Competências profissionais em Saúde Pública: conceitos, origens, abordagens e
aplicações
INTRODUÇÃO
Em saúde pública, não basta apenas ter profissionais de saúde em um lugar, o
que se espera é que esses sejam competentes para alcançar as exigências do
trabalho(1). Nessa perspectiva, uma força de trabalho competente, ou seja, com
o necessário conhecimento e habilidade para traduzir a teoria política e a
pesquisa em ação efetiva, constitui ponto fundamental para o futuro crescimento
e desenvolvimento da promoção da saúde(2).
A literatura descreve o papel de recursos humanos qualificados para o sucesso
do desempenho do sistema de saúde, e aponta que as políticas e as metas
organizacionais podem auxiliar ou constituir barreiras para o desenvolvimento
dos profissionais(2-3).
O conceito de competência é hoje amplamente difundido no mundo do trabalho e
aplicado em variadas disciplinas científicas(4). Em saúde, o desenvolvimento de
competências apresenta-se como uma nova perspectiva para a formação dos
profissionais da área, não só por incentivar a reflexão crítica, mas por ser
capaz de responder às exigências impostas pelo atual cenário de mudanças
sociais e favorecer o desenvolvimento da cidadania(5).
No que tange a estes aspectos, questiona-se: o que é competência? Como se dá a
construção de seu conceito? Como ela é aplicada ao contexto da saúde pública?
Com base nestas questões, o objetivo do presente artigo foi apresentar uma
revisão sobre o constructo competência a fim de melhor compreender o seu
contexto sócio-histórico, bem como verificar sua aplicabilidade no contexto da
saúde pública.
Competency, Competencies, Competence, Competences?
O primeiro esclarecimento conceitual se refere aos termos utilizados na língua
inglesa: competency/competencies e competence/competences. Seu uso pode ser
encontrado apenas em uma das condições ou ambas no mesmo texto, sendo usadas
como sinônimos ou não. Competence geralmente refere-se a áreas funcionais e
competency a áreas comportamentais(6).
O termo competency ou competenciesrefere-se a características individuais,
subjacentes à pessoa, qualidades que levariam a um desempenho efetivo superior.
É considerado um input, uma entrada, um comportamento individual que sustenta o
desempenho competente(6-8).
Já o termo competence ou competences descreve os requisitos do trabalho que o
indivíduo precisa saber ou ter para ser capaz de executar uma tarefa ou um
cargo. É a descrição de uma ação, o comportamento ou o resultado que uma pessoa
deve demonstrar em seu desempenho. Portanto, relaciona-se ao trabalho, é um
output, saída, e reflete a exigência do trabalho(6-8).
Trabalhos na literatura apontam ambas as formas tratadas como sinônimos;
entendem o duplo sentido e recomendam que o termo competence seja usado para se
referir às áreas de trabalho, as chamadas "áreas de competência". Por outro
lado, competency refere-se às dimensões de comportamento por trás do desempenho
competente(9).
Distintas Teorias, Distintas Culturas e Distintas Abordagens
Outro ponto a ser analisado são as diferentes abordagens em que o termo
competência pode ser usado que são encontrados na literatura. Há trabalhos que
distinguem as abordagens em: comportamental, genérica e holística(8).
Encontram-se também os termos: comportamental, de padrões e situacional(10).
Outros utilizam: comportamental, funcional e multidimensional ou holística(6).
Há ainda a abordagem orientada ao trabalhador, a orientada ao trabalho e a
multimétodo orientada(11). As principais abordagens estão organizadas no Quadro
1.
Origens do termo competências
O termo competências é apontado na literatura como tendo diferentes origens. As
principais citadas estão nos Estados Unidos, no Reino Unido, na França e na
Austrália, conforme descrito nos itens subseqüentes.
Estados Unidos
A paternidade da gestão por competências é atribuída por alguns autores à
América do Norte(12). Nesse contexto, há revisões sobre a origem do termo
competência nos EUA que indicam as principais fases e os autores que se
destacaram na construção do conceito(13). Assim, o modelo de competências nos
EUA está fundamentado na psicologia comportamental e os nomes que mais se
destacaram foram John Flanagan, Robert White, David McClelland, Patrícia
McLagan, Richard Boyatzis, Lyle Spencer e Signe Spencer, C.K. Prahalad e Gary
Hamel, e David Ulrich(13). Uma síntese das principais contribuições de cada
autor americano pode ser visualizada no Quadro_2.
