Projeções populacionais em pequenas áreas: uma avaliação comparativa de
técnicas de extrapolação matemática
Introdução
Os estudos populacionais abarcam uma série de campos de conhecimento
fragmentados pelo modo de se fazer ciência na modernidade, mas unidos pelo
objeto em questão, ou seja, a população. Os cientistas que se ocupam do
planejamento territorial, em especial o geógrafo, o demógrafo, o economista, o
sociólogo e o arquiteto urbanista, para citar alguns exemplos, chegam a uma
etapa de suas investigações em que a demanda por projeções populacionais é uma
importante necessidade de pesquisa.
Numa tentativa de entender o papel dos estudos sobre população no planejamento
do desenvolvimento, foi realizado, em 1989, o Simpósio sobre População e
Planejamento para o Desenvolvimento, em Riga, na Letônia (UNITED_NATIONS,
1993). Uma das recomendações do documento final foi a de inserção de variáveis
demográficas no processo de planejamento, tendo em vista que, para se ter uma
visibilidade maior sobre o futuro, é necessária a construção de projeções tanto
do capital quanto da força de trabalho (UNITED_NATIONS,_1993).
Segundo Rees_(1993), projeções populacionais são elementos-chave no
planejamento para o desenvolvimento, sendo determinantes para a construção de
políticas públicas. No Brasil,1 alguns estudos têm se dedicado a este esforço,
contribuindo com criação, aplicações e adaptações de técnicas de projeções para
pequenas áreas (WALDVOGEL,_1998; BRITO;_CAVENAGHI;_JANNUZZI,_2010; JANNUZZI,
2007; FÍGOLI_et_al.,_2010; GOMES,_2010; GONZÁLEZ;_TORRES,_2012). Estes
trabalhos fazem parte de um esforço contínuo dos estudiosos sobre população
para avaliar as técnicas correntemente empregadas, fazendo coro com a
literatura internacional sobre a aplicabilidade no processo de planejamento
para o desenvolvimento, em especial daqueles com forte base territorial.
Nesse sentido, com o fito de contribuir com tais estudos, o presente artigo
aborda cinco técnicas de projeções para pequenas áreas – extrapolação linear e
exponencial, partição constante, shift-share e AiBi –, aplicando as mesmas às
microrregiões de Minas Gerais para o ano de 2010. A escolha dessas técnicas
deve-se à facilidade de aplicação e replicação das mesmas, bem como ao seu uso
frequente, por parte dos responsáveis por diagnósticos, para elaboração de
planos. Quanto ao horizonte de projeção, uma vantagem imediata é a
possibilidade de utilizar os dados censitários de 2010 para avaliação da
aderência em relação aos dados observados.2 Para tanto, são apresentadas
algumas medidas de erro, apontando as limitações das técnicas empregadas.
Também chamados de pequenos domínios, as pequenas áreas aqui descritas não
possuem limites definidos na literatura. Em geral, referem-se a unidades de
planejamento que podem variar entre setores censitários e unidades de
planejamento subnacionais que ultrapassam limites políticos. Segundo Smith_e
Morrison_(2005,_p._3), pequenas áreas "vary in size from less than an acre to
thousands of square miles, and from a mere handful of residents (or none at
all) to many millions". No presente artigo, pequena área define-se como unidade
territorial na qual o número de habitantes é insuficiente para garantir
resultados satisfatórios por métodos como o das componentes demográficas, mas
que necessitam ser modeladas conjuntamente para a construção da condição de
retorno, ou seja, a de que o crescimento do conjunto territorial maior seja
resultante da soma das unidades menores.
A escolha de Minas Gerais deve-se à sua diversidade regional e à influência
socioeconômica exercida por outras Unidades da Federação e o Distrito Federal
sobre as suas microrregiões. Essa característica heterogênea do Estado
contribui para a emergência de idiossincrasias que se refletem no crescimento
demográfico (BARBIERI;_SANTOS,_2011; MATOS;_GARCIA,_2006; GIOVANINI,_2006). A
determinação das microrregiões geográficas como pequenas áreas deve-se a dois
motivos: facilita a comparação entre períodos distintos, uma vez que o processo
de emancipação municipal ocorrido intensamente nos anos 1990 não afetou a
conformidade da regionalização; e pelo fato de a maior parte destas unidades
não possuir tamanho populacional suficiente para garantir a estabilidade
necessária para a projeção pelos métodos tradicionais. Espera-se que o artigo
sirva de referência para aqueles que estão iniciando seus estudos no tema, além
de instrumento para pesquisadores que se ocupam da análise regional em suas
investigações.3
Projeções demográficas
Uma das importantes contribuições da demografia é o desenvolvimento de técnicas
para estudar o crescimento e a distribuição populacional a partir da dinâmica
de suas componentes: fecundidade, mortalidade e migração. Tais componentes são
determinadas pela composição da população por idade e sexo, definindo as
frações da população que participam do crescimento por meio da fecundidade,
população em risco de morte e com maior ou menor propensão a migrar. Ainda
assim, variações nessas componentes respondem a elementos vários – econômicos e
não econômicos –, que sofrem alterações no tempo e no espaço (PRESTON_et_al.,
2001; SMITH,_1984).
O demógrafo, entre outros aspectos, ocupa-se de compreender essa dinâmica que
define a população e, talvez por isso, uma das demandas levadas a este
profissional é a elaboração de projeções futuras sobre o contingente
populacional. O setor público, por exemplo, necessita saber qual será a
população que dependerá de seus serviços, não apenas em sua totalidade, mas
também em grupos específicos. É nesse sentido que surgem perguntas como:
quantos idosos dependerão de determinados serviços de saúde? Quantas crianças
demandarão por mais ou menos recursos na educação básica? Qual é o investimento
em infraestrutura básica que deverá ser despendido e onde? Quantos seremos no
futuro? Como estaremos distribuídos espacialmente? O mercado, por seu turno,
demanda conhecimento de seus segmentos específicos, perfil de consumidores,
suas preferências e sua localização. Assim, o demógrafo pretende responder a
algumas questões essencialmente geográficas, a saber: quantos serão os
indivíduos de uma determinada área; como essa população estará distribuída no
espaço; e quais suas consequências para a sociedade.
Todavia, o que são projeções populacionais? Para Rogers_(1985), trata-se de
valores numéricos da população futura obtidos, geralmente, por extrapolação do
passado e tendências correntes. Para Smith_et_al._(2001), Smith_(1984) e Stoto_
(1983), projeções são resultados numéricos de um conjunto particular de
pressupostos sobre as tendências futuras do crescimento populacional. De fato,
qualquer projeção populacional é dependente de pressupostos, tanto no momento
da escolha de determinado período e seleção da população base quanto como
considerá-la indicador das tendências futuras.4
Keyfitz_(1981) afirma que o ato de projetar é como acertar um objeto em
movimento errático. Assim, "acertar" o alvo requer habilidade técnica e
sofisticação, mas também depende de sorte. Determinar com máxima precisão a
dimensão populacional exige também que a população não seja instável5 no
horizonte de projeção, diminuindo o erro. Stoto_(1983), por exemplo, ao
analisar as projeções estadunidenses no início da década de 1980, indicava a
redução dos erros, atribuindo como causa a melhoria das técnicas empregadas e a
maior estabilidade da população. Keyfitz_(1981) e Stoto_(1983) apontam como
indicador de erro a diferença entre a população projetada e aquela observada no
período projetado. Segundo os autores, os erros tendem a aumentar quando o
horizonte temporal é maior e/ou a população tem dimensão cada vez menor.
