Evento adverso no idoso em Unidade de Terapia Intensiva
INTRODUÇÃO
É significativo o avanço tecnológico em relação à prevenção, diagnóstico e
tratamento de doenças, desenvolvido pela área da saúde nos últimos anos. Os
profissionais de saúde se comprometem, desde a sua formação, com a prestação de
serviços visando um cuidado de qualidade. Apesar dos esforços na capacitação de
pessoal, e na prestação da assistência utilizando toda tecnologia disponível, o
paciente pode ser colocado em situações de risco e danos. A partir da década de
70, estudos de revisão em prontuário evidenciaram altas taxas de eventos
adversos (EA) relacionados à assistência prestada durante internações
hospitalares.
Por EA, define-se lesão não intencional que resultou em incapacidade temporária
ou permanente e/ou prolongamento do tempo de permanência ou morte como
consequência do cuidado prestado(1).
A segurança do paciente tornou-se preocupação mundial, principalmente após a
publicação do livro "Errar é Humano: Construindo um Sistema de Saúde mais
Seguro" em 1999(2). Nesse estudo, a estimativa de mortalidade anual,
relacionada à EA durante a assistência, foi entre 44.000 e 98.000 pacientes. Na
época, uma mortalidade maior que acidentes automobilísticos (43.458), câncer de
mama (42.458) e AIDS (16.516). A Organização Mundial de Saúde lançou em 2004 o
programa "Aliança Mundial para Segurança do Paciente", no qual Canadá e Estados
Unidos já fazem parte, e os países do Mercosul se articulam para também
participar, estando o Brasil vinculado a partir de 2007(3). Este programa
inclui tópicos e campanhas de prevenção de infecções hospitalares e cirurgias
seguras, buscando redução dos danos causados por procedimentos cirúrgicos.
No Brasil, o reconhecimento da segurança do paciente como necessidade e
garantia de qualidade do atendimento, teve um impulso na década de 90,
juntamente com o lançamento do Manual Brasileiro de Acreditação Hospitalar, e a
criação da Organização Nacional de Acreditação, o que impulsionou trabalhos na
área(4). Em 1º de abril de 2013, o Ministério da Saúde e Anvisa lançam o
Programa Nacional de Segurança do Paciente, objetivando reduzir a incidência de
EA nos serviços de saúde, que são altas, mas, em sua maioria, evitáveis(5).
Um estudo analisando três hospitais no Rio de Janeiro identificou que oito em
cada 100 pacientes internados sofreram EAs, sendo que 67% dessas ocorrências
eram evitáveis. Mostrou ainda que o número de dias adicionais de permanência no
hospital, em decorrência desses eventos, triplicou ocorrendo, com maior
freqüência, em unidades de internamento, e que o procedimento cirúrgico foi a
causa mais recorrente(6).
Na Suécia, um trabalho realizado com 1,2 milhões de pacientes admitidos,
mostrou taxa de EA de 8,6%, sendo que a maioria destes ocorreu na população
acima de 65 anos, poderiam ter sido evitados e resultaram em lesões permanentes
ou contribuíram para o óbito(7).
Na Colômbia, a incidência de EA em 6.688 pacientes hospitalizados foi de 4,6%,
com predominância de idosos envolvidos, sendo o evento mais prevalente o erro
técnico, com 57,5% ocorrências. Nesse estudo, a Unidade de Terapia Intensiva
(UTI), foi o local de menor ocorrência(8). No Canadá, a estimativa de
ocorrência de EA foi de 7,5%, também com prevalência em idoso(9).
O trabalho em UTI é peculiar, pois as condições clínicas dos pacientes são
oscilantes, exigindo atenção ainda maior da equipe multiprofissional. Um estudo
avaliando 113 ocorrências iatrogênicas em sete UTIs gerais, mostrou que 57,5%
destes eventos ocorreram em pacientes que se encontravam com quadro clínico
instável(10). O mesmo trabalho, em relação à idade, mostrou predomínio de EA em
pacientes com idade a partir de 40 anos, correspondendo a 80,5% dos pacientes
envolvidos em iatrogenias. Destes, 57,5% tinham mais que 60 anos. Outro estudo
americano mostrou que a idade de risco para EA foi acima de 62.1 anos, com
elevação do risco após 76.3 anos(11).
