QUANTO VALE A ARTE CONTEMPORÂNEA?
1. TRANSFORMAÇÕES NOS MECANISMOS DE CIRCULAÇÃO ECONÔMICA DA ARTE CONTEMPORÂNEA
E SUAS IMBRICAÇÕES NO CIRCUITO BRASILEIRO
De acordo com o estudo sociológico de Raymond Moulin sobre o mercado de arte,
publicado em 1967,2 os negociantes de arte inserem o artista na economia social
transformando os valores estéticos em valores econômicos. Em termos práticos,
isso implica a mobilização de outros agentes culturais legitimadores –
instituições, museus, críticos de arte, curadores, historiadores, museólogos e
especialistas da área em geral – que, junto com os negociantes, formam redes
complexas de circulação de capital econômico e simbólico em torno da produção
artística.
Sabe-se que o mercado de arte não é algo novo – há mercados muito maduros,como
são os casos dos Estados Unidos,da Inglaterra e da França –, porém o forte
incremento nos negócios das últimas décadas chama atenção diante de um cenário
de crise econômica mundial (do capitalismo tardio), prefigurada na bolha
imobiliária norte-americana, com a consequente desestabilização do sistema
bancário naquele país e seu efeito dominó no mundo. Além disso, as mudanças
econômicas do capital global implicaram a entrada de novos protagonistas no
mercado – como é o caso do gigante chinês (e o seu dinâmico mercado secundário)
e da arte brasileira (e sua crescente internacionalização).
O artigo procura analisar as raízes do aquecimento do mercado de arte dos
últimos anos num cenário global de crise – principalmente da produção
contemporânea, e com especial interesse no Brasil –, à luz das recentes
transformações dos negócios, cada vez mais pautados pela lógica do capital
financeiro. Para tanto, recuperar o contexto dos anos 1970 parece ser
fundamental; ali vimos o despertar do mercado de arte no Brasil, que coincidiu
com o início dos processos de financeirização do capitalismo (criação de
excedentes de capital fictício dentro do sistema bancário)3.
A financeirização da cultura e, por extensão, da arte é o cenário encontrado
para se repor o problema da natureza do objeto artístico – como mercadoria
(produto) e como patrimônio cultural (obra). O horizonte da arte se coloca na
notória dialética entre o público e o privado. Na condição de mercadoria, a
arte e suas características "especiais" possibilitam um incremento da
exploração econômica que vai de encontro às mais recentes estratégias
utilizadas pelo mercado de arte – o leilão, a feira e a galeria.
2. O MERCADO: O INCREMENTO DOS NEGÓCIOS E A ARTE CONTEMPORÂNEA
De modo geral, segundo o sociólogo Moulin, o mercado de arte se divide em três
segmentos: o de "cromos" ou "quadros por dúzia", que geralmente são obras de
caráter figurativo, respondem aos imperativos do gosto majoritário e aproximam-
se dos bens correntes de consumo, não artísticos; o de arte "antiga", cujos
valores estéticos e financeiros estão mais que estabilizados e cujas razões
para flutuações residem no campo da autenticação e da expertise; e o de arte
"contemporânea", caracterizado pelas incertezas quanto aos valores estético e
financeiro4. Sendo essas últimas investimentos de alto risco, implicam, por sua
vez, altos lucros.
O crescente interesse pela arte contemporânea pode ser mensurado pelas vendas
do mercado internacional nos últimos anos. De acordo com o relatório
encomendado pela European Fine Art Foundation (que promove a Tefaf5), publicado
em 2013, 43% das transações globais de obras de arte feitas em leilões no ano
anterior correspondem à arte contemporânea, seguidas por 30% de vendas de
exemplares modernos. No Brasil, os resultados da pesquisa setorial Latitude
2014, realizada pela Abact (Associação Brasileira de Arte Contemporânea)
indicaram um aumento do percentual de artistas que entraram pela primeira vez
no mercado em 2013 em relação ao ano anterior6.
A pesquisa da Tefaf destaca que o aumento da riqueza per capita e, em especial,
do número de HNWIs (high-net-worth individual – definidos como aqueles que
possuem alto poder de investimento financeiro, superior a 1 milhão de dólares)
levou proporcionalmente ao maior consumo de bens de luxo, aí incluída a arte7.
O que explicaria, por sua vez, o fenômeno HNWI? O paralelo entre as razões que
atraíram os investidores para o mercado de arte e a expansão do mercado de
ativos é inevitável.
As análises de David Harvey acerca da crise do capitalismo em 2007 mostram que
os investimentos da classe rentista nas últimas décadas foram deslocados de uma
instância real em direção a uma abstração8. No período conhecido como pós-
modernidade, o excedente do capital industrial, que antes era reinvestido nas
suas próprias empresas, é deslocado para o mercado de ativos, que oferece
maiores lucros e de forma mais rápida. Assim, os investimentos de alto risco na
bolsa de valores transformaram bens materiais em papéis. O mercado de arte
também atraiu esse excedente, uma vez que a sua mercadoria, tão especial, se
mostrou um negócio altamente rentável.
No relatório europeu de 2013, os economistas dedicaram-se a estudar os mercados
emergentes, inclusive os países do BRIC (e pela primeira vez o Brasil), que
apresentaram uma melhor reação aos momentos de crise do que os mercados
"maduros". O Brasil obteve 1% das trocas globais, enquanto a China movimentou
27% do mercado. No ranking mundial, Nova York e Londres lideraram as transações
do mercado de arte, somando 64% das importações e 62% das exportações,
respectivamente.