Entrementes, projeções populacionais nem sempre têm o objetivo de predizer o
futuro, pois muitas vezes, para analistas de mercado e agentes públicos de
decisão, o interesse maior é na construção de cenários a partir de alguns
eventos ou investimentos que se pretende realizar em determinada região (SMITH
et_al.,_2001). Para isso, bastaria alterar os pressupostos e inserir as
variáveis que determinariam a alteração no padrão de crescimento populacional
e, a partir daí, construir cenários demográficos alternativos. Previsão6 seria
o termo mais adequado para as projeções em que o pesquisador pretende construir
um cenário provável para a população no futuro. Para as previsões é possível
elaborar um teste de veracidade, ao passo que as projeções que buscam desenhar
cenários alternativos só podem ser confrontadas com a realidade se seus
pressupostos se realizarem. Vale ressaltar que toda previsão é uma projeção,
mas nem toda projeção é uma previsão propriamente dita.
Quando há falta de dados correntes ou passados sobre determinada população, é
comum o uso de técnicas de projeção para estimar seu contingente. Não se trata
de uma previsão propriamente dita, pois a população de fato já está (ou foi)
inscrita na realidade. Para essas projeções, usa-se a denominação de estimativa
(SMITH_et_al.,_2001).
Quanto aos tipos de métodos de projeção populacional, destacam-se aqueles
denominados subjetivos, ou qualitativos, e os objetivos, ou quantitativos. Os
métodos qualitativos obtêm seus pressupostos na construção do cenário futuro a
partir de opiniões de especialistas quanto ao comportamento das componentes
demográficas ou do contingente populacional em grupos e em sua totalidade. Em
geral, eles baseiam-se em impressões, intuições e tendências passadas, sendo
necessários quando não há informações suficientes. Contudo, esses métodos têm a
dificuldade de replicação por seu caráter não quantitativo, ao contrário dos
pressupostos matemáticos (SMITH_et_al.,_2001).
Entre esses métodos qualitativos, podem ser elencados os judgemental scenarios,
que buscam a confluência dos julgamentos de especialistas sobre aspectos de
algumas variáveis ou componentes demográficas. Segundo Bijak_(2006), esse
método é muito utilizado na construção de cenários, indicando tendências e
simulações de alternativas no curso tendencial. Na verdade, a construção de
pressupostos em técnicas objetivas passa por esse método, com o aporte técnico
e experiência de especialistas na construção de cenários futuros, prováveis ou
alternativos, das componentes demográficas.
Outro método qualitativo de projeção é o de survey entre especialistas,
conhecido como método Delphi. Trata-se da elaboração de questionários aplicados
em várias rodadas com o maior número possível de especialistas. As perguntas
aos especialistas são orientadas para apontar quais são os principais
balizadores e o comportamento das variáveis que determinam o crescimento
populacional. O resultado é um agregado de informações que foram adquiridas por
iteração, sendo que as opiniões individuais são sobrepostas até obter-se um
consenso sobre os pressupostos a serem aplicados (WRIGHT;_GIOVINAZZO,_2000;
BIJAK,_2006; JANNUZZI,_2006).
Os métodos objetivos ou quantitativos, por seu turno, são aqueles nos quais o
cenário futuro é construído a partir de modelos matemáticos e, por isso, são de
mais fácil replicação para se obterem resultados comparáveis. Smith_et_al._
(2001) e Smith_(1984)classificam essas técnicas em três grupos, a saber:
extrapolação matemática, componentes demográficas e modelos estruturais. As
seções subsequentes apresentarão essas técnicas com uma breve descrição,
sobretudo sobre seus usos para projeções de pequenas áreas. Os ratio methods
são descritos em uma seção à parte das técnicas de extrapolação matemática por
configurarem um caso especial de extrapolação, em que é respeitada, sem
necessidade de ajuste, a condição de retorno, ou seja, a soma das subpopulações
projetadas é igual ao total populacional.
Métodos de projeção
Extrapolação matemática
Os modelos de extrapolação matemática baseiam-se em informações no tempo para
predizer o futuro da população (SMITH_et_al.,_2001). Seu objetivo é determinar
uma função que se ajuste ao comportamento do crescimento populacional ao longo
do tempo (WALDVOGEL,_1998). Uma limitação desses métodos é sua decomposição,
uma vez que a extrapolação em separado de frações da população não será igual à
extrapolação do todo. Waldvogel_(1998) aponta que a extrapolação é um problema
maior quando se trata de pequenas populações ou pequenas áreas.
Nesse sentido, Whitte e Siegel (apud WALDVOGEL,_1998) propuseram a extrapolação
da participação das pequenas áreas em relação à área maior para satisfazer a
condição de retorno, ou seja, a soma das partes é igual ao todo. Esse método
ficou conhecido como Census Bureau Ratio. Mesmo assim, em situações de
crescimento ou decrescimento rápido da população, pode-se chegar a informações
pouco verossímeis sobre a participação das populações menores (WALDVOGEL,
1998).
Métodos estruturais
Os métodos estruturais são aqueles que produzem projeções a partir do uso de
variáveis independentes, econômicas e não econômicas (SMITH_et_al.,_2001). Isso
faz com que tais modelos sejam bastante úteis para a gestão e planejamento
urbano e regional, servindo para avaliar impactos de empreendimentos de
infraestrutura que alterem de alguma forma as componentes demográficas.
Em geral, o foco dos modelos estruturais é a componente migração, por ser esta
mais sensível a mudanças econômicas, sociais e ambientais (SMITH_et_al.,_2001).
De fato, nos modelos denominados econômico-demográficos, em que se estimam a
variação do salário real no espaço ou ainda mudanças na estrutura produtiva
regional e do nível de empregabilidade, a migração apresentará uma resposta
mais imediata, ao passo que fecundidade e mortalidade responderão mais
lentamente.
Os métodos dos sistemas urbanos diferem dos econômico-demográficos por duas
características apenas. Primeiramente, os métodos dos sistemas urbanos podem
operar com maior precisão espacial, ou seja, em áreas menores ou escalas
cartográficas maiores.7 Esses modelos abarcam também um número maior e mais
diversificado de variáveis, incluindo informações habitacionais e de
transporte, o que possibilita variações de modelos gravitacionais e mobilidade
a curtas distâncias (SMITH_et_al.,_2001). Em função da existência de uma
variedade de técnicas inseridas nesse grupo, a forma de validação das projeções
possui diferentes medidas de erro, variando entre as mais convencionais que
avaliam o estoque (erro médio, valor quadrático, entre outros) até variações
provenientes de álgebra de mapas. Essa discussão, que mereceria um trabalho à
parte, não será aprofundada aqui.
O modelo de projeção utilizado por Santos_(2010) e Barbieri_e_Santos_(2011),
para a região do Alto Paraopeba, inclui-se na categoria econômico-demográfica,
não a partir da predição da migração, mas sim da população em sua totalidade
segundo a variação do nível de emprego. A opção pelo conjunto populacional vem
do problema da pequena dimensão dos municípios, ou mesmo da região, para
estimar a migração, o que gera grande instabilidade. No entanto, se a população
cresce devido ao aumento do nível de emprego, isso se dá, predominantemente,
como resultado dos efeitos diretos e indiretos da migração.
