Produção do cuidado a pessoas com hipertensão arterial: acolhimento, vínculo e
corresponsabilização
A TEMÁTICA EM QUESTÃO
O cuidado em saúde está aberto à presença do trabalho vivo em ato, ou seja,
pode ser realizado a partir das relações entre os sujeitos, situando-se em
torno de tecnologias leves como acolhimento, vínculo e corresponsabilização o
que possibilita ao trabalhador criar espaços para que sejam considerados
desejos e afetos, seus e dos usuários(1).
O acolhimento representa a interação entre trabalhador de saúde e usuário e se
conforma como uma prática permeada de ações comunicacionais, atos de receber e
ouvir aqueles que procuram o serviço, fornecendo respostas às demandas dos
usuários, seja na recepção ou consulta individual(2), isto é, não se configura
como atendimento em si, mas conteúdo de todo atendimento. Além disso, consiste
na busca constante do reconhecimento das necessidades de saúde dos usuários e
das formas possíveis de satisfazê-las(3).
Pode-se afirmar, portanto, que o acolhimento é processo, resultado de práticas
de saúde, produto da relação entre trabalhadores de saúde e usuários e acontece
também no momento do atendimento. Ademais, ele enseja posturas ativas, por
parte dos trabalhadores para com as necessidades dos usuários, resgata a
humanização e o respeito para com o outro e envolve a garantia de
acessibilidade, bem como a responsabilização pelos problemas dos usuários.
Nesse sentido, a Política Nacional de Humanização(4) considera o acolhimento
como importante dispositivo para a consolidação de práticas de cuidado,
sobretudo na Atenção Primária, que valorizem o usuário e resgate sua cidadania.
A partir do acolhimento, pode-se reduzir e tempo de espera e as filas, além de
promover a hierarquização de riscos, ampliando, assim, o acesso e garantindo o
acompanhamento dos usuários em seu percurso terapêutico.
Outro instrumento de trabalho relacional é o vínculo o qual permite a
circulação de afetos entre pessoas, além de se constituir em ferramenta eficaz
na horizontalização e democratização das práticas de cuidado, pois favorece a
negociação entre os sujeitos envolvidos nesse processo. A construção do
vínculo, portanto, centra-se na formação de laços afetivos entre trabalhadores
e usuários, ou seja, no receber bem cada usuário que comparece ao serviço, na
confiança e na facilidade de comunicação entre esses atores(5). Considera-se
que as dimensões deste dispositivo também perpassam pela humanização dos
serviços e como ato de troca de saberes entre usuários e trabalhadores que
qualifica a escuta aos problemas e necessidades de saúde e compreende o
sofrimento do outro(6).
O vínculo guarda estreita relação com a capacidade do outro para usufruir da
condição de sujeito ativo, autônomo nas decisões acerca de sua vida. É,
portanto, o dispositivo que leva trabalhadores e usuário ao encontro de suas
potencialidades, pois favorece a reciprocidade de experiências e, assim,
possibilita a construção de atos terapêuticos corresponsabilizados e coautorais
(7).
Deste modo, deve existir uma atenção acolhedora, construída pelo vínculo e
corresponsabilização como maneira de produzir um cuidado que considere as
opiniões e as possibilidades dos trabalhadores e usuários na composição de um
determinado projeto terapêutico(8), não esquecendo do contexto em que esses
atores estão inseridos.
É nesta perspectiva que se situa o objeto deste estudo, acolhimento, vínculo e
corresponsabilização no cuidado às pessoas com hipertensão arterial (HA). Esta
enfermidade faz parte das doenças crônicas não infecciosas (DCNI) com crescente
aumento, acometendo aproximadamente, 30% da população mundial, com previsão de
aumento de 60% da doença até 2025 e associa-se, com frequência, a alterações
funcionais e/ ou estruturais dos órgãos-alvo (coração, encéfalo, rins e vasos
sanguíneos), disfunções metabólicas e risco de eventos cardiovasculares fatais
e não fatais(9).
Com o objetivo de prevenir o aparecimento dessas complicações, promover a saúde
e prestar atendimento às pessoas com HA foi desenvolvido no ano de 2001 o Plano
de Reorganização da Atenção à Hipertensão Arterial e ao Diabetes Mellitus do
Ministério da Saúde, dentro das Ações Programáticas do Governo Federal(10).
Entretanto, alguns estudos(11) revelam que o cuidado que se constrói no
cotidiano dos serviços é centrado apenas nas tecnologias duras e leve-duras,
direcionado para a abordagem de queixa-conduta, centrada no ato prescritivo,
sem a interação entre trabalhadores e usuários e anulando a importância dos
espaços de fala e escuta na produção do cuidado.
