A imigração polonesa para São Paulo no pós-Segunda Guerra Mundial no quadro das
entradas dos "deslocados de guerra": 1947 a 1951
Introdução
As origens da imigração em massa no Brasil, assim como na Argentina, EUA e
Canadá, remontam a meados do século XIX, como é bastante conhecido, em virtude
da crise geral provocada pela instabilidade política e econômica resultado
tanto das guerras napoleônicas como da industrialização nos países europeus,
sobretudo aqueles de unificação tardia como a Itália e a Alemanha. No caso
brasileiro, as primeiras levas até finais do século constituíram-se, em sua
maioria, por imigrantes provenientes da Espanha, Portugal e norte da Itália.
No contexto das migrações internacionais, os estudos têm ressaltado
suficientemente que o Brasil, país de imigração, que tradicionalmente recebeu
imigrantes de diferentes nacionalidades, sobretudo no período da "grande
imigração", entre as décadas finais do século XIX e as primeiras do século XX,
apresenta, a partir dos anos 1980, tendência à emigração. Dada a importância
dos fluxos para a agricultura cafeeira, muitas pesquisas foram produzidas no
sentido de ressaltar a transição do trabalho escravo para o trabalho livre
(FAUSTO, 1991), fazendo com que o tema da imigração propriamente dita ficasse,
de certa forma, secundário em relação ao problema maior da transição e que os
estudos se centrassem na imigração rural. A experiência urbana da imigração e
os fluxos do pós-Segunda Guerra Mundial revestem-se, desta forma, da maior
importância para a história da imigração no Brasil e o real dimensionamento do
seu peso no contexto geral da industrialização.
Assim, o objetivo do presente artigo é traçar um perfil dos imigrantes de
nacionalidade polonesa em São Paulo no contexto mais geral da imigração do pós-
Segunda Guerra Mundial, em que os poloneses entraram juntamente com as demais
nacionalidades dos chamados "deslocados de guerra", no período 1947-51, quando
as entradas, em sua maioria, foram patrocinadas pela Organização Internacional
dos Refugiados. Assim, na retomada da imigração pelo Brasil, em 1945, a
legislação imigratória, apesar da preferência por imigrantes de origem latina
como portugueses, espanhóis e italianos, discutiu e aprovou a entrada daqueles
provenientes dos campos de refugiados da Alemanha e da Áustria, em parte por
razões humanitárias que eram propaladas, mas sobretudo pelo caráter técnico e
especializado desses imigrantes que possuíam qualificação muitas vezes obtida
nos próprios campos.
As fases da imigração brasileira: da imigração de massa ao pós-guerra
Costuma-se datar a retomada da imigração pelo governo brasileiro em 18 de
setembro de 1945, quando, ainda dentro do Estado Novo, foi sancionado o
Decreto-Lei n. 7.967, segundo o qual o Brasil reabre a imigração, embora
mantendo o sistema de cotas que havia imprimido o caráter restritivo à
imigração que caracterizou a era Vargas desde 1934. Tal sistema restritivo
estabelecia que, de cada nacionalidade, só podia imigrar anualmente para o país
2% do total que havia entrado entre 1884 e 1934, de acordo com o artigo 121 da
Constituição de 1934 (KOIFMAN, 2012).
Baseando-se em artigo de Levy (1974), que reúne as estatísticas disponíveis
para a análise dos diferentes períodos que compõem o processo imigratório
brasileiro, Bassanezi (1995) assinala quatro momentos, mais longos e de maior
intensidade, de entradas de imigrantes, separados por períodos mais curtos de
declínio abrupto. No primeiro, caracterizado pela política de imigração
subsidiada e pela direção do fluxo às lavouras cafeeiras do oeste do Estado de
São Paulo, ocorreu a entrada maciça de imigrantes, em sua maioria italianos,
constituindo o "período áureo" da imigração italiana, de 1886 até 1902, quando
então a Itália proibiu, pelo Decreto Prinetti (1902), a imigração subsidiada
para o Brasil, momento que coincidiu com a crise da economia cafeeira que se
desencadeou no final do século XIX (CENNI, 2002; TRENTO, 1989). O segundo
iniciou-se com a política de valorização do café e com a assinatura do Convênio
de Taubaté em 1906 e se encerrou às vésperas da Primeira Guerra Mundial. Neste
período ocorreu o crescimento das imigrações portuguesa e espanhola e o começo
da japonesa. O terceiro, iniciado no final da Primeira Guerra Mundial e que vai
até o fim do Estado Novo e da Segunda Guerra Mundial, caracteriza-se por um
aumento no volume da imigração portuguesa e das entradas daqueles imigrantes
classificados como "outras nacionalidades" (poloneses, russos, romenos, judeus,
etc.), além de japoneses. É o período em que se encerrou a política de
imigração subsidiada, apresentou-se novamente uma crise de superprodução
cafeeira, que teve seu ponto culminante em 1929-30, e iniciou-se a política de
restrições à imigração.
