Conhecimentos e atitudes de adolescentes de uma escola pública sobre a
transmissão sexual do HIV
INTRODUÇÃO
O Brasil é um dos países do mundo com elevados números de casos de AIDS em que
ocupa as primeiras posições no ranking mundial. Estima-se que cerca de 630 mil
pessoas vivam com HIV ou AIDS no Brasil. O Nordeste do país apresenta uma
expressiva expansão da doença, evidenciando, portanto, uma elevada situação de
risco de infecção pelo HIV na população em geral(1).
Atualmente, o perfil é marcado pela heterossexualização, feminização,
interiorização, juvenilização e pauperização(2-3). Não há mais grupos
específicos com maior risco de contrair o HIV, há uma epidemia multifacetada
com um complexo emaranhado em que qualquer pessoa encontra-se vulnerável, pois
a transmissão do HIV é um fenômeno global, dinâmico e instável que depende,
dentre outros fatores, dos comportamentos individual e coletivo.
Conforme mudança no perfil da epidemia nos últimos anos, novos grupos têm se
tornado mais vulneráveis, tais como as mulheres, os negros, os adolescentes e
os jovens. As estatísticas mostram uma tendência no aumento de casos de AIDS
entre os jovens, bem como uma maior incidência de doenças sexualmente
transmissíveis (DST) nessa população do que nas outras faixas etárias. Assim, o
HIV/AIDS vem se apresentando como uma das principais causas de mortalidade no
mundo de pessoas na faixa etária entre 10-24 anos(4).
Os adolescentes constituem uma população vulnerável à infecção pelo HIV, seja
nos países subdesenvolvidos ou nos desenvolvidos, o que pode ser percebido por
diversos fatores, entre eles: biológicos, psíquicos, sociais e econômicos, os
quais influenciam na vulnerabilidade dos adolescentes às DST(5). Há maior
suscetibilidade às DST entre os jovens e adolescentes com baixos níveis de
instrução e socioeconômico, o que vai ao encontro do que está exposto no
relatório do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAI-DS) o
qual indica que as pessoas que vivem na pobreza e com baixo índice de educação
formal são as mais vulneráveis ao HIV no Brasil(6).
Porém, pesquisas apontam que, mesmo com divulgação na mídia e informação, os
adolescentes e jovens ainda possuem dúvidas sobre a prevenção da transmissão do
HIV/DST e certa resistência ao uso do preservativo, tornando-se vulneráveis e
aumentando as incidências da doença(7). O descobrimento precoce da sexualidade,
a multiplicidade de parceiros maior liberdade sexual, a não adesão ao uso de
preservativo, a necessidade de afirmação grupal são outros fatores que tornam
os adolescentes vulneráveis às doenças sexualmente transmissíveis(8).
Assim, os adolescentes apresentam necessidades específicas que devem ser
alcançadas por meio das políticas públicas de saúde do país, tais como ações de
controle e prevenção do HIV/AIDS, favorecendo a participação do jovem como
sujeito na prevenção e promoção da sua saúde(9).
Vislumbrando o contexto da saúde do adolescente na sua integralidade e
coletividade, a escola apresenta-se como um local propício para desenvolver
ações educativas sobre a sexualidade, transmissão do HIV e outras DST,
desmistificando alguns conceitos e valores que existem em torno desses
assuntos. Para tanto, faz-se necessário um envolvimento entre profissionais de
saúde, educadores, familiares e comunidade.
Nos últimos tempos, os escolares estão tendo maiores curiosidades sobre
sexualidade e DST/HIV/AIDS e muitas vezes, os professores não sabem lidar com o
assunto. Estudos mostram que, embora a população adolescente tenha algum
conhecimento elementar sobre DST/HIV/AIDS, esta ainda carece de educação
efetiva para adquirir conhecimentos e habilidades que modifiquem seu
comportamento frente a essas doenças(7).
Diante desse contexto, os objetivos da pesquisa foram descrever o conhecimento
de adolescentes de escola pública sobre a transmissão do HIV/AIDS; e analisar o
comportamento sexual e atitudes dos mesmos frente ao uso do preservativo.