Também são destacadas as inovações de David McClelland, ao desenvolver vários
estudos com rigor metodológico para as medidas do fenômeno: uso de amostras,
métodos de coleta de dados multivariados, escalas, análise de conteúdo,
validação de processos(12).
Inglaterra
A iniciativa para o desenvolvimento de competências na Inglaterra vem de um
contexto de pobre desempenho da economia, aumento do desemprego e um déficit de
habilidades(14,15). Diante de tais evidências, o governo iniciou uma série de
investigações na década de 1980 e concluiu que havia necessidade de adaptar a
força de trabalho, por meio de programas de treinamento baseado em padrões de
competências, para responder à economia(14,15). As iniciativas governamentais
criadas e/ou desenvolvidas que contribuíram para o tema estão no Quadro_3.
As competências para certificação indicam o que o profissional deve saber e
fazer para desempenhar sua prática com sucesso. Desta maneira, possibilita o
desenvolvimento de um padrão de qualidade que pode orientar os processos de
formação e de avaliação profissionais(16).
França
A origem do termo em solo francês é múltipla, com um quadro conceitual incerto
(12). Os instrumentos de avaliação não são tão sofisticados quanto os
americanos e, na ausência de referenciais nacionais de competências, os
critérios são alcançados por cada empresa, geralmente assistida por uma empresa
de consultoria(12).
A avaliação de competências é considerada como um direito do trabalhador
consagrado no Código do Trabalho Francês(12). O objetivo seria a reintegração
dos candidatos ao emprego, algo como uma assistência para voltar ao trabalho.
Há relatos de que uma nova legislação que prevê a validação da experiência
seria uma forma de incluir a competência em um quadro social, garantindo a
formação profissional ao longo da vida(12). Nessa perspectiva, o ponto central,
de acordo com a compreensão francesa, é o princípio do desenvolvimento de
competências que se baseia na interação da teoria (derivado de ensino) com
experiência (pessoal e profissional)(17). Assim, as competências na França são
validadas e não avaliadas. Toda a gama de recursos que o funcionário traz é
validado bem acima do que é necessário e posteriormente especificada na
descrição de um trabalho(17).
Na década de 1980, iniciava-se o reconhecimento da necessidade de
desenvolvimento e da formação de competências pelas empresas, de maneira a
reconhecer o trabalho como um local de aprendizagem(17-18).
No que tange a esse aspecto, o Estado aqui se preocupa com a reinserção do
indivíduo no mercado de trabalho e, dentre as iniciativas para isto, pode-se
enumerar: 1) Em 1985, o Estado estabelece a oportunidade para que os indivíduos
com experiência de trabalho possam se inscrever em programas de formação; 2) O
lançamento do Répertoire Opérationnel des Métiers et des Emploisna década de
1980 que foi modificado em 1993, onde as ocupações foram definidas em termos de
competências necessárias; 3) Foi introduzido, pela Lei de 31 de Dezembro 1991
(art L. 900-2), o direito para que os indivíduos tivessem um bilan de
compétences (balanço de competências) para fornecer uma base para o
desenvolvimento pessoal em sua ocupação, assim a avaliação das competências
inclui um plano de trabalho e de formação para o seu desenvolvimento(18).
Além do Estado, os setores empresariais também tiveram uma participação
efetiva. Assim, tem-se que 1) os setores de negociação incluiram, na década de
1990, o tema nas discussões, 2) profissionais de recursos humanos criaram o
GPEC (Gestion Prévisionnelle des Emplois et des Compétences) que tentava
transformar a lógica da qualificação em lógica de competência; 3) algumas
indústrias introduziram a remuneração baseada em competências; 4) o Medef
(Mouvement des Entreprises de France) discutiu o uso das competências nas
corporações multinacionais e lançou, em 2002, o Objectif Compétences, um guia
sobre a utilização de competência nas empresas(18).
Alguns autores também têm sido citados como importantes referências para a
construção da abordagem francesa demonstrando a diversidade na construção da
abordagem(4,12,18).
