Comunicação: uma necessidade percebida no período pré-operatório de pacientes
cirúrgicos
PESQUISA
Comunicação: uma necessidade percebida no período pré-operatório de pacientes
cirúrgicos
Communication: a percieved need in the pre-operative period for surgical
patients
Comunicación: una necesidad percibida en lo periodo pre-operatorio de pacientes
quirúgicos
Waldine Viana da SilvaI; Sumie NakataII
IEnfermeira. Doutora em Enfermagem. Docente do Curso de Enfermagem - Graduação
e Pós-Graduação (latu-senso) da Universidade Católica de Santos (UniSantos)
IIEnfermeira. Docente do Curso de Graduação em Enfermagem da Universidade
Católica de Santos.Mestranda no Curso de Saúde Pública da UniSantos
1. INTRODUÇÃO
O ser humano quando afetado por uma enfermidade se torna vulnerável, razão pela
qual merece ser olhado com muito respeito, haja vista ser um doente e não uma
máquina a ser reparada ou um objeto a ser reconstituído. Portanto, se faz
necessário modificar a forma de tratamento que normalmente se dá ao doente,
pois ele está circunstancialmente afetado pela doença, ameaçado, às vezes, de
invalidez e morte. Isto faz surgir um sentimento de insegurança, solidão, medo
e desamparo, levando-o a buscar na equipe de Saúde não apenas a sua cura, mas
também segurança, afeto e solidariedade.
Mezzomo(1) não considera o paciente apenas um doente no leito. Afirma que o
paciente tem uma história de vida, é rodeado por um lar, pelo trabalho, por
parentes, alegrias, tristezas, esperanças e temores.
Para que o profissional de Saúde, particularmente o enfermeiro, possa se
relacionar adequadamente com o paciente, ele deve saber se comunicar, pois a
comunicação é uma exigência da própria natureza humana.
Segundo Stefanelli(2), a comunicação deve ser entendida como um processo que
compreende e compartilha as mensagens enviadas e recebidas facilitando, assim,
a interação entre as pessoas, estabelecendo um intercâmbio entre elas e seu
meio.
Comunicar constitui-se num enriquecimento mútuo, tanto por parte daquele que
transmite como de quem recebe. Quando essa comuni-cação é bem feita, visa
sempre a realização humana e o bem comum.
Essa observação confirma o que Mendes(3) afirma sobre a valorização do homem
como pessoa sendo premissa básica para a humanização na assistência de
Enfermagem. Deve haver valorização de ambas as partes, ou seja, tanto da pessoa
do enfermeiro como da pessoa do paciente.
Mediante o exposto, as autoras deste estudo acreditam que devido ao fato de a
ansiedade ser um fator básico no desenvolvimento e uma manifestação no
comportamento humano, é necessário que o enfermeiro adquira uma profunda
compreensão sobre suas características, origem e adaptações em geral, para dar
o suporte necessário ao paciente em seus cuidados profissionais.
A preocupação com o paciente no período pré-operatório, enquanto ser humano que
necessita de apoio emocional no momento de ansiedade, foi motivação para a
realização dessa pesquisa.
Baseando-se no respeito à pessoa humana, percebeu-se a necessidade iminente de
melhorar a abordagem frente à pessoa enferma, na tentativa de diminuir o
conflito vivenciado pelos pacientes ao se submeterem a certos tipos de
cirurgias, assim como o medo de morrer ou ficar com alguma deficiência física.
Este estudo tem como objetivo investigar como realmente se sentem os pacientes
que irão se submeter a cirurgias e, também, como foi seu preparo para as
mesmas.
2. REVISÃO DA LITERATURA
2.1 A comunicação efetiva no cuidar
Para que haja a identificação desses problemas e a assistência de Enfermagem
seja eficaz, é necessário haver um relacionamento interpessoal por meio da
comunicação terapêutica que, segundo Stefanelli(2), contribui para o
desenvolvimento da prática de Enfermagem despertando sentimento de confiança
entre paciente e enfermeiro.
