Políticas públicas para a saúde do idoso: revisão sistemática
INTRODUÇÃO
O envelhecimento é um processo universal que é compreendido por uma redução das
atividades funcionais e possui algumas tendências em relação as enfermidades
que levam continuamente a construção de políticas públicas para o idoso tanto
no âmbito internacional assim como principalmente no âmbito brasileiro. Essas
políticas estão voltadas não somente para a terceira idade como também para os
profissionais da saúde visando a sua divulgação e implementação. Desta forma, é
verificado um aumento no contingente populacional dos idosos em virtude da
baixa de natalidade, aumento da expectativa de vida, desenvolvimento de novas
tecnologias que vislumbraram tratamentos que até alguns anos atrás eram
impensados uma perspectiva e um prognóstico de vida favorável para algumas
enfermidades.
Verifica-se em projeções palpáveis que no último censo 2000 do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística a população de 60 anos ou mais de idade
no Brasil era de 14.536.029 de pessoas, contra 10.722.705 em 1991. O peso
relativo da população idosa no início da década de noventa representava 7,3%,
enquanto em 2000 essa proporção atingia 8,6%. Considerando a continuidade das
tendências verificadas para as taxas de fecundidade e longevidade da população
brasileira as estimativas para os próximos 20 anos indicam que a população
idosa poderá exceder 30 milhões de pessoas ao final deste período, chegando a
representar 13% da população no país(1).
Em meio a essa transição demográfica, é importante ressaltar que, juntamente
com a modificação observada e descrita sob o aspecto quantitativo, precisamos
estar atentos aos aspectos que ultrapassam a quantidade, já que nos
preocuparmos com a qualidade de vida dessa população. Essa mudança no perfil
epidemiológico do país é resultante de transformações da vida da população nos
âmbitos social, econômico e cultural acarretando novos olhares e planejamentos,
para contemplarem suas expectativas de saúde, bem como atender às demandas
biopsicossociais visando ao equilíbrio do processo vital(2).
Assim, temos como objetivo neste artigo analisar o desenvolvimento dos
programas de saúde do idoso na área da saúde com base nas referências contidas
nas principais bases de dados da Biblioteca Virtual da Saúde (BVS). Podemos
identificar as seguintes políticas públicas de saúde que precisam
constantemente de reconhecimento e são objeto de nossa atenção, para o cuidado
ao idoso: Política Nacional do Idoso - Lei 8.842 de 1994; Portaria 702 de 2002
que cria mecanismos de organização e implantação de Redes Estaduais de
Assistência à Saúde do Idoso tendo como base as condições de gestão e a divisão
de responsabilidades definida pela Norma Operacional de Assistência à Saúde
(NOAS); Portaria 703 de 2002 que institui no âmbito do SUS o Programa de
assistência aos Portadores de Doença de Alzheimer; Protocolo de Tratamento da
Doença de Alzheimer - Portaria n.º 843 de 2002; Estatuto do Idoso - Lei 10.741
de 2003 e, a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa - Portaria n.º 2.528 de
2006.
Com propriedade percebemos que as políticas públicas em saúde devem se apoiar
em informações objetivas respaldadas por evidências científicas. A Saúde
Pública e a Epidemiologia têm um importante papel nesse processo, seja por meio
do desenvolvimento de pesquisas, como pela coleta sistemática de informações
oriundas dos sistemas de vigilância que possibilita a avaliação sistemática de
dados sobre magnitude, escopo, características e conseqüências das doenças(3).
Verificando o desenvolvimento e as mudanças nas políticas públicas para amparar
de forma adequada o idoso, há necessidade de uma reorientação dos serviços de
saúde, investindo-se principalmente na atenção básica com rediscussões de
estratégias preventivas e de promoção à saúde(2). Por outro lado, os
profissionais de saúde, principalmente aqueles que atuam na rede de atenção
básica devem ser alvo de treinamento e capacitação continuados para se
adequarem às necessidades da população idosa. Levando em consideração que o
ambiente familiar constitui-se uma principal fonte de apoio ao idoso, há que se
estimular o fortalecimento das relações familiares com o propósito de se
minimizarem as dificuldades e angústias vivenciadas por ambos, idosos e
familiares(4-5).
