Developmental assessment in the over 5s
Developmental assessment in the over 5s
Davie M. Arch Dis Child Educ Pract Ed 2012;97:2-8.
Maria do Carmo Santos1
1 Departamento de Pedopsiquiatria do Hospital Maria Pia / CH Porto
Abstract:The paediatrician's role in the developmental assessment of children
under the age of 5 is well established, and so he/she might also have a role in
the assessment of school-age children, particularly as (i) it is increasingly
recognised that subtle presentations of developmental disorders may escape
professional notice until school age, (ii) these disorders are interweaving and
overlapping, necessitating a truly holistic view and (iii) no another
professional group is equipped to deliver a single diagnostic assessment
encompassing cognitive, communication, social, emotional and physical domains.
However, assessment in the over-5s requires a different set of skills to the
under-5s. The emphasis in this age group shifts from assessing developmental
impairment, for example, a specific delay in walking or talking or a low
developmental quotient, to assessing factors affecting the child's social or
academic function. The paediatrician's task is to apply their knowledge of
risks and vulnerabilities, using their experience in general and developmental
paediatrics, paediatric neurology and child and adolescent mental health to
identify environmental and/or biological factors affecting the child. The
diagnostic focus that is a strength of paediatric practice needs to be tempered
by a more flexible approach taking account of the child's strengths and
difficulties. Finally, the clinician needs to decide if further assessment and
investigations are required and make recommendations to help improve the
outcome for the child. In this paper, the author will set out the context for
these assessments, and then guide the reader through a clinical approach that
the author has found useful.
COMENTÁRIOS
O artigo focaliza-se na avaliação do desenvolvimento de crianças acima dos
cinco anos, isto é, crianças que já iniciaram a escolaridade, avaliação que
requer outras competências do pediatra, por oposição às necessárias para
observar crianças pequenas.
Em vez da detecção de áreas em défice, como um atraso na marcha ou na
linguagem, por exemplo, agora os problemas são mais subtis ou de natureza
diferente problemas na aprendizagem, do comportamento ou da socialização, entre
outros. O papel do pediatra é valorizado, ao reconhecer-se-lhe a capacidade de
avaliar domínios tão variados como o emocional, a comunicação, o cognitivo e o
físico.
O artigo envereda por áreas da criança a investigar, em que a formulação de
perguntas, quer à criança ou aos pais, a recolha de informação através de
questionários ou relatórios, bem como a escuta e a iniciativa de interagir de
um modo mais informal com a criança, são os meios apropriados para esta faixa
etária.
O rendimento escolar, as relações sociais, as actividades de lazer, o
comportamento, problemas sensoriais, competências de auto-cuidados e as
habilidades motoras, são abordados neste trabalho com exemplos práticos na
forma de colocar as perguntas, para que a informação recolhida seja relevante.
E é neste aspecto da anamnese, na sua variedade, especificidade e abrangência
que o artigo se torna útil para os pediatras que pretendam avaliar o
desenvolvimento de crianças em idade escolar.
Desta forma, vários quadros podem ser detectados ou suspeitados, e que são
comuns nesta faixa etária: problemas de linguagem, as dificuldades específicas
de aprendizagem, a perturbação de hiperactividade com défice de atenção ou os
quadros de perturbações do espectro do autismo, abuso e negligência.
Vejamos o caso de quadros do espectro do autismo, outrora uma patologia
considerada rara, e que agora de acordo com os critérios de classificação, tem
uma prevalência de 1% na população(1,2). Não raro, os quadros de menor
gravidade podem ser diagnosticados pela primeira vez, em idade escolar, e são
por vezes confundidos como crianças difíceis, vítimas de problemas ao nível da
parentalidade(3), e acompanhadas em Comissões de Protecção de Menores. São
exemplos de perguntas relevantes que podem ser feitas:
- Como são o olhar e expressões faciais quando a vai buscar à escola?
- Consegue mostrar expressões como culpa ou vergonha?
- Nas conversas, repete-se, quer nos temas ou nas perguntas?
- Como é o padrão das amizades, mais do que o número?
Outro grupo importante de problemas são os que decorrem das dificuldades
específicas de aprendizagem (dislexia, disgrafia, discalculia) e que ao
contrário de outros países(4), são esquecidas e pouco investidas pela nossa
Educação Especial. Ouvir a criança a ler um pequeno texto, fazer um pequeno
ditado ou cálculos simples como por exemplo:
-Quando digo 1,2 3,4 o que vem a seguir? (início do 1º ano)
- A Ana tem 4 anos. O irmão é um ano mais novo. Quantos anos tem ele? (início
do 2º ano)
Reconhecidas as dificuldades na criança, pode então ser solicitada uma
avaliação mais aprofundada nos serviços de psicologia escolar e equipas de
educação especial.
Completada a avaliação da criança nos vários domínios referidos, está então o
pediatra em condições de poder formular um quadro geral das dificuldades e
também das potencialidades que ela apresenta. As etapas seguintes poderão ser o
estabelecer de recomendações, orientar para serviços ou terapias específicos
(serviços de saúde mental, terapia da fala, fisioterapia), obter mais
informação ou prosseguir com a avaliação clínica.