Perfil sociodemográfico e estilo de vida de trabalhadores de uma indústria
metalúrgica
INTRODUÇÃO
Promover a saúde e prevenir os riscos no ambiente de trabalho exige intervenção
multidisciplinar. Entretanto, tal preocupação nem sempre está presente em todos
os ambientes de trabalho.
A Política de Saúde do Trabalhador, proposta pelo Sistema Único de Saúde (SUS),
que inclui ações e serviços de saúde no sistema público e privado, apesar de
demonstrar avanços na legislação e práticas institucionais na área, apresenta
ainda dificuldades e lacunas. São necessárias alternativas que contribuam na
transformação desse contexto a fim de superar a concepção reducionista do
processo saúde/doença, que desconsidera a subjetividade e propor um novo modelo
de articulação entre promoção da saúde e trabalho(1).
Acidentes e doenças do trabalho merecem atenção, pois trazem prejuízos para o
trabalhador e para o empregador, além de afetarem a economia do país(2) e
incidirem diretamente nos serviços de saúde.
Ressalta-se que o trabalhador, para realizar suas atividades, deve ter
condições ambientais adequadas, não devendo exceder os limites de resistência
(3). O Ministério do Trabalho exige avaliação periódica dos riscos do ambiente
de trabalho e da saúde dos trabalhadores, cujos resultados devem subsidiar os
programas de prevenção como o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais - PPRA
(Norma Regulamentadora 9) e o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional
- PCMSO (Norma Regulamentadora 7), que são obrigatórios para as empresas(4).
Os acidentes de trabalho estão presentes no cotidiano das empresas, incluindo-
se as metalúrgicas, nas quais existe grande número de relatos de acidentes e
doenças relacionadas ao trabalho que merecem destaque.
Autores(2-3,5-6) relacionaram a surdez, patologia bastante encontrada nas
metalúrgicas ao ruído presente nesses ambientes de trabalho. Em relação a isso,
em outubro de 2005 durante a semana da Saúde e Segurança no Trabalho da União
Européia, foi discutido como tema a ênfase nos problemas referente ao ruído no
local de trabalho(7).
Pesquisa(8) evidenciou a prevalência de sintomas auditivos e vestibulares em
trabalhadores expostos ao ruído ocupacional. Outro estudo(9) também mostrou os
efeitos auditivos causados pela exposição combinada ao monóxido de carbono e ao
ruído em operadores de empilhadeira.
É sem dúvida importante o estudo de tais trabalhadores já que se tem observado
um grande número de investigações que relacionam perda auditiva em
trabalhadores, sendo esse um assunto extremamente importante quanto aos
problemas de saúde de metalúrgicos.
Não só a perda auditiva é encontrada com frequência em tais tipos de empresas,
mas também os acidentes de trabalho, em geral.
Investigação(2) identificou a alta frequência de acidentes de trabalho nas
indústrias metalúrgicas não somente relacionados aos fatores de riscos
ambientais, como ruído e maquinário sem proteção, como também quanto a
disfunção organizacional.
Além dos acidentes de trabalho que merecem destaque é importante salientar que
"a exposição prolongada às condições inadequadas expõe o trabalhador a
distúrbios musculoesqueléticos e outras doenças ocupacionais responsáveis por
um grande número de afastamentos do trabalho, tendo influencia direta na sua
qualidade de vida e capacidade laborativa"(10).
Cabe destacar que a promoção da saúde engloba a adoção de medidas que reduzam
os riscos de adoecimentos assim como envolve a melhoria da qualidade de vida.
Assim, uma ampla abordagem é proposta, por meio do estudo do ser humano no
trabalho, resultando em estratégia nova e integrada, que é a relação das
pessoas e organizações saudáveis(11).
Tendo em vista as pesquisas no ramo metalúrgico realizadas nas últimas décadas,
é indispensável à discussão das formas de melhoria das condições de trabalho,
isto é, quais as estratégias e intervenções podem ser feitas para que tais
agravos à saúde do trabalhador sejam prevenidos ou minimizados.