Método das componentes demográficas
O método mais utilizado para projeção populacional tendencial de grandes
populações (mais estáveis) é o dos componentes de coorte, que observa
analiticamente a dinâmica das componentes demográficas em separado para, a
posteriori, determinar o crescimento da população (CELADE, 1984). A vantagem
desse método consiste em incluir uma maior variedade de conhecimentos
específicos sobre a evolução das componentes demográficas. De fato, demógrafos
tendem a se especializar em alguma componente demográfica e, com isso, a
contribuição de especialistas na determinação de hipóteses sobre tais variáveis
auxilia na construção de uma projeção mais verossímil (O'NEIL_et_al.,_2001).
O método das componentes, como comumente denominado, tem suas origens na
equação de balanceamento, tão cara à Demografia por expressar seu objeto de
estudo na conjugação das componentes demográficas (ATCHLEY,_1970; IPARDES,
1999; IBGE,_2008). Assim, tem-se:
O índice t representa a primeira referência temporal, nindica o intervalo ou
período base e t+n refere-se ao final do período. A variável P corresponde ao
total da população, N é o número de nascimentos ocorridos entre t e t+n, M
representa o número de óbitos ocorridos no mesmo período, I e E denotam a
variação no estoque populacional decorrente da imigração e da emigração entre t
e t+n. Logo, a população de determinado momento t+n é definida pela dimensão da
população inicial, com o acréscimo dos nascimentos e dos imigrantes no período
t a t+n, bem como subtraídos os óbitos e os emigrantes no mesmo intervalo.
Esse método é aplicado a uma unidade espacial maior para balizar projeções de
pequenas áreas, dentro de modelos relacionais que serão apresentados a seguir.
Entretanto, quanto menor for a população, maior é a instabilidade das
componentes e dos grupos por idade e sexo necessários para a projeção,
distanciando os resultados da realidade ou do cenário a ser construído.
Ratio methods
Os modelos denominados ratio methods (ou métodos de razão) fazem parte, entre
os métodos objetivos de projeção, de uma forma específica de extrapolação
matemática. Nesse método, as populações das áreas menores são determinadas como
frações da área maior à qual elas pertencem (UNITED_NATIONS,_1956; SMITH_et
al.,_2001). Nesse sentido, os ratio methods são técnicas de projeções de
pequenas áreas de cunho distributivo e que possuem a vantagem inerente de
automaticamente respeitarem a condição de retorno, sem a necessidade de ajuste,
ou seja, a soma das populações das áreas menores é igual à projeção da
população da área maior. Outros métodos de projeção, em geral, demandam algum
tipo de padronização, corrigindo o nível de projeção segundo o erro de
estimativas entre a área maior e a soma das áreas menores.
O uso de relações ou razões pode ser feito de forma mais sofisticada, estimando
o crescimento da população menor por grupos de idade e sexo (JARDIM,_2000). O
método de relação de coortes é concebido a partir do pressuposto de que, num
período base, o crescimento de uma coorte ou grupo populacional de uma área
menor relaciona-se linearmente com o mesmo grupo ou coorte na área maior à qual
faz parte (JARDIM,_2000; DUCHESNE,_1987; SWANSON;_SCHLOTTMANN;_SCHMIDT,_2010;
BRITO;_CAVENAGHI;_JANNUZZI,_2010). A limitação da relação de coortes como
técnica é o seu uso em grupos populacionais muito pequenos, que, por sua
dimensão, apresentam grande instabilidade e informações insuficientes por idade
e sexo.
Outra forma de projetar a população por idade e sexo é o emprego da correlação
de coortes (DUCHESNE,_1987; JARDIM,_2000; BRITO;_CAVENAGHI;_JANNUZZI,_2010).
Essa técnica estabelece que a relação de coortes de uma população é determinada
por um conjunto de relações de crescimento entre a área menor e a área maior de
variáveis sintomáticas. Assim, ajusta-se um modelo de regressão múltipla tendo
como variável resposta a relação intercensitária entre as populações dos dois
níveis constitutivos e, como variáveis independentes, relações entre as
variáveis sintomáticas nas duas escalas. Esses indicadores podem ser econômicos
ou não econômicos, tais como nascidos vivos, óbitos, número de eleitores,
emprego, número de matrículas, entre outros (JARDIM,_2000). Tal como o método
de relação de coortes, populações muito pequenas em que os grupos etários são
instáveis são difíceis de predizer, limitando o uso da técnica.
Entre os ratio methods, a partição constante considera que a população da área
menor tem sua participação no conjunto da área maior constante ao longo do
tempo, bem como a população a ser projetada terá seu crescimento determinado
pela participação da população pretérita na população total (SMITH_et_al.,
2001). A partição constante, nesse sentido, demanda informações históricas de
apenas um ponto no tempo, apesar de ser muito importante a avaliação de outras
referências temporais para se ter uma ideia mais precisa dessa tendência de
crescimento. O método é descrito formalmente da seguinte maneira:
[/img/revistas/rbepop/v32n1//0102-3098-rbepop-32-01-0139-e02.jpg]
Onde Pit é a população da área menor a ser projetada, Pil e Pjl são,
respectivamente, as populações das áreas menor e maior no início da projeção e
Pjt corresponde à população da área maior no ano a ser projetado.
Essa técnica é interessante quando o tamanho da população torna-se uma boa
proxy para fatores positivos da estrutura de oportunidades econômicas
regionais, da acessibilidade ao mercado imobiliário, de ativos públicos e
privados disponíveis, estrutura viária e de comunicação que facilite os fluxos
materiais e imateriais, enfim, condições que determinam o crescimento da
população diante de situações de crescimento condicionado pela mobilidade
populacional. Todavia, essa técnica de projeção considera que a área menor
crescerá exatamente à mesma taxa que a área maior, o que em geral não é um
pressuposto razoável, salvo situações de choques exógenos no crescimento
demográfico.
Outra técnica muito utilizada é conhecida como shift-share, que, ao contrário
da partição constante, considera que a participação das localidades no conjunto
da população total altera-se com o tempo (SMITH_et_al.,_2001). Nesse sentido, a
técnica mede a mudança na participação das pequenas áreas dentro do período
base, ou seja, entre o ano base e o ano inicial de projeção, multiplicando-
o por um fator que indica o horizonte de projeção. Com a construção desse
indicador de mudança na participação, agrega-se a distribuição inicial da
projeção e, novamente, multiplica-se pela projeção da área maior. Em termos
algébricos, o método pode ser expresso da seguinte forma:
[/img/revistas/rbepop/v32n1//0102-3098-rbepop-32-01-0139-e03.jpg]
Onde z é o horizonte de projeção e y é o período base. P indica a população e
os índices i e j correspondem, respectivamente, às áreas menor e maior. Os
índices t, b e l referem-se, respectivamente, ao ano a ser projetado, ao ano
base e ao ano inicial de projeção.