METODOLOGIA
Trata-se de estudo descritivo e exploratório. É um recorte do projeto de
pesquisa intitulado Risco de transmissão sexual do HIV: atitude, percepção e
representações sociais de adolescentes. A pesquisa foi desenvolvida em uma
escola da rede pública estadual, pertencente à Secretaria Executiva Regional IV
(SER IV), localizada em Fortaleza, Ceará, no período de agosto a outubro de
2009.
A amostra foi constituída por 234 estudantes de acordo com os seguintes
critérios de inclusão: estar matriculado na escola; ter idade igual ou maior a
13 e menor ou igual a 19 anos; ter autorização dos pais ou responsáveis para
participar do estudo e aceitar participar da pesquisa.
Os dados foram coletados por meio de duas técnicas: 1) questionário
semiestruturado com questões sociodemográficas, de vida sexual, uso do
preservativo e de conhecimentos sobre a transmissão do vírus HIV e 2) uma
escala de atitudes quanto ao uso do preservativo (Escala de Likert), com nove
itens.
A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade
Estadual do Ceará e está de acordo com as determinações da Resolução nº 196 /
1996, substituída pela Resolução nº 466 / 2012, do Conselho Nacional de Saúde,
sobre pesquisa envolvendo seres humanos(10).
A análise dos dados das questões fechadas do questionário e da escala de
atitude frente ao preservativo envolveu descrição estatística (frequência
relativa, média e mediana e cruzamento de dados). Os dados foram processados no
programa Statistical Package for Social Sciences - SPSS 16.1. Os dados
referentes à pergunta aberta sobre os motivos do não uso do preservativo nas
relações sexuais foram analisados em categorias temáticas conforme técnica de
Análise de Conteúdo(11).
RESULTADOS
Os adolescentes participantes estavam igualmente distribuídos quanto ao sexo
(117 do sexo masculino e 117 do sexo feminino), tinham média de idade de 16,5
anos, e cursavam o Ensino Médio, sendo 41,9% (n=98) pertencente ao primeiro
ano.
Conforme os dados socioeconômicos, 71,1% (n=165) moravam com os pais/família,
45,7% (n=107) tinham o pai como chefe da família, ou seja, aquele que mais
contribui com a renda, e apresentavam renda familiar média de três salários
mínimos (SM), considerando o salário mínimo de 465 reais. Cerca de 60% (n=142)
era praticante da religião católica.
Comportamento Sexual
Apresentam-se na Tabela_1 os resultados referentes ao comportamento sexual dos
234 adolescentes participantes da pesquisa, onde se observa que 53,4% (n=124)
ainda não tiveram relações sexuais, porém número significativo da amostra,
compreendido por 46,6% (n=108), iniciou a vida sexual, sendo que dentro deste
percentual a maioria é do sexo masculino. A média de idade com que tiveram a
primeira relação sexual foi de 14,7 anos e mediana de 15 anos.
Tabela 1 Distribuição da amostra conforme comportamento sexual, Fortaleza-CE,
2010.
TEVE RELAÇÃO SEXUAL MASCULINO FEMININO TOTAL
n % n % n %
Sim 70 30,3 38 16,3 108 46,6
Não 47 20,2 77 33,2 124 53,4
Total 117 50,5 115 49,5 232 100,0
IDADE À PRIMEIRA RELAÇÃO SEXUAL
Até 15 anos 55 51,8 19 18,0 74 69,8
De 16 a 19 anos 13 12,2 19 18,0 32 30,2
Total 68 64,0 38 36,0 106 100,0
USO DO PRESERVATIVO NA PRIMEIRA RELAÇÃO SEXUAL
Sim 37 34,3 27 25,0 64 59,3
Não 33 30,5 11 10,2 44 40,7
Total 70 64,8 38 35,2 108 100,0
USO DO PRESERVATIVO NA ÚLTIMA RELAÇÃO SEXUAL
Sim 50 47,6 24 22,9 74 70,5
Não 19 18,1 12 11,4 31 29,5
Total 69 65,7 36 34,3 105 100,0
Identifica-se que a maioria utilizou preservativo tanto na primeira quanto na
última relação sexual. Dentre aqueles que já iniciaram a vida sexual, 40,7%
(n=44) não usaram preservativo na primeira relação sexual. Os resultados
mostraram ainda que 83,0% (n=88) dos que iniciaram a vida sexual tiveram
relação nos últimos doze meses, sendo que o percentual daqueles que não
utilizaram preservativo na última relação diminui para 29,5% (n=31) quando
comparado com a primeira relação sexual.