Segundo a economista Clare McAndrew (à frente da pesquisa no Brasil), apesar do
poder de compra expressivo dado pelo aumento de colecionadores ricos locais –
que, por sua vez, explica o aumento da participação do país no mercado global
–, o Brasil ainda engatinha no desenvolvimento dos negócios, se comparado ao
"bric" chinês9. Para os negociantes, um dos principais entraves são os altos
impostos de importação e exportação. Para a economista, outro sinal é a pouca
expressividade do mercado secundário no balanço final. Se a China movimenta 70%
das suas transações em leilões,aqui as casas de leilão representam apenas 21%
das vendas. A liquidez do mercado chinês é bem superior, a ponto de obras
chegarem a circular quatro vezes no mercado em menos de dez anos. Não à toa, o
mercado de falsificações vem crescendo enormemente na China, chegando à
bizarrice de artistas falsificarem suas próprias obras10. O que significa,
então, medir os índices de desenvolvimento do mercado de arte hoje pela alta
liquidez de obras comercializadas nas casas leiloeiras?
2.1. Os leilões
O leilão parece ser a representação per se do modus operandi do mercado no seu
atual estágio – movido pela lógica do capital financeiro. A sequência de
lances, desde o valor de referência11anunciado pelo leiloeiro no início do
pregão, é o fascínio do jogo especulativo, e pode atingir preços nunca antes
imaginados. O elemento "agora ou nunca", presente na atividade leiloeira,
alimenta ainda mais a disputa durante o pregão.
Na arte, o grau de exclusividade dá o tom das oportunidades de negócio, algo
que Harvey notou igualmente no mercado internacional de vinhos – a exemplo do
terroir francês12. Tal como o mercado de arte, o comércio de vinhos se apoia no
seu caráter "especial" a fim de obter vantagens rentistas na venda de seus
produtos.
Além do caráter exclusivista, próprio da qualidade da obra de arte, o
economista Don Thompson levantou diversas estratégias utilizadas para valorizar
o valor das obras nos leilões, cuja pesquisa foi publicada no livro O tubarão
de 12 milhões de dólares, em 200813. Um dos exemplos apontados é a
representação de um colecionador bilionário (geralmente russo ou chinês) por um
negociante local, em que este dá altos lances para a obra de um artista a fim
de valorizar a coleção pessoal do representado (que, desse modo, preserva seu
anonimato). Da mesma forma, marchands também dão lances em artistas que eles
próprios representam, e tal valorização induz ao aumento dos preços em outras
vendas do mesmo artista – é o que eles chamam de "proteção do estoque"14.
2008 é o ano do célebre leilão de peças de Damien Hirst, na casa londrina
Sotheby's, onde o artista pôs 223 trabalhos à venda, subvertendo a própria
ideia do mercado secundário ao prescindir de consignatários e, desse modo,
expondo a artificialidade da estrutura vigente. A estratégia de Hirst foi
concebida como uma "performance", comenta Cildo Meireles em entrevista
concedida a Angélica de Moraes. Cildo lembra que, ironicamente, o artista
embolsou rios de dinheiro um ano antes de o banco norte-americano Lehman
Brothers quebrar15. Tal como o colecionador e o marchand, aqui o artista tratou
de especular com suas obras ao pedir a amigos que dessem altos lances no
primeiro dia, criando um fervor competitivo e contribuindo para a bolha
especulativa de seus "ativos".
"Isso é negócio, não história da arte", esclarece Brett Gorvy, presidente e
representante de arte contemporânea da Christie's. Nos últimos anos, as casas
de leilão dedicaram-se a incrementar o aparato comercial pré-leilão. Impressão
de catálogos de primeira linha, dúzias de jantares para angariar comitentes e
licitantes promissores (especialmente colecionadores de patrimônio líquido
ultraelevado, os UHNW16), encontros restritos com os especialistas das casas,
mostras com sofisticado arranjo expositivo, entre outras estratégias17. Além
disso, os especialistas das casas de leilão tornaram-se profissionais de
marketing, analisam o comportamento de compra de um colecionador como sinal de
sua aspiração a determinado grupo social. Uma das fontes de obras mais
procuradas para alimentar os pregões, relata Thompson, são os grandes espólios,
na esperança de renderem oportunidades exclusivas de venda.
A relação entre leilões e marchands parece complexa, ambos procuram criar novas
condições privilegiadas de compra e venda e meios de potencializar o valor da
obra à venda. Mas, ao mesmo tempo em que disputam a mesma clientela, os
negócios dos mercados primário e secundário se retroalimentam. A pesquisa de
Thompson indica que 30% das consignações das principais casas de leilão –
Christie's, Sotheby's e Phillips de Pury – são provenientes de marchands. E vai
além, algumas casas de leilão chegam a adquirir galerias a fim de atuar
simultaneamente no mercado primário.É o caso da Christie's,que adquiriu a
Haunch of Venison em 2007, abrindo uma filial no vigésimo andar do Rockfeller
Center18.
Se os marchands, de um lado, reclamam de que "as casas são promotoras
comerciais ricas que só querem saber do valor e de seus clientes, sem se
preocupar com os artistas", de outro, os leiloeiros respondem que "o papel
deles é aproximar comprador e vendedor, e assim promover o artista"19. De todo
modo, fica a impressão de que no mundo dos leilões a voracidade do business é
maior.
2.2. As feiras de arte
Diante do fascínio do jogo dos pregões e do aporte financeiro das casas
leiloeiras, as feiras internacionais se mostraram uma ótima vantagem
competitiva para os galeristas. Elas são capazes de atrair um grande número de
colecionadores a um único local – arranjo eficiente, se lembrarmos que o grande
alvo dos negócios são os milionários, que, embora tenham muito dinheiro,
dispõem de pouco tempo.
