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Representação em texto

BrBRCVHe0034-71672014000400617

variedadeBr
ano2014
fonteScielo

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Desempenho da marcha de idosos praticantes de psicomotricidade INTRODUÇÃO O corpo é uma unidade que se evidencia, especialmente no movimento. Agindo, percebendo ou sentindo, nós identificamos e nos relacionamos com os outros seres no mundo. Essa ação é realizada de acordo com um tempo e em relação a um espaço que, limitados ou facilitados por nossas propriedades psicomotoras, permitem a vivência da nossa unidade pessoal(1).

As atividades do dia a dia provocam modificações no sistema de respostas emocionais e motoras que tornam possíveis diferentes níveis de interação com o mundo, adaptando o ser humano aos desafios da vida. Especificamente, a aprendizagem de habilidades motoras capacita-o a executar movimentos ligados a um determinado fim, como, por exemplo, os relacionados com a marcha.

No processo de envelhecimento, o ser humano evidencia o comprometimento de algumas estruturas fisiológicas importantes para o desempenho da marcha, especialmente a habilidade do sistema nervosos central de processar sinais vestibulares, visuais e proprioceptivos responsáveis pela manutenção do equilíbrio corporal, gerando, ocasionalmente, a instabilidade postural na posição bípede, o que altera o deslocamento do corpo em relação ao espaço(2-3).

Vale salientar que as modificações da marcha no idoso se processam tanto em relação aos fatores tan-to fisiológicos quanto aos emocionais. As alterações na marcha podem ser percebidas ou constatadas pelas modificações motoras que retroalimentam as condições emocionais que o idoso elabora em relação às suas possibilidades psicomotoras, o que interfere na realização de algumas tarefas específicas.

Cerca de 30% a 40% dos idosos, com idade acima de 65 anos, podem apresentar alterações na marcha que facilitam as quedas, que são responsáveis por taxas significativas de atendimentos emergenciais e de hospitalização do idoso, 6% e 10% respectivamente(4), além de, ocasionarem alterações funcionais, redução da autoestima e do domínio do esquema corporal, sendo, por isso, um fator de grande relevância epidemiologia, social e econômica em todo o mundo(5-6). A imagem do corpo ou a consciência que o ser humano tem de sua presença corporizada supera as fronteiras da anatomia. Assim, a marcha não pode ser compreendida sem se fazer referência às habilidades psicomotoras que compõem a imagem corporal. Essa imagem cristaliza as ações do sujeito por meio do esquema corporal, isto é, da propriedade que o ser humano tem do seu corpo como meio de interação e de comunicação consigo mesmo e com o mundo.

As possibilidades anatômicas e funcionais de cada corpo humano facilitam ou delimitam os deslocamentos do corpo no espaço e permitem que os movimentos corporais possam ser avaliados em relação às diversas variáveis. No presente estudo, ressalta-se a importância da velocidade, da amplitude e da segurança da cadência na marcha. Trata-se de variáveis importantes sobre a determinação do número de passos completados num determinado espaço e tempo, estabelecido pelo observador. Nessa atividade, avaliam-se os movimentos globais e segmentados, do equilíbrio estático e dinâmico, bem como do domínio dos deslocamentos ativos do corpo do idoso no espaço.

Portanto, o tempo que uma pessoa leva para caminhar uma determinada distância constitui a avaliação mais elementar em relação à marcha. Por outro lado, possibilita que se considerem outras variáveis dependentes desse deslocamento no espaço(7). As modificações biomecânicas e fisiológicas não implicam unicamente um desempenho menos eficiente das habilidades motoras. Todavia, geram uma mudança qualitativa nos componentes subjacentes aos sistemas psicomotores envolvidos que controlam e ordenam os diferentes períodos da marcha.

Além disso, as atividades psicomotoras utilizadas no meio aquático facilitam a execução de movimentos que ordenam as sequências ou períodos que coordenam os deslocamentos corporais, relacionados à marcha. Nesse sentido, podem-se utilizar os princípios da psicomotricidade no meio aquático para ampliar a perspectiva de melhorias funcionais, especialmente, no que concerne a algumas variáveis inter-relacionadas. Nesse aspecto, destacam-se fatores como: equilíbrio, coordenação motora, deslocamentos posturais na água, controle dos movimentos globais e segmentados, domínio postural e esquema corporal. Isso acontece, porque a água atua como um meio facilitador da proposta motora que, direta ou indiretamente, estimula o aparecimento de reações psicoemocionais.