O quarto período, iniciado portanto no pós-Segunda Guerra Mundial, se
caracteriza por um afrouxamento das restrições anteriores, apresentando um
volume de entradas bem inferior ao anterior e no qual se inserem os "deslocados
de guerra".1 Os maiores números de entradas, a partir de 1950, corresponderam
aos portugueses, seguidos pelos italianos, espanhóis e finalmente pelos
chamados "outras nacionalidades", rubrica sob a qual costumam aparecer as
nacionalidades que compõem os "deslocados". Os japoneses também registraram
números bastante expressivos a partir dos anos 1950.
Nesse período a cafeicultura deixou de ser o polo mais dinâmico da economia e
de atração de imigrantes, para ceder lugar à indústria e à colonização
agrícola. Passaram a vigorar basicamente a imigração espontânea, que se dava
por meio das "cartas de chamada" de parentes e oferta de empregos, a qual se
caracterizava por grupos e cooperativas com vistas, sobretudo, à colonização
agrícola, e a imigração dirigida, orientada pelos convênios entre o governo
brasileiro e organismos internacionais. A partir dos anos 1960, declinou
novamente o movimento imigratório, que se limitou a técnicos e profissionais,
instituindo-se o ingresso dos coreanos2 e, a partir da década de 1980,
ocorreram um fluxo significativo de latino-americanos e um movimento no sentido
contrário, de emigração de brasileiros para países desenvolvidos como Japão,
países da Europa e EUA (BAENINGER, 2012).
Os mais importantes acordos que o Brasil assinou no pós-Segunda Guerra Mundial
foram com países afetados pela guerra, como Itália, Espanha, além do Japão e da
Holanda. Quanto aos deslocados e refugiados, foram criados organismos
internacionais, como a United Nations Relief and Rehabilitation Administration
(UNRRA), agência criada sob os auspícios dos Estados Unidos e que foi
substituída pela Organização Internacional dos Refugiados (OIR), em 1947, que
tinham como objetivos o repatriamento e a colocação das populações deslocadas
pela guerra. O Brasil, assim como o Estado de São Paulo, assinou acordos para
entrada de imigrantes "deslocados de guerra", que se encontravam em campos de
refugiados na Alemanha e na Áustria. Em matéria de imigração, a novidade é
realmente a criação dos organismos internacionais, que passaram a se encarregar
da repatriação ou colocação dos imigrantes europeus em outros países da Europa,
na Austrália, no Canadá, nos EUA e em países latino-americanos, cada um dos
quais passando a determinar as regras e condições para a entrada de imigrantes.
Como chama a atenção Lobo (1950), a partir da Primeira Guerra Mundial, foram
introduzidas profundas transformações na estrutura política, econômica e social
de todo o mundo, particularmente nos países envolvidos na emigração/imigração,
de modo a criar exigências e condições muito diferentes daquelas do período
anterior, que se caracterizava pelo regime liberal do laissez faire. Segundo o
autor, as migrações não mais poderiam se ajustar aos antigos métodos e às
organizações já obsoletas, por se basearem na ação unilateral de indivíduos ou
de nações interessadas. Impunham-se, então, a coordenação e a cooperação no
campo internacional.
Os "deslocados de guerra" e o debate sobre sua entrada
O Brasil foi um dos primeiros países a se interessar pela seleção desse tipo de
imigrantes, bem como um dos primeiros signatários do Acordo proposto pela ONU
para colocação desses imigrantes (ANDRADE, 2005), o que, segundo Lobo (1950),
denota não o propalado desejo de ajudar a resolver um problema humanitário, mas
sim o interesse pela mão de obra qualificada dessas pessoas. Os chamados
"deslocados de guerra" são caracterizados pela saída forçada de seus países e
pelo trabalho forçado nos campos de concentração durante a guerra. Eles
possuíam treinamento técnico e qualificação profissional e se caracterizavam
por apresentar um número grande de jovens treinados e com capacitação para o
trabalho industrial.
A Revista de Imigração e Colonização (RIC), publicação do Departamento de
Imigração e Colonização, mostra em artigos publicados desde o período anterior
ao final da guerra posições bastante díspares com relação à entrada dos
chamados "deslocados": alguns ressaltavam as qualidades desses imigrantes como
técnicos e qualificados, enquanto outros destacam os perigos de se receber uma
população não latina e traumatizada pela guerra. Não se deixava de valorizar
aqueles imigrantes considerados mais adequados ao país, ou seja, italianos,
portugueses e espanhóis, pela sua origem latina e religião, línguas e culturas
mais próximas, argumento que sempre pautou a política imigratória brasileira
que valorizava o branqueamento da população e a mais fácil assimilação. A RIC
reproduzia artigos publicados pela grande imprensa, a legislação em vigor,
relatórios, dados, estudos e pareceres, que eram consultados por técnicos e
autoridades diplomáticas, "em busca de uma orientação para a questão
imigratória brasileira" (PERES, 1994, p. 54).