OBJETIVO
Identificar o perfil dos trabalhadores metalúrgicos quanto ao sexo, idade,
estado civil, escolaridade, ocupação, número de filhos, atividade física e de
lazer; e aspectos de saúde como índice de massa corporal, horas de sono,
tabagismo, etilismo; aspectos laborais relacionados a horas e turnos de
trabalho, hora extra, tempo de trabalho na empresa e estilo de vida.
MATERIAL E MÉTODO
Trata-se de estudo epidemiológico transversal com análise estatística
descritiva, realizado em indústria metalúrgica, em cidade com 50.602
habitantes, no interior do Estado de São Paulo.
Para coleta dos dados foi utilizado questionário com dados sociodemográficos,
estilo de vida, dados laborais e de saúde, testado em aproximadamente 1600
trabalhadores, de diferentes empresas e setores, que abordou aspectos de saúde,
estilo de vida e turnos e horário de trabalho(12).
A população da empresa, no período de realização da pesquisa, era de 200
trabalhadores e a amostra foi constituída por 182, distribuídos no setor
administrativo, produção, secretários e supervisores, com taxa de resposta de
91%.
Foram incluídos no estudo os trabalhadores que aceitaram participar, que não
estavam em período de férias, com afastamentos por atestados médicos e/ou
outros tipos de afastamento durante o período de sua realização, tais como
licença maternidade, paternidade, gala, entre outros.
A coleta de dados foi realizada no período de julho 2004 a janeiro/fevereiro
2005 e estendeu-se a todos os turnos de trabalho e horário administrativo:
turno da manhã (5h20 às 13h40), tarde (13h40 às 22h) e noturno (22h às 5h20).
Para os trabalhadores da área de produção (operadores de máquina, por exemplo)
o questionário foi aplicado mediante contato direto e foi entregue aos do setor
administrativo e escritório para que os mesmos respondessem. A estatística
descritiva e os testes estatísticos foram realizados utilizando o Programa
SAS®9.2.
O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética da Universidade Estadual de Campinas
(SP) como adendo sob o protocolo 286/2004 e autorizado pelos indivíduos por
meio da assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
São apresentadas abaixo as principais variáveis sociodemográficas dos
trabalhadores entrevistados.

A amostra foi constituída por 182 trabalhadores de diferentes setores da
empresa, distribuídos entre a fábrica e o escritório administrativo, dos quais
138 (75,8%) eram homens e 44 (24,2%), mulheres, com idade entre 16 e 58 anos e
idade média de 33,8 anos (SD 9,5). Parcela considerável dos trabalhadores tinha
menos que 30 anos de idade (39,6%).
Pesquisas realizadas com trabalhadores metalúrgicos apresentaram média de idade
semelhante ao presente estudo, de 33 anos (mediana de 32 anos e desvio padrão
de 9,8 anos) e de 35,9 anos, respectivamente(3,13). Outros autores (14-15)
também encontraram média de idade semelhante, de 34,5 e 38,6 anos
respectivamente. Pesquisa (16) mostrou que a maior parte dos trabalhadores
tinha entre 20 a 29 anos (41%) e 30 a 39 anos (37%). Outra investigação
realizada em empresa de grande porte, do ramo metalúrgico em Caxias do Sul, RS
identificou idade média superior, de 44,3 anos (desvio padrão de 10,2 anos)
(17).
A jornada de trabalho na empresa estudada era de 44 horas semanais, com seis
dias de trabalho por semana, em três turnos fixos de trabalho. A grande
porcentagem de homens pode ser justificada pelo tipo de trabalho realizado. A
maioria das mulheres atuava nos setores internos (escritórios e recursos
humanos), sendo a minoria encontrada nas máquin as.
Em estudo(13) realizado na maior indústria metalúrgica de Canoas-RS, foi
identificado, em relação ao sexo, número menor de mulheres 9,7% que atuava, de
modo semelhante ao encontrado no presente estudo, somente em setores
administrativos. Autores(14,16) também obtiveram em seus estudos, em
metalúrgicas, porcentagem maior de homens correspondendo a 84,8% e 62,5%
respectivamente.
