Conjunto Internacional de Dados Mínimos de Enfermagem: estudo comparativo com
instrumentos de uma clínica pediátrica
INTRODUÇÃO
Florence Nightingale foi a primeira enfermeira a reconhecer a importância dos
dados relativos aos cuidados de saúde e a formalizar um processo de coleta para
conhecer a frequência das doenças e danos à saúde. Mas, apenas a partir da
década de 1950, iniciam-se as discussões sobre o processo de enfermagem, a
necessidade de obter dados que conduzam a uma melhor assistência de enfermagem
e, consequentemente, a documentação profissional, de modo a evidenciar a
contribuição da Enfermagem nos diversos cenários de atuação.
Um dos grandes desafios que a Enfermagem vem enfrentando é o estabelecimento de
sua base de conhecimento como uma estrutura organizada de informações para
descrever a contribuição da Enfermagem para a saúde da população(1). Esta base
de conhecimento iniciou seu desenvolvimento quando os enfermeiros apresentaram
os primeiros modelos conceituais ou teorias para a profissão, com o objetivo de
explicar e descrever os fenômenos pelos quais a Enfermagem é responsável.
Contudo, o que se evidencia é que todo o conhecimento que foi ou vem sendo
desenvolvido não é refletido nos registros realizados pelos enfermeiros, uma
vez que os elementos que caracterizam a prática de enfermagem - diagnósticos,
resultados e intervenções de enfermagem - não são documentados.
Uma das soluções para este problema seria a utilização do processo de
enfermagem, que além de possibilitar a aplicação dos conhecimentos específicos
na prática é considerado como uma das ferramentas para documentação da prática
de enfermagem. Todavia, para isto os enfermeiros devem, além de conhecer as
propriedades e modos de utilização do processo de enfermagem, dispor de
instrumentos tecnológicos que favoreçam a coleta de dados para fundamentar o
cuidado de enfermagem.
A coleta de dados depois de realizada servirá de informação para que haja
tomada de decisões, com isso, esta informação será utilizada para ser
analisada, gerar recursos, construir o corpo de conhecimento específico da
Enfermagem, para o desenvolvimento da ciência, para atender as necessidades dos
pacientes e para organizar e administrar cuidado eficiente e efetivo(2).
Assim, dados específicos que compõem os sistemas de informação de enfermagem
podem auxiliar na elaboração do diagnóstico de enfermagem, na formulação e
implementação dos planos de cuidados, na avaliação do cuidado prestado, em
pesquisas de comparação de efetividade dos cuidados prestados, na administração
e gerenciamento das unidades com relação a recursos humanos e materiais,
realização de auditorias e outros.
A discussão acerca da padronização dos dados mínimos para caracterização do
trabalho da Enfermagem iniciou-se em 1985, quando um grupo de pesquisadores e
professores dos Estados Unidos da América desenvolveu um conjunto de dados
específicos da Enfermagem para aplicação em cinco locais de atuação: hospitais,
ambulatórios, domicílios, comunidades e instituições de longa permanência. Essa
padronização de um conjunto de dados mínimos para a prática de enfermagem foi
efetivamente desenvolvido em 1988, denominado Nursing Minimum Data Set - NMDS
(Conjunto de Dados Mínimos de Enfermagem). Eles são utilizados para:
estabelecer um comparativo dos dados de enfermagem entre populações clínicas,
contextos (cenários, ambientes), áreas geográficas e tempo; descrever os
cuidados de enfermagem com clientes e seus familiares numa variedade de
contextos (cenários e ambientes); demonstrar ou projetar tendências com
referência ao cuidado de enfermagem fornecido e alocação de recursos para
indivíduos ou populações de acordo com seus problemas de saúde, ou diagnósticos
de enfermagem; estimular a pesquisa em enfermagem utilizando os elementos do
conjunto de dados essenciais de enfermagem; e fornecer dados sobre cuidados de
enfermagem para influenciar e facilitar as tomadas de decisão em políticas de
saúde(3). Este conjunto de dados representa uma coleção de dados a serem
coletados em todos os clientes que recebem cuidados de enfermagem, gerando
informações sobre a prática de enfermagem.