A ansiedade é, simultaneamente, uma adaptação e um estressor. Funciona como
adaptação no sentido de que é uma resposta a um desequilíbrio do sistema e,
inicialmente, reduz o nível da tensão, obscurecendo a natureza do estressor.
Contudo, sua existência é um sinal de que o sistema está tendo dificuldades em
manter o equilíbrio e, nesse sentido, desempenha uma função preciosa(4).
Por outro lado, ela serve como estressor no sentido de ser percebida como
negativa. Sua presença, muitas vezes lança o sistema em um estado de tensão,
não aliviando a tensão original. Portanto, sendo a ansiedade vista como
negativa, é natural que o sistema empregue uma variedade de mecanismos para
lidar com ela.
É sabido que muitas pessoas apresentam clima de apreensão por desconhecimento
da cirurgia a que vão se submeter, exacerbando o estado de estresse e tensão.
Manifestam medo, desconforto geral e ansiedade, fatores psicológicos que
interatuam de maneira muitas vezes intensa sobre a manifestação orgânica da
enfermidade que possuem.
A comunicação é uma parte essencial no processo terapêutico e isto envolve
escutar cuidadosamente e interpretar inteligentemente. O enfermeiro deve
considerar a comunicação com o paciente como um processo recíproco.
Confirma-se essa colocação através de estudos realizados por Stefanelli(2),
Zago; Casagrande(5), Waldow(6), Silva(7), Aitken(8) entre outros. Quando se
fala em inter-relação, se quer dizer que o enfermeiro e o paciente estão vendo
um ao outro como pessoas que interagem e que expressam através de seu
comportamento, suas motivações e necessidades.
O paciente internado em um hospital, para realização de uma cirurgia de
qualquer espécie, precisa confiar em alguém que o considere e respeite seus
sentimentos. O modo como ele é cuidado é de grande importância. Ele precisa de
segurança e procura encontrá-la em alguém. Este alguém poderá ser qualquer
membro da equipe de Saúde precisa estar preparado e disposto a empregar todo
seu esforço em dar-lhe uma resposta positiva.
De acordo com Aitken(8) "uma pessoa doente é mais que um corpo. Cada ser humano
é um ser integral, e precisa ser visto e cuidado em todos os seus aspectos".
É válido ressaltar que a comunicação interpessoal como método terapêutico deve
ser cumprida com precisão e para isso é necessário auto-disciplina, pois é um
meio de intercâmbio entre quem ajuda e quem é ajudado. A disciplina exigida
leva tempo para tornar-se integrada dentro de qualquer comunicação, a fim de
que esta seja efetivada e contribua para o bem estar do paciente.
2.2. Dificuldades na comunicação
Existem vários tipos de dificuldades que impedem uma comunicação eficaz entre
as pessoas. À essas dificuldades Stefanelli(2) dá o nome de barreiras à
comunicação.
A autora afirma, ainda, que essas barreiras decorrem, geralmente, da falta de
habilidade para ouvir, ver, sentir e compreender a mensagem ou o estímulo
recebido. Acredita que a causa pode ser, principalmente, por deficiência
orgânica de algumas funções psíquicas, entre elas da memória, da atenção ou do
raciocínio.
Em nosso relacionamento com outras pessoas devemos procurar falar pausadamente,
focalizando as idéias principais repetindo-as e verificando se elas foram
entendidas, pois às vezes o nosso interlocutor tem dificuldade em apreender e
compreender as informações recebidas.
Entre as várias barreiras à comunicação referidas por Stefanelli(2) foi
observado nesta pesquisa que as mais presentes foram: pressuposição da
compreensão; influência de mecanismos inconscientes e imposição de esquemas de
valores.Evidenciou-se com isto que normalmente a comunicação entre enfermeiro e
paciente se torna apática, sem efetividade e sem afeto, deixando de ser uma
comunicação terapêutica.
Quando a assistência de Enfermagem é automatizada, é normal acontecer do
paciente achar que os profissionais de Saúde se aborrecem facilmente com ele.
