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Representação em texto

BrBRCVHe0034-71672014000600987

variedadeBr
ano2014
fonteScielo

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Adenosina trifosfato bioluminescência para avaliação da limpeza de superfícies: uma revisão integrativa INTRODUÇÃO As infecções relacionadas a assistência a saúde (IRAS) representam um risco substancial à segurança do paciente no processo assistencial, sendo frequentemente relacionada à contaminação cruzada. Apesar de não estar claro o papel do ambiente na aquisição de potenciais patógenos, diversos micro- organismos de relevância epidemiológica têm sido isolados de diferentes locais no ambiente hospitalar. Acredita-se que uma vez contaminadas, estas superfícies podem favorecer a disseminação de bactérias(1-7).

As medidas de higiene ambiental em estabelecimentos de saúde são consideradas parte primordial das múltiplas estratégias necessárias para a prevenção e o controle das IRAS. Contudo, evidências apontam que o processo de limpeza nas instituições de saúde tem sido ineficaz, uma vez que não atende aos propósitos ao qual se destina, como a redução dos micro-organismos presentes nas superfícies(8-13).

Acrescenta-se ao exposto a importância dos métodos para avaliar a efetividade da limpeza ambiental, sendo o mais conhecido a inspeção visual, como também mais utilizado, além da aplicação de tintura fluorescente, adenosina trifosfato (ATP) bioluminescência e análises microbiológicas, tais como a contagem de colônias aeróbicas totais (ACC) e a identificação de organismo indicador(10,14- 5).

Dentre estes, o ATP bioluminescência tem se configurado como método amplamente utilizado na indústria alimentícia para validar e monitorizar a limpeza ambiental. Todavia, sua utilização nos estabelecimentos de saúde é, ainda, incipiente(11,16).

De forma semelhante à área alimentícia, para avaliar a limpeza ambiental em estabelecimentos de saúde o método consiste da reação entre a enzima luciferase e as moléculas de ATP, derivadas de matéria orgânica microbiana e não microbiana, recuperadas da superfície a partir de swabs. As concentrações de ATP são quantificadas por um luminômetro e os resultados são expressos em unidade relativa de luz (URL) do inglês relative light units. Valores de referência de 25 a 500 URL tem sido propostos para avaliar a eficácia do processo de limpeza(7,17).

Comparado às análises microbiológicas tradicionais, este oferece como vantagem resultados rápidos, obtidos em até dois minutos, associados à técnica simples e de fácil emprego. Entretanto, controvérsias relacionadas à sensibilidade e especificidade do método e à interpretação dos seus resultados, têm se constituído em importantes empecilhos para a incorporação efetiva do sistema de ATP nos serviços de saúde(7,11-2,18-22).

Diante do interesse na adoção de métodos efetivos para avaliar a limpeza de superfícies, especialmente aqueles quantitativos, e da recente introdução do ATP bioluminescência nos serviços de saúde, tornou-se relevante realizar a presente revisão integrativa com o objetivo de identificar na literatura as indicações e controvérsias do método de ATP bioluminescência para avaliação da efetividade da limpeza de superfícies em estabelecimentos de saúde.

MÉTODO Trata-se de um estudo de revisão integrativa da literatura, que tem por finalidade reunir e sintetizar resultados de pesquisas sobre um determinado tema ou questão, de maneira sistemática e ordenada, contribuindo para o aprofundamento deste e para a prática baseada em evidência(23).

A construção da revisão integrativa contemplou as seguintes etapas: identificação do tema e definição da questão de pesquisa, estabelecimento de critérios para inclusão e exclusão dos estudos (amostragem), definição das informações a serem extraídas dos artigos selecionados, avaliação dos estudos incluídos na revisão, interpretação dos resultados e apresentação da revisão.

Para nortear o presente estudo formulou-se a seguinte questão: Quais as indicações e controvérsias do uso do ATP bioluminescência para a avaliação da efetividade da limpeza de superfícies em estabelecimentos de saúde? Para a seleção dos artigos foram utilizadas as seguintes bases de dados, a saber: Bibliografia Médica (MEDLINE), Literatura Latino Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Science Direct, SCOPUS (Database of research literature) e plataforma virtual de pesquisa Isi Web of Knowledge. Utilizaram- se os descritores disponíveis no Decs/Mesh: adenosine triphosphate, trifosfato de adenosina, hospital housekeeping, serviço hospitalar de limpeza, contamination, contaminação.