Ao se aproximar o final da guerra, sobretudo o término da década de 1940, os
artigos refletem não apenas discussões sobre a necessidade da imigração e da
seleção, mas também as medidas concretas que foram aparecendo no sentido da
introdução de novos imigrantes. O bom imigrante continuava sendo o agricultor,
mas aparecia claramente a necessidade do novo, do técnico, do indivíduo
qualificado para o trabalho industrial. Assim, os artigos do período de 1947 a
1950 da RIC aliam imigração e desenvolvimento, rumo ao Brasil do futuro, o
Brasil moderno, só se admitindo mão de obra menos qualificada para trabalhos
mais simples, salientando-se a destinação industrial, para a qual interessa o
estrangeiro que já possuía comprovada especialidade ou aptidão técnica,
deixando para o elemento brasileiro local as atividades não especializadas ou
incentivando as migrações internas dirigidas.3 Defendia-se, para isso, o núcleo
familiar e, como dizia um articulista da revista, era necessária uma comparação
das curvas de progresso do Brasil e dos EUA para se entenderem as diferenças
não apenas de solo e clima, mas também de ordem moral e psicológica. Para
Medeiros (1947), o europeu que fundou a "comunhão norte-americana"
transportava-se para aquele país levando consigo o núcleo fundamental afetivo
da agregação humana: a família.
O acordo para a recepção dos deslocados foi firmado com a United Nations
Refugee Repatriation Association (UNRRA) em abril de 1947, selecionando, na
medida do possível, grupos de agricultores, mas também de todas as profissões,
cabendo a colocação ao Ministério do Trabalho e ao governo de São Paulo, estado
pensado como destino preferencial desses imigrantes, conforme destaca Latour
(1947). Segundo esse autor, as profissões mais procuradas eram: mecânico de
todas as categorias e graus de especialização para montagem, reparação e
conservação de motores e máquinas; operários e especialistas em fiação e
tecelagem; especialistas em indústrias químicas; operários e especialistas em
indústrias metalúrgicas; e operários de indústria de extração de carvão
(LATOUR, 1947, p. 114).
A imigração polonesa no contexto do pós-Segunda Guerra Mundial
Assim, algumas características da imigração polonesa que serão apresentadas
adiante encontram-se no contexto descrito para os deslocados, como a questão do
caráter familiar da migração. Além disso, as correntes provenientes da Europa
Centro-Oriental já se dirigiam ao Brasil desde as décadas finais do século XIX.
Em geral, tanto poloneses como ucranianos, húngaros e baltas foram afetados por
uma emigração mais ou menos forçada, desde finais do século XIX, em função de
vários fatores socioeconômicos e políticos que determinaram o retalhamento de
suas terras, forçando milhares de pessoas a abandoná-las, principalmente nas
províncias incorporadas ao Império Austro-Húngaro; uma segunda leva de
emigrantes saiu por motivos políticos no final da Primeira Guerra e uma
terceira no final da Segunda Guerra.
Por ocasião da visita da comissão brasileira aos campos de refugiados da
Alemanha e da Áustria, havia cerca de um milhão de pessoas "deslocadas" que não
desejavam voltar para as suas regiões de origem (PAIVA, 2000).4 Os poloneses
formam o maior grupo dos "deslocados" que se dirigiram ao Brasil e, segundo
Lobo (1950), destacavam-se por um nível profissional e educacional elevado,
professavam religião católica e eram provenientes de regiões agrícolas da
Polônia.
Os poloneses correspondiam a 30% do contingente de deslocados reunidos nos
campos de refugiados, seguidos pelos israelitas (20%) e baltas5 (17%), onde
também se encontravam ucranianos,6 russos, iugoslavos e apátridas. Viviam fora
dos campos os Volksdeutsche, depois incorporados à proteção da OIR,7 de origem
remota alemã que viviam há várias gerações em outros países como a
Tchecoeslováquia e a Iugoslávia e que, depois da guerra e em função de vários
acordos, foram enviados à Alemanha e à Áustria, onde somavam 200.000 pessoas,
com excelentes referências de trabalho profissional.
Apesar das diferentes experiências anteriores de cada um dos grupos, aqueles
que já haviam vivido alguns anos nos campos de refugiados possuíam um elemento
em comum: o treinamento profissional e alguma habilidade técnica, que os
tornavam atraentes como possíveis candidatos à emigração e permitiriam, aos que
pretendiam recompor suas famílias, que viessem acompanhados de esposas e filhos
e, muitas vezes, de seus pais ou sogros ou outros parentes.