Bertrand Schwartz foi pioneiro no trabalho sobre educação de adultos, sob o
pressuposto de que para indivíduos não qualificados, de acordo com o sistema
formal de ensino, seria possível desenvolver métodos para lhes permitir
desenvolver tais competências e acessar novamente a educação formal ou
encontrar melhores empregos(12). Assim, Bertrand Schwartz foi quem introduziu o
conceito construtivista no estudo de competências e reconhece as relações e as
ações já existentes entre os grupos, o ambiente, as situações de trabalho e a
formação profissional(19). Nessa abordagem, a competência não depende apenas do
funcionamento do mercado, mas também dos trabalhadores, dos seus objetivos e
das suas capacidades. Ao contrário da visão behaviorista de alta performance, a
visão de Schwartz inclui também o trabalhador com menor nível educacional(19).
Outra área que contribui para o estudo de competências é a ergonomia que
concentra seu trabalho na pessoa que executa as tarefas em situações de
trabalho específico(4). Os trabalhos de Maurice Montmollin, em meados da década
de 1980, foram precursores com a introdução da ergonomia cognitiva, que define
o termo competênciascomo conhecimentos, capacidades, tipos de raciocínio e de
habilidade, implementadas com objetivo de executar uma tarefa específica. Para
a ergonomia, a avaliação das competências não pode ser realizada em referência
direta às suas tarefas, pois as habilidades são tão numerosas quanto as
situações de trabalho. Competência é uma característica que permite ao
trabalhador dar sentido à situação de trabalho. Para o ergonomista, a
competência é um conceito da ordem de descrição e explicação não de avaliação
(4).
No final da década de 1990, destacou o nome de Phillipe Zarifian dentro da
abordagem sociológica que inseriu o termo competências em uma dimensão coletiva
do trabalho em um nível organizacional(20).
Austrália
A abordagem australiana surgiu na década de 1990(21). Embora a Austrália tenha
importado muito da versão do Reino Unido, baseada em padrões profissionais, o
modelo incita debates sobre a necessidade de construir competências de maneira
mais ampla(22). Esta abordagem é considerada como uma abordagem mais holística
que combina atributos do profissional com o contexto em que os atributos podem
ser aplicados, sendo considerada mais integrada(8).
A noção de competência, no modelo australiano, é dinâmica, com diferentes
significados e interpretações, e em constante mutação. Competência constitui-se
de maneira relacional, reunindo combinações complexas de atributos
(conhecimentos, atitudes, valores e habilidades) necessários para o desempenho
inteligente em situações específicas(8).
As competências devem combinar a teoria e a prática(23), também permitem a
incorporação de valores éticos e elementos de desempenho, indicando a
necessidade de prática reflexiva e a importância do contexto que incorpora a
noção de que há mais de uma maneira de atuar com competência(8).
Constitui uma abordagem não-reducionista, com estruturas humanistas. Baseia-se
na capacidade de perceber as particularidades do contexto imediato(24).
Esta abordagem foi desenvolvida por meio de trabalhos de pesquisadores da
Tecnology University of Sydney em 1990. Tem como principais representantes
Andrew Gonczi e Jörgen Sandberg. Gonczi é professor da Tecnology University of
Sydney e tem vários trabalhos publicados sobre competências e educação.
Sandberg é professor da University of Queensland e desenvolveu uma abordagem
fenomenológica baseada na teoria hermenêutica sobre competências no trabalho.
A atual abordagem holística/integradora de competência tem absorvido com
sucesso as abordagens behaviorista e funcionalista e integrado algumas das
práticas mais promissoras educação e formação, como o planejamento, o
aprendizado em equipe, a autonomia, a aprendizagem baseada em problemas e as
estratégias de avaliação formativa(24).
O Quadro_4 apresenta uma síntese das abordagens citadas.
Competências em saúde pública
Há relatos de que com o aumento da expectativa de vida e com a mudança no
perfil epidemiológico, houve alterações nas demandas ao sistema de saúde(25).
Estas modificações renovaram o interesse em se discutir a preparação e a
formação dos profissionais de saúde para a prática(26).
Nesse contexto, a formação profissional não está garantindo a posse das
competências para as necessidades atuais de saúde(1) e a educação para
preparação dos profissionais de saúde que não tem mantido o ritmo das mudanças
contextuais(25). O ensino das profissões de saúde não tem sido necessariamente
estático, houve um desenvolvimento para as profissões mais tradicionais, mas
não uma reorganização para promover o trabalho em equipe com profissionais
voltados para as novas necessidades(25).