O International Council of Nurses (ICN) juntamente com a International Medical
Informatics Association Nursing Informatics Special Interest Group (IMIA NI-
SIG) e outros organismos internacionais de normalização têm desenvolvido o
projeto International Nursing Minimum Data Set (i-NMDS). Este projeto global
está focado na coordenação da coleta e análise de dados ou de informação em
enfermagem relevantes para apoiar a descrição, estudo e aperfeiçoamento da
prática de enfermagem. É organizado em três categorias específicas: dados do
serviço, dados demográficos do cliente ou paciente e dados do cuidado de
enfermagem. As três categorias possuem 16 elementos, assim distribuídos:
serviço com sete elementos que devem ser coletadas as informações sobre a
identificação ou número do serviço de saúde, número de registro único de saúde
do cliente ou paciente, número de registro único do profissional de enfermagem
que prestou o cuidado, data da admissão, data de alta, dados de encaminhamento,
dados sobre o tipo de pagamento pelo serviço prestado; dados demográficos dos
clientes ou pacientes, compreendendo identificação pessoal, data de nascimento,
sexo, raça e etnia, residência; e cuidados de enfermagem envolvendo os
diagnóstico de enfermagem, intervenção de enfermagem, resultados de enfermagem
e intensidade do cuidado de enfermagem(1).
O i-NMDS vem sendo utilizado mundialmente, a exemplo dos Estados Unidos da
América, Bélgica, Canadá, Austrália, e de alguns países da Europa(3-8). No
Brasil, foram desenvolvidos estudos utilizando o referido conjunto como
ferramenta para auxiliar na documentação manual ou informatizada da prática
profissional nas áreas de saúde ocupacional, saúde do idoso e saúde da mulher
(1,9-10).
Na área de Saúde da Criança e do Adolescente, o desenvolvimento de instrumentos
para documentação da prática pro-fissional tem despertado interesse, no
entanto, chama atenção a falta de consenso acerca dos dados que devem ser
coletados pelo enfermeiro junto a crianças e adolescentes para gerar informação
a qual possa subsidiar a tomada de decisão clínica e descrever a contribuição
da Enfermagem.
Estudos publicados nesta perspectiva focalizam a coleta e registro de uma
extensa quantidade de dados, muitas das vezes redundantes e imprecisos(11-12).
A coleta de numerosos dados e sua realização de modo incompleto, além de não
permitirem obter informações úteis para avaliação da clientela, dificulta o
planejamento da assistência de enfermagem. A carência de definição sobre qual o
tipo de dado específico a ser coletado contribui para a extensão e volume de
instrumentos estabelecidos na Enfermagem(1).
Este estudo teve como objetivo comparar o Conjunto Internacional de Dados
Mínimos de Enfermagem com os dados contidos em históricos de enfermagem
utilizados para aplicação do Processo de Enfermagem na área de Saúde da Criança
e do Adolescente de uma Clínica Pediátrica de um Hospital Escola.
MÉTODO
Estudo de caráter descritivo e comparativo, desenvolvido a partir da análise
comparativa de dois Instrumentos (histórico de enfermagem) utilizados para
aplicação do Processo de Enfermagem na área de Saúde da Criança e do
Adolescente da Clínica Pediátrica de um Hospital Escola, no município de João
Pessoa-PB, Brasil, com os elementos do conjunto de dados mínimos de enfermagem.
Os dois históricos de enfermagem foram construídos a partir de pesquisas
realizadas em nível de mestrado e validados quanto ao conteúdo por enfermeiros
docentes e assistenciais que atuam na clínica pediátrica. Os referidos
históricos são utilizados como subsídio para a implementação do processo de
enfermagem e fazem parte do projeto de Sistematização da Assistência de
Enfermagem do Hospital Escola, para a faixa etária de 0 a 5 anos (histórico 1)
e de adolescentes de 12 a 18 anos (histórico 2).
