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Representação em texto

BrBRCVHe0034-71672013000300007

variedadeBr
ano2013
fonteScielo

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O silêncio no cotidiano do adolescente com HIV/AIDS

INTRODUÇÃO Com a evolução da AIDS no Brasil evidencia-se uma tendência de juvenização da epidemia, marcada pelos casos notificados por idade, ou seja, aumento da distribuição dos casos entre adolescentes. No período de 1980-2011 ocorreram 12.891 casos na faixa etária entre 13 a 19 anos(1). Essa mudança implicou a formação de políticas específicas e o avanço do tratamento, resultando na melhoria e bem-estar dessa população.

Os avanços do tratamento desecadeiam o cotidiano terapêutico permeado por vivências que decorrem do uso permanente de medicamentos, da frequência às consultas, da realização de exames de rotina e demais cuidados para a manutenção de sua saúde(2), e, ainda somam-se as dificuldades quanto à revelação do diagnóstico para o adolescente(3-5).

Quando o diagnóstico não é revelado predomina o silêncio nas famílias e surgem os desafios relativos aos cuidados com a saúde que influenciam a adesão.

Portanto, realizar o tratamento pode ser uma forma de não anunciar a existência da doença, pois não haverá manifestação dos sintomas, e o adolescente não sofrerá consequências, por exemplo, o preconceito. , o silêncio limita o acesso aos direitos sociais e de saúde(6-7).

Percebe-se, portanto, que as vivências do adolescente centram-se nas dimensões clínica e social, as quais repercutem na adesão ao tratamento antirretroviral (TARV). O uso sistemático dos medicamentos específicos objetiva a melhora clínica, o aumento do tempo de vida e a redução de falhas terapêuticas(8-9), e, para tanto, é importante uma aliança terapêutica entre o profissional e adolescente, podendo-se incluir a família que lhe proporciona no cotidiano.

A partir dessa problemática buscou-se desenvolver um estudo Multicêntrico nos municípios de Porto Alegre e Santa Maria, estado do Rio Grande do Sul, intitulado Impacto de Adesão ao tratamento antirretroviral em crianças e adolescentes, na perspectiva da família, da criança e do adolescente, sob o contrato : ED03756/2006(UNESCO); TRPJ As -3833/2006, financiado pelo Departamento de HIV/AIDS e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e a Cultura.

A pesquisa foi desenvolvida nesses dois municípios por serem centros de referência para o atendimento das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) e HIV/AIDS das proximidades regionais. Desenvolvida em duas fases quantitativa e qualitativa nessa pesquisa pretendeu-se desvelar a percepção e a vivência do adolescente que tem AIDS, em relação ao tratamento antirretroviral.

MÉTODO Pesquisa de cunho qualitativo, com etapa de campo desenvolvida em serviços especializados em DST/AIDS no município de Porto Alegre e de Santa Maria, no estado do Rio Grande do Sul. Em Porto Alegre, contemplou o Serviço de Assistência Especializada em DSTs e AIDS, o Serviço de Atenção Terapêutica do Hospital Sanatório Partenon e o Grupo de Atenção à AIDS Pediátrica do Ambulatório de Pediatria, Hospital da Criança Conceição. Em Santa Maria, contemplou o Serviço de Doenças Infecciosas Pediátricas do Hospital Universitário de Santa Maria.

Os sujeitos do estudo atenderam aos critérios de inclusão: faixa etária de 13 a 19 anos de idade, com diagnóstico de AIDS, segundo critérios do Departamento DST/AIDS e Hepatites Virais do Ministério da Saúde; e em tratamento com antirretroviral com, pelo menos, três meses.

Na produção dos dados foram utilizadas as Dinâmicas de Criatividade e Sensibilidade (DCS), fundamentadas no Método Criativo e Sensível (MCS). Esse Método é subsidiado pela pedagogia crítico-reflexiva de Freire. A partir da Tese de Doutoramento da Professora e Enfermeira Ivone Evangelista Cabral, de 1997, passou-se a utilizar as DCS, uma alternativa para a pesquisa em enfermagem, considerando-se que um objeto de estudo valoriza as singularidades de cada participante do grupo e pela coletivização das experiências. A DCS propõe um espaço de discussão coletiva, em que a experiência vivenciada é abordada por meio de uma produção artística(10).