Decol (1999) estima o ingresso de mais de 200 mil poloneses no Brasil, nas
sucessivas levas ingressantes em diferentes períodos. Em termos numéricos, o
autor assinala que se trata de um fluxo correlato ao japonês (250 mil) e ao
alemão (220 mil) e, em relação aos imigrantes provenientes do centro-leste
europeu, o grupo polonês é o mais numeroso. Tampouco se pode desconsiderar o
fato de que muitos foram classificados, nas estatísticas oficiais, como
alemães, austríacos ou russos,8 dado que o território encontrava-se sob domínio
das potências imperialistas e não constam dessas estatísticas como poloneses.9
Decol aponta dois períodos de maior intensidade desse fluxo: o primeiro
compreende os anos 1925 até as vésperas da Segunda Guerra Mundial; e o segundo
corresponde ao pós-Segunda Guerra.
Em São Paulo, a imigração intensificou-se nos períodos anteriores e posteriores
às duas guerras mundiais,10 caracterizando-se pela presença de pequenos
comerciantes, profissionais liberais e operários em geral, que trabalhavam em
oficinas, serrarias, etc. Os grupos que se diferenciavam na Polônia, segundo a
religião, estavam também representados em São Paulo: católicos romanos,
ortodoxos, protestantes e judeus. Na Polônia antes da guerra concentrava-se a
maior população de origem judaica da Europa (DECOL, 1999), além de inúmeras
etnias em convívio, independentemente da língua falada, costumes e religião.
O banco de dados e a imigração polonesa para o Brasil do pós-Segunda Guerra
Mundial
Desenvolvido entre 2003 e 2008 no âmbito do projeto "Novos imigrantes: fluxos
migratórios e industrialização em São Paulo no pós-Segunda Guerra Mundial 1947-
80", o banco de dados que reúne os documentos analisados no presente artigo foi
construído a partir da documentação11 então custodiada pelo Memorial do
Imigrante/SP, com apoio da Fapesp, numa parceria institucional entre o Memorial
e o Núcleo de Estudos de População (Nepo/Unicamp). A proposta então era
analisar a dinâmica dos "novos" fluxos migratórios para São Paulo no período
pós-Segunda Guerra Mundial, particularmente a inserção de trabalhadores
considerados mão de obra qualificada oriundos da Europa e do Japão, em resposta
ao crescimento da demanda por esse tipo de mão de obra para a indústria e a
agricultura que se mecanizavam, especialmente no Estado e na cidade de São
Paulo.
O banco de dados compreende as seguintes séries documentais: pedidos de mão de
obra qualificada; avisos de chegada de imigrantes; ficha de registros de
refugiados e deslocados de guerra; fichas de registros de imigrantes;
curriculla vitae de imigrantes interessados em emigrar para o Brasil; fichas de
colocação em empresas; e documentos pessoais. Os dados foram sistematizados em
45 campos, distribuídos em três tabelas: principal, acompanhante e profissão.12
Para o presente artigo, foram trabalhadas as informações referentes aos campos
nacionalidade, naturalidade, origem, sexo, idade, estado civil, procedência,
destino, posição familiar, profissão, empresa (contratadora), residência, data
da chegada e observação.
Do ponto de vista cronológico, este conjunto documental divide-se em duas
fases. A primeira corresponde ao período 1947-1951, englobando entradas
majoritárias de refugiados de guerra, que, como se viu, constituem um grupo de
imigrantes provenientes do centro e leste europeus e que entram basicamente
pelos organismos internacionais, no caso, a Organização Internacional das
Migrações (OIR) e Hebrew International Assistance (HIAS), encarregados do
repatriamento e colocação em países europeus e não europeus.
A partir de 1952, após a extinção da OIR e criação do Comitê Intergovernamental
para as Migrações Europeias (Cime), as entradas passaram a ser organizadas por
este último e pelos acordos bilaterais entre os países, até o final dos anos
1970. Nesse período, modifica-se o perfil dos imigrantes, com entradas de
diversas nacionalidades (italianos, espanhóis, alemães, suíços, japoneses,
etc.), cuja característica básica é sua inserção urbana e industrial, sobretudo
em São Paulo (SAKURAI; SALLES; PAIVA, 2008).
Do ponto de vista imigratório, o período do pós-Segunda Guerra Mundial
caracteriza-se como a retomada da política imigratória, com o Decreto-Lei n.
7.967 de 18/09/1945, como visto anteriormente. Segundo o artigo n. 38 desse
Decreto, a imigração dirigida ocorre quando o poder público, empresa ou
particular promove a introdução de imigrantes, hospedando-os e localizando-os.
E, no primeiro parágrafo, é apontada a preferência por famílias com pelo menos
oito pessoas aptas para o trabalho, entre 15 e 50 anos (DIC, 1952, p. 121-124).
Revogado esse Decreto com a Resolução do Conselho de Imigração e Colonização n.
1.676, de 18/10/1950, suprime-se o regime das cotas para imigrantes das
nacionalidades portuguesa, espanhola, francesa e italiana. A partir de então,
inúmeros acordos se firmaram entre o Brasil e os países europeus e o Japão.