Diante dos argumentos expostos, uma análise detalhada da marcha é necessária quando se está diante dos possíveis fatores que podem ajudar a se compreender o desempenho motor de uma pessoa idosa. Através do fortalecimento da consciência e da imagem corporal como também dos elementos associados ao equilíbrio corporal e à coordenação motora, fortalece-se a corporeidade, tendo em vista que a segurança do meio aquático propicia a integração do corpo em movimento.

Nesse contexto, tentando desvelar os componentes fisiológicos e psicoemocionais que comprometem a qualidade da marcha em idosos comunitários, optou-se, neste estudo, por avaliar o desempenho da marcha de idosos praticantes de atividades psicomotoras.

METODOLOGIA O estudo foi desenvolvido na Clínica Escola de Fisioterapia da Universidade Federal da Paraíba, localizada no município de João Pessoa - Paraíba. Trata-se de um estudo quase experimental, prospectivo, que envolveu quinze idosos comunitários. Para a escolha dos participantes, optou-se pela seleção dos indivíduos constantes numa lista de espera de clientes da Clínica Escola de Fisioterapia. Desses, apenas três atenderam aos critérios estabelecidos: ser idoso (idade de 60 anos ou mais); não participar de nenhuma atividade física ou fisioterapêutica; ser autossuficiente na execução das atividades da vida diária; ser capaz de ouvir, compreender e entender ordens simples; e ter consciência da orientação espacial e temporal.

Os critérios de exclusão do estudo levaram em consideração algumas condições exigidas pelo teste de equilíbrio Performance Oriented Mobility Assessment I (POMA) e pelo Miniexame de Estado Mental (MEEM), instrumentos de coleta de dados selecionados para o estudo pela confiabilidade e viabilidade, bem como por serem aceitos e validados no âmbito nacional e internacional(8-9). O idoso selecionado não podia apresentar deficiência auditiva ou visual, distúrbios cognitivos, doença mental e dificuldade para movimentar as mãos como consequência de doenças reumáticas ou neurológicas. Também não podia apresentar um dos seguintes quadros: pressão arterial não controlada; dispneia aos mínimos esforços; uso de medicamentos psicotrópicos; e necessidade de apoio para realizar as atividades da vida diária.

Considerando os critérios de inclusão ora mencionados, como o número de participantes não atingia os propósitos do estudo, optou-se por uma segunda estratégia: a da seleção por rede. Com base nesse critério, os três primeiros idosos selecionados na lista de espera da Clínica Escola foram tomados como ponto de partida para a indicação de outros. Dessa forma, obteve-se uma amostra de conveniência e intencional composta por quinze idosos. A justificativa para se trabalhar com esse tipo de amostra seguiu o intuito do pesquisador de selecionar membros de uma comunidade mais acessível, que atendessem aos critérios estabelecidos para a pesquisa. Com base nesse critério, o pesquisador usa seu julgamento para selecionar os membros da população considerados boas fontes de informação(10).

Todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, depois de especificar o objetivo do estudo. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, do Centro de Ciências da Saúde, da Universidade Federal da Paraíba, sob o número 0163/11, conforme recomenda a Resolução 196/96 do Ministério da Saúde.

Os dados referentes a sexo, faixa etária, escolaridade, deficiência ou perturbação auditiva e/ou visual, prática de atividades físicas e história de quedas, foram coletados entre os meses de julho e setembro de 2011, mediante entrevista estruturada. Além disso, antes de iniciarem a primeira atividade psicomotora, todos os participantes foram submetidos ao MEEM e ao teste de POMA.

O MEEM constitui um instrumento composto de quatro categorias, as quais objetivam avaliar funções cognitivas específicas: orientação temporal, orientação espacial, registro de palavras, linguagem e praxia visuo construtiva. O escore do MEEM varia de 0 a 30 pontos, e valores mais baixos apontam para possível déficit cognitivo. Como esse teste sofre influência da escolaridade, foram utilizados os seguintes valores de referência(9): escore superior a 13 pontos, quando o idoso era analfabeto; e escore superior a 17 pontos, quando o idoso era alfabetizado.