Apesar da vantagem em termos de maior sensibilidade a mudanças estruturais e
espaciais da população na área maior, essa técnica pode levar a uma estimava de
população que tem variações negativas de participação e a valores iguais ou
menores que zero. Assim, ajustes podem ser feitos utilizando métodos conjugados
de extrapolação linear ou opiniões de especialistas sobre as perspectivas
futuras de crescimento nas pequenas localidades.
Por fim, a técnica denominada apportionment method, ou projeção da participação
no crescimento, consiste em projetar a população da pequena área com base na
sua contribuição no crescimento absoluto da população esperada na área maior
(UNITED_NATIONS,_1956; WALDVOGEL,_1998; BARBIERI et al., 2010; SZWARCWALD;
CASTILHO,_1989). No Brasil, este método é conhecido como método dos
coeficientes ou simplesmente AiBi e foi utilizado primeiramente por Madeira_e
Simões_(1972)para projetar os contingentes rural e urbano entre 1960 e 1980,
segundo as Unidades da Federação.
Ao contrário das técnicas de extrapolação matemática e métodos estruturais, a
partição do crescimento considera que o crescimento das áreas menores possui
relação linear com o crescimento da área maior (SMITH_et_al.,_2001). Assim,
pode-se escrever da seguinte forma:
[/img/revistas/rbepop/v32n1//0102-3098-rbepop-32-01-0139-e04.jpg]
Onde P é a população, i corresponde ao índice da área menor, j representa a
área maior, Pt é a população a ser projetada, Pb refere-se à população base e
Pl é a população inicial de projeção. Outra maneira de descrever essa equação
seria:
[/img/revistas/rbepop/v32n1//0102-3098-rbepop-32-01-0139-e05.jpg]
Onde Ai é um coeficiente de proporcionalidade entre o crescimento da área menor
e da área maior e Bi representa um coeficiente linear de correção (WALDVOGEL,
1998). Em termos algébricos, temos:
[/img/revistas/rbepop/v32n1//0102-3098-rbepop-32-01-0139-e06.jpg]
[/img/revistas/rbepop/v32n1//0102-3098-rbepop-32-01-0139-e07.jpg]
Uma vantagem de usar a equação_(5) é a interpretação de seus valores e a
possibilidade de ajuste. A exposição dos coeficientes e seus resultados para um
grupo de especialistas pode contribuir para o ajuste de valores mais adequados
para os parâmetros Aie Bi, conjugando a esta técnica outras que chamamos
anteriormente de subjetivas. Pode-se também, como anteriormente proposto para o
shift-share, usar algum método de extrapolação, linear ou não, para aqueles
municípios que tendem a apresentar ao longo do horizonte de projeção valores
iguais ou menores que zero. Para evitar resultados improváveis, comumente
divide-se essa partição do crescimento entre as unidades que possuem
crescimento positivo e aquelas que apresentam crescimento negativo, ou mesmo
agrupando conjuntos populacionais com taxas de crescimento e tamanho
populacional similares (WALDVOGEL,_1998; FÍGOLI_et_al.,_2010).
A escolha da técnica de projeção
A elaboração da projeção sempre envolve a tentativa de reduzir os erros em
relação à realidade ou ao cenário que se tenta predizer. Mesmo numa situação de
construção de cenários alternativos, busca-se avaliar o real efeito de uma
série de fatores sobre o crescimento populacional e, para tanto, o processo de
estimação deve ser o mais sensível possível às verdadeiras relações entre as
variáveis. Nesse sentido, em muito seria útil se existisse uma técnica de
projeção universal que se adequasse a diferentes realidades.
Um dos balizadores para a escolha da técnica a ser empregada é a definição do
horizonte de projeção. Algumas técnicas podem contribuir para a confluência com
a realidade em horizontes maiores de projeção, outras em intervalos menores
(KEYFITZ,_1981). Outro item relevante à escolha da técnica é a adequação às
características do espaço a ser projetado, uma vez que nele estão inseridos os
principais condicionantes, econômicos ou não, do crescimento populacional.
Além de dar atenção à estrutura socioespacial, a conjuntura na qual a população
está inserida também determina as condições futuras de suas componentes. A
migração, por exemplo, responde mais rapidamente a fatores conjunturais,
gerando maior impacto no crescimento demográfico quanto menor for a dimensão da
população.
Estrutura e conjuntura socioespaciais são importantes elementos de decisão de
como projetar a população, mas devem vir em consonância com o objetivo do
trabalho. Se a população será considerada fator exógeno ao processo estudado,
projeções tendenciais podem atender à demanda. Por outro lado, se a população é
endógena, então é necessário um conjunto de dados para criar um modelo
estrutural que forneça informações sobre o impacto das variáveis relacionadas
ao crescimento populacional.
Propõe-se, na próxima seção, um exercício de projeção populacional para Minas
Gerais e suas microrregiões. Será executado o procedimento comumente utilizado
quando se conjugam projeções em dois níveis, à grande e às pequenas áreas. A
projeção populacional elaborada pelo IBGE para 2010 (IBGE,_2008), para o Estado
de Minas Gerais, foi considerada como grande área.
As projeções de pequenas áreas utilizam as informações de Minas Gerais e de
suas microrregiões geográficas para 1991 e 2000. Após aplicar as técnicas AiBi,
shift-share, partição constante, extrapolação linear e extrapolação exponencial
para a projeção das microrregiões para o ano de 2010, os resultados são
confrontados com as informações disponíveis no Censo 2010 a partir de algumas
medidas de erro. Conceitualmente, empregar as técnicas de repartição para
determinar a população das pequenas áreas junto aos dados de último censo seria
produzir estimativas e não projeções (forecasting). Nesse sentido, optou-se por
lançar mão de duas projeções paralelas por se tratar do caminho usual quando
não se dispõem de informações sobre a população no ano de projeção.
Aplicação de técnicas de projeção: microrregiões de Minas Gerais
Como dito anteriormente, as microrregiões geográficas de Minas Gerais possuem
diversas assimetrias econômicas, geográficas, sociais e populacionais. Sobre
esse último aspecto, a microrregião onde se insere a capital Belo Horizonte
acaba por guardar também a primazia populacional do Estado. Em contraponto, 11
microrregiões possuem menos de 100 mil habitantes. Destaque deve ser dado para
Grão-Mogol, microrregião com menos de 50 mil habitantes (Gráfico_1).
[/img/revistas/rbepop/v32n1//0102-3098-rbepop-32-01-0139-gf01.jpg]Fonte: IBGE.
Censo Demográfico de 2010.
GRÁFICO 1 Tamanho populacional médio e coeficiente de variação das
microrregiões geográficas (quartos de população) Estado de Minas Gerais – 2010
Como apontado no Gráfico_1, a avaliação por quartos de população mostra, além
da primazia, uma maior variabilidade dentro do 4º quartil. De fato, como também
indica a Tabela_1, Belo Horizonte constitui-se como outlier, com 4.772.562
habitantes, 5,82 vezes maior do que a segunda microrregião (Uberlândia, com
820.245 habitantes).