Daí para não incomodá-los, muitas vezes se cala. Existem profissionais que se
esforçam para tranqüilizar o paciente frente a alguma ansiedade iminente, porém
por desconhecimento ou onipotência utilizam meios que deixam o paciente mais
ansioso ainda, usando linguagem inacessível,consideradajargão ou termos
técnicos ou científicos que o paciente desconhece.
Para exemplificar é válido ressaltar um fato ocorrido em um hospital de ensino:
em visita à enfermaria, médico e enfermeira conversavam frente ao leito de uma
paciente. O médico pergunta: (em direção à enfermeira, referindo-se a paciente)
"Como ela está hoje?". A enfermeira responde: dispnéica. E ambos se afastaram
sem mais nenhum comentário.
Momentos depois a paciente está em prantos, e uma aluna de Enfermagem procura
saber o que ela tem e ela lhe relata o acontecido e faz uma pergunta: "Isso é
grave?"
Silva(9) afirma que na área da Saúde se lida com gente, e se não houver uma
comunicação efetiva podem surgir conflitos originados por mensagens não
compreendidas.
Por outro lado, quando o enfermeiro tenta ajudar um paciente afirmando algo que
pode não acontecer ou ao generalizar as queixas deste, se diz que é uma falsa
tranqüilização.Isso é freqüente quando o paciente se encontra preocupado ou com
medo do que poderá acontecer consigo ou seus familiares durante sua internação
ou na cirurgia e o enfermeiro consola-o : "não se preocupe sua família estará
bem, eles querem o melhor para o senhor"; "não precisa ficar com medo, amanhã
estará tudo bem"; "isso aconteceu com uma amiga minha e foi tudo bem"...
Os termos linguagem inacessível e falsa tranqüilização identificam quando uma
comunicação não é terapêutica. A primeira por usar palavras desconhecidas para
o paciente; e a segunda é quando o profissional utiliza frases estereotipadas e
vazias na tentativa de confortar o paciente sem atentar para o seu efeito, ou
seja, reação que provoca no outro(2).
3. METODOLOGIA
Este estudo foi realizado em uma unidade cirúrgica de um hospital público
localizado em um município do Estado de São Paulo. As autoras optaram pela
realização de um trabalho de campo de natureza descritiva com abordagem
qualitativa. Foi utilizada a entrevista semi-estruturada na qual de acordo com
Rey(10), o pesquisador está sempre presente, consciente e atuante, permitindo a
relevância na situação do alvo. A coleta de dados foi feita primeiramente
através de uma observação não sistematizada no campo pelas autoras, a qual deu
base para realização de um roteiro de perguntas abertas permitindo
flexibilidade para correções ou adaptações das informações no transcorrer das
entrevistas. Os dados foram coletados num período de dois meses (agosto a
setembro de 2000) no turno vespertino. As entrevistas foram realizadas pelas
autoras, algumas vezes individuais e outras em grupo de três pacientes. Essas
entrevistas foram realizadas com 27 pacientes na fase do período pré-
operatório. Destes 15 eram do sexo masculino e 12 do sexo feminino. Após a
cirurgia de cada um dos sujeitos do estudo, foi feito um novo contato para
checar os sentimentos dos mesmos e assim garantir a validade da pesquisa
caracterizando também o tipo de assistência prestada aos pacientes da unidade
cirúrgica em estudo.
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
4.1 Participantes do estudo
Os entrevistados deste estudo constituíram-se de pacientes na faixa etária de
10 a 80 anos. Em relação ao grau de instrução o 1º grau incompleto sobrepujou
os que estavam cursando o 2º grau.
As cirurgias a que estes pacientes se submeteram foram: gastre-ctomia,
apendicectomia, laparotomia exploradora, prostatectomia, varicocele e
hidrocele.
4.2 Informações recebidas pelos pacientes antes da cirurgia.
Quando indagados sobre a cirurgia a que iam se submeter, uns responderam ter
conhecimento do nome da cirurgia, mas não sabiam como era realizada. Outros
disseram desconhecer totalmente nome e do que se tratava e outros disseram ter
uma vaga idéia do nome e do que se tratava, como por exemplo:
"Não me falaram nada sobre do que vou operar, estou com medo, pois
estou no escuro"
"Acho que é varicele"
"Me falaram, mas não entendi direito"
Diante do exposto pelos pacientes, foi constatado que, se houve orientação
quanto as cirurgias a serem realizadas esta foi feita de maneira inadequada,
deixando-os com muitas dúvidas. Configurou-se, com isso, que é de fundamental
importância o preparo do paciente no pré-operatório, não somente quanto as
informações sobre a cirurgia mas, também, quanto aos exames de rotina
solicitados pela equipe médica.