Embora esses "modos de cuidado" sejam burocratizados, sumarizados e com pouco
manuseio de tecnologias leves, algumas experiências mostram possibilidades de
cuidar para além desse ato prescritivo. Tais experiências(12) revelam um
cuidado integral na atenção primária com práticas de acolhimento, vínculo e
corresponsabilização da equipe multiprofissional, existência de grupos de
educação em saúde e ações de promoção direcionadas à comunidades induzem a
resultados favoráveis na assistências às pessoas com HA, tais como: melhora na
adesão ao tratamento farmacológico e não farmacológico, diminuição dos
encaminhamentos a outros níveis atenção e às urgências e emergências.
Além disso, pode-se afirmar que o acolhimento e vínculo no cuidado às pessoas
com HA visam mudanças quanto às dificuldades enfrentadas para conseguir
atendimento, receber informação adequada por parte do serviço de saúde,
conseguir consulta e, mediante agendamento, garantir retorno a estes usuários.
Com isso, evitam-se constrangimentos, sofrimentos e abandono do acompanhamento
devido aos aborrecimentos das constantes filas ou pelo fato de deixarem de ser
atendidos(5).
Destaca-se que o cuidado aos usuários com hipertensão arterial deve ser
produzido a partir das tecnologias leves em consonância com as duras e leve-
duras. Sendo assim, não se podem descartar os saberes provenientes da clínica,
a possibilidade de terapia farmacológica, adesão ao tratamento e mudança no
estilo de vida. Porém, face ao exposto até aqui com relação aos dispositivos
acolhimento, vínculo e corresponsabilização, acredita-se que estas tecnologias
relacionais podem estimular a autonomia do usuário em seu projeto terapêutico,
garantir acessibilidade às consultas e, assim, reduzir possíveis
intercorrências advindas deste processo de adoecimento.
Neste sentido, é necessário compreender que a resolutividade da atenção às
pessoas com HA "consiste não apenas no uso medicamento e na instituição de
medidas reguladoras, mas na consideração da pessoa em sua totalidade"(13).
Embora a literatura científica aponte a importância destes dispositivos na
saúde em geral(2,6-8,14-15), poucas produções discutem sua utilização no
cuidado às pessoas com HA(16). Contudo, ressalta-se que a reflexão sobre as
interfaces do cuidado às pessoas com HA e o contexto de vida dos sujeitos são
discutidas na literatura brasileira(11,13,16).
Diante desta incipiente produção no campo das tecnologias do cuidado, entende-
se que o presente estudo contribui com novos arranjos tecnológicos na atenção
individual e coletiva e na (re)construção de novos saberes e práticas dos
sujeitos envolvidos nesta atenção, entre eles o profissional de enfermagem.
Esta pesquisa, portanto, tem o objetivo de compreender como têm sido
mobilizados os dispositivos - acolhimento, vínculo e corresponsabilização no
cuidado aos usuários com HA. Para tanto, elaborou-se como questão norteadora:
Quais os cuidados prestados pelos trabalhadores de saúde que geram acolhimento,
vínculo e corresponsabilização às pessoas com hipertensão arterial?
METODOLOGIA
Esta pesquisa é de natureza qualitativa e foi realizada no município de
Fortaleza-CE. Em Fortaleza existem 91 Centros de Saúde da Família (CSF),
distribuídos em 114 bairros, todos com a Estratégia Saúde da Família (ESF)
implantada com uma cobertura de 43%, ainda longe do ideal de 100%, mas com
avanço, pois até 2006 essa cobertura era de apenas 15%(17).
O município de Fortaleza encontra-se dividido política e administrativamente em
seis Secretarias Executivas Regionais (SER), todas responsáveis pela gestão dos
serviços de saúde na sua respectiva área de abrangência(17). Desta forma, o
lócus da pesquisa foi um Centro de Saúde da Família pertencente a uma SER.
No CSF estudado, existem três equipes da ESF que atendem três bairros e cerca
de 400 a 500 usuários com hipertensão. O CSF possui consultórios odontológicos,
médicos, consultórios de enfermagem, sala de vacina, de aerossolterapia e
procedimentos antropométricos, de curativo, sala de prevenção citopatológica,
farmácia e amplo espaço de recepção a qual conta com serviço de marcação de
consultas internas (no CSF), a especialistas e exames. Ainda na recepção,
observou-se que este espaço conta com cadeiras em número considerável, cartazes
e murais com informações sobre o atendimento do CSF investigado e campanhas de
saúde.
Vale destacar que nas constantes visitas realizadas para a aproximação com o
campo e coleta dos dados deste estudo, constatou-se poucas filas na recepção.
Além disso, não cabe à recepção a decisão sobre o atendimento ao usuário,
ficando-o sob a responsabilidade do profissional que realiza o acolhimento,
ainda que a recepção seja o primeiro contato do usuário no CSF.