Apesar de existirem desde as exposições universais de Paris, na era da
globalização, as feiras internacionais se desenvolveram como um dos modos mais
eficazes de aumentar as vendas das galerias – passaram de 55, em 2001, para 205
feiras, em 2008. No Brasil, o relatório Latitude 2014 mostra que as feiras
cumprem um papel muito importante para as galerias nacionais: somam 40% das
vendas20. No mesmo levantamento, 56% das galerias nacionais declararam que a
SPArte foi a feira mais rentável em termos de negócio.
Dentre as 205 feiras existentes no mundo, há nichos de mercado de diversas
escalas, sendo as feiras mais "expressivas" em números absolutos de venda a
Tefaf (Maastricht), seguida de Art Basel, Frieze (Londres), Armory Show (Nova
York) e Art Basel Miami. A pesquisa de Thompson relevou que a participação nas
cinco feiras pode significar um gasto anual de 300 mil libras para a galeria;
porém, se o marchand não arcar com os custos, pode parecer que a feira não o
aceitou, o que o levaria a perder sua credibilidade no mercado21.
Tal como as casas de leilão, as feiras desenvolvem seus próprios mecanismos
sofisticados para incrementar seus negócios, desde a precificação do ingresso
no evento – que pode aumentar quanto mais cedo o colecionador chegar ao evento
e, assim, dispor das primeiras oportunidades de compra – até a exclusividade de
acesso concebida para certos colecionadores do chamado UHNW antes mesmo da
abertura do evento.
De modo geral,o incremento das vendas nas feiras representa uma mudança
cultural na compra de arte,pois substitui as compras individualizadas –
espacial e temporalmente – nas galerias pelo frenesi do vai e vem do público no
evento. Em um único local, os estandes de venda das galerias oferecem com
segurança o que há de mais "novo". Além da praticidade, a feira significa um
alto grau de conforto em termos de risco, uma vez que a simples quantidade de
pessoas e de etiquetas "vendido" diminui as incertezas do comprador. É o que
Thompson identifica como psicologia de rebanho: "[...] quando um colecionador
não dispõe de informações suficientes para tomar uma decisão racional, ele se
sente tranquilizado imitando o comportamento do rebanho"22. Comportamento
semelhante se faz notar no mercado financeiro, com o uso do termo "bullish"
para designar as ondas de compra induzidas – a figura do "touro" de Wall
Street.
As feiras têm se tornado o meio mais importante para conhecer o que os artistas
contemporâneos estão produzindo – mais do que curadorias feitas em galerias,
museus e centros culturais. Tanto é verdade que somente 15% das vendas são
feitas a instituições,nacionais e internacionais, o que colabora ainda mais
para a privatização da arte – se você não for a uma feira, a oportunidade de
rever uma obra vendida no evento é quase nula, a não ser no caso de alguns
poucos colecionadores que têm consciência da dimensão pública de seus acervos
privados. (Cabe citar aqui a posição singular do artista Eduardo Berliner, que
só autoriza a venda de suas obras pela galeria depois de terem sido expostas
publicamente).
No Brasil, parece sintomático que a maior feira de arte ocorra no mesmo
edifício histórico que a Bienal. Em 2013, a SpArte teve recorde de público em
relação aos anos anteriores, com 22.500 visitantes pagantes durante cinco dias
(4.500 por dia). Comparativamente, a última edição da Bienal, em 2012, teve 520
mil visitantes não pagantes, com média diária de 5.500.
2.3. As galerias
Comprar em leilões e feiras se tornou um hábito para os investidores; as vendas
em galerias parecem ter se restringido aos amantes da arte. O depoimento de
João Carlos de Figueiredo Ferraz concedido a Angélica de Moraes exemplifica a
diferença de comportamento: o colecionador prefere ver exposições nas galerias
e se deixar "enamorar" por uma obra até decidir adquiri-la para sua coleção.
Aos olhos de Ferraz, o mercado da arte não pode se restringir a investimentos.
Para ele, sua coleção tem um valor inestimável, "é um valor cultural, é um
patrimônio da humanidade, que vai muito além dessa ideia quantitativa do valor
patrimonial"23.
Uma mudança de perfil também pode ser notada do outro lado dos negócios. Grosso
modo, em São Paulo, a partir dos anos 2000, boa parte dos novos marchands são
homens provenientes do mercado financeiro (afinal, a bolsa de valores é um
universo essencialmente masculino), enquanto diversas galerias importantes
criadas entre os anos 1970 e 1980 têm por trás mulheres, as quais, no início,
trabalhavam (afetivamente) motivadas a ajudar os amigos artistas a venderem
suas obras.
De todo modo, as galerias não ficam longe nas estratégias de mercado para o
incremento da valorização do valor da obra. Duas histórias ilustram os
mecanismos distorcidos da precificação de um trabalho de arte: a primeira trata
da escolha do colecionador "certo" para uma determinada obra (ora, se um
marchand se recusa a vender uma obra porque fulano não é digno daquele objeto
estético, o desejo por este é ainda mais fetichizado e o preço aumenta); a
segunda se dá pelo controle da produção de um determinado tipo de trabalho que
já se mostrou rentável ao mercado (é necessário controlar a venda da produção
por meio da limitação de obras em circulação e da criação de "listas de
espera", o que não significa necessariamente que o artista tenha vendido todas
as obras, mas que o marchand deve torná-las ainda mais cobiçadas a fim de
valorizá-las).