Para comparar o Conjunto Internacional de Dados Mínimos de Enfermagem com os
dados contidos nos históricos de enfermagem, foi feita a transferência e
organização dos indicadores contidos nos históricos de enfermagem, em uma
planilha eletrônica, nas categorias presentes no i-NMDS, relacionados ao
serviço, dados demográficos dos clientes ou pacientes e cuidados de enfermagem.
Os indicadores contidos nos históricos de enfermagem e comparados no i-NMDS
foram analisados utilizando-se a estatística descritiva e a literatura da área.
RESULTADOS
A primeira categoria analisada foi a que se refere aos dados do serviço,
observando-se que nos dois históricos, a identificação da agência do serviço de
saúde estava presente, uma vez que ambos possuíam identificação exata do
hospital, por meio da logomarca e descrição da clínica; o número de registro
único de saúde do cliente também se encontra presente nos dois históricos,
correspondendo ao espaço para colocar o número do prontuário do cliente. O
número do registro único do profissional de enfermagem também está contemplado,
já que possui o espaço para assinatura e colocação do número do Conselho
Regional de Enfermagem e do carimbo que identifica o enfermeiro que prestou a
assistência. A data de admissão também é registrada nos históricos, porém a
data da alta não fica registrada, uma vez que estes históricos são preenchidos
no momento da admissão do paciente. Os dados de encaminhamento do paciente ou
cliente também não se encontram nos históricos. Quanto ao tipo de pagamento
pelo serviço prestado, como os históricos pertencem a um hospital público, toda
a assistência é realizada pelo Serviço Único de Saúde (SUS) do Brasil, não
havendo necessidade de explicitar esse dado. (Quadro_1).
Quadro 1 Comparação entre os dados contidos nos históricos de enfermagem e na
categoria Dados do Serviço, do i-NMDS. João Pessoa-PB, 2012
Categoria Dados do Serviço Crianças de 0- Adolescentes
5 anos
Identificação ou número da agência do serviço de saúde Presente Presente
Número de registro único de saúde do cliente ou paciente Presente Presente
Número de registro único do profissional de enfermagem que prestou o Presente Presente
cuidado
Data da admissão Presente Presente
Data de alta Ausente Ausente
Dados de encaminhamento do paciente ou cliente Ausente Ausente
Dados sobre o tipo de pagamento pelo serviço prestado Presente Presente
Fonte: dados da pesquisa.
Dos sete elementos relativos aos dados do serviço, os instrumentos contemplaram
as mesmas informações, totalizando o número de 5 (71,5%), ficando ausentes as
informações sobre a data da alta e dados do encaminhamento do paciente, 2
(28,5%).
A segunda categoria analisada e apresentada no Quadro_2 diz respeito aos Dados
demográficos do cliente ou paciente. Os dois históricos contemplam as
informações de identificação pessoal e sexo. Apenas o histórico aplicado para
adolescentes contempla os elementos data de nascimento e informações sobre a
residência. Nenhum dos históricos possui informações sobre raça e etnia.
Quadro 2 Comparação entre os dados contidos nos históricos de enfermagem e a
categoria Dados demográficos do cliente, do i-NMDS. João Pessoa-PB, 2012
Dados demográficos dos clientes ou pacientesCrianças de 0-5 anosAdolescentes
Identificação pessoal Presente Presente
Data de nascimento Ausente Presente
Sexo Presente Presente
Raça e etnia Ausente Ausente
Residência Ausente Presente
Fonte: dados da pesquisa.
Em relação aos cinco elementos da segunda categoria, o histórico para
adolescentes hospitalizados contemplou 4 (80%) dos elementos e o histórico para
crianças com idade de 0 a 5 anos contemplou 2 (40%) elementos.