Como a localização deste centro de saúde é defronte a uma avenida com intenso
tráfego de veículos e compreendendo que parte das pessoas com HA são idosos, o
atendimento ocorre em grupos localizados no território de abrangência das
equipes, como salão de igrejas e no Centro de Referência em Assistência Social
(CRASS) localizado ao lado do CSF, objetivando evitar acidentes, facilitar e
garantir o acesso ao referido serviço de saúde.
Os sujeitos do estudo foram selecionados por amostragem intencional. Iniciamos
a pesquisa com 24 sujeitos, trabalhadores e usuários, mas este número de
participantes foi delimitado pelo processo de saturação teórica. Assim, na
medida em que fomos coletando e analisando o material empírico, as estruturas
de relevância foram aprofundando-se e respondendo aos objetivos traçados(18).
Com isso, o número final de participantes limitou-se a dezenove, distribuídos
em dois grupos: grupo I - trabalhadores de saúde que atuam diretamente no
cuidado às pessoas com HA e trabalham há mais de um ano no CSF em estudo (02
médicos, 03 enfermeiros, 02 auxiliares de enfermagem e 01 agente comunitários
de saúde) e grupo II - dez usuários com hipertensão arterial que recebem
atendimento por igual período.
A coleta ocorreu entre os meses de maio e julho de 2011, após aprovação do
projeto pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual do Ceará, que
avaliou a pertinência deste, os objetivos da pesquisa e os riscos e/ou
benefícios a que estariam submetidos os participantes da investigação, de
acordo com a Resolução 196/96, do Conselho Nacional de Saúde (19).
Posteriormente a aprovação, enviamos uma cópia do projeto ao Serviço de
Protocolo da Secretaria Municipal de Saúde para a avaliação da coordenadora do
Sistema Municipal de Saúde Escola visando à realização no Centro de Saúde da
Família selecionado.
Foram utilizadas como técnica de coleta das informações a entrevista
semiestruturada e a observação sistemática a qual realizou a visão direta das
peculiaridades da produção do cuidado e seus dispositivos analisados
(acolhimento, vínculo e corresponsabilização): rotinas, detalhes, inter-
relações, participações, conversas e motivações(20).
A entrevista foi escolhida pelas suas características que atendem aos objetivos
da pesquisa. Pois se trata de uma forma de comunicação verbal, na qual se pode
visualizar o que foi dito, percebendo algo do sentido e não expressado.
Entende-se que a produção do cuidado ocorre dialogicamente entre os diversos
atores dos serviços de saúde, constituindo-se, portanto, pela comunicação. Esta
por sua vez estabelece-se, dentre outros elementos, pela palavra, que é
significante e controversa, ao mesmo tempo em que pode revelar códigos,
valores, símbolos e normas. Sendo assim, pela entrevista, que também forma de
comunicação pela palavra, se pode ver o significado do objeto, seu alcance, sua
importância e as consequências para o sujeito, revelando ou descobrindo o
sujeito em suas inter-relações, seu cotidiano, seus conflitos e suas
contradições(20).
Para a análise dos achados, optou-se pela análise categorial temática(21),
percorrendo suas três etapas operacionais: pré-análise, a análise e exploração
do material coletado e o tratamento dos achados e interpretação. Esta técnica
de análise permite passar dos elementos descritivos à compreensão e
interpretação dos discursos dos sujeitos imbricados com processo de construção
do cuidado às pessoas com HA, no contexto cultural em que produziram a
informação, verificando-se a influência desse contexto no estilo, na forma e no
conteúdo dos discursos. As falas que emergiram das entrevistas foram
identificadas da seguinte forma: usuários (Usu, numerados de 1 a 10) e
trabalhadores de saúde (Med, Enf, Aux e ACS, numerados de 1 a 9).
RESULTADOS
Acolhimento, vínculo e corresponsabilização no cuidado às pessoas com
hipertensão arterial
Identifica-se a existência de diferentes formas das pessoas com HA chegarem ao
serviço de saúde: 1) pelo atendimento a demanda espontânea; 2) nas visitas
domiciliares, pelo agente comunitário de saúde e 3) pelo atendimento nos grupos
(consultas dentro da lógica da demanda organizada). Busca-se, assim,
caracterizá-las, explorando elementos referentes ao modo de funcionamento do
serviço de saúde e das práticas de cuidado aos usuários com HA.
Com relação à primeira forma, apreende-se que os trabalhadores utilizam do
dispositivo acolhimento como uma triagem, avaliação de riscos que hierarquiza
necessidades e as diferencia conforme a queixa mais relevante. Observa-se a
partir das práticas desenvolvidas pela equipe que a hipertensão arterial
necessita de prioridade, pois se trata de uma necessidade clínico-biológica que
urge de pronto-atendimento. Entretanto, ressalta-se que a hipertensão arterial
é também determinada por fatores emocionais ligados a problemas individuais,
como estresse por exemplo(22).
