A democratização dos Conselhos de Saúde: o paradoxo de atrair não aliados
A idéia de tornar a democracia mais inclusiva não é nova: ela está presente,
por exemplo, na defesa da representação proporcional como um sistema que cria
mais oportunidades do que a regra da maioria para a representação de minorias.
E também está presente no esforço de multiplicar e fortalecer espaços para
deliberação no interior do Congresso. Mas foi sobretudo a partir de meados dos
anos 1970 que a participação e a deliberação nos "novos espaços democráticos",
criados na esfera estatal ou na esfera pública, nos níveis local, nacional ou
internacional, começaram a ser defendidos como fundamentais para tornar o
sistema democrático mais inclusivo2. Esses "novos espaços" têm como fundamento
a idéia de que boa parte da atual incapacidade das políticas públicas em
promover mudanças substantivas no status quo resulta da não-inclusão dos
destinatários dessas políticas nos processos decisórios. Ou seja, cresce a
aposta de que as políticas se tornarão mais responsivas às necessidades da
população à medida que esta for incluída nos processos decisórios. Afinal, quem
melhor do que a própria população para conhecer os problemas que a afetam ou
saber a qualidade dos serviços que está recebendo?
Este artigo analisa os Conselhos Gestores de Políticas, que, ao menos em
escala, hoje são os mecanismos mais importantes de participação existentes no
Brasil. Mais de 28 mil deles foram estabelecidos no âmbito das políticas de
saúde, educação e meio ambiente, entre vários outros temas. Estão organizados
em todos os níveis de governo, do local ao federal, e estabelecem foros nos
quais cidadãos, prestadores de serviços e governo se reúnem para definir
políticas públicas e supervisionar sua implementação. Para melhor entender a
natureza da participação promovida nesses foros, conduzimos uma ampla pesquisa
nos 31 Conselhos Locais de Saúde (CLS) da cidade de São Paulo, com o intuito de
responder a duas questões principais. A primeira delas é: há evidências de que
uma participação plural da sociedade civil esteja em andamento ou a
representação é monopolizada por grupos que já possuíam vínculos políticos com
o sistema político partidário? Segundo: assumindo que seja possível reconhecer
padrões distintos de participação, por exemplo, com uma gama maior ou menor de
associações incluídas nos conselhos, poderíamos relacioná-los, como sugere a
literatura, a certas características dos gestores públicos, do desenho
institucional ou da vida associativa?
Na próxima parte do texto, apresenta-se uma revisão da literatura que discute o
potencial democrático desses "novos espaços". Depois, examina-se o contexto
político e legal de existência dos Conselhos Municipais de Saúde (CMS) e dos
Conselhos Regionais de Saúde. A seguir, descreve-se o perfil associativo dos
participantes dos 31 Conselhos Locais de Saúde da cidade São Paulo e analisa-se
a importância das variáveis políticas, institucionais e sociais para explicar a
variação encontrada no número de associações. Em seguida, discute-se o papel
das estratégias adotadas por atores da sociedade civil e por gestores públicos
para determinar o grau de inclusão promovido pelos conselhos, uma vez que esses
atores podem escolher regras e adotar procedimentos que venham a expandir ou
restringir significativamente a inclusão de não-aliados nesses "novos espaços".
Por último, discutem-se as lições que podem ser aprendidas sobre como construir
instituições participativas mais inclusivas.
PARTICIPAÇÃO DO CIDADÃO: O CASO BRASILEIRO
Com a reforma constitucional e as inovações políticas que testemunhou na última
década, o Brasil é visto como um dos mais importantes laboratórios de inovação
democrática3. A Constituição brasileira de 1988, ao estabelecer a transição
formal para a democracia, sancionou a descentralização da tomada de decisões e
estabeleceu mecanismos para a participação dos cidadãos na formulação,
administração e monitoramento de políticas sociais4. Durante a elaboração da
Constituição, inúmeros grupos de interesse trabalharam na preparação da Carta e
coletaram por volta de meio milhão de assinaturas demandando a criação de
mecanismos para uma democracia participativa.
Esse alicerce legal promoveu o desenvolvimento de uma estrutura institucional
abrangente para a participação dos cidadãos, que incluiu Conselhos Gestores,
ouvidorias públicas, conferências, orçamento participativo e mecanismos
deliberativos no interior de agências reguladoras. Da gama de mecanismos
participativos no Brasil, o Orçamento Participativo e os Conselhos Gestores
tiveram grande destaque nos anos 1990. Os dois mecanismos de participação estão
vinculados ao Poder Executivo e enfatizam a transparência, o controle local e a
redistribuição de recursos para áreas menos privilegiadas5.
Estudos anteriores, entretanto, levantam a questão da efetividade de tais
conselhos na promoção da participação dos cidadãos. Desse ponto de vista, sua
promessa de ampliar a democracia estaria comprometida por uma cultura política
autoritária ainda subsistente no Estado brasileiro, por uma vida associativa
frágil e por resistências, tanto dos atores da sociedade civil como do Estado6.
Nesse contexto, a implementação dos conselhos é insuficiente para reverter as
assimetrias sociais e econômicas, e os cidadãos mais pobres permanecem
excluídos desses espaços e sem recursos suficientes para articular suas
demandas, ao passo que os custos de participação continuam menores para aqueles
que dispõem de mais recursos.
Essa constatação reforça as alegações daqueles que acreditam que os mecanismos
participativos são ferramentas débeis para a consecução da igualdade política.
Argumenta-se que as desigualdades que permeiam a estrutura sociopolítica
desigualdades no acesso à informação, na capacidade de influenciar o governo e
na capacidade de organização restringem a participação política, o que
reforça a desigualdade, aprofundando o déficit de representação de atores já em
desvantagem (cidadãos com baixo nível de renda, de educação e de acesso à
informação, por exemplo)7. Os processos participativos poderiam gerar, por essa
razão, novas formas de exclusão e acarretariam riscos como "o controle dos
organismos decisórios pelos grupos mais ativos e estabelecidos"8 9.