2.4. O caso brasileiro
Uma das conclusões a que chegou a pesquisa Latitude 201424 no Brasil foi "o
crescente número de galerias que o circuito de arte tem absorvido nas últimas
décadas, de 2 novas galerias na década de 1970 para 15, em 2010". Das 45
galerias pesquisadas, 30% foram criadas na década de 2000; destas, 33% depois
de 2010. Grosso modo, a "evolução" do mercado de arte no país desde os anos
197025 equivale ao processo de profissionalização do meio, que se desenvolveu
igualmente pari passu com as mudanças econômicas na geografia mundial do
capital (a virada da financeirização).
O pós-guerra forçou o início da profissionalização do mercado de arte
brasileiro, por meio das atividades de imigrantes recém-chegados ao país, tais
como Giuseppe Baccaro, Arturo Profilli, Franco Terranova, Jean Boghici e Pietro
Maria Bardi. Surgiram as primeiras galerias a representar arte moderna –
Azkanazy, no Rio de Janeiro, e Domus, em São Paulo. Os anos seguintes foram
mobilizados pela criação de grandes museus – Museu de Arte de São Paulo Assis
Chateaubriand, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e Museu de Arte Moderna
de São Paulo. As primeiras bienais colaboraram igualmente para o fomento da
produção artística,das trocas internacionais e dos negócios locais.
Mas é somente nos anos 1970 que o mercado de arte passa a crescer de fato. O
pano de fundo no Brasil era tomado pela ditadura e pelo "milagre econômico". Um
dos protagonistas desse crescimento é José Paulo Domingues da Silva26, dono da
Galeria Collectio, que promoveu os primeiros leilões na cidade de São Paulo. A
galeria tinha como seu credor o Banco Áurea de Investimentos, por meio do qual
emprestava dinheiro a seus próprios clientes. Em 1973, suas ousadias
financeiras acabaram – o banco declarou falência e a galeria fechou as
portas27.
O conhecido boom dos anos 1980 tem por trás a explosão da pintura no país. A
jovem geração de pintores, tais como os do grupo Casa 7, desde muito cedo
participa das bienais de São Paulo. As razões do crescimento desse mercado
também podem ser apontadas na própria qualidade singular da pintura – que
mantém sua aura de obra única até hoje. Como tal, ela se mostra a expressão
artística preferida entre os compradores do mercado de arte. Na última pesquisa
Latitude, liderou as vendas nacionais em 24%, seguida por 23% de fotografias,
19% de esculturas, 11% de desenhos28.
A internacionalização do mercado de arte brasileira acelerou-se a partir da
década de 1990, com o incremento dos mecanismos de intercâmbio de artistas por
meio de programas de residência, o aumento da participação das galerias em
feiras internacionais e a expansão das fronteiras da Bienal de São Paulo – em
especial, da 24ª Bienal, com curadoria de Paulo Herkenhoff, que pela primeira
vez atraiu um grande estrangeiros29.
Há quem diga que o momento atual do mercado de arte é preocupante. Depoimentos
de alguns dos maiores galeristas paulistas por ocasião da SPArte em 2014
relatam o desmanche de marchands que iniciaram suas atividades na última década
e que não conseguiram manter suas portas abertas. Fica a pergunta: será que
existe espaço para os amadores no grande round do atual capitalismo? Na escala
econômica global, isso parece ir de encontro à lei dos mais fortes, das fusões
e incorporações. Sabe-se que a chamada competitividade saudável do mercado
apregoada nos primórdios do capitalismo industrial culmina hoje na era dos
grandes conglomerados.
3. ARTE COMO MERCADORIA
O sociólogo Quemin recorre às análises de Raymond Moulin (1992) sobre o mercado
de arte na França nos anos 1980 para demonstrar que o valor da arte se
constitui a partir da articulação entre o mercado e o museu – a valorização de
mercado e a valorização estética – que se apoiam uma sobre a outra. "A
certificação do valor estético condiciona o preço, ainda que o preço seja, por
sua vez, um dos critérios de certificação do valor estético"30.
O relatório Latitude esclarece que, apesar de os números relativos a aquisições
de colecionadores particulares serem maciçamente superiores em 2014, se
comparados às vendas para instituições, nacionais e internacionais (que somaram
apenas 15% das transações), a pequena participação dos museus é fundamental
para atribuir valor à obra31.
Para Ana Letícia Fialho, os processos de formação do valor de uma obra de arte
são ainda mais complexos, envolvendo pelo menos quatro instâncias fundamentais,
cujas dinâmicas são distintas mas interrelacionadas: produção, reflexão
crítica, institucional e mercado32. Em nota, Fialho alerta para o fato de que a
proporção entre as quatro instâncias é variável: em sistemas de arte
consolidados, há um equilíbrio entre elas, e todas ajudam a fomentar a
produção; em sistemas menos consolidados, há uma desproporção entre as partes,
e muitas vezes, como é o caso do Brasil, o mercado assume função preponderante
na definição do valor diante da fragilidade institucional do circuito.
Atualmente, há diversos indicadores internacionais publicados na plataforma da
internet que atualizam permanentemente índices de preços e valores de obras de
arte, tais como Artnet, Artprice, Artfacts e o brasileiro Catálogo das Artes.
Em geral, os índices são medidos pelos lances no mercado secundário. A
sofisticação da formação do valor da arte como mercadoria e o crescente
interesse do mercado pela produção contemporânea não escapam ao entendimento de
que fazem parte dos processos recentes de "financeirização da cultura".