O teste de POMA é utilizado para avaliar indivíduos da comunidade ou institucionalizados que tenham propensão a quedas ou que estejam sendo acompanhados para tratamento de déficit na mobilidade, sendo dividido em duas partes: uma avalia os fatores de risco de quedas em idosos, com base no número de incapacidades crônicas, e a outra avalia a marcha(8). Esse instrumento é composto por 22 tarefas - 13 referentes ao equilíbrio e nove relacionadas à marcha. No presente estudo, foi utilizado apenas o teste de marcha. Na avaliação da marcha por meio desse teste, a pessoa pode ser assistida pelo examinador que, durante essa atividade, deve permanecer próximo a mesma para prevenir quedas devido a possíveis desequilíbrios. Os componentes avaliados são: iniciação da marcha; altura do passo; comprimento do pas-so; simetria de passo; continuidade do passo; desvio da linha média; estabilidade do tronco; base de apoio durante as fases da marcha; giro durante a marcha. De acordo com os princípios que orientam o teste, a pontuação mais elevada indica uma qualidade de desempenho melhor do indivíduo testado. A pontuação máxima de desempenho totaliza 57 pontos, sendo 39 para o teste de equilíbrio e 18 para o teste de marcha(8).

Concluída a etapa de avaliação, os participantes realizaram atividades psicomotoras no ambiente aquático e no solo, duas vezes por semana, no turno da manhã, em sessões de 40 minutos, durante oito semanas, totalizando 17 dias.

Esse programa foi considerado de baixo impacto e baixa intensidade, tendo em vista as particularidades da clientela atendida. Como procedimentos de rotina, foram verificadas a pressão arterial, a frequência cardíaca e respiratória, antes e depois das sessões das atividades psicomotoras. Esse cuidado teve o propósito de desvelar as condições gerais de cada idoso e, consequentemente, verificar o nível de segurança para realizar as atividades psicomotoras a serem efetivadas na água e no solo. Os equipamentos utilizados nas referidas atividades foram: piscina térmica, tensiômetro, estetoscópio, cronômetro, rádio, flutuadores, fisioball, cones, cesta e bastões.

Para a análise dos dados, foi utilizada a estatística descritiva, apresentada na forma de média, desvio- padrão e valores mínimos e máximos para as variáveis numéricas. Foram aplicados critérios estatísticos para comparar os resultados do teste de POMA e do MEEM, especificamente, a avaliação da marcha. As variáveis demográficas, assim como o desempenho das intervenções foram analisadas por meio do teste ANOVA. Para analisar as variáveis não paramétricas, utilizou-se o teste de Friedman, e para verificar as interações entre variáveis quantitativas, a análise de correlação paramétrica de Pearson.

A normalidade dos dados foi testada por meio do teste de Kolmogorov-Smirnov, e o nível de significância foi estabelecido em 5% para todas as análises estatísticas.

RESULTADOS Dos 15 idosos pesquisados, 86,7% eram do sexo feminino; a idade mínima foi de 60, e a máxima, de 75 anos. A média de idade foi de 65,6 anos - 67,5, para o sexo masculino, e 65,3, para o sexo feminino. Do total de entrevistados, 46,6% encontravam-se na faixa etária de 60 a 65 anos, e 33,3% tinham entre 66 e 71 anos, e 20% apresentavam idade entre 70 e 75 anos. Quanto ao grau de escolaridade, 46,6% dos entrevistados possuíam quatro a oito anos de estudo, 33,3% eram analfabetos e 20,0% possuíam o ensino superior completo. No tocante aos aspectos clínicos, destacaram-se as doenças reumáticas, o que correspondeu a 86,7% da população pesquisada, 20,0% apresentaram doenças cardíacas, e 66,7% usavam medicamentos.

Quanto ao desempenho cognitivo na primeira avaliação, a pesquisa mostrou que 66,7% dos idosos apresentavam déficit cognitivo leve ou moderado. A média e o desvio-padrão do MEEM para a primeira avaliação situaram-se em 18,9±4,6. A pontuação 20 no teste foi alcançada por 26,6% dos idosos que estudaram quatro a oito anos. Na segunda avaliação, a média do MEEM foi de 23,2±3,5. Observou-se que 46,7% dos idosos avaliados apresentavam funções cognitivas íntegras, enquanto 53,3% tinham déficit cognitivo leve ou moderado.

Quanto às avaliações do MEEM, não houve diferença significativa, no sexo masculino (t= -0,33; gl=1; p=0,79), entre os que sofreram quedas (t= - 0,46: gl=4; p= 0,67) nem quanto aos níveis de escolaridade (F(5,20)= 2,32; P= 0,08).

Porém, ocorreu diferença significativa entre os que não sofreram queda (t= - 3,96: gl = 9; p= 0,003) e entre os idosos do sexo feminino (t = -3,03; gl =12; p= 0,01). Ressalta-se que o declínio cognitivo pode representar uma variável que influencia diretamente no risco de quedas em idosos(11). Apesar disso, as baixas correlações encontradas entre o POMA e o escore do MEEM devem ser analisadas com cautela, pois o risco de quedas é influenciado por diversos fatores, como alterações visuais, paresias, parestesias, diminuição da flexibilidade e mobilidade corporal(11-12). O fato da correlação entre declínio cognitivo e risco de quedas ter apresentado índice de determinação entre 15% e 38% indica que tal variável está associada ao aumento do risco de quedas nos idosos.