Nesse contexto, problemas atuais e futuros de saúde exigem novas competências,
que incluem, além de médicos e enfermeiros, outros profissionais
(fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais dentre outros)
para formar a base para a formação e o planejamento da força de trabalho(27).
Assim, as novas práticas devem envolver a integração, a coordenação e o
trabalho em equipe(25).
Assim, uma força de trabalho competente, ou seja, com conhecimentos,
habilidades e capacidades para traduzir políticas e pesquisas em ação efetiva,
é muito importante para o crescimento e desenvolvimento da promoção de saúde
(27). E, o foco da formação deve ser pautado em uma visão ecológica da saúde,
onde a comunidade deve ser analisada considerando a interação entre os
múltiplos determinantes(1).
Há relatos de tentativas internacionais para identificação de competências e
para o desenvolvimento da força de trabalho para educação e promoção de saúde
onde vários países conseguiram progressos significativos no campo, no entanto,
este progresso é desigual e que muitos países carecem dos recursos necessários
e de infra-estrutura(27). As principais iniciativas para o desenvolvimento de
competências em saúde no contexto internacional(3) estão resumidas no Quadro_5.
No que tange aos aspectos citados, foram identificados, após o exame dos
estudos sobre competências em saúde pública, que existem domínios comuns em
vários países, que incluem: 1)avaliação; 2)planejamento e consulta;
3)implementação; 4)avaliação e pesquisa; 5)conhecimento - princípios, valores e
ética; 6)comunicação; 7)política de defesa e desenvolvimento da estratégia ;
8)organização e gestão; 9)trabalhar com as comunidades, capacitação da
comunidade; 10)formação de parcerias e de trabalho colaborativo; 11)liderança
estratégica(2).
Os autores, apesar de realizarem críticas com relação à tentativa de se
estabelecer padrões internacionais, listam alguns benefícios. Dentre eles
destacam-se: 1)compartilhamento de termos comuns e acordos para definição das
tarefas e conhecimentos necessários para a prática; 2)desenvolvimento de
programas, projetos e currículos nos processos de capacitação de pessoal;
3)contribuição para a definição e consolidação da área; 4)evolução da formação,
promoção e desenvolvimento de cursos; 5)desenvolvimento profissional contínuo;
6)possibilidade de desenvolvimento de padrões para acreditação; 7)promoção de
responsabilidade perante o público para as normas de prática. Dentre os
aspectos negativos encontram-se: 1)reducionismo que pode limitar a inovação;
2)desvalorização da experiência profissional; 3)possibilidade de ignorar
valores e princípios(2).
Galway Consensus Conference
O debate sobre competências no campo da saúde pública teve como ponto
culminante a Galway Consensus Conference. As discussões acerca da construção de
competências para a saúde pública avançou muito conforme descrito no Quadro_5,
porém, muito ainda tem que ser desenvolvido(26-27).
Assim, diante da necessidade que emerge diante do novo contexto em saúde,
representantes de vários países realizaram, na Universidade da Irlanda em
Galway, em junho de 2008, a Galway Consensus Conference. Esta Conferência foi
organizada juntamente com a International Union for Health Promotion and
Education (IUHPE), a Society for Public Health Education (SOPHE), o Centers for
Disease Control (CDC) e com lideranças da área(26-27).
Participaram 26 representantes de várias nacionalidades e dentre esses
encontravam-se membros de instituições de ensino, sociedades profissionais,
entidades governamentais e não-governamentais(26-27).
O objetivo da Galway Consensus Conference foi promover o intercâmbio global
para desenvolver uma visão compartilhada do núcleo competência, de
profissionalismo e de qualidade e de garantia necessários para o
desenvolvimento da força de trabalho entre países e continentes. Além disso,
recomenda a construção de uma escala e de um sistema de acreditação de centros
e instituições acadêmicas com critérios pré-estabelecidos de formação e
treinamento. Em longo prazo, segundo os autores, reforçaria a preparação
profissional, a formação e a educação continuada dos profissionais de saúde(26-
27).
Nesse contexto, as discussões realizadas na Conferência resultaram na
elaboração de uma declaração que apontam valores e princípios, uma definição
comum, e oito domínios de competências fundamentais para saúde pública(26).