A terceira categoria comparada e descrita no Quadro_3 foi em relação aos dados
do cuidado de enfermagem. Observou-se que apenas o histórico para adolescentes
hospitalizados contemplou os dados referentes a diagnósticos, resultados e
intervenções de enfermagem. O item intensidade do cuidado de enfermagem não faz
parte dos históricos avaliados.
Quadro 3 Comparação entre os dados contidos nos histórico de enfermagem e a
categoria dos Dados do cuidado de enfermagem, do i-NMDS. João Pessoa-PB, 2012
Dados do cuidado de enfermagem Crianças de 0-5 anosAdolescentes
Diagnóstico de enfermagem Ausente Presente
Intervenção de enfermagem Ausente Presente
Resultados de enfermagem Ausente Presente
Intensidade do cuidado de enfermagem Ausente Ausente
Fonte: dados da pesquisa.
A categoria comparada no Quadro_3, possui quatro elementos, dos quais 3 (75%)
foram identificados no instrumento utilizado na clínica pediátrica para
adolescentes hospitalizados.
Dos 16 elementos comparados, o histórico para adolescentes hospitalizados
possui 12 (75%) elementos e o para crianças de 0 a 5 anos 7 (43,75%) elementos.
Essa diferença acontece, tendo em vista que um dos históricos aborda apenas a
coleta de dados e o outro contempla as outras fases do processo de enfermagem.
DISCUSSÃO
O conjunto i-NMDS tem sido desenvolvido e aplicado em alguns países a fim de
desenvolver conjuntos específicos de acordo com o propósito, conteúdo,
população, abordagem de amostragem, coleta e estágio de desenvolvimento(10).
Sabe-se também que os registros de enfermagem consistem em uma das provas da
qualidade da assistência devendo sempre abordar o real cuidado prestado e
achados que mais se aproximam das condições que o paciente apresenta(13). Como
também a satisfação do paciente relativa à assistência de enfermagem prestada é
um indicador importante da qualidade do cuidado prestado.
A partir da relevância da temática, e ao se comparar os dados dos históricos
aplicados na clínica pediátrica com o i-NMDS, evidenciou-se que alguns
elementos das três categorias avaliadas nem são registrados e nem estabelecidos
como prioridade para tal.
Ao ser feita a análise da categoria sobre os elementos do serviço, percebe-se
que os mesmos encontram bem apresentados nos históricos. Sabe-se como é
importante que os registros sejam feitos de maneira cuidadosa, que aponte o
local onde está sendo prestado o cuidado, bem como especifique e caracterize
informações sobre o cliente e identifique o prestador do cuidado. Pois, ao
identificarmos o enfermeiro por meio de sua assinatura e número de registro
profissional, ele estará cumprindo finalidades obrigatórias de seu exercício
profissional e também preceitos éticos e legais. E a identificação do cliente é
primordial para que não ocorra equívocos ou prejuízos para o assistido.
Outro item importante a ser coletado é a data da admissão bem como a da alta
hospitalar, pois dessa forma será possível caracterizar a clientela assistida
na clínica quanto ao tempo de permanência de ocupação, servindo para uma maior
disponibilização dos leitos e rever qual seria a necessidade de traçar metas
prioritárias para atender satisfatoriamente a clientela. Ressalta-se que nos
históricos não apresentaram as informações quanto à data da alta hospitalar, o
encaminhamento que foi dado ao cliente, e às informações quanto aos custos
relativos ao período de internação. A ausência das informações sobre alta e
encaminhamentos nos históricos justifica-se pela presença de sua anotação em um
livro de registro e no sistema de regulação de admissão e alta da Instituição.
Quanto aos custos da internação os mesmos são contabilizados pela área
administrativa da Instituição, pois embora o hospital seja público, sem ônus
direto para o assistido no período de internação, precisa dessas informações
para que ocorra o reembolso dos custos da prestação do serviço.