O banco de dados reúne 18.369 registros de ingressos no período 1947 a 1951,
sendo os poloneses (26%) o maior grupo entre 74 nacionalidades. Ressalta-se que
19% dos registros encontram-se sem identificação da nacionalidade, o que
resulta, provavelmente, de erro da digitação, omissão do documento ou ainda
trata-se de imigrantes indocumentados, que preferiam que sua origem fosse
ignorada.13 Os apátridas totalizam 11% dos ingressos e constituem o terceiro
maior grupo, seguidos pelos ucranianos (9%). Com 6% destacam-se os húngaros,
iugoslavos e russos; com 3% os de nacionalidades letã, italiana e lituana; com
2% os de nacionalidades checoslovena e romena e com 1% os alemães, holandeses,
estonianos e armênios. Com menos de 1% estão os de nacionalidades búlgara,
austríaca, grega, portuguesa, espanhola, japonesa, brasileira, croata,
colombiana, albanesa, turca, belga, chinesa, estadunidense, finlandesa,
georgiana, libanesa, sueca e suíça.
Diferentemente dos imigrantes de períodos anteriores, os refugiados ingressaram
pelo porto do Rio de Janeiro e foram acolhidos na Hospedaria da Ilha das
Flores. Uma vez identificado São Paulo como destino inicial, abrigaram-se
provisoriamente na Hospedaria do Campo Limpo, localizada no município de Campo
Limpo, visto que a Hospedaria de Imigrantes encontrava-se ocupada pela Escola
de Aeronáutica (PAIVA, 2000).
No banco de dados completo constam 4.765 poloneses entrados no período de 1947
a 1978, sendo que para 17 pessoas o ano de ingresso é ainda anterior a 1947, o
que pode indicar que se trata de uma solicitação de colocação profissional, ou
seja, não se enquadram necessariamente na condição de "deslocados de guerra".
Entre 1947 e 1951, período selecionado para estudo, ingressaram 4.718
poloneses, dos quais 1.619 foram considerados imigrantes principais (71
mulheres e 1.548 homens) e 3.099 acompanhantes (2.132 mulheres e 967 homens).
Observa-se a presença de famílias, embora o número reduzido de acompanhantes
não indique a família ampliada, visto que o banco reúne baixa incidência de
primos(as) (2), sobrinhos(as) (7), sogros(as) (15), cunhados(as) (10), enteados
(as) (35), irmãos(ãs) (47), netos(as) (6), noras (6), pais (14), mães (32), uma
tia, um avô e uma madrasta. Nove esposas e quatro filhos constam da tabela
principal como os responsáveis pelo registro, devendo-se destacar, neste
sentido, o equilíbrio entre o número de chefes de família (1.235) e o de
esposas (1.253), bem como o predomínio de filhos(as) (1.667) e, ainda, a
existência de 405 pessoas que não esclarecerem sua posição de ingresso.
Ressalta-se também a possibilidade de reunião familiar, com as nove esposas
vindo encontrar os maridos já estabelecidos anteriormente no país. Assim, o
caráter familiar é dado pela composição das famílias pelo chefe, esposa e
filhos acompanhados de parentes e poucos agregados (5).
Nota-se que 320 pessoas (20%) vieram desacompanhadas e, no que se refere à
composição das famílias, prevalecem aquelas com três membros (458, ou 28%),
seguidas pelas compostas por duas pessoas (363, ou 22%), ou seja, famílias
pequenas. A análise da cidade de nascimento declarada pelo imigrante principal
permite identificar 13 diferentes nacionalidades, com predomínio da polonesa
(738, ou 46%). Observa-se que o campo nacionalidade não foi preenchido de forma
satisfatória, pois, apesar de se referir aos poloneses, a consolidação dos
dados possibilita quantificar outras nacionalidades a partir do campo
naturalidade: russa (28), alemã (18), ucraniana (16), romena (3), americana
(3), italiana (2), húngara (2), lituana (2), polonesa ucraniana (2), iugoslava
(2), checoslovena (1) e turca (1).
O campo destinado à formação escolar do imigrante não foi convenientemente
preenchido. A formação de nível superior, em alguns casos, foi identificada a
partir da análise da profissão declarada (3) ou do campo observação, o qual
reuniu informações diversas, possibilitando identificar solicitação de visto de
saída para outros países (principalmente, na década de 1950),
14
dados sobre a profissão registrada no passaporte, reclassificação da
profissão, núpcias, óbitos, dados sobre contratação profissional (empresa,
endereço, remuneração e modalidade da atividade desempenhada), etc.