Portanto, quanto maior for o acesso aos bens e serviços da sociedade, maior
será a qualidade de vida no processo de envelhecimento. E sob esta ótica, os
serviços de saúde têm papel fundamental na atenção à saúde, para que a
população idosa possa usufruir a vida com tudo aquilo que construiu. Para tal,
são requeridos investimentos que priorizem a prevenção de doenças e controle de
condições de cronicidade que permita aos idosos um viver com qualidade(5).
A relevância deste artigo está no fato de compreender que assistência de saúde
ao idoso exige dos serviços de saúde e, também da equipe de saúde uma
qualificação diferenciada, porque são estes profissionais que estão na "linha
de frente" do cuidado a esta clientela. A contribuição deste artigo visa também
à possibilidade de reduzir assim a incidência de complicações da saúde do idoso
com o conhecimento de políticas públicas de saúde no Brasil visando uma
articulação das ações de saúde entre os profissionais de saúde.
METODOLOGIA
Para viabilizar o desenvolvimento deste estudo, optamos por um estudo de
revisão sistemática de natureza quanti-qualitativa. O período de coleta de
dados se desenvolveu de 01/09/08 à 30/09/08 nas seguintes bases de dados da
Biblioteca virtual da Saúde: Lilacs (Literatura Latino Americana e do Caribe em
Ciências da Saúde), SciELO (Scientific Eletronic Library Online) e Bdenf (Base
de Dados da Enfermagem).
A revisão sistemática é o delineamento de um estudo secundário através de
outros estudos, ditos primários, que são analisados de forma criteriosa e
avaliados quanto à sua qualidade científica para serem incluídos, ou não, numa
análise estatística, a metanálise. Um outro aspecto relevante é que as revisões
sistemáticas devem ser desenvolvidas antes de qualquer projeto de pesquisa
clínica(6). Foram utilizados os seguintes descritores: Políticas Públicas de
Saúde; Idoso; Enfermagem.
Os Critérios de Inclusão das referências foram os seguintes: Possuir aderência
ao objetivo proposto; conter articulação com os Programas de Saúde referidos. A
análise das referências foi baseada nas publicações dos últimos cinco anos (de
2003 a 2008) em virtude da grande maioria dos programas estarem contidos neste
período.
Realizamos uma leitura flutuante inicial das referências e, portanto, das 67
referências encontradas na Lilacs somente 24 referências tiveram aderência ao
nosso objetivo; das 18 referências encontradas na SciELO 14 referências tiveram
aderência e das seis referências na BDENF quatro referências foram aproveitadas
dentro dos critérios de inclusão estabelecidos.
Na base dados da Scielo das 14 referências selecionadas: duas eram da área de
Nutrição; duas da área de Odontologia e 10 referentes a todas as áreas de
conhecimento da saúde e da enfermagem. Portanto, ao realizar uma leitura em
profundidade selecionamos 10 referências relacionadas que de fato tratavam de
políticas públicas de saúde ao idoso. Na base de dados Bdenf das quatro
referências encontradas somente uma foi selecionada porque duas referências se
tratavam das políticas públicas da Espanha e que não se adequou a nossa
realidade e, uma referência também foi encontrada na Scielo. Na base de dados
Lilacs das 24 referências selecionadas foram aproveitadas 15 porque duas
referências se repetiram na Bdenf e sete referências se repetiram na SciELO.
Portanto, as referências que foram analisadas são 26 sendo 10 na base de dados
Scielo, uma na BDENF e 15 na LILACS.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Para análise das informações foi realizada a organização do conteúdo encontrado
quanto ao ano, tipo de publicação e métodos/técnicas utilizadas, essência do
conteúdo e produção do conhecimento, base de dados, recomendações dos autores.
Portanto, o quantitativo de referências por ano encontramos cerca de 23% das
referências no ano de 2008; 31% das referências no ano de 2007; 23% das
referências no ano de 2006; 8% de referências no ano de 2005 e 15% de
referências no ano de 2004. Este demonstrativo já nos leva a afirmar que no
período de 2004 a 2008 ocorreu um aumento de publicações que tratam de
profissionais na área da saúde operacionalizando as políticas públicas de saúde
voltada para o idoso.