Resultado parecido foi encontrado em dois outros estudos: o primeiro, que
objetivou caracterizar EAs em UTIs, Unidades Semi-intensivas e Unidades de
Internação, observou que o grupo etário mais atingido foi, predominantemente, o
de idade maior que 61 anos, correspondendo a 77,7% dos pacientes envolvidos na
pesquisa(12). O segundo, realizado com 30.000 prontuários de 51 hospitais de
Nova Iorque, identificou que pacientes com mais de 65 anos de idade, sofreram
EA 2 vezes mais que os pacientes entre 16 a 44 anos. Além disso, esses eventos
foram responsáveis por percentual significativo de incapacidades e mortes(13).
Sabe-se que a população mundial está envelhecendo e que, nos países em
desenvolvimento como o Brasil e países da America Latina, essa mudança na
pirâmide demográfica tem ocorrido de forma acelerada, com pouco preparo de
recursos humanos e materiais para atendê-la. Em 2025, haverá no mundo
aproximadamente 1,2 bilhões de pessoas com mais de 60 anos e, até 2050, 2
bilhões, sendo que 80% nos países em desenvolvimento(14).
O envelhecimento da população traz, como consequência, diminuição da
mortalidade e aumento da morbidade, com o aparecimento de doenças crônicas não
transmissíveis que, em uma situação de agudização, pode levar o idoso ao
internamento na UTI.
Além disso, o envelhecimento está associado à diminuição das reservas
fisiológicas e aumento do risco para desenvolvimento de doenças. Quando ocorre
um processo agudo de doença ou estresse, geralmente o idoso tem menor
capacidade fisiológica de superar as lesões, tornando-se mais vulnerável e
frágil(15).
Considerando a especificidade do cuidado em saúde da população idosa e os
estudos publicados relacionados aos EAs, reitera-se a necessidade de discussão
sobre a segurança dos pacientes idosos internados nas UTIs, e levanta-se uma
questão: como está a produção científica, na América Latina, sobre a segurança
do idoso internado na UTI? Quais são os EAs mais relatados? Visto que nesses
países, esse tema é atual, com recentes produções na área, seguindo o perfil de
envelhecimento da população.
O trabalho em tela teve como objetivo o de identificar a produção cientifica na
America Latina sobre a segurança do idoso na UTI e os tipos de eventos adversos
trazidos pela literatura.
MÉTODO
Pesquisa bibliográfica, quantitativa, que se utilizou da revisão sistemática.
Esta se caracteriza pela busca de informações na literatura sobre determinado
tema, utilizando métodos sistematizados e explícitos de pesquisa, síntese e
análise crítica(16).
A coleta dos dados foi feita no banco de dados do LILACS e na Biblioteca da
SCIELO, considerando-se os países da América Latina, a partir dos descritores
indexados: segurança, iatrogenia, unidade de terapia intensiva e idoso,
cruzados entre si. Como critérios de seleção, foram considerados todos os
textos encontrados até 22 de dezembro de 2012, disponíveis de forma completa,
em qualquer data de publicação. Foram excluídos estudos do tipo revisão.
A partir dessa busca, foram selecionados 259 artigos. Foi feita leitura dos
resumos e aplicado como critério de inclusão: artigos que tratavam diretamente
dos erros ou faltas cometidas pelos profissionais durante o cuidado prestado,
considerando a segurança e as iatrogenias em idosos. Foram excluídos os artigos
que tratavam sobre segurança e manutenção de equipamentos diversos, artigos de
pediatria referentes às iatrogenias e textos que incluíam o tema terapia
intensiva, porém não estavam relacionados ao objeto do estudo.