O Método Criativo e Sensível ocorreu em cinco momentos: no primeiro fez-se a apresentação de cada membro do grupo concomitante com a integração e a interação dos participantes e a pesquisadora. No segundo momento foram disponibilizados materiais para a realização da dinâmica, com as questões norteadoras: as facilidades e dificuldades em relação ao Tratamento Antirretroviral (TARV) e o que foi feito para superá-las. Foi desenvolvida a DCS Livre para Criar com grupo de adolescentes com o objetivo de desvelar a vivência dos adolescentes em relação ao uso de antirretrovirais em seu cotidiano. Neste estudo, essa DCS teve como questão geradora do debate com o grupo de adolescentes: Como é para ti tomar o remédio sempre, todos os dias? No terceiro, os participantes apresentaram as suas produções artísticas individuais ou coletivas, socializando-se o que foi produzido. Os temas geradores codificados foram negociados com os participantes, que, no quarto momento, os decodificaram em subtemas durante a análise coletiva e a discussão grupal. Por fim, no quinto momento realizou-se a síntese temática dos temas e subtemas e a validação dos dados(10).

Em relação à logística da pesquisa, os encontros foram previamente planejados, considerando-se a escolha de um local apropriado e a previsão dos materiais a serem disponibilizados. Os materiais utilizados foram crachás de identificação dos participantes, cadeiras dispostas ao redor de uma mesa, gravador de fita cassete, folhas de cartolina, canetas e lápis coloridos e folhas de papel A4.

Nas três oficinas realizadas, com duração aproximada de cinquenta minutos a uma hora e trinta minutos, as DCS foram coordenadas por um dos pesquisadores responsáveis pelo projeto e contaram com alunos da graduação e pós-graduação na função de auxiliares de pesquisa.

Para a análise dos dados foi utilizada a técnica de Análise Temática do Conteúdo que consiste em descobrir núcleos de sentido, cuja presença ou frequência seja expressiva para o objetivo analítico visado. Na pré-análise foram organizadas as informações com uma leitura. A partir da exploração do material, buscaram-se os significados e os agrupamentos das informações, surgindo os temas ou categorias(11). Para tanto, foi desenvolvido um quadro analítico, do qual emergiram as categorias: o cotidiano medicamentoso e o silêncio do adolescente que tem HIV/AIDS. Na última etapa fez-se a análise e a interpretação das facetas das percepções dos adolescentes, discutidas com a produção científica da temática.

Os cinco adolescentes, com idade entre 11 e 14 anos, foram selecionados a partir da primeira etapa dessa pesquisa multicêntrica, a qual foi aprovada pelos Comitês de Ética em Pesquisa (CEP) das instituições envolvidas: protocolos de aprovação 2005446 (CEP/UFRGS), 23081.017341/2006-61 (CEP/UFSM), 001014268.07.8 (CEP/SMS/PORTO ALEGRE ) e 113/08 (CEP/GHC).

As questões éticas cumpriram com a proteção dos participantes quanto aos princípios de: voluntariedade, anonimato, confidencialidade das informações da pesquisa, justiça, equidade, diminuição dos riscos e potencialização dos benefícios, resguardando sua integridade física-mental-social de danos temporários e permanentes. O termo de consentimento livre esclarecido foi assinado pelo responsável legal e o próprio adolescente assinou o termo de assentimento.

RESULTADOS E DISCUSSÃO O relato dos adolescentes demonstrou a percepção sobre a AIDS relacionada a horário, a ingestão do medicamento fora de casa, a quantidade, ao tamanho, ao gosto do remédio, ao uso prolongado e aos efeitos adversos.

[...] Esse remédio líquido também enjoa o estômago [...] sempre [...] Depois que a gente tomar o remédio tem que comer alguma coisa senão a gente fica mal [...]o remédio é muito forte [...] sente enjoo se tu não come. A gente tem que tomar e comer na hora (A1).

É ruim por causa do horário que tem que ter horário pra tomar, ou às vezes quando não tem aula eu durmo até tarde, mas eu tenho que me acordar e tomar e depois tentar dormir de novo [...] é difícil [...] (o remédio) faz bem para nossa saúde, que ajuda na nossa saúde [...] (A2).

[...] A minha mãe fez até isso (lembrou) para eu não tomar remédio na hora da escola [...] Vai se acostumando a tomar remédio [...] Eu tomo 4 ou 5 remédios [...]Não é bom ter que tomar muito remédio, ter que tomar bastante é ruim [...] (A3).

A terapia medicamentosa possui características quanto à quantidade de ARV, apresentação, horários e frequência, o que implica a não adesão(12). Os medicamentos de uso contínuo são definidos como uma "prisão" para as pessoas com HIV/aids cujas vidas estão diretamente ligadas aos horários, esquemas e dosagens exigidos pelo TARV. Além disso, a complexidade da terapêutica medicamentosa interfere na adaptação do cotidiano dessas pessoas quanto às reformulações na alimentação, horários e ritmo diário para cumprir o tratamento (13).