Sobre o quantitativo de referências encontradas nas bases de dados deste estudo
encontramos 19% das referências contidas na Scielo, 61% das referências
estiveram contidas na base Lilacs e 4% das referências foram encontradas na
Bdenf. Ocorreram 12% das referências estiveram contidas tanto nas bases da
Lilacs como da Scielo e 4% das referências foram encontradas nas bases LILACS,
SciELO e BDENF.
Ao analisar o tipo de publicação no que tange o seu método e técnicas de
pesquisa utilizadas encontramos cerca de 36% das referências trazem a pesquisa
de campo; 13% das referências trabalham em seu conteúdo a revisão de
literatura; 21% desenvolveram a entrevista; 4% das referências realizaram a
observação; 13% das referências aplicaram um questionário estruturado; 11% das
referências desenvolveram análise documental e 2% das referências realizaram o
método de estudo de caso. Neste período as publicações estiveram voltadas em
sua maior parte para a pesquisa de campo em detrimento das demais modalidades,
vislumbrando a necessidade de conhecer a aplicabilidade e grau de
resolutividade das políticas públicas de saúde ao idoso.
Sobre a essência do conteúdo estudado nas referências e as suas produções no
conhecimento encontramos 8% referências que apontam as desigualdades no acesso
e uso dos serviços de saúde por idosos; 22% referências analisam os dados
demográficos, sócio-econômicos, padrão epidemiológico e as condições de saúde
dos idosos em relação as dificuldades no acesso aos serviços de saúde; 4% das
referências pautaram suas discussões na construção de um sistema integrado de
informações geográficas e de condições de saúde para idosos com demência,
cadastrados nas Unidades de Saúde da Família de um município paulista e 4% das
referências demonstraram as fontes de dados secundários dos sistemas de
informação como relevantes para estudos das políticas de saúde direcionadas aos
idosos.
Com relação as questões econômicas e sociais sofrida pelo idoso, há ainda
questões básicas como solidariedade e dificuldade de inserção social; entende-
se que a família, por sua posição nuclear, é responsável por cuidar da pessoa
idosa. Por outro lado, o abrigamento asilar só deve ocorrer no caso de completa
ausência de parentes ou como medida preventiva para garantir a sobrevivência da
pessoa idosa. Na prática a realidade é outra: situações de humilhação, insultos
e maus tratos são a cada dia mais comum no cotidiano das populações de pessoas
idosas; o determinante é a escassez de entendimento por parte da sociedade,
predominantemente composta por jovens, em relação ao envelhecimento e suas
peculiaridades(7).
Encontramos 8% das referências que tratam sobre o envelhecimento da população
brasileira e a mudança na sua estrutura etária requerendo das políticas
públicas e dos profissionais de saúde atitudes definidas na abordagem de
atenção à saúde com ênfase no trabalho interdisciplinar com vistas a preservar
a autonomia, a participação, o cuidado, a auto-satisfação e a possibilidade de
o idoso atuar em variados contextos sociais. Também encontramos 8% das
referências que tratam de programas de atividade física para idosos em
diferentes contextos e a educação postural.
Percebemos que quando o convívio social não é suficiente para direcionar os
indivíduos a respeitarem o modo de viver, com princípios éticos e morais, de
determinado grupo, é necessário que os princípios se transformem em leis
através de políticas públicas de saúde. Transformar as leis em políticas de
governo é o compromisso de oferecer estratégias para fazer com que as regras
estabelecidas sejam respeitadas por todos(8). Ainda sobre as referências que
destacam sobre atividade física esta é um meio de modificar os hábitos de vida
dos idosos, retardando o aparecimento de doenças crônicas e mantendo-os por
mais tempo funcionalmente capazes para realizar as tarefas da vida diária(9).
Apenas 4% das referências discutem o acesso dos idosos as medicações para o seu
tratamento de saúde afirmando que grande maioria adquirem as medicações através
de seus próprios rendimentos; 18% das referências tratam sobre os familiares
cuidadores destacando o papel do cuidador informal no cuidado do idoso
dependente (com AVC, Doença de Alzheimer e outras Síndromes Demenciais) além da
a vivência de ser um cuidador familiar e os modelos de atenção e suporte
direcionados ao cuidador informal. Constatou-se, ainda nestas referências, que
a família desempenha papel importante na reabilitação dos idosos acometidos e
que determina mudanças no estilo de vida.