Quadro_1
Os artigos selecionados foram lidos e fichados, buscando-se as variáveis
independentes: ano, local do estudo, tipo de estudo, área de conhecimento e
tipo de evento adverso citado.
RESULTADO
Foram selecionados vinte artigos para discussão, após aplicação do critério de
inclusão. A maioria dos trabalhos analisados foram publicados a partir do ano
2000, no Brasil, no estado de São Paulo, realizados por profissionais médicos e
enfermeiros, que utilizaram com mais freqüência a metodologia quantitativa.
Quanto aos eventos adversos citados, houve prevalência daqueles relacionados à
medicação, seguido de EAs variados, como perdas ou lesões decorrentes do uso de
sondas e cateteres, retiradas não programadas de tubos, cateteres e drenos,
exteriorização de sondas nasoenterais e nasogástricas, flebite, infiltração de
acessos venosos, queda e falha na rede de vácuo. Depois destes, os eventos mais
relatados se referiam à infecção nosocomial, úlcera por pressão, erro na
técnica de procedimento diagnóstico ou terapêutico.
DISCUSSÃO
Nos últimos anos têm crescido o interesse das instituições de saúde em melhorar
a segurança na prestação do cuidado, principalmente pelas discussões sobre a
gestão da qualidade nos serviços de saúde(4).
Nesse trabalho, os estudos foram encontrados após o ano de 1998. Os anos 90
marcaram abordagens sensacionalistas sobre erros na saúde, com aumento do
numero de processos judiciais e do valor financeiro das indenizações(17). Além
disso, os estudos sobre iatrogenias tiveram inicio em 1980 por pesquisadores
americanos em Harvard, só tendo impulso no Brasil e países da América Latina a
partir de 90(10).
No que se refere à origem da produção, apesar da pouca produção cientifica
sobre o tema, gerada nos países da América Latina com exceção do Brasil, nos
bancos de dados consultados, existe uma mobilização nestes no que se refere à
qualidade dos cuidados em saúde. Em 1992, houve a publicação do Manual de
Credenciamento para Hospitais da América Latina e do Caribe(17). Além disso, em
2001, o México iniciou uma "Cruzada nacional pela qualidade", com o objetivo de
elevar a qualidade dos serviços a níveis aceitáveis em todo o país: o Peru
introduziu um sistema nacional de credenciamento de centros de saúde, com uma
nova proposta implementada em 2007; a Argentina possui varias entidades
dedicadas à melhoria da qualidade; a Costa Rica liderou iniciativas ligadas à
segurança do paciente; a Colômbia dispõe de um sistema de notificação de EA e o
Chile conta com sólida trajetória de iniciativas para o controle de infecções
(19).
Com relação ao Brasil, sua produção científica vem se destacando, não só em
relação ao tema segurança, mas, principalmente, em relação à temática do
envelhecimento, com trabalhos de colaboração e publicação nacional e
internacional. A produção científica brasileira esta atrelada ao crescimento da
pós-graduação, e este Pais encontra-se em 13º lugar no ranking mundial de
artigos publicados em revistas especializadas, sendo o país que mais cresceu na
lista das 20 nações com mais artigos publicados em periódicos científicos
indexados pelo Information Sciences Institute-ISI(20-21).
No Brasil, o sudeste tem se destacado com um grande numero de produções não só
nessa área. Essa região possui o maior número de idosos no Brasil, com destaque
para o Estado de São Paulo. A região Nordeste, que aparece no estudo somente
com uma publicação, é a segunda região em número de idosos no País, e a
primeira em relação ao numero de idosos com mais de 100 anos(22).