Os trabalhadores de saúde enfatizam a importância de garantir atendimento, ou
melhor, de priorizar atendimento às pessoas com HA. Evidente que esta abordagem
biologicista é responsável pela garantia de acesso e apresenta impacto positivo
no que se refere à assistência à saúde, pois concede prioridade de atendimento
aos casos agudos(23), conforme revelam as falas a seguir:
(...) Só que, assim: chegou um paciente novo na área (...) e a gente
já sinta que é hipertenso ou diabético a gente já agenda ele e atende
aqui na unidade mesmo. (Med2)
Se ele vier pro acolhimento, muitas vezes, na maioria das vezes não
chega direto pra cá (pro consultório), eles verificam a pressão ali,
aí as meninas (auxiliares de enfermagem) (...) Aí vai eu peço para
vim e a gente conversa. (Enf3)
Percebe-se que há disponibilidade interna do trabalhador para acolher e atender
o usuário. Mesmo que o objetivo central seja o tratamento e não o usuário, ele
demonstra que não se prende tanto às regras e normas, orientando-se pela
natureza do sofrimento/adoecimento e pelo direito ao atendimento, promovendo
mais inclusão com responsabilização, conforme se observa na fala da auxiliar de
enfermagem:
(...) Os pacientes eles não voltam pra casa sem o atendimento não, de
jeito nenhum. (Aux1)
Com isso, compreende-se que a porta de entrada do CSF não limita o atendimento
ao usuário com hipertensão, isto é, em relação à hipertensão, a triagem, que
traz a ideia de seleção, de escolha, garante atendimento a estas pessoas devido
à avaliação com classificação de risco executada no acolhimento. Contudo, vale
lembrar que usuários sem HA que procuram o serviço de saúde por demanda
espontânea não tem essa resposta, pois essa avaliação identifica apenas aqueles
usuários que necessitam de algum tipo de tratamento imediato, com a priorização
destes em relação à assistência ou o seu encaminhamento a outros níveis de
atenção quando necessário.
Deste modo, faz-se necessário reconhecer o acolhimento como ferramenta
tecnológica de intervenção que busca universalidade do acesso e mesmo
mobilizado como avaliação de risco com definição de prioridades, representa
importante avanço no sentido da humanização da atenção(14).
Os usuários também enfatizam a importância dada pela equipe ao atendimento
imediato, mesmo que o motivo seja a doença ou alguma queixa a ela associada.
(...) mas sempre que eu tô ali precisando, Enf1 eu estou precisando,
minha pressão está alta, minha diabete não tá bem (...) Então, ela
vai lá, conversa com a doutora Med1, a doutora Med1 diz: (...) a
gente vai atender a Usu1, porque a Usu1 é hipertensa. (Usu1)
Identifica-se também, outra forma de acolher este usuário, numa perspectiva de
acessibilidade. Caracterizando-se como uma forma pensante, atuante, desejante,
carregada de subjetividades capazes de catalisar a formação de vínculos e
superar barreiras físicas que separam o ambiente interno do CSF e o externo, o
agente comunitário de saúde (ACS) destaca-se neste processo de garantia de
acesso e de acolhimento às pessoas com HA, como podemos perceber nas seguintes
falas:
(...) o agente de saúde detecta, identifica que tem um hipertenso na
área dele e não tá tomando os remédios, que não ta sendo acompanhado
pelo serviço (...), ele traz, eu peço o nome, agendo e o agente de
saúde leva para ele o dia da consulta dele. (Enf1)
(...) o paciente ele teve um pico hipertensivo, tá em casa e o agente
de saúde passa e fica sabendo, aí já facilita um pouco, porque o
agente de saúde passa pra gente e a gente já pode marcar a consulta
dele direto pro grupo. (Med2)
O ACS representa um sujeito de um agir singular, que integra comunidade e
serviços de saúde e produz um território vivo e comum no cotidiano de sua
prática, proporcionando flexibilização das tarefas com o intuito de responder
positivamente às demandas da população(24).
Percebe-se que o ACS realiza o esforço inicial de articulação e integração e,
ainda, o estabelecimento de vínculos com a comunidade, desencadeando ações na
perspectiva de assegurar o atendimento:
Eu acredito em um papel muito importante do agente de saúde. Por que
através desse profissional que os hipertensos chegam às unidades.
(Aux2)
No que concerne ao atendimento nos grupos, adentrando neste espaço de produção
de ações de saúde, observa-se conflitos e tensões, cooperação e afetos que
compõem o cuidado às pessoas com HA no CSF. Percebe-se neste cenário que os
trabalhadores mobilizam o acolhimento com intuito de garantir acesso desta
demanda ao serviço de saúde e continuidade do acompanhamento.