TABELA 1 População observada e projetada por diferentes técnicas de projeção,
segundo microrregiões Estado de Minas Gerais – 1991-2010
População observada População projetada para 2010
Microrregiões 1991 2000 2010 AiBi Shift- Partição Extrapolação Extrapolação
share constante linear exponencial
Estado de
Minas Gerais 15.743.152 17.891.494 19.597.330 20.207.839 20.207.839 20.207.839 20.207.839 20.207.839
(1)
Unaí 126.817 137.634 148.800 149.297 147.310 155.453 149.131 146.741
Paracatu 178.468 1.968.75 217.618 216.721 214.900 222.364 216.570 213.739
Januária 248.363 257.072 274.092 266.462 258.750 290.354 265.819 260.023
Janaúba 212.451 238.178 247.487 265.917 264.917 269.014 265.833 263.261
Salinas 184.439 199.803 210.771 216.368 213.366 225.671 216.118 212.588
Pirapora 146.688 154.802 164.903 163.551 159.905 174.844 163.246 159.986
Montes Claros 469.508 539.049 601.867 614.028 615.704 608.838 614.168 611.793
Grão Mogol 39.323 40.679 42.669 42.141 40.913 45.946 42.039 41.120
Bocaiúva 58.277 63.132 68.624 68.367 67.418 71.305 68.288 67.172
Diamantina 81.509 81.828 82.707 82.172 78.864 92.422 81.896 80.004
Capelinha 174.791 187.314 197.507 200.816 197.347 211.565 200.527 196.919
Araçuaí 149.407 151.851 156.418 154.486 148.991 171.511 154.028 150.513
Pedra Azul 83.200 85.247 83.123 87.454 84.604 96.284 87.216 85.258
Almenara 169.331 172.632 179.658 176.191 170.126 194.982 175.685 171.698
Teófilo Otoni 270.740 260.917 266.651 250.326 236.004 294.697 249.131 243.778
Nanuque 124.248 119.818 118.762 115.042 108.493 135.330 114.495 112.029
Ituiutaba 130.266 133.073 143.348 136.100 131.515 150.301 135.717 132.649
Uberlândia 564.691 702.074 820.245 850.201 868.673 792.969 851.742 870.541
Patrocínio 155.905 183.721 197.700 213.712 215.715 207.507 213.879 214.638
Patos de Minas 199.527 232.444 253.241 267.935 269.677 262.538 268.081 268.120
Frutal 144.634 154.208 179.512 164.531 161.418 174.173 164.271 161.199
Uberaba 242.310 290.667 346.024 342.806 347.488 328.299 343.196 346.359
Araxá 158.315 173.699 204.412 190.286 188.381 196.187 190.127 187.445
Três Marias 78.789 88.628 96.839 99.236 98.957 100.102 99.213 98.329
Curvelo 136.164 143.703 150.701 151.832 148.450 162.308 151.549 148.524
Bom Despacho 133.362 148.661 165.172 165.156 164.268 167.908 165.082 163.278
Sete Lagoas 286.428 347.113 393.875 412.544 419.158 392.052 413.095 418.336
C. do Mato Dentro 88.159 88.326 84.605 88.506 84.873 99.761 88.203 86.164
Pará de Minas 92.131 107.133 123.379 123.308 124.052 121.003 123.370 123.324
Belo Horizonte 3.436.060 4.259.163 4.772.562 5.146.634 5.255.103 4.810.581 5.155.684 5.263.525
Itabira 328.511 352.866 379.237 379.126 372.856 398.550 378.602 371.918
Itaguara 56.366 58.089 61.411 59.947 58.119 65.610 59.794 58.472
Ouro Preto 136.946 154.860 173.797 174.175 173.938 174.909 174.155 172.817
Conselheiro 196.023 220.258 247.251 246.388 245.618 248.774 246.324 244.066
Lafaiete
Guanhães 128.492 128.178 130.963 127.839 122.374 144.773 127.383 124.440
Peçanha 88.072 84.478 81.520 80.603 75.822 95.415 80.204 78.517
Governador 382.507 397.060 415.696 412.751 401.223 448.466 411.789 402.903
Valadares
Mantena 65.812 61.870 63.208 57.620 53.662 69.880 57.290 56.234
Ipatinga 410.334 473.962 526.781 542.566 544.903 535.324 542.761 541.542
Caratinga 231.498 240.478 253.421 250.160 243.236 271.612 249.583 244.212
Aimorés 154.689 148.242 149.404 141.291 132.852 167.434 140.587 137.643
Pium-í 73.096 77.248 81.643 81.725 79.942 87.249 81.576 79.960
Divinópolis 313.674 391.895 483.473 476.233 487.078 442.632 477.138 488.574
Formiga 134.127 144.977 152.171 156.675 154.393 163.747 156.485 153.873
Campo Belo 95.913 105.536 111.762 115.912 114.850 119.199 115.823 114.252
Oliveira 109.249 119.448 125.981 130.445 129.002 134.912 130.324 128.402
Passos 185.533 210.243 226.412 236.885 236.699 237.462 236.870 235.170
S. Sebastião 221.567 253.304 265.777 287.523 287.983 286.098 287.561 286.131
do Paraíso
Alfenas 179.366 208.717 225.356 240.363 241.856 235.739 240.488 240.445
Varginha 352.657 406.850 441.060 465.281 467.139 459.523 465.436 464.238
Poços de 272.771 310.428 342.055 351.030 351.163 350.618 351.041 348.891
Caldas
Pouso Alegre 228.986 281.562 326.425 338.250 344.781 318.015 338.794 344.857
Santa Rita do 113.804 128.212 140.170 143.747 143.403 144.811 143.718 142.488
Sapucaí
São Lourenço 171.609 195.821 208.293 221.926 222.170 221.173 221.947 220.736
Andrelândia 70.783 73.571 73.870 76.577 74.473 83.096 76.401 74.761
Itajubá 164.325 181.470 189.193 199.956 198.339 204.964 199.821 197.252
Lavras 120.600 134.673 149.669 149.847 149.116 152.109 149.786 148.206
São João Del 157.396 171.184 182.696 186.050 183.695 193.347 185.854 182.941
Rei
Barbacena 186.987 205.714 221.989 225.905 223.826 232.347 225.732 222.663
Ponte Nova 194.911 190.248 187.147 185.220 175.647 214.879 184.422 180.286
Manhuaçu 222.289 250.380 273.814 280.668 279.981 282.796 280.610 278.195
Viçosa 199.267 215.332 221.585 232.653 229.246 243.210 232.369 228.481
Muriaé 242.848 261.537 275.986 281.688 277.262 295.397 281.318 276.462
Ubá 211.140 241.688 269.650 274.625 275.156 272.978 274.669 273.392
Juiz de Fora 583.117 664.282 728.602 751.794 752.282 750.284 751.835 747.419
Cataguases 193.586 207.389 216.590 222.271 218.409 234.239 221.949 217.945
Fonte: IBGE. Censos Demográficos de 1991, 2000 e 2010; IBGE_(2008).
(1)Dados projetados de Minas Gerais presentes em IBGE_(2008).