A necessidade de cuidados ininterruptos, o difícil manejo das manifestações
psiquiátricas e comportamentais, somadas às vivências dos laços emocionais,
tanto positivos como negativos experienciados pelo convívio anterior à
instalação da doença, produzem desgaste físico, mental e emocional. Assim, os
efeitos psicossociais da doença fazem do cuidador uma importante entidade no
contexto das investigações científicas e da conseqüente sobrecarga,
experimentado pelo cuidador ao realizar uma gama de atividades potencialmente
geradoras de estresse e efeitos negativos(10). Além disso, ante as situações de
doenças, sobretudo quando se verifica comprometimento da saúde, as pessoas
devem se submeter a formas de adaptação. Nesse novo contexto, o idoso necessita
de uma série de medidas planejadas e desenvolvidas com vistas a lhe facultar a
maior integralidade possível. Como procedimento essencial nesse processo
sobressai a realização de ações para a reabilitação dos déficits neurológicos
surgidos(11).
No entanto, a preocupação com as medicações citadas nas referências estão
baseadas nos extensos gastos públicos bem como os gastos dos próprios idosos;
custo específico de uma medicação em detrimento de outra; prescrições
excessivas que poderiam ser reavaliadas e o uso excessivo de medicamentos que
poderiam ser evitados(12).
Temos 4% das referências que tratam sobre os possíveis sinais de violência
observados pelos entrevistadores nos idosos; 4% das referências avaliam as
políticas públicas de atenção a pessoa idosa, bem como sua evolução, tendo como
ambiência o Estatuto do Idoso; 8% das referências analisam quem as políticas
indicam possibilidades de trabalhos comunitários e institucionais em que o
idoso tenha papel de relevância na sociedade a partir de suas experiências
passadas e presentes, para contribuir com a conscientização de outras gerações
sobre questões ambientais e a nível ambulatorial em Manaus (Programa de Atenção
à Saúde do Idoso - PASI).
Percebemos que embora leis existam, ainda há muito que se elaborar no "iceberg"
de violência contra o idoso, porque, ainda que tenha leis de amparo ao idoso há
o viés dos agressores que muitas vezes são seus próprios familiares que
deveriam na realidade ampará-lo e não o fazem. Para o idoso pode ser
angustiante utilizar estas leis para denunciar estes agressores, seus
familiares(13).
Porém, tivemos 8% das referências que tratam do tratamento da Síndrome da
Imunodeficiência Adquirida (SIDA) verificando seus possíveis significados aos
idosos sobre a concepção da velhice e envelhecimento de acordo com as culturas
e contextos históricos diferenciados e a Tuberculose em idosos com menos
sintomas e menor número de abandonos durante seu período de tratamento.
Sobre a recomendação dos autores encontramos 19,7% das referências que
observaram desigualdades no uso e acesso aos serviços de saúde e inadequação do
modelo de atenção, indicando necessidade de políticas públicas que levem em
conta as especificidades dessa população, facilitem o acesso e possam reduzir
essas desigualdades; 7,7% das referências indicam que seus estudos contribuem
para dar maior visibilidade a essa parcela populacional, para compreensão do
processo de envelhecimento e adequação das políticas públicas e que são
necessários os princípios norteadores da gestão do Sistema Único de Saúde e,
também, uma articulação impressiva por parte do poder público em torno do tema.
A desigualdade no uso e no acesso aos serviços de saúde temos a associação de
renda, escolaridade, sexo e morbidade referida traduzem a grande necessidade e
a baixa capacidade de utilização. A relação dos idosos com os serviços de saúde
são intensas podendo traduzir injustiças e inadequações que impactam na
qualidade de vida dessa população e que, por sua vez, depende de políticas
públicas integradas e efetivas(14).
Verificamos 3,8% das referências que tratam da utilização de tecnologias de
geoprocessamento. Estas se mostraram importantes no planejamento de ações de
cuidado em gerontologia, contribuindo para a gestão de programas públicos de
saúde; 3,8% das referências propõem um roteiro para a realização do Inquérito
Nacional de Saúde; 7,7% das referências indicam que houve redução,
estatisticamente significativa, das taxas de prevalência de incapacidade
funcional, em mobilidade física, entre as pessoas idosas; 3,8% das referências
destacam a tendência das políticas públicas em saúde que preconizam a
humanização da atenção, a promoção da saúde, educação e desenvolvimento da
ciência, tecnologia e inovação em saúde, dentre outras, a tônica no discurso e
na prática requer a efetiva elaboração e operacionalização interdisciplinar.