O fato de a região Sudeste concentrar maior percentual de artigos pode denotar
o interesse em pesquisas sobre o processo de envelhecimento e as questões
relativas a este grupo específico. Além disso, essa região possui grande numero
de grupos de pesquisa e pesquisadores cadastrados, com 59,7% dos grupos de
pesquisa sobre envelhecimento. A região Sul possui 21,5% e o Nordeste abriga
apenas 13,9% dos grupos de pesquisa sobre idoso. No Sudeste também se
concentram maior numero de grupos de pesquisa em segurança do paciente
cadastrados no CNPq, principalmente em São Paulo(23).
Embora não tenha sido objetivo do estudo levantar os autores dos trabalhos
publicados, é importante apontar que, muitos dos estudiosos sobre a temática no
Brasil, são pesquisadores locados também na região sudeste, influenciando a
formação desses grupos de pesquisa.
No trabalho em tela, houve predominância de trabalhos publicados por
profissionais enfermeiros e médicos. Uma pesquisa nacional sobre a produção
científica em relação ao processo de envelhecimento no Brasil constatou que a
área da saúde coletiva, enfermagem e medicina são as que possuem maior número
de grupos com linhas de pesquisa específicas sobre idoso(23).
Esse tema também está muito relacionado com o cotidiano da prática de
enfermagem. Um grande número de EAs ocorre com o envolvimento direto da equipe
de enfermagem, como verificado em outros estudos(7-9).
Nesse sentido, entre os temas discutidos pelos autores, os mais abordados pela
enfermagem foram: eventos adversos à medicação (5), eventos adversos variados
(4), infecção nosocomial (3), ulceras por pressão (2) e erro na técnica de
procedimento (2).
Nas instituições hospitalares, o envolvimento das enfermeiras com falhas na
prestação de cuidados aos pacientes pode ser evidenciado em situações como:
erros de medicação, queda do paciente, extubação, queimaduras durante
procedimentos, hemorragias por desconexão de drenos e cateteres dentre outros
(12). Em relação às falhas médicas, pode-se citar erros de diagnostico, lesões
causadas por procedimentos terapêuticos e falhas na prescrição(17).
As questões éticas e jurídicas também podem explicar o interesse crescente das
áreas da medicina e enfermagem em segurança do paciente. Com a criação do
Código de Defesa do Consumidor, os pacientes tornaram-se consumidores
conscientes dos seus direitos. E os processos judiciais por erro médico têm
sido mais frequentes nos tribunais brasileiros(24).
No que se refere à publicação da equipe multiprofissional, só foi encontrado um
trabalho, que envolveu o médico, o educador físico e o farmacêutico. É
importante incentivar a produção multiprofissional envolvendo esse tema, pois,
em muitas ocasiões, a ocorrência de EA é multifatorial, envolvendo mais de um
membro da equipe, principalmente se estiver ligado ao uso do medicamento
(1,10,17).
Em relação ao método, cabe ressaltar que esse estudo objetivou apenas citar o
método utilizado, sem avaliá-lo. Dessa forma, observou-se na Enfermagem um
número maior de estudos com metodologia qualitativa, o que, certamente, se
justifica pela subjetividade do cuidado de enfermagem e pelos temas a ela
relacionados. Os três estudos quanti-qualitativos também foram publicados pela
Enfermagem, mostrando que, mesmo nos estudos quantitativos realizados nessa
área, existe uma preocupação com a abordagem qualitativa. Nos oito estudos
realizados pela medicina, houve predominância do método quantitativo, utilizado
em seis deles.
A investigação quantitativa gera dados, indicadores e tendências observáveis,
ao passo que a investigação qualitativa, trabalha com crenças, representações,
valores, opiniões. A combinação das duas abordagens pode gerar resultados ainda
mais completos. A segurança do idoso hospitalizado em UTI é um tema que pode
revelar inúmeras falhas no processo de prestação do cuidado. Portanto, uma
abordagem metodológica quantitativa ajuda a responder questões sobre os tipos
de EAs, sua frequência e população envolvida. Contudo, a abordagem qualitativa
pode ser interessante para explicar os fatores determinantes e o impacto destes
na vida das pessoas e serviços envolvidos.