A seguir, são apresentados os resultados de projeções elaboradas a partir dos
dados de 1991 e 2000, bem como a projeção feita pelo IBGE para 2010 (IBGE,
2008) (Tabela_1). Os ratio methods utilizados demandaram apenas a projeção do
IBGE e as informações censitárias para cada microrregião em 1991 e 2000. A
dificuldade das técnicas de extrapolação linear e exponencial em atenderem a
condição de retorno foi resolvida utilizando um fator de correção, a saber, a
relação entre a soma das projeções das microrregiões e a projeção do IBGE para
2010.8 A escolha das microrregiões como unidade de projeção teve o objetivo de
evitar problemas de reconstituição de municípios devido ao processo de
emancipação ocorrida, em grande parte, na década de 1990. Quando emancipados,
os novos municípios permanecem nas microrregiões dos municípios de origem, o
que garante a comparabilidade temporal.9
Medidas de erro para projeções
Nas situações em que as projeções focam no cenário provável, é possível
utilizar algumas medidas de erro para aferir a qualidade das estimativas como,
por exemplo, analisando a diferença entre a população observada e a projetada
(STOTO,_1983). Keyfitz_(1981) indica que o valor quadrático médio10 dos erros
(root mean square error) é mais útil para a avaliação, uma vez que salienta os
erros maiores e reduz a importância dos pequenos erros. Smith_e_Shahidullah_
(1995) utilizam, para a comparação de metodologias de projeção de pequenas
áreas, o erro médio, ou seja, o desvio médio entre a população observada e a
projetada para o conjunto das pequenas áreas. Waldvogel_(1998) coloca como
alternativa uma medida de erro relativo que consiste na soma em módulo das
diferenças entre a população projetada e a observada, ambas divididas por essa
última. Quando as projeções da grande área e das pequenas áreas são feitas de
forma independente, pode-se estimar, num primeiro momento, o erro decorrente
dessa diferença. Para tanto, somam-se as populações das áreas menores e o
resultado é dividido pela projeção da área maior (WALDVOGEL,_1998). Assim,
obtém-se um fator de correção para a soma das projeções das pequenas áreas que
é igual ao da grande área, como foi utilizado para Minas Gerais e suas
microrregiões.
Erros de distribuição
Dada a execução dessa compatibilização, quando necessário, pode-se estimar o
erro de distribuição da população. Trata-se de comparar a população projetada
com aquela observada e, por meio de uma padronização das participações na
população total, estimar o quanto da população projetada precisaria ser
realocada para se atingir a população observada. Pode-se também utilizar essa
medida de erro para comparar resultados de projeções com técnicas distintas.
Alguns autores usam esse tipo de padronização para mensurar desigualdade de
composição no mercado de trabalho entre categorias distintas, como sexo ou
status migratório (BATISTA;_CACCIAMALI,_2009). Em Economia Regional, essas
medidas são empregadas para identificar e mensurar a reestruturação regional,
associação geográfica ou temporal de atividades econômicas, entre outros
(HADDAD,_1989). Aqui, a medida padronizada que indica o erro de distribuição é
expressa como:
[/img/revistas/rbepop/v32n1//0102-3098-rbepop-32-01-0139-e08.jpg]
Onde ED é o erro de distribuição ou fator de redistribuição; Zi e Zj são as
populações, respectivamente, da pequena área i e da grande área j projetadas
segundo a técnica Z; e Ti e Tj são as populações da pequena área i e da grande
área j que foram observadas ou projetadas segundo uma técnica T.
Outra medida pertinente dos erros de distribuição é o coeficiente de correlação
de Spearman entre a população projetada e a observada (WALDVOGEL,_1998). Esse
coeficiente é um indicador de correlação de posição e serviria para comparar
projeções ou mesmo a projeção com a realidade para verificar se a técnica
empregada gerou alguma mudança na ordem ou hierarquia de tamanho das áreas
menores. Para possuir um indicador mais claro de erro, o coeficiente foi
invertido, subtraindo-o de uma unidade (1-rs) e apresentando-o em valores
percentuais. Assim, tem-se uma ideia crescente do erro provocado por uma
inferência de distribuição espacial da população, que provocou mudanças no
ranking de microrregiões.
Limites de aceitação
Existe uma dificuldade latente em definir ou justificar uma margem de erro
aceitável. Em geral, autores trabalham com uma margem de erro de 10%, para mais
ou para menos (SMITH,_1987; ÁLVAREZ,_2001; GONZÁLEZ;_TORRES;_CELTON,_2010;
GONZÁLEZ,_2010). Alguns autores, contudo, apontam que os erros de projeção
devem possuir limites de aceitação variáveis, segundo o horizonte de projeção e
o tamanho da população (SMITH;_TAYMAN;_SWANSON,_2001; BRITO;_CAVENAGHI;
JANNUZZI,_2010).
Brito,_Cavenaghi_e_Jannuzzi_(2010) salientam que o limiar ideal para a margem
de erro deve variar segundo o tamanho, uma vez que o crescimento de populações
é mais estável se comparado com populações menores. Quanto ao tempo, os autores
afirmam, em concordância com Smith,_Tayman_e_Swanson_(2001), que em horizontes
de aproximadamente dez anos a margem de erro pode variar entre 8% e 14%.
Wilson_e_Rowe_(2011), em sua análise sobre o Reino Unido, apontam que,
independentemente do tamanho da população, erros inferiores a 5% são
aceitáveis, entre 5% e 10% seriam considerados pequenos, entre 10% e 20%
considerados moderados e superiores a 20% estariam classificados como grandes
erros.
Nesse trabalho, optou-se por manter 5% como margem de erro relativo aceitável
para cada unidade, buscando um equilíbrio entre o rigor aceitável para o
horizonte de projeção (2000-2010) e o tamanho das microrregiões de Minas Gerais
(Tabela_1).
Análise dos erros de projeção
Quando são utilizadas as medidas de erro anteriormente discutidas para as
projeções elaboradas, torna-se possível constatar algumas assimetrias, como
mostra a Tabela_2.
TABELA 2 Medidas de erro de projeção, segundo técnicas aplicadas às
microrregiões Estado de Minas Gerais – 2010
Técnicas ED (%) RMS (%) 1-rs (%) Nº de microrregiões
ER ≥ 5ER ≤ -5|ER|≥ 5%
AiBi 1,593 0,240 0,255 10 6 16
Shift-share 2,282 0,310 0,476 11 13 24
Partição constante 1,768 0,078 0,284 35 2 37
Extrapolação linear 1,647 0,246 0,296 9 6 15
Extrapolação exponencia2,240 0,314 0,380 11 8 19
Fonte: IBGE. Censos Demográficos de 1991, 2000 e 2010; IBGE_(2008).
Nota: ED – erro de distribuição; RMS – root mean square; ER – erro relativo.
Comparando as técnicas utilizadas por meio do erro de distribuição (ED),
observa-se que AiBi é a mais compatível com a distribuição da população entre
as microrregiões observada em 2010, sendo a técnica shift-share a menos
verossímil, juntamente com a extrapolação exponencial. De todo modo, erros de
distribuição abaixo de 2,5% podem ser considerados razoáveis para este
indicador.
Quando analisado o valor quadrático médio dos erros (root mean square ou RMS),
em percentual da população observada, constata-se que a partição constante
possui o melhor indicador, ou seja, menor percentual de erro. Vale lembrar que
a RMS salienta os maiores desvios, mas não evidencia a direção dos erros nem a
distribuição dos mesmos. Ainda assim, shift-share e a extrapolação exponencial
continuam a ser as duas técnicas com indicadores menos favoráveis.