O período pré-operatório é o momento mais adequado para o relacio-namento
interpessoal, é quando o enfermeiro deverá aprofundar o prepa-ro emocional do
paciente em face de suas ansiedades quanto a cirurgia à que irá se submeter.
Segundo Ferraz(11), os pacientes devem conhecer sobre sua cirurgia para que
aceitem as mudanças, mesmo que sejam temporárias e necessárias, ajustando-se
mental e fisicamente.
Feldman(12) afirma que o esclarecimento de dúvidas permite ao paciente
compreender certas situações e, quem sabe, procurar alternati-vas que minimizem
suas ansiedades. Evidencia que o profissional de Saúde deve ser cauteloso e
identificar o nível de ansiedade do paciente, evitando dar informações
excessivas, podendo aumentar sua ansiedade.
É evidente que uma explicação na fase que antecede a cirurgia sobre os
procedimentos que o paciente estará envolvido, possivelmente, diminuirá os
sofrimentos por ele sentidos.
Ao serem indagados sobre sua recepção na unidade, quanto a identificação da
equipe de Saúde e quanto ao preparo para a cirurgia, observou-se mediante os
relatos o despreparo da equipe na assistência, inclusive a presença da falsa
tranqüilização. Alguns pacientes relataram que não tiveram praticamente nenhuma
orientação no período pré-operatório e verbalizaram:
"A gente entra no hospital, apavorado, com medo de morrer, pois não
se sabe nem o que vão fazer com a gente e nem quem cuida da gente."
"Não se recebe uma palavra amiga, de conforto para diminuir aquele
medo imenso que se está sentindo."
"Eu não sei quem é a enfermeira e auxiliar de Enfermagem e nem tenho
certeza de quem é meu médico, todos entram e saem e não se
apresentam"
"Uma vez uma moça chegou e me falou que eu ia me operar da apêndice e
que era uma cirurgia simples que eu não ficasse com medo, mas se ela
é enfermeira, não sei."
De acordo com Oetker-Black(13) e Morita et al(14) a preparação psicoló-gica é
vista como benéfica se baseada nas necessidades individuais do paciente, pois
na medida em que o paciente se sente esclarecido em suas dúvidas diminuem os
temores, prevenindo possíveis complicações no período pós-operatório.
Era evidente a necessidade que estes pacientes sentiam de informações. Uma boa
comunicação seria a prova de que a qualidade do cuidado com o paciente estava
de excelente nível.
Segundo Stefanelli(2), a eficácia na comunicação acaba por provocar, a curto ou
longo prazo, uma mudança no modo de pensar, sentir ou atuar de uma pessoa, ou
seja, toda atividade de enfermagem envolve uma ação interpessoal.
É no momento da apresentação que o enfermeiro tem a oportunidade de apresentar
os membros da equipe de Enfermagem diferenciando a função de cada um e
evidenciando a sua.
Durante as entrevistas observou-se que todos os pacientes, conscientes ou não
de seus diagnósticos, apresentavam-se ansiosos e interrogativos quanto ao tipo
de alimentação após a cirurgia, meio de locomoção, possibilidade de retorno ao
trabalho, riscos que enfrentariam, preocupação com invalidez e morte, tempo que
iriam sentir dor e medo de que retirassem algum órgão a mais.
Silva(9) confirma essas dúvidas quando afirma que o indivíduo tem medo do
desconhecido, pois gera insegurança exatamente por ser imprevisível,
indefinível e incontrolável.