Os critérios de inclusão das publicações selecionadas para a presente revisão foram: artigos originais publicados em inglês ou português, com referência ao uso do ATP bioluminescência em superfícies de estabelecimentos de saúde, no período compreendido entre 2000 e 2012. Optou-se por trabalhos publicados neste período por se tratar de tema com abordagem ainda escassa.

A busca foi realizada pelo acesso on-line, entre janeiro e março de 2013, e, inicialmente, foram obtidos 212 artigos. Após a leitura criteriosa do título e resumo desses, foram excluídos aqueles que não se relacionavam ao tema (170), bem como os repetidos nas bases de dados e os artigos não originais (27).

Utilizando os critérios de inclusão, a amostra final desta revisão foi constituída de 15 artigos, conforme evidenciado na Figura_1.

Figura 1 Fluxograma representativo da seleção dos artigos incluídos na revisão integrativa  Para a coleta dos dados dos artigos que foram incluídos nesta revisão, foi elaborado um formulário contemplando os seguintes itens: identificação do artigo original, objetivos, características metodológicas do estudo, principais resultados e conclusões.

Para análise e posterior síntese das publicações foi utilizado um quadro sinóptico construído para esse fim, o qual contemplou os seguintes aspectos: nome do artigo, material e método, resultados e recomendações∕conclusões.

A apresentação da revisão e a discussão dos dados foram realizadas de forma descritiva a fim de permitir ao leitor a avaliação crítica dos resultados obtidos e a sua aplicabilidade nas práticas de saúde.

RESULTADOS Na análise dos 15 artigos incluídos na presente revisão, observou-se um predomínio de publicações provenientes do Reino Unido 46,6% (7∕15) e Estados Unidos 40% (6∕15), seguidos da Irlanda 6,7% (1∕15) e Brasil 6,7% (1∕15). O Quadro_1 apresenta as especificações de cada um dos artigos.

Quadro 1 Publicações incluídas na revisão integrativa segundo o título do artigo, país, autores e periódico  Título do País Autores Periódicos (volume, número, página, artigo ano) Monitoring the effectiveness of hospital cleaning practices by Estados Boyce JM. Infect Control Hosp Epidemiol.30:678- use of an Unidos 84, 2009.

adenosine triphosphate bioluminescence assay.

An evaluation Griffith CJ, of hospital Cooper RA, cleaning Reino Unido Gilmore J, J Hosp Infect.45:19-28, 2000.

regimes and Davies C, standards. Lewis M.

Who is really caring for your environment of Dumigan DG, care? Boyce JM, Developing Estados Havill NL, standardized Unidos Golebiewski Am J Infect Control. 38: 387-92, 2010.

cleaning M, Bologun procedures and O, Rizvani effective R.

monitoring techniques.

Condition of Ferreira AM, cleanliness of Andrade D, surfaces close Brasil Rigotti MA, Rev Lat Am Enfermagem.19(3):557-64, to patients in Ferreira 2011.

an intensive MVF.

care unit.

Use of audit tools to evaluate the Malik RE, efficacy of Reino Unido Cooper RA, Am J Infect Control. 31: 181-7, 2003.

cleaning Griffith CJ.

systems in hospitals.

Mulvey D, Finding a Redding P, benchmark for Robertson C, monitoring Reino Unido Woodall C, J Hosp Infect.77(1):25-30, 2011.

hospital Kingsmore P, cleanliness. Bedwell D, Dancer SJ.

Validation and comparison of three adenosine triphosphate luminometers for monitoring Estados Sciortino hospital Unidos CV, Gilles Am J Infect Control. 40:233-9, 2012.

surface RA.

sanitization: A Rosetta Stone for adenosine triphosphate testing.

The use of adenosine triphosphate bioluminescence to assess the Moore G, efficacy of a Smyth D, modified Reino Unido Singleton J, Am J Infect Cont. 38:617-22, 2010.

cleaning Wilson P.

program implemented within an intensive care setting.

