Mudanças no comportamento e desenvolvimento do escolar a partir do cuidado à
família
INTRODUÇÃO
O Programa Saúde na Escola (PSE) tem como perspectiva a inter-relação da
educação com outros saberes e ciências, em especial da área de saúde(1). Vem
potencializar as relações familiares, as quais, em alguns momentos, também
apresentam limitações para resolver determinadas situações.
Atualmente o espaço escolar deve ser compreendido como um cenário de
convivência de crianças e adolescentes, relacionando efetivamente suas
respectivas famílias, os professores e a comunidade. A promoção da saúde nesse
meio é de grande relevância, atuando principalmente na constituição do
conhecimento da pessoa com uma visão crítica, estimulando-a à autonomia, ao
exercício de direitos e deveres, com atitudes mais saudáveis relacionadas às
condições de sua saúde e qualidade de vida(2). Esse é um desafio para
profissionais de saúde e educação, seus interlocutores, usuários, gestores e
formuladores de políticas sociais, além de movimentos sociais, suas
representações populares, acadêmicas e de serviços públicos e privados(3).
Os escolares não aprendem apenas no cenário escolar, mas também em outros
espaços sociais. Todavia, não há dúvida quanto à função básica da escola como
espaço de ensinar e aprender e também de mediar as relações da família com
aspectos da saúde, que pode consolidar a prática que congrega o sujeito a
participar, interagir e constituir no coletivo um novo saber.
Reconhecer as diferenças individuais e coletivas favorece a criação de
diferentes espaços de promoção da saúde, incluindo a família, a comunidade, o
serviço de saúde e a escola(4).
As famílias são obra da sociedade em que estão inseridas e a história vivida
por seus membros, bem como os papéis e funções que desempenham, têm íntima
relação com a estrutura política, econômica, social e cultural que as constitui
(5).
Mediante o exposto, questiona-se: como a enfermagem pode contribuir para as
relações das famílias de escolares que apresentam alterações no comportamento e
no rendimento escolar? Assim, este estudo objetivou descrever as contribuições
da enfermagem nas relações das famílias de escolares que apresentam alterações
no comportamento e no rendimento escolar.
METODOLOGIA
Pesquisa-ação fundamentada no método da problematização, em que foi utilizado
um esquema denominado Método do Arco, que considera como premissa da educação a
realidade circundante ao indivíduo, suas vivências, experiências e
conhecimentos, tendo como finalidade a transformação do contexto social. A
metodologia da problematização enfatiza que os problemas a serem estudados
precisam valer-se de um cenário real, além disso, é também, uma das
manifestações do construtivismo na educação. Enfoca a transformação social, a
conscientização de direitos e deveres do cidadão, mediante uma educação
libertadora e emancipatória(2).
Originária do pensamento freireano, a metodologia da problematização foi
proposta inicialmente por Bordenave e Pereira(6) e revelou-se uma estratégia
inovadora na área educacional. Esses autores utilizaram um esquema elaborado
por Charles Maguerez, denominado Método do Arco, que tem seu ponto de partida
na realidade, seguindo uma trajetória de observações sobre um problema,
reflexões, teorizações, hipóteses de solução e proposições para voltar à
realidade e poder transformá-la.
A pesquisa foi realizada nos meses de março a maio de 2012 em uma escola
municipal localizada na região oeste da cidade de Santa Maria - RS.
Participaram 25 famílias de escolares que atenderam aos critérios de inclusão:
situação extrema de vulnerabilidade, dificuldades de aprendizagem ou situação
de risco para evasão escolar.
Os dados foram coletados por meio de um diário de campo em que foram descritos
as discussões e os depoimentos das famílias no decorrer dos encontros, os quais
foram previamente agendados e ocorreram em uma sala de aula da referida escola.
Os encontros foram realizados e coordenados pela própria pesquisadora após
autorização da escola. Um convite foi enviado às famílias para a primeira
reunião e, nesta, o cronograma dos demais encontros foi construído em conjunto.
Para melhor compreensão do perfil dos participantes, utilizou-se a estatística
descritiva. Para análise dos resultados dos encontros foram seguidas as cinco
etapas descritas no Método do Arco de Maguerez(6-7). A fim de manter o
anonimato das famílias participantes, os depoentes receberam nomes de flores.