Um número crescente de estudos, entretanto, sugere o oposto: sob certas
circunstâncias, esses foros podem não só incluir os segmentos sociais menos
privilegiados, mas também desempenhar papel significativo na definição das
políticas públicas10. Tais análises enfatizam três fatores determinantes. Em
primeiro lugar, sugerem a importância de processos de organização e mobilização
da sociedade civil. Em segundo, indicam que o sucesso desses foros depende do
comprometimento das autoridades públicas com o projeto participativo. Em
terceiro, ressaltam que o desenho institucional é crucial para o sucesso dos
conselhos.
Com relação ao primeiro fator11, Lavalle, Houtzager e Achrya encontraram
evidências de que os novos espaços de participação e deliberação podem
favorecer a representação de grupos sociais até então excluídos. De acordo com
esse estudo, atores ricos e pobres da sociedade civil têm igual propensão a
participar, e o desenho dos novos espaços pode favorecer iniciativas políticas
por parte de grupos sociais tradicionalmente sub-representados. Argumentam que
"a participação promovida pela onda de experimentação e inovação institucional
recente não é meramente um exercício de envolvimento político por parte dos
cidadãos comuns, mas, sobretudo, inclui uma gama variada de atores
coletivos"12. Esse é um ponto crucial, uma vez que atores coletivos possuem
tendências e modos de participação distintos de atores individuais, pois os
primeiros dispõem de recursos organizacionais que diminuem seus custos de
participação.
Dados da pesquisa "Associativismo em São Paulo" também indicam variações no
comportamento associativo no interior das subprefeituras, demonstrando que um
amplo espectro de agentes da sociedade civil, incluindo residentes nas áreas
mais pobres da cidade, estão fazendo um investimento estratégico nas
organizações populares como meio de ganhar voz nos processos políticos nos
quais se decidem questões que afetarão suas vidas13. As organizações populares
aparecem na pesquisa englobando tanto as associações de bairro como aquelas
ligadas às questões de habitação, saúde e educação, representando 5% da
população da cidade, ou seja, cerca de 500 mil indivíduos filiados. Metade
dessa população ganha menos de dois salários mínimos e completou apenas a
educação básica (tendo abandonado a escola aos 14 anos), sendo que 60% são
mulheres. Esses dados apontam na mesma direção que os reunidos no projeto
"Participação e inclusão social no Brasil"14: em São Paulo, um percentual
significativo daqueles que participam dos Conselhos de Saúde têm baixo nível de
educação e renda; em outras palavras, os pobres estão participando. Dos outros
dois milhões de habitantes que mantêm vínculos com associações, 51% concentram-
se em organizações religiosas, devendo-se notar que parte significativa dessas
associações também desempenham atividades relacionadas a questões comunitárias,
de habitação e saúde. Além disso, Abers15 (2001) também salienta, em seu estudo
sobre o Orçamento Participativo em Porto Alegre, que a crença de que a
participação trará benefícios tangíveis acaba contribuindo para fomentar a
participação da comunidade, o que concorre, com o tempo, para equilibrar as
desigualdades entre os grupos participantes.
Quanto ao segundo fator o comprometimento das autoridades públicas com o
projeto participativo , Abers, Baiocchi e Wampler16 afirmam que um fator-chave
para o sucesso das experiências participativas é o investimento das autoridades
e instituições públicas no "efeito demonstração". Segundo os autores, os foros
de políticas públicas não atraem participantes quando a população não percebe a
relação entre eles e sua vida cotidiana. No processo do orçamento participativo
estudado por Abers, o Governo Municipal teve de esclarecer aos participantes
por que sua presença nas assembléias os beneficiaria e depois teve de cumprir
estritamente todas as promessas. Abers sugere, assim, que um bom processo
participativo não é o que reduz o envolvimento do governo nas decisões. Ao
contrário, o comprometimento ativo do Estado é crucial para fomentar a
participação dos cidadãos.
Finalmente, quanto ao terceiro fator mencionado, Fung17 e Cifuentes18, entre
outros, argumentam que a capacidade dos foros participativos de contribuir para
definir agendas que expressem os interesses dos mais pobres poderia ser
favorecida por mecanismos institucionais e procedimentais que promovam tanto a
inclusão de participantes com menor capacitação técnica e escassos recursos de
comunicação, como também sua capacidade de se posicionar diante dos temas em
discussão. Tais autores sugerem incentivos estruturais19, metodologias
participativas e abordagens deliberativas como meio de aperfeiçoar a inclusão e
a qualidade dos processos endógenos de formação de preferências.
Este breve apanhado mostra que há processos políticos e institucionais que
contribuem para mudar o perfil e o escopo da participação da sociedade civil
nas políticas públicas. Diversos estudos revelam, no entanto, que em vários
casos essa participação se materializou graças a atores que já possuíam laços
com autoridades públicas, seja na condição de aliados políticos, seja como
prestadores de serviços. Por vezes, as autoridades públicas precisam assegurar
a participação da sociedade civil e chamam seus aliados para desempenhar esse
papel. Ou então prestadores que almejam garantir os contratos com o município
usam o voto nas arenas participativas como moeda de troca20. Os processos
participativos poderiam, assim, representar um novo mecanismo para excluir os
que não pertencem a essas redes sociopolíticas.
Nesse contexto, permanecem questões importantes sobre a legitimidade
democrática dos processos em andamento: eles estariam de fato garantindo a
inclusão de uma pluralidade de segmentos da sociedade civil? Afinal, sob que
condições se pode esperar que os gestores públicos ou os atores da sociedade
civil trabalhem para trazer seus competidores para a arena política? Sob quais
condições grupos que não pertencem à rede de relacionamentos dos gestores
públicos são incluídos nesse processo? Esses são aspectos fundamentais para o
debate sobre participação social.