A economia global nos ensina que o crescente mercado de arte não se deu pelo
aumento do gosto pela arte – nem por parte dos colecionadores, nem por parte
dos galeristas (lembrando que um contingente significativo de novos
dealerspaulistanos veio do mercado financeiro), mas pelos altos lucros a curto
prazo. O exemplo paradigmático é o fenômeno Milhazes: a artista que teve uma
obra vendida em 2001 e leiloada em 2008 cuja valorização alcançou 6.000%33.
Como bem durável, diferentemente de outras commodities, a arte permite que quem
nela invista não corra o risco de ter seu patrimônio desvalorizado. São raras
as depreciações de valor. Como diz Thompson, "Quando o martelo bate, o preço se
transforma em valor e este se inscreve na história da arte"34. A arte vira um
bem altamente rentável; por ter alta liquidez, passa a circular dentro da
lógica do mercado de ações, cujos mecanismos são regulados tão somente pela lei
de oferta e procura.
Constatados os mecanismos de financeirização, faz-se necessário entender as
especificidades da arte como mercadoria e como elas determinam um modo singular
de transação comercial, potencializado na era do capital fictício. Sabemos que
a mercadoria possui um duplo caráter, como valor de uso e como valor de troca.
Um objeto só se torna mercadoria quando se insere no circuito das trocas. O
mesmo acontece com o objeto de arte. Conforme observa Svetlana Alpers, "a obra
[de arte] não tem nenhum uso prático a não ser como meio de estoque de valor e
como expressão do valor na sua função de troca; é um valor criado ao repassá-
lo; é, por assim dizer, uma valor partilhado"35.
Cildo Meirelles. Eppur
si muove, 1991. Foto: Wilton Montenegro.
Um dos artistas que mais exploram a noção de valor na arte é Cildo Meireles.
Exemplos não faltam: Árvore do dinheiro (1969), Projeto cédulas da série
Inserções em circuitos ideológicos (1970), Zero dollar (1978), para ficar na
década de 1970. O trabalho que mais esgarçou a fantasmática do valor e, em
especial, do dinheiro parece ter sido Eppur si muove (1991), comissionado para
a exposição inaugural do Museu de Arte Contemporânea de Montreal, Pour la suite
du monde. O artista usou a verba de produção da obra (US$ 1.000) para efetuar
150 operações de câmbio – trocou por dólares canadenses, libras, francos e
assim sucessivamente. Ao final restaram apenas CA$ 4 em espécie e algumas
moedas. Na exposição, Cildo apresentou três cofrinhos transparentes (em forma
de porquinho) – no primeiro,os recibos do valor inicial;no segundo, as notas e
moedas que tinham restado; e no terceiro, a mesma quantia como simulacro do
troco dessas transações36.
Ao revisitar os mistérios da mercadoria,Anselm Jappe indica que o valor tornou-
se uma forma de mediação social (é puramente social), é a forma fetichizada do
trabalho37. O dinheiro, por conseguinte, seria a forma visível do valor, uma
abstração real. Nos leilões, o preço não tem mais nada a ver com o valor, é o
deslocamento total e cada vez maior e representa a maioria das relações
econômicas a partir dos anos 1980, financeirizadas. Como vimos, o excedente dos
mais ricos passa a ser investido em ativos, capital cultural (como o surgimento
de novos museus e a expansão de grifes museais e bienais de arte mundo afora) e
mercado de arte.
3.1. Uma mercadoria tão especial...
"Como a condição de mercadoria de tantos fenômenos culturais se harmoniza com o
seu caráter específico?"38 Harvey contribui para desvendar os mistérios da
mercadoria "arte" por meio de suas análises sobre a relação cultura e capital
tecidas à luz do caráter muito "especial" da primeira. Segundo o autor, a
cultura diferencia-se das mercadorias "normais" por sua qualidade especial, ela
seria o plano mais elevado da criatividade e do sentido humano.
A economia da cultura teria, assim, se beneficiado do caráter especial de sua
mercadoria para extrair os maiores lucros possíveis. A operação, segundo
Harvey, se dá por meio da obtenção de renda monopolista.
A renda monopolista surge porque os atores sociais podem aumentar seu fluxo de
renda por muito tempo, em virtude do controle exclusivo de um item, direta ou
indiretamente, comercializável, que é, em alguns aspectos, crucial, único e
irreplicável39.
A categoria abstrata da renda monopolista,usada na economia política para
cálculos financeiros, ajuda a entender analogamente como o vinho e a obra de
arte tendem a ser cada vez mais valorizados pela sua singularidade. O leilão,
por exemplo, tem o poder de fazer uma obra voltar ao mercado diversas vezes, e
a cada vez especular sobre seu preço monopolista.
A contradição reside em que uma obra não pode ser tão especial assim a ponto de
não poder ser precificada – mesmo que seu valor estimado seja assombroso, o
mercado precisa garantir que haverá sempre meia dúzia de possíveis compradores
para um autêntico Rafael. Uma segunda contradição é que necessariamente o
mercado precisa ser competitivo e, portanto, precisa estimular suas
negociações; ocorre que, quanto mais facilmente negociáveis se tornam os
produtos, menos únicos e especiais eles são, o que significa dizer que menos
eles proporcionam a base para a renda monopolista40.
