Gestão participativa na educação permanente em saúde: olhar das enfermeiras
INTRODUÇÃO
Com a necessidade de reconstrução dos modelos de gestão, estão surgindo novas
abordagens gerenciais como a gerência participativa e os programas de qualidade
que preconizam, dentre outras, a descentralização das decisões e aproximação de
todos os integrantes da equipe de trabalho. Essa abordagem oferece
oportunidades de participação do trabalhador na discussão, na tomada de
decisões e no aperfeiçoamento constante do processo de trabalho, tendo como
base norteadora a Educação Permanente em Saúde (EPS).
As organizações/instituições precisam capacitar-se para acompanhar a evolução,
traçando estratégias que irão orientar o caminho a ser seguido(1). É necessário
investir nos trabalhadores/clientes internos, maior bem da organização,
oportunizando uma aprendizagem contínua, para que possam satisfazer as suas
necessidades pessoais e profissionais, traçando as melhores estratégias no
coletivo para encontrar as soluções que venham ao encontro das necessidades dos
usuários/clientes e trabalhadores(1).
Desta forma, as organizações/instituições, cada vez mais conscientes de que seu
sucesso é determinado pela capacitação e qualificação de seus trabalhadores,
passaram a atribuir maior relevância à gestão participativa como estratégias de
aprendizagem. Essa forma gerencial busca promover não somente a atualização e
transmissão de novos conhecimentos, mas orienta a sua ação em direção à
mobilização do potencial criativo dos sujeitos à busca de um fazer diferente,
criativo e inovador/transformador, capaz de operar novos saberes/conhecimentos
no cotidiano de trabalho elaborados no coletivo.
Nesta linha de pensamento, a mudança é capaz de acontecer quando o homem capta
e compreende a realidade e não está reduzido a um mero espectador ou
transformado em objeto, cumpridor de ordens pré-determinadas. Na concepção
problematizadora, os sujeitos são parte do processo de aprendizagem(2). Desta
maneira, os gerentes/líderes não têm o papel de conduzir as pessoas para a
mudança, mas sim de criar ambientes organizacionais que inspirem, suportem e
alavanquem a imaginação e a iniciativa que existe em todos os níveis e, assim,
incentivar o processo de mudança através dos trabalhadores envolvidos no
trabalho(3).
As novas competências gerenciais, integradas à gestão participativa, necessitam
ser construídas no coletivo, no e pelo trabalho possibilitando a criação de
estratégias para gerir a competitividade, a complexidade, a adaptabilidade, o
trabalho em equipe, a incerteza e o aprendizado permanente levando à co-gestão.
Para produzir democracia na organização do trabalho em saúde, o processo de co-
gestão "cria espaços de poder compartilhado e possibilita a ampliação
significativa da aprendizagem no trabalho, podendo contribuir para estimular o
compromisso e a responsabilização pelo processo e por seus resultados"(4).
Portanto, o compartilhar é uma estratégia potente do crescimento coletivo.
Esses conceitos são intrinsecamente vinculados à idéia de descentralização e de
autonomia que, juntamente, com a participação, constituem as estratégias da
gestão democrática compartilhada/participativa(1).
Por estratégia, entende-se o conjunto de ações, decisões e atitudes obtidas
através da reflexão dialógica dos trabalhadores da organização/instituição que
visa o alcance de seus propósitos. Daí a necessidade de se desenvolver
alternativas ou ações potenciais que direcionem e possibilitem o
redimensionamento constante dos objetivos e dos caminhos da organização(1).
Portanto, o pensar, o planejar e o gerenciar resultam de um processo interativo
e, as estratégias de gestão são ações que criam possibilidades de gerenciar os
processos de trabalho em saúde em novas direções, inovadoras e democráticas,
num todo interdependente, interconectado. Assim, a gestão do trabalho em saúde
não pode ser considerada, simplesmente, uma questão técnica, já que envolve
mudanças nas relações, nos processos, nos atos de saúde e, principalmente, nas
pessoas.
Para rever e recompor os modelos de gestão, bem como, as competências inerentes
à formação dos profissionais/gestores, é importante a participação da academia,
juntamente com as organizações/instituições no sentido de repensar as práticas
e teorias relacionadas aos processos de trabalho e educação em saúde(5).