Na busca desta garantia de acesso ao acompanhamento, a equipe desenvolve canais
de comunicação com a comunidade, buscando novas formas de responder às
necessidades dos usuários com HA e se desvinculando do modelo tradicional de
atendimento. Isso implica que os trabalhadores operam o trabalho vivo em ato,
pois criam o novo, questionam o instituído e sentem-se responsáveis pelos
usuários(1). Para tanto, a equipe forma e incentiva os grupos de idosos com
hipertensão [a gente sempre dá uma importância para os grupos, pois é nos
grupos de idosos com hipertensão que a gente percebe as necessidades deles
(Enf3)], realizam escuta e diálogo [tanto a médica e a enfermeira sempre
escutam os nossos problemas, às vezes nem tem a ver com a doença (Usu10)],
acolhem a demanda para além do dia da consulta [a gente sempre é recebido, é
escutado, mesmo se não for nosso dia do retorno (Usu1 e Usu8)] e prestam
atendimento mesmo quando o usuário não é do CSF [esse paciente é hipertenso, é
de outra unidade e tá sem atendimento, aí a gente faz o acolhimento e atende o
paciente (Med2)].
Além disso, face à magnitude do risco no deslocamento dos usuários com HA,
muitos deles idosos, para chegar até o CSF, as equipes veem-se compelidas a
buscar a alternativa de transferir seu lócus de trabalho para a comunidade:
Até pra ver a questão já pensando também no acesso deles ao
atendimento, porque a localização da unidade de saúde existe uma
barreira geográfica e como a gente tem muitos pacientes hipertensos
que são idosos então eles sentiam muita dificuldade em atravessar a
avenida (...), então isso seria melhor pra eles. (Med1)
Os trabalhadores perante as necessidades e fragilidades apresentadas pelos
usuários, rompem barreiras dos consultórios e penetram no espaço vivo da
comunidade, deslocam fluxos de potência para construir o novo, formar laços
afetivos, num movimento de se responsabilizar pelo outro. Eles articulam e
buscam aproximação e garantia de acesso dos usuários com HA, bem como
demonstram disponibilidade de ajuda. Os usuários não passam pelo
constrangimento da fila de espera, de ter que chegar cedo para garantir seu
atendimento. Neste contexto, os grupos asseguram o dia de consulta de cada
usuário.
Estes usuários, de certa forma, esperam o atendimento, porém esperam sentados,
conversando com outros usuários, muitas vezes vizinhos, parentes e amigos, sem
formar aglomerações próximas a consultórios ou tomados pelo cansaço da longa
espera. Percebe-se que a equipe desenvolve ações de acolhimento a esses
usuários, o que viabiliza o cuidado em saúde.
Logo, constata-se que estes achados são divergentes dos resultados de estudo em
que, ao investigar sobre integralidade no processo de cuidar de pessoas com
diabetes mellitus (DM), percebeu-se que estes usuários esperam longo tempo pelo
atendimento, na maioria das vezes de pé no corredor, encostados em paredes,
perto dos consultórios ou formando aglomeração em frente às portas(25). De
fato, essa realidade comunga com a proposta de Humanização(4,12), concebida
pelo Ministério da Saúde no ano de 2004, a qual objetiva, entre outras coisas,
valorizar o respeito aos usuários, melhorando a infraestrutura dos serviços,
respeitando a privacidade e promovendo a ambiência acolhedora e confortável.
Alguns entrevistados voltam-se para o modo como eram recebidos no CSF antes da
formação dos grupos na comunidade. O CSF encontrava-se numa situação ruim de
acesso ao atendimento antes da formação dos grupos nas comunidades. Sendo
assim, o atendimento era organizado sem processos de acolhimento, de modo
burocrático a partir de filas, por ordem de chegada, as quais privilegiavam não
aqueles que necessitavam de assistência urgente, mas os que se mostravam mais
resistentes(13,25):
Eu chegava era seis e meia, pegava uma fila e tinha que ir pra fila
porque é por ordem de chegada (...) Tinha muita gente, era muito
grande a fila, a gente chegava seis meia lá e já tinha muita gente.
(Usu1)
Ademais, considera-se pertinente esta garantia da consulta, pois as
dificuldades de acesso acabam por gerar distorções no serviço de saúde fazendo
com que a porta de entrada para o atendimento se dê por meio do serviço de
emergência e não pela atenção primária.
Usuários referem que nos grupos os trabalhadores atendem bem e acolhem suas
necessidades. Revelam o ânimo e a preocupação dos trabalhadores de saúde para
com seus problemas. Em vários momentos, por meio da observação, constataram-se
atitudes dos trabalhadores buscando entender os problemas, bem como apoio e
acolhimento com o intuito de diminuir os sofrimentos dos usuários.
Percebe-se que os trabalhadores realizam o acolhimento nos grupos não só na
perspectiva de ampliar o acesso, mas também como elemento necessário para
construção das relações no cuidado. A fala a seguir demonstra a pertinência do
acolhimento na concepção de desenvolver ações comunicacionais, como postura e
possibilidade de conversação entre os sujeitos(2).