Comparison of fluorescent marker systems Boyce JM, with 2 Havill NL, quantitative Estados Havill HL, Infect Control Hosp Epidemiol.32(12): methods of Unidos Mangione E, 1187-93, 2011.

assessing Dumigan DG, terminal Moore BA.

cleaning practices.

Do surface and cleaning chemistries interfere with Estados Brown E, ATP measurement Unidos Eder AR, J Hosp Infect. 74:193-5, 2010.

systems for Thompson KM.

monitoring patient room hygiene? Is it really clean? An evaluation of Sherlock O, the efficacy of Irlanda O'Connell N, J Hosp Infect.72: 140-6, 2009.

four methods Creamer E, H for determining Humphreys.

hospital cleanliness.

The effectiveness Griffith CJ, of existing and Obee P, modified Reino Unido Cooper RA, J Hosp Infect.66:352-9, 2007.

cleaning Burton NF, regimens in a Lewis M.

Welsh hospital.

A modified ATP benchmark for Lewis T, evaluating the Griffith C, cleaning of Reino Unido Gallo M, J Hosp Infect.69:156-63, 2008.

some hospital Weinbren M.

environmental surfaces.

Estimating bacterial surface contaminationby Reino Unido Malik DJ, J Hosp Infect.80: 354-6,2012.

means of ATP Shama G.

determinations: 20 pence short of a pound.

Variations in Boyce JM, hospital daily Estados Havill NL, Infect Control Hosp Epidemiol.31:99- cleaning Unidos Lipka A, 101, 2010.

practices. Havill H, Rizvani R.

Para a finalidade de monitorar a efetividade da limpeza de superfícies em estabelecimentos de saúde o ATP bioluminescência foi apontado como importante ferramenta educacional e, principalmente, como método complementar à inspeção visual e aos métodos microbiológicos(11,18,21,24-26).

As principais controvérsias identificadas na literatura quanto ao uso do ATP bioluminescência para avaliar a efetividade da limpeza foram: a discordância entre os resultados do método e aqueles obtidos por análise microbiológica; a possibilidade de interferência na leitura do ATP por substâncias químicas, como detergentes, desinfetantes e plastificantes; a variabilidade nos resultados conforme o instrumento utilizado, além da diversidade de valores de referência propostos para a interpretação dos resultados, segundo a marca e o modelo do instrumento(7,12,18-22,27).

A ausência de correlação entre a leitura de ATP e a contagem de colônias foi observada em 53,3% (8∕15) dos estudos analisados. Tal fato foi atribuído à capacidade do ATP bioluminescência de detectar matéria orgânica microbiana e não microbiana em contraste com o método microbiológico que avalia somente a presença de micro-organismos aeróbicos(7,13,18,21,24-27).

O reconhecimento das substâncias químicas como fatores intervenientes na leitura do ATP foi registrado em 20,0% (3∕15) das publicações. Dentre estas se destacaram a albumina sérica bovina 5,0%, hipoclorito de sódio a 10,0%, compostos de quaternário de amônio e detergentes(19,22,27).

Plastificantes de panos de microfibra, assim como a composição e a condição de conservação das superfícies analisadas também foram associados às leituras de ATP falso-positivas(22).

O desempenho de três luminômetros de ATP, disponíveis para uso em estabelecimentos de saúde, foram testados e comparados quanto a capacidade de recuperação de ATP microbiano de superfícies. Os resultados variaram conforme o instrumento utilizado e o operador do sistema. Padronização da técnica, treinamento do profissional, múltiplas amostragens das superfícies e ajustes no aparelho, tais como calibração, foram medidas indicadas para o controle da interferência decorrente da subjetividade do manipulador(19,22).

O formato do swab foi considerado um importante fator para a recuperação de ATP das superfícies. Swabs ovais e com superfícies planas propiciaram maior contato e melhor adaptação às superfícies analisadas favorecendo maior detecção de ATP.

Estes obtiveram 55,3% ± 12,3% de eficiência na recuperação de Staphylococcus aureus, enquanto os outros 13,3% ± 4,4% e 7,2% ±7,2%(19). Reagentes utilizados no sistema ATP com limitada capacidade para a lise de micro-organismos foram associados ao aumento do limite de detecção da adenosina trifosfato, ou seja, à menor sensibilidade do sistema(19).