No tocante à idade, não foram encontradas correlações significativas em nenhuma das avaliações do MEEM (r= - 0,03: r= - 0,12 com p> 0,05). Em relação ao desempenho da marcha, as variáveis que não demonstraram normalidade foram: altura do passo, comprimento do passo, simetria do passo, continuidade do passo, desvio da linha média, estabilidade do tronco, sustentação durante a marcha e giro durante a marcha. Apenas 49,3% dos idosos conseguiram atingir o padrão de normalidade segundo o teste de POMA. A intervenção favoreceu positivamente na reorganização do desempenho da marcha, porém não conseguiu levar ao resultado desejado em relação às demais variáveis.

A média obtida pelos idosos na primeira avaliação da marcha foi de 14,9 pontos.

O valor mínimo encontrado nesse teste foi de 12 pontos, e o máximo foi de17 pontos. O desvio-padrão para a avaliação do desempenho da marcha foi de 1,5. Em relação à segunda avaliação do desempenho da marcha, os idosos obtiveram uma média de 12,9, sendo o valor mínimo de 10, e o máximo de 15 pontos. O desvio- padrão obtido nessa avaliação do desempenho da marcha foi de 1,44 pontos.

Observou-se diferença significativa entre as duas avaliações do desempenho da marcha (t= 3,68; gl=14; p= 0,0025). Não houve correlação significativa entre nenhum resultado do desempenho da marcha com o MEEM (primeira avaliação r= 0,40; p= 0,14 e segunda avaliação r= 0,22; p= 0,42). Também, não houve correlação entre a idade e os resultados da marcha (primeira avaliação r= - 0,02; p= 0,95 e segunda avaliação r= -0,21; p= 0,46).

Em relação às avaliações do desempenho da marcha, não houve diferença significativa, no sexo masculino (t= 1,00; gl= 1; p= 0,50) e entre os que sofreram quedas (t = 2,56; gl= 4; p= 0,06). Quanto aos níveis de escolaridade, houve diferença apenas entre os idosos com escolaridade entre quatro e oito anos de estudo (t= 3,23; gl= 7; p= 0,01). Também ocorreu diferença significativa entre os que não sofreram queda (t = 2,63; gl= 9; p= 0,03) e entre os idosos do sexo feminino (t= 3,54; gl= 12; p= 0,004). Todos apresentaram desempenho inferior na segunda avaliação da marcha.

DISCUSSÃO A marcha bípede envolve alguns estados do movimento comumente associados às subtarefas que devem ser realizadas com o intuito de poder coordenar um eficiente comportamento práxico. Tais tarefas incluem a geração contínua de movimentos repetitivos dos membros superiores e inferiores, a fim de que haja progressão na execução dos deslocamentos ativos do corpo no espaço como também um processo de ajuste constante do equilíbrio. Portanto, o ser humano, especialmente o idoso, deve procurar adaptar seu corpo às condições que o ambiente apresenta, por meio de uma progressiva e eficiente coordenação de movimentos, tanto no início como no término de qualquer atividade. Esses movimentos são organizados pelo sistema nervoso central, mediante a sincronização da atividade específica de várias cadeias musculares(7).

Ressalte-se que, do ponto de vista psicomotor, deve-se considerar que essa propriedade motora do movimento não traduz fielmente a intencionalidade do movimento humano. Como se sabe, toda atividade humana está impregnada de afetividade, e outorga sentido prático a qualquer realização motora. Nesse sentido, o objetivo do trabalho psicomotor é de assegurar a vivência do corpo na integração de três importantes dimensões; a motora-instrumental, a emocional-afetiva e a práxico-cognitiva.

Com base nesses princípios, foram desenvolvidas atividades psicomotoras, com o objetivo de promover a interação entre movimento, sensação e cognição. Essas atividades visa-ram assegurar um melhor desempenho na marcha, por meio da apropriação da imagem e do esquema corporal peculiar a cada idoso. O trabalho realizado na água e no solo não se restringiu apenas à realização de tarefas psicomotoras, previamente planejadas. Além disso, empregaram-se dinâmicas de grupo, brincadeiras lúdicas e jogos competitivos, como uma forma de poder trabalhar o corpo em sua totalidade, e não apenas nas atividades relacionadas ao desempenho da marcha. Buscou-se ampliar a participação do idoso na proposta de trabalho psicomotor, usando o ambiente aquático, com o intuito de poder diminuir o impacto das atividades planejadas. No entanto, após a intervenção, os participantes permaneceram com alterações nas seguintes variáveis: altura do passo, comprimento do passo, continuidade de passo, desvio da linha média e estabilidade do tronco.