A unicidade da obra de arte é extremamente controlada pelos artistas e por quem
os representa no mercado – mesmo que a técnica empregada no trabalho de arte
seja reprodutível, como é o caso da gravura, da fotografia, do vídeo e até
mesmo da instalação. Na entrevista de Cildo supracitada, o artista conta que
quando resolveu começar a vendar suas instalações, nos anos 1990, ele passou a
fazer uma tiragem de três exemplares para cada uma. Em conversa informal com
Marilá Dardot, a artista relatou que, apesar de ter produzido uma série de
múltiplos para uma galeria, constatou que os colecionadores preferem comprar
obras únicas, em vez de investir R$ 500 em um múltiplo. O que reforça a tese da
criadora do Multiplique Boutique, Gabriela Inui, de que a venda de múltiplos
não tem um retorno financeiro significativo, mas serve como instrumento para
divulgar o trabalho em outros nichos de mercado, para outros públicos, não
necessariamente colecionadores investidores, mas para potenciais formadores de
opinião. A unicidade também é um atributo requisitado pelo colecionador que
deixou de adquirir uma escultura de Tunga porque há cinco cópias dela (segundo
ele, só a compraria se a tiragem fosse de três exemplares, não importando aqui
o aumento do preço).
3.2. A arte entre o público e o privado
Toda renda se baseia no poder monopolista da propriedade privada. A condição do
objeto de arte como propriedade privada não escapa, assim, do caráter dialético
do estatuto da arte como mercadoria. Como fazer conviver em harmonia a
propriedade privada de uma obra, do ponto de vista do colecionador, e sua
dimensão pública, pressuposta na atividade do artista ao conceber o trabalho
para ser visto ad infinitum (como patrimônio cultural)?
A complexa condição da obra de arte – como mercadoria (propriedade privada) e
como patrimônio cultural – é ainda mais estressada quando o colecionador
particular se sente no direito, como proprietário daquele bem, de alterar o
trabalho a seu bel-prazer. Até que ponto o colecionador pode fazer o que bem
quiser com a obra? Teria ele o direito, enquanto "dono" daquela mercadoria, de
destruí-la? Sabe-se que há casos em que obras de arte, principalmente de
caráter instalativo, são alteradas sem constrangimento por parte de seus
proprietários, em detrimento de uma certa adequação aos recintos onde são
instaladas. Caberia, assim, aos artistas e dealers buscar estabelecer, quando
necessário, certos contornos para esses "usos" da obra, e garantir sua dimensão
pública41. (Vale relembrar aqui a saída criativa de Berliner para o problema da
dimensão pública.)
Raiz do mesmo problema aparece no polêmico decreto 8.124/13 do Ibram (Instituto
Brasileiro de Museus)42, publicado em 2013, no qual é sugerido que obras de
coleções privadas possam ser designadas pelo Estado como de interesse público,
e, nesse caso, proibidas de ser comercializadas no exterior. A ideia por trás
disso é evitar a evasão de obras e coleções importantes para a história da arte
brasileira – tal como se viu com o Abaporu, de Tarsila do Amaral, e a coleção
de arte concreta e neoconcreta de Adolfo Leirner.
A dialética público-privado se alastra em diversas instâncias do circuito da
arte atual. Em abril de 2014, por ocasião da SPArte, a crítica Thais Rivitti
publicou o artigo "Escalas: o muito e o pouco na arte brasileira", onde
expressa seu inconformismo quanto às relações distorcidas entre a esfera
pública e o mundo privado que vêm sendo desenhadas no circuito da arte no
Brasil43. Nesse caso,o MinC teria investido na feira de arte mediante renúncia
fiscal de R$ 2 milhões, montante que equivaleria a 30% dos gastos para o evento
de cinco dias.
Ora, se a arte é um investimento rentável, por que será que o mercado de arte
tem de ser financiado com dinheiro público? A pergunta que está por trás vem a
seguir: será que existe alguma instância ou ocorrência no mundo globalizado em
que a circulação de mercadoria se dá livremente, sem a intervenção do Estado? O
mercado imobiliário norte-americano nos mostrou que não, nem mesmo o grande
protagonista do jogo capitalista foi capaz de se autorregular, e seus maiores
bancos tiveram de ser socorridos pelo governo. Algo semelhante se passa no caso
da ajuda financeira do MinC para a realização da SPArte.
O cenário deixa claro que o mercado (ainda hoje, por mais sofisticado que seja
o desenvolvimento da circulação capitalista de mercadoria) não consegue se
autorregular. Nem o mercado de arte seria "puramente" autorregulador. Mais
adiante vem outra indagação: se o poder público é coautor desse mercado por
meio do fomento às negociações da circulação de obras de arte, como ele
desfruta de sua rentabilidade ao final?
Os investimentos públicos no fomento ao mercado de arte no país parecem somar
porções muito pequenas dentro do grande caldo das negociações do mercado
primário e secundário da arte. Haveria uma reversão sob a forma de tributação?
Está por ser feita uma pesquisa aprofundada sobre a regulamentação do mercado
de arte, que busque entender por meio de dados estatísticos se há retorno dos
investimentos públicos na forma de imposto,seja ele pago pela galeria que
vende, seja pela declaração de IR dos colecionadores.
Por outro lado, o governo também é parte do jogo econômico das trocas
simbólicas, e nesse sentido tem interesses políticos em tomar parte em um
evento que está inserido no mercado global. A feira acaba sendo mais uma
estratégia para transformar a imagem da cidade (e do país, por extensão) em um
polo de interesse econômico na geografia do capitalismo global.
De volta ao texto de Rivitti, o desequilíbrio dos investimentos públicos nos
diversos sistemas da arte no país, das mais variadas escalas, faz pensar no que
parece ser o problema central: como equalizar os investimentos via leis de
fomento, e de políticas públicas para a arte em geral, direcionados aos grandes
eventos, aos acervos públicos e de interesse público (a exemplo do Masp) e a
microempreendedores?