Dados coletados nesta pesquisa mostram um perfil diversificado dos
participantes dos conselhos. Há desde os que incluem apenas uma ou duas
categorias de associações com claros vínculos político-partidários, até aqueles
que contam com uma composição bem mais diversificada. A questão que permanece e
que será desenvolvida neste artigo é: como explicar essas diferenças?
CONSELHOS DE SAÚDE EM SÃO PAULO
Contexto legal
A Constituição brasileira de 1988 definiu a saúde como direito de todos os
cidadãos e responsabilidade do Estado e também estabeleceu um sistema público
de saúde o Sistema Unificado de Saúde (SUS) com base nos princípios de
universalidade e eqüidade na provisão da saúde. O SUS introduziu a noção de
controle social e participação popular. Os Conselhos de Saúde emergiram dessa
estrutura legal como instituições responsáveis por capacitar a participação dos
cidadãos na governança da saúde. Eles foram instituídos nos níveis municipal,
estadual e federal, sendo responsáveis não só por levar projetos do governo à
população, como também por transmitir sugestões da população aos vários níveis
de governo. Conselhos de Saúde são órgãos coletivos e permanentes formados por
cidadãos, profissionais da área da saúde, instituições governamentais e
prestadores de serviços de saúde. Existem hoje mais de 5.500 conselhos,
envolvendo cerca de 100 mil cidadãos e vasto número de associações. Conselhos
de Saúde são foros políticos nos quais os participantes realizam debates e têm
a chance de formar alianças e auxiliar a Secretaria de Saúde a definir
prioridades e políticas. As Normas Operacionais Básicas que regulam o SUS
estipulam que o número de representantes da sociedade civil (cidadãos) deve ser
igual à soma dos representantes dos prestadores de serviços, dos profissionais
da área da saúde e das instituições de governo.
A força dos Conselhos Municipais de Saúde (CSM) deriva em grande parte de uma
lei que lhes garante poder de veto em planos e na prestação de contas da
Secretaria Municipal de Saúde. Se o conselho rejeita o plano e o orçamento que
a Secretaria de Saúde é obrigada a apresentar anualmente, o Ministério da
Saúde, que maneja 55% do orçamento público do setor, não transfere os fundos ao
município. Os CMS, como o de São Paulo, são particularmente importantes na
gestão da saúde, uma vez que um dos princípios norteadores do SUS é a
descentralização do sistema de saúde. Com a descentralização, os governos
municipais assumiram uma grande responsabilidade no planejamento e na prestação
de serviços de saúde. Esse processo tornou o município um espaço político
estratégico para definir as políticas de saúde, e os CMS arenas importantes
para a participação nos processos decisórios21. Os Conselhos Locais de Saúde
(CLS) têm funções similares e foram criados nas maiores cidades brasileiras, no
âmbito das subprefeituras. Apresentam funções similares às do CMS, contudo não
têm poder de veto por não dispor de mandato constitucional para tanto.
Conselhos Locais de Saúde
A cidade de São Paulo, com uma população de cerca de 10,5 milhões22 de
habitantes, chama a atenção pela aguda desigualdade social e de acesso aos
serviços públicos23. Como em muitas outras metrópoles da América Latina, as
áreas mais pobres localizam-se na periferia. As áreas mais ricas, concentradas
no centro da cidade, recebem mais serviços públicos de saúde e registram o
maior número de internações hospitalares. As áreas mais pobres apresentam os
menores índices de acesso à saúde24.
Procurando reverter essa tendência, o Partido dos Trabalhadores (PT), que
governou a cidade de 2000 a 2004, priorizou a descentralização e a participação
dos cidadãos. Pouco depois de assumir o poder, a administração petista
subdividiu a cidade em 31 regiões político-administrativas, chamadas
subprefeituras25. Em São Paulo, a população das subprefeituras oscila entre
134.204 e 630.202 habitantes, e o Índice Municipal de Desenvolvimento Humano
(IMDH) varia de 0,65 a 0,91, portanto há desde más condições de educação, renda
e saúde até condições muito superiores (veja Tabela_1, coluna 1)26.
Em cada subprefeitura foi criado um CLS, assim como numerosos conselhos
localizados nas unidades de saúde. Eles foram instalados ao longo de dois anos,
envolvendo a mobilização de mais de 2.500 pessoas, que participaram de ao menos
um encontro mensal número significativo, especialmente considerando os
limitados recursos financeiros disponíveis para sustentar o processo. Os CLS
das subprefeituras são compostos de 24 conselheiros efetivos e 24 substitutos,
metade representante da sociedade civil e a outra metade do governo, dos
prestadores de serviços e dos profissionais de saúde. O governo é representado
por funcionários indicados pela Secretaria Municipal de Saúde, pelo subprefeito
ou pelo próprio coordenador de saúde da subprefeitura. No caso dos usuários e
prestadores de serviços, são os movimentos, associações e sindicatos que
indicam seus candidatos, cujos mandatos são formalizados em encontro aberto. As
eleições são tornadas públicas e técnicos do sistema de saúde monitoram a
nomeação dos conselheiros. O CMS inclui, por lei, representantes dos movimentos
populares de saúde, movimentos sociais, sindicatos e associações de portadores
de deficiência e de patologias. As normas dos CLS especificam apenas que 25% de
sua composição sejam representantes dos gestores públicos da saúde, 25%,
representantes dos prestadores de serviços públicos e privados, e 50%,
representantes da sociedade civil.
Embora seja importante entender como os conselhos funcionam e se eles de fato
exercem impacto sobre as políticas de saúde27, o presente artigo apresenta a
composição dos CLS e discute sua capacidade de incluir um leque diversificado e
não enviesado de segmentos da sociedade civil, tema crucial quando se trata de
aferir o potencial democrático desses conselhos.