Uma vez mais, AiBi mostrou-se como a técnica com menor erro, seguida pela
partição constante e extrapolação linear. Nota-se, também, que shift-share e a
extrapolação exponencial apresentaram indicadores piores em relação às demais
técnicas experimentadas. A técnica AiBi utiliza a partição do crescimento, ao
passo que as demais são função do tamanho populacional. Assim, os resultados
podem apresentar idiossincrasias do estudo de caso, pela dimensão das unidades
e pelo comprimento do horizonte de projeção, não havendo garantias de que
outras unidades espaciais tenham o mesmo comportamento.
Por fim, consideraram-se também os erros relativos de cada microrregião (ER),
ou seja, a razão entre o desvio absoluto (população projetada subtraída a
população observada) e a população observada. Admitindo-se um erro relativo em
módulo de 5% como razoável, contabilizaram-se aquelas microrregiões que
apresentam, para cada técnica, valores para além desse limiar. Os resultados
mostram que a partição constante possui o maior número de microrregiões com
valor igual ou superior a 5% de erro relativo em módulo.
Extrapolação linear e AiBi apresentaram um número menor de microrregiões nessa
situação, com uma distribuição também mais equilibrada entre valores acima de
5% e abaixo de -5%. Vale também a observação de que valores acima de 5% indicam
que as projeções registraram valores acima dos observados em 2010, e projeções
abaixo de -5% de erro relativo tiveram valores inferiores aos observados.
Projeções com erros entre -5% e 5% foram consideradas razoáveis para este
exercício. As técnicas de extrapolação exponencial e shift-share, uma vez mais,
mostraram-se como as menos confiáveis a partir dos indicadores de erro de
projeção.
Avaliando a Figura_1, que apresenta os mapas com a distribuição espacial dos
desvios em relação à população observada por microrregiões, pode-se inferir que
existe maior concentração dos erros acima de 5% nas microrregiões mais
meridionais do Estado, ao passo que na região do Triangulo Mineiro e Nordeste
os erros tendem a ser menores que -5%. Pode-se levantar a hipótese de
desaceleração, na qual regiões que possuíam maior tendência de crescimento no
sul cresceram menos, ao passo que as regiões que costumavam perder população ou
participação tiveram menos perdas na última década, influenciando as projeções
que seguiam as tendências da década de 1990. Ressalta-se que a partição
constante parece ter uma distribuição pouco aderente a esta hipótese, mas que
indica uma inconsistência do pressuposto de participação constante no tempo e
no espaço, comparando com as demais técnicas apresentadas nos mapas da Figura
1.
[/img/revistas/rbepop/v32n1//0102-3098-rbepop-32-01-0139-gf02.jpg]Fonte: IBGE.
Censos Demográficos de 1991, 2000 e 2010; IBGE_(2008).
FIGURA 1 Distribuição espacial dos erros relativos de projeção por diferentes
técnicas de extrapolação matemática, segundo microrregiões Estado de Minas
Gerais – 2010
Partiu-se da hipótese de que os erros relativos considerados elevados (acima de
5% ou abaixo de -5%) para essas microrregiões não decorrem de baixa precisão da
projeção do crescimento natural, mas sim dos efeitos da migração. Essa hipótese
apoia-se, essencialmente, no fato de a migração ser uma componente de difícil
controle em projeções em função de sua sensibilidade a variações econômicas,
ambientais e sociais. Além disso, grande parte das microrregiões com erros
altos, especialmente no Triângulo Mineiro e sul de Minas, apresentou elevado
dinamismo econômico na primeira década deste século, o que certamente contribui
para a instabilidade das projeções de migração.
Para testar essa hipótese, realizou-se um teste de correlação de Pearson entre
migração e algumas variáveis que poderiam indicar uma fonte de instabilidade, a
saber, número de imigrantes, emigrantes, saldo migratório, taxa líquida de
migração, população total e taxas de crescimento médio (resultados não
apresentados nesse artigo).
As informações sobre migração foram retiradas do Censo de 2000 (variáveis de
estoque populacional ou "data-fixa") e as taxas de crescimento referem-se aos
Censos de 1991, 2000 e 2010. Os resultados identificaram uma moderada
associação entre os erros de projeção das diferentes técnicas empregadas e as
variáveis de migração (rpearson com valores entre 0,3 e 0,7 com nível de
significância 0,05), o que corrobora razoavelmente a hipótese do efeito da
mobilidade sobre os erros altos verificados nas microrregiões indicadas na
Figura_1.
Destaca-se, por fim,11 a microrregião de Belo Horizonte, apresentando com
frequência erros de projeção acima de 5%. O declínio do crescimento de
municípios pertencentes a essa microrregião em relação à década de 1990 pode
ser a causa desse indicador, lembrando que a principal fonte de instabilidade
de pequenos domínios é a componente migração.
Considerações finais
O objetivo deste trabalho foi apresentar e discutir algumas técnicas de
projeção de pequenas áreas e exemplos de aplicação, bem como a discussão de
seus limites a partir de alguns indicadores de erros de projeção. Os resultados
mostram que técnicas como partição do crescimento, ou AiBi, são mais
verossímeis por não serem diretamente determinadas pelo tamanho da população,
mas sim pela participação das pequenas áreas no crescimento da área maior.
Salienta-se que as projeções utilizando a técnica AiBi tendem a ser mais
precisas quando: i) o erro de projeção da grande área é pouco significante ou
pequeno; ii) a população da pequena área possui uma relação aproximadamente
constante entre o seu crescimento e o da grande área; ii) comparando o conjunto
das projeções, existe um número menor de pequenas áreas, sendo cada fração mais
determinante no comportamento do crescimento da grande área; iii)
independentemente do número de áreas, as relações são constantes entre os dois
níveis hierárquicos; iv) não há diferenças muito grandes entre as dimensões das
pequenas áreas, pois nestes casos as menores, entre as pequenas áreas,
tenderiam a se distanciar mais da grande área em termos de tendência.
Por outro lado, a aderência das projeções definidas pela função linear às
informações sobre a população observada em 2010 pode ser explicada pela
precisão da técnica em intervalos de tempo ou horizontes de projeção menores.
Esse efeito é esperado em qualquer técnica de projeção aplicada e, no caso das
microrregiões de Minas Gerais, parece indicar uma idiossincrasia no período
observado. Mesmo que uma função não linear descreva melhor a tendência
histórica de uma população que sofra um processo de desaceleração e aproxima de
zero, a dimensão do horizonte acaba por aproximar o comportamento de
crescimento dessa população a uma função linear.
Erros de projeção ocorrerão sempre, mas erros maiores para além de limiares
considerados aceitáveis devem-se à instabilidade da população, ou a limitações
técnicas. Assumindo que as técnicas foram aplicadas com razoável precisão, cabe
apresentar algumas possíveis fontes de instabilidade que limitam o uso dessas
técnicas, a saber, os efeitos dimensionais, temporais e espaciais. Vale
ressaltar o pressuposto aqui assumido de que a população observada seja, de
fato, a população real, descartando a possibilidade de que os erros de
cobertura censitária sejam o motivo das dissonâncias ou erros de precisão.