Olhando nesta perspectiva a EPS deve ser tomada como um recurso estratégico
para a gestão do trabalho e da educação na saúde, possibilitando o ordenamento
da formação e do desenvolvimento permanente dos trabalhadores(4). E, por ser
uma estratégia para a aprendizagem coletiva, a partir das práticas e do
trabalho, é que a EPS é parte constitutiva da gestão democrática, ou seja, ela
é uma estratégia para a gestão participativa.
A partir dessas concepções, no âmbito da Unidade de Terapia Intensiva (UTI)
para gerenciar o trabalho/cuidado, as enfermeiras necessitam criar
possibilidades de um fazer diferente, que pode ser partilhado, co-
responsabilizado e descentralizado. Do mesmo modo, a forma participativa de
gerenciar, requer das mesmas, uma visão ampliada e flexível, constituindo-se,
assim, em um estilo dinâmico, interativo e aberto que gera oportunidades,
libera potencialidades, cria iniciativa pessoal e coletiva do grupo de trabalho
nas ações do cuidado.
Neste contexto de transformações, entende-se que a EPS é uma estratégia de
gestão participativa no trabalho/cuidado na UTI. Ela oportuniza ações
educativas desencadeadas pelo diálogo, reflexãocrítica, problematização(2),
construção e integração de novos conhecimentos às realidades vivenciadas no
trabalho. Como estratégia de aprendizagem coletiva, a partir das práticas no,
pelo e para o trabalho, pois oferece às enfermeiras da UTI elementos, recursos
e estratégias de aprendizagem para a produção de mudanças no seu pensar e agir.
Neste sentido, a EPS é capaz de desenvolver novas idéias para se processar as
transformações necessárias na adaptação e implementação do trabalho/cuidado na
UTI. Assim, as estratégias de aprendizagem podem servir para desenvolver o
pensamento crítico e dialógico(2), afim de possibilitar um espaço de
participação coletiva e fazer, compreender a realidade do trabalho e promover
estratégias adequadas para a produção de novos conhecimentos em busca da
mudança(2).
Com base no acima exposto, este estudo teve como objetivo conhecer as
estratégias de gestão, construídas pelas enfermeiras de uma UTI, com base na
Educação Permanente em Saúde.
METODOLOGIA
Para a realização desse estudo, utilizou-se uma metodologia descritiva e
exploratória à luz de uma abordagem qualitativa. Os sujeitos da pesquisa foram
seis enfermeiras assistenciais da UTI. Para assegurar o anonimato, os
participantes foram identificados por pseudônimos, utilizando a letra da
categoria profissional seguida do algarismo de um a seis, ficando assim
constituídos: E1, E2 E3, E4, E5 e E6. Os sujeitos foram esclarecidos quanto ao
objetivo do estudo, garantia de seu anonimato, liberdade de participar e de
desistir em qualquer momento, sem prejuízo individual.
O estudo foi realizado na UTI, de um Hospital Escola do interior do Estado do
Rio Grande do Sul. Este estudo atendeu aos preceitos do Código de ética dos
Profissionais de Enfermagem e da Resolução 196/96, que dispõe sobre pesquisas
envolvendo seres humanos, do Conselho Nacional de Saúde. E, recebeu aprovação
do Comitê de Ética em Pesquisa na Área da Saúde, da Universidade Federal de
Pelotas, em 15 de junho de 2007, sob protocolo nº 066/07
Como instrumento de coleta de dados, foi utilizado o Método do Círculo de
Cultura de Freire(2), que é uma técnica grupal, na qual todas as pessoas que a
integram participam através do diálogo, lêem, escrevem, discutem e constroem o
mundo em que vivem. Este método educativo, fundamentado na proposta pedagógica
libertadora e problematizadora de Freire, enfocou a importância do trabalho em
grupo a partir dos temas geradores propostos com e pelo grupo, frente aos
objetivos do estudo que se propôs alcançar.
Este método consiste de três momentos interdisciplinarmente entrelaçados: a
investigação temática, a codificação/tematização e a decodificação/
problematização, seguindo-se um roteiro de operacionalização dos encontros. A
coleta de dados deu-se durante os meses de junho a agosto de 2007, totalizando
dez encontros. Ao longo dos encontros, foi possível dar visibilidade ao
objetivo deste estudo.
