Percebendo o ser humano diabético frente ao cuidado humanizado
PESQUISA
Percebendo o ser humano diabético frente ao cuidado humanizado
Perception of humanized care from the perspective of diabetic human being
La percepción de la atención humanizada en la perspectiva del ser humaño
diabético
Denise Gamio DiasI; Maria da Glória SantanaII; Elodi dos SantosIII
IEnfermeira da FEO/UFPel. Mestre em Parasitologia
IIEnfermeira. Doutora em Filosofia da Enfermagem. Professora da FEO/UFPel
IIIEnfermeira. Professora da FAO/UFPel
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1. INTRODUÇÃO
Desde o início da graduação, preocupei-me com as questões que envolvem o
cliente-diabético como o controle da glicemia, a iminência das complicações
decorrentes da doença, o enfrentamento e a repercussão emocional neste
paciente. Trabalhei durante três anos consecutivos, com grupos terapêuticos de
diabéticos a fim de conhecer e compartilhar de suas emoções, tentando
contribuir para melhoria da saúde e da qualidade de vida daquelas pessoas. No
primeiro ano desenvolvi atividades como voluntária, buscando conhecer e,
gradativamente, conquistar a confiança dos participantes do grupo. Era
maravilhoso ver em seus olhos o brilho de compartilhar momentos que lhes
proporcionavam muita alegria e descontração. Nos dois últimos anos, trabalhei
como bolsista da FAPERGS desenvolvendo o projeto de pesquisa "O Corpo do Ser
Diabético e suas Solicitações". Nesta fase, a empatia e o vínculo estabelecido
permitiu-me aprofundar o trabalho desenvolvido para além da diabetes,
preocupando-me com as patologias associadas. Para tanto rastreávamos
hipertensão arterial sistêmica (HAS), dislipidemia, nefropatias, neuropatias e
obesidade no intuito de dar um suporte mais adequado e efetivo ao grupo.
A diabetes a qual direcionávamos nosso trabalho era a diabetes tipo II, uma vez
que a grande maioria dos participantes do grupo apresentavam-na. Esta patologia
faz parte da Síndrome de Resistência à Insulina ou Síndrome Plurimetabólica,
estando, freqüentemente, associado à HAS, obesidade, dislipidemia e
arteriosclerose; em conseqüência, há maior incidência de afecções
cardiovasculares, sendo o tratamento concomitante destas outras condições de
fundamental importância para evitar ou retardar as complicações inerentes da
diabetes(1).
Hoje, após essa longa caminhada, preocupo-me, mais diretamente, com a
humanização do ser diabético. Na verdade, este tema, já era por mim vivenciado
ao longo de minha trajetória; entretanto, enquanto acadêmica, minha preocupação
maior ainda residia, mais fortemente, nos aspectos técnicos do cuidado. O fato
de analisar exames, quantificar resultados e importar-me com a maior quantidade
de "tarefas" realizadas, muitas vezes, parecia querer suplantar a visão
humanística do cuidado. Acredito que a sede de descobrir e a ansiedade de
conhecer sobre a doença direcionavam-me mais ao tecnicismo, embora
teoricamente, na graduação, discuta-se sobre a interface da humanização.
Atualmente, certamente, mais amadurecida, consigo refletir mais acerca do ser
que cuido, abdicando um pouco mais da "tarefa" e vivenciando o lado humano do
assistir intrínseco ao que de fato é ser enfermeira, já que o objetivo do
trabalho da enfermagem é o Ser Humano. O mundo do cuidar é o que faz a
enfermagem acontecer; por este motivo, tenho a pretensão de desvelar este mundo
no que se refere ao cuidado humanizado do paciente diabético ao qual me dedico
ao longo desta trajetória.