Seria interessante que no Brasil tivéssemos uma assistência como nos expõe a
enfermeira Rost(15), em Manhattam no "Veterans' Administra-tion Medical
Center", onde existe a Unidade Pré-Cirúrgica a qual recebe pacientes
encaminhados para cirurgia. O paciente é preparado emocio-nalmente discutindo-
se sua doença, o tipo de cirurgia e esclarecidas todas as suas dúvidas, só
sendo encaminhado para a cirurgia quando se sente pronto para enfrentá-la. Um
dia após a cirurgia, a enfermeira vai visitá-lo para saber como se sentiu, como
passou a noite, se precisa de auxílio. Rost(15) refere que o interesse da
enfermeira é contínuo, visando aliviar a ansiedade do paciente e ajudando-o a
enfrentar suas expectativas.
Tomando um pouco por base o trabalho de Rost, procurou-se averiguar como se
sentiam os pacientes no período pós-operatório.
4.3 Percepção das sensações e sentimentos do paciente no período pós-operatório
Surgiram as mais variadas respostas quando os pacientes foram indagados sobre
suas impressões em sua chegada ao quarto após a cirurgia, envolvendo a
assistência e/ou atenção da equipe de tratamento:
"Me senti um inútil, um cachorro de rua, sabe? Um peso, me colocaram
na cama, me arrumaram e desapareceram."
"No abandono que fiquei senti muita raiva e falava com Deus: por que
as pessoas eram tão ruins e não procuravam ajudar quem precisava?
Chorei muito e fui chamada de dengosa."
Alguns pacientes retrataram "as enfermeiras", generalizando, por
desconhecimento:
"São umas jararacas, gordas, caras feias e duras e só querem atender
os médicos que estão bons, andando e sem dor e nós ficamos esperando
a boa vontade delas para nos atenderem, nunca deviam ter sido
"enfermeiras."
Outros humildemente falavam:
"Não senti dor e graças a Deus fui bem tratado e gostei muito do
pessoal que me atendeu."
Além desses, outros desabafos foram ouvidos como:
"Entrei no hospital com medo, mas confiante em Deus que tudo ia dar
certo, durante a internação não encontrei uma palavra de conforto, é
triste sair de alta sem ter a quem agradecer."
"parece que aqui essas pessoas trabalham por obrigação."
Essas colocações evidenciam a necessidade da comunicação efetiva, vindo de
encontro a afirmação de Zago e Casagrande(5) " a comunicação é essencial para o
relacionamento enfermeiro/paciente. Pela comunicação, o enfermeiro pode
identificar os significados que o paciente atribui à doença, à hospitalização e
ao tratamento cirúrgico".
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O resultado desta pesquisa revelou que a maioria dos pacientes estudados não
recebeu orientações adequadas sobre suas cirurgias, não teve o apoio necessário
por parte da equipe de Saúde, a qual praticamente desconhece, e apresentou (do
início ao fim da internação) ansiedade e sofrimento frente ao desconhecimento
do que haveriam de enfrentar durante a internação, configurando, portanto, que
a equipe de Saúde não está valorizando o ser humano como principal objetivo da
profissão, deixando a desejar quanto a humanização.
É chegada a hora de inovarmos na assistência de Saúde. Neces-sitamos fazer uma
reflexão crítica da trajetória percorrida pelos profissionais de Saúde, em
particular o enfermeiro. Necessitamos visualizar novos horizontes e procurar
humanizar mais a assistência aos nossos pacientes, valorizando os aspectos
emocionais com relação ao medo, pois eles têm medo da dor, da anestesia, de
ficar desfigurado ou incapacitado; têm medo de mostrar o medo e de mil e uma
fantasias e, principalmente, o medo de morrer.
É válido ressaltar que existem duas forças em oposição dentro da pessoa doente
que impedem e dificultam o equilíbrio: a harmonia e o diálogo. Ambos estão
entre o corpo e psique, se acham interrompidos e torna-se difícil reatá-los.
Quando o indivíduo tem saúde, mesmo sujeito à pressões de toda a ordem, tem
capacidade e força suficiente para superá-las, mas quando está doente, o corpo
parece dominá-lo, a pessoa passa a ser um peso e obstáculos surgem impedindo-
a de viver a vida e gozar da liberdade.