SELEÇÃO DOS CONSELHEIROS E COMPOSIÇÃO DOS CONSELHOS REGIONAIS
Em 2001 e 2002, Eduardo Jorge, líder histórico do Movimento Sanitarista28 o
qual há mais de trinta anos mobiliza diversos profissionais da saúde ligados
SUS, especialmente os da saúde pública , foi secretário Municipal da Saúde e
responsável por promover uma rápida descentralização no âmbito das políticas
municipais da saúde. Foi durante esse processo que os primeiros CLS foram
criados.
Em 2001, a Secretaria Municipal de Saúde determinou que as subprefeituras
organizassem seus CLS em curtíssimo período de tempo e com poucos recursos29.
Nessas subprefeituras, o recrutamento dos conselheiros foi feito por
administradores públicos no interior de uma rede de associações com as quais
eles já mantinham um relacionamento. Outros grupos, que não apresentavam tais
vínculos prévios, permaneceram alheios ao processo. Entre 22 líderes de
associações que trabalhavam com questões relativas à saúde nas áreas estudadas
mas que não participaram do conselho, constatou-se em entrevistas que apenas
cinco sabiam de sua existência30.
Para verificar se essa dinâmica se repetiu em eleições subseqüentes, em 2004 e
2005 realizamos uma pesquisa sobre a composição dos 31 CLS, os procedimentos
para a seleção dos conselheiros e a adesão dos gestores ao projeto de
participação social. Nossa primeira hipótese era de que encontraríamos uma gama
maior de segmentos da sociedade civil representados em conselhos de
subprefeituras onde os gestores tivessem maior comprometimento com o projeto,
onde tivesse havido mais esforço na divulgação do processo de seleção, e onde o
associativismo popular fosse mais forte. Os dados sobre comportamento
associativo foram retirados da pesquisa "Associativismo em São Paulo"conduzida
em 2002 por L. Avritzer, M. Recamán e G. Venturi. A análise desses dados
apresentou dificuldades que serão discutidas a seguir. Algumas são de ordem
metodológica, enquanto outras decorrem do escopo da pesquisa, que cobriu todas
as 31 subprefeituras numa cidade das dimensões de São Paulo31.
Os dados reunidos sobre a composição dos CLS nas 31 subprefeituras mostram que
alguns dos conselhos compreendem apenas uma ou duas categorias de associações,
enquanto outros chegam a incluir mais de sete diferentes categorias, inclusive
representantes não filiados. Os conselheiros apresentaram-se como
representantes de movimentos populares de saúde, unidades de saúde, associações
religiosas, associações de bairros, sindicatos, grupos de defesa de direitos
civis, foros participativos, movimentos de sem-teto, Movimento dos
Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), comunidades ou grupos filantrópicos,
associações de portadores de deficiência e representantes não filiados.
A Tabela_1 (coluna 2) mostra que 16 das 31 subprefeituras de São Paulo possuem
mais de três categorias representadas. Ao menos três delas grupos
comunitários, associações de portadores de deficiências e representantes não
filiados não são tradicionalmente ligadas ao PT. Doze subprefeituras incluíam
representantes não filiados, e sua inclusão não está fortemente associada à
escala do IDH-M. Com base nesses dados pode-se argumentar que os CLS são
espaços abertos para a representação de uma gama variada das associações que
compõem a sociedade civil na cidade, e que têm potencial real como espaços onde
diferentes grupos podem negociar projetos e propostas concernentes à saúde
pública.
Entretanto, a pesquisa também revelou que 29 das 31 subprefeituras concentraram
o recrutamento de representantes nas unidades de saúde. Seis delas incluíam
apenas estes. Nas regiões Leste e Sul, essa forma de organizar a representação
tem vínculo estreito com a atuação do Movimento Popular de Saúde (MPS) o qual
é altamente ativo nessas regiões desde os anos 1970 e tem elo forte com o PT32.
Outras categorias historicamente relacionadas com os partidos de esquerda, como
as associações religiosas, foros participativos e movimentos de sem-tetos,
também estão representadas com maior freqüência (em quinze, sete e dez
subprefeituras, respectivamente). Das quinze subprefeituras com três categorias
ou menos, onze têm forte presença de associações que mantêm laços com o PT.
Pode-se afirmar que a diferença no número de setores representados se relaciona
ao modo como as eleições para o Conselho foram organizadas? E qual a influência
dos gestores públicos e do associativismo popular nesses resultados?
Desenho institucional
Para identificar diferenças entre os processos eleitorais que ocorreram nas
várias subprefeituras, procurou-se determinar: se foram organizados bancos de
dados de associações e movimentos atuantes na região; quais meios foram
utilizados para divulgar as eleições (jornais, rádio, internet, correio); se
foram ou não admitidas candidaturas de indivíduos e de associações; se havia
documentação disponível sobre o processo eleitoral todo. Também se verificou se
houve contatos sistemáticos entre conselho, sociedade civil, sistema de saúde e
o sistema político, por acreditarmos que, com a intensificação dos contatos, os
conselhos tornam-se mais conhecidos, aumentando a probabilidade de eleições
mais competitivas.
Os dados coletados mostraram que em 2003 e 2004 as eleições nas diferentes
subprefeituras foram organizadas de maneira bastante distinta entre si. Em
algumas delas, a sociedade civil encarregou-se do processo eleitoral, em outras
o processo ficou limitado a organizações que os gestores públicos já conheciam.
Houve casos de trabalho ativo dos gestores para contatar e envolver um amplo
espectro de organizações e usuários. A coluna 3 na Tabela_1 apresenta
informações relacionadas à escolha de conselheiros representantes da sociedade
civil e à intensidade de relacionamentos estabelecidos entre conselho,
sociedade civil e os sistemas político e de saúde. Com base nas respostas do
questionário, calculamos valores entre 1 e 15 para tais relacionamentos e
procedimentos: quanto maior o valor, maior o relacionamento de determinado
conselho e mais inclusivos os procedimentos adotados. Não encontramos,
entretanto, nenhuma associação estatisticamente significativa entre o universo
de associações representadas e o processo de escolha de conselheiros ou a
intensidade de relacionamentos estabelecidos pelo conselho.