Os dados foram operacionalizados seguindo as três etapas da análise temática: a
pré-análise, exploração do material e tratamento dos resultados obtidos e
interpretação(6). A fase de pré-análise, que se subdividiu em leitura flutuante
e preparação do material, consistiu na organização dos dados, sistematizando as
idéias iniciais, através da visualização individual de cada diálogo, onde
destacouse os aspectos considerados relevantes.
Após a ordenação dos diálogos através da transcrição dos conteúdos das fitas
cassetes, foram feitas exaustivas leituras dos textos, organizando os relatos
de modo a possibilitar o mapeamento das falas, agrupando-as por similaridade de
idéias, assinalando as que tinham o mesmo significado ou semelhança,
identificando as unidades significativas das falas a fim de que pudessem ser
compreendidas e conscientemente exploradas. Esta forma de organização permitiu
visualizar as seguintes temáticas: planejamento participativo e tomada de
decisão, apresentadas a seguir.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Planejamento participativo
Em relação à transformação, das práticas do cuidado, concernentes a proposta da
EPS e ao trabalho/cuidado das enfermeiras na UTI, à reflexão dialógica do
grupo, identificou o planejamento participativo como estratégia que promove a
autonomia, a valorização, a competência técnica e a construção do trabalho em
equipe, em seu próprio percurso de aprendizagem, conforme pode ser constatado
nos discursos:
[...] valorizar as iniciativas individuais e coletivas [...]
estimular a participação do grupo no planejamento das ações, na
aplicabilidade e avaliação das normas, procedimentos, condutas e
protocolos assistências (E6).
[...] vejo a EPS como estratégia para a participação e sensibilização
dos profissionais de saúde envolvidos nas ações e práticas do cuidado
[...] valorizando e qualificando o trabalho profissional (E5).
Penso que, ao trabalhar a especificidade e complexidade do trabalho
na UTI, é necessário maior autonomia, competência técnica e
valorização da profissão [...] o envolvimento do grupo na discussão e
no planejamento das atividades desenvolvidas(E2).
[...] dinamizar estratégias viáveis a nossa realidade de trabalho
[...] pensar, fazer e criar possibilidades para um trabalho
integrado, cooperativo, participativo, possibilitando qualificar o
resultado do trabalho na UTI - o cuidado(E5).
No que diz respeito ao planejamento participativo, identifica-se alguns
elementos, presentes nos diálogos das enfermeiras, que direcionam para um
cuidar/assistir mais cooperativo e integral, rompendo, ainda que, timidamente,
com o modelo tradicional centrado na fragmentação, na individualização e nas
formas hierarquizadas, lineares e verticalizadas da organização do trabalho. O
estilo do gerenciamento participativo prioriza a tomada de decisões por
consenso, procura contemplar todas as opiniões e pontos de vista dos
integrantes de uma equipe de trabalho. "É desta forma que o poder vertical sede
lugar para a horizontalização, deslocando as decisões centralizadas no topo
para a descentralização com atuação de todos os integrantes da organização/
instituição"(1).
Com base na EPS, para produzir mudanças no gerenciamento do processo de
trabalho, é necessário refletir coletivamente sobre a prática, permitindo a
abertura de novos espaços aos trabalhadores na organização. Essa maneira
estruturante envolve o trabalho em equipe, a tomada de decisões por consenso e
a comunicação, como a principal ferramenta para a implementação/aplicação do
cuidado.
A comunicação pode ser visualizada como ferramenta de mudança e melhoria do
cuidado, conforme os discursos:
[...] a comunicação como estratégia de mudanças e melhorias no
trabalho realizado na UTI [...] o papel do enfermeiro consiste em
facilitar esse processo (E4).
[...] a comunicação com a equipe de trabalho deve ser objetiva,
salientando as mudanças de condutas terapêuticas, bem como a
necessidade de adequar novas diretrizes para o cuidado(E3).
A comunicação objetiva e clara é um fator importante de informações e
orientações a serem seguidas pelo grupo de trabalho (E1).
A enfermagem atua no centro do fluxo de informações e rotinas da
unidade, potencializando ações entre si. Um fator importante no
desenvolvimento de nossas atividades é a comunicação (E4).