A interpretação dos resultados obtidos pelo método de ATP bioluminescência foi reconhecida como uma das maiores dificuldades para a sua aplicação(18).

Nos estudos analisados, a limpeza foi considerada apropriada quando as leituras do ATP registraram valores inferiores a 25 URL, 100 URL, 250 URL ou a 500 URL, de acordo com a marca e o modelo do equipamento utilizado(7,11,13-14,18,20- 21,24-26,28).

Quando instituídos valores de referência para o ATP <100 URL, aproximadamente 60% das análises de limpeza das superfícies realizadas utilizando este método coincidiram com aquelas decorrentes da contagem de colônias aeróbicas totais e que indicavam crescimento microbiano inferior a 2,5 UFC∕cm2(18).

DISCUSSÃO O uso do ATP bioluminescência nos serviços de saúde pode configurar-se como importante estratégia educacional, visto que fornece para a equipe evidências imediatas de falhas no processo de limpeza, através da detecção de ATP residual sobre as superfícies, e como método complementar à avaliação visual e microbiológica. Entretanto, a baixa sensibilidade e especificidade do teste, bem como a dificuldade para a interpretação dos resultados tem comprometido a adoção efetiva deste nos serviços de saúde para avaliação da limpeza de superfícies.

Uma vez que o método capta ATP de diversas fontes de matéria orgânica, seja ela microbiana ou não microbiana, tais como excreções, secreções humanas, sangue e restos de alimentos, os resultados obtidos não correspondem, necessariamente, à contaminação do ambiente por micro-organismos e, consequentemente, não pode ser relacionado ao risco do paciente adquirir patógenos. A impossibilidade de correlação entre os níveis de ATP e de contaminação microbiana de uma superfície constitui um dos principais empecilhos para o uso deste nos estabelecimentos de saúde(7,13,18,21,24-27).

As diferenças observadas nos estudos analisados entre o percentual de superfícies identificadas como contaminadas pelo método de ATP e pela contagem de colônias aeróbicas totais (80,0% x 16,0%; 55,0% x 23%; 28,5% x 7,9%) condizem com achados da literatura de que, em média, 33,0% do ATP presente nas superfícies frequentemente tocadas no ambiente hospitalar são de origem microbiana(11,13,21,24,26).

Uma alternativa para a distinção do ATP de origem microbiana dos demais seria a remoção enzimática do ATP não microbiano da superfície, previamente a aplicação do teste. No entanto, a viabilidade e a identificação dos micro-organismos recuperados, ainda assim permaneceriam desconhecidas(16).

Para haver uma forte correlação entre os níveis de ATP e a presença de organismos viáveis, a proporção entre as fontes de ATP (microbiana e não microbiana) nas superfícies deveriam ser constantes, e diversas razões para esta não ocorrer. Uma delas refere-se ao fato de que os níveis de ATP intracelular não são idênticos para todos os micro-organismos. Além disso, alguns micro-organismos são aparentemente capazes de regular os níveis de ATP em resposta a estressores ambientais. indícios que Mycobacterium tuberculosis, quando carente de nutrientes, seja capaz de reduzir os níveis de ATP a 1∕5 da concentração basal(26-27).

Embora os resultados fornecidos pelo sistema de ATP bioluminescência possam ser comprometidos principalmente pela inespecificidade do método em captar a energia de diversas matérias orgânicas e não somente aquelas derivadas de micro-organismos, alguns estudos têm identificado que fatores ambientais também podem influenciar as leituras do sistema(12,18,22,27).

Substâncias químicas comumente utilizadas no processo de limpeza ou desinfecção das superfícies hospitalares como os detergentes, compostos de amônio e hipoclorito de sódio podem interferir nas leituras de ATP comprometendo a confiabilidade dos resultados. Trata-se de inquestionável limitação do método, principalmente em situações de surto de Clostridium difficile e Norovírus, nas quais o uso do hipoclorito de sódio a 10% é mandatório(8,12,18-9,22,27).

Por estas razões, o sistema de ATP bioluminescência tem sido associado à sensibilidade e especificidade demasiadamente baixa (57%) na detecção de bactérias e a sua utilização indicada para programas educacionais e avaliações do processo de limpeza preferencialmente associado aos métodos microbiológicos (16,18,22).

