O ensino da protecção integrada e da fitofarmacologia na Escola Superior
Agrária de Beja
O ENSINO DA PROTEÇÃO INTEGRADA NA ESCOLA SUPERIOR AGRÁRIA DE BEJA
O ensino da proteção integrada esteve sempre bem presente, direta ou
indiretamente, nos planos curriculares dos cursos da Escola Superior Agrária de
Beja (ESAB). Inicialmente, os cursos de Engenheiros Técnicos, na área da
agricultura, apresentavam uma disciplina anual designada Sanidade Vegetal, cujo
programa contemplava um capítulo dedicado à proteção integrada, sendo o estudo
das pragas e doenças das culturas abordado de acordo com as orientações da
proteção integrada. Esta disciplina anual deu origem a duas semestrais:
Proteção das Plantas I eII. Durante estes anos manteve-se, nos curricula dos
cursos, a disciplina semestral dedicada às questões relacionadas com o combate
às infestantes, intitulada Controlo de infestantes, que tinha como matriz a
proteção integrada.
As diversas reestruturações feitas, ao longo dos anos, na oferta formativa da
ESAB, levaram à criação e encerramento de diversos cursos, com repercussões no
ensino da proteção integrada, como a redução do número de horas de lecionação.
Contudo, esta temática esteve sempre presente nomeadamente em cursos afins da
agronomia, como nos cursos de Engenharia Agro-Florestal (Proteção das Plantas
I) e de Engenharia Alimentar (Proteção de Produtos Armazenados). A criação das
licenciaturas bietápicas, durante este período, com ciclos de estudos de 3+2
anos, levou a que apenas uma disciplina semestral de proteção das culturas
fizesse parte do plano de estudos no 1º ciclo de estudos, existindo apenas
outra no 2º ciclo. A disciplina de Controlo de infestantes, alterou a sua
denominação para Herbologia, continuando a ser semestral, mas fazendo apenas
parte do plano curricular da licenciatura do 2º ciclo de estudos (Engenharia
dos Sistemas Agrícolas e Ambientais).
Com a implementação do Processo de Bolonha, foi necessário adequar competências
dos cursos de 1º ciclo e, consequentemente, dos planos curriculares dos mesmos.
A maior alteração para o ensino da proteção integrada (e para outras áreas de
formação) foi a redução no número de unidades curriculares (UCs) e a redução
global do número de horas de contato com os alunos. Concretamente, no caso da
ESAB, os cursos na área das ciências agrárias passaram a incluir, nos seus
planos curriculares, uma única unidade curricular semestral dedicada ao ensino
da proteção integrada, com o número total de 100 horas de trabalho, nas quais
se encontram já contabilizadas 45 horas de ensino presencial, correspondendo a
quatro European Credit Transfer and Accumulation System (ECTS).
Na continuidade da implementação da reforma dos ciclos de estudos de acordo com
Bolonha, foi possível à ESAB propor, e ser aceite pela Tutela, a criação do 2º
ciclo de estudos de nível superior. É assim que, no ano letivo 2007/2008, entra
em funcionamento o Mestrado com carácter profissionalizante designado, Mestrado
em Produção Integrada. No plano curricular desta oferta formativa, a proteção
integrada constitui importante área de formação diretamente nas UCs
ProteçãoIntegrada I e Proteção Integrada IIe, indiretamente, nas UCs
Fitofarmacologia e Gestão de Infestantes, a que correspondiam 21 ECTS no total
de 90 ECTS do curso (Quadro_1).
No ano letivo 2011/2012, o Mestrado em Produção Integrada foi substituído pelo
Mestrado em Agronomia, tendo as UCs dedicadas à proteção das culturas deixado
de ter carácter obrigatório passando a ter carácter facultativo, alterando a
sua designação para Gestão de pragas e doenças e Fitiatria (Quadro_1). Esta
alteração teve como consequência, além de menor enfoque na proteção integrada,
a diminuição de horas de trabalho autónomo por parte dos alunos, com a
diminuição dos ECTS atribuídos a estas UCs (Quadro_1). A área da Herbologia,
que não estava salvaguardada no plano curricular nos cursos de 1º ciclo, passou
a estar presente neste 2º ciclo de estudos, quer no Mestrado em Produção
Integrada quer, posteriormente, no Mestrado em Agronomia, através de uma UC
semestral, com carácter obrigatório, designada Gestão de infestantes.