Foi identificado em estudo que avaliou instrumento baseado no conjunto de dados
mínimos que o momento da coleta de dados na admissão de clientes muitas vezes
não satisfaz todas as informações que deveriam ser coletadas, mostrando como é
importante a atualização das informações para que o profissional consiga
planejar efetivamente as ações de enfermagem de acordo com a real necessidade
da clientela(9). Em geral, o padrão de documentação dos registros hospitalares
a alta do paciente é apenas documentada ao final da internação hospitalar e
serve para fins de contabilidade e gerenciamento(1).
Quantos aos dados demográficos do cliente ou paciente, a identificação pessoal,
ano de nascimento e gênero merecem destaque. Na área de atenção à saúde da
criança e do adolescente, a informação sobre a idade do cliente é muito
importante para a decisão diagnóstica e tratamento. Pois esta faixa de idade de
0 a 18 anos da clientela que é atendida na clínica apresenta diversas
características específicas para o cuidado dependendo da idade. Porém o
instrumento para crianças de 0 a 5 anos não apresenta a informação específica
sobre a data de nascimento, e sim, a opção para registro da idade da criança em
meses ou anos. A identificação do cliente é um dado primordial que deve ser
coletado assim como o gênero do cliente. Nenhum dos instrumentos contemplou as
informações sobre raça e etnia. Esse dado pode favorecer a obtenção de outras
informações sobre hábitos, crenças e costumes do cliente.
Para evidenciar e caracterizar a Enfermagem na Atenção à Saúde da Criança e do
Adolescente é imprescindível à existência de um consenso acerca de quais dados
devem constar nos instrumentos desenvolvidos para documentar a prática
profissional. Dados esses relacionados com o processo de enfermagem. Comparando
o conjunto de dados nesta categoria, evidenciou-se a ausência dos elementos da
prática em um dos instrumentos, como os itens: diagnóstico, intervenção e
resultados de enfermagem.
Chama atenção a pouca frequência de registro dos elementos essenciais da
prática de enfermagem nos instrumentos que vem sendo desenvolvidos para
implantar a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE). O registro
desses elementos de dados, além de refletir o trabalho da Enfermagem,
contribuem para a implementação da SAE, no tocante ao registro formal do
processo de enfermagem, conforme a Resolução do Conselho Federal de Enfermagem
(COFEN) nº358/2009. Segundo essa resolução, a SAE reflete a organização do
trabalho profissional quanto ao método, pessoal e instrumentos, tornando
possível a operacionalização do processo de enfermagem(14). Este, todavia, é um
instrumento metodológico que orienta o cuidado profissional de enfermagem e a
documentação da prática profissional(15). Nesta perspectiva, é por meio da
operacionalização e documentação desses elementos que a Enfermagem pode
evidenciar sua contribuição na atenção à saúde, aumentando a visibilidade e o
reconhecimento profissional.
Para o Conselho Internacional de Enfermeiras, o que os enfermeiros fazem são as
- ações ou intervenções de enfermagem - em relação a determinadas necessidades
humanas - diagnósticos de enfermagem ou fenômenos - para produzir certos
resultados - resultados de enfermagem. Sendo que o diagnóstico de enfermagem é
definido como um nome dado por um enfermeiro a uma decisão sobre um fenômeno,
que é o foco da intervenção de enfermagem; sendo a intervenção de enfermagem as
ações realizadas em resposta a um diagnóstico de enfermagem com a finalidade de
reproduzir um resultado de enfermagem; e um resultado de enfermagem como a
medida ou o estado de um diagnóstico de enfermagem, em um determinado período,
após a intervenção de enfermagem(16).
O registro dos dados das categorias do conjunto de dados mínimos de enfermagem,
além de favorecer a visibilidade do trabalho da Enfermagem, também atende a
crescente necessidade de desenvolvimento de registro eletrônico de saúde. Sem
inclusão de dados que reflitam o foco único, ação, julgamento e os resultados
associados aos cuidados de enfermagem, enfermeiros docentes e assistenciais,
gestores e políticos não poderão descrever e medir adequadamente a prática de
enfermagem(17).