No que se refere aos tipos de EAs encontrados, os erros com medicação tiveram
destaque. Esses dados corroboram resultados apresentados em outros estudos(1,7-
9,11). Observa-se assim que, infelizmente, esses erros são comuns, impõem
custos importantes ao sistema e são clinicamente relevantes.
Os erros com medicação podem se relacionar ao exercício profissional; ao
procedimento em si; aos problemas de comunicação, incluindo prescrição,
rótulos, embalagens, nomes, preparação, dispensação, distribuição,
administração e formação (poucos intensivistas têm preparo para trabalhar com
idosos) e ao monitoramento e uso de outros medicamentos, fato comum nessa
população(25-26). No idoso, as alterações fisiológicas do envelhecimento como o
declínio das funções hepática e renal aumentam os riscos envolvendo
medicamentos.
Dados do livro "Errar é Humano"(1), demonstrou que os erros devido às
medicações causam aproximadamente 7.391 óbitos anuais de americanos nos
hospitais. Um estudo americano, que observou 5.744 administrações de
medicamentos em cinco UTIs, revelou que o erro mais comum envolvia velocidade
errada de infusão (26). Esse tipo de erro pode ocorrer em todas as fases que
compõem o processo, como armazenamento, distribuição, prescrição e
administração. Por ser uma problemática que envolve não só a Enfermagem, mas,
também, farmacêuticos, médicos e auxiliares administrativos, o EA com medicação
torna-se uma questão multiprofissional e suas causas são multifatoriais. Dessa
forma, a abordagem deve ser centrada em todas as fases mencionadas, sendo
importante também considerar as condições nas quais esses profissionais
trabalham e sua formação(10,25,27).
Um trabalho que procurou identificar situações facilitadoras dos erros e
analisar as ocorrências dos mesmos nas diversas etapas que envolvem a
administração de medicamentos encontrou que: o ambiente de preparo ruidoso, a
ausência no esclarecimento ao paciente sobre o procedimento e a administração
de medicamentos por ordem verbal, foram as situações facilitadoras de erros
mais frequentes, com 68%, 64% e 40% respectivamente. Além disso, a ausência de
protocolos de administração de drogas endovenosas correspondeu a 100% dos casos
de erros, a ausência de registro da administração foi responsável por 48% e o
atraso na administração de medicamentos obteve 34% dos erros(28).
Nesse sentido, a OMS possui um programa internacional de medicamentos do qual o
Brasil faz parte desde 2001 e, desde então, a Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (ANVISA) vem desenvolvendo diversas iniciativas de fármaco-
vigilância, como a criação da rede de hospitais sentinelas e, mais
recentemente, em 2003, do Sistema de Informação de Notificação de Evento
Adverso e Queixas Técnicas Relacionados a Produtos de Saúde, o SINEPS(29).
Em relação aos EAs variados, que incluíram perda ou lesões relacionadas ao uso
de sondas e cateteres, retiradas não programadas de tubos, cateteres e drenos,
exteriorização de sondas nasoenterais e nasogástricas, flebite, infiltração de
acessos venosos, queda e falha na rede de vácuo, cabe ressaltar que alguns
fatores estruturais da UTI, a gravidade e a idade destes pacientes, bem como a
quantidade de dispositivos que utilizam, interferem(10,12-13). Um estudo
objetivando identificar os fatores estruturais da UTI e as condições do
paciente relacionado às ocorrências iatrogênicas, e verificar a associação
entre a gravidade destas e os fatores relacionados, identificou que, quanto à
natureza, dos 113 eventos, 46% ocorreu devido a acidentes com cateteres, 40%
com tubos endotraqueais e 7% com sondas e drenos(10).
O controle de infecções é uma realidade constante no ambiente hospitalar,
principalmente pelo grande número de antibióticos utilizados e o consequente
aumento de infecções causadas por bactérias multirresistentes. Portanto, há uma
preocupação mundial no controle destas, nos danos gerados para o paciente que
as adquire e também em relação aos custos decorridos destas infecções. Nesse
estudo, dois publicações abordaram esse tema.