O acolhimento (...) é ele (usuário) saber que a gente sempre vai
procurar tentar resolver aquele problema dele, ele saber que a gente
tá aqui, e a gente sempre tá procurando ouvir e conhecer o paciente,
o paciente conhecer a gente, saber os horários que a gente tá aqui.
(Enf3)
Nos grupos de atendimento observa-se que os trabalhadores chegam cedo e
percebem os usuários, saudando-os. Essas atitudes traduzem as formas de acolher
que a equipe desenvolveu(25). Percebe-se, que o acolhimento também é
compreendido pelos trabalhadores como postura, forma de receber e atender os
usuários em qualquer momento de interação entre a equipe e a população(2).
Destaca-se que esta postura favorece a formação de laços afetivos, aproxima o
trabalhador do usuário, aumenta a confiança, produz ações em saúde mais
resolutivas e considera o contexto e o existencial da pessoa com HA.
Considerando o processo de trabalho em saúde como o modo de organização do
trabalho em saúde no qual interagem tecnologias duras como os equipamentos
tecnológicos, tais como máquinas, normas e rotinas; leve-duras como os saberes
e modo de agir singular de cada trabalhador e leves como os aspectos inter-
relacionais(1), pode-se afirmar que o acolhimento às pessoas com HA no CSF
investigado assume dupla dimensão, sendo, de um lado, considerado como parte de
uma etapa desse processo de trabalho, sobretudo no momento da recepção dos
serviços de saúde, relacionando-se ao primeiro contato com o usuário, ou seja,
organizando o trabalho e de outro modo, funciona como dispositivo do processo
intercessor do trabalho em saúde, uma tecnologia leve necessária em todos os
lugares em que se deem encontros entre trabalhador e usuário.
Sendo assim, os trabalhadores de saúde buscavam a responsabilização clínica por
meio de uma atenção acolhedora e com vínculo construído, como se percebe nas
falas que se seguem:
(...) a gente fica sempre aberto a escutar, acolher independente
também se for o dia do retorno ou não, então se acontecer alguma
intercorrência, eles sabem a quem procurar (...) Então, a gente, fora
a garantia do retorno, a gente esta sempre aberta a ouvir se eles
tiverem alguma intercorrência entre uma consulta e outra. (Med1)
A partir do exposto, pode-se afirmar que acesso às pessoas com HA por meio do
acolhimento nos grupos funciona como mudança, pois este dispositivo promove
alteração no fluxo de entrada do usuário na unidade de saúde,
desterritorializando o poder da recepção em decidir sobre o acesso ou não do
usuário. O fluxo dos usuários ocorre, então, a partir de suas necessidades,
mesmo que sejam apenas biológicas.
Em íntima relação com o acolhimento está o vínculo, apontado como uma das
ferramentas agenciadoras das mudanças das práticas em todos os níveis e que são
imprescindíveis ao fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS). O vínculo
precisa ser construído no cotidiano do serviço, no trabalho vivo em ato a cada
momento, de forma singular, personalizada, continuada, necessitando da presença
de sujeitos que protagonizam o encontro intercessor(1).
As equipes do CSF empreendem esforços para formar laços afetivos com os
usuários, num processo que envolve vínculo e corresponsabilização entre os
diferentes atores do cuidado em saúde. A Política Nacional de Humanização (PNH)
(4)apregoa a responsabilização como atitude de comprometimento entre
trabalhadores de saúde, usuários e gestores a fim de valorizar o protagonismo
desses sujeitos, a identificação das necessidades, desejos e interesses,
estímulo a diferentes práticas terapêuticas e fortalecendo a organização do
cuidado em rede, pois a responsabilização, como parte da relação equipe-usuário
é força-motriz para o acionamento dos demais equipamentos de saúde do
território, permitindo avançar na composição de ofertas de atenção à saúde de
forma organizada e em sintonia com as singularidades das situações(12).
Sendo assim, a busca por estratégias que permitam um olhar mais amplo e
integral do problema relatado pelo usuário, considerando diversos aspectos que
podem influir no processo saúde-doença-cuidado, faz-se possível a partir da
maior aproximação que o profissional estabelece com o usuário.
As falas dos usuários são coincidentes quanto à formação do vínculo no serviço
de saúde estudado. Tais falas apontam a existência de maior aproximação entre
os usuários e os trabalhadores de saúde que os atendem e os acompanham. Os
usuários relacionam o vínculo com o modo como os profissionais os tratam, na
abertura que têm para conversar dentro e fora do espaço da consulta.