A Tabela_2 aponta os motivos para não uso do preservativo, referidos por 40,7%
(n=44) dos adolescentes que informaram não ter usado preservativo na primeira e
29,5% (n=31) dos que não utilizaram na última relação sexual.
Tabela 2 Distribuição dos adolescentes que tiveram relação sexual sem
preservativo na primeira e na última relação sexual segundo os motivos do não
uso do preservativo. Fortaleza-CE, 2010.
MOTIVO DO NÃO USO DO PRESERVATIVO NA PRIMEIRA RELAÇÃO SEXU n %
Não tinha preservativo no momento 13 27,6
Não lembrou do preservativo 9 19,2
Incontinência do impulso sexual 7 14,9
Muito jovem/imaturo/sem experiência 6 12,7
Confiança no(a) parceiro(a) 3 6,5
Não sabia que ia acontecer 3 6,5
Acha que não precisa 2 4,2
Não sente prazer com camisinha 2 4,2
Não quis 2 4,2
Total 47* 100,0
*n=47 - alguns apresentaram mais de uma resposta
MOTIVO DO NÃO USO DO PRESERVATIVO NA ÚLTIMA RELAÇÃO SEXUA n %
Não tinha preservativo no momento 9 27,3
Uso de anticoncepcional 5 15,2
Confiança no(a) parceiro(a) 5 15,2
Não sente prazer com camisinha 4 12,1
Muito jovem/imaturo 3 9,1
Incontinência do impulso sexual 2 6,0
Não tem risco 1 3,0
Quer ter filho 1 3,0
Outro 3 9,1
Total 33* 100,0
*n = 33 - alguns apresentaram mais de uma resposta
Dentre os que não utilizaram o preservativo na primeira relação sexual, 27,6%
(n=13) justificaram o não uso porque não o tinha, 19,2% (n=9) porque não
lembrou e 14,9% (n=7) devido à incontinência do impulso sexual. Importante
ressaltar que 12,7% (6) afirmaram não ter usado o preservativo pelo fato de que
era muito jovem/imaturo/sem experiência.
Dentre aqueles que tiveram a última relação sexual sem preservativo, 27,3%
(n=9) justificaram o não uso da camisinha pelo fato de não possuí-la durante o
ato sexual, 15,2% (n=5) pelo uso de anticoncepcional e 15,2% (n=5) por
confiança no (a) parceiro (a).
Conhecimentos sobre a transmissão do HIV
Apresenta-se no Gráfico_1 os conhecimentos dos adolescentes participantes sobre
os modos de transmissão do vírus HIV. A maioria reconheceu a relação sexual com
penetração vaginal sem camisinha e o compartilhamento de seringas
correspondendo, respectivamente, as freqüências de 91% (n=213) e 77,7% (n=174)
dos participantes. Os adolescentes também demonstraram adequadamente que o HIV
não é transmitido pelo aperto de mão e beijo no rosto.
Gráfico 1 Distribuição da amostra segundo conhecimento sobre o modo de
transmissão do HIV. Fortaleza-CE, 2010.
Houve algumas deficiências nos conhecimentos sobre a transmissão do HIV já que
55,4% (n=124) reconheceram a doação de sangue como via de contaminação. Apenas
46,9% (n=105) e 43,8% (n=98) declararam que sexo durante a menstruação sem
camisinha e sexo oral sem camisinha, respectivamente são vias de transmissão.
Em relação à fonte de informações dos adolescentes sobre DST/HIV/AIDS, 60,6%
(134) afirmou utilizar a televisão como principal meio para obter informações
acerca dessas doenças, seguido por 49,3% (n=109) que referiram a escola com o
professor, como evidenciado no Gráfico_2.
[/img/revistas/reben/v67n1//0034-7167-reben-67-01-0048-gf02.jpg]
Gráfico 2 Distribuição da amostra segundo fonte/meios de informações para saber
sobre DST/AIDS. Fortaleza-CE, 2010.