As questões éticas foram seguidas conforme consta na Resolução nº 196/1996 que
orienta a ética na pesquisa com seres humanos(8). Cada participante assinou o
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. O projeto foi aprovado pelo Comitê
de Ética do Centro Universitário Franciscano (UNIFRA) com registro na CONEP nº
1246 e Registro CEP/UNIFRA nº 410.2011.2.
IMPLEMENTAÇÃO DO MÉTODO DO ARCO DE MAGUEREZ
1ª Etapa - Observação da realidade social
Para a observação da realidade vivida pelas famílias, os encontros assumiram a
forma de rodas de conversa, a fim de proporcionar a interação entre
participantes e pesquisadores. No primeiro encontro, após a explanação do
objetivo principal, a primeira expressão das mães foi de curiosidade, alegria e
entusiasmo, por encararem tais reuniões como uma oportunidade de expressar a
realidade vivida dentro de seus lares, com anseios, preocupações e lutas
diárias. No decorrer de dez encontros, prevaleceu a presença de mulheres
(mães), na maioria das vezes acompanhadas de seus filhos. O comparecimento só
de mulheres permitiu que pudessem expor com maior liberdade o cotidiano vivido
dentro da família.
Foi possível observar a imensa necessidade de acolhimento que estas mulheres
sentiam, por falta de alguém para ouvi-las, o distanciamento conjugal, a
sobrecarga de trabalho resultante de afazeres domésticos, trabalho fora do lar
e cuidado com os filhos. Muitas vezes sentem-se insuficientes, pois a demanda
de tempo nos afazeres ao longo do dia impossibilita uma conversa de qualidade
com os filhos, aumentando o distanciamento. Existe dificuldade de diálogo entre
mãe e filhos e demais componentes da família e baixa autoestima entre as
mulheres. Algumas se isolam do convívio externo, passam sozinhas ou cuidando de
seus filhos e netos em seus lares.
A história de vida da maioria (95%) das participantes mostrou-se repleta de
lutas e desafios, 80% relataram ter depressão e fazer uso de medicações
controladas. A dificuldade para se relacionar com os filhos foi manifestada por
90% das mães, sendo que justificaram essa dificuldade por não terem abertura e
não entenderem seus filhos. Além do sofrimento que sentem ao vivenciar
situações em que os filhos estão agindo de maneira inadequada e com pouco
afeto, sofrem quando os filhos preferem a ajuda de estranhos em detrimento de
sua ajuda. Observa-se que apesar de habitarem no mesmo local, existe falta de
vínculo entre os membros da família.
Eu orientei, ensinei, ela teve uma filha e eu ajudei, ela engravidou
de novo, o cara não quis assumir e eu assumi, estou com as duas
filhas dela. Qual é a mãe que vai se colocar nesse lugar e abrir mão
de viver?(Violeta).
Eu disse que quando ela começasse a estudar, eu ia voltar a estudar
de novo, aí ela teve a pequena e eu pensei: Bom, então vou dar mais
um tempo, né. Aí depois ela engravidou de novo e eu disse: Bom, ela
esta grávida, vou deixar para o ano, né. Ela vai tomar juízo, vai
cuidar das filhas, cuidar da casa de noite para mim poder estudar.
Não fez nada disso. (Rosa).
Eu virei um ano em que eu tive que vender a minha casa de 8 peças,
construída com sacrifício, por 4 mil, pagando prestação de 200, agora
por uma outra do mesmo tamanho quase, né, que vai sair 7 mil. Eu
disse para ela: Eu pago o leiteiro, eu pago fralda, eu pago remédio,
eu dou alimento, eu dou carinho, eu dou amor que a mãe tinha que
dar.. A minha estrutura já esta ficando balançada, o meu sistema
nervoso já está começando a balançar. (Girassol).
Larguei o marido, estou vivendo bem, criando meu filho. Quando ele
quer um brinquedo, eu levo ele lá no R$1,99, dou e digo: Não é igual,
mas é o que a mãe pode te dar. (Bromélia).
É triste ver que eles preferem muitas vezes conversar e pedir ajuda
pra um estranho do que para a própria mãe. (Orquídea).
Comemorar o dia das mães pra mim é um momento de tristeza e de
alegria ao mesmo tempo. Porque tem dias que não me sinto mãe de
verdade, pois não consigo dar o que meu filho precisa. Meu marido não
se preocupa com isso. (Margarida).