Comprometimento dos gestores públicos
Quanto aos gestores públicos, esperávamos que os mais comprometidos com o
projeto de participação social tivessem investido na formação de conselhos mais
efetivos, o que por sua vez poderia contribuir para aumentar o interesse da
população em participar desses espaços. Ou seja, esperávamos que, quanto maior
o comprometimento dos gestores públicos, maior seriam os segmentos da sociedade
representados nos conselhos. O comprometimento foi inferido de respostas a
questões sobre: a existência de provisão orçamentária, o tipo de informação
oferecido e o modo como foi disponibilizado aos conselhos, a regularidade na
oferta de informações, a presença de um coordenador da saúde no conselho e a
facilidade de acesso às autoridades e a informações requeridas33. Com base nas
respostas obtidas, calculamos valores (entre 1 e 15) representados na coluna 4:
quanto maior o valor, maior o comprometimento demonstrado pelo gestor para com
a participação da sociedade local. Não encontramos, contudo, nenhuma relação
estatisticamente significante entre o espectro de categorias da sociedade civil
representado nos conselhos e o comprometimento dos gestores públicos para com a
participação social.
Associativismo popular
Diante desses resultados, identificamos a necessidade de revisitar o argumento
dos que relacionam a participação ao associativismo, para quem deveríamos
encontrar mais organizações representadas nos conselhos das subprefeituras onde
o associativismo popular fosse maior. O comportamento associativo foi avaliado
com base nos dados estatísticos reunidos na pesquisa "Ação coletiva em São
Paulo" e refere-se ao número de indivíduos que declararam ter tomado parte em
atividades ligadas a organizações populares (trata-se de uma amostra
representativa sorteada para cada uma das subprefeituras). A coluna 5 apresenta
a freqüência ponderada de participação em atividades ligadas a organizações
populares. Todavia, não encontramos nenhuma relação estatisticamente
significante entre o espectro de segmentos representados nos conselhos e o grau
de participação em organizações populares nas subprefeituras.
Presença simultânea das variáveis pesquisadas nas subprefeituras
Os resultados sugerem que a inclusão de um espectro maior de participantes não
pode ser explicada pelo desenho institucional (divulgação das eleições), por
variáveis políticas (comprometimento dos gestores públicos), nem por variáveis
associativas (porcentagem de participantes em associações civis). Uma vez mais,
então, como explicar as diferenças na gama de associações representadas em
diferentes conselhos? Tentamos uma abordagem alternativa para avaliar o papel
da presença simultânea das variáveis já analisadas. Utilizando os dados
disponíveis, atribuímos aos conselhos um ponto para cada variável acima da
média (Tabela_1, coluna 6). Somando esses pontos, esperávamos que valores
maiores poderiam estar relacionados a um espectro maior de setores
representados no conselho. Com base nessa análise, encontramos forte
correlação34. Essa associação positiva está resumida na Tabela_2.
Nosso exame sugere que nenhuma das três variáveis analisadas explica por si a
multiplicidade de segmentos sociais representados nos conselhos, mas a sua
presença simultânea em determinada subprefeitura favorece, de fato, a
diversidade35.
Vale a pena analisar esses dados mais detidamente. A presença simultânea das
variáveis em questão está associada não só a uma gama mais abrangente de
associações, mas também à presença de representantes não filiados36. Embora não
tenhamos dados para reconstituir o universo organizacional das subprefeituras,
sabemos que em todas elas há cidadãos não filiados a associações e que esses
cidadãos autônomos encontram-se, de fato, sistematicamente mais presentes nos
conselhos de subprefeituras onde o número de segmentos também é maior. Esse
resultado sugere que, nos dois casos, maior número de segmentos e de cidadãos
não filiados, decorrem de um processo de interação entre gestores públicos e
setores da sociedade civil que procuram influenciar as políticas de saúde.
Portanto, não reflete apenas a existência de um número maior de setores
organizados em uma subprefeitura.
SOCIEDADE CIVIL, GESTORES E PROCEDIMENTOS NAS SUBPREFEITURAS
Esses resultados apresentam uma nova questão: que tipo de interação entre
gestores públicos, associações e procedimentos favoreceu a inclusão de um
universo mais abrangente de segmentos da sociedade civil nos conselhos? Para
esboçar uma resposta, empregamos dados obtidos em entrevistas qualitativas com
gestores públicos, profissionais da saúde e conselheiros.
Para entender o contexto em que os conselhos foram estabelecidos, deve-se ter
em mente que a descentralização criou um novo campo de disputa por recursos,
seja entre as subprefeituras, seja internamente. Em um governo que adota a
participação social como um de seus motes, os que contarem com o apoio e o
endosso da sociedade civil estarão em melhor posição para negociar as demandas.
Em tal contexto, não surpreende que uma porcentagem relevante de gestores tenha
dedicado esforços ao projeto de organização dos conselhos37.
Para pôr esse projeto em andamento, foram adotadas alianças e estratégias
bastante distintas. Enquanto alguns gestores escolheram o Movimento Popular de
Saúde como principal aliado, outros procuraram redes de apoio mais amplas, que
incluíam movimentos e associações conservadores ou progressistas, além de
representantes autônomos. No primeiro caso, a aliança entre gestores e MPS
parece se relacionar a uma institucionalização mais incipiente de procedimentos
para a escolha de representantes e à forte presença do MPS nos conselhos. No
segundo caso, a aliança entre os gestores e a sociedade foi possível, em grande
medida, pelo trabalho ativo que parte da equipe de coordenação da saúde
realizou a fim de mobilizar e divulgar os conselhos para um público mais
abrangente.