Para tomar os ARV o adolescente e sua família buscam estratégias para terem doses fora do horário da escola. O adolescente toma o ARV nos períodos em que está em casa, o que possibilita a privacidade em seu tratamento e a manutenção do sigilo do diagnóstico. Tomar o medicamento fora do domicílio revela-se uma dificuldade relacionada a fatores sociais e estilo de vida, pois, muitas pessoas com a infecção necessitam esconder a medicação de amigos e familiares (14). Algumas pessoas utilizam estratégias para lidar com as dificuldades: escondem o medicamento, retiram rótulos de frascos, tomam os ARV em lugares seguros (para que as pessoas que não tenham conhecimento da doença não os vejam na hora de tomá-los). Essas atitudes apontam para o medo da discriminação(13).

Fatores associados às dificuldades de tomada de medicamentos incluem: a intolerância ao cheiro e ao gosto, tamanho, quantidade e uso prolongado. A apresentação dos medicamentos e suas características referentes à cor, ao odor, ao gosto, tamanho, às embalagens são determinantes para a não adesão dos ARV (8,14). Apesar do avanço do TARV, esses fatores fragilizam a continuidade do tratamento, pois, muitos evitam tomar os medicamentos no intuito de preservar seu bem-estar.

Estudos sobre o tema revelam, além desses fatores, outras condições associadas à baixa adesão de pessoas que fazem uso de ARV: complexidade do esquema, forma de armazenamento, número de doses, horários das doses, que podem gerar conflito com as rotinas e o estilo de vida(15). Isso resulta em dificuldades para as pessoas se adequarem às necessidades do TARV ao cotidiano, por exemplo, horários de acordar, das refeições, da escola e/ou do trabalho(16-18).

O uso prolongado de ARV, como a situação vivida pelos adolescentes infectados na infância, está relacionado ao acompanhamento clínico permanente e no longo prazo, que pode facilitar o processo de adaptação e aceitação dos esquemas de ARV. Entretanto, o tempo indeterminado do tratamento dessa doença crônica, ainda sem cura, possivelmente implica a dificuldade de adesão(19).

Mesmo com os avanços da terapia de medicamentos para o HIV/aids, os efeitos colaterais dos ARV são frequentes e podem se associar aos fatores relacionados à fragilidade na adesão ao TARV, pois os principais efeitos são: diarreia, distúrbios gastrintestinais (vômito e náuseas) e rash cutâneo(2,13).

Ressalta-se a importância do entendimento e da compreensão dos adolescentes sobre a função do medicamento em sua vida, da terapia proposta e seus possíveis efeitos adversos. Isso implica, de maneira direta, na aceitação ao tratamento e na boa aderência. A sensibilização do adolescente sobre a importância do TARV conduz à minimização do impacto dos efeitos adversos, os quais geram reclamações, pois, o adolescente diz que quando não tomava os ARV não sentia desconfortos físicos(16,18). No entanto, o uso do medicamento profilático associado aos ARV é essencial à manutenção da saúde e bem-estar, devido ao comprometimento imunológico, e, também, possibilita minimizar os efeitos adversos no intuito de fortalecer a adesão ao TARV(2,16).

Em suas falas, os adolescentes, participantes do estudo em tela, relataram a presença desse silêncio em suas vidas, destacando-se, aqui, os silêncios no que tange à escola e aos seus pares, caracterizados pelos amigos e colegas de escola.

Nos depoimentos, os adolescentes revelam as pessoas que compõem a rede de relações na escola que sabem de seu diagnóstico. É possível supor que a revelação do diagnóstico na escola esteja relacionada à necessidade de as pessoas-chave saberem, a fim de que, caso ocorra algum incidente com o adolescente nas dependências da escola, alguém tome providências. Essas situações apareceram em dois depoimentos, no entanto, considera-se pertinente citá-las, pois os adolescentes, de alguma forma, relatam o silêncio que a doença reproduz e o restrito número de pessoas que conhecem o seu diagnóstico.

Os guris começaram a me chamar de um monte de coisa, mas daí eu nem dou bola [...] eles não sabem o professor e a diretora (A1).

Meus colegas não sabem; a professora de educação física e a diretora (A3).

Nesse sentido, os adolescentes com HIV levam sua vida social dentro de uma normalidade peculiar à sua fase do desenvolvimento. Todavia, participar de espaços sociais com outros adolescentes, independente da sorologia, não os coloca à vontade para compartilharem seus diagnósticos com todos, pois o medo da exclusão do espaço ocupado(20). Na vida do adolescente, a escola configura-se como uma instituição social muito presente e importante na formação das relações sociais, portanto, silenciar o diagnóstico nesse lugar é bastante comum.

As pessoas com HIV tentam evitar situações que podem gerar preconceito e selecionam com cuidado a quem devem revelar o diagnóstico de sua soropositividade. Assim, evitam atitudes de estigmatização. Os adolescentes identificam algumas situações difíceis na escola, como não se relacionar com os colegas, não participar de certas atividades e não falar sobre seu diagnóstico aos colegas e aos amigos(13,20-21).