Em nosso país as doenças do aparelho circulatório são a primeira causa de
morte, correspondendo, aproximadamente, a 255 mil óbitos anuais, cerca de 27%
da mortalidade geral, citado pelo Ministério da Saúde(2). Na faixa etária de 30
a 69 anos as doenças cardiovasculares foram responsáveis por 65% do total de
óbitos, atingindo a população adulta em plena fase produtiva. Os hábitos de
vida, associados a fatores genéticos, são sem dúvida importantes no adoecer e
morrer das pessoas portadoras de doenças cardiovasculares oriundas, dentre
outros fatores, da diabetes. Dentre eles o sedentarismo ocupa o primeiro lugar.
No Brasil mais de 70% da população apresenta hábitos de vida sedentários. Soma-
se a isso, a maior longevidade da população e a urbanização associada a um
crescimento do consumo de gorduras saturadas, obesidade e estresse.
O ser humano diabético por encontrar-se na iminência de complicações inerentes
de sua patologia está sujeito a ansiedades, medos e expectativas de recuperação
ou incapacidade. Acredito que este aspecto emocional possa ser amenizado com a
prestação de um cuidado humanizado que priorize o ouvir, o dialogar, o
compreender e o orientar, suplantando um tecnicismo exclusivo. È imprescindível
que evitemos que o verdadeiro objetivo de nossa profissão que é o cuidado
humanizado seja sobreposto pela mecanização.
Polit e Hungler(3) referem que a proliferação das ciências e das técnicas forma
um novo horizonte feito de lógica no qual predominam o modo de fazer, a
eficácia e as distribuições das correlações estatísticas. Neste sentido,
pergunto, como essa singularidade científica objetiva pode fundamentar as
dimensões afetivas da relação de cuidado?
O cuidado com intenção terapêutica prima por resgatar a essência da enfermagem,
não se restringindo apenas a técnica, transcendendo-a, estabelecendo uma
interação efetiva pessoa-pessoa. É este cuidado que percebe o ser humano como
um todo, considerando sua cultura, religiosidade, medos, tabus e enfrentamentos
que nos aproxima da "assistência ideal" que busco para o ser diabético.
Concordamos com Polit e Hungler(3), ao citar que a via mais comumente utilizada
para recompor a unidade de um sujeito decomposto em infinitos aspectos
especializados é a da interdisciplinaridade. Neste sentido, priorizo o bio-
psico-social, recusando, exclusivamente, as divisões dos saberes e das
técnicas.
Torna-se pertinente enfatizar, aqui, que não estamos defendendo a humanização
do cuidado em detrimento da técnica. Defendo, isto sim, uma técnica
humanizadora com uma subjetividade presente. É vital e emergente que se lance
um olhar sobre o homem direcionado para a integralidade e o holismo. Há
necessidade de aliar o cuidado humanizado ao científico, pois, certamente, esta
junção garantirá a plenitude da pessoa no que se refere ao ser sujeito com
escolha e lugar no mundo. Boff(4) enfatiza a necessidade de convivência das
dimensões produção e cuidado, de efetividade e de compaixão no intuito de
manter o equilíbrio multidimensional, reforçando o sentido de mútua
pertinência.
Waldow(5) enfatiza que, contrariamente ao que muitas pessoas pensam, o resgate
do cuidado não é uma rejeição aos aspectos técnicos, tampouco ao aspecto
científico. O que se pretende ao revelar o cuidar é enfatizar a característica
de processo interativo e de fluição de energia criativa, emocional e intuitiva
que compõe o lado artístico além do aspecto moral. Acrescenta, ainda, que o
resgate do cuidado humano é uma das tônicas para o novo milênio.
Preocupada com a qualidade da assistência prestada ao cliente diabético por ser
bastante suscetível a desenvolvimento de complicações concebi este trabalho
centrado na humanização do cuidado de enfermagem, pretendendo com esse
exercício de pesquisa buscar resposta para a seguinte questão norteadora:
Qual a compreensão do ser humano diabético sobre o cuidado recebido pela equipe
de enfermagem?
Pretendemos com este estudo levantar aspectos importantes sobre a humanização
do cuidado e assim contribuir para a melhoria da qualidade da assistência de
enfermagem no intuito de contemplar a fundamentação teórica, a habilidade
prática bem como os aspectos
2. OBJETIVOS
- Identificar a compreensão do ser humano diabético à cerca do cuidado recebido
pela equipe de enfermagem.