Os protagonistas do primeiro grupo são gestores que relataram uma história de
vida que se entrelaça com a do MPS, sendo que alguns tornaram-se
administradores em razão da participação em movimentos e organizações populares
ou no próprio MPS. Nesse caso, gestores e líderes do movimento relataram forte
identidade comum. Compartilham uma "história de lutas" e um "projeto político"
que tem raízes na história do movimento social que deu origem a uma parte do
PT. Essa identidade explica por que a organização dos processos eleitorais foi
delegada para o movimento: foi tanto uma estratégia para preservar a "autonomia
da sociedade civil" como o reconhecimento daquele grupo como o mais qualificado
para organizar o processo38. Nesse cenário, a organização da seleção de
conselheiros torna-se menos institucionalizada, garantindo, desse modo, espaço
para o MPS no interior do conselho. Como Hayes apontou com propriedade, "a
história do movimento popular de saúde na área de São Miguel fazia prever sua
presença no Conselho de Saúde, mas sua sobre-representação parece estar
relacionada ao controle do processo de seleção"39.
No segundo caso, encontramos associações cuja capacidade de mobilização popular
é menor que a do MPS, além de profissionais ligados em sua maioria a hospitais,
sindicatos e também à saúde pública. Devido às mudanças nas diretrizes e nos
programas da administração municipal no período dos últimos quinze a vinte
anos, esses profissionais mudaram com freqüência de área e clientela. Como
resultado desse processo, desenvolveram certa habilidade de fazer contatos com
movimentos e associações, uma vez que, em sua carreira, numerosas parcerias
foram estabelecidas para garantir a implementação de distintos programas da
saúde. Ao enfrentar a necessidade de organizar o conselho, e tendo de
demonstrar que a sociedade civil endossava suas demandas às subprefeituras e à
Secretaria Municipal da Saúde, esses gestores fizeram o possível para
identificar fontes possíveis de apoio, o que os levou a mobilizar diferentes
segmentos da sociedade, além de representantes não filiados.
Temos, então, um caso em que gestores públicos e movimentos populares de saúde
garantiram sua força política restringindo a seleção de conselheiros a um
universo de atores com quem mantinham laços políticos estreitos. No outro caso,
gestores públicos, movimentos, associações e representantes autônomos,
destituídos do mesmo grau de organização e identidade com o MPS, definiram sua
força política estabelecendo uma rede de alianças mais fluida, porém também
mais diversificada. Essas duas situações não exaurem a riqueza de casos ou as
condições específicas que caracterizam as distintas subprefeituras, mas
permitem uma aproximação inicial a respeito da natureza dos atores, de seus
interesses e das restrições envolvidas no processo de organizar uma
administração descentralizada e participativa na cidade de São Paulo.
OBSERVAÇÕES FINAIS
Os Conselhos de Saúde são parte de um movimento em que atores políticos e
sociedade civil juntaram forças para institucionalizar a participação social no
processo de formular, implementar e monitorar as políticas públicas. Os dados
coletados mostram que foi criada uma rede de participação distribuída pelo
município, cobrindo áreas centrais e periféricas, ricas e pobres. Os dados
mostram também que o espectro de participantes nos Conselhos Locais de Saúde em
São Paulo é bastante diversificado, incluindo movimentos sociais, associações
de portadores de deficiência, grupos religiosos, associações de direitos civis,
sindicatos e indivíduos sem vínculos associativos. Esse espectro mostrou-se
mais abrangente em áreas que apresentavam simultaneamente fatores como:
gestores públicos comprometidos com a participação como projeto político,
procedimentos mais transparentes e inclusivos na seleção de conselheiros, e
associativismo popular mais presente. Constatou-se também que a presença dessas
condições nas subprefeituras não está relacionada ao perfil socioeconômico das
áreas estudadas. Nossos resultados sugerem que ao menos a primeira condição
para garantir a base da participação social qual seja, a inclusão de um
universo diversificado de atores foi satisfeita em ao menos 16 das 31
subprefeituras.
Que conclusões podem ser tiradas a respeito de como construir instituições
participativas mais inclusivas? Conforme mencionamos, análises anteriores dos
processos participativos, particularmente dos Conselhos Gestores tais como os
analisados neste artigo, destacam variáveis que restringem o potencial
democrático dos "novos espaços" no Brasil como o legado de uma cultura
política autoritária e a falta de mobilização social, além da resistência dos
burocratas em compartilhar o poder. Outras análises focadas no orçamento
participativo oferecem conclusões mais otimistas, mostrando como as restrições
à participação podem ser superadas com o envolvimento de autoridades públicas
comprometidas com o processo. Trabalhos mais recentes nesse campo apontam para
uma característica particular, que parece aumentar o potencial democrático
desses espaços: a presença de uma sociedade civil mobilizada. Em trabalhos
anteriores chamamos a atenção para o papel central que o desenho institucional
poderia desempenhar no aprofundamento do potencial democrático desses novos
espaços. Sugerimos que nesse desenho institucional é fundamental aperfeiçoar o
processo de seleção dos membros dos conselhos e desenvolver procedimentos
adequados para assegurar a inclusão de todos os participantes nas discussões e
no processo decisório.
Os resultados apresentados neste artigo confirmam as conclusões dos autores
mais otimistas: as variáveis identificadas desempenham papel importante na
explicação do perfil diversificado dos conselhos estabelecidos na cidade.
Entretanto, nossos resultados vão além, na medida em que demonstram a
importância da presença simultânea, na subprefeitura, de gestores comprometidos
com o projeto de participação social, de associativismo popular e cidadãos
dispostos a participar nas políticas de saúde e de um certo conhecimento sobre
como organizar instituições participativas.