As mães carregam consigo uma grande tristeza, sendo que os encontros
possibilitaram que compartilhassem o que ocultavam em seu interior e
ressaltassem a importância de valorizar as pessoas no núcleo familiar. O choro
foi manifestado por 100% das mães quando verbalizaram a falta que sentiam do
pai, da mãe, do irmão que faleceu. Muitas vezes disseram que chegam ao final do
dia e estão tão cansadas que acabam não conversando, não tendo tempo de dizer
às pessoas da casa o quanto são importantes para elas, não se abraçam e nem se
sentam junto para conversar. Após a observação da realidade vivenciada pelas
pessoas da família, foi possível passar para a segunda etapa, na qual se
identifica e dá-se nome ao problema encontrado, a fim de estudá-lo.
2ª Etapa - Pontos-chave
Foi possível identificar alguns dos principais problemas encontrados nas
famílias participantes, sendo estes: falta de diálogo no núcleo familiar e
social, potencializando a desintegração entre pais e filhos; baixa autoestima,
tristeza, depressão, necessidade de serem ouvidas e amadas; relacionamento
conjugal desestruturado e desvalorização do cônjuge; sentimento de perda e de
ser insuficiente com os filhos; dificuldade em expressar sentimentos de amor e
afeto pelas pessoas queridas e da família, dependência química e DST na
família.
3ª Etapa - Teorização
Nessa etapa expõe-se o estudo acerca dos pontos-chave. É o momento da
investigação, referente ao que os autores abordam em relação ao problema,
passando para uma perspectiva mais científica. Nos encontros, a teorização
ocorreu de maneira a colocar o problema e, partindo das opiniões, foram
buscadas soluções e também exemplificados os casos de famílias e as relações em
que ocorreram as mesmas dificuldades e as pessoas nelas envolvidas conseguiram
superar. Ou seja. As discussões versavam sobre resiliência, ou seja, buscar no
conflito ou no problema a oportunidade de crescimento pessoal e social. Os
temas teorizados foram:
Falta de diálogo no núcleo familiar e social, potencializando a desintegração
entre pais e filhos
A família pode ser considerada uma verdadeira incubadora, cenário em que o
caráter, o comportamento e os demais valores e princípios são formados. O
Programa Nacional de Saúde Escolar(9) salienta que a família é a primeira
escola da criança e objetiva seu bem-estar físico, psicológico, social, afetivo
e moral. Para ser efetiva e eficaz, a vida familiar depende de condições para a
sustentação dos vínculos afetivos diariamente.
Percebe-se a que família ideal é desejada pelas pessoas, porém, na realidade do
cenário familiar, observam-se famílias desestruturadas, as quais não oferecem
bases firmes para um bom desenvolvimento de seus componentes. Considera-se que
as famílias que apresentam características disfuncionais podem transmitir aos
filhos modelos de comportamento inadequados(10).
Baixa autoestima, tristeza, depressão, necessidade de serem ouvidas e amadas
A autoestima é uma das características das pessoas mais felizes. Pode estar
associada tanto a resultados negativos, quanto positivos. Também pode ser
definida como a avaliação afetiva do valor, apreço ou importância que cada um
faz de si próprio(11).
Um fator que influencia a baixa autoestima das mulheres é o desvalor expressado
pelos cônjuges, fazendo com que não se sintam valorizadas na família,
acarretando problemas que interferem na estruturação conjugal e familiar.
Relacionamento conjugal desestruturado e desvalorização do cônjuge
A conjugalidade é uma síntese de aspectos positivos e negativos vividos a dois,
dentre os quais se destaca a falta de estima no casamento, uma forma de
decadência da convivência construtiva amorosa, que se refere à falta de
expressão afetiva e desvalorização da singularidade da pessoa. Isso fragiliza a
convivência a dois, degradando a vida conjugal, na medida em que não há
possibilidade da liberdade de ser quem se é no convívio familiar(12).
O modo como são expressos os sentimentos no relacionamento a dois pode
influenciar a forma como a pessoa se vê. Ambos os cônjuges esperam que sejam
supridas suas necessidades, tanto afetivas, quanto físicas. Quando essa
reciprocidade amorosa não ocorre, ocorre a solidão emocional, a qual pode ser
acompanhada por um sentimento de angústia e tristeza que, ao se aprofundar,
leva a pessoa ao sofrimento, vivido sempre como uma experiência desagradável
(12). A desvalorização da pessoa pode ser geradora de inúmeros sentimentos,
dentre eles o de insuficiência para com os familiares.