Uma informação relevante é que a utilização de tecnologias de geoprocessamento
nos serviços públicos de saúde é de extrema importância, pois permite uma
análise da combinação de fatores de risco em um determinado local, que podem
levar à maior fragilidade dos idosos. Estas análises certamente trarão
contribuições significativas para o cuidado ao idoso com demência(15). No
entanto, as equipes multiprofissionais e multidisciplinares formam etapas para
a interação e para a interdisciplinaridade. Nelas ocorrem a justaposição e a
integração de métodos, teorias e conhecimentos, e a decisão é sempre tomada
pelo chefe da equipe. Na interdisciplinaridade, a decisão é compartilhada pelos
membros da equipe e a liderança é rotativa(16).
Ocorreram 7,7% das referências que indicam uma proposta diretiva de programas e
ações no âmbito das políticas públicas para o município de Florianópolis, na
forma de rede articulada entre os diferentes setores da administração pública,
para o desenvolvimento das atividades físicas coordenadas com vistas à promoção
do envelhecimento saudável. Ainda nestas referências os autores indicam a
necessidade de maiores investimentos na área de saúde e treinamento dos
recursos humanos que trabalham com os idosos nos serviços de saúde para
facilitar o acesso ao atendimento adequado de saúde dos idosos no município de
Florianópolis.
O envelhecimento é, hoje, uma realidade que não pode ser ignorada na maioria
das sociedades desenvolvidas e em desenvolvimento, tornando-se temática
relevante do ponto de vista científico e de políticas públicas, mobilizando
pesquisadores e promotores de políticas sociais, na discussão do desafio que a
longevidade humana está colocando para as sociedades(17).
Encontramos 3,8% das referências que indicam os riscos identificados na
polifarmárcia e mostram uma necessidade de políticas públicas que visem
promover o uso racional de medicamentos; 3,8% das referências apontam que os
profissionais de saúde devem lutar pela implantação de políticas públicas que
facilitem a reabilitação, e os enfermeiros devem centrar sua atuação na
educação para a saúde e na assistência sistematizada, privilegiando os cuidados
domiciliares essenciais para a reabilitação.
Apenas 3,8% das referências tratam que a meta é contribuir para a melhora do
nosso sistema de saúde como um todo, mas, particularmente, para o segmento dos
idosos, grupo etário que mais cresce no país e que necessita de políticas
afirmativas e integradoras que priorizem uma abordagem preventiva, com
programas abrangentes de educação, sem abandonar uma assistência de qualidade
para aqueles idosos com doenças adquiridas; 7,7% dos estudos demonstram a
importância da ampliação de estratégias que tenham o cuidador como sujeito
principal, cabendo ao profissional de saúde e às políticas públicas valorizem a
rede de suporte ao idoso dependente. Esta rede é importante como base do
processo de cuidar com qualidade. Estas duas últimas referências destacam que a
sobrecarga produzida pelas demandas de cuidados pode ser minimizada, pela
adoção de estratégias e de políticas públicas eficazes, representando melhor
qualidade de vida para o idoso e seu cuidador.
Estes fatores identificados devem-se ao processo acelerado e diferenciado de
envelhecimento no Brasil em detrimento dos países mais desenvolvidos. Há
padrões semelhantes no que diz respeito, por exemplo, aos diferenciais
sociodemográficos na prevalência de incapacidade funcional que são específicos
conforme mostram algumas referências(18). Sobre o cuidador do idoso como
sujeito importante para a seqüência do cuidado no domicílio existe a
necessidade de programas voltados para estes para que a atividade do cuidado
seja efetiva e investida através de práticas adequadas, trazendo benefícios
para quem cuida e quem recebe este cuidado(19).
Há 3,8% das referências que apontam uma projeção significativa de idosos que
sofreram violência doméstica dando a importância da formulação de políticas
públicas que visem a proteger esta faixa da população; 3,8% das referências
tratam da importância de trabalharem as políticas públicas tornando-as mais
clara e rápida a execução de práticas primordiais para a melhora da qualidade
de vida individual, da qualidade do ambiente onde vivem e da qualidade das
relações interpessoais.