Para o grupo analisado, que teve entrada de 1947 a 1951, verifica-se no campo
"observação" da base de dados que a solicitação de visto de saída teve início
em 1951 (5), sendo que os anos de maior incidência foram 1958 (208) e 1957
(131).15 Cerca de 9% dos poloneses (448) que entraram no período requereram
visto, dos quais a maioria foi para os Estados Unidos (333) e outros dirigiram-
se para o Canadá (55), Polônia (17), Argentina (14), Austrália (12), Alemanha
(10), Uruguai (5) e Áustria (1). Registre-se que esse campo contempla a
solicitação de visto de saída, mas poucos são os casos em que sua concretização
é indicada (33), ou se a saída é definitiva (5). No campo observação de uma
mulher, constam, em 1957, solicitações de visto para Holanda, Suíça, Itália e
França e, no ano seguinte, para a Alemanha, mas não se sabe qual desses visto
foi concedido.
A sistematização do campo profissão permite compreender a natureza da mão de
obra desses imigrantes. Notam-se, na Tabela_1, predomínio de trabalhadores da
produção e bens de serviços industriais (45%) e pequeno número de técnicos de
nível médio (11%) e de trabalhadores de reparação e manutenção (9%). Vale
destacar que, na área de produção e bens de serviços industriais, havia grande
incidência de trabalhadores das indústrias têxtil e do vestuário (45%), da
transformação de metais (24%) e da construção civil (20%).
Naquela época, o país demandava a vinda de agricultores e técnicos
qualificados. Nesse sentido, no que se refere à mão de obra especializada,
nota-se o predomínio de técnicos relacionados às áreas de engenharia, física,
química e campos afins, bem como alguns profissionais com nível superior,
quesito problematizado a seguir.
Registre-se que 11 engenheiros não foram admitidos no país com essa
qualificação, tendo sido classificados como assistente técnico (2), calculista
(1), desenhista (2), industriário (1), serralheiro (1), técnico eletricista
(1), técnico em arquitetura (1) e topógrafo (1). O físico foi classificado como
auxiliar desenhista (1), enquanto apenas dois engenheiros (hidrotécnico e
mecânico) foram admitidos com suas respectivas especialidades e classificados
como profissionais das ciências exatas, físicas e da engenharia, juntamente com
um engenheiro (acompanhante), três químicos e três agrimensores.
Nota-se que também ingressaram profissionais da área da saúde, destacando-se
quatro enfermeiras, um assistente de médico, um técnico em ginecologia, um
dentista e um zootécnico. Como comunicadores, artistas e religiosos, computam-
se três músicos e, com único registro cada, jornalista, pintor artístico,
decorador, cenógrafo, padre, pastor batista e pároco. Sem detalhamento de
atuação constam cinco professores classificados como profissionais de ensino. O
único pesquisador existente é um entomologista, enquanto o técnico economista
foi classificado como profissional das ciências sociais e humanas.
Como já destacado, no campo observação, também foi anotada a reclassificação da
profissão do imigrante. Nesse sentido, mantém-se a coerência do registro da
profissão relativa à profissão transcrita do passaporte e profissão registrada.
Observa-se que o físico foi admitido como técnico em física e apenas dois
engenheiros ingressaram e atuaram como engenheiros, enquanto os demais foram
admitidos como desenhista (1), desenhista construtor (1), industriário e
técnicos: construtor (1), eletricista (2), mecânico (2), mecânico e montador
(1), topógrafo e hidrotécnico (1) e um não consta nenhuma informação.
Como trabalhadores de serviços administrativos, encontravam-se 71 escriturários
e cinco atendentes ao público. Havia, ainda, 56 trabalhadores dos serviços e 74
vendedores do comércio em lojas e mercados.
As atividades agropecuárias, florestais e da pesca agregavam 110 trabalhadores
na exploração agropecuária, oito na mecanização agropecuária e florestal e um
na pecuária. Ao se cotejar a orientação designada pela empresa contratadora,
confirma-se sua concentração no Estado de São Paulo, principal centro
contratador dos trabalhadores que se declararam agricultores (79%), embora seja
desconhecida a localidade de 15% desses contratadores. Considerando-se os
municípios de destino de acordo com a atual configuração das regiões
administrativas paulistas, observa-se predomínio de fixação dos poloneses na
Região Metropolitana de São Paulo (16%), Região Administrativa de Bauru (12%),
Região Administrativa de Marília (3%), Região Administrativa de Campinas (2%) e
uma única ocorrência na Região Administrativa de São José do Rio Preto. Sabe-se
que sete imigrantes dirigiram-se para Goiás (Jussara), sete para Minas Gerais
(Cascalho), um para Santa Catarina (Curitibanos) e um para Tocantins
(Araguaçu). A esse conjunto acrescentam-se 61 parentes que também declararam
esse ofício, mas não constam informações sobre os contratadores.
Observam-se outras ocupações declaradas pelos agricultores, tais como
carpinteiro, eletricista, encanador, industriário, litógrafo, mecânico,
salsicheiro, sapateiro e pedreiro. Tal elemento também é mencionado por
Magalinski (1980), que destaca os ofícios aprendidos nos campos de refugiados
na Europa. O autor aponta, ainda, o estímulo nessa modalidade de declaração,
visto que o Brasil requeria agricultores e técnicos e, na ausência da
especialização exigida, muitos afirmavam ser agricultores.