Sentimento de perda e de ser insuficiente com os filhos
No que se refere ao papel da mãe, pode-se verificar que, independentemente das
transformações que a família vem sofrendo, as funções de cuidadora do lar e dos
filhos permanecem vinculados à mulher(13).
A crise econômica a que está sujeita a família induz a ida de seus filhos para
a rua, a fim de ajudar no orçamento familiar. Essa situação, que era
temporária, pode se estender, levando o convívio entre pais e filhos a se
tornar cada vez mais distante(14).
A perda ou o rompimento dos vínculos na família produz sofrimento e leva a
pessoa à descrença de si mesmo, tornando-a frágil e com autoestima reduzida.
Com a incorporação de um sentimento desagregador, desfaz-se o que pode haver de
mais significativo para o ser humano: a capacidade de amar e de se sentir amado
(14).
Dificuldade em expressar sentimentos de amor e afeto pelas pessoas da família
É importante que as conversas entre pais e filhos sejam constantemente
estimuladas e que sejam de realizadas de forma aberta, um tentando compreender
o outro. Essa interação propicia o rompimento da barreira do distanciamento,
além de facilitar as demonstrações de afeto.
A família pode ser fonte de afeto e também de conflito, o que significa
considerá-la em seu movimento, sua vulnerabilidade e sua fragilidade, ampliando
o foco sobre ela. Não visualizá-la de forma fragmentada, mas trabalhar com o
conjunto que a compõe, se um membro está precisando de assistência, sua família
também estará(14).
A presença de diálogo e compreensão na família fortalece os laços afetivos,
evitando que seus componentes busquem refúgio fora do lar. Pois, quando isso
não ocorre, as pessoas podem vir a sentir-se mais acolhidas na rua do que em
seu lar, isso propicia a diversas situações de vulnerabilidade, dentre elas, as
drogas e DSTs.
Dependência química e DSTs na família
A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) é a mais grave e conhecida das
DSTs e representa um dos maiores problemas de Saúde Pública da atualidade(15).
Entre os portadores da doença, ressalta-se que o medo, o preconceito, o
abandono, a culpa e a exclusão ainda são constantes. Sendo assim, é preciso
encontrar estratégias para auxiliá-los e às suas famílias em seus processos de
enfrentamento, aceitação e naturalização da situação. Por isso é preciso que os
profissionais de saúde trabalhem de maneira efetiva nos aspectos psíquicos,
emocionais e sociais amenizando o sofrimento do portador e sua família(16).
4ª etapa - Hipóteses de solução
Pensando em promover melhoras nas situações problemas encontradas, foram
desenvolvidas ações que propiciaram reflexos resolutivos, desencadeando
soluções nas famílias participantes. Tais ações podem ser visualizadas a
seguir: festa de comemoração, promovendo os valores da família; oficina para
melhora da autoestima nas mulheres; oficina do autocuidado: prevenindo DSTs/
Aids; encontro Terapia do Abraço e comemoração do Dia Internacional da Mulher e
do Dia das Mães.
5ª etapa - Aplicação à realidade: execução da Ação
Completa-se assim o arco de Maguerez, levando a pequenas transformações no
cotidiano das pessoas, que podem ser desencadeadoras de grandes repercussões no
desenvolver do escolar, considerando que família pode ser a maior fonte de
influência em sua formação.
A seguir, alguns depoimentos das mães, referentes aos encontros e algumas
modificações no cotidiano, observadas por elas após a reflexão sobre os
benefícios que esses encontros trouxeram a elas e suas famílias.
Sabe que depois que comecei a entrar mais tarde na aula para
conversar sobre mulher, eu até me acho mais bonita. (Bromélia).
Aquele dia que eu participei, eu sai daqui me sentindo bem aliviada,
eu consegui me abrir, eu não tinha com quem me abrir, com quem falar
os meus problemas, eu achei ótimo, estão de parabéns. (Crisântemo).
Eu agradeço também a Deus por esse momento e também pelos momentos
que nós já passamos e por vocês (pesquisadores) estarem aqui conosco.
(Hortência).