Deve-se, entretanto, considerar que a avaliação orientada da marcha compreende as variáveis de distância, pois ela mensura o grau de normalidade de variáveis relacionadas ao desempenho da marcha. Isso significa dizer que o tempo de execução para gerar um fortalecimento muscular na região dos quadríceps e dos isquiotibiais foi curto, em relação ao padrão de normalidade do teste.

Analisando-se os aspectos biomecânicos relacionados à marcha, observa-se que o comprimento do passo é caracterizado como uma distância linear entre dois eventos sucessivos acompanhados pela mesma extremidade durante a marcha. Esse parâmetro é afetado pelo comprimento da perna, pela altura, idade e pelo sexo (13-15).

O comprimento do passo pode ser reduzido pelo aumento da atividade excêntrica do músculo quadríceps femoral durante a fase final de apoio, bem como pelo aumento da atividade excêntrica dos músculos isquiostibiais durante a fase final de balanço. relato de significativa correlação entre a força dos membros inferiores e a velocidade da marcha, evidenciando que a perda de força relacionada à idade era um dos fatores que causavam o declínio desse parâmetro entre os idosos(15).

Supõe-se que, quanto menor o comprimento do passo, maior é a cadência para aumentar a velocidade da marcha. Isso explica o autocuidado do idoso ao desenvolver essa ação biomecânica. É importante enfatizar que a velocidade da marcha e o comprimento do passo diferem de pessoa para pessoa, porquanto os dados antropométricos do indivíduo, especialmente seu peso e sua altura, influenciam tanto na velocidade quanto no comprimento do passo(14).

Nessa perspectiva, é pertinente a avaliar a psicomotricidade em idosos sedentários como forma de lhes proporcionar uma melhoria na força muscular, no equilíbrio postural e na promoção da saúde. Busca-se, principalmente, assegurar uma qualidade de vida melhor para esses idosos por meio da potencialização de suas capacidades motoras e, obviamente, de seus interesses e aptidões emocionais diante do trabalho corporal proposto.

É preciso levar em consideração que os comportamentos cultivados durante o percurso de vida têm influência direta na qualidade de vida da pessoa idosa.

Apesar disso, pode-se afirmar que as atividades psicomotoras melhoram a autonomia do ser humano, independentemente da idade, redimensionando sua corporeidade.

Como limitação desta pesquisa, considera-se a não avaliação do sistema sensório-motor dos idosos investigados, pois esse sistema tem importante função para o desempenho da habilidade motora, sensitiva e cognitiva.

CONCLUSÃO Pode-se considerar que o objetivo do estudo foi alcançado plenamente, visto que foi possível analisar detalhadamente a marcha do grupo de idosos avaliados durante o desempenho de atividades psicomotoras. O método utilizado para isso foi uma ferramenta apropriada. Quanto aos principais achados, ressalta-se que a média no desempenho de atividades relacionadas à marcha foi de 11,6, na primeira avaliação, e de 15,5, na segunda. Logo após a prática de atividades psicomotoras, constatou-se uma melhora significativa no desempenho das atividades relacionadas à marcha, em que persistiram irregularidades na altura e na continuidade do passo, bem como no desvio da linha média.

Apesar do curto intervalo de tempo, a intervenção psicomotora trouxe uma resposta positiva sobre o desempenho da marcha dos idosos participantes da pesquisa, mediante o fortalecimento muscular realizado no ambiente aquático que, devido ao seu baixo impacto, facilitou o desempenho funcional dos idosos.

Diante disso, sugere-se a adoção da intervenção psicomotora tanto para a prevenção de incapacidade quanto para a reabilitação funcional do idoso. A psicomotricidade é uma área de estudo e de atuação profissional que, ao utilizar os recursos referentes ao movimento e à afetividade, objetiva estabelecer o equilíbrio necessário entre corpo, indivíduo e ambiente, na apropriação da corporeidade. Porém, essa intervenção deve ser planejada, visando melhorar a conduta motora, senso-perceptiva, cognitiva e emocional do idoso. Considerando isso, salienta-se que, por meio do reforço à autoestima e ao domínio corporal, assegura-se a adequação da funcionalidade corpórea, traduzida por meio da melhoria na qualidade de vida, a partir da projeção das possibilidades psicomotoras da pessoa idosa.


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