Ainda há uma questão difícil de responder: por que, em certas circunstâncias,
autoridades públicas e grupos mobilizados da sociedade civil abrem as portas
dos conselhos para uma gama mais ampla de participantes, se isso pode incluir
representantes de partidos concorrentes e associações com interesses
antagônicos? Como vimos, a resposta depende de escolhas estratégicas feitas por
gestores e participantes sobre que alianças e procedimentos eles crêem que
servirá melhor a seus interesses e valores. A experiência democrática que
descrevemos nos permite algum otimismo quanto à ampliação do debate e à
experimentação de práticas para a construção de uma representação mais
inclusiva. Resta saber se os atores envolvidos no processo terão motivação e
capacidade para prosseguir nessa direção. A resposta será dada na esfera
política, mas como há efervescência crescente em torno desses "novos espaços",
podemos especular que o espectro de atores sociais, políticos e estatais
motivados a participar do jogo venha a crescer.
Agradecemos aos gestores da Secretaria da Saúde do município de São Paulo, ao
Conselho Municipal, à Equipe de Coordenação da Saúde e Conselhos Gestores das
subprefeituras pelo apoio e pelas entrevistas. Também somos gratos a John
Gaventa, Argelina Figueiredo, Andréa Cornwall, Alex Shankland, Joanna Wheeler,
Marian Barnes, Marcus Melo, G. Baiocchi, David Kahane, Adrian Gurza Lavalle,
Simeen Mahmud e ao grupo de pesquisa Spaces for Change pelos valiosos
comentários e sugestões, e a José Veríssimo, Tiago Borges, Carolina Galvanezzi
e Nílian da Silva pelas valiosas contribuições na coleta e organização dos
dados da pesquisa.
[1] Este artigo apresenta os resultados do projeto "Participação e inclusão
social no Brasil", conduzido pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento
(Cebrap) com o apoio do Development Research Centre on Citizenship,
Participation and Accountability, do Institute of Development Studies da
University of Sussex, Inglaterra. Uma versão anterior foi
publicada no International Journal of Urban and Regional Research, vol. 30,
no-.3, 2006.
[2] V. S. Coelho e M. Nobre. Participação e deliberação: Teoria democrática e
experiências institucionais no Brasil contemporâneo. São Paulo: 34 Letras,
2004.
[3] J. Gaventa. "Prefácio". In: V. S. Coelho e M. Nobre. Participação e
deliberação.
[4] O parágrafo único do art. 1º dispõe: "Todo poder emana do povo, que o
exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos da
Constituição". São amplas as possibilidades de participação consignadas naquele
texto, de que são exemplos o "sufrágio universal e pelo voto direto e secreto,
com valor igual para todos", o plebiscito, o referendo e a iniciativa popular
no processo legislativo, bem como a participação em múltiplos conselhos
públicos.
[5] V. S. Coelho, B. Pozzoni e M. Cifuentes. "Participation and public policies
in Brazil". In: J. Gastil e P. Levine. The deliberative democracy handbook. San
Francisco: Jossey Bass, 2005.
[6] Ver Abrasco. "Relatório final da oficina: incentivo à participação popular
e controle social em saúde", Série Saúde e Movimento, vol. 1, Brasília:
Abrasco, 1993; I. Andrade. "Descentralização e poder municipal
no Nordeste". In: J. A. Soares (org.). O orçamento dos municípios do Nordeste
brasileiro. Brasília: Paralelo15, 1998; C. B. L. Carneiro.
"Conselhos: Uma reflexão sobre os condicionantes de sua atuação e os desafios
de sua efetivação". Informativo Cepam, São Paulo, Fundação Prefeito Faria Lima
vol. 1, no- 3, mar. 2002, pp. 62-70; I. A. Carvalho.
"Conselhos de Saúde no Brasil". Política, planejamento e gestao em saúde. ENSP/
Fiocruz, Série Estudos, Rio de Janeiro: Ibam/Fase, no- 3, 1995, pp. 5-41.
[7] B. Pozzoni. "Citizen participation and deliberation in Brazil". Dissertação
de mestrado apresentada ao Institute of Development Studies, University of
Sussex, 2002.
[8] P. Jacobi. Políticas sociais e a ampliação da cidadania. São Paulo: Editora
da FGV, 2000, p. 107.
[9] Observadores do comportamento dos eleitores e da participação em campanhas
políticas em países mais ricos mostraram o efeito poderoso da renda sobre o
grau de participação. Ver S. Verba, L. K. Schlozman e H. Brady. Voice and
equality: Civic voluntarism in American politics. Cambridge: Harvard University
Press, 1995.
[10] R. Abers. Inventing local democracy: Grassroots politics in Brazil.
Westview: Boulder, 2001; G. Baiochi. "Participation, activism
and politics:The Porto Alegre experiment and deliberative democracy theory".
Politics & Society, vol. 29, no- 1, 2001; L. Avritzer e Z.
Navarro (orgs.). A inovação democrática no Brasil: O orçamento participativo.
São Paulo: Cortez, 2003; A. Marquetti. "Democracia, eqüidade e
eficiência". In: L. Avritzer e Z. Navarro (orgs.). A inovação democrática no
Brasil; B. Wampler e L. Avritzer. "Públicos participativos:
Sociedade civil e novas instituições no Brasil democrático" In: V. Coelho e M.
Nobre. Participação e deliberação.
[11] A. Gurza Lavalle, P. Houtzager e A. Achrya. "Lugares e atores da
democracia: Arranjos institucionais participativos e sociedade civil em São
Paulo". In: V. Coelho e M. Nobre. Participação e deliberação.
[12] A. Gurza Lavalle, P. Houtzager e A. Achrya. "Lugares e atores da
democracia", cit., p. 356.
[13] L. Avritzer, M. Recamán e G. Venturi. "Associativismo em São Paulo". In:
L. Avritzer. Participação em São Paulo. São Paulo: Unesp, 2004.
[14] V. S. Coelho. "Conselhos de saúde enquanto instituições políticas: O que
está faltando?". In V. Coelho e M. Nobre. Participação e deliberação.
[15] R. Abers. Inventing local democracy.