Observa-se também que a maioria dos trabalhadores era casada/vivia com
companheiro (64,3%) e tinha filhos (63,7%), sendo que destes, aproximadamente
80% tinham um ou dois filhos. Dado semelhante foi encontrado em outra pesquisa
na qual, dos metalúrgicos estudados, 64,6% eram casados(13). Isto pode estar
relacionado ao maior controle do número de filhos, mas deve-se levar em
consideração que muitos deles ainda são jovens existindo maior possibilidade de
terem mais filhos posteriormente. O número de horas despendidas na educação dos
filhos era, em média, de 3,3 horas por dia.
Em relação às tarefas domésticas 131 (72%) realizavam-nas utilizando em média
2,2 horas por dia. Quanto a este dado é importante destacar que a maioria da
amostra foi composta por homens e que parte dos mesmos realizava atividades na
casa. A maioria residia em casa própria 154 (84,6%); 36,3% das residências
tinham cinco cômodos e 67% apenas um banheiro.
A baixa escolaridade de parte dos trabalhadores (14,8%) pode estar relacionada
principalmente a idade em que começaram a trabalhar, pois, para 95 foi antes
dos 14 anos. Entre os 27 trabalhadores com menos de oito anos de escolaridade,
20 começaram a trabalhar antes dos 14 anos de idade. Dos que tinham quatro anos
ou menos de escolaridade, a faixa etária variou de 28 a 57 anos.
Quarenta trabalhadores estavam estudando no período da pesquisa (22%), a grande
maioria terminando o curso superior 24 (60%), seguida de cursos complementares
(inglês/ espanhol), sete (17,5%). Quatro (10%) estavam cursando o ensino médio
e 5%, a sexta série. Havia ainda dois trabalhadores (5%) fazendo curso técnico
e um (2,5%) na pós-graduação. O horário de realização dos cursos era
basicamente noturno (90%). Em relação à escolaridade, estudo(13) verificou que
50% dos respondentes possuíam ensino médio completo, seguido por 23,5% que
possuíam ensino superior incompleto.
Eram tabagistas 17,5% da amostra estudada, com média de 13,3 cigarros por dia.
Este dado é menor do que o encontrado em estudo(18) realizado com metalúrgicos,
na cidade de Itapira-SP, no qual 22,5% dos 142 sujeitos entrevistados eram
tabagistas. Outra pesquisa(15) com metalúrgicos também mostrou que 45,4%
referiram que eram ou tinham sido tabagistas. É importante destacar que 20,5%
das mulheres e 16,7% dos homens fumavam. Esta porcentagem é superior a média
brasileira segundo pesquisa do Ministério da Saúde, por meio do Instituto
Nacional de Câncer (Inca)(19), na qual 18,8% da população brasileira era
fumante (22,7% dos homens e 16% das mulheres). No presente estudo pode-se
verificar maior quantidade de mulheres tabagistas. Entre os que relataram já
ter fumado anteriormente a média de anos que pararam de fumar foi de 11,6 anos,
tendo fumado em média durante 10,9 anos, 17,6 cigarros /dia e um deles referiu
não saber.
A maioria fazia uso de bebida alcoólica (59,9%), sendo que, destes, 86,2%
ingeriam cerveja e, 6,4%, cerveja e vinho. Em outro estudo(18) foi identificado
menor percentual de trabalhadores que ingeriam bebida alcoólica - 47,2% e outro
autor(15)encontrou percentual semelhante, pois 64,6% referiam utilizá-la com
frequência.
Pouco mais da metade dos sujeitos (55%) referiu realizar atividade física fora
do trabalho sendo o esporte mais praticado o futebol (37,5%), provavelmente
devido ao fato da maior parte dos entrevistados ser do sexo masculino. Pesquisa
(18) encontrou valores maiores em empresa metalúrgica que estudou, pois 71,1%
praticavam algum tipo de atividade física, assim como outra investigação(13)
que também verificou valores maiores dos trabalhadores que realizavam atividade
física, 77,6 %. A segunda atividade física com maior frequência foi a caminhada
(27,5%).