Esta declaração não se preocupou com competências específicas e sim em
competências gerais consideradas críticas para alcançar melhorias na saúde.
Dentro dos valores e princípios incluem: o modelo social ecológico de saúde que
leva em conta as características culturais e econômicas, os determinantes
sociais da saúde, o compromisso com a equidade, o respeito diversidade
cultural, o desenvolvimento sustentável e participativo, o engajamento da
população na identificação de necessidades, a definição de prioridades para o
planejamento, a execução e a avaliação da saúde com soluções viáveis para
atender às necessidades(27). Os oito domínios apontados pela declaração são:
1. Catalisação de mudanças: capacidade de produzir mudanças e emponderar os
indivíduos e as comunidades para a melhora da saúde.
2. Liderança: produzir uma direção estratégica e oportunidades para o
desenvolvimento de políticas públicas saudáveis, mobilização e gestão recursos
para a promoção da saúde.
3. Estimativa/Diagnóstico: conduzir avaliação das necessidades da comunidade,
identificar e analisar o comportamento, a cultura, o meio social, ambiental e
organizacional que podem ser determinantes na promoção ou no comprometimento da
saúde.
4. Planejamento: capacidade de estabelecer metas e objetivos mensuráveis em
resposta à avaliação das necessidades e identificar estratégias que são
baseadas no conhecimento derivado de evidências teóricas e práticas.
5. Implementação: capacidade de realizar de maneira eficaz, eficiente e
sensível a cultura e ética, estratégias para garantir o maior número possível
melhorias na saúde, incluindo a gestão dos recursos humanos e materiais.
6. Avaliação: determinar o alcance, a eficácia e o impacto dos programas de
promoção da saúde e das políticas. Isso inclui a utilização adequada métodos de
avaliação e de pesquisa para apoiar melhorias no programa, a sustentabilidade e
a divulgação.
7. Advocacia: defender a melhora da saúde e bem-estar para indivíduos e
comunidades e reforçar suas capacidades para a realização de ações que possam
melhorar a saúde e fortalecer a comunidade.
8. Parcerias: promover o trabalho cooperativo entre disciplinas, setores e
parceiros para aumentar o impacto e a sustentabilidade dos programas de
promoção e políticas de saúde.
As recomendações realizadas em Galway destinam-se a diversos públicos,
incluindo: médicos, pesquisadores, acadêmicos, gestores, entidades não-
governamentais, empregadores, organizações internacionais e outras autoridades
institucionais, que têm participação e responsabilidade para promover a saúde
do público(27).
CONCLUSÃO
De acordo com a revisão apresentada, observa-se uma pluralidade de abordagens
para a compreensão do termo competência, refletindo como este conceito tem
evoluído.
Apesar de cada abordagem ter se desenvolvido de maneira independente em
contextos distintos cada uma delas apresenta sua contribuição(24). A abordagem
tradicional americana tem demonstrado a importância das características
individuais e o uso de competência comportamental como um meio de desenvolver
um desempenho superior. A abordagem funcionalista do Reino Unido revelou o
valor das normas ocupacionais definidas de competência funcional e sua
aplicabilidade ao trabalho. A abordagem adotada na França demonstra o potencial
de um conceito multidimensional e mais analítico de competência. E a abordagem
holística da Austrália mostra-se mais integradora.
Assim, cada abordagem tem sua definição, ou são atributos ou requisitos do
trabalho, ou ambos associados a um contexto. Críticas há a respeito, no
entanto, há de se concordar com as contribuições não apenas na construção do
conceito em si, mas nos campos metodológicos e analíticos da área.
A construção deste conceito se dá conforme o contexto político, econômico e
social de cada nação. Em alguns momentos estão pautados em trabalhos
científicos em outros em decisões governamentais.
No contexto da saúde pública, as discussões em torno do tema surgem das
mudanças no perfil epidemiológico e do modelo assistencial, frutos de
discussões de organizações internacionais e culminada na Galway Consensus
Conference que declara 8 (oito) domínios a serem desenvolvidos. Tais domínios
podem fundamentar não apenas cursos de graduação, de educação continuada como
também de pós-graduações.
Observa-se, no entanto, que muito ainda há de se discutir, principalmente no
campo da saúde pública de maneira a melhorar o desenvolvimento dos recursos
humanos para uma nova realidade.