No que se refere ao município de São Paulo, a maioria das famílias
identificadas (449) fixou-se, inicialmente, nas Zonas Leste (138), Oeste (112)
e Norte (88). Na área central (28) poucas foram as que se instalaram no Bairro
do Bom Retiro (7), onde se concentrava a maioria dos poloneses já residentes,
dirigindo-se para novas regiões, próximas aos setores industriais, como Vila
Prudente (100), no sentido leste, e Lapa (99), no oeste. Justamente no setor
oeste constituíra-se o Centro Industrial do Jaguaré,16 bairro industrial
planejado por Henrique Dumont Villares, em terrenos adquiridos pela Sociedade
Imobiliária Jaguaré em 1935. Os trabalhadores adivinham dos bairros operários
da Lapa, Pinheiros e Presidente Altino e a produção era facilmente escoada
pelas marginais (PISANI, 2011).
Na Região Metropolitana de São Paulo, os municípios de São Caetano do Sul (186)
e Santo André (30), vizinhos dos bairros da Zona Leste paulistana, também
receberam expressivos contingentes. Em direção oposta, no oeste, Osasco (37) e
Presidente Altino (32) revelaram-se destinos prioritários.
Nesse período, um dos fatos mais significativos foi o desenvolvimento
industrial de Osasco, nas proximidades da Lapa e de Presidente Altino, bem como
a intensificação do parque industrial de São Caetano e Santo André. Na direção
oposta, nas proximidades da Lapa, como já destacado, também se estabelecia uma
nova região industrial: O Centro Industrial do Jaguaré.
Do conjunto de mais de 600 empresas identificadas, os maiores contratadores
foram: Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo S/A (58); Frigorífico Armourdo
Brasil S/A (40); Frigorífico Wilson do Brasil S/A (37); The São Paulo Tramway
Light and Power Company Ltda. (29); Nestlé (24); Companhia Vidraria Santa
Marina (23); e Max Lowenstein & Cia. (20).
Destino
O acordo assinado entre a União e o do Estado de São Paulo, aprovado pelo
Decreto-Lei n. 9.534, de 31 de julho de 1946, previa a introdução de imigrantes
europeus a serem dirigidos aos trabalhos agrícolas e industriais. Esse acordo
permitia a seleção profissional, composição de famílias, nacionalidades, portos
de origem e outras condições asseguradas conforme os interesses do Estado.
Os deslocados começaram a chegar ao Brasil a partir de maio de 1947. Os
primeiros contingentes foram encaminhados para a agricultura ou para a
indústria. As reclamações não tardaram a acontecer da parte dos que receberam
as primeiras levas na lavoura. As atividades eram desempenhadas nas fazendas de
café, nas grandes propriedades não cafeeiras, em pequenos sítios de colonos
prósperos e em chácaras ou granjas em geral próximas de São Paulo ou de outros
centros urbanos. A inadaptação e as reclamações mais comuns deviam-se aos
seguintes fatos: imigrantes classificados como trabalhadores agrícolas ou
agricultores que não eram dessa profissão; trabalhadores que não se adaptavam
às condições locais de trabalho; descontentamento com o salário que não lhes
permitia o nível de vida a que estavam habituados antes da guerra; mulheres dos
agricultores que haviam se casado na Alemanha e que não tinham vivido no meio
rural e concorriam para o desajuste; famílias pouco numerosas para o trabalho,
ou seja, menos de três pessoas aptas para o trabalho; falta de informações e
preparação para as condições da vida rural; insatisfação por não poderem se
transformar em pequenos proprietários rurais (VASCONCELOS, 1950).
Para minimizar as reclamações, segundo Vasconcelos (1950), iniciou-se, ainda na
Hospedaria de Campo Limpo, uma pesquisa mais detalhada sobre as ocupações
antes, durante e após a guerra. Embora houvesse uma ficha de classificação
profissional nos campos de refugiados na Alemanha e na Áustria, existiam muitos
erros, sendo que o principal era classificar a maioria dos imigrantes como
agricultores. Por outro lado, a maior adaptação ocorreu nos casos de famílias
numerosas, hábitos de trabalho agrícola anteriores e casais constituídos antes
da guerra. Pode-se então inferir que as correções contidas no item Observação,
analisado nesse artigo, podem se dever a esse fato.
Desde 1945, quando retomou-se a imigração, até 1954, quando foi criado o
Instituto Nacional de Imigração e Colonização (Inic), dos imigrantes que
entraram no Brasil, havia 11.216 agricultores, 67.319 operários em geral, 6.280
qualificados, 4.535 técnicos, 134.806 domésticos, além de 89.402 não
especificados (PEQUENO, 1957).