- Identificar a compreensão do ser humano diabético sobre os cuidados
destinados ao seu tratamento.
3. METODOLOGIA
Caracterização do estudo
Minha intenção em desenhar este trabalho foi voltá-lo para o âmbito da visão
qualitativa, descritiva e exploratória de pesquisa.
Santana(5) acredita que sob esse olhar, certamente, será possível adentrar nos
significados expressados pelos sujeitos nos seus depoimentos. A palavra
qualitativo parece já pressupor intencionalidade e subjetividade, oportunizando
a expressão do sujeito naquilo que lhe é mais singular - seu pensar.
A mesma autora refere, ainda, que optar por uma forma qualitativa de pesquisar
é possibilitar ao sujeito de estudo a livre expressão do seu ser, é permitir a
autenticidade em suas respostas, é deixá-lo ser.
Nesse sentido, Minayo(6) faz referência a pesquisa qualitativa como aquela que
se aprofunda no mundo dos significados das ações e relações humanas, um lado
não perceptível em equações, médias e estatísticas.
Minayo(6) refere ainda que a pesquisa qualitativa necessita indiscuti-velmente
da crítica interna e externa na objetivação do saber. Neste sentido, requer
essencialmente uma abordagem dialética que compre-enda para transformar e cuja
teoria, desafiada pela prática, seja repensada permanentemente.
Referencial Teórico
Foi utilizado o referencial teórico de Trentini e Paim(7) Pesquisa Convergente
Assistencial.
Apesar desta metodologia ser, inicialmente, destinada a profissionais que já
atuam nas unidades, e, a partir da prática, buscam temas para sua pesquisa-
ação, este referencial teórico vem ao encontro de minha forma de pensar
"pesquisa associada à prática assistencial", forma esta muito semelhante à que
eu vinha trabalhando ao longo da graduação no NUPEQUIS (Núcleo de Pesquisa
Quotidiano Imaginário e Saúde) da FEO/UFPel no qual desenvolvia trabalho de
pesquisa-ensino-extensão. Por esta razão, ouso, em meu trabalho de conclusão de
curso, utilizar desta metodologia no intuito de seguir minha linha de
pensamento.
Local do estudo
O presente estudo foi realizado nas unidades de endocrinologia, nefrologia e
cardiologia de um hospital geral da cidade de Pelotas. A escolha deste local
deu-se em função da maior parte dos pacientes internados serem portadores de
diabetes.
Sujeitos do estudo:
Clientes portadores de diabetes tipo II internados nas unidades citadas com
tempo mínimo de diagnóstico de 5 anos.
Para a identificação dos sujeitos escolheu-se nomes de flores, conforme
acordado entre os entrevistados, a fim de garantir os princípios éticos de
sigilo e anonimato dos participantes da pesquisa.
Foram selecionados cinco clientes internados, assistidos pela pesquisadora, que
se dispuseram, voluntariamente, a participar deste trabalho e aceitaram a
utilização do gravador durante a entrevista.
Procedimento para coleta de dados:
Inicialmente foi apresentada a proposta do estudo à chefia de enfermagem do
hospital, solicitando autorização formal para sua realização, mediante
apresentação de um termo de consentimento .
Após, foi apresentado o estudo a cada paciente informando sobre os objetivos da
pesquisa e buscando seu consentimento para formação do grupo de sujeitos que
participaram do estudo. A partir de então foram preenchidos os termos de
consentimento livre e esclarecido, assegurando o caráter ético e formal do
trabalho.
A coleta de dados ocorreu ao longo da prestação dos cuidados bem como através
de entrevista semi-estruturada, com questões abertas, nos meses de abril a
junho, período em que realizei estágio curricular na unidade citada.
No primeiro momento os sujeitos de estudo foram convidados a participarem e
receberam uma carta de apresentação contendo os objetivos do estudo. Os
sujeitos que concordaram em participar, todos os clientes, assinaram o
consentimento livre e esclarecido a fim de garantir a divulgação dos dados pela
pesquisadora.