A análise que foi realizada quanto às informações que estão contidas nos dois
históricos utilizados neste estudo, leva a uma reflexão sobre a importância de
se levar em consideração, na construção destes históricos de enfermagem, os
elementos contidos i-NMDS e a utilização de linguagem padronizada de
enfermagem, a exemplo da Classificação Internacional para Prática de Enfermagem
(18), a fim de que as informações contribuam para caracterizar especificamente
a clientela e sirvam para real utilização e comparação desses dados para
diversas finalidades que possam beneficiar o cuidado de enfermagem.
A problemática sobre a qualidade de informações que são apresentadas nos
registros de enfermagem vem sendo discutida em diversas pesquisas, embora com
esse enfoque estabelecido pelo conjunto de dados mínimos existem ainda poucos
estudos. Em pesquisa publicada sobre a avaliação dos registros de enfermagem de
um hospital universitário realizados no período de 2002 a 2009 apontou que
houve melhorias gradativas desses registros a partir da reflexão dos
profissionais com a qualidade das informações que eles registravam nos
prontuários, bem como do envolvimento do departamento de treinamento e
qualificação de pessoal da instituição que vem buscando promover aprimoramento
profissional e melhoria da capacitação da equipe de enfermagem(19).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Conforme estabelecido como objetivo deste estudo, foi possível comparar o i-
NMDS com o conjunto de dados contidos em instrumentos de registro de enfermagem
na área de Saúde da Criança e do Adolescente.
Os resultados sugerem que haja um aprimoramento quanto ao desenvolvimento de
instrumentos para a documentação do processo de enfermagem, visto que os
instrumentos analisados com o Conjunto Internacional de Dados Mínimos não
contemplaram uniformemente os dados que devem ser coletados para a clientela de
uma mesma clínica. Isto implica em dificuldade de fazer comparações e
utilização desses dados para mensurar e refletir a real assistência de
enfermagem. Principalmente aqueles relacionados à caracterização da prática
profissional, que são os dados do cuidado: diagnósticos, resultados e
intervenções de enfermagem, e a intensidade do cuidado de enfermagem.
Essa reflexão não busca diminuir a contribuição dos instrumentos para a prática
de enfermagem e para o processo de implantação e implementação da SAE na área
de Saúde da Criança e do Adolescente da referida clínica. Mas, por outro lado,
ressalta-se que é imprescindível que se determine um conjunto de dados mínimos
para documentação e análise do processo de trabalho dos enfermeiros,
colaborando, desse modo, para melhoria da qualidade assistencial. Além de gerar
informação que possa evidenciar a contribuição da Enfermagem na atenção a
crianças e adolescentes.
Os resultados encontrados neste estudo podem fornecer subsídios para outros
investigadores na redefinição dos dados que devem ser coletados por enfermeiros
na atenção da saúde de crianças e adolescentes e outras áreas de interesse da
Enfermagem. Estimulando a discussão sobre conjuntos de dados mínimos e sua
contribuição efetiva para a visibilidade da assistência de enfermagem e a
contribuição desta ciência e profissão na atenção à saúde de indivíduos,
famílias e coletividades.
É imperativo para Enfermagem brasileira definir os dados mínimos que devem ser
coletados nas situações de cuidado, de modo que atenda às necessidades de
documentação da prática profissional. Neste sentido, é primordial que os
enfermeiros aprimorem a utilização da linguagem padronizada de enfermagem, para
fazer suas avaliações, planejar a assistência, documentar suas atividades,
identificar e mensurar os resultados de sua prática, articular sua base de
conhecimento para comparar seus resultados e construir uma coerente base de
conhecimento para a prática profissional. Pois esses dados devem servir para
que a assistência de enfermagem se coloque em posição de destaque.