O efeito dimensional refere-se ao tamanho da unidade a ser projetada. Como já
apontado, quanto menor for o tamanho da população, maiores serão a variância e,
consequentemente, o erro. A escolha por microrregiões determina que o erro seja
menor por se tratar de conjuntos de municípios. Na prática, as técnicas de
projeções de pequenas áreas são exigidas para a projeção de municípios ou
distritos, o que eleva os indicadores de erro de projeção. Tal elevação é
intuitiva, pois, ao considerar que indivíduos são unidades irredutíveis de uma
população, a menor dimensão do conjunto aumenta a variabilidade do tamanho
populacional ao longo do tempo, ampliando o impacto que oscilações das
componentes demográficas têm sobre o crescimento. Quando aplicadas algumas
medidas de correlação entre tamanho populacional e erros relativos e absolutos
de projeção, não foram encontrados valores significativos que comprovem essa
hipótese para as microrregiões neste exercício.
O efeito temporal refere-se à influência do período base e do horizonte de
projeção nos valores finais a serem determinados. Sabe-se que os erros tendem a
aumentar quanto maior for o horizonte de projeção. Como metáfora, o efeito
dimensional seria fazer com que qualquer objeto torne-se tão diminuto até
dificultar a identificação de sua forma. O efeito temporal seria como colocar o
mesmo objeto a uma distância tal que as formas ficariam similares e não
identificáveis, até se tornar um ponto. O contrário também é verdadeiro, pois,
em horizontes reduzidos, os erros de projeção tendem a ser menores e, no
limite, intervalos pequenos assemelham-se a crescimentos lineares da população,
parte do que expressa o comportamento dos resultados desse artigo.
Porém, o efeito temporal possui outro elemento, ou seja, as mudanças históricas
não observáveis em modelos matemáticos de predição. Isso acontece quando o
horizonte de projeção apresenta ocorrências reestruturantes que provocam
determinações no crescimento populacional e que não foram observadas, ou
consideradas, na identificação do período base. Neste exercício, o intervalo de
dez anos talvez não tenha sido suficiente para mudanças significativas de
redistribuição espacial da população, ou mesmo no seu ritmo de crescimento,
explicando porque a extrapolação linear encontrou resultados razoáveis neste
exercício. Em verdade, vale também notar que, mantendo o intervalo ou horizonte
de projeção constante, num cenário de redução do ritmo de crescimento
populacional, as projeções feitas por ajuste de equações lineares tendem a se
ajustar cada vez melhor.
Por fim, o efeito espacial refere-se à influência de elementos espaciais
exógenos às técnicas aqui apresentadas. Os mapas permitem inferir certa
associação espacial dos erros de algumas técnicas, possivelmente influenciadas
por uma convergência do crescimento populacional. A hipótese de convergência
seria plausível se a proximidade das taxas de crescimento microrregionais em
relação à da Unidade Federativa fosse significativamente correlacionada aos
erros de projeção, o que não é verdade (rpearson < 0,30).
Vale ressaltar o efeito espacial possível a partir de redistribuição de fatores
determinantes do crescimento populacional, ou seja, mudança na distribuição dos
fatores de produção ou, em sentido mais amplo, dos fatores de atração e
repulsão. Essas mudanças espaciais, de tendências de crescimento ou de mudanças
não tendenciais, provocam fortes alterações no crescimento da população em suas
partes e em sua totalidade (SANTOS,_2010). Dessa forma, mudanças histórico-
geográficas não são passíveis de identificação exata por métodos formais,
todavia suas informações são elementos sensíveis que podem ser captados e
incorporados nos ajustes das projeções.
Em suma, destaca-se que estas diferenças entre população projetada e observada
ocorrem por efeitos para além das estruturas das técnicas, sendo que seus
efeitos puros são difíceis de captar, mesmo por modelos mais sofisticados. Para
análise regional e demandas de diagnóstico, estas técnicas atendem a
necessidades imediatas, guardadas suas limitações, mas deve-se recordar que a
população, como qualquer totalidade, é mais do que a soma das partes. Ainda que
seja um conceito quantitativo, população possui determinantes que não são
hierarquicamente constitutivos, sendo também por isso necessário o diálogo
entre cientistas sociais de várias áreas para a construção de projeções mais
sensíveis à realidade que se tenta entender e retratar.
1Para um maior conhecimento da agenda recente de trabalhos sobre aplicações de
técnicas de projeção na América Latina, ver Cavenaghi_(2012).
2Uma alternativa seria construir um modelo de projeção com variáveis
sintomáticas, além do uso da tendência, e avaliar a qualidade do modelo por
meio da significância estatística das covariáveis dentro do período base (1991
a 2000). Contudo, como será visto a seguir, esse trabalho irá comparar técnicas
que levam em consideração a tendência, sem levantar variáveis sintomáticas e,
por isso, torna-se possível validar as técnicas somente em comparação com a
população observada fora do período base. Outro ponto sensível é o fato de
existirem problemas de cobertura no processo de coleta de dados que implicam a
geração de desvios entre a população registrada/observada no censo e a
população real.
3Entende-se que a discussão sobre projeções de populações abertas exige um
trabalho exclusivo. A respeito da discussão entre fatores exógenos sobre a
instabilidade das componentes demográficas, bem como dos desafios de modelagem
e simulação, ver United_Nations_(1974, 1989), Isnard_(1960) e Rogers_(1985).
4No contexto das técnicas de extrapolação, a população que se quer projetar
pode ser denominada população-alvo. Para a projeção, podem-se utilizar duas
referências temporais, uma mais recente que servira de ponto de partida
(população inicial) e uma mais antiga (população base) que, em comparação com a
população inicial, fornecerá informações sobre o comportamento do crescimento
dentro de um período que se denominará período base (diferença entre o ano base
e o ano inicial de projeção).
5Entende-se como "instabilidade" variações no crescimento populacional que
dificultam a predição. Como será descrito ao longo do artigo, a instabilidade é
maior em situações de grande crescimento populacional ou populações de pequenas
dimensões, situações em que oscilações econômicas e ambientais de curto prazo
dificultam a predição. Efeitos de correlação espacial e o tamanho do horizonte
de projeção também afetam negativamente a precisão das projeções essencialmente
tendenciais, caracterizando um desafio técnico de estimação.
6Do inglês forecasting. Em português usam-se, indistintamente, os dois termos
como projeções.
7Sobre precisão e o uso da escala como categoria de análise, ver Gibson_e
Ostrom_(2000), Vainer_(2002), Castro_(2002) e Barbieri_(2007).
8Para a extrapolação linear o fator determinado foi de 0,997, enquanto para a
extrapolação exponencial foi de 0,971.
9A projeção em foco trata-se de um exercício que, na escala utilizada, é útil
para a visão de unidades de planejamento supramunicipais. Os mesmos métodos
podem ser utilizados na escala municipal ou intramunicipal, incluindo
possibilidades de repartição em dois níveis ou mais níveis com o uso de
variáveis sintomáticas ou de tendência para atender à demanda de políticas
públicas.
10Raiz quadrada da média dos quadrados dos erros absolutos (diferença entre
população projetada e observada).
11Apesar de não ser objeto da discussão central, vale destacar que o erro médio
das projeções do IBGE_(2008) para o Brasil, em 2010, foi de 1,31%, ao passo que
para o Estado de Minas Gerais foi de 3,12%. O ED para a projeção do país por UF
foi de 0,73%, RMS de 0,122% e apenas duas Unidades Federativas apresentaram
valores de erros relativos acima de 5% em módulo: Bahia (5,34%) e Tocantins (-
5,81%).