Esses dados, obtidos graças à boa vontade de técnicos do Instituto,
revelam que não estão sendo atendidas as exigências da produção
nacional relativamente à mão de obra qualificada. Necessitamos de
muito mais para atender ao surto industrial do Brasil, apesar do
substancial auxílio do SENAI (PEQUENO, 1957, p. 10).
De certa forma, esses dados reafirmam o caráter diferenciado da imigração pós-
guerra, que o presente artigo procurou mostrar, em relação ao período da grande
imigração, e caracterizado sobretudo por profissões voltadas para suprir a
necessidade de operários e técnicos, apesar de ainda se verificar a entrada de
número significativo de agricultores, como se procurou justificar.
Considerações finais
Objetivou-se, neste artigo, traçar um perfil dos imigrantes de nacionalidade
polonesa no Estado de São Paulo no contexto mais geral da imigração do pós-
Segunda Guerra Mundial, em que os poloneses entraram juntamente com as demais
nacionalidades dos chamados "deslocados de guerra", no período 1947-51, quando
as entradas foram patrocinadas, em sua maioria, pela Organização Internacional
dos Refugiados. Observaram-se, para tanto, a retomada da imigração pelo Brasil,
em 1945, e a legislação imigratória que, apesar da preferência por imigrantes
de origem latina como portugueses, espanhóis e italianos, discutiu e aprovou a
entrada de imigrantes provenientes dos campos de refugiados da Alemanha e da
Áustria, em parte por razões humanitárias que eram propaladas, mas sobretudo
pelo caráter técnico e especializado desses imigrantes que possuíam
qualificação muitas vezes obtida nos próprios campos.
Espera-se que o artigo tenha evidenciado as especificidades dos "deslocados de
guerra" em relação aos imigrantes chamados de latinos, que eram considerados
preferenciais, e que tenha chamado a atenção para a necessidade de estudos
comparativos sobre as principais nacionalidades dos imigrantes que entraram no
país no pós-guerra. Nesse caso, os grupos dos chamados latinos, presentes
significativamente no banco de dados e que merecem aprofundamento, são os
italianos e espanhóis, que também ingressaram em grande número por meio de
redes anteriormente constituídas. Além desses grupos, evidentemente os
japoneses também merecem estudo aprofundado.
Por outro lado, a presença de famílias entre os imigrantes entrados pela
Hospedaria, objeto do banco de dados aqui analisado, reforça os motivos da
vinda e da escolha do Brasil, em detrimento de países como o Canadá, por
exemplo, que privilegiavam imigrantes individuais. Nesse caso, observam-se a
prevalência da política imigratória brasileira voltada para a imigração
familiar e a permanência da solicitação de agricultores, além dos profissionais
apontados.
Verificou-se, também, que a entrada de grande número de imigrantes
classificados como trabalhadores da produção de bens e serviços industriais
(cerca de 45%) e técnicos respondia à solicitação por profissionais para a
indústria e para a agricultura que se modernizava. Esses dados apontam a
necessidade de uma comparação com outras nacionalidades presentes no banco de
dados aqui apresentado. De qualquer maneira, parece que as profissões
registradas no passaporte não correspondiam aos empregos efetivamente
conseguidos e desempenhados nos primeiros tempos, tendo sido observada uma
reclassificação de engenheiros para técnicos e outras reclassificações.
O perfil apresentado ainda mostra o ingresso pelo Porto do Rio de Janeiro, com
uma permanência curta na Hospedaria da Ilha das Flores até a definição das
empresas contratadoras, concentradas principalmente na Região Metropolitana de
São Paulo, com destaque para a capital paulista.
Fundamentados no discurso da carência de mão obra especializada e de braços
para a agricultura, os representantes do Estado brasileiro na Europa demandaram
trabalhadores para a lavoura e para o parque industrial que se modernizava e
estimularam o ingresso de famílias, para o que contavam com o apoio da IRO.
Entretanto, é possível afirmar que há uma concentração de empresas
contratadoras no Estado de São Paulo, com predominância da Região Metropolitana
de São Paulo e de algumas regiões administrativas, como as de Bauru, Marília e
Campinas. Importante observar que, na Região Metropolitana de São Paulo, os
imigrantes poloneses concentraram-se em São Caetano, Santo André, municípios em
processo de industrialização, e em Osasco.
Finalmente, espera-se, com este artigo, indicar a necessidade de, no quadro da
modernização, abertura e industrialização que caracterizaram o período do pós-
Segunda Guerra Mundial, serem inseridas análises que ressaltem o papel da
imigração proveniente do Leste da Europa e, posteriormente, de países
tradicionalmente fornecedores de imigrantes ao Brasil, dirigidos agora às
cidades e à indústria preferencialmente, ao lado das análises sobre mão de obra
proveniente da migração interna, de papel indiscutível na industrialização
paulista.