnóstico, dado a história clínica e o exame objectivo serem suficientes. Não obstante, poder-se-á realizar o raspado subun­gueal para exame directo e cultura, com o intuito de excluir a possibilidade de sobreinfecção fúngica, evitando assim a utiliza­ção inapropriada de antifúngicos em idade pediátrica. A infecção e a unha encravada são as principias complicações. Pode ocor­rer resolução espontânea em cerca de 50% dos indivíduos antes dos 10 anos de idade. Em casos severos sugere-se o tratamento cirúrgico, com aquisição de melhores resultados quando realiza­do antes dos dois anos (3). Como terapêutica adjuvante, poderão ser utilizadas formulações com ureia, diminuindo a espessura ungueal, o que resulta numa melhor aparência.


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