Atitudes frente ao uso do preservativo
Os resultados mostraram que a maioria das atitudes foi favorável ao uso do
preservativo e com maior prevalência entre as mulheres, conforme a Tabela_3,
abaixo. Observa-se que os homens podem apresentar atitude inconsistente ao uso
do preservativo mais freqüente do que as mulheres, pois 57,2% (n=63)
concordaram/concordaram totalmente que este reduz o prazer sexual, 46,7% (n=51)
que o uso do preservativo gera desconfiança entre os parceiros, e 40,2% (n=41)
que o preservativo inibe o desempenho sexual.
Tabela 3 Distribuição da amostra segundo atitude de usar ou não o preservativo,
Fortaleza - CE, 2010.
ATITUDES MASCULINO FEMININO
n % n %
Devemos usar camisinha em toda relação sexual. C/CT 101 90,1 113 98,2
D/DT 11 9,9 2 1,8
O uso de camisinha é indispensável apenas com pessoas desconhecidas. C/CT 43 39,1 10 8,8
D/DT 67 60,9 104 91,2
O preservativo reduz o prazer sexual. C/CT 63 57,2 40 37,8
D/DT 47 42,8 66 62,2
As doenças sexualmente transmissíveis só atingem grupos de risco. C/CT 22 19,8 29 25,3
D/DT 89 80,2 86 74,7
Qualquer pessoa que não use camisinha corre o risco de contrair C/CT 103 92,7 106 93,8
AIDS. D/DT 8 7,3 7 6,2
Quando existe confiança entre os parceiros não é necessário usar C/CT 42 38,5 24 21,1
camisinha. D/DT 67 61,5 90 78,9
O uso da camisinha gera desconfiança entre os parceiros que têm uma C/CT 51 46,7 34 30,1
relação afetiva. D/DT 58 53,3 79 69,9
A camisinha inibe o desempenho sexual C/CT 41 40,2 30 27,8
D/DT 61 59,8 78 72,2
Não me considero vulnerável para contrair AIDS quando não uso C/CT 29 26,4 10 9,7
preservativo D/DT 81 73,6 93 90,3
*C/CT: Concordo/Concordo totalmente; D/DT: Discordo/Discordo totalmente
DISCUSSÃO
Nesta pesquisa, quase metade dos adolescentes haviam iniciado a vida sexual,
observando-se uma precocidade nesse processo, sendo a média da idade da
primeira relação sexual inferior a encontrada na literatura(12-14), que
apontaram idades entre 15 e 19 anos para iniciação sexual. Identificou-se
também que os meninos têm iniciado suas atividades sexuais mais cedo do que as
meninas, fato que pode ser influenciado por questões de gênero, valores
familiares e atitudes sociais(14-16).
O preservativo foi adotado pela maioria dos sexualmente ativos, tanto na
primeira quanto na última relação sexual(12,14,16). Apesar de verificarmos
aumento da utilização do preservativo, dados nacionais apontam queda em seu
uso, principalmente entre os jovens(1), portanto não podemos desprezar o fato
de que 40,8% e 31,5% não usaram camisinha na primeira e última relação,
respectivamente, frequências semelhantes à de outras pesquisas(15,17).
Embora mais de 95% da população brasileira saiba que o uso do preservativo é a
melhor maneira de prevenir a infecção pelo HIV, o seu uso está longe de atingir
níveis satisfatórios, e mesmo que os jovens apresentem as maiores proporções de
uso, a queda observada nesta faixa etária é preocupante(1,18).
Os motivos citados para o não uso do preservativo foram diversos, variando
desde crenças de que o preservativo diminui o prazer, confiança na fidelidade
do parceiro, comportamentos impulsivos durante o ato sexual, maior preocupação
com a anticoncepção, até o fato de não tê-lo no momento(12-13,17,19).
A imaturidade e a falta de experiência durante a adolescência, principalmente
quando o ato sexual acontece numa idade precoce, podem fortalecer esses motivos
e favorecer o não uso do preservativo, contribuindo com a vulnerabilidade
destes sujeitos(14,16,17).
Os adolescentes acabam por usar menos o preservativo quando utilizam outros
métodos contraceptivos, mais comumente a pílula anticoncepcional pela parceira.
Uma possível explicação para este acontecimento é o fato de que a gravidez é
vista como uma conseqüência mais imediata em relação aos outros riscos tardios
(17-18).
O aspecto da confiança no(a) parceiro(a) provavelmente está ligado ao vínculo e
grau emocional que existe no relacionamento e no momento do ato sexual, o que
pode interferir negativamente na negociação do preservativo entre o casal(13-
15).