Dos trabalhadores estudados, 161(88,5%) realizavam atividade de lazer sendo a
mais frequente assistir TV (14,4%), seguida de passear (12,1%), ouvir música
(11,3%), visitar família (8,8%), sair com os amigos (7,8%), almoçar /jantar
fora (7,3%), frequentar igreja (7%), pescar (6%) e leitura de jornal/ revista
(5,2%).
A média do tempo de trabalho na empresa foi de 9,5 anos e, no setor, sete anos.
Estudos(15,17) identificaram valores mais elevados entre trabalhadores
metalúrgicos, sendo a média de trabalho nas indústrias de 15,2 anos, e 13,5
anos respectivamente.
Na empresa estudada a Fábrica era composta pelos setores: Expedição, Extrusão,
Trefila, Medição/embalagem, Cordagem, Montagem de cabos, Torção, Trançadeira,
Controle de qualidade, Manutenção (elétrica/ Segurança do trabalho) e o
Escritório Administrativo, na qual faziam parte os setores de: CCR (Call
Center), Compras, Vendas e Contabilidade. Dos entrevistados 22,5% (41) eram do
setor administrativo. Entre os trabalhadores da fábrica, 79 (43,4%) referiram
ser operadores de máquina.
Em relação à média de horas de trabalho por dia, os trabalhadores do turno da
manhã e da tarde trabalhavam 8h20, com 40 minutos de intervalo para refeição e
lanches. Os do turno noturno trabalhavam 7h20 por dia com intervalo também de
40 minutos para lanche. Aos sábados, os do turno da manhã e tarde trabalhavam
5h40 por dia; os do turno noturno não trabalhavam aos sábados, e iniciavam a
jornada as 23h40 no domingo.
O número médio de horas de sono durante a semana foi de 6,8h e de 8h nos dias
de folga e final de semana. Embora a maioria tenha relatado se sentir
descansado e cheio de energia após acordar (n=126, 69,2%), parte dos
trabalhadores respondeu negativamente a esta questão (n=55, 30,2%). Este é um
dado relevante, pois a jornada de trabalho era de 44 horas semanais, acrescido
ao fato de que aproximadamente ¾ dos trabalhadores realizavam horas extras e,
com a presença do cansaço, a chance de ocorrer acidentes de trabalho pode
aumentar. A grande maioria (n=132) relatou que estava realizando hora extra há
vários meses (72,5%), para atender os prazos de entrega em decorrência do
aumento no número de pedidos e encomendas da produção. A média de meses de
horas extras no ano anterior foi de 6,3 meses, e a média do número de horas
extras foi 24,4h por mês e 96,1% recebiam pelas atividades extras em dinheiro.
Foi verificada relação estatística entre não dormir bem e ter realizado horas
extras no último ano (p=0.04).
Outro dado relevante foi a média de idade em que os mesmos começaram a
trabalhar, correspondendo há 13,4 anos. Tal fato já foi citado anteriormente
sendo relacionado à baixa escolaridade. Como o início do trabalho foi precoce,
geralmente para ajudar a família, muitos deles deixaram de estudar. Metade dos
entrevistados relatou já ter ficado desempregado, em média, durante 12,8 meses.
Um pequeno número de pessoas tinha outro emprego ou outros tipos de atividades
com pequenos ganhos avulsos, 12 (6,6%). A grande maioria referiu ter crença
religiosa 170 (93,4%), sendo a maior parcela de católicos 150 (88,2%) e, mais
da metade (59,4%), frequentava missa ou culto.
A classificação do IMC (Índice de Massa Corporal) dos trabalhadores pesquisados
é apresentada naTabela_2.
[/img/revistas/reben/v66n1/a08tab02.jpg]
A OMS (Organização Mundial de Saúde, 2011)(20) classifica os valores do IMC da
seguinte forma: < 18,5 magreza, valores entre 18,5 - 24,99 saudável, 25,0 -
29,99 sobrepeso/pré obesidade, 30,0 - 34,99 obesidade grau I, 35,0 - 39,99
obesidade grau II e > 40,0 obesidade grau III (mórbida).