As infecções hospitalares aumentam os riscos de morbimortalidade, o tempo de
estadia e os custos durante a internação. No idoso, estas assumem uma
importância maior em decorrência da gravidade destes quando internados na UTI
(30). Um estudo observou que a infecção hospitalar foi o evento mais
prevalente, ocorrendo em 21,8% da amostra, a frente de acidentes e leões,
observado em 11,6%(31). Importante destacar que as infecções mais comuns nessas
unidades, estão relacionadas ao trato respiratório e urinário, acometidas pelo
stafilococos aureus e pseudomonas aeruginosa(32).
A ocorrência de ulceras por pressão como iatrogenia pode, muitas vezes, ser
evitada através do cuidado direto da enfermagem. No presente estudo a discussão
sobre este EA é importante, não só pela peculiaridade com a profissão, mas por
se tratar do acometimento de úlceras por pressão em idosos, tornando sua
incidência ainda mais elevada.
A epidemiologia das úlceras por pressão é elevada, com incidência de 2,7 a 29%
entre os pacientes hospitalizados e 33% nos pacientes internados em UTIs,
destacando-se como regiões mais acometidas: calcâneo, sacra, escápula e ísquio
(33). Estes dados são globais e podem ser mais elevados dependendo do local e
da população estudada(34). Contudo, em outros estudos, não tiveram o mesmo
destaque(7-9,11).
Os erros relacionados a falhas técnicas nos procedimentos estiveram presentes
em 12,5% dos artigos selecionados. Esse evento adverso foi também citado em
outros estudos, onde esteve significativamente presente(7-9).
Cabe ressaltar, sobre os erros acima destacados, que o Programa Nacional de
Segurança do Paciente traz seis protocolos: higienização das mãos, cirurgia
segura, prevenção de úlcera por pressão, identificação do paciente, prevenção
de quedas e prescrição, uso e administração de medicamentos, que devem ser
trabalhados nas instituições de saúde para reduzir danos aos pacientes
hospitalizados(5).
Chamou atenção que somente um trabalho tenha relatado EA relacionado a
alterações comportamentais no paciente, trazendo a ocorrência de delirium, vez
que eventos adversos ligados a alterações comportamentais, foram citados em
estudos internacionais(6,8), mostrando-se relevantes. Considerando que, na UTI,
a população idosa esta mais suscetível a delirium, depressão, perda da
identidade, desorientação, entre outras alterações comportamentais, e que estas
podem acarretar diversas outras situações como não aceitação do tratamento e/ou
cuidados e quedas, cabe atentar também para esse tipo de EA.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O estudo buscou respostas para as seguintes questões: como está a produção
científica, na América Latina, sobre a segurança do idoso internado na UTI e
quais são os EAs mais relatados nessa produção? Observou-se que a produção
sobre o tema tem crescido na América Latina, principalmente a partir do ano
2000, no Brasil, na região sudeste, contribuindo para isso o aumento da
população idosa e dos grupos de pesquisa sobre envelhecimento e segurança do
paciente e a introdução de discussões sobre o tema no país a partir dos anos
1990.
Em relação aos profissionais, houve predominância de trabalhos publicados pela
Enfermagem e Medicina, sendo que a Enfermagem focou os EAs relacionados a erros
com medicação, infecção nosocomial, úlceras por pressão e erro na técnica de
procedimento. A produção da Medicina foi direcionada a EAs durante
procedimentos médicos diagnósticos e terapêuticos.
Dos trabalhos analisados, somente um trouxe o delirium como EA na UTI, indo ao
encontro de estudos internacionais que apontam as alterações comportamentais
como importante EA a ser reconhecido.
Recomenda-se a realização de pesquisas em campo, envolvendo a equipe
multiprofissional, atentando também para as iatrogenias que podem gerar
alterações psicológicas e comportamentais no idoso hospitalizado.