O quadro se agrava ainda mais se considerarmos que o Brasil vive uma situação
paradoxal: ao mesmo tempo em que o mercado de arte se mostra vigorosamente em
expansão, alicerçado sobre uma produção profícua que se internacionaliza cada
vez mais, as instituições em geral se mostram frágeis, com poucos recursos
humanos (gestores e políticas de gestão) e escassos aportes financeiros
(principalmente, do ponto de vista das aquisições), mostrando-se pouco capazes
de fomentar, exibir, refletir e, sobretudo, colecionar a produção
contemporânea.
Nesse sentido, de novo, as feiras parecem sair à frente na concorrência com as
bienais, pois muitas vezes acabam expondo obras inéditas que resguardam seu
futuro encaixotadas no "estoque" de uma coleção e/ou investidor privado.
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS: A DIALÉTICA DO CIRCUITO E O PODER DE FOGO DA ARTE
Do ponto de vista do mercado,as escalas de precificação e valorização da arte
contemporânea se fazem em graus crescentes – do artista à galeria, da galeria à
feira, da feira ao leilão. Quanto mais o objeto de arte circula de volta ao
mercado, mais se requerem conhecimentos e estratégias muito próximos à economia
do mercado de ativos – taxas de juros, bolhas especulativas e assim por diante.
As estratégias para incrementar os negócios da mercadoria "arte" passam
necessariamente pelo seu caráter "especial", cuja exclusividade lhe atribui o
poder de extrair renda monopolista.
De outro lado do circuito, o artista, o crítico, o curador, o historiador, a
instituição, o museu – aqueles que não pertencem diretamente ao grupo dos UNWI
– colaboram de maneira direta e primordial para o incremento dos valores
negociados.Tal como enuncia Fialho,"Antes de mais nada, é o capital simbólico
acumulado pelo artista que sustenta e alavanca o preço no mercado"44. O
marchand, de certa forma, opera nos dois lados da moeda, pois o trabalho da
galeria consiste igualmente em fomentar a valorização simbólica, cumprindo uma
função cultural em parceria com o seu artista representado.
A valorização em escala passa, então, do artista (obras e currículo) à
apresentação e/ou à representação de seus trabalhos em galerias, seguindo o
desempenho das obras nas feiras, podendo ser exploradas com mais vigor no
mercado secundário dos leilões. O crivo institucional viria a colaborar por
meio das exposições culturais temporárias, das bienais afora e da presença em
acervos museológicos,entre outras dimensões.
No Brasil, tal como vem ocorrendo com a esfera institucional já mencionada, a
explosão do mercado de arte dos últimos anos não tem sido acompanhada de um
fortalecimento da reflexão (crítica) em proporções equivalentes. Um dos sinais
dos tempos é o desinteresse das galeristas em incluir nos portfólios de seus
artistas textos que possam elucidar e/ou instigar a fruição do trabalho de arte
– e assim fomentar igualmente o interesse do colecionador pela compra. A
chancela das participações em determinadas exposições e em determinados acervos
parece mais eficiente.
Sob a égide do capitalismo financeiro, será que a dimensão da construção do
pensamento crítico e da reflexão dentro do circuito das artes visuais não é
suficientemente capaz de atribuir o valor simbólico na mesma velocidade que o
mercado? Para Moraes, a crítica implica igualmente um tempo de trabalho similar
ao tempo de produção da obra45, e esse tempo parece não alcançar a velocidade
das engrenagens frenéticas do mercado.
Será que o lugar da crítica, assim, foi posto de lado, na dimensão paralela sob
o rótulo "alternativo" e "independente"? Seria a crítica capaz de realizar suas
atividades de forma autônoma, desinteressada, exclusivamente fora do mercado?
Ou será que a arte e sua dimensão reflexiva são capazes de persuadir o próprio
sistema capitalista de trocas simbólicas e produzir conhecimento dentro dele?
Quando Rivitti diz que os espaços independentes servem inclusive como uma
experiência formadora para um artista maduro comercialmente, prefiro acreditar
que essas duas instâncias devem conviver mutuamente, sem separar gerações, e
que os artistas devem nutrir-se de ambas, infinitamente. O mais saudável seria
o circuito da arte contemporânea operar com as duas instâncias
concomitantemente – como mercadoria e como pensamento crítico, sem prejuízo de
nenhuma delas – e os espaços institucionais e alternativos coexistirem em
constante dialética – pois são mutuamente formadores, sem ser um a preparação
para o outro.
Vale lembrar, para concluir, a obra de Rubens Mano exposta na Galeria Milan em
2011; nela, o artista inscreve sobre uma espécie de lápide negra a frase
apócrifa "artista sem galeria é artista morto".
[/img/revistas/nec/n101//0101-3300-nec-101-0117-gf02.jpg]Rubens Mano. s/ título
[sem galeria], 2011. Placa de corian, 50 x 76 x 3,6 cm.
[1]Este artigo não teria sido possível sem o debate ocorrido durante o curso
Cidade e cultura: tensões contemporâneas em relação à arquitetura e à arte
urbana, ministrado por Vera Pallamin e Luis Recaman, dentro do Programa de Pós-
Graduação da FAU-USP, no primeiro semestre de 2014.
[2]Moulin, Raymonde. Le marché de la peinture en France. Paris: Éditions de
Minuit, 1967.
[3]Harvey, David. O enigma do capital e as crises do capitalismo. São Paulo:
Boitempo, 2011, p. 33.
[4]Raymonde Moulin. "Evolução do mercado de arte: internacionalização crescente
e desenvolvimento da arte contemporânea". In: Quemin, Alain (org.). O valor da
obra de arte. São Paulo: Metalivros, 2014, p. 12.