Quanto ao IMC, 54,9% dos trabalhadores apresentaram valores dentro do limite
considerado saudável (50% dos homens e 70,4% das mulheres), mas, grande parcela
(41,75%) apresentou sobrepeso ou obesidade. Sobrepeso e obesidade também foram
observados por pesquisa(14), em 53% dos trabalhadores, mas principalmente sem a
obesidade abdominal (65,1%).
Em relação à média de tempo de ida e volta para o trabalho obteve-se 32,5
minutos. Tal dado é explicado pelo fato de ser uma cidade de pequeno porte e do
interior do Estado, na qual não é comum o trânsito. A maioria ia para o
trabalho de ônibus fretado pela empresa (n=84, 46,1%); seguido por carro (n=40,
22%); bicicleta (n=17, 9,3%); a pé (n=6, 3,3%) e uma pessoa (0,5%) que
utilizava bicicleta ou ia a pé e outra que utilizava carro ou ônibus.
Quando indagados sobre a sua saúde comparada à de outras pessoas da mesma
idade, 93 (51,1%) relataram estar igual; 70 (38,5%), melhor; 15 (8,2%) muito
melhor; e quatro (2,2%), um pouco pior. Quando comparado atividade física e
saúde em relação a outras pessoas da mesma idade houve significância
estatística (p=0.0405) e 80% dos que consideraram sua saúde muito melhor
realizavam atividade física.
Embora a maioria dos entrevistados 112 (61,5%) referiu não ter tido episódio de
dor nos últimos seis meses, deve ser considerado o fato de que 70 (38,5%)
relataram a presença de dor nos últimos seis meses, sendo os locais de maior
frequência: 18 (25,7%) região lombar, seguido de 12 (17,1%) coluna e, sete,
(10%) cabeça. Em relação à dor na última semana da data da entrevista, um
quarto dos entrevistados relatou ter tido dor (n=45, 24,7%), e os locais mais
citados foram: costas 12 (26,7%), cabeça 8 (17,8%), e coluna/pescoço com 4
(8,9%) cada. Pesquisa(13)demonstrou que 75,2% dos trabalhadores relataram algum
tipo de sintoma osteomuscular (dor, desconforto ou dormência) nos últimos doze
meses; 53,3% nos últimos sete dias, sendo que 38,5% já tiveram afastamento
devido ao problema.
Estudo(10) sobre a qualidade de vida de trabalhadores em empresa metalúrgica,
encontrou que as 56 queixas principais, possivelmente estavam relacionadas ao
trabalho, considerando a natureza dos movimentos e posturas adotadas nos postos
de trabalho e condições do ambiente. Destacaram-se as dores musculares, dor de
cabeça e zumbido nos ouvidos.
Quando indagados sobre presença de doença nos últimos 12 meses, 43 (23,6%)
responderam afirmativamente: Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) com 10,2% (n=
6), seguida de gripe (n=3, 5,1%) e colesterol, coluna, gastrite, lesão por
esforço repetitivo (LER), ácido úrico e coluna, sendo dois em cada (3,4%).
Pesquisa(14) mostrou que "os trabalhadores foram distribuídos quase igualmente
em termos de presença ou ausência de doenças crônicas e/ou sintomas (51,2%
sim)". Dor nas costas foi o mais comum (30,9%).
Quanto à realização de consulta médica, a maior parte dos entrevistados
respondeu afirmativamente (n=156, 85,7%) e referiu ter realizado exame médico
periódico na empresa, além do exame auditivo. Quanto às especialidades médicas
as mais frequentemente consultadas por 156 trabalhadores foram em ordem
decrescente: clínico geral (51,3%); ginecologista (5,8%); oftalmologista (4,5%)
e ortopedista, cardiologista e otorrinolaringologista (3,8%).
Dos 182 trabalhadores, 58 (31,9%) referiram fazer uso de algum medicamento.
Intervenções bem sucedidas no ambiente de trabalho incluem além da
disponibilização de recursos adequados, a avaliação e monitoramento no âmbito
multidisciplinar, bem como a participação dos trabalhadores em todo o processo
(21).