A doutora (Med1) é uma excelente profissional, dá atenção à gente,
não importa que seja o dia da consulta da gente ou não. Sempre ela tá
ali pra conversar (...). (Usu1)
Além disso, tais achados contrariam afirmativa de autores, segundo a qual os
profissionais de saúde, sobretudo os médicos, tendem a desvalorizar o contato e
o diálogo com o usuário(6). Como estratégias para promover esta atitude,
solicitam uma bateria de exames de laboratório, consultas especializadas, que
poderiam ser resolvidos no próprio Centro de Saúde. E o usuário, por sua vez,
tende a valorizar a qualidade do seu atendimento pelos procedimentos complexos.
Divergindo ainda mais, constata-se que as equipes operacionalizam meios de
criação de laços afetivos e de respeito para com o usuário numa perspectiva de
criação de vínculos efetivos desde o início do acompanhamento. Os trabalhadores
desenvolvem meios para estreitar sua relação com os usuários, como demonstram
os trechos das falas:
(...) Este grupo que eu tô, que a gente acompanha. Então, assim a
gente já fez várias comemorações de aniversários do grupo, né? A
gente já teve passeios com eles, a gente fez festinhas, com bolo, com
café da manhã, então acho que isso é uma forma de criar um vínculo
com o grupo. (Enf3)
Percebe-se, então, que trabalhadores agem com a perspectiva de se aproximar do
usuário e da sua necessidade, despendendo maior atenção, maior demonstração de
interesse com aquele que chega ao serviço público.
Em concordância com os achados de estudo(25), as falas dos usuários são
coincidentes ao afirmar sobre a satisfação com o atendimento que recebem no
CSF, bem como suas relações com os trabalhadores de saúde. Eles afirmam que os
profissionais atendem bem e enfatizam que os profissionais e o serviço são os
melhores que já viram, pois existem outros que são muito ruins, além disso,
carecem de profissionais. Os usuários entrevistados em sua maioria afirmam que
gostam dos trabalhadores, porque conversam com eles e se sentem bem tratados:
Você sabe que realmente quando eu precisar dela (Med1) ela vai estar
disponível para me receber, porque caso ela passasse por mim e não
desse atenção, eu iria ficar com medo de me aproximar. (Usu1)
(...) A gente ver a loucura até dentro dos hospitais e aqui não, aqui
eu acho, eu gosto muito desse espaço, deles tudinho (trabalhadores de
saúde), não tenho o que dizer de nenhum. (Usu7)
Como se pode perceber, em distintos momentos, há vislumbres de acolhimento, de
vínculo por parte dos usuários, o que faz com que eles se sintam bem atendidos.
Muitos são pessoas simples e acostumadas com uma vida dura e qualquer atitude
por parte dos trabalhadores de interesse, por menor que seja, lhes significam
grande importância(25).
O vínculo requer a confiança do usuário em relação aos trabalhadores, no
sentido dos últimos serem capazes de equacionar os problemas de saúde e, não só
isso, capazes de escutar, orientar e auxiliar em outros aspectos do cotidiano
da vida, inclusive no apoio ao manejo de obstáculos.
O que de fato os usuários exaltam é a postura que os trabalhadores têm diante
de suas necessidades e do compromisso que desempenham. Isto faz com que a
confiança no trabalhador se manifeste e a busca pelo profissional competente
ocorra no complexo cenário das práticas de cuidado. Percebe-se que os
trabalhadores sentem esta confiança, este vínculo, conforme a fala:
(...) a pressão sobe, eles vão na emergência, por exemplo, e é mudada
a medicação. A maioria deles vem aqui depois, oh o doutor pediu pra
eu mudar essa medicação, eu mudo? Então agente vê que realmente eles
têm um vínculo. (Med1)
Assim, o usuário não vai a qualquer profissional, mas para aquele que ele já
conhece e confia, aquele que ele sentiu uma disposição, uma afetuosidade e
responsabilização para com ele e suas necessidades.
Percebe-se que o cuidado à pessoa com HA possui vínculo, acolhimento e
responsabilização dos profissionais para com os usuários, mas sente-se distante
de uma atuação corresponsável, ou seja, um cuidado compartilhado, respeitando a
autonomia do sujeito em seu processo saúde-doença-cuidado. Conforme o discurso
a seguir, não foi percebida corresponsabilização, apenas atenção prescritiva:
Eu pergunto, checo se ele está tomando os medicamentos direitinho,
conforme está na prescrição, com relação aos horários e tudo e sempre
toco nos pontos do tratamento não farmacológico, da dieta com pouco
sal, se ele tá fazendo atividade física (...).(Enf1)
Com isso, surge a reflexão das práticas de cuidado, uma vez que é necessário
ajudar os usuários na construção de sua autonomia, colocá-lo no centro das
atenções, estimulando o seu protagonismo, criando espaços para a manifestação
da sua voz, do seu pensamento, das suas ações, além de lhe proporcionar
condições para viver melhor e conviver com as dificuldades relacionadas ao
adoecimento e não somente centrar a atenção em prescrições multifatoriais(13).