[5]The European Fine Art Fair, realizada em Maastricht, é a feira mais cobiçada
do mundo; possui diversas restrições quanto à participação das galerias,
chegando a ter inspetores que fazem a aprovação final das obras expostas nos
estandes um dia antes da abertura do evento.
[6]Fialho, Ana Letícia (coord.). Pesquisa setorial: o mercado de arte
contemporânea no Brasil. 3. ed. São Paulo: Latitude/Abact, 2014.
[7]TEFAF Art Market Report 2013. <http://www.cinoa.org/public/TEFAF_AMR_2013-
_KEY_FIN-DINGS.pdf>
[8]Harvey, David. "A crise". In: O enigma do capital, op. cit., pp. 9-40.
[9]Cypriano, Fabio. "Brasil representa 1% do mercado global".Folha de S.Paulo,
16/3/2013. <http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/1247054-brasil-representa-
so-1-do-mercado-de-arte.shtml>
[10]Padilla, Ivan. "Qual o valor da arte?". Época Negócios. <http://
epocanegocios._globo.com/Revista/Common/0,,ERT125293-16642,00.html>
[11]O valor de referência geralmente é estabelecido em 60% do valor estimado da
obra.
[12]Harvey, David. "A arte da renda: a globalização e transformação da cultura
em commodities". In: ___ A produção capitalista do espaço. São Paulo:
Annablume, 2005, pp. 221-39.
[13]Thompson, Don. O tubarão de 12 milhões de dólares: a curiosa economia da
arte contemporânea. São Paulo: BEI, 2012.
[14]Thompson, op. cit., p. 197.
[15]Moraes, Angélica de. "Criação de valor". In: Quemin, Alain (org.), op.
cit., p. 108.
[16]A sigla UHNW significa ultra high net worth, conhecidos vulgarmente como os
multimilionários.
[17]Para conhecer exemplos concretos desse mecanismo, ver Thompson, op. cit.,
pp. 153-173.
[18]Thompson, op. cit., pp. 240-241.
[19]Thompson, op. cit., p. 232.
[20]Fialho, op. cit., p. 27.
[21]Thompson, op. cit., p. 251.
[22]Thompson, op. cit., p. 250.
[23]Moraes, Angélica de. "O fiel depositário". In: Quemin, Alain (org.), op.
cit., p. 204.
[24]Gonçalves Filho, Antônio. "Galerias já vendem mais obras para as
instituições de fora". O Estado de S. Paulo, Cultura, 31/3/2014. <http://
www.estadao.com.br/noticias/_impresso,galerias-ja-vendem-mais-obras-para-as-
instituicoes-de-fora,1147260,0.htm>
[25]Sobre o histórico das galerias de arte no Brasil ver Fioravante, Celso. "O
marchand, o artista, o mercado". Forum Permanente, 2001. <http://
www.forumpermanente.org/event_pres/exposicoes/_arte-contemporaneo-arco/artigos-
relacionados/o-marchand-o-artista-e-o-mercado>
[26]Seu nome verdadeiro era Paulo Businco, um italiano estelionatário procurado
pela Interpol.
[27]Rodrigues, Rachel Vallego. "Transitoriedades: uma coleção, diversos
museus". In: Monteiro, R. H. e Rocha, C. (orgs.). Anais do VI Seminário
Nacional de Pesquisa em Arte e Cultura Visual. Goiânia: UFG/FAV, 2013. <http://
www.fav.ufg.br/seminariodeculturavisual/Arquivos/2013/034-eixo1.pdf>
[28]Fialho, op. cit., p. 28.
[29]Ver depoimento da galerista Luisa Strina sobre a 24ª edição da Bienal
Internacional de São Paulo em Moraes, Angélica de. “Expansão de valor”. In:
Quemin, Alain (org.), op. cit., p. 224.
[30]Quemin, op. cit., p. 13.
[31]Fialho, op. cit., p. 29.
[32]Fialho, Ana Letícia. "Expansão do mercado de arte no Brasil: oportunidades
e desafios". In: Quemin, Alain (org.), op. cit., p. 33.
[33]Padilla, op. cit.
[34]Thompson, op. cit., p. 260.
[35]Svetlana Alpers apud Moraes, Angélica de. "Valorações do transitório". In:
Quemin, Alain (org.), op. cit., p. 90.
[36]Moraes, Angélica de. "Criação de valor", op. cit., p. 104.
[37]Ver Jappe, Anselm. "A mercadoria, essa desconhecida". In: As aventuras da
mercadoria: para uma nova crítica do valor. Lisboa: Antígona, 2006.
[38]Harvey, David. "A arte da renda", op. cit., p. 221.
[39]Idem, p. 222.
[40]Harvey cita, por exemplo, o desapontamento de um turista ao visitar a
Eurodisney: "Na Disney alguma coisa sempre acontece, e as pessoas ficam
felizes". Harvey, David. "A arte da renda", op. cit., p. 223.
[41]Muito pouco se sabe sobre essas relações contratuais; o tema mereceria uma
pesquisa mais específica, com depoimentos dos agentes culturais envolvidos,
tarefa difícil de lograr no métier artístico atual.
[42]<http://www.museus.gov.br/decreto-8-12413/>
[43]Rivitti, Thaís. "Escalas: o muito e o pouco na arte brasileira". <http:/
/_thaisrivitti.com/2014/04/02/escalas-o-muito-e-o-pouco-no-mundo-da-arte/>
[44]Fialho, Ana Leticia. "Expansão do mercado de arte no Brasil: oportunidades
e desafios", op. cit., p. 38.
[45]Moraes, Angélica de. "Valorações do transitório", op. cit., p. 92.