O médico suíço Henry Sigerist, já em 1946, considerava que a promoção da saúde,
em seu sentido ampliado englobava educação, boas condições de vida e trabalho,
formas de repouso e lazer(1). É um conjunto de fatores mais abrangentes que se
inter-relacionam sendo, portanto, indispensável uma boa alimentação, sono
adequado, prática de atividades física e de lazer para que o indivíduo sinta-se
disposto, com energia e condições adequadas de realizar o trabalho e não apenas
às condições relacionadas diretamente ao processo de trabalho.
CONCLUSÃO
Como evidenciaram os resultados deste estudo, a maioria dos trabalhadores
metalúrgicos era do sexo masculino (75,8%), com média de 33,8 anos de idade e
início precoce no trabalho, pois 95 deles começaram a trabalhar antes dos 14
anos de idade, o que afetou sua escolaridade. Muitos começaram muito cedo para
ajudar em casa, deixando quase sempre os estudos. A maioria dos trabalhadores
era casada/vivia com companheiro (64,28%) e tinha filhos (63,7%), sendo que
destes, aproximadamente 80% tinham um ou dois filhos. Tal dado pode estar
relacionado ao controle do número de filhos, mas tendo em vista a média de
idade dos trabalhadores deve-se levar em conta que podem ter mais filhos
posteriormente. Outro dado bastante significativo e positivo em relação aos
aspectos socioeconômicos é que 84,6% tinham casa própria.
A maioria dos trabalhadores trabalhava na fábrica e, destes, 79 (43,41%)
referiram ser operadores de máquina. Dos entrevistados 22,53% (41) eram do
setor administrativo. Em relação à atividade física 45% referiram não realizá-
la (45%), o que pode estar relacionado ao fato que parcela significativa dos
trabalhadores tinha IMC acima dos padrões considerados normais. O local mais
frequente em relação à dor auto referida foi a região lombar (26,7%) e tal fato
pode estar relacionado à postura no local de trabalho e ao tipo de trabalho
realizado.
O perfil sociodemográfico permite um melhor conhecimento da população estudada
a fim de traçar metas e planejar ações com base nas informações levantadas.
Dentre os achados deste estudo, destaca-se o fato de que uma parcela
significativa referiu não se sentir descansado e cheio de energia (30,2%). Isto
pode estar relacionado às horas extras, pois 72,5% referiram realizá-las.
Realizando horas extras, o trabalhador pode, muitas vezes, deixar de realizar
atividades básicas e essenciais a saúde, tais como: horas de sono e alimentação
adequada; o que pode prejudicar sua saúde e influenciar seu desempenho.
A área da saúde do trabalhador encontra-se em processo que objetiva a proteção
e promoção à saúde, tendo como referência não apenas os trabalhadores, mas,
também o meio em que estão inseridos e as condições de saúde e educação. Assim,
é possível inferir que o planejamento de ações por parte das equipes de saúde
do trabalhador é essencial para as organizações seja voltada para educação com
o desenvolvimento de programas que estimulem a melhor integração individual e
social e palestras educativas; seja por meio do controle e monitoramento do
arranjo físico e organizacional do trabalho, como também execução de ações
preventivas e de promoção como a realização periódica de exames, campanhas
preventivas, implantação e controle do Programa de Conservação Auditiva (PCA),
entre outros eventos que possam estimular e proteger a saúde dos trabalhadores.
A articulação da promoção da saúde no trabalho é fundamental no processo de
execução de ações voltadas a saúde do trabalhador, considerando este como
sujeito ativo capaz de contribuir para transformação de sua própria saúde e do
meio no qual se insere.
Frente ao exposto, e devido à escassez de estudos sobre metalúrgicos na
literatura, sugere-se que haja uma melhor exploração do perfil dessa população,
que novos estudos sejam realizados a fim de identificar e analisar a situação
de saúde dos trabalhadores para a definição de prioridades na formulação de
estratégias e no planejamento e implementação de ações multiprofissionais,
interdisciplinares e intersetoriais efetivas, que possam contribuir para
mudanças e melhorias relacionadas a promoção de saúde, condições de vida e
trabalho.
Ressalte-se, por fim, que os resultados tabulados foram encaminhados à empresa
para serem utilizados no planejamento das atividades de promoção à saúde do
trabalhador.