Em geral temos uma população idosa heterogênea em diversos aspectos sociais,
econômicos, de gênero, culturais, psicológicos dentre outros. Diante disso,
observa-se a importância do planejamento de políticas públicas direcionadas às
necessidades específicas da população idosa, além de outros estudos que
possibilitem ampliar o conhecimento a respeito dessa população(20).
Ocorreram 7,7% das referências que indicam as dificuldades do diagnóstico,
demora no início do tratamento e doenças associadas, têm maiores riscos de
letalidade e de complicações durante o tratamento, principalmente entre os mais
velhos. Preconizam uma atuação mais atenta e capacitada dos profissionais, bem
como políticas públicas que contemplem este segmento etário necessitando de
maior adequação dos profissionais e serviços de saúde para uma efetiva
implementação de políticas públicas de atenção adequada aos idosos.
Apenas 3,8% das referências indicam que a literatura examinada contribui para a
formação do acadêmico de enfermagem e possibilita o intercâmbio de conhecimento
entre profissionais da saúde sobre o tema idoso; 3,8% das referências
evidenciam a importância de nos prepararmos qualitativa e quantitativamente
para os vindouros perfis demográfico e epidemiológico da população, assim como
rever ações e serviços atualmente ofertados aos idosos; 3,8% das referências
indicam a necessidade de criação de políticas públicas voltadas para a promoção
de saúde do idoso e campanhas de prevenção a Doenças Sexualmente
Transmissíveis/SIDA direcionadas a esse segmento, proporcionando assim,
qualidade de vida para os idosos.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
De fato não temos como ignorar que o nosso desafio maior do século XXI será
cuidar de uma população de mais de 32 milhões de idosos, a maioria com níveis
socioeconômico e educacional baixos e uma alta prevalência de doenças crônicas
não transmissíveis. O processo de envelhecimento tem um impacto significativo
em inúmeros fatores que afetam o desenvolvimento das sociedades e o relativo
bem-estar, não só das pessoas idosas, mas também das populações jovens. Por se
tratar de um grupo etário em rápido crescimento no mundo, as características
sociodemográficas são imprescindíveis para o estabelecimento, viabilidade e
integração de políticas públicas de saúde que visem promover a saúde da
população e controlar as doenças.
Percebemos que as políticas públicas de saúde destacam que a família é a
primeira fonte de suporte a qual seus membros recorrem para resolução de
problemas. Ela pode estar presente desde a simples preparação da refeição,
passando pela modalidade de lazer, até a rotina do uso de medicamentos e de
consultas para avaliação do estado de saúde.
Esta realidade demográfica e epidemiológica brasileira aponta para a urgência
de mudanças e inovação nos modelos de atenção à saúde da população idosa e
reclama estruturas criativas, com propostas de ações diferenciadas afim de que
o sistema ganhe efetividade e o idoso possa usufruir integralmente os anos
proporcionados pelo avanço da ciência. Autonomia, participação, cuidado, auto-
satisfação, possibilidade de atuar em variados contextos sociais e elaboração
de novos significados para a vida na idade avançada são, hoje, conceitos-chave
para qualquer política destinada aos idosos.
Desta forma, concordamos que em nossa sociedade, tanto do ponto de vista da
organização social, como do legal, recai sobre a família a responsabilidade
pelo cuidado para com as pessoas idosas, sem ser dado à mesma um preparo para
tal função.
Verifica-se que as políticas de saúde para o idoso no cuidado familiar se
transcrevem em relações de convivência no seio familiar e em sua relação com as
instituições sócio-sanitárias podendo ser um meio de reprodução positiva destes
programas de saúde do idoso. Para isso temos que usar em nosso favor os avanços
tecnológicos e o crescimento da renda das populações estão requerendo uma força
de trabalho mais especializada, mesmo com o aumento da necessidade de cuidados
da atenção básica.
As propostas destas portarias e lei fidedignas apontam para a divulgação de
suas fontes para a população, bem como aos profissionais da área da saúde como
um todo. Há a necessidade da realização de pesquisas contínuas voltadas para a
divulgação e o conhecimento dos profissionais de saúde que cuidam de idosos. É
fundamental esta recomendação, pois a cada ano há um elevado número de
atendimentos de idosos sendo necessária um direcionamento e capacitação
específica para os profissionais de saúde.