Quando os sujeitos com hipertensão arterial desenvolvem autonomia, é possível
que conheçam cultura, saberes, práticas de cuidado, possibilitando escolhas de
modo mais consciente, pela melhor forma de se cuidar(18).
Apreende-se, também, a postura de alguns trabalhadores ao considerarem os
problemas emocionais dos usuários. Mesmo com o sentimento de impotência para
reverter a situação, os trabalhadores constantemente recorrem ao NASF para
"resolver" problemas considerados complexos.
(...) pessoas que chegam com pico hipertensivo. Então, tem pessoas
que trazem problemas, problemas familiares, eu acho que também é um
momento de desabafar no momento da consulta (...) é feito uma
conversa com ele e aí ele já é encaminhado para o atendimento com
psicólogo do NASF. (Enf1)
Os trabalhadores referem que os usuários às vezes chegam com pico hipertensivo,
agitados, com problemas emocionais e até psiquiátricos, como depressão e
esquizofrenia, alguns são carentes e possuem problemas familiares, tais como:
tem uns que tem os filhos usuários de drogas ou marido bebe muito (Enf2) ou
certa vez eu tive que desabafar pra ela(Médica)porque meu filho tinha morrido,
eu tava mal (Usu8). No entanto, demonstram certo desânimo em tentar
proporcionar apoio emocional, quase não utilizam estratégias de enfrentamento
conjuntas com os usuários para a resolução desses problemas. Realidade
percebida durante as observações de campo e no decorrer de algumas entrevistas.
Isso reforça o o pensamento de que, com relação a usuário que chega ao CSF, ele
quer ser tratado como uma pessoa que tem sua individualidade, que necessita
falar de seus problemas relacionados a fatores familiares, emocionais, sociais,
econômicos, entre outros(6). Muitas vezes, como forma de desabafo, no qual o
simples ouvir e chamar aquela pessoa pelo nome, demonstrando interesse pelo que
é dito, já traz alívio.
Considera-se, portanto, que a transformação das práticas de saúde só poderá
ocorrer mediante a valoração e centralização do/no sujeito. Desta forma, o
acolhimento e o vínculo constituem importantes instrumentos na mudança desse
olhar que, por tanto tempo, se centrou somente no processo da doença,
esquecendo o sujeito e outros fatores, como os psicossociais, tão importantes
na determinação do plano terapêutico(14).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Percebe-se acolhimento e vínculo entre usuários trabalhadores de saúde que os
atendem e os acompanham em seus projetos terapêuticos, sobressaindo o respeito
aos usuários com HA. Além disso, a existência destes dispositivos pode ser
causa do baixo número de faltosos nas consultas, evidenciado durante a
permanência dos pesquisadores nos grupo. Considera-se, portanto, que a
mobilização destes dispositivos é experiência exitosa no cuidado às pessoas com
hipertensão devido ao esforço e desejo desprendidos pelos trabalhadores para
garantir atendimento e acompanhamento.
No que diz respeito à responsabilização, há dificuldades relacionadas à
autonomia dos usuários com HA, isto é, considerando os conceitos presentes
neste artigo, não há corresponsabilização no sentido de responsabilização
mútua. Contudo, há a disponibilidade por parte dos trabalhadores de saúde para
com a necessidade dos usuários, demonstrando responsabilização pelas demandas
de saúde das pessoas com hipertensão arterial.
Dentre as estratégias a serem desenvolvidas, recomenda-se a reflexão dos
diversos atores responsáveis pelo cuidado aos usuários com HA, inclusos
enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem tão imbricados nas práticas
cotidianas de saúde, para que cresça uma rede de afetos, o desenvolvimento das
potências e, principalmente de ações partilhadas que estimulem a autonomia
destes usuários. O cuidado necessita da garantia do acesso, da existência do
acolhimento e do vínculo e de corresponsabilização para que sejam incorporadas
no cotidiano dos serviços práticas produtoras de saúde.
Sendo assim, tornam-se precípuos estabelecer parcerias entre a gestão e
instituições formadoras para o compartilhamento de saberes e fazeres, com
retorno às comunidades dos benefícios das pesquisas; implementar processos de
Educação Permanente em Saúde, principalmente no que se refere ao manejo desses
dispositivos e às necessidades demandadas pelos usuários com HA que transcendem
a dimensão biológica, como problemas sociais e/ou mentais; investir na educação
em saúde e na organização de trabalho interdisciplinar, com foco na articulação
equipe CSF-NASF; estimular a construção de projetos terapêuticos compartilhados
e implicados com usuários, possibilitando a corresponsabilização.
A consolidação do cuidado aos usuários com HA perpassa, portanto, por
aproximações entre as equipes e usuários, sensibilização e delimitação
operacional e pactuação intersubjetiva os quais disparam intervenções mais
efetivas e condizentes com a vida.