Observou-se a existência de atitudes favoráveis ao uso do preservativo,
principalmente entre as mulheres, evidência relevante, pois a atitude favorável
ao preservativo está associada à intenção de usá-lo efetivamente(12,15).
O elemento que compõe a vulnerabilidade mais frequentemente investigado em
estudos, é o grau e a qualidade do conhecimento acerca do HIV/AIDS. O
conhecimento insuficiente sobre a infecção, a ambivalência entre o conhecimento
e a adoção de práticas sexuais saudáveis são os fatores de vulnerabilidade mais
presentes entre os jovens(16).
Os adolescentes mostraram conhecimentos corretos acerca da transmissão do HIV,
reconhecendo principalmente a relação sem camisinha como um risco para
exposição ao HIV, porém, ainda apresentam crenças errôneas e dúvidas sobre
outros modos de transmissão(7,20).
A maioria dos adolescentes afirmou obter informações sobre prevenção de HIV/
AIDS por meio da televisão e da escola(15,17), que se mostraram como as
principais fontes de informação dos adolescentes sobre AIDS. A televisão exerce
um importante papel na divulgação de informações sobre modos de transmissão do
HIV e de prevenção, já que esta é de fácil acesso entre a população jovem,
juntamente com a escola onde acontecem palestras e trabalhos voltados para essa
temática.
Apesar da ampla divulgação sobre conhecimentos acerca das DST/HIV/AIDS no nosso
país, muitos jovens ainda não adotam tais práticas, o que aponta uma
dissociação entre o acesso à informação desse saber em práticas no cotidiano
dos adolescentes, apontando que a abordagem do sexo seguro entre adolescente
continua sendo necessária(17).
CONCLUSÕES
Este estudo limitou-se a abordar estudantes do ensino médio de uma escola
pública, sendo a amostra não probabilística intencional, portanto os resultados
aplicam-se apenas à população pesquisada.
Conclui-se que os adolescentes iniciam sua vida sexual precocemente e muitos
sem utilizar o preservativo, aumentando sua vulnerabilidade sexual ao HIV/AIDS.
Crenças e atitudes diversas em torno do preservativo, de que o mesmo reduz o
prazer ou inibe o desempenho sexual, ainda existem fortemente entre os jovens e
contribuem com esta vulnerabilidade. A televisão e a escola foram as principais
fontes de informação sobre a temática HIV/AIDS, refletindo a importância deste
ambiente escolar para abordagem de questões que envolvem a sexualidade.
Mesmo que apresentem informações elementares sobre DST/HIV/AIDS, eles ainda
carecem de uma educação efetiva e permanente que envolva o assunto a fim de
adquirir conhecimentos e habilidades, os quais poderão definir mudanças no
comportamento sexual dos adolescentes.
Para isso, é necessário que haja uma implementação e uma continuidade dos
programas educacionais sobre sexualidade tanto nos meios de comunicação os
quais são acessados mais facilmente pelos adolescentes, devendo ter uma
linguagem clara, objetiva, dinâmica e lúdica sobre as DST/AIDS, quanto dentro
das escolas.
O espaço escolar é visto como o melhor ambiente para se trabalhar ações de
educação sexual com os adolescentes, pois é lá que estes passam tempo
considerável e é para lá que levam suas dúvidas e esperam que estas sejam
respondidas. É dentro do espaço escolar também que o adolescente se sente mais
confortável para discutir certos assuntos já que estão no grupo de iguais com o
qual tem afinidade.
Essas ações educativas que visam promoção e prevenção da saúde dos jovens podem
ser realizadas em parceria com os profissionais de saúde, de educação e a
comunidade para que os adolescentes passem a ser sujeitos ativos da sua saúde,
pois, a desinformação e o desconhecimento sobre a transmissão do HIV e seus
métodos de prevenção são alguns dos fatores que tornam os adolescentes mais
vulneráveis à infecção pelo HIV e outras DST.
Espera-se que esta pesquisa, junto a outros estudos, possa contribuir para o
desenvolvimento e aprimoramento dos programas de prevenção e promoção da saúde,
bem como campanhas de educação sexual voltadas para os jovens dentro das
escolas, com a perspectiva de promover uma melhor qualidade de vida e saúde
para os adolescentes.