[16] R. Abers. Inventing local democracy: Grassroots politics in Brazil; G. Baiochi. "Participation, activism and politics"; B. Wampler e L. Avritzer. "Públicos participativos".
[17] A. Fung. "Recipes for public spheres: Eight institutional design choices
and their consequences". Journal of Political Philosophy, no- 11, 2003, pp. 1-
30.
[18] M. Cifuentes. "Political legitimacy of deliberative institutions".
Dissertação de mestrado apresentada no Institute of Development Studies,
University of Sussex, 2002.
[19] Os incentivos estruturais estão associados à oferta de bens públicos.
[20] V. S. Coelho. "Conselhos de saúde enquanto instituições políticas: O que
está faltando?"; A. Gurza Lavalle, P. Houtzager e A. Achrya.
"Lugares e atores da democracia"; L. Hayes. "Participation and
associational activity in Brazil". Dissertação de mestrado apresentada no
Institute of Development Studies, University of Sussex, 2004; A. Cornwall. "Negotiating participation in a Brazilian Municipal
Health Council". In: A. Cornwall and V. Coelho Spaces for change: The politics
of participation in new democratic arenas. Londres: Zed Books.
[21] V. S. Coelho, B. Pozzoni e M. Cifuentes. "Participation and public
policies in Brazil".
[22] Este dado refere-se ao município de São Paulo. A Grande São Paulo tem uma
população de 17,6 milhões.
[23] Centre of Metropolis Studies (CEM). "Dossiê espaço e política na
metrópole". Novos Estudos. São Paulo: Editora Brasileira de Ciências, no- 64,
nov. 2002.
[24] V. S. Coelho e M. Pedroso. "Distribuição de serviços públicos de saúde no
município de São Paulo". Novos Estudos, São Paulo: Editora Brasileira de
Ciências, no- 64, nov. 2002, pp. 141-52.
[25] Em 2000, a cidade de São Paulo dividia-se em 41 distritos de saúde,
correspondendo a 41 conselhos distritais. Em meados de 2003, a cidade foi
dividida em 31 subprefeituras e os conselhos distritais foram absorvidos por
elas e renomeados de Conselhos Locais . O termo Conselhos Locais será usado
para se referir a ambos os períodos.
[26] O IDH-M varia de 0 a 1 e é calculado para cada subprefeitura com base em
dados de renda e educação do chefe de domicílio, reunidos pelo Censo e
divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As
taxas de mortalidade infantil e longevidade são divulgadas pela Fundação Seade.
Valores mais elevados indicam melhores condições.
[27] M. G. Gohn. Conselhos gestores e participação sociopolítica. São Paulo:
Cortez, 2001; S. Côrtes. "Viabilizando a participação em
conselhos de política pública municipais: Arcabouço institucional, organização
do movimento popular e policy communities". Trabalho apresentado no XXV
Encontro Anual da Anpocs, em Caxambu, 2002; L. Tabagiba. "Os
Conselhos Gestores e a democratização das políticas públicas no Brasil". In: E.
Dagnino (org.). Sociedade civil e espaços públicos no Brasil. São Paulo: Paz e
Terra, 2002; V. S. Coelho. "Conselhos de saúde enquanto
instituições políticas: O que está faltando?"; M. Fuks, R. M.
Perissinoto e N. R. Souza. Democracia e participação: Os Conselhos Gestores do
Paraná. Curitiba: Editora da UFPR, 2004).
[28] O Movimento Popular de Saúde originou-se no início dos anos 1970 na região
Leste da cidade. Tal movimento militava em favor de um melhor sistema público
de saúde e tinha o apoio de estudantes, profissionais da área de saúde e
comunidades cristãs.
[29] Em trabalho anterior, "Distribuição de serviços públicos de saúde no
município de São Paulo", relatamos em detalhe os processos eleitorais que
ocorreram naquele período em quatro subprefeituras na região Leste de São
Paulo.
[30] V. S. Coelho e J. Verissimo. "Considerações sobre o processo de escolha
dos representantes da sociedade civil nos Conselhos de Saúde em São Paulo". In:
L. Avritzer. Participação em São Paulo.
[31] Um dos obstáculos enfrentados foi não haver informações censitárias sobre
o universo das organizações e associações, tanto no âmbito formal como informal
na cidade de São Paulo. Isso dificultou estimar se um pequeno número de
segmentos representados num conselho reflete a composição organizacional/
associacional das subprefeituras ou se reflete a incapacidade de determinado
conselho em incluir setores presentes na subprefeitura que desejam tomar parte
na definição das políticas de saúde. Não temos como reconstituir o universo
associativo das subprefeituras, mas, como veremos na análise subseqüente, há
evidências que sustentam a idéia de que os conselhos que incluem número maior
de setores da sociedade civil não estão apenas traduzindo a presença de mais
setores em determinada subprefeitura. Reconhecemos, contudo, a necessidade de
complementação futura com informações disponíveis para fazer uma análise mais
rigorosa.
[32] C. M. Bógus. Participação popular em saúde. São Paulo: Annablume, 1998.
[33] Entendemos que a existência de uma provisão orçamentária para os CLS e a
presença de administradores que informam regular e diretamente os conselheiros
sobre programas, orçamentos e planos, além de atender às demandas deverá
contribuir para um bom desempenho dos CLS.
[34] Correlação de Pearson = 0,531**. Para presença simultânea de gestores
comprometidos e procedimentos inclusivos foi encontrada uma correlação de
0,431*.
[35] Não foi encontrada, contudo, associação entre a presença simultânea dessas
variáveis e o IDH-M.
[36] Correlação de Pearson = 0,473**
[37] Em 19 das 30 subprefeituras para as quais temos informações, encontramos
administradores comprometidos com o projeto de criar e organizar CLS.
[38] C. Galvanezzi. "A representação popular nos conselhos de saúde". Relatório
de Pesquisa apresentado à Fapesp em 2004.
[39] L. Hayes. "Participation and associational activity in Brazil", p. 36.