Eu agradeço do fundo do coração por eu ter conhecido vocês e eu ter
conhecido essa escola maravilhosa. E tenho muito a agradecer a Deus
também pela saúde e pela ajuda que vocês deram para minha filha no
hospital quando nasceu, fico muito orgulhosa. (Amor Perfeito).
A minha filha, ela é hostil, mas ela mudou o jeito dela, sabe,
principalmente depois daquele encontro em que foi discutido sobre a
tristeza e que teve a terapia do abraço. Nos encontros que ela
conversa com vocês, ela volta para casa paciente, então aquilo passa
por uns dias. Daí quando ela quer ficar agressiva, está chegando a
próxima reunião, aí o que está errado nós vamos corrigir. (Chuva de
Prata).
Antes a minha filha vivia falando que eu não ensinava ela a fazer
nada. Eu disse: Tu queres fazer, então vou te ensina a cozinhar. Está
servindo de terapia, está sendo uma maravilha, porque é coisa que a
gente faz juntas. (Dália).
Os encontros são muito bons pra gente, longe do marido, entre
mulheres, a gente consegue conversar o problema, consegue interagir
uma com a outra. Junto com o marido e com os filhos tu não consegues
te abrir. (Copo de Leite).
Tem sido muito bom para poder conversar, explicar a situação do que
se passa, discutir os problemas que a gente enfrenta no dia-a-dia.
(Azaléa).
Eu suspeitava que a minha filha estivesse namorando escondida. Em vez
de bater boca ou partir para a agressão, eu mostrei para ela o
dinheiro que estava juntando para sua festa de 15 anos, querendo
dizer que me importo com ela e que gostaria de realizar seu desejo,
estava lutando para isto, daí ela encheu os olhos de lágrimas.
(Samambaia).
Finalizando, a aplicação à realidade é um momento de ação, de prática, de agir
sobre aquela realidade. Salienta-se que nem sempre são possíveis grandes
transformações, mas toda e qualquer mudança de pensamento, de forma de
perceber, no modo de pensar, na maneira de lançar criticamente olhares
inovadores ao que está posto deve ser considerada positiva e como possível
solução ao problema(6).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este estudo permitiu constatar que a enfermagem possui conhecimentos para
auxiliar nas relações de família de escolares que apresentam dificuldades no
desenvolvimento escolar por meio de diálogo, orientações, esclarecimentos de
dúvidas e encaminhamentos às redes de cuidado. As intervenções de enfermagem
aqui descritas foram possíveis devido à flexibilidade das relações e às
diversas ferramentas de apoio que o sistema de saúde oferece.
Percebeu-se que sonho de ter a família ideal existe no interior das pessoas que
compõem a família, porém a realidade vivenciada por elas ainda é permeada por
inúmeras dificuldades e requer modificações para que o convívio familiar seja
como o desejado. Como resultado dos encontros, constatou-se que o vínculo
familiar necessita ser fortalecido e renovado a cada dia pelas pessoas que
compõem o núcleo familiar, o que foi considerado um desafio para cada uma das
participantes.
Considera-se que a aceitação das famílias participantes foi boa, bem como sua
persistência no decorrer dos encontros, que exterioriza o anseio e a busca por
transformação pessoal. Espera-se que esta seja estendida a todas as pessoas que
compõe o círculo familiar. Os encontros repercutiram em pequenas transformações
no cotidiano das famílias e refletiram em melhora do convívio familiar,
principalmente no relacionamento entre mãe e filhos.
O cenário escolar pode ser entendido como um laboratório de promoção da saúde e
por isso a enfermagem e as demais ciências da saúde devem preenchê-lo por meio
de projetos que discutam o autocuidado e a promoção para o viver saudável. As
lacunas e os problemas que envolvem o cenário escolar tornam-no um campo
extremamente vasto para ações de saúde das diferentes áreas do saber, que
requer a contribuição de novos pesquisadores, tendo em vista sua complexidade e
a diversidade de sujeitos que o compõem: alunos, professores, famílias e
coletividade. Assim, a atuação de uma equipe multidisciplinar torna-se
essencial para que os resultados sejam eficazes e permanentes.
O Método do Arco contribuiu grandemente para a obtenção dos resultados, visto
que exige que o pesquisador insira-se na realidade a ser estudada e instiga-o e
aos participantes a buscar transformação nas situações consideradas
problemáticas, sendo que cada família torna-se a principal protagonista das
mudanças em sua história de vida.