Neste sentido, avaliar, planejar e comunicar são processos presentes no
cotidiano de trabalho na UTI, necessários para qualquer ação ou decisão. Por
conseguinte, a informação, além de ser uma ferramenta para o planejamento e
avaliação em saúde, é também considerada uma estratégia para a análise das
ações, na busca da abertura de novas possibilidades do pensar e agir em saúde.
Para planejar, é necessário desenvolver ou potencializar habilidades, tais como
a capacidade de discutir e compreender o contexto, dialogar, negociar, produzir
acordos e realizar a pactuação. É também importante para mediar conflitos,
assegurar a articulação entre os objetivos e as metas, bem como avaliar,
sistematicamente, as ações e os resultados alcançados.
Deste modo, o grande compromisso e o desafio a enfrentar, de quem gerencia
atualmente o cuidado numa UTI, é o de valorizar e habilitar-se para utilizar as
relações interpessoais como estratégia, no sentido de edificar um cotidiano,
por intermédio da construção mútua entre os sujeitos.
Neste espaço interativo/relacional a potência da equipe está justamente no
crescimento coletivo as possibilidades de expressar as diferenças de opiniões,
sentimentos, idéias, são processos de democratização(4). Assim, possibilitar
espaços coletivos para a troca de saberes, para a reflexão, a análise e
avaliação dos referenciais que orientam as práticas, sã o alguns caminhos para
a construção de novos modos de produção do cuidado e de processos de EPS que
devem ser elaborados através de atitudes e comportamentos dialógicos.
A gestão participativa em UTI constitui-se numa prática gerencial mais
dialógica, voltada para a busca incessante de aprendizagens comunicativas entre
gerentes e trabalhadores, aproximando o enfermeiro ao usuário, utilizando- se
mais da interação profissional, estabelecendo vínculos e o resgate do potencial
cuidador. Portanto, compete aos enfermeiros buscar novas alternativas para
organizar o trabalho, abrindo novos espaços de interação pessoal e o
desenvolvimento da criatividade, valorização pessoal e profissional, bem como a
humanização nas relações.
A partir dessas concepções, a EPS como estratégia de gestão participativa,
possibilita a conformação dos diferentes desenhos organizativos da gestão, bem
como a sua democratização, construção de novos conhecimentos e transformação,
pelo coletivo, das práticas de gestão em saúde.
O desafio, portanto, reside em identificar estratégias, e modelos gerenciais
que promovam a participação dos trabalhadores no seu próprio percurso de
aprendizagem, contextualizados e sintonizados com as experiências/vivências do
seu dia-a-dia de trabalho. Esta (re)construção coletiva implica que os
profissionais devem ser capazes de criar/inovar e construir, continuamente, sua
visão de futuro, de forma a planejar e implementar novas estratégias de gestão,
possibilitando o desenvolvimento de sua iniciativa e criatividade
transformadora.
Tomada de decisão
Ao configurar o trabalho/cuidado das enfermeiras na UTI, como um agir
comunicativo, gerenciando e guiando as ações e práticas do cuidado, surge a
necessidade de uma nova concepção de aprendizagem em equipe, ou seja, permitir
a participação dos sujeitos na tomada de decisões e, assim promover a EPS,
conforme expresso nos discursos:
[...] reconhecer a importância do trabalho em equipe e estimular a
participação do grupo na tomada de decisões, ampliando a nossa
capacidade de ação [...] socializando informações, orientações e
condutas a serem seguidas pela equipe de trabalho (E2).
A tomada de decisões, como estratégia integrativa, capaz de despertar
a criatividade, motivação e interesse o grupo de enfermagem, visando
maior envolvimento, apoio e cooperação(E5).
Nesta ótica, a tomada de decisão nas organizações vai exigir cada vez mais
trabalhos em equipe e maior participação das pessoas. Essas atividades
evidencia o diálogo baseado na idéia de que, em uma organização, a comunicação
deve ser estimulada visando ao estabelecimento de um pensamento comum(7). Cada
enfermeiro(a) tem potencialidades de pensar, refletir, aprender, reaprender,
analisar, comunicar-se tornando-o mais apto e criativo nas tomadas de decisão,
as quais, no enfermeiro, são expressas em ações no seu cotidiano(1).