O uso complementar de diferentes métodos para avaliação da efetividade da limpeza de superfícies, visto que utilizam parâmetros distintos, pode contribuir para o gerenciamento da limpeza hospitalar e favorecer a relação entre contaminação de superfícies e taxas de infecção. Contudo, os custos e o tempo envolvidos podem inviabilizar a adoção desta prática(18,20,25).

Uma vez definido como método de escolha para determinar a eficácia da limpeza, o sistema de ATP bioluminescência deve ser cuidadosamente analisado e validado.

Para tanto, este deve ser testado em cada unidade hospitalar, a fim de estimar a sua aplicabilidade mediante os níveis de contaminação e limpeza rotineiramente presentes naquele ambiente, e os resultados obtidos devem ser analisados considerando as características do setor e as especificidades do aparelho utilizado, tal como o valor de referência indicado(20).

Similar a outros métodos, não está claro que os valores de referência sugeridos para determinar a efetividade da limpeza de uma superfície pelo ATP bioluminescência sejam adequados. Valores de 25 a 500 URL têm sido utilizados como referência, conforme a sensibilidade do luminômetro e as características da unidade investigada(29).

Concentrações de ATP inferiores a 500 URL tem sido propostas para designar superfícies limpas. Acredita-se que quando empregadas as melhores práticas de limpeza, esta se torna uma referência objetiva e atingível. Por outro lado, resultados abaixo de 25 URL tem sido considerados demasiadamente rigorosos com elevado risco de reprovação do processo de limpeza e associado ao aumento dos custos e do mau emprego do tempo dos profissionais envolvidos(18,25-26,29).

Nas Unidades de terapia intensiva, nas quais a contaminação ambiental é particularmente importante assim como o risco de colonização e infecção do paciente por micro-organismos diversos, a meta de 250 URL tem sido considerada (1,6,26,30).

O limite de 100 URL tem sido apontado como aquele que mais se aproxima dos níveis de crescimento microbiano inferiores a 2,5 UFC∕cm2, porém determiná-lo como padrão de referência implicaria no uso de um único aparelho de ATP bioluminescência, visto que nem todos os modelos apresentam a mesma sensibilidade(18,31).

Estudos que avaliaram superfícies pelo método de ATP observaram que algumas destas, comumente, apresentavam leituras de ATP inferiores ao valor de referência recomendado antes mesmo da execução da limpeza. Esses achados reiteram a necessidade de se conhecer os níveis de limpeza rotineiramente alcançados para o estabelecimento de valores de referência adequados à realidade local e a obtenção de resultados confiáveis capazes de expressar a qualidade e eficácia do processo de limpeza(20,25-26).

Apesar das controvérsias para o uso do ATP bioluminescência na avaliação da efetividade da limpeza de superfícies, este tem sido considerado como importante ferramenta educacional, uma vez que permite identificar o nível de limpeza alcançado, o cumprimento das práticas recomendadas, bem como a divulgação imediata dos resultados à equipe envolvida nos processos de limpeza.

Se comparado a outros testes, apresenta, ainda, como vantagem, a obtenção de resultados rápidos e quantitativos, associados à técnica de fácil aplicação.

Entretanto, por se tratar de método ainda pouco aplicado nos serviços de saúde, e cuja abordagem do tema é, ainda, escassa, mais estudos se fazem necessários para a definição dos melhores padrões a serem seguidos e da repercussão dos seus resultados para a segurança do paciente(12,21,24).

CONCLUSÃO O ATP bioluminescência tem sido indicado como recurso educacional e método complementar às análises microbiológicas, porém sua aplicação nos estabelecimentos de saúde é, ainda, recente e tem se configurado em alvo de diversas discussões.

A pequena correlação entre as leituras de ATP e a contaminação de uma superfície por micro-organismos viáveis, a dificuldade de interpretação e comparação dos resultados, visto a variedade de valores de referência propostos e as peculiaridades de cada sistema disponível para uso, bem como a possibilidade de interferência por substâncias químicas, constituem as principais controvérsias para o uso do método nos estabelecimentos de saúde, sobre as quais deverão basear-se mais estudos a fim de estabelecer a real contribuição do ATP bioluminescência para a avaliação da limpeza de superfícies.


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