É imprescindível refletir sobre as repercussões desse silenciamento na vida dos adolescentes somadas a sua condição de saúde, porque, nessa etapa da vida, a escola é, para a maioria deles, o espaço social mais frequentado. Fica evidente a necessidade de ações que promovam o melhor viver na vida da escola para esses adolescentes que lidam com o medo da discriminação e do rótulo no seu viver.

A revelação entre os pares aparece nos depoimentos dos adolescentes acerca de quem sabe e quem não sabe da sua condição sorológica. Percebe-se que se preocupam e temem a descoberta do diagnóstico por terceiros, devido ao preconceito, situações que podem afetar de modo importante o uso de remédios em locais públicos ou mesmo no domicílio quando estão na presença de outras pessoas, pois os medicamentos podem ser a prova da aids(16,22).

um colega meu que sabe, mas [...] é que ele foi em casa e escutou [...] ele contou pra mãe e ela não disse nada, que se ele quisesse ficar do meu lado podia (A1).

Um dia um amigo meu foi posar em casa, isso faz tempo. ele me viu tomando o remédio e pensou que fosse de laranja e queria tomar também, disse que não e ele ficou insistindo e eu tive que esconder o remédio dele (A2).

Compreende-se que esse silêncio é mantido na família e reproduzido pelo adolescente entre seus pares com o objetivo, velado ou não, de não diferenciação e aceitação grupal, como uma característica própria da fase de adolescência. Essa situação vivida está permeada pelo estigma da doença, do preconceito e de atitudes de discriminação que marcam a história da epidemia da Aids(7,20). Também se observa que os adolescentes se preocupam em justificar os motivos pelos quais não deva ocorrer o preconceito. O fato de a infecção ser por categoria de exposição da transmissão vertical, os impulsiona a pensar que a infecção não ocorreu devido a um ato ou situação de vida que eles tiveram algum envolvimento, mas que eles nasceram com isto, portanto, livres de serem julgados.

A mãe me contou que um dia ela foi no pronto-socorro e ela viu uma guria de14-16 anos que tinha HIV e o guardinha fez assim: por que tu não se cuidou guria? E a guria disse: por que eu nasci assim, e o guarda começou a rir. Eu não gostei disso, se ele nascesse ele não ia gostar que a gente risse dele (A1).

[...] se é uma pessoa adulta pode muito bem entender, uma criança assim de cinco anos não pode entender, mas uma pessoa adulta assim é burrice. Porque se a gente nasce assim com isso, a gente não pode evitar; a gente nasceu (A2).

Não pode humilhar as pessoas que têm. Depois a pessoa fica com vergonha e não quer mais sair (A3).

A história inicial da epidemia contribuiu para esse imaginário coletivo que colocou os grupos de risco como suscetíveis à infecção e, consequentemente, responsáveis por seus atos. No entanto, a história nos mostrou que não existiram grupos de risco e que a epidemia não tem raça, cor, escolaridade, opção e/ou estilo de vida(23). Os protagonistas da epidemia são todos seres humanos que mantêm suas relações sociais no mundo.

O sentido social do preconceito é pejorativo, no qual a opinião do outro acerca de alguém é admitida sem ser discutida, construída a partir de uma visão de mundo acrítica, sendo transmitida culturalmente e, consequentemente, internalizada pelas pessoas, as quais são influenciadas em seus modos de agir (24).

CONSIDERAÇÕES FINAIS O adolescente, em seu cotidiano medicamentoso, revela a importância do conhecer acerca de seu tratamento, visando a compreensão sobre a função do medicamento em sua saúde, o que inclui saber os possíveis efeitos adversos e implicações em sua vida. Mostra que mantém o silêncio nos espaços socais que frequenta, em que algumas pessoas sabem de sua doença, vivenciou o preconceito e fala da repercussão deste na vida das pessoas que têm a doença. O silêncio se perpetua na família, sendo conservado pelo adolescente com seus pares, com o objetivo, velado ou não, de não diferenciação e aceitação grupal, como uma característica própria da fase de adolescência. Assim, o silêncio na vida do adolescente pode conduzir a dificuldades na realização do seu tratamento, ao limitar suas redes de apoio e suas possibilidades de tornar-se protagonista do cuidado de sua saúde.

Destaca-se o envolvimento dos profissionais de saúde que cuidam do adolescente, possibilitando espaços para a família e promovendo diálogos desta com o adolescente, a fim de fortalecer seu bem-estar com sua saúde. Essas ações poderão repercutir na adesão ao tratamento, em situações de preconceitos, e entre outras questões que envolvem a doença, somadas às peculiaridades da adolescência.


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