No cotidiano de trabalho, as enfermeiras, planejam a assistência, coordenam o
cuidado, executam e avaliam as ações implementadas, configurando-se em
atividades administrativas, assim expressas no discurso:
A enfermeira deve ter competência técnica para planejar, implementar
e avaliar a qualidade dos cuidados de enfermagem e de coordenar a
equipe (E4).
Nesta lógica, a Lei do Exercício Profissional da Enfermagem, define que entre
as atividades privativas do enfermeiro está à prestação de cuidados de
enfermagem de maior complexidade técnica e que exijam conhecimentos de base
científica e capacidade de tomar decisões(8). O processo de decisão estratégica
deve envolver todos os trabalhadores, oportunizando uma participação
democrática, e não ser uma imposição vertical e hierarquizada(1). Desta forma,
"a cooperação e a participação podem ser entendidas como a valorização do
potencial que as pessoas apresentam, podendo conduzi-las a uma maior
competência e autonomia"(1).
Na mesma linha de pensamento, as tomadas de decisão, nesse processo, não se dão
de cima para baixo, mas em linha horizontal, com participação, do grupo, no
poder decisório. Esta forma de agir envolve, além das idéias criativas, a
discussão e o diálogo. É através do diálogo, da ousadia, do aproveitamento das
idéias emergidas, da intuição e da criatividade, que é possível alcançar novas
visões, impossíveis de serem alcançadas individualmente(1).
Frente ao exposto, percebe-se a importância da participação e aproximação de
todos os elementos da equipe de trabalho na discussão, no planejamento e nas
decisões das ações do cuidado na UTI. Desta forma, considera-se que a redução
da hierarquia, a descentralização das decisões, a comunicação e o trabalho em
equipe, contribuem para a implementação de novas estratégias em consonância ao
marco conceitual da EPS. Assim, as possibilidades de inovação e mudança das
concepções e práticas dentro das organizações dependem da ruptura com a
alienação do trabalho, do resgate da possibilidade de produzir conhecimento a
partir das práticas, do desenvolvimento de recursos estratégicos que contribuem
para o trabalho em equipe e da democratização da gestão dos processos de
trabalho em saúde(4).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O estudo permitiu identificar as estratégias de gestão que podem orientar o
processo de trabalho das enfermeiras na UTI. Essa forma gerencial evidenciou a
importância da aprendizagem de novos conhecimentos e a mudança na forma de
pensar e agir dos sujeitos. Assim, a gestão participativa, como recurso
estratégico, é capaz de permitir a adaptação às mudanças e às novas exigências
do mercado de trabalho.
Entende-se que o planejamento participativo e a tomada de decisão, no trabalho/
cuidado das enfermeiras na UTI, representam o eixo norteador que pode
impulsionar/mobilizar a busca da formação, capacitação, atualização e melhoria
contínua das práticas do cuidado. Neste sentido, o cuidar/assistir ao ser
realizado de forma integrativa, promove a autonomia profissional, a
valorização, a competência técnica e a construção do trabalho em equipe,
ampliando e potencializando ações para enfrentar, resolver e atender as
necessidades do usuário.
A EPS como estratégia de transformação do processo de trabalho, envolve o
gerenciar, cuidar, educar, e utiliza a reflexão crítica sobre a prática
cotidiana de trabalho para produzir mudanças no pensar e agir da equipe de
saúde. Desse modo, para promover a EPS, como estratégia de gestão
participativa, as enfermeiras devem estimular e conduzir mudanças no seu
processo de trabalho, buscando soluções criativas e resolutivas junto ao grupo
e assim, impulsionar o processo de inovação e aprendizagem.
A análise das estratégias do planejamento participativo e a tomada de decisão,
no trabalho/cuidado na UTI, sob a óptica das enfermeiras, leva a concluir que
as estratégias evidenciadas estão articuladas à proposta da EPS. A articulação
obtida pelo diálogo/ discussão e problematização das práticas ratifica a EPS
como estratégia a ser utilizada para o desenvolvimento de ações voltadas as
necessidades da clientela e do trabalho em equipe.
Em suma, a gestão participativa e a tomada de decisão, com base na EPS:
fortalece e valoriza o trabalho em equipe; viabiliza a participação dos
profissionais no planejamento e ações do cuidado; estimula o compromisso com a
democratização das relações de trabalho; cria e facilita espaços de trocas e
produção do conhecimento no coletivo; amplia o diálogo entre a equipe da saúde.