A necessidade de procurar outros públicos e de apresentar formações técnicas de
acordo com as necessidades regionais, levou a ESAB a ministrar Cursos de
Especialização Tecnológica (CET), podendo considerar-se uma instituição de
ensino superior pioneira neste tipo de oferta de formativa. Inicialmente, foi
criado o CET de Culturas Regadas, e mais tarde o de Olivicultura e Viticultura,
ambos no domínio das Ciências Agrárias.
Também neste novo nível de formação, a proteção integrada esteve presente,
embora de início de forma indireta e integrada na unidade de formação designada
Bases Gerais de Agricultura. A reestruturação feita logo no ano seguinte (em
2006, com inicio no ano lectivo 2007-2008), deu oportunidade para integrar as
matérias relacionadas com a proteção integrada, num espaço próprio, no plano
curricular destes cursos, com a entrada em funcionamento das unidades de
formação Proteção das Culturas (no CET de Culturas Regadas) e Proteção
Integrada do Olival e da Vinha (CET Olivicultura e Viticultura), cada uma com
42 horas de contacto, no total de 70h e correspondendo a 2,5 ECTS.
Atendendo à circunstância da quase totalidade dos alunos que concluem os CETs
prosseguirem a sua formação ingressando nos cursos de 1º ciclo, tem-se
procurado interligar o ensino da proteção integrada das diferentes UCs que
fazem parte dos dois ciclos de estudos.
O ENSINO DA FITOFARMACOLOGIA NA ESCOLA SUPERIOR AGRÁRIA DE BEJA
A unidade curricular de Fitofarmacologia foi lecionada pela 1ª vez na ESAB no
ano letivo 2007/2008, integrada no plano de estudos do Mestrado em Produção
Integrada, que teve a sua primeira edição nesse ano letivo, tendo tido depois
mais duas edições. No ano letivo 2011/2012, com a entrada em funcionamento do
Mestrado em Agronomia, a UC, que constava já no plano de estudos do mestrado em
Produção Integrada, deixou de ter carácter obrigatório passando a facultativo
(Quadro_1). Tal como as restantes UCs, independentemente do Mestrado, a
Fitofarmacologia tem sido lecionada em sistema modular, tendo cada módulo a
duração de oito semanas letivas e cada aula presencial a duração de quatro
horas, perfazendo o total de 32 horas de contacto. À Fitofarmacologia, enquanto
unidade curricular com carácter obrigatório, estavam atribuídos 4,5 ECTS, valor
alterado para quatro ECTS quando passou a ser uma UC facultativa, o que
significou a diminuição do trabalho autónomo dos alunos de 81 horas para 68
horas.
A UC de Fitofarmacologia visa preparar técnicos com formação na seleção
criteriosa e aplicação consciente de pesticidas, ponderando as vantagens e
inconvenientes para o aplicador, consumidor e meio ambiente. Cronologicamente,
são lecionadas as seguintes matérias: constituição dos produtos
fitofarmacêuticos; vias de penetração e translocação, modos de ação de
fungicidas e inseticidas, técnicas e material de aplicação; armazenamento e
transporte; homologação e ecotoxicologia.
Tendo em vista assegurar a qualidade do ensino ministrado, têm colaborado na
lecionação das aulas diversos especialistas, nacionais e estrangeiros, com
origem tanto em instituições públicas como privadas. Os contributos têm sido
nas mais diversificadas áreas de estudo, nomeadamente em: técnicas e material
de aplicação; vias de penetração e translocação; resistência; homologação; e
ecotoxicologia.
CONCLUSÃO
A Escola Superior Agrária, do Instituto Politécnico de Beja, tem procurado, ao
longo da sua história, assegurar aos seus alunos, a formação técnica adequada,
na área da proteção integrada, não obstante as oscilações decorrentes das
diversas alterações dos planos curriculares dos cursos.
Atualmente a formação inclui a estratégia sequencial e organizacional que
permite a interligação dos diferentes níveis de formação, assim como a
dinamização desta área, através de Projectos/Estágios dos alunos e da sua
integração em projetos de investigação.
Na perspectiva de fileira de formação (do CET ao Mestrado), o total de ECTS
adquiridos pelos alunos e o número de horas de leccionação na área da protecção
das plantas, situam-se nos intervalos apresentados no Quadro_2.