As entrevistas foram individuais, sem a presença de familiares, na própria
enfermaria, com duração média de 20 a 30 minutos. As respostas foram gravadas e
transcritas na íntegra após cada entrevista, sendo, posteriormente, ordenadas e
classificadas por temáticas de acordo com os objetivos e com a proposta
metodológica escolhida.
No que se refere à análise dos dados, Trentini e Paim(7), citam que há uma
divisão em quatro processos genéricos: apreensão, síntese, teorização e
recontextualização/transferência.
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
A análise foi realizada a partir das reflexões da autora com embasamento e
fundamentação teórica na literatura consultada após repetidas e exaustiva
leitura dos dados coletados. Os resultados foram agrupados em categorias a
partir dos códigos identificados, contemplando as quatro fases de análise
preconizadas no referencial metodológico, conforme propõe Trentini e Paim(7),
quais sejam: apreensão, síntese, teorização e transferência.
Categoria 1: O cuidado como expressão de afeto
Sobre o cuidado humanizado para o paciente os respondentes destacaram o
carinho, a paciência, o tratar bem, atender as necessidades, conforme mostram
as seguintes falas.
"É o cuidado bom pra gente; é tratar bem a gente". (Rosa)
"É tratar a pessoa com coração, se doar". (Violeta)
Elementos como afeto, compaixão, dedicação, respeito e consideração devem estar
sempre presentes, e, neste sentido, concordo com Waldow(4) quando faz
referência ao cuidar como uma interação interpessoal, como uma característica
humana e mesmo como uma intervenção terapêutica.
Nesse sentido, entendo que se cuida bem quando se cuida também com o coração.
Quando cuido o outro como se fosse a mim, expresso minha devoção pelo que faço,
dou e recebo ao mesmo tempo o que quero passar para quem cuido.
Reportando-nos a Morse(8), o cuidado estaria relacionado a sentimento. Esta
noção de sentimento, comportamento, expressão emocional, ou ainda, elementos ou
ingredientes do cuidar estão inter-relacionados e devem estar sempre presentes.
Na verdade estaria ratificado em Watson quando nos fala sobre a empatia, e
sugere que ao cuidar do outro, procuremos calçar os seus sapatos.
"Um pouquinho de paciência com o próximo e um pouquinho de carinho
não faz mal a ninguém". (Cravo)
A paciência e o carinho sugeridos na fala a cima é por mim entendido como a
dedicação que deve está sempre presente nos cuidadores.
Categoria 2: Cuidado prestado pela equipe de enfermagem ao cliente diabético
Com relação ao cuidado recebido pela equipe de enfermagem os entrevistados
destacaram atenção, carinho e educação.
"As enfermeiras tem atenção, tratam bem, a gente chama e elas vêm,
são muito atenciosas...umas conversam, depende muito de cada um, umas
são sorridentes, ficam amiga da gente, faço muitos amigos aqui,
outras são mais sérias, não conversam é que também são muitas
pessoas, né." (Jasmim)
Waldow(4) diz que é importante ressaltar que o cuidado necessariamente não é
recíproco. Dependendo da situação, a pessoa que necessita de cuidado pode não
responder, ou melhor, o cuidado pode não surtir nenhum impacto, porque o
paciente ou profissional podem estar impossibilitados no momento, não estar
sintonizados ou mesmo mostrar indiferença com um comportamento mais afetivo ou
mais distante.
Neste momento, percebe-se a necessidade de se discutir essas questões, pois nem
todos conseguem introjetar e manifestar o cuidado. Há uma latência com a qual
temos o dever de tentar rompê-la.
"O tratamento é bom, dão carinho, atenção...aqui tem mais aparelho
para olhar a gente do que o hospital de lá, (Herval)". (Rosa)
Daí a justificativa dada por Watson(9) da necessidade de junção da ciência e
humanismo na enfermagem, uma vez que é impossível separar os valores humanos da
ciência segundo a visão tradicional. Nesse sentido, nós podemos, sim, prestar
um cuidado humanizado através da execução de uma técnica humanizadora.
Categoria 3: Cuidado idealizado na perspectiva do cliente diabético
Com relação ao cuidado que o cliente diabético deveria receber da equipe de
enfermagem emergiram dos respondentes carinho, compreensão, tratamento especial
e orientação.
"Tá muito bom assim...acho que é assim mesmo como está". (Cravo)
"Com muito carinho porque tenho muita dor....tem que compreender
muito o diabético... o diabético é cheio de mazelas deve ter um
tratamento especial". (Violeta)
"Assim como está". (Rosa)
"Deve ser cuidado com muita atenção e carinho...não deve se
incomodar...os acompanhantes incomodam muito, ficam conversando até
tarde não deixam a gente dormir. Eu acho que deveria ter horário que
parasse o barulho para a gente sossegar". (Jasmim)
Concordo com Waldow(4) quando faz referência a o meio ambiente. Por vezes fica
difícil, senão impossível, favorecer o cuidado se o ambiente é hostil. Nesse
sentido a enfermagem deve fazer uso do poder do cuidado para garantir um
ambiente propício, ou, em outras palavras, um ambiente de cuidado, envolvendo
meio físico, administrativo e social.
"O diabético vai descobrindo as coisas aos poucos conforme vai
aparecendo, deve haver mais informação. Eu tava fazendo o controle em
casa, tava tudo bem, ao fiquei mal, fui para o hospital, fui para a
UTI, saí da UTI, não entendo o que houve, preciso de mais
informação". (Margarida)
Waldow(4) enfatiza que para o cuidado ocorrer em sua plenitude a cuidadora deve
expressar conhecimento e experiência na performance das atividades técnicas, na
prestação de informações e na educação ao cliente e sua família.
5. REFLEXÕES FINAIS
Depois de algumas caminhadas no mundo do ser humano diabético, e especialmente
este momento, verifico o quanto aprendi, sob todos os aspectos, com a
convivência diária com a equipe de trabalho e, principalmente, com o ser humano
o qual cuido. Tive a oportunidade de conhecer seu pensar, desvelar seus
sentimentos em busca de uma melhor qualidade para seu cuidado. Foram momentos
de fundamental importância no meu aprimoramento e na conscientização da minha
responsabilidade perante a todos os seres a quem prestamos assistência.
Percebo que, a sua maneira, cada pessoa sabe explicar o cuidado humanizado e
sabe se está sendo bem cuidado; assim, os clientes entrevistados fornecem
elementos sobre o cuidar que são valiosos subsídios para uma análise reflexiva
que privilegia a mudança de atitude e o comprometimento da equipe de enfermagem
a partir da internalização do cuidado humanizado, verdadeiro objetivo de nosso
trabalho.
Enquanto estive a repensar esta etapa percebi que o caminho que antes, para
mim, era da "tarefa", da excelência pela técnica; hoje parece transcender,
permitindo um pensar mais reflexivo. Percebo esta transcendência, pois parece
ter havido incorporação no meu pensar e no meu viver. Admito que hoje me
percebo diferente, por vivenciar essa singularidade. É realmente esta forma
mais existencial de trabalho para compreender o outro que venho perseguindo.
Acredito, pois, que minhas expectativas foram contempladas, uma vez que além de
buscar conhecer a percepção do cuidado humanizado através da ótica do cliente
diabético, a fim de melhor cuidá-lo, houve um despertar em meu ser através da
introjeção deste cuidado, já que ocorreu transposição da técnica exclusiva para
a técnica humanizadora que é realmente o processo de cuidar que caracteriza o
cuidado humanizado. Considero-me hoje mais sensível, mais humana e mais capaz
de exercer minha profissão com seriedade, responsabilidade, ética e humanismo.
Percebo o quanto consegui avançar para um olhar mais plural frente a cada
situação, relativizando as tomadas de decisão sobre o outro, convidando-o para
olharmos, em conjunto, o que diz respeito ao